domingo, julho 26, 2026

Política & Agro

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Exportações de grãos despencam


As exportações de grãos da Ucrânia registraram queda relevante ao longo do atual ano comercial, refletindo mudanças no cenário produtivo e logístico do país. O desempenho mais fraco ocorre em um contexto de pressões externas e ajustes de mercado, com impactos diretos sobre o ritmo de embarques e a formação de preços.

Durante os primeiros nove meses do ciclo, os embarques ucranianos ficaram 22% abaixo do volume registrado no mesmo período do ano anterior, segundo relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos EUA. A análise aponta que o recuo está ligado a uma combinação de fatores, com destaque para os efeitos da guerra com a Rússia, que continua concentrada no território ucraniano.

De acordo com o órgão, os ataques à infraestrutura, incluindo ferrovias, portos e a rede elétrica, reduziram a capacidade de escoamento em determinados momentos, dificultando o transporte entre as áreas de produção e os terminais de exportação.

Outro ponto relevante foi o comportamento dos preços internacionais. Desde o início do ano comercial 2025-26, as cotações dos grãos ficaram abaixo das registradas no ciclo anterior, cenário associado à maior produção global estimada e ao aumento dos estoques finais. Nesse ambiente, produtores ucranianos passaram a reter parte da produção, favorecidos pela ampliação da capacidade de armazenagem nas propriedades desde o início do conflito.

A entidade também destaca que as quotas de importação adotadas pela União Europeia contribuíram para redirecionar os embarques a mercados tradicionais, o que resultou em preços menos atrativos aos agricultores.

Para o próximo ciclo, a perspectiva é de recuperação. A projeção indica avanço significativo nas exportações, com destaque para a cevada, que pode crescer 133%, além de aumentos de 26% no milho e 19% no trigo. A produção total também tende a subir, impulsionada por rendimentos acima da média, favorecidos pelas condições climáticas positivas nesta primavera.

 





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Diesel pode bater recorde histórico em 2026


O consumo de combustíveis no país deve seguir em expansão em 2026, impulsionado principalmente pelas atividades produtivas e pelo transporte de cargas. A projeção indica crescimento tanto no diesel quanto nos biocombustíveis, em linha com o ritmo da economia.

Segundo relatório da StoneX, a demanda por diesel B deve atingir 70,8 milhões de m³ em 2026, avanço de 1,9% na comparação anual. O desempenho é sustentado pela evolução da colheita agrícola, aumento das exportações e maior movimentação no transporte rodoviário. A análise aponta que, apesar de um início de ano mais fraco, com recuo de 1,7% no primeiro bimestre, a tendência é de recuperação ao longo dos meses, apoiada pela retomada do fluxo logístico.

“A recuperação do consumo está diretamente ligada à dinâmica econômica do país, especialmente ao agro e à logística, que seguem puxando a demanda por combustíveis”, realça o especialista de Inteligência de Mercado, Bruno Cordeiro.

O crescimento deve ser mais intenso nas regiões Sudeste e Sul, impulsionado pela indústria e pela produção agrícola, enquanto o Centro-Oeste deve avançar de forma mais moderada. Na oferta, a produção nacional de diesel A cresceu 4,5% no primeiro trimestre, o que deve reduzir as importações para 17,2 milhões de m³ no ano, com leve queda de 0,6%.

No segmento de biocombustíveis, a expansão é mais significativa. A demanda por biodiesel deve alcançar 10,4 milhões de m³, alta de 7,2%, refletindo a ampliação da mistura para B15 e o aquecimento econômico. O óleo de soja segue como principal insumo, com participação crescente. Em um cenário alternativo com adoção do B16, o volume pode chegar a 10,76 milhões de m³.


 





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Sinais silenciosos derrubam produção de aves



O controle passa por uma estratégia integrada


O controle passa por uma estratégia integrada
O controle passa por uma estratégia integrada – Foto: Divulgação

A queda de desempenho nos plantéis avícolas é um dos principais sinais de alerta para problemas sanitários que impactam diretamente a produtividade. Entre os fatores mais recorrentes estão as doenças respiratórias, que comprometem o consumo de ração, o ganho de peso e aumentam as perdas no sistema produtivo.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), essas enfermidades geralmente não têm uma causa única, sendo resultado da interação entre vírus, bactérias e fungos, muitas vezes associada a falhas de manejo e condições inadequadas no ambiente do aviário. A redução no desempenho costuma surgir antes mesmo dos sinais clínicos mais evidentes.

“A queda de desempenho costuma ser um dos primeiros sinais de que algo está errado dentro do aviário. Redução do consumo de ração, crescimento abaixo do esperado e desuniformidade entre as aves são indícios comuns. Geralmente, esses sinais vêm acompanhados de sintomas mais evidentes, como espirros, secreção nasal, dificuldade para respirar, ruídos respiratórios e apatia. Tais quadros podem estar associados a agentes patogênicos, presentes em desafios sanitários no campo”, explica Gabriela Romanzini, coordenadora de produtos da MCassab Nutrição e Saúde Animal.

O controle passa por uma estratégia integrada, que inclui biosseguridade, manejo adequado e monitoramento constante. A identificação precoce é essencial para reduzir impactos produtivos e preservar a saúde do lote.

Entre as soluções disponíveis está o AuroPac ST, da MCassab, que combina diferentes princípios ativos para atuar tanto no controle dos agentes infecciosos quanto na melhora da respiração. A associação contribui para reduzir a carga bacteriana e facilitar a eliminação de secreções. “A melhoria da função respiratória favorece a retomada do consumo de ração, reduz o estresse fisiológico e impulsiona o ganho de peso das aves, resultando em lotes mais uniformes e produtivos, com menor mortalidade e menos condenações”, finaliza.

 





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Mercados agrícolas seguem pressionados por tensão global


Os mercados agrícolas operam em uma tarde marcada pela combinação de tensão geopolítica, ajustes nas bolsas internacionais e atenção crescente ao clima no Brasil. Segundo a Agrinvest, os preços nesta quinta-feira refletem a cautela dos investidores diante das tensões no Oriente Médio, do comportamento do petróleo e dos impactos sobre câmbio, grãos e derivados.

No ambiente macroeconômico, o petróleo Brent segue acima de US$ 100, sustentado pelos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz. O cenário mantém os mercados em alerta, enquanto as bolsas nos Estados Unidos e no Brasil operam em leve queda. Declarações de Trump também contribuem para elevar a tensão geopolítica. No câmbio, o dólar registra alta de 0,20%, cotado a R$ 4,97.

Na Bolsa de Chicago, a soja recua em meio a negócios envolvendo barcos argentinos CFR China, o que reduz as chances de novas compras chinesas nos Estados Unidos. O movimento pressiona as cotações do grão, enquanto o trigo lidera os ganhos. A alta do cereal é impulsionada pelo avanço do petróleo, pela seca nos Estados Unidos e pela licitação saudita de 710 mil toneladas. O milho, por sua vez, opera estável, buscando sustentação na valorização do trigo. Na CBOT, a soja cai 4 pontos, o óleo sobe 0,05, o milho avança 2 pontos, o farelo ganha 0,60 e o trigo sobe 13,50 pontos.

No mercado brasileiro, o milho passa por correção na B3, mas as preocupações climáticas com a safrinha 2026 seguem no radar. A cultura está em uma janela considerada crítica para definição de produtividade, em meio a um bloqueio atmosférico que gera calor e seca no Centro-Oeste e no Sudeste. O contrato de maio de 2025 do milho na B3 recua 0,96%, a R$ 67,99 por saca.

No clima, as chuvas seguem concentradas nas extremidades do país, com baixa probabilidade de precipitação no Cerrado. Nos próximos dias, a maior chance de chuva fica no Sul, especialmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e no extremo Norte, em áreas do Pará, Tocantins, Maranhão e Piauí. O interior permanece seco, mantendo a preocupação com a safrinha.

 





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Petrobras deixa de atender 10% do pedido de diesel de distribuidoras para…


Logotipo Reuters

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 17 Abr (Reuters) – A Petrobras voltou a não atender os pedidos totais de diesel de grandes distribuidoras, dessa vez para entregas previstas para maio, enquanto a petroleira busca evitar importar o combustível em meio a altos preços do mercado internacional, afirmaram duas fontes com conhecimento do assunto.

A negativa gira em torno de 10% do volume demandado pelas distribuidoras, disseram duas fontes de empresas diferentes, sob condição de anonimato.

Os pedidos das distribuidoras são baseados em negócios feitos pelas empresas junto à Petrobras nos últimos três meses, e ajustados ao longo do período seguinte. Em abril, a estatal havia negado 20% de uma cota das empresas, segundo fontes do mercado disseram anteriormente.

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente. Mas duas pessoas da empresa com conhecimento da situação afirmaram que as grandes distribuidoras estariam pedindo volumes acima da demanda, buscando ganhar mercado de companhias menores.

O setor brasileiro de diesel, o combustível mais negociado do país, vem enfrentando tensão desde o início da guerra, já que o Brasil importa cerca de 25% de sua demanda, com a Petrobras, maior produtor local, respondendo também por parte das importações. Com o objetivo de limitar a alta dos preços gerada pelo conflito no Golfo Pérsico, o governo lançou um programa de subsídio, entre outras medidas.

Uma fonte ponderou que as distribuidoras estão acostumadas com os chamados “cortes” na cota, porque o contrato da Petrobras permite certa flexibilidade.

“Mas não eram cortes assim tão fortes, às vezes de 5%, por aí…”, afirmou.

Em março, para entrega em abril, os cortes chegaram a mais de 20%, segundo fontes, e levaram as maiores distribuidoras a dobrar importações para atender seus contratos.

A petroleira também planeja ofertar volumes menores em maio em relação a abril, disse uma fonte.

“Como ela não está importando, então ela está com mais dificuldade de produto, por isso que ela está tendo que cortar alguns pedidos”, disse a segunda pessoa.

Sobre as compras externas, a Petrobras reiterou por email, no início da semana, que não fará importações em abril e maio.

Na ocasião, a empresa afirmou ainda que postergou uma parada programada em uma unidade de produção de diesel da refinaria Repar, no Paraná, o que impactou positivamente o balanço do produto no sistema da companhia, “reduzindo a necessidade de importações diante dos compromissos previstos para abril e maio de 2026”.

DEMANDA MAIOR

A oferta mais restrita ocorre enquanto ministros do governo têm acusado distribuidoras e outros agentes da cadeia de combustíveis de elevar os preços ao consumidor, por oportunismo. 

Duas fontes da Petrobras afirmaram que a companhia tem atendido os volumes médios dos últimos três meses. Uma delas afirmou que o mercado demandou “muito mais do que é capaz de absorver”.

A pessoa disse ainda, na condição de anonimato, que as grandes distribuidoras querem ganhar com mais volumes de vendas.

“O mercado das grandes cresceu porque as pequenas não têm capital”, afirmou.

(Reportagem de Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier; edição de Roberto Samora)





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Microbioma altera equilíbrio metabólico das plantas


A relação entre crescimento e defesa nas plantas envolve uma disputa constante por energia, nutrientes e carbono. Segundo Larissa Rossini, Field Development Manager, esse equilíbrio ajuda a explicar por que o microbioma rizosférico se tornou uma variável central na eficiência metabólica e na resiliência das lavouras.

As plantas operam sob um orçamento metabólico rígido. Cada mol de ATP destinado à formação de biomassa deixa de ser usado em processos ligados à imunidade. Estimativas clássicas indicam que entre 10% e 40% dos fotoassimilados são transferidos à rizosfera por meio de exsudatos. Esse fluxo não representa desperdício, mas uma forma de pagamento por serviços ecossistêmicos realizados por micro-organismos associados às raízes.

A arquitetura molecular desse processo envolve diferentes vias de sinalização. O eixo TOR e SnRK1 funciona como sensor entre crescimento e sobrevivência. A via do ácido salicílico está ligada à imunidade contra biotróficos, enquanto jasmonato e etileno atuam contra necrotróficos e herbívoros. Receptores como PRRs reconhecem padrões moleculares associados a micróbios e ativam respostas iniciais de defesa.

O desequilíbrio aparece com força quando há excesso de nitrogênio, especialmente na forma de nitrato. A disponibilidade elevada acelera o crescimento pela via TOR, mas pode reduzir respostas ligadas ao ácido salicílico e ao gene PR-1. O resultado é uma planta metabolicamente favorecida, porém mais exposta do ponto de vista imunológico.

Nesse contexto, os parceiros da rizosfera ganham importância. Fixadores de nitrogênio, como Rhizobium e Azospirillum, podem contribuir com 40 a 200 quilos de N por hectare ao ano. Solubilizadores de fósforo, como Bacillus e Pseudomonas, atuam por meio de ácidos orgânicos e fosfatases. Micorrizas dos gêneros Glomus e Rhizophagus podem fornecer até 80% do fósforo e 25% do nitrogênio demandados pela planta.

O conceito de microbial damper resume esse papel funcional. Em troca de exsudatos ricos em carbono, a planta terceiriza parte da nutrição e da defesa, amortecendo oscilações provocadas por seca, patógenos ou déficits nutricionais. Com o microbioma preservado, meta-análises indicam redução de 20% a 50% no uso de fertilizante sintético.

A implicação prática está no manejo. Rotação de culturas, cobertura permanente do solo, menor revolvimento e uso criterioso de fungicidas sistêmicos passam a ser vistos como engenharia metabólica aplicada, com potencial para reduzir custos de insumos e ampliar a resiliência produtiva.

 





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Desigualdade oscila, mas estrutura resiste


A distribuição da renda no Brasil manteve uma estrutura concentrada ao longo de mais de duas décadas, com variações pontuais, mas sem alteração relevante na base do quadro. Os dados atribuídos à World Inequality Database, foram analisados por Reginaldo Nogueira, diretor executivo do Ibmec, que avalia que a permanência desse padrão aponta para limites mais profundos da economia brasileira.

Entre 2000 e 2024, o 1% mais rico concentrou, em geral, algo próximo de 25% a 30% da renda nacional. Em alguns anos, a participação desse grupo avançou, como em 2012, quando chegou a 32,7%, e recuou em outros momentos, como em 2018, quando ficou em 24,7%. Ainda assim, o patamar permaneceu elevado em todo o período analisado. 

Na outra ponta, os 50% mais pobres seguiram com menos de 10% da renda na maior parte da série. O indicador ficou em 9,1% no início dos anos 2000, chegou a superar ligeiramente os 10% em alguns momentos entre 2007 e 2015, mas voltou a níveis próximos de 9% nos anos mais recentes. Em 2024, essa fatia representava 9,3% da renda. 

Para Nogueira, os números sugerem que a desigualdade não pode ser explicada apenas por falta de vontade política ou por ações de curto prazo. A avaliação é que o problema está ligado a pilares estruturais da economia, como educação fraca, crédito caro, baixa produtividade e informalidade. Esses fatores limitam o avanço da renda, reduzem a mobilidade econômica e restringem o crescimento dos salários. 

O análise também indica que a adoção de políticas públicas ao longo do período não foi suficiente para alterar de forma consistente a distribuição da renda. Na leitura do diretor executivo do Ibmec, houve gasto crescente e diferentes iniciativas, mas faltaram foco e capacidade real de transformação. Sem mudanças nesses fundamentos, a desigualdade tende menos a se reduzir de forma permanente e mais a oscilar dentro de uma mesma estrutura.

  





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Açúcar sobe, mas mercado vê recuperação limitada


O mercado internacional de açúcar teve uma reação moderada em Nova York, mas ainda opera sob pressão de fundamentos que limitam movimentos mais consistentes de alta. A avaliação é de Arnaldo Correa, consultor, em análise sobre o comportamento recente dos contratos futuros e dos agentes do mercado.

O vencimento maio de 2026 encerrou a sexta-feira a 13,92 centavos de dólar por libra-peso, com ganho acumulado de 59 pontos na semana, equivalente a cerca de 13 dólares por tonelada. Outros contratos também subiram, embora com menor intensidade nos vencimentos mais longos.

Apesar da melhora pontual, o mercado segue condicionado pela atuação dos fundos, que permaneciam vendidos em 156.138 lotes, segundo o relatório COT, com base na posição de 21 de abril. A recomposição parcial dessas posições chegou a dar suporte aos preços, mas encontrou forte volume de fixações por usinas, inclusive da América Central, o que reduziu o fôlego da recuperação.

No Brasil, a aprovação do E32, com aumento da mistura de etanol na gasolina para 32%, aparece como fator de suporte. A expectativa é de consumo adicional entre 900 milhões e 1 bilhão de litros, o que pode influenciar o mix das usinas e reduzir a oferta de açúcar.

Por outro lado, a projeção de 635 milhões de toneladas de cana para o Centro-Sul, apresentada pela Canaplan, reforça a cautela. A combinação de safra robusta, vendas físicas e posição vendida dos fundos mantém o ambiente desafiador.

Do ponto de vista técnico, há tentativa de recuperação, com o maio de 2026 mirando a região dos 14 centavos por libra-peso. Ainda assim, o mercado parece depender de novos estímulos para transformar o alívio recente em tendência.

 





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Alga marinha ganha espaço na produção sustentável



A alga cresce em águas frias do Atlântico Norte


A alga cresce em águas frias do Atlântico Norte
A alga cresce em águas frias do Atlântico Norte – Foto: Ribamar Neto/UFC

O uso de bioestimulantes agrícolas tem ganhado espaço como alternativa para elevar a eficiência produtiva e ajudar as lavouras a enfrentar condições ambientais mais instáveis. Nesse cenário, extratos obtidos da alga marinha Ascophyllum nodosum vêm sendo estudados e aplicados no campo por seu potencial de estimular processos naturais das plantas.

A alga cresce em águas frias do Atlântico Norte e tem composição rica em compostos bioativos. A partir dela, são produzidos extratos usados no desenvolvimento de soluções agrícolas voltadas ao estímulo do sistema radicular, à absorção de nutrientes e ao aumento da tolerância a estresses como seca, variações de temperatura e salinidade.

Parte importante do conhecimento sobre essa aplicação vem de pesquisas conduzidas pela Acadian Sea Beyond em parceria com universidades e centros de estudo. Os resultados indicam que os extratos de Ascophyllum nodosum atuam como bioestimulantes ao ativar mecanismos naturais de defesa e contribuir para o equilíbrio fisiológico das plantas. A empresa aponta mais de 15 anos de resultados consistentes, com melhora na qualidade e na produtividade de diferentes cultivos.

Segundo Bruno Carloto, gerente de marketing estratégico da Acadian Sea Beyond no Brasil e no Paraguai, o diferencial da tecnologia está na qualidade da matéria-prima e no processo de extração, que preserva moléculas naturais capazes de interagir com a fisiologia vegetal.

Em experimentos de campo, foram observadas respostas positivas em culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar, com maior vigor inicial, melhor desenvolvimento das raízes e maior eficiência no aproveitamento de nutrientes. As pesquisas também destacam a contribuição desses bioestimulantes para estratégias de manejo mais sustentáveis, por serem derivados de recurso natural renovável e utilizados em pequenas doses.

 





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Conflito dispara alerta sobre fertilizantes



A valorização dos fertilizantes preocupa


A valorização dos fertilizantes preocupa
A valorização dos fertilizantes preocupa – Foto: Canva

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio tem ampliado a pressão sobre o mercado internacional de fertilizantes, com reflexos diretos sobre custos de produção, transporte e disponibilidade de insumos agrícolas. Segundo a AMR Business Intelligence, a guerra em curso na região afeta simultaneamente os dois principais vetores de custo do setor: energia e logística.

A alta nas cotações do petróleo e do gás natural encarece a produção de fertilizantes nitrogenados, especialmente ureia e amônia, que dependem diretamente desses insumos energéticos. Esse movimento tende a elevar os preços internacionais e a reduzir a previsibilidade de oferta, em um momento em que o setor agrícola depende de estabilidade no fornecimento para o planejamento das próximas safras.

Além da energia, a logística passou a exercer papel central na formação dos preços. As disrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio marítimo de insumos, restringem fluxos, elevam os prêmios de frete e reduzem a disponibilidade global de fertilizantes. A combinação entre transporte mais caro e menor fluidez nas rotas internacionais contribui para um cenário de encarecimento generalizado.

Entre os produtos mais pressionados está o enxofre, matéria-prima crítica para a produção de fertilizantes fosfatados. Cerca de 44% do comércio marítimo global do produto transita pela região afetada pelo conflito, o que intensifica os efeitos da escassez logística e produtiva. Com menor disponibilidade e aumento dos custos de transporte, os preços do enxofre registram alta expressiva no mercado internacional.

A valorização dos fertilizantes preocupa porque esses insumos são estruturais para a produção agrícola. Preços mais altos podem reduzir a aplicação no campo, elevar custos de produção e pressionar os alimentos. O risco é mais relevante para países altamente dependentes de importações, que ficam mais expostos à volatilidade externa e a possíveis impactos sobre a segurança alimentar.

 





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