domingo, julho 26, 2026

Política & Agro

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Oferta curta dispara pressão sobre preços do trigo



No mercado gaúcho, o ritmo segue lento


No mercado gaúcho, o ritmo segue lento
No mercado gaúcho, o ritmo segue lento – Foto: Paulo kurtz/ Embrapa

Os preços do trigo seguem em alta no Sul do país, em um mercado marcado por oferta restrita em alguns polos, pedidas mais firmes e compras ainda concentradas no curto prazo. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário combina disponibilidade apertada no Rio Grande do Sul, valorização nas ofertas em Santa Catarina e diferença entre negócios imediatos e indicações futuras no Paraná.

No mercado gaúcho, o ritmo segue lento, ainda influenciado pela colheita da soja, com negociações da mão para a boca. As indicações variam de R$ 1.250 para trigos de qualidade mais baixa até R$ 1.300 no interior, enquanto vendedores pedem entre R$ 1.350 e R$ 1.400. A estimativa atual é de 260 mil toneladas disponíveis no estado, volume considerado insuficiente para atravessar até a próxima colheita, em outubro. Esse quadro deve exigir compras no exterior e sustentar preços em paridade de importação. No campo, o preço da pedra em Panambi subiu 3,51%, de R$ 57 para R$ 59 por saca.

Em Santa Catarina, as ofertas em bons volumes continuam, mas as pedidas avançaram. Trigos catarinenses são ofertados ao redor de R$ 1.300 FOB, com retirada e pagamento entre abril e maio. No mesmo período, as ofertas do Paraná e do Rio Grande do Sul chegaram a R$ 1.400 FOB para moinhos catarinenses. Nos preços de balcão, houve estabilidade em Canoinhas, Rio do Sul, Chapecó e Xanxerê, alta em São Miguel do Oeste e recuo em Joaçaba.

No Paraná, os negócios spot seguem mais firmes do que as indicações para maio e junho. Moinhos mais abastecidos indicam R$ 1.300 CIF, enquanto no mercado imediato há registros entre R$ 1.400 FOB e R$ 1.450 CIF, ainda que pontuais. Já para os próximos meses, as indicações recuam para a faixa de R$ 1.350 a R$ 1.370 CIF, movimento ligado à queda das paridades de importação com o recuo do dólar.

 





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Perdas na África disparam e ameaçam alimentos



Apesar dos avanços, a expansão dessas soluções ainda enfrenta obstáculos


Apesar dos avanços, a expansão dessas soluções ainda enfrenta obstáculos
Apesar dos avanços, a expansão dessas soluções ainda enfrenta obstáculos – Foto: Canva

A adoção de práticas mais eficientes no pós-colheita tem ganhado espaço como estratégia para enfrentar a insegurança alimentar e reduzir perdas na produção agrícola. Em regiões com forte dependência da agricultura, a combinação de falhas estruturais, baixa tecnologia e limitações de conhecimento técnico tem ampliado o desperdício de alimentos e comprometido a renda de produtores.

Na África Subsaariana, onde a demanda por alimentos deve triplicar até 2050, as perdas pós-colheita superam 30% da produção, especialmente no caso de grãos. Segundo dados de organismos internacionais, o volume desperdiçado chega a US$ 4 bilhões por ano, suficiente para alimentar milhões de pessoas. Além disso, entre a colheita e o varejo, as perdas atingem cerca de 23%, bem acima da média global.

Diante desse cenário, governos e setor privado têm investido em tecnologias de armazenamento mais eficientes, como os sacos herméticos, que reduzem a troca de gases com o ambiente externo e ajudam a preservar a qualidade dos grãos por até dois anos. A tecnologia também controla a umidade e inibe o desenvolvimento de fungos, mantendo as características do alimento.

Apesar dos avanços, a expansão dessas soluções ainda enfrenta obstáculos. O alto custo em comparação aos métodos tradicionais, a baixa disseminação de informação entre produtores e a incidência de impostos dificultam a adoção em larga escala. Em alguns países, tributações elevadas aumentam significativamente o preço final do produto, tornando-o inacessível para pequenos agricultores.

Estudos indicam que a redução ou eliminação desses impostos poderia ampliar o uso da tecnologia, elevar a renda dos produtores e aumentar a oferta de alimentos no mercado. Em paralelo, programas de incentivo e parcerias com instituições agrícolas buscam ampliar o acesso às soluções e melhorar a eficiência da cadeia produtiva.


 





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Mercado de grãos começa o dia sob forte tensão



A soja opera em alta na Bolsa de Chicago


A soja opera em alta na Bolsa de Chicago
A soja opera em alta na Bolsa de Chicago – Foto: Canva

Os mercados agrícolas iniciam o dia com oscilações moderadas, refletindo fatores climáticos, geopolíticos e de oferta global que seguem no radar dos agentes. De acordo com a TF Agroeconômica , o comportamento das principais commodities indica um cenário de volatilidade, com fundamentos distintos entre trigo, soja e milho.

No trigo, as cotações em Chicago apresentam leves variações, enquanto a preocupação central permanece nas condições das lavouras de inverno nos Estados Unidos. O relatório mais recente aponta deterioração, com apenas 30% das áreas classificadas como boas ou excelentes, abaixo das expectativas do mercado. Esse quadro sustenta os preços do trigo HRW, que segue entre os níveis mais elevados do complexo. Ao mesmo tempo, o plantio das culturas de primavera avança em ritmo considerado normal, embora os custos elevados de fertilizantes ainda gerem incertezas sobre a área final.

A soja opera em alta na Bolsa de Chicago, em meio a um ambiente influenciado por tensões no Oriente Médio e sinais de cansaço dos operadores diante do prolongamento do conflito. O farelo apresenta estabilidade com viés de baixa, enquanto fundos mantêm posição comprada expressiva, elevando o risco de realização de lucros. No mercado físico, os prêmios FOB brasileiros registram avanço, acompanhados por melhora também no óleo e no farelo. Na Argentina, a elevação da produção de milho reforça a expectativa de maior oferta regional.

Para o milho, o mercado registra pequenas oscilações após ganhos recentes, com atenção voltada às condições climáticas nos Estados Unidos, que devem favorecer o avanço do plantio. Os dados indicam evolução dentro do esperado, tanto no ritmo semanal quanto na comparação histórica. No Brasil, a safrinha apresenta bom desenvolvimento, enquanto a colheita avança de forma consistente, ainda que com ritmo inferior ao do ano passado.





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Consumo de farinha nos EUA atinge mínima em décadas


O consumo de farinha dos Estados Unidos voltou a perder força e atingiu em 2025 o menor nível em décadas, em um movimento que reforça a trajetória de enfraquecimento observada nos últimos anos. Depois de uma alta modesta em 2024, o indicador recuou novamente, sinalizando um ambiente de demanda mais contida no mercado de alimentos derivados de trigo.

De acordo com dados divulgados em 13 de abril pelo Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura dos EUA, o consumo per capita de farinha ficou em 126,6 libras em 2025, queda de 1,8% na comparação com as 128,9 libras registradas em 2024. O volume foi o menor em 39 anos, desde as 125,6 libras anotadas em 1986.

A nova retração mantém uma sequência observada desde 2018, com altas em anos pares e quedas em anos ímpares. No período, o consumo per capita acumulou perda de 6,2 libras. Em relação ao pico mais recente, de 146,8 libras em 1997, o recuo chega a 20,2 libras, ou 14%. O dado projetado para 2025 também ficou mais próximo da mínima histórica de 1971, de 110,5 libras, do que do auge registrado no fim dos anos 1990.

Após relativa estabilidade durante boa parte da década de 2010, o consumo passou a mostrar tendência mais clara de queda a partir de 2018, quando alcançou 132,9 libras. Na média, os primeiros seis anos da década de 2020 ficaram em 129,4 libras, abaixo das 133,5 libras da década passada, das 137,5 libras dos anos 2000 e das 141,4 libras dos anos 1990.

Agentes do setor já vinham relatando pressão sobre as vendas de produtos à base de farinha. Esse cenário foi acompanhado por queda de 1,4% na produção de farinha no quarto trimestre e por recuo de 1,3% tanto na oferta total quanto no consumo interno em 2025. No comércio exterior, as importações ficaram praticamente estáveis, enquanto as exportações de farinha avançaram 3,4%. Ainda assim, a forte baixa nos embarques de sêmola, massa, bulgur e cuscuz mais do que compensou esse avanço.

 





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O novo plano da China e o alerta para exportadores


A política agrícola chinesa dá sinais mais claros de mudança ao combinar aumento de produtividade com redução gradual da dependência de importações, em um movimento que reforça a segurança alimentar e reposiciona o país no mercado global. Segundo informações de Maria Flávia Tavares, economista e doutora em Agronegócios, com base no relatório Perspectivas Agrícolas da China 2026–2035, divulgado em 20 de abril de 2026 pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China e publicado pelo China Daily, o país vem consolidando um ajuste consistente em sua estratégia para o setor.

A diretriz está alinhada ao Plano Quinquenal e se traduz em metas de produção que sustentam a oferta interna. Para 2026, a estimativa é de que a produção de grãos alcance 716 milhões de toneladas, com alta de 0,2%, enquanto as oleaginosas devem avançar 2,6%. A produtividade média, próxima de 6 toneladas por hectare, aparece como um dos pilares desse processo, ainda que o ganho projetado seja moderado.

Esse avanço já se reflete no comércio exterior. As importações de soja devem recuar 6,1%, interrompendo pelo menos três anos consecutivos de crescimento. O mesmo movimento é observado em outros segmentos, como carne suína, com queda de 8,2%, e laticínios, com retração de 4,1%. A tendência não elimina a participação do mercado internacional, mas reforça seu papel complementar, inclusive com previsão de aumento em itens como aves.

Ao mesmo tempo, a China amplia sua presença exportadora em cadeias específicas. As vendas externas de frutas devem crescer 5%, enquanto as de hortaliças avançam 6,4%, sinalizando ganho de competitividade nesses produtos.

Em um cenário marcado por instabilidade geopolítica e pressão sobre custos de energia, fertilizantes e logística, a estratégia chinesa também busca reduzir a exposição externa. No horizonte mais longo, a produção segue em expansão, enquanto o consumo desacelera e as importações perdem peso relativo, com possíveis impactos sobre o mercado global e sobre países exportadores como o Brasil.

 





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Penhora de combustíveis envolve cifra milionária



Os produtos integram uma carga de aproximadamente 180 milhões de litros


Os produtos integram uma carga de aproximadamente 180 milhões de litros
Os produtos integram uma carga de aproximadamente 180 milhões de litros – Foto: Divulgação

Decisões judiciais abriram caminho para a penhora de uma grande carga de combustíveis em ações de cobrança tributária, em um caso que envolve dívidas de ICMS e mercadorias sob custódia enquanto se discute sua situação na esfera federal. As medidas reforçam a busca por maior efetividade na recuperação de créditos considerados relevantes pelo Estado.

A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo obteve duas decisões favoráveis da Vara das Execuções Fiscais Estaduais da Capital em processos de execução fiscal contra a Refinaria de Petróleo de Manguinhos S/A, a Refit. Nos autos, o juízo determinou a penhora de combustíveis pertencentes à empresa até o limite do valor atualizado das dívidas cobradas.

Os produtos integram uma carga de aproximadamente 180 milhões de litros de combustíveis, avaliada em mais de meio bilhão de reais. O material foi apreendido pela Receita Federal e permanece sob custódia da Petrobrás.

Ao analisar os pedidos, a Vara entendeu que a retenção administrativa das mercadorias não afasta o direito de propriedade da empresa enquanto não houver eventual decretação de pena de perdimento pela União. Com esse fundamento, acolheu a solicitação apresentada pela PGE/SP e autorizou a constrição dos bens, com a devida averbação da medida nos processos administrativos fiscais em andamento na Receita Federal.

As decisões também estabeleceram providências para assegurar a efetividade da execução e resguardar a preferência do crédito tributário estadual. Foi determinada a intimação da Receita Federal e da depositária para que tenham ciência da penhora e comuniquem qualquer mudança na situação jurídica das cargas.

Segundo a PGE/SP, a atuação está alinhada à estratégia institucional voltada ao enfrentamento de grandes devedores e à recuperação qualificada de créditos tributários, com foco em medidas que ampliem a capacidade de cobrança e preservem os interesses fiscais do Estado.

 





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Intestino saudável reforça o desempenho dos suínos



Na suinocultura, esse cuidado se torna ainda mais importante


Na suinocultura, esse cuidado se torna ainda mais importante
Na suinocultura, esse cuidado se torna ainda mais importante – Foto: Embrapa – MORÉS, Nelson

A eficiência digestiva tem impacto direto sobre a saúde e o desempenho dos suínos, além de pesar no custo de produção dentro das granjas. Quando o aproveitamento dos nutrientes não ocorre de forma adequada, parte das proteínas permanece no intestino e cria um ambiente favorável à proliferação de bactérias prejudiciais, com reflexos sobre o desenvolvimento dos animais.

Na suinocultura, esse cuidado se torna ainda mais importante em fases de maior sensibilidade, como o pós-desmame. Nesse período, o sistema digestório dos leitões ainda está em adaptação, o que aumenta o risco de desequilíbrios intestinais, diarreias, inflamações e piora no desempenho. Entre os sinais de que a digestão pode não estar indo bem estão fezes mais líquidas, queda no ganho de peso, piora na conversão alimentar e desuniformidade entre os animais.

Segundo especialistas da MCassab Nutrição e Saúde Animal, estratégias voltadas à melhora da digestibilidade da dieta ajudam a reduzir a oferta de nutrientes não digeridos para bactérias patogênicas e favorecem o melhor aproveitamento das proteínas. Nesse contexto, o Enzypac PRO atua na quebra proteica ao longo do trato digestivo.

“Esse desequilíbrio pode levar a diarreias, inflamações intestinais e até a quadros mais graves, prejudicando o desenvolvimento dos suínos. É preciso redobrar a atenção, especialmente nos leitões em período de pós-desmame, já que o sistema digestório ainda está em adaptação e, portanto, mais sensível a componentes da dieta”, destaca Victor Sales.

“Quando a digestão é maximizada, o animal consegue absorver melhor os nutrientes e não precisa ativar o sistema imune, o que gera um ganho adicional ao produtor que busca aumento de desempenho e redução de custo”, finaliza Carolina Dias.  





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Nova solução promete virar o jogo nas granjas



O Salipac 12% pode ser utilizado em diferentes fases da criação


O Salipac 12% pode ser utilizado em diferentes fases da criação
O Salipac 12% pode ser utilizado em diferentes fases da criação – Foto: Canva

Uma nova solução para o controle da coccidiose em aves foi apresentada ao mercado durante um dos principais eventos do setor avícola no Sul do país. Voltado a frangos de corte, o produto chega com proposta de ampliar a flexibilidade de uso nas granjas e reforçar a proteção intestinal dos lotes.

A MCassab Nutrição e Saúde Animal lançou o Salipac 12% durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura e a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, em Chapecó (SC). Desenvolvido à base de salinomicina, o anticoccidiano ionóforo é indicado para prevenção e tratamento da coccidiose causada por protozoários do gênero Eimeria, como Eimeria acervulina, Eimeria maxima e Eimeria tenella.

Segundo a empresa, o produto atua na preservação da integridade intestinal das aves, favorecendo o desempenho zootécnico, a uniformidade dos lotes e a absorção de nutrientes. Entre os diferenciais apontados está o fato de ser o primeiro anticoccidiano à base de salinomicina registrado em mg/kg de peso vivo no mercado, o que permite ajustar a dosagem entre 6,60 e 12,45 mg/kg de peso vivo conforme o desafio sanitário e o programa adotado na granja.

O Salipac 12% pode ser utilizado em diferentes fases da criação, inclusive nos dias próximos ao abate, sem necessidade de período de carência. A proposta é oferecer ao avicultor uma alternativa mais flexível, segura e eficaz para o controle da doença e a redução de perdas produtivas.

“Um dos diferenciais do produto é ser o primeiro anticoccidiano à base de salinomicina registrado em mg/kg de peso vivo no mercado. Na prática, isso dá mais flexibilidade ao avicultor, que pode ajustar a dosagem entre 6,60 e 12,45 mg/kg de peso vivo conforme o desafio sanitário e o programa anticoccidiano adotado na granja”, explica Maria Carolina Toth, gerente de produtos da MCassab Nutrição e Saúde Animal.

 





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Uso de biológicos exige atenção à seleção de cepas



Feitoza explica que há cepas com maior capacidade de adaptação


Feitoza explica que há cepas com maior capacidade de adaptação
Feitoza explica que há cepas com maior capacidade de adaptação – Foto: Divulgação

O uso de microrganismos na agricultura tem avançado, mas ainda enfrenta desafios relacionados à escolha adequada dos insumos biológicos. Segundo o professor e pesquisador Adailson Feitoza, uma das principais falhas está na forma como esses produtos são selecionados no campo.

De acordo com o especialista, a escolha baseada apenas na espécie do microrganismo pode levar a resultados inconsistentes. Ele destaca que nem todo Bacillus apresenta o mesmo desempenho, já que a espécie, isoladamente, não determina a eficiência agronômica. O fator decisivo, nesse contexto, é a cepa, que pode apresentar características completamente distintas mesmo dentro de um mesmo grupo.

Feitoza explica que há cepas com maior capacidade de adaptação, resistência e funcionalidade, enquanto outras possuem atuação mais limitada. Essa variação influencia diretamente o desempenho no campo, especialmente em condições adversas, como seca e baixa fertilidade do solo. Por isso, produtos classificados sob o mesmo tipo podem apresentar resultados bastante diferentes, o que não está relacionado ao acaso, mas sim à aplicação da microbiologia de forma mais precisa.

Esse cenário tem sido observado no projeto Trilha dos Microrganismos da Caatinga, onde as coletas em campo evidenciam a presença de organismos altamente adaptados ao ambiente. Segundo o pesquisador, a Caatinga atua como um filtro natural, selecionando microrganismos capazes de sobreviver a condições extremas e manter atividade metabólica mesmo em situações limitantes.

A análise dessas características permite compreender melhor quais microrganismos realmente funcionam, em quais condições e por quais motivos. Para Feitoza, mais do que identificar a presença de um organismo, o desafio está em entender sua performance no ambiente agrícola, reforçando que a seleção natural e o contexto ambiental são determinantes para o sucesso dos biológicos.

 





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Genética aponta resistência ao clima extremo



O trabalho foi feito a partir de uma planta coletada no litoral paulista


O trabalho foi feito a partir de uma planta coletada no litoral paulista
O trabalho foi feito a partir de uma planta coletada no litoral paulista – Foto: Pixabay

Plantas adaptadas a ambientes extremos podem ajudar a esclarecer como espécies nativas reagem às alterações do clima. Em áreas de restinga e dunas, onde o solo é arenoso, seco e pobre em nutrientes, uma pesquisa identificou características genéticas que ajudam a explicar a resistência de uma orquídea brasileira a essas condições e que podem servir de referência para avaliar a vulnerabilidade de outras plantas.

O sequenciamento completo do genoma da orquídea-da-praia revelou mais de mil grupos de genes exclusivos ligados a características fisiológicas associadas à resposta a diferentes estressores ambientais. Segundo os pesquisadores, o diferencial está no grande número de cópias desses genes, o que amplia a variabilidade genética e pode tornar a reação ao estresse mais eficiente.

“O que torna a planta mais resistente a condições extremas é o grande número de cópias de cada um desses genes”, observa o biólogo Fábio Pinheiro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coautor do artigo e orientador da bióloga Jacqueline Mattos, que elaborou o trabalho como parte de seu doutorado.

O trabalho foi feito a partir de uma planta coletada no litoral paulista. Após a leitura integral do genoma, a equipe conseguiu identificar esses grupos genéticos com apoio de técnicas avançadas de montagem, além da comparação com outras espécies vegetais usadas como referência para entender a estrutura do DNA.

Além de apontar mecanismos de tolerância climática, o genoma também trouxe pistas sobre a trajetória da espécie ao longo do tempo. A análise indica que ela surgiu há cerca de 10 milhões de anos, em um período mais seco da América do Sul, e que sua população foi encolhendo com o avanço de ambientes mais úmidos e da expansão das florestas. Hoje, a estimativa é de que reste apenas uma pequena fração da população original.

 





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