Clima
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A instabilidade climática prevista para os próximos meses deve tornar o plantio mais desafiador no Brasil, exigindo planejamento, revisão antecipada das máquinas e regulagens ajustadas às condições de cada talhão. Chuvas irregulares, excesso de umidade, seca localizada e janelas mais curtas podem comprometer a implantação da lavoura, especialmente em etapas como abertura e fechamento do sulco, profundidade e contato entre solo e semente.
Segundo a Crucianelli, a umidade do solo deve orientar os ajustes da plantadeira. Em áreas muito úmidas, o excesso de pressão pode provocar compactação, espelhamento do sulco, embuchamento e falhas no fechamento. Já em solos secos ou compactados, é preciso atenção à penetração dos discos, estabilidade das linhas e uniformidade da profundidade.
A velocidade também merece cuidado. A tentativa de ampliar a área plantada em pouco tempo pode reduzir a qualidade da operação, aumentar o acúmulo de barro em solos úmidos ou provocar maior oscilação das linhas em áreas secas.
A empresa recomenda revisar discos, sulcadores, dosadores, sensores, raspadores e sistemas de monitoramento antes da entrada no campo. Sementes em profundidades diferentes, sulcos mal fechados, falhas e emergência desuniforme são sinais de regulagem inadequada. Em um cenário de clima irregular, a eficiência depende de ajustes contínuos, leitura correta do solo e equilíbrio entre rendimento operacional e qualidade de plantio.
“A recomendação é planejar antes de entrar no campo, revisar a plantadeira com antecedência, avaliar umidade e estrutura do solo, regular a máquina conforme a condição do talhão e não abrir mão da qualidade de plantio por velocidade. Em janelas curtas, a eficiência operacional é decisiva”, afirma Guillermo Zegna, gerente comercial da Crucianelli.
As entidades defendem o uso responsável de antimicrobianos
Agrolink
– Leonardo Gottems

As entidades defendem o uso responsável de antimicrobianos – Foto: Bing
A possível incorporação de exigências da União Europeia à regulamentação brasileira sobre o uso de antimicrobianos na produção animal gerou reação de entidades representativas da pecuária, que alertam para impactos sobre a competitividade, a segurança jurídica e a autonomia regulatória do país.
A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) integra o grupo de 14 instituições que se posicionou contra a adoção, em âmbito nacional, de restrições vinculadas a exigências comerciais de um mercado específico. Segundo a nota conjunta, condições impostas por países importadores devem ser cumpridas apenas pelas cadeias interessadas em acessar esses destinos, sem afetar produtores voltados ao mercado interno ou a outros compradores.
As entidades defendem o uso responsável de antimicrobianos, com base em critérios técnicos, científicos e nas normas das autoridades sanitárias brasileiras. Também destacam a importância de produtos autorizados pelo Codex Alimentarius para a saúde e o bem-estar animal, além da eficiência alimentar e do desempenho dos rebanhos.
Na avaliação das instituições, restringir tecnologias reconhecidas internacionalmente sem respaldo científico pode comprometer a competitividade do setor e reduzir sua eficiência ambiental. O grupo também alerta para o risco de precedentes que permitam a influência de condicionantes externas, inclusive ambientais ou produtivas, sobre políticas públicas nacionais.
A nota defende que qualquer mudança seja amplamente debatida e construída de acordo com a realidade da pecuária brasileira, com atenção especial aos pequenos produtores. As entidades apoiam a ampliação da presença do Brasil nos mercados internacionais, mas sustentam que exigências específicas devem ficar restritas às cadeias destinadas a esses mercados.
A Selic alta no agro não aparece apenas na taxa cobrada diretamente do produtor. Seus efeitos percorrem bancos, cooperativas, revendas, fabricantes de máquinas, tradings e fornecedores de insumos antes de chegar à margem da propriedade rural.
Em 17 de junho de 2026, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica brasileira para 14,25% ao ano. Apesar do corte, o patamar ainda é elevado quando comparado aos 2% registrados em agosto de 2020. No caminho entre esses dois momentos, a Selic chegou a 13,75% em agosto de 2022 e a 15% em junho de 2025.
Essa trajetória ajuda a explicar por que o crédito se tornou uma das principais preocupações econômicas do setor. O produtor pode até acessar uma linha com taxa controlada, mas continua inserido em uma cadeia na qual empresas, distribuidores e instituições financeiras captam dinheiro a custos influenciados pela política monetária.
A Selic é a taxa básica utilizada como referência para as demais taxas de juros da economia. Quando permanece elevada, aplicações financeiras conservadoras tornam-se mais rentáveis e aumenta o custo de oportunidade de emprestar dinheiro para atividades produtivas.
Os bancos também passam a exigir uma remuneração maior para conceder crédito, especialmente nas operações sem subsídio ou direcionamento governamental. O próprio Banco Central reconhece que os efeitos de uma política monetária restritiva aparecem, entre outros canais, na desaceleração do crédito livre.
No agro, essa transmissão pode ocorrer por diferentes caminhos:
capital de giro contratado diretamente com bancos;
financiamento oferecido por revendas e fornecedores;
operações com recursos livres;
antecipação de recebíveis;
financiamento de máquinas e estruturas;
custo financeiro embutido no prazo para pagamento dos insumos;
carregamento de estoques depois da colheita.
Isso significa que a taxa de uma linha oficial não representa, sozinha, o custo financeiro total de uma safra.
O crédito rural brasileiro reúne recursos controlados e não controlados. Nos controlados, existem condições definidas pelas regras da política agrícola e, em alguns casos, subvenção do Tesouro. Nos não controlados, as taxas ficam mais próximas das condições de mercado e da negociação entre cliente e instituição financeira.
No ano agrícola 2024/25, foram concedidos aproximadamente R$ 369,8 bilhões em crédito rural. Desse total, cerca de R$ 160,6 bilhões vieram de recursos não controlados. Isso corresponde a aproximadamente 43,4% de todo o valor liberado, segundo cálculo feito a partir dos números do Banco Central.
As diferenças entre as taxas médias mostram a existência de realidades financeiras bastante distintas dentro do mesmo setor.
A taxa média dos recursos livres foi mais de três vezes superior à verificada nas operações do Pronaf com recursos obrigatórios. A comparação não significa que todos os produtores possam escolher livremente entre uma modalidade e outra. O acesso depende do enquadramento, da finalidade, da disponibilidade de recursos, das garantias e da análise de risco.
Em um exemplo simplificado, um financiamento de R$ 1 milhão com juros anuais de 8% teria uma despesa de R$ 80 mil em um ano. Aplicando uma taxa de 16,8%, o custo subiria para R$ 168 mil.
A diferença seria de R$ 88 mil, sem considerar amortizações, tarifas, seguros, garantias ou juros compostos.
Na propriedade rural, esse valor pode representar parte do orçamento destinado a fertilizantes, sementes, manutenção de máquinas ou contratação de serviços. Quanto menor a margem da atividade, maior tende a ser a importância do custo financeiro no resultado final.
Investimentos em tratores, colheitadeiras, irrigação, energia e armazenagem costumam exigir prazo longo para retornar. Quando os juros sobem, aumenta o valor presente das parcelas e diminui a atratividade econômica dos projetos.
Uma máquina pode continuar proporcionando ganho de produtividade, mas o produtor precisa comparar esse benefício com o custo do financiamento. Projetos que seriam viáveis em um ambiente de juros menores podem ser adiados quando o capital fica mais caro.
O mesmo raciocínio vale para a armazenagem. Manter uma safra estocada à espera de preços melhores possui um custo financeiro. O produtor deixa de receber imediatamente pela produção e mantém capital imobilizado no estoque.
Quanto maior a taxa de juros, maior precisa ser a valorização futura do produto para compensar a espera, além dos gastos com armazenagem, seguro e possíveis perdas de qualidade.
Pronaf e Pronamp oferecem condições inferiores às encontradas no mercado livre, o que reduz parte do impacto direto da Selic. Essa proteção, porém, não elimina todos os efeitos.
O fornecedor que precisa financiar o próprio estoque pode repassar parte do custo financeiro aos preços. A revenda pode reduzir prazos ou exigir maior entrada. O fabricante de máquinas pode enfrentar crédito mais caro para produzir e comercializar seus equipamentos.
Além disso, a disponibilidade das linhas controladas não é ilimitada. Quando os recursos se tornam escassos, produtores podem recorrer a modalidades mais caras ou postergar decisões.
Por isso, mesmo quem contrata crédito subsidiado pode sentir a Selic por meio do custo dos insumos, das condições de pagamento e da menor disposição das empresas para assumir riscos.
O crescimento do agro brasileiro é frequentemente explicado pela expansão da área cultivada. A abertura de novas regiões produtivas teve importância, mas os dados históricos mostram que ela é apenas parte da resposta.
Nas últimas cinco décadas, o Brasil também aumentou a quantidade produzida por unidade de terra, trabalho e capital. Pesquisa tropical, correção de solos, melhoramento genético, mecanização, plantio direto, novas práticas de manejo e intensificação das lavouras permitiram multiplicar a produção.
O resultado é uma agricultura muito diferente daquela existente na década de 1970. O país deixou de ser um participante secundário em várias cadeias e passou a ocupar posição central no comércio internacional de soja, milho, carnes, café, açúcar, algodão e celulose.
A Produtividade Total dos Fatores, conhecida como PTF, mede quanto a produção cresce em relação ao conjunto de recursos utilizados, como terra, mão de obra e capital.
Entre 1975 e 2020, a PTF da agropecuária brasileira apresentou crescimento médio de 3,37% ao ano, segundo estudo publicado pela Embrapa. Considerando 1975 como ponto inicial, o indicador acumulava aumento de 297% em 2019.
No mesmo intervalo, o volume de produtos aumentou 392%, enquanto o conjunto de insumos avançou 24%. Essa diferença indica que o crescimento não veio apenas da utilização de mais recursos. Houve aumento expressivo da eficiência com que esses recursos foram empregados.
Uma atualização da série, abrangendo 1975 a 2022, calculou crescimento médio anual de 3,23% para a PTF, diante de expansão de 3,70% do produto e de 0,45% dos insumos.
As duas análises utilizam períodos e atualizações diferentes, mas apontam para a mesma conclusão: a produtividade foi um dos principais motores da transformação agrícola brasileira.
Entre 2000 e 2023, a produção brasileira de grãos avançou de 81 milhões para 287 milhões de toneladas, segundo dados do IBGE reunidos em estudo da Embrapa.
Isso representa crescimento aproximado de 254% no período. A produção de soja passou de 33 milhões para 148 milhões de toneladas, enquanto a de milho aumentou de 32 milhões para 116 milhões.
A produção de carnes também dobrou entre 2000 e 2023, passando de aproximadamente 15 milhões para 30 milhões de toneladas em peso de carcaça. A carne de frango avançou de 6 milhões para 15 milhões de toneladas.
Esses movimentos mostram que o desenvolvimento não ficou restrito às lavouras. O crescimento da oferta de grãos ampliou a base para cadeias de proteína animal, processamento, rações, biocombustíveis e exportação.
Na safra 2024/25, a produção brasileira de grãos chegou ao recorde de 350,2 milhões de toneladas, segundo o levantamento final da Companhia Nacional de Abastecimento.
A área cultivada passou de 79,9 milhões para 81,7 milhões de hectares, expansão de 1,9 milhão de hectares. Ao mesmo tempo, a produtividade média subiu 13,7%, de 3.769 para 4.284 quilos por hectare.
Os números ajudam a evitar dois erros comuns. O primeiro é afirmar que o agro brasileiro cresceu sem qualquer expansão territorial. O segundo é atribuir todo o aumento da produção somente à abertura de área.
Na safra recorde, os dois fatores estiveram presentes, mas a recuperação da produtividade foi proporcionalmente muito maior: a área cresceu aproximadamente 2,3%, enquanto o rendimento médio avançou 13,7%.
É importante observar que os números de 2000 a 2023 e os dados da safra 2024/25 vêm de levantamentos com períodos e metodologias diferentes. O IBGE trabalha com produção anual, enquanto a Conab acompanha anos-safra e uma cesta própria de produtos. Eles ajudam a compreender a tendência, mas não devem ser unidos como se formassem uma única série perfeitamente contínua.
O avanço brasileiro foi resultado de uma combinação de instituições, políticas e conhecimento técnico.
Estudo da Embrapa divide essa transformação em grandes fases. Entre 1965 e 2000, ganharam força as instituições de pesquisa, as políticas agrícolas, as entidades representativas e as agroindústrias de insumos e processamento. No século 21, o processo passou a ser marcado pela intensificação tecnológica e pela conexão crescente com cadeias globais de valor.
A agricultura precisou ser adaptada às condições tropicais. Solos, temperaturas, regime de chuvas, pragas e doenças exigiam soluções diferentes das utilizadas em regiões agrícolas de clima temperado.
Pesquisa e assistência técnica contribuíram para desenvolver sementes adaptadas, correção e fertilização de solos, manejo de pragas, sistemas de plantio e integração entre atividades.
O crescimento também foi impulsionado pela mecanização, pela expansão das telecomunicações, pelo uso de dados climáticos e, mais recentemente, pela agricultura de precisão.
Um dos movimentos mais importantes foi a intensificação do uso das áreas já abertas. Em diferentes regiões, tornou-se possível produzir soja no verão e milho ou algodão na sequência, dentro do mesmo ano agrícola.
Esse sistema permite obter duas colheitas na mesma área, embora dependa de planejamento, tecnologia, sementes de ciclo adequado e condições climáticas favoráveis.
A expansão da segunda safra ajudou a transformar o milho brasileiro. O produto deixou de estar concentrado apenas na safra de verão e passou a ocupar uma janela posterior à colheita da soja, especialmente no Centro-Oeste.
O crescimento da produtividade e da intensidade de uso da terra reduz a necessidade de ampliar a área na mesma proporção da produção. A Embrapa destaca sistemas como plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta entre as práticas que permitem utilizar os recursos de forma mais eficiente.
Os ganhos de produtividade variam conforme a cultura, a região e o tamanho do estabelecimento. Propriedades com acesso a crédito, assistência técnica, seguro, máquinas e conectividade tendem a incorporar inovações com maior velocidade.
A própria Embrapa aponta como desafio a inclusão econômica de pequenos produtores, particularmente em regiões sujeitas a secas, baixa escala produtiva e limitações de infraestrutura.
Portanto, os recordes nacionais não eliminam diferenças dentro do setor. O Brasil pode apresentar elevada produtividade média em uma cadeia e, simultaneamente, manter produtores com dificuldades para acessar tecnologia e mercados.
Repetir nas próximas décadas o crescimento observado desde 1975 exigirá enfrentar um conjunto diferente de problemas.
A expansão de área encontra maiores restrições econômicas, ambientais e regulatórias. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos, custos de produção, limitações de armazenagem e maior volatilidade internacional elevam o risco das atividades.
A Embrapa identifica entre as principais tendências para o futuro a adaptação climática, a digitalização, a intensificação tecnológica, a agregação de valor, a biotecnologia e a gestão de riscos.
O desenvolvimento do agro brasileiro não pode ser explicado apenas pela disponibilidade de terra. Ele foi construído sobre pesquisa, produtividade, crédito, infraestrutura, empreendedorismo e acesso a mercados.
Nas próximas décadas, o desafio será produzir mais valor e não somente mais quantidade.
A formação de um sistema de baixa pressão na costa das regiões Sul e Sudeste deve intensificar as precipitações entre sábado (11) e domingo (12), provocando temporais no Sul e espalhando áreas de instabilidade por partes do Sudeste, Centro-Oeste e Norte do país. As informações são do
Instituto Nacional de Meteorologia.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia , as chuvas mais intensas devem ocorrer entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde há aviso de perigo para tempestades e possibilidade de queda de granizo. No domingo, a entrada de uma massa de ar frio reduz a intensidade da chuva, mas mantém precipitações fracas e isoladas na região.
Além do Sul, o avanço das instabilidades deve alcançar São Paulo, o oeste de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, além de áreas de Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima. No litoral do Nordeste, a previsão indica pancadas de chuva de fraca intensidade. Nas demais áreas do país, o tempo permanece estável, com destaque para a baixa umidade relativa do ar no interior do Nordeste, Tocantins, Distrito Federal, grande parte de Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás, onde os índices podem variar entre 20% e 30%.
Na Região Norte, as chuvas acompanhadas de trovoadas devem atingir principalmente Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima durante o fim de semana e na segunda-feira (13). No Tocantins, o tempo segue firme, com temperaturas máximas próximas de 37°C e umidade relativa do ar em torno de 20% no sul do estado.
No Nordeste, o predomínio será de sol e tempo seco na maior parte da região. As exceções ficam para o litoral leste e norte e para áreas do agreste de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde podem ocorrer pancadas isoladas. As temperaturas máximas podem chegar a 36°C no Piauí e no sul do Maranhão.
No Centro-Oeste, a mudança no tempo começa no sábado, quando áreas de instabilidade avançam sobre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e sul de Goiás. O
Instituto Nacional de Meteorologia emitiu aviso de risco potencial para tempestades no sudoeste de Mato Grosso e no oeste e sul de Mato Grosso do Sul, com possibilidade de granizo isolado. Na segunda-feira, a chuva também pode atingir Goiás e o Distrito Federal.
No Sudeste, o fim de semana será marcado por sol e temperaturas elevadas na maior parte da região. Em São Paulo, a atuação da baixa pressão sobre o oceano pode provocar chuvas pontuais no centro-sul e leste do estado entre sábado e domingo. Há ainda possibilidade de pancadas isoladas no extremo sul de Minas Gerais e no estado do Rio de Janeiro no domingo. As temperaturas podem superar 30°C em várias localidades, chegando a 32°C no oeste paulista, norte mineiro, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Com a chegada da massa de ar frio ao Sul, as temperaturas devem cair de forma mais acentuada a partir da noite de domingo. As mínimas devem ficar abaixo de 10°C desde o centro do Paraná até o sul do Rio Grande do Sul. Na segunda-feira (13), o resfriamento se intensifica, com previsão de geada e temperaturas próximas de 4°C em grande parte da região sul do país.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou nesta sexta-feira (10) o Boletim Agroclimatológico Mensal com o prognóstico para o trimestre de julho, agosto e setembro de 2026. A previsão indica temperaturas acima da média em grande parte do país, chuvas irregulares entre as regiões e reflexos tanto para o desenvolvimento das culturas quanto para as operações de campo.
Na Região Norte, a tendência é de precipitação abaixo da média climatológica na maior parte dos estados. O boletim aponta que o norte do Amazonas poderá registrar desvios de até 100 milímetros abaixo da média, enquanto as temperaturas devem permanecer até 2°C acima do normal em áreas do Amazonas, Acre, Pará, Roraima, Tocantins e norte de Rondônia.
Mesmo com a redução das chuvas, o armazenamento de água no solo continuará elevado no norte do Amazonas, em Roraima, Amapá e norte do Pará durante julho e agosto. Esse cenário tende a beneficiar a maturação e a colheita do milho segunda safra e do sorgo, favorecendo a redução da umidade dos grãos e ampliando as janelas para as operações de colheita.
Por outro lado, o centro-sul da região deverá enfrentar diminuição gradual da umidade do solo. Em setembro, o déficit hídrico poderá ultrapassar 130 milímetros no Tocantins, no Amapá e em áreas do sudeste e nordeste do Pará, comprometendo o enchimento de grãos nas lavouras de milho segunda safra conduzidas em sistema de sequeiro. As pastagens também poderão sentir os efeitos da estiagem, com redução da produção de forragem e aumento do risco de estresse térmico para os animais.
No Nordeste, o Inmet prevê chuvas abaixo da média em grande parte da região e temperaturas acima da climatologia, com anomalias que podem atingir até 2°C no Maranhão, extremo oeste da Bahia e em áreas do Piauí. A faixa litorânea entre o Rio Grande do Norte e a Bahia deverá apresentar condições mais favoráveis de umidade durante julho e agosto devido à atuação dos Distúrbios Ondulatórios de Leste.
No interior nordestino, o déficit hídrico deve se intensificar ao longo do trimestre, podendo superar 100 milímetros em setembro. A combinação entre pouca chuva, calor e baixos níveis de água no solo aumenta a preocupação com as lavouras de milho e feijão terceira safra cultivadas em regime de sequeiro, sobretudo nas fases de floração e enchimento de grãos. Em contrapartida, o tempo mais seco favorece a maturação e a colheita do algodão no oeste do Matopiba. As pastagens também poderão sofrer redução de produtividade, exigindo maior planejamento para alimentação do rebanho.
Para o Centro-Oeste, a previsão indica chuvas próximas da média histórica durante o trimestre, mas temperaturas acima do normal em toda a região, com desvios de até 2°C em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e norte de Mato Grosso do Sul.
Segundo o boletim, o cenário favorece a conclusão da colheita do milho segunda safra, do sorgo e do algodão, uma vez que o predomínio de tempo firme contribui para a redução da umidade dos grãos e da fibra. No entanto, a disponibilidade de água no solo tende a diminuir gradualmente entre agosto e setembro, ficando abaixo de 20% da capacidade disponível em grande parte da região. O documento ressalta que o início da semeadura da soja 2026/27 dependerá da regularização das chuvas na primavera para garantir boas condições de germinação e emergência das plantas.
No Sudeste, os acumulados de chuva deverão permanecer próximos da média em boa parte da região, enquanto Espírito Santo e nordeste de Minas Gerais tendem a registrar precipitação abaixo do normal. Já o sul e o leste de São Paulo podem receber volumes superiores à média.
As temperaturas devem ficar acima da climatologia em todos os estados da região. A previsão também aponta redução da disponibilidade de água no solo em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e parte de São Paulo, situação que poderá limitar o desenvolvimento das culturas de sequeiro.
Para a cafeicultura, o período seco do inverno tende a favorecer a dormência das gemas florais. No entanto, o boletim alerta que chuvas isoladas associadas às temperaturas elevadas podem estimular floradas antecipadas e desuniformes, elevando o risco de abortamento floral caso essas precipitações não tenham continuidade. Nas lavouras de trigo em sistema de sequeiro, a deficiência hídrica poderá comprometer o desenvolvimento das plantas, enquanto nas áreas irrigadas haverá aumento da demanda por água.
Na Região Sul, o prognóstico indica chuvas acima da média em praticamente toda a região, principalmente entre o centro-leste do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde os desvios positivos podem variar entre 50 e 100 milímetros. Apenas o extremo oeste gaúcho e parte do oeste e norte do Paraná deverão registrar precipitações próximas da média.
As temperaturas também tendem a permanecer acima da climatologia no Paraná, em Santa Catarina e nas porções norte e oeste do Rio Grande do Sul. O armazenamento de água no solo deve permanecer elevado, acima de 70% da capacidade disponível, criando condições favoráveis ao desenvolvimento das culturas de inverno.
Apesar do cenário positivo para a disponibilidade hídrica, o excesso de umidade e a elevada nebulosidade poderão favorecer o surgimento e a disseminação de doenças fúngicas, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O boletim destaca ainda que as chuvas frequentes podem reduzir as janelas para aplicações de fertilizantes e defensivos agrícolas, além de dificultar o manejo das pastagens e aumentar os riscos de degradação do solo pelo pisoteio dos animais.
Conab abre seleção para empresas de farelo de soja
Agrolink
– Seane Lennon

Foto: United Soybean Board
Empresas produtoras de farelo de soja já podem participar do Edital de Chamamento Público Conab/Dirab nº 001/2026, lançado pela Companhia Nacional de Abastecimento, para utilização de unidades armazenadoras da estatal. A iniciativa prevê a prestação de serviços de armazenagem e atividades correlatas, permitindo que as empresas habilitadas depositem o produto nas estruturas indicadas no edital com o objetivo de comercializá-lo para clientes interessados. A seleção terá validade de 12 meses, contados a partir da assinatura do contrato.
O edital organiza as unidades armazenadoras em cinco lotes regionais, possibilitando que as empresas apresentem propostas para um ou mais grupos. O primeiro lote reúne os municípios baianos de Irecê, Itaberaba e Ribeira do Pombal. O segundo contempla Brasília, no Distrito Federal. O terceiro abrange Goiânia, Pontalina e São Luís de Montes Belos, em Goiás. O quarto inclui Floriano, Parnaíba, Picos, Teresina (Distrito Industrial) e Teresina (Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima – RFFSA), no Piauí. Já o quinto é formado pelas unidades de Assú, Caicó, Currais Novos, Mossoró, Natal (Caiapós), Natal (Jerônimo Câmara) e Umarizal, no Rio Grande do Norte.
A participação é destinada a empresas produtoras de farelo de soja registradas e que atendam às exigências sanitárias e regulatórias do Ministério da Agricultura e Pecuária. O edital determina que o produto ofertado siga os padrões de identidade e qualidade estabelecidos na Portaria Mapa nº 795/1993, seja acondicionado em sacas de 50 quilos e tenha validade mínima de 75 dias no momento do depósito.
O período para envio das propostas vai de 6 a 31 de julho de 2026. A Conab informa que a documentação deve ser encaminhada exclusivamente em formato digital para o endereço eletrônico [email protected].
O edital e os respectivos anexos estão disponíveis na íntegra no portal da Conab, no endereço: https://www.gov.br/conab/pt-br/acesso-a-informacao/licitacoes-e-contratos/editais-de-chamamento/suregs/matriz/edital-de-chamamento-publico-no-001-2026-dirab/edital-de-chamamento-publico-no-001-2026-dirab
Colheita da batata segue avançando no Rio Grande do Sul
Agrolink
– Seane Lennon

Foto: Pixabay
A colheita da batata segue avançando no Rio Grande do Sul, mas os efeitos das geadas sobre o desenvolvimento da cultura já refletem na qualidade dos tubérculos destinados à indústria. Ao mesmo tempo, a produção de batata-doce apresenta bom desempenho, favorecida pelas condições climáticas, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (9) pela Emater/RS-Ascar.
Na área de abrangência do escritório regional de Passo Fundo, em Ibiraiaras, aproximadamente 80% da área cultivada com batata já foi colhida. Conforme a Emater/RS-Ascar, o ciclo da cultura foi encerrado antes do previsto em razão das geadas, situação que reduziu o tamanho dos tubérculos e comprometeu o padrão exigido pela indústria para aquisição do produto.
Apesar da redução no calibre, a comercialização continua, com preços de R$ 100,00 por saca de 50 quilos para a batata rosada e de R$ 150,00 por saca para a batata branca.
Já na região administrativa de Lajeado, no município de Feliz, a colheita da batata-doce ocorre de forma escalonada e apresenta resultados positivos. De acordo com a Emater/RS-Ascar, a produtividade e a qualidade das raízes permanecem satisfatórias.
O boletim informa que as condições climáticas favoreceram tanto as operações de colheita quanto a conservação do produto no campo. Também não foram registrados problemas fitossanitários significativos durante o período. Os preços pagos aos produtores variam entre R$ 1,50 e R$ 2,00 por quilo.
O cultivo de tomate em estufas no Vale do Taquari segue em fase de colheita, com destaque para o bom desempenho da cultivar Guará e para a valorização do produto comercializado na região. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Lajeado, produtores de Vale Real cultivam tomate do tipo italiano, da cultivar Guará, e tomate do tipo gaúcho, da cultivar Petrus, em sistema de safrinha. A produção é realizada em estufas, com mudas enxertadas e fertirrigação.
Segundo o levantamento, a cultivar Guará apresentou “ótimo desenvolvimento vegetativo e fitossanitário”, enquanto a Petrus registrou desenvolvimento fitossanitário satisfatório, apesar da incidência de oídio durante o ciclo, problema que foi controlado. O informativo destaca ainda que “a cultivar Guará demonstrou maior resistência à doença e maior produtividade neste ciclo de plantio”.
As temperaturas mais baixas e a sequência de dias nublados também influenciaram o ritmo da produção. Conforme a Emater/RS-Ascar, “está ocorrendo atraso na maturação dos frutos, prolongando o ciclo de produção”.
Na comercialização, a caixa de 20 quilos do tomate tipo gaúcho é negociada por R$ 150,00 na Ceasa, enquanto o tomate italiano alcança R$ 180,00 pela mesma embalagem. No comércio local, o preço ao consumidor varia entre R$ 8,00 e R$ 10,00 por quilo.
Em Feliz, também na região de Lajeado, a colheita do tomate-cereja cultivado em estufa segue em andamento. As condições climáticas mais amenas favoreceram a qualidade dos frutos, com melhor firmeza e coloração, mantendo boa aceitação no mercado. A oferta permanece equilibrada, e o produto é vendido entre R$ 10,00 e R$ 12,00 por quilo.