segunda-feira, julho 27, 2026

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Mapa se une à Embrapa na realização da Feira Brasil na Mesa para valorizar alimentos da sociobiodiversidade brasileira


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) se une à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na realização da Feira Brasil na Mesa, que ocorre de 23 a 25 de abril na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). A abertura oficial do evento será realizada na manhã de quinta-feira (23) e contará com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

A feira reúne produtores, pesquisadores, gestores públicos e o público em geral para apresentar a diversidade de alimentos produzidos no país e ampliar o conhecimento sobre a riqueza da sociobiodiversidade brasileira. Interessados em participar do evento podem se credenciar clicando aqui. 

A iniciativa busca aproximar produção, ciência, políticas públicas e consumo, destacando alimentos que fazem parte da diversidade produtiva brasileira, mas que ainda são pouco conhecidos em nível nacional. O Brasil possui uma das maiores diversidades alimentares do mundo, com frutas nativas, castanhas, farinhas, cafés, fermentados e carnes diferenciadas, muitos deles produzidos por agricultores familiares, pequenos produtores e povos e comunidades tradicionais.  

Um dos espaços centrais do evento é o Estande Brasil, que reúne ministérios e instituições públicas, entre eles o Mapa, para apresentar programas de governo e iniciativas voltadas ao fortalecimento da produção de alimentos, inclusão socioprodutiva e desenvolvimento regional. Além disso, durante a programação técnica do evento, especialistas do ministério apresentarão iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor agroalimentar e à ampliação das oportunidades para produtores e agroindústrias brasileiras. 

Na sexta-feira (24), às 17h, no Auditório Pequi, a coordenadora-geral de Articulação da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Fabiana Maldonado, apresenta a palestra “Promoção comercial e internacionalização do setor agroalimentar brasileiro”. A apresentação abordará estratégias voltadas à ampliação da presença dos alimentos brasileiros nos mercados internacionais.

No sábado (25), às 17h, na Sala Mangaba, Judi Maria da Nóbrega, diretora do Departamento de Planejamento e Estratégia do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, apresenta a palestra “SISBI-POA e sua repercussão para as agroindústrias de produtos de origem animal no Brasil”. A exposição tratará do funcionamento do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal e do impacto da iniciativa na ampliação das oportunidades para agroindústrias em todo o país.

Ciência, alimentos e políticas públicas

A Feira Brasil na Mesa foi criada para dar visibilidade à riqueza alimentar do país e fortalecer economias locais associadas à agricultura familiar e à produção regional. A programação reúne degustações, feira de produtores, vitrines de tecnologias, seminários técnicos e atividades culturais, conectando ciência, mercado e políticas públicas voltadas ao setor agroalimentar. 

Entre as atrações também estão a Estação das Delícias Brasileiras, com degustação de alimentos nativos, a Feira dos Sabores, que reúne produtores de diferentes regiões do país, e a Cozinha Show, com chefs preparando receitas ao vivo utilizando ingredientes da biodiversidade brasileira. 

Informação à [email protected]





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Sema oferta nesta sexta capacitação sobre cobranças pelo uso das águas



Sema-MT promove capacitação sobre cobrança do uso das águas com especialistas de SP



Foto: Andressa Silva

Servidores e representantes da gestão dos recursos hídricos participaram hoje (17.04) do workshop sobre a implementação da cobrança pelo uso das águas, realizados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). A programação conta com um especialista na temática administrativa de São Paulo, que aborda como é esse instrumento e sua aplicação em outros estados.

O evento ocorre no Auditório Arne, durante o período das 8h às 17h. O objetivo do workshop é capacitar a Câmara Técnica e demais membros do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CEHIDRO), além de integrantes dos Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH).

A Agência de Águas do estado de São Paulo é o braço executivo dos Comitês PCJ, responsável por gerenciar os recursos hídricos dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, especificamente as cobranças. Dessa forma, possuem articulação com o Governo do Estado e Federal, usuários de água e ONGs.

A vinda de integrantes da agência para a oficina visa melhor compreensão prática dos participantes em relação ao modelo de cobrança empregado no PCJ.

“Esse curso é organizado pela Câmara Técnica de Cobrança do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, onde a Câmara Técnica está se capacitando para poder trabalhar as questões de cobrança no Estado de Mato Grosso. Não quer dizer que vamos plantar cobrança ou não, mas estamos buscando entender o que é esse instrumento, qual a forma que ele está acontecendo em outros lugares”, afirma o superintendente. 

O encontro ofereceu um café da manhã para a recepção dos participantes. Posterior a abertura feita pelo Superintendente de Recurso Hídricos da Sema e Secretário Executivo do CEHIDRO, Luiz Henrique Noquelli, o curso será ministrado pelo Diretor Administrativo e Financeiro da Fundação das Bacias PCJ, Ivens de Oliveira.

Também aconteceu um coffe break disponível aos presentes.

*Texto: Yasmin Yegros com supervisão de Clênia Goreth 





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CNA destaca impactos da Reforma Tributária para o produtor de cana



CNA ressalta efeitos da reforma tributária para produtores de cana



Foto: Divulgação

Brasília (17/04/2026) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou os impactos da Reforma Tributária para os produtores rurais durante programação do Cana Summit 2026, na quinta (16), em Ribeirão Preto (SP).

O evento foi realizado pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) e reuniu autoridades, lideranças e especialistas para debater desafios e oportunidades do setor sucroenergético. 

O coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, participou de um painel com os especialistas Analelia Galhardo (Tax Partner na PwC Brasil), Henrique Domingues Montanare (Sócio e Diretor da SeniorBusiness Solutions), Marcos Ribeiro (Sócio da Simões Pires).

Em sua fala, Renato destacou a importância de o produtor se preparar para o período de transição da Reforma Tributária e de mudanças como o sistema de emissão de notas eletrônicas. 

Segundo ele, embora a implementação comece em 2026, os pagamentos dos tributos serão exigidos em 2027.

O coordenador também ressaltou as conquistas alcançadas pela CNA e pelas entidades parceiras, como a Orplana, ao longo da tramitação da reforma. “Houve avanços importantes para o agro, como a redução da carga tributária, o tratamento diferenciado para os biocombustíveis em relação aos combustíveis fósseis, e a possibilidade de transferência de crédito”. 

Durante o debate, Conchon explicou ainda que a reforma representa uma mudança de paradigma para o produtor rural e na forma como ele lida com a tributação. “O que ele faz hoje em nível de ICMS, que é o imposto estadual que está morrendo, ele não vai fazer mais, será algototalmente diferente”.





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Dólar fecha em R$4,9836, no menor valor do ano, após Irã reabrir Estreito de…


Logotipo Reuters

 

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 17 Abr (Reuters) – O anúncio de que o Irã vai reabrir o Estreito de Ormuz pesou sobre o dólar nesta sexta-feira no Brasil, com a moeda norte-americana encerrando o dia no território negativo, renovando a menor cotação do ano.

O dólar à vista encerrou o dia em leve queda de 0,20%, aos R$4,9836, menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$4,9805.

Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,53% e, no ano, recuo de 9,21%.

Às 17h09, o dólar futuro para maio DOLc1 — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,22% na B3, aos R$4,9960.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse pela manhã que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está completamente liberada durante o restante do período de cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, no Líbano.

Trump, por sua vez, afirmou que os EUA manterão seu bloqueio naval contra o Irã até que um acordo seja finalizado, mas disse acreditar que isso “será feito muito rapidamente”. Segundo ele, representantes dos dois países podem voltar a se reunir no fim de semana. Uma autoridade iraniana disse à Reuters que ainda há diferenças significativas entre os dois países quanto a questões nucleares.

A expectativa de um acordo entre os países e, em especial, o anúncio de reabertura de Ormuz fizeram o dólar ceder ante as demais divisas, incluindo o real, com investidores desmontando posições defensivas na moeda norte-americana.

Às 10h06, o dólar à vista marcou a menor cotação intradia de R$4,9506 (-0,86%).

“O dólar recuou com força na sessão e chegou a renovar a mínima do ano, refletindo um movimento global de redução de prêmio de risco após a reabertura do Estreito de Ormuz”, resumiu Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Ainda durante a manhã, no entanto, o dólar voltou a ganhar força ante o real, se reaproximando dos R$5,00, com alguns participantes do mercado aproveitando as cotações mais baixas para comprar moeda.

Às 14h11, o dólar à vista marcou a máxima de R$4,9933 (estável), para depois encerrar a sessão em leve baixa.

No exterior, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — se mantinha em leve queda neste fim de tarde, mas acima da marca de 98, após ter oscilado abaixo disso durante boa parte do dia.

Em relatório a clientes distribuído pela manhã, o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, pontuou que o índice do dólar está com “tendência de baixa de longo prazo e ameaçando perder a região de 98, fato que beneficiaria ainda mais a moeda brasileira”.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.

(Edição de Isabel Versiani)





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Com alta em todos os grupos, IPPA/CEPEA avança 3% em março


Em março, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou alta de 3,02% em relação ao mês anterior. O resultado mensal refletiu aumentos em todos os subgrupos, com destaque para o IPPA-Hortifrutícolas (15,94%), seguido por IPPA-Grãos (3,01%), IPPA-Pecuária (2,65%) e IPPA-Cana-Café (1,20%), indicando um movimento de recuperação dos preços agropecuários no período. No grupo de grãos, os principais destaques de alta foram algodão, arroz, soja e trigo, enquanto o milho exerceu pressão negativa.

Na pecuária, houve elevação nos preços de boi gordo, leite e ovos, ao passo que frango vivo e suíno vivo apresentaram quedas. No segmento hortifrutícola, os aumentos de batata, banana e uva contrastaram com as retrações de tomate e laranja. Já em Cana-Café, o avanço do café foi parcialmente compensado pela queda da cana. 

O IPA-OG-DI registrou alta de 1,02% no mês, indicando que, em março, os preços agropecuários apresentaram desempenho superior ao dos preços industriais. No cenário internacional, os preços dos alimentos avançaram 2,4% em dólares e, com a leve depreciação cambial (0,38%), resultaram em aumento de 2,79% quando medidos em reais. 

Na comparação entre períodos (jan-mar/2026 contra jan-mar/2025), o IPPA/CEPEA apresenta queda de 9,79%, com retrações em todos os grupos: IPPA-Cana-Café (-16,61%), IPPA-Hortifrutícolas (-14,05%), IPPA-Grãos (-9,85%) e IPPA-Pecuária (-5,73%). No mesmo período, o IPA-OG-DI recua 2,55%, enquanto os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 14,29% em reais e de 4,59% em dólares, refletindo também a valorização de 10,12% do real no período. 





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Novas cultivares de cana serão apresentadas na Agrishow 2026



Setor sucroenergético recebe novas cultivares



Foto: Canva

O Instituto Agronômico apresentará duas novas variedades de cana-de-açúcar durante a Agrishow 2026, realizada entre 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto. As cultivares IACCTC09-6166 e IAC07-2361 serão exibidas no espaço do instituto, onde também funciona a Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento de Cana, vinculada à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Além dos novos materiais, o Instituto Agronômico levará ao evento outras dez cultivares já difundidas no país, além de informações sobre tecnologias como o Sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB) e a Tecnologia do Terceiro Eixo. O sistema de mudas tem produção anual estimada em 200 milhões de unidades, enquanto a tecnologia de plantio já é adotada em parte do setor com o objetivo de reduzir a exposição da cultura ao déficit hídrico.

Segundo o líder do Programa Cana IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, o evento permitirá a aproximação com o público. “Será uma oportunidade para o público interagir com os nossos pesquisadores e conhecer os materiais mais recentes liberados pelo Programa Cana IAC ao setor sucroenergético, com alto potencial produtivo e com características que agradam produtores e indústria”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, as variedades IAC07-2361 e IACCTC09-6166 são indicadas para a região Centro-Sul do Brasil e ampliam as alternativas disponíveis aos produtores. As cultivares apresentam características voltadas à produtividade agroindustrial e à adaptação ao manejo mecanizado ao longo dos ciclos produtivos.

A variedade IAC07-2361 é descrita como adaptada à mecanização no plantio e na colheita, com população de colmos estável ao longo dos cortes e resistência ao acamamento. Já a IACCTC09-6166 apresenta manutenção uniforme de colmos, adaptação a diferentes ambientes e longo período de utilização industrial, além de características compatíveis com sistemas mecanizados.





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Justiça libera cobrança de imposto sobre exportação de petróleo



Justiça autoriza imposto de 12% sobre exportação de petróleo após suspensão


Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta sexta-feira (17) que a Justiça Federal no Rio de Janeiro suspendeu a decisão que proibiu a cobrança da alíquota de 12% de imposto sobre a exportação de petróleo.

A decisão foi proferida pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), desembargador Luiz Paulo da Silva Araújo Filho.

O magistrado concordou com os argumentos apresentados pela AGU, que alegou que a proibição de cobrança pode causar grave lesão à economia.

A cobrança do imposto foi questionada na Justiça por cinco empresas multinacionais de petróleo: Total Energies (França), Repsol Sinopec (Espanha e China), Petrogal (Portugal), Shell (anglo-holandesa) e Equinor (Noruega).

“As impetrantes possuem plena capacidade econômica para arcar com a exigência tributária, bem como poderão pleitear repetição de indébito, caso a juridicidade da exigência não se confirme ao final”, decidiu o desembargador.

A cobrança de 12% de Imposto de Exportação consta na Medida Provisória (MP) 1.340/2026, publicada em 12 de março.

A MP foi editada pelo governo federal como uma tentativa de conter a escalada no preço de derivados de petróleo no país, notadamente o óleo diesel, em meio à guerra no Oriente Médio, que levou distúrbios à cadeia produtiva do petróleo, diminuindo a oferta do óleo.





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Mulheres empreendem em bioeconomia e mudam de vida no Sudoeste do Pará


Em Paraupebas, no sudeste do Pará, a força criativa de mulheres tem transformado vidas. Seja com a produção de mel, cerâmica ou de biojoias feitas com sementes, essas mulheres mostram que é possível liderar negócios aliando a realização pessoal com a valorização cultural da região, a preservação da floresta e a geração de renda.

Essas mulheres vivem próximas à Floresta Nacional de Carajás e à maior mina de ferro a céu aberto do mundo. E é ali que elas vêm coletando materiais para suas produções e conquistando também sua independência financeira, além de um papel de protagonismo na comunidade.

Uma dessas iniciativas impulsionadas por mulheres é a Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA). A associação existe há cerca de dez anos e trabalha tanto com mel proveniente da apicultura, com as abelhas mais conhecidas, quanto da meliponicultura, que consiste na criação de abelhas sem ferrão, que são resgatadas de zonas de supressão.

O incentivo à criação de abelhas contribui não só para a preservação da natureza como também oferece alternativas de geração de renda para essas mulheres.

“A gente só sabia passar e cozinhar”, contou Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras da associação. “Mas, quando colocaram essa ideia nas nossas cabeças, de que a gente podia fazer outras coisas fora de casa, abraçamos. Isso foi nos transformando. Até saímos para estudar”.

A fundadora conta que voltou a estudar com 51 anos e que muitas dessas mulheres eram analfabetas.

“Saímos de dentro da cozinha, de dentro daquela vida que era só a mesma, e hoje estamos empreendendo e, para nós, isso é muito gratificante”, ressaltou.

Agora, diz Ana Alice, elas já não têm mais tempo para cuidar dos afazeres domésticos. “Mudou tudinho. A gente não tem mais muito tempo para cozinhar, não. Nem para organizar a casa”.

A AFMA é composta atualmente por 23 famílias, reunindo tanto mulheres quanto homens. À semelhança das colmeias, as fêmeas cuidam dos principais afazeres desse trabalho, como cuidar das finanças e de envasar, rotular e colocar o preço no produto.

“Os homens vão para o apiário, mas quem administra são as mulheres”, disse Ana Alice, que já foi presidente da associação. “A gente vai organizando todo mundo e fazendo o que é melhor para produzir e para aumentar essa produção, assim como as abelhas fazem”, destacou.

Só no ano passado, mais de 2 milhões de pequenos negócios abertos no Brasil foram liderados por mulheres. Os dados são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Receita Federal.

Segundo esse levantamento, quatro entre cada dez pequenos negócios abertos no país em 2025 foram criados por mulheres, superando em mais de 320 mil o verificado no ano anterior.

Em entrevista à Agência Brasil, a gerente da Unidade de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará, Renata Batista,  destacou que o número de mulheres donas de negócios passou de 8,2 milhões, em 2015, para 10,4 milhões, em 2025 – um crescimento de 27% em dez anos, acima do avanço observado entre os homens.

“Isso acontece por uma combinação de fatores: maior escolarização feminina, a busca por autonomia financeira, a necessidade de geração de renda e a ampliação do acesso à formalização, especialmente via MEI [microempreendedor individual]. Ao mesmo tempo, o empreendedorismo tem sido uma porta de entrada para as mulheres transformarem o conhecimento, o talento e o vínculo com o território e o negócio”, acrescentou.

Apesar desse crescimento, as mulheres ainda não representam nem metade dos novos pequenos empreendimentos abertos no país. No estado do Pará, por exemplo, apenas 37,6% das pequenas empresas criadas em 2025 eram lideradas por mulheres.

Mesmo com dificuldades, essas mulheres vêm buscando abrir espaços nesse mercado, contando com apoio do Poder Público ou de empresas privadas.

Diretora de soluções baseadas na natureza da mineradora Vale, Patricia Daros, afirma que os negócios tocados por mulheres extrapolam a questão da geração de renda, levantando também a questão de empoderamento feminino que começa a ser mais percebido. Na mineradora, 30% dos 50 projetos de bioeconomia apoiados recentemente são liderados por mulheres.

“A gente começou a perceber, desde quando a gente começou esse trabalho [de fomento], uma mudança do ponto de vista desse perfil de quem está à frente desses negócios, e as mulheres começaram, de fato, a aparecer um pouco mais ultimamente, principalmente em negócios relacionados à bioeconomia”, destacou.

Emancipado em 10 de maio de 1988, após plebiscito que o desmembrou de Marabá, o município de Parauapebas tem nome de origem tupi, que significa “rio de águas rasas”. Sua formação populacional é resultado de intenso fluxo migratório, impulsionado pela descoberta e exploração de minérios na Serra dos Carajás, a partir da década de 1960.

Hoje, a mineração responde por boa parte da economia, com destaque para o minério de ferro, mas também cobre, manganês, níquel e ouro.

Apesar da mineração, têm crescido na cidade projetos de bioeconomia, como o que transforma mais de 100 tipos de sementes em biojoias que misturam arte e sustentabilidade.

Secretária da Associação Preciosidades da Amazônia e futura presidente da Cooperativa de Trabalho Artesanal da Amazônia, Luciene Padilha, contou que a associação impacta não só a vida financeira, mas também a parte social, econômica e emocional das 12 mulheres participantes.

“Quando fizemos o curso, éramos mulheres em situação de vulnerabilidade, mulheres que não saíam de casa porque tinham medo. Seus provedores diziam: ‘você não sabe, você não pode’. Hoje elas já se posicionam, já se sentem mais fortalecidas e trabalham com empreendedorismo feminino”, comemorou.

A Associação Preciosidades da Amazônia tem apoio da prefeitura, da Vale, do Sebrae e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Tesoureira do grupo, Sandra Brasil explicou que é da natureza que elas extraem as sementes e também sua renda.

“Nós trabalhamos com materiais vegetais e tudo o que a natureza nos permite usar. Nós estamos com um tesouro na mão. Não é só ouro e prata que são tesouros. Nós aprendemos a reconhecer a natureza como o verdadeiro tesouro da humanidade”, destacou.

Após terem aprendido a confeccionar suas peças, essas artesãs agora têm sido mentoras de novas gerações de empreendedoras. “Quando nós saímos da sala de aula, já saímos com conhecimento suficiente para repassar [para outras pessoas]. Hoje em dia, todas nós vamos para a sala de aula. Já demos até oficinas”, ressaltou.

As biojoias produzidas por essas artesãs têm fortalecido a economia local e contribuído para o sustento de muitas famílias. Mais do que contar histórias, essas peças têm fortalecido laços e também ajudado a preservar a Amazônia.

Para Renata Batista, projetos desse tipo são estratégicos porque mostram, na prática, que é possível gerar renda com a floresta preservada, agregando valor à biodiversidade, ao conhecimento local e a cultura brasileira.

“No caso das biojoias, ainda há um componente muito forte de identidade e diferenciação. O Sebrae aponta que esse mercado vem ganhando espaço porque une materiais naturais, processo artesanal e valorização de histórias, crenças e tradições do país”.

Já o grupo Mulheres de Barro, formado por ceramistas de Parauapebas, surgiu durante a implantação do projeto Salobo, maior projeto de exploração de minério de cobre do país, tocado pela Vale no interior da Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri (Flonata), em Marabá.

Durante o projeto Salobo, foram encontrados artefatos arqueológicos presentes na floresta e que datam de 6 mil anos atrás. E foi a partir dos trabalhos de prospecção e de salvamento arqueológico desses artefatos, conduzidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi e pela Vale, que o grupo se formou. Em oficinas de educação patrimonial, essas mulheres conheceram a história local e tiveram acesso a ensinamentos sobre a cerâmica, o que permitiu que criassem peças inspiradas nesse passado.

Nessas oficinas, elas aprenderam que a cerâmica produzida pelos povos que habitavam as proximidades do Rio Itacaiúnas e seus afluentes eram utilizadas para rituais ou como objetos de uso cotidiano. Desde então, a partir dessa memória, essas artesãs começaram a produzir novas histórias e a moldar peças contemporâneas com referências arqueológicas.

As formas e grafismos dessas novas peças são inspiradas nos vestígios recuperados nesses sítios arqueológicos da Serra dos Carajás. Já a base da pintura são pigmentos provenientes de minerais da região, como minério de ferro, manganês e argilas coloridas.

Presidente do Centro Mulheres de Barro, Sandra dos Santos Silva contou que, depois de 2002, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) incluiu no processo de licenciamento das pesquisas arqueológicas uma obrigação de fazer educação patrimonial para informar a comunidade do entorno sobre os resultados.

“E foi aí que eu digo que o universo conspirou a nosso favor, porque a gente estava buscando isso: participamos dessa formação durante seis anos. A gente não sabia fazer cerâmica, aprendemos do zero”, contou ela, que lidera uma cooperativa formada por 18 mulheres e quatro homens, que não só fabricam peças como também ministram cursos e oficinas.

Agora, essas mulheres ajudam a preservar a memória ancestral da região e também a floresta onde esses vestígios de cerâmicas foram encontrados. Para isso, elas deixam de coletar a argila diretamente da natureza, o que seria um processo degradante, para utilizar sobras de construções para a produção de suas peças.

“Com essa ideia de sustentabilidade, observamos que sempre há sobra [de argila] em todas as construções na cidade. Era uma quantidade imensa de argila descartada. A gente usa esse descarte das obras para fazer um processo de peneiramento da argila: a gente dilui, peneira, bate numa betoneira, dilui muito bem, coloca para decantar e aí vai tirando a água até ela ficar na consistência de um açaí do grosso. Daí, coloca para desidratar até chegar ao ponto de modelagem”, explicou Sandra.

Por meio desses trabalhos, o Centro Mulheres de Barro vem mudando a vida de várias mulheres de Parauapebas. E esse conhecimento ancestral, que chegou às fundadoras do Mulheres de Barro, agora começa também a ser repassado para as novas gerações.

“Eu nunca tinha mexido com barro. Mas agora me sinto muito feliz”, contou Maria do Socorro Assunção Teixeira, 62 anos, uma das fundadoras do grupo. “Agora eu me vejo como multiplicadora de conhecimento. Nós passamos [esse conhecimento] para outras pessoas”, ressaltou.

Essas pequenas iniciativas lideradas por mulheres no Pará são exemplos de projetos de bioeconomia, um modelo econômico baseado no uso sustentável de recursos naturais.

“Quando uma mulher lidera um negócio de economia no território amazônico, ela não está apenas vendendo um produto, mas ela está ajudando a construir uma economia mais enraizada no território, com mais identidade, mais valor agregado e mais capacidade de distribuir renda localmente”, destacou a gerente do Sebrae no Pará.

“Negócios como biojoias, artesanato de base sustentável, cosméticos naturais e outros produtos da sociobiodiversidade mostram que a Amazônia pode ser também o espaço de inovação econômica baseada em ativos da floresta e não só em atividade de baixo valor local”, acrescentou.

Além desses projetos serem sustentáveis, eles também fortalecem as tradições locais e as cadeias produtivas. Na Amazônia, os resultados positivos dessa forma sustentável de negócio têm atraído, cada vez mais, investimentos de governos e da iniciativa privada.

Todos os projetos citados nesta matéria, por exemplo, receberam apoio do Fundo Vale, associação sem fins lucrativos mantida pela mineradora e que busca acelerar negócios de impacto que valorizam a floresta em pé e o uso sustentável da terra.

“Quando a Vale lançou o Fundo Vale, nós olhamos numa perspectiva de pensar essa economia da floresta numa lógica mais justa e de desenvolvimento territorial. Já aportamos mais de R$ 430 milhões em mais de 146 iniciativas na região”, destacou Patricia Daros.

A cada ano, essa bioeconomia da sociobiodiversidade tem movimentado R$ 13,5 bilhões no estado do Pará, impulsionada por cadeias produtivas ligadas à floresta, aos rios e à agricultura familiar. No entanto, esses negócios ligados à biodiversidade, principalmente os tocados por mulheres, ainda enfrentam algumas dificuldades para se manterem em pé.

“Há desafios que são comuns a qualquer empreendedor, como acesso ao mercado, gestão financeira, capital de giro, planejamento e competitividade. Mas, no caso das mulheres, existem ainda barreiras adicionais. O Sebrae destaca que, logo que elas abrem os negócios em proporções semelhantes às dos homens, mesmo elas sendo em média mais escolarizadas, esses empreendimentos tendem a faturar menos”, disse Renata Batista.

Além disso, ressaltou ela, as mulheres tendem a ter mais dificuldade de acesso ao crédito e enfrentam sobrecarga no trabalho, pois tendem a acumular outras atividades relacionadas a afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, o que afeta o tempo disponível para qualificação, gestão, capacitação e expansão do negócio.

Por isso, o Sebrae destaca que, para que um negócio relacionado à sociobiodiversidade possa dar bons frutos, é necessário não só produzir bem, mas também estruturar bem a cadeia, a comercialização do produto e o financiamento para o projeto – que deve ser compatível com a realidade no campo.

Para fortalecer esses projetos de bioeconomia, o governo federal apresentou recentemente o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). Um dos eixos desse plano é voltado para projetos relacionados à sociobioeconomia e os ativos ambientais.

*A repórter viajou a convite da Vale.





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Exportações de carne bovina desaceleram


Segundo informações divulgadas pela Abrafrigo, o ritmo de crescimento das exportações brasileiras de carne bovina desacelerou em março de 2026 na comparação com os meses anteriores. Ainda assim, o setor registrou avanço expressivo nas receitas, impulsionado pela valorização dos preços no mercado internacional.

Dados compilados pela associação mostram que os embarques de carne bovina in natura totalizaram 233,79 mil toneladas em março, alta de 8,95% frente ao mesmo mês de 2025. Apesar do crescimento, o desempenho ficou abaixo dos registrados em janeiro e fevereiro, quando os aumentos foram mais robustos.

Por outro lado, a receita atingiu US$ 1,36 bilhão no mês, avanço de 29,14% na comparação anual. O movimento reflete a valorização da proteína brasileira no exterior, influenciada pela alta da arroba do boi gordo e pela variação cambial.

No consolidado do setor — incluindo carne industrializada e subprodutos — o faturamento chegou a US$ 1,476 bilhão em março, mesmo com recuo de 6,65% no volume total embarcado.

Primeiro trimestre mantém crescimento

No acumulado de janeiro a março, as exportações totais do setor alcançaram US$ 4,32 bilhões, crescimento de 32,29% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, o avanço foi de 10,98%, somando 827,64 mil toneladas.

Considerando apenas a carne bovina in natura, o desempenho foi ainda mais expressivo:

– Receita: US$ 3,98 bilhões (+37,45%)

– Volume: 700,98 mil toneladas (+19,92%)

O preço médio da tonelada exportada também subiu, chegando a US$ 5.642 — alta de 14,61% na comparação anual.

A China manteve a liderança entre os destinos da carne bovina brasileira no primeiro trimestre, com compras de US$ 1,816 bilhão e participação superior a 45% nas receitas. O volume embarcado ao país asiático cresceu 39,35%, totalizando 325,68 mil toneladas.

Mercados que apresentaram crescimento:

– Estados Unidos: alta de 60,96% em receita

– União Europeia: crescimento de 29,48%

– Chile, Rússia e México: aumentos expressivos tanto em volume quanto em valor

O cenário indica uma diversificação da demanda internacional, mesmo com a forte dependência do mercado chinês. Apesar dos números positivos, o setor enfrenta um contexto de comparação desafiador. Os resultados de 2025 foram marcados por recordes sucessivos, o que reduz a expectativa de manutenção de taxas elevadas de crescimento ao longo de 2026.

Além disso, a redução no ritmo de expansão do volume pode indicar um ajuste natural do mercado, enquanto os preços seguem sustentando o faturamento.

 

 

 

 

 





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Milho avança, mas clima limita operações


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (16), a colheita de milho avançou de forma parcial no Rio Grande do Sul, condicionada pela recorrência de chuvas e pela priorização de outras culturas mais sensíveis após a maturação. Ainda assim, na maior parte das regiões, os trabalhos estão em fase final ou já concluídos, atingindo 86% da área cultivada. “A colheita de milho evoluiu de forma parcial, condicionada principalmente pela recorrência de precipitações no período e pela priorização operacional de outras culturas mais sensíveis às intempéries após a maturação”, informa a Emater/RS-Ascar.

Segundo a Emater/RS-Ascar, ainda restam lavouras implantadas fora da janela preferencial, nas quais a reposição hídrica tem contribuído para a manutenção do potencial produtivo, apesar dos impactos anteriores provocados por déficit hídrico e temperaturas elevadas durante o período reprodutivo. Essas condições afetaram o número de grãos por espiga e a massa dos grãos. “Observa-se variabilidade produtiva, mas, nas áreas colhidas, predominam grãos com boa qualidade”, aponta o relatório, que também registra perdas localizadas associadas ao atraso na colheita e à elevada umidade.

O levantamento destaca que, em lavouras ainda em desenvolvimento, principalmente da segunda safra, persistem riscos fitossanitários relacionados à ocorrência de pragas e à possibilidade de comprometimento da qualidade dos grãos em função da umidade. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares, com produtividade média estadual de 7.424 kg por hectare.

Na região administrativa de Bagé, o avanço da colheita foi limitado pelas precipitações, e a elevada umidade dos grãos tem levado produtores a adiar as operações para evitar perdas na armazenagem. Em Caxias do Sul, mais de 60% da área foi colhida, com produtividades entre 7.200 e 9.000 kg por hectare e qualidade considerada adequada. Já em Frederico Westphalen, as lavouras de safrinha apresentam desenvolvimento heterogêneo em função da irregularidade hídrica.

Na região de Pelotas, 43% da área foi colhida, mas as chuvas continuam restringindo o tráfego de máquinas e elevando a umidade dos grãos. Em Santa Rosa, a colheita alcança 94% da área, restando pequenas parcelas em desenvolvimento, com registros de ataques de pássaros, incidência de fungos e casos de germinação precoce dos grãos, além de ocorrência de cigarrinha em alguns municípios. Em Soledade, 62% da área foi colhida, enquanto as lavouras implantadas em períodos intermediários e tardios seguem em fases de florescimento, enchimento de grãos e maturação.





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