quarta-feira, março 18, 2026

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Plano para cadeia produtiva do cânhamo no Brasil é lançado


A Embrapa e o Instituto Ficus lançaram nesta quarta-feira (10), em Brasília, o relatório “Caminhos Regulatórios para o Cânhamo no Brasil”. O documento, elaborado por um grupo de trabalho vinculado ao Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Presidência da República (CDESS), apresenta um diagnóstico abrangente e um plano de ação estratégico para estruturar a cadeia produtiva do cânhamo no país.

O documento foi lançado durante o seminário “Caminhos Regulatórios para o Cânhamo no Brasil”, realizado no auditório Biomas, na sede da Embrapa, em Brasília. O evento contou com apresentações de especialistas que detalharam os principais pontos do relatório e apresentaram experiências realizadas à regulamentação, cultivo, pesquisa e ao uso de cânhamo e cannabis no Brasil, no Paraguai e no Uruguai. 

Na abertura, o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa destacou a importância do momento que coloca luz sobre um tema sensível, mas que, na opinião do pesquisador, não pode ser deixado de lado numa casa de ciência e tecnologia. “A Embrapa não deve se furtar de trabalhar para o desenvolvimento da cadeia produtiva da cannabis. Não é concebível, num país como o nosso, estarmos importando matérias-primas importantes para a indústria e para a área de saúde”, afirmou.

Pillon ressaltou que, desde os anos 1970, a Embrapa atua para consolidar várias cadeias produtivas. No caso da cadeia do cânhamo, segundo ele, há espaço para avançar na genética para as condições de produção brasileiras, nos sistemas de produção, em usos industriais e na área de saúde. No entanto, a legislação atual impede a realização de pesquisas sobre o assunto. “A missão da Embrapa é fazer pesquisa e, hoje, há um conjunto de regramentos que não permite à Embrapa e outras instituições realizar sua missão, que é fazer pesquisa”, ressaltou.

O pesquisador Ricardo Alamino Figueiredo, chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF), ressaltou que as primeiras discussões sobre a pesquisa científica sobre o tema ocorreram há três anos, com a proposição de um programa de pesquisa em cannabis. Para ele, a parceria com o Instituto Ficus é importante para unir pesquisa e setor produtivo. “Esse projeto visa acelerar o desenvolvimento da pesquisa e do mercado da cannabis no Brasil, e o relatório que está sendo apresentado neste evento é uma contribuição inicial desse processo”, ressaltou.

Em mensagem lida durante o evento, a coordenadora do Grupo de Trabalho que produziu o relatório, Patrícia Villela Marino, disse que o lançamento do documento é um momento histórico de colaboração entre o poder público e a sociedade civil. “Esse documento representa muito mais que um conjunto de recomendações técnicas. Constitui-se como um verdadeiro mapa estratégico, um roteiro passo a passo para instaurar a cadeia produtiva do cânhamo em solo brasileiro, incorporado com segurança jurídica e nas mais rigorosas práticas sustentáveis.”

Plano de Ação

O pesquisador Tarso Araújo, consultor do Instituto Ficus, apresentou o plano de ação proposto pelo GT, com ações de curto, médio e longo prazo para impulsionar a regulamentação e o desenvolvimento da cadeia do cânhamo no Brasil.

As ações passam por mudanças na regulamentação, visando diminuir amarras jurídicas que atualmente impedem o avanço da pesquisa e do uso do cânhamo, até, em dez anos, o Brasil se consolidar como um ator mundialmente competitivo.

O primeiro passo deve ocorrer já em outubro, com a liberação, pelo governo, do cultivo do cânhamo industrial. Tarso Araújo também disse ser fundamental a atualização, pela Anvisa, da Portaria 344/1998, que proíbe o cultivo de cannabis, para excluir o cultivo de cânhamo industrial dos controles da Lei de Drogas.

O pesquisador ressalta que há uma dependência do cumprimento das ações de curto prazo para a realização das demais ações do plano. “As ações iniciais vão gerar uma regulamentação que vai permitir o desenvolvimento dos cultivos experimentais para, em seguida, desenvolver a produção comercial. O relatório projeta uma produção comercial já em médio prazo, de dois a cinco anos, com a colheita e beneficiamento de pelo menos uma matéria-prima de baixo valor agregado para exportação ou para consumo interno. Se essa regulamentação atrasar ou não ocorrer, todo o cronograma planejado será perdido e vamos continuar atrasados em relação às possibilidades de exportação”, salientou.

Potencial Econômico

O economista Rafael Giovanelli, do Instituto Escolhas, apresentou dados que mostram como o cânhamo pode se tornar uma nova fronteira agrícola e industrial. Segundo ele, a regulamentação poderia gerar milhares de empregos e movimentar bilhões de reais, superando em rentabilidade culturas tradicionais como soja e algodão.

Para Rafael Giovanelli, a regulamentação do cânhamo é uma oportunidade estratégica para impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento econômico sustentável no Brasil. De acordo com o economista, o mercado global de derivados de cânhamo foi estimado entre US$ 5 e 7 bilhões em 2023, com projeções de crescimento anual de 16% a 25% até 2033.

Segundo ele, a regulamentação dessa cadeia produtiva pode gerar mais de 14 mil empregos e receitas líquidas de R$ 5,76 bilhões até 2030. Além disso, Rafael Giovanelli destacou que o cânhamo pode oferecer retornos financeiros mais altos que culturas como algodão, soja, milho, girassol, gergelim e canola, tanto na produção de fibras quanto de sementes. Ele também destacou a redução da dependência de importações e o potencial exportador da cultura. “Atualmente, quase 100% dos derivados de cânhamo no Brasil são importados, incluindo para o mercado de cannabis medicinal, projetado em R$ 1 bilhão para 2025. A produção nacional pode substituir essas importações, baratear produtos e tratamentos, e gerar excedentes exportáveis.”

Pesquisa e Inovação

A pesquisadora Daniela Bittencourt, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, destacou que a falta de autorização para pesquisas com a planta impede o desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima tropical. Isso mantém o país dependente de sementes importadas e limita a competitividade. “Sem ciência, sem pesquisa, aquilo que é potencial não se tornará realidade”, ressaltou a pesquisadora ao afirmar que somente o desenvolvimento científico e tecnológico pode transformar o potencial dessa cultura em realidade, gerando impacto social, novas fontes de renda, emprego e inovação para o país.

A pesquisadora contrastou a situação brasileira com o avanço significativo de países como China, Estados Unidos, Canadá e França, que já investem milhões em pesquisa, desenvolvem novas genéticas e manejos e se estabelecem no mercado global.

Para Daniela Bittencourt, a ausência de regulamentação clara para autorizar pesquisas com cannabis tem travado o avanço científico no país. Ela apontou a burocracia excessiva, a falta de transparência nos processos de autorização de estudos e a morosidade na importação de insumos como grandes entraves à realização de atividades científicas.

Daniela Bittencourt apresentou a proposta do Programa de Pesquisa em Cannabis da Embrapa, estruturado em quatro eixos principais, visando cobrir “desde a semente até o produto final”:

Ela ressaltou que esses eixos são interdependentes e se integram para o desenvolvimento de diferentes sistemas produtivos e processos inovadores. Afirmou ainda que a Embrapa busca uma plataforma de inovação aberta para colaborar com o setor produtivo e a sociedade civil.

Aplicações Industriais

Representantes da Associação Nacional do Cânhamo, Rafael Arcuri, e da Associação Brasileira de Cannabis e Cânhamo Industrial, Luís Maurício Ribeiro, apresentaram os usos já consolidados da planta no mundo. “É uma cadeia produtiva de desperdício zero”, resumiu Arcuri. Luís Maurício Ribeiro ressaltou que existem mais de 25.000 produtos catalogados com a fibra do cânhamo e que o Brasil tem uma grande oportunidade de se tornar protagonista nessa cadeia produtiva.

Segundo Luís Maurício Ribeiro, o cânhamo é uma planta versátil com diversas aplicações industriais. Suas aplicações abrangem têxteis (fibras), biomateriais, construção civil (como o hempcrete), alimentos funcionais (sementes e óleo), cosméticos sustentáveis e insumos farmacêuticos.

Rafael Arcuri destacou a versatilidade do cânhamo, que permite o aproveitamento integral da planta, com seus resíduos sendo utilizados em bioconstrução ou como biochar para a recuperação de solos.

Além disso, o cânhamo pode contribuir para a produção de biocompósitos, reduzindo a dependência de plásticos convencionais, bioembalagens, bioinsumos e biopolímeros, além de papel com propriedades superiores.

Desafios Regulatórios

O professor Sergio Barbosa, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), e o especialista Ricardo Galeano, da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Paraguai, discutiram a definição de limites de THC, licenciamento e fiscalização. Barbosa lembrou que países como Estados Unidos, Canadá e membros da União Europeia já diferenciam o cânhamo da cannabis psicoativa, o que garante segurança jurídica para a produção industrial.

Segundo o pesquisador da UFV, é preciso repensar o limite de 0,3% de concentração de THC (tetrahidrocanabinol) nas plantas de cânhamo para viabilizar a produção e pesquisas no Brasil. Ele explicou que o calor e a luminosidade do país estimulam a produção de THC pelas plantas.

Em seu trabalho de doutorado, Sergio Barbosa avaliou 16 variedades importadas. Apenas uma manteve valores baixos de THC, e ainda assim foram superiores a 0,3%. “Todas as variedades ultrapassaram 0,3% de THC. É necessário repensar esse limite porque é algo que, fisiologicamente, as plantas não vão conseguir cumprir nesse momento no Brasil.” Para resolver essa questão, ele sugere que o Brasil adote limites entre 1% e 2% de THC. Segundo ele, com até 2% da substância, as variedades não são classificadas como “tipo droga”.

Nesse sentido, a legislação paraguaia define cânhamo industrial (ou cannabis não psicoativa) como uma planta cujas flores contenham menos de 0,5% de THC. A experiência do país vizinho na regulamentação do cânhamo foi detalhada por Ricardo Galeano. O Paraguai é atualmente o maior exportador de produtos de cânhamo da América Latina. De acordo com Ricardo Galeano, o país adotou regulamentações internacionais e leis nacionais, culminando no decreto 272/2020, que estabelece as condições gerais para as atividades de produção, comércio e pesquisa.

Inclusão Social e Arranjos Produtivos

O advogado Emílio Figueiredo e a representante do Grupo Centroflora, Tatiana Ribeiro, ressaltaram que o cânhamo pode gerar inclusão social no campo. Eles defenderam políticas que priorizem a agricultura familiar e associações de pacientes, como já ocorre em países vizinhos, a exemplo do Paraguai.

De acordo com Emílio Figueiredo, as associações de pacientes surgiram em 2014, com os primeiros movimentos de pacientes buscando o reconhecimento do uso medicinal da cannabis. Segundo dados de julho de 2025, essas associações atenderam 130.000 pacientes nos últimos 12 meses.

O advogado disse que a omissão regulatória atual gera insegurança jurídica para as associações. Ele informou que atualmente existem 21 decisões judiciais favoráveis às associações no Brasil para não criminalizar o cultivo. Para ele, a regulamentação pode trazer segurança jurídica para os pacientes e fomentar esse arranjo produtivo já existente.

Por sua vez, Tatiana Ribeiro falou sobre o Programa “Parcerias pro Mundo Melhor”, criado pela Centroflora em 2003. A empresa atua com pesquisa e desenvolvimento de botânicos brasileiros. O programa oferece apoio técnico aos produtores de insumos.

Segundo Tatiana Ribeiro, por meio desse programa, as famílias são treinadas em cultivo sustentável e boas práticas. A Centroflora fornece apoio técnico e material e para o cumprimento de aspectos regulatórios junto aos órgãos do governo. Para ela, esse modelo pode ser aplicado junto a associações de produtores.

Experiência Internacional

Encerrando o evento, o engenheiro agrônomo Sergio Vazquez Barrios, do Ministério da Agricultura do Uruguai, relatou como o país estruturou sua regulamentação e hoje exporta derivados de cannabis e cânhamo. Ele destacou que a estabilidade jurídica, com a aprovação de diversas normas a partir de 2013, foi decisiva para atrair investimentos e fomentar inovação. Atualmente, a legislação prevê o uso de cannabis com três finalidades: pesquisa científica ou medicinal; uso não médico (alimento, industrialização, cosméticos) e uso recreativo para adultos.

Sergio Vazquez Barrios apontou a adaptação de variedades importadas como um grande desafio para o setor. “As plantas que vêm do hemisfério norte para as latitudes do Uruguai não se adaptam ou não rendem o suficiente para serem economicamente atrativas. Isso ressalta a importância da pesquisa para desenvolver variedades híbridas e, futuramente, talvez com componentes transgênicos”, afirmou.

Segundo ele, outros desafios incluem a geração de variedades de cânhamo hermafroditas estéreis para evitar a polinização, especialmente para a produção de flores sem sementes para extração de canabinoides. O Uruguai busca a pesquisa em bioplásticos e a harmonização dos sistemas de registro de variedades entre os países do Mercosul.

Veja abaixo o seminário na íntegra:





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Fórum global debate prevenção da influenza aviária


Entre os dias 9 e 11 de setembro de 2025, o Brasil sediou, em Foz do Iguaçu (PR), o Fórum Internacional sobre Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO Américas), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O encontro reuniu cerca de 500 especialistas, gestores públicos, acadêmicos, representantes do setor privado e organizações internacionais para discutir estratégias coordenadas de prevenção e controle da doença, que representa uma ameaça crescente à saúde animal, à saúde pública e à sustentabilidade da produção agropecuária.

Conhecida popularmente como gripe aviária, a IAAP é altamente contagiosa e afeta principalmente aves, mas já foi detectada em 83 espécies de mamíferos, incluindo bovinos leiteiros e animais silvestres. Desde 2020, a IAAP tem se espalhado por diversos continentes, dizimando plantéis, afetando a biodiversidade, o comércio internacional e a segurança alimentar – além de acender um alerta global sobre o risco de uma nova pandemia humana.

“A influenza aviária deixou de ser uma ameaça esporádica e se tornou um desafio global. Nenhum país ou setor conseguirá enfrentar esse desafio de forma isolada — e o fracasso não é uma opção. A colaboração prática, baseada na ciência, é essencial para proteger nossos sistemas agroalimentares, os meios de subsistência e a saúde pública”, afirmou Beth Bechdol, diretora-geral adjunta da FAO.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ressaltou a relevância da resposta integrada. “Enfrentar a influenza aviária exige esforço coletivo entre países, setor produtivo, comunidade científica e organismos internacionais. Este desafio deve ser tratado com total transparência, só assim construiremos confiança e garantiremos a segurança alimentar global. Quando a influenza aviária foi detectada em uma granja comercial neste ano, o Brasil mostrou uma diferença decisiva. A resposta rápida e eficaz reforçou a credibilidade e a robustez do nosso sistema sanitário”, disse.

Abertura

Pela primeira vez, representantes do setor privado, incluindo associações de produtores de aves e prestadores de serviços de saúde animal, participaram diretamente de um diálogo global ao lado de lideranças científicas e governamentais.

Na abertura do Fórum, o secretário adjunto de Defesa Agropecuária do Mapa, Allan Alvarenga, destacou a política de transparência iniciada em 2023 e o investimento contínuo em equipes e laboratórios. O secretário adjunto, reforçou, ainda, a necessidade de melhorar a regionalização e “discutir a vacinação com base em ciência”.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, evidenciou a importância de uma comunicação clara e objetiva com mercados e organismos internacionais. Ele ressaltou que, após o foco registrado no Rio Grande do Sul, o Brasil conseguiu manter as exportações em patamar elevado e retomar mercados em poucas semanas, reforçando a credibilidade do país no comércio global.

Durante a abertura também foi anunciado o credenciamento, pela FAO, do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo (LFDA/SP) como centro de referência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle.

Temas prioritários

O diálogo global se baseou na Estratégia Global 2024–2033 de Prevenção e Controle da IAAP, lançada pela FAO em parceria com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), no âmbito do GF-TADs. A iniciativa busca apoiar a criação e implementação de planos nacionais e regionais, fortalecendo a cooperação internacional e a capacidade de resposta a riscos transfronteiriços e pandêmicos.

 





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“Sem erros políticos, Brasil será potência do agro mundial”, afirma presidente da Farsul


Presidente do Sistema Farsul defende protagonismo do agronegócio brasileiro e critica tentativas de retrocesso em política econômica. Evento debateu rumos do setor no RS e no mundo.

Durante o seminário Campo das Ideias, realizado nesta quinta-feira (11/09) em Porto Alegre (RS), o presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, destacou o papel estratégico do Brasil no cenário global de segurança alimentar. Em sua fala no painel de abertura, Pereira alertou para o crescimento acelerado de países asiáticos e o impacto direto desse avanço na demanda por alimentos. “A diferença hoje é que não são mais crianças, mas adultos entrando na sociedade de consumo. E isso exige mais produção. Aí está o Brasil”, afirmou.

Promovido pelo Senar-RS, o seminário Campo das Ideias reuniu especialistas, pesquisadores e lideranças do setor para discutir os principais desafios e oportunidades do agronegócio. O evento ocorreu no Teatro do Bourbon Country e teve inscrição gratuita, com painéis ao longo do dia sobre economia, geopolítica, sustentabilidade e inovação no agro.

Gedeão Pereira citou o exemplo da Indonésia, país com 270 milhões de habitantes e crescimento econômico em torno de 4% a 5%, semelhante ao que a China registrava antes de se tornar potência mundial. “Esse movimento pressiona o mercado por mais alimentos, energia e insumos. O Brasil está exatamente onde deveria estar: como fornecedor estratégico de proteína e grãos”, declarou.

O presidente da Farsul também aproveitou o espaço para criticar decisões políticas que, segundo ele, podem comprometer esse protagonismo. “O Brasil não pode fazer as coisas erradas. E está tentando fazer. Isso é lastimável. Se acertarmos, temos um grande país à frente, especialmente no nosso setor, que é altamente promissor — inclusive no curto prazo”, advertiu.

Pereira ainda mencionou os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump e como o agronegócio brasileiro conseguiu se adaptar rapidamente. “O agro reagiu, ajustou algumas rotas e seguiu crescendo. Porque no fim das contas, as pessoas precisam tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias. E aí está o Brasil”, completou.

“O Brasil precisa entender seu papel. Temos o que o mundo precisa, mas não podemos errar o rumo com medidas equivocadas. O agro está pronto, mas depende de políticas públicas sérias”, concluiu.





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Seguro Pecuário cresce mais de 650% e reforça papel estratégico para a segurança alimentar e econômica do Brasil


Em um país com cerca de nove vezes mais animais de abate do que habitantes, o Seguro Pecuário consolida-se como uma ferramenta estratégica para a segurança alimentar, econômica e financeira do Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são aproximadamente 220 milhões de pessoas e quase 1,9 bilhão de bovinos, suínos e aves — um dado que evidencia não apenas a força da pecuária nacional, como também a urgência de protegê-la contra riscos sanitários, climáticos e logísticos.

A estimativa do IBGE para 2025 é que o rebanho bovino ultrapasse 234 milhões de cabeças, reforçando o protagonismo do Brasil entre os maiores produtores mundiais de carne. Esse volume se soma aos 1,6 bilhão de galinhas e aos mais de 43 milhões de suínos, compondo um ecossistema robusto de produção de proteína animal.

Os números do primeiro trimestre de 2025 mostram recuperação no setor: em relação ao mesmo período de 2024, o abate de bovinos cresceu 3,8%, suínos 1,4% e frangos 2,3% — reflexo do aumento da demanda interna, das exportações e da maior confiança dos produtores no planejamento de médio e longo prazo.

Nesse contexto, o Seguro Pecuário ganha protagonismo. Levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) aponta que, de janeiro a maio de 2025, o produto acumulou crescimento de 294% nos últimos cinco anos, passando de R$ 16,5 milhões em 2021 para R$ 65 milhões em 2025. Na comparação anual, a expansão foi ainda mais expressiva: 653,5% de alta, com R$ 170,3 milhões arrecadados em 2024, frente aos R$ 46,9 milhões de 2021. Em relação a 2023, o avanço foi de 72,3%.

Apesar do desempenho impressionante, o seguro para criações ainda representa uma parcela pequena do mercado pecuário. Como o seguro pecuário ainda é novo no Brasil – se comparado com outras modalidades de seguro rural já consolidadas –, a principal barreira é a falta de conhecimento dos produtores sobre seu funcionamento e benefícios.

O Seguro Pecuário oferece cobertura para animais destinados ao consumo e/ou produção, nas fases de cria, recria e engorda, além de abranger animais de trabalho. Entre os principais riscos cobertos estão morte por doenças, acidentes, intoxicação, picada de cobra, raio, ingestão acidental de objetos, complicações no parto, aborto e eutanásia por razões humanitárias, além de variação negativa do preço do animal (causada por eventos externos à produção).

Além de proteger diretamente o produtor, o seguro fortalece a economia do setor — ainda mais relevante diante do cenário recente de tensão comercial com os Estados Unidos, que anunciaram a tarifa de 50% sobre a carne brasileira. Em tempos de incerteza, a apólice ativa garante ao pecuarista mais acesso ao crédito rural, segurança para investir e capacidade de manter a produção diante de imprevistos. Para o país, significa menor necessidade de socorro estatal em crises e mais previsibilidade nas exportações.

Para Daniel Nascimento, vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o seguro pecuário tem se mostrado um aliado indispensável para o produtor rural moderno. “Ele protege o rebanho, sustenta a renda em momentos críticos e fortalece a confiança nos negócios agropecuários. Mas ainda é necessário ampliar o conhecimento sobre o produto no campo e avançar em políticas públicas que estimulem sua adoção. O Brasil já é potência na produção de proteína animal. Com mais seguro, podemos ser também referência em estabilidade e gestão de risco na pecuária.”

O avanço do Seguro Pecuário é resposta direta aos desafios contemporâneos da agropecuária brasileira. Diante das mudanças climáticas, da pressão por sustentabilidade e das exigências dos mercados internacionais, o país precisa não apenas manter volume de produção, mas garantir estabilidade, rastreabilidade e competitividade — e o seguro tem papel central nesse caminho.

Na avaliação do representante da FenSeg, com a pecuária cada vez mais intensificada e tecnológica, a gestão de risco é a palavra-chave e deve fazer parte da rotina do produtor e da estratégia da produção. “Desse modo, o seguro surge como mais um mitigador de risco na atividade, apoiando o pecuarista a se manter 





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Boi gordo mantém preços estáveis em São Paulo



Novilha e vaca recuam na região Sul do Tocantins



Foto: Divulgação

De acordo com o informativo “Tem Boi na Linha” desta quinta-feira (11), o mercado do boi gordo manteve resultados em São Paulo. “A oferta de bovinos para abate esteve confortável, e parte dos compradores relataram escaladas mais alongadas nesta quinta-feira”, informou o boletim. O cenário desacelerou as negociações, com os compradores aguardando maior clareza sobre o desempenho do consumo de carne bovina ao longo da semana. “As ofertas abaixo das referências foram testadas, mas tiveram pouca efetividade até então.” Assim, o mercado aumenta com os preços em comparação diária. As escalas de abate ficaram, em média, em 11 dias. Todos os preços foram brutos e com prazo.

No Tocantins, “a oferta de bovinos para abate esteve elevada para o período no estado, enquanto a demanda interna por carne bovina ficou abaixo do esperado”, informou o boletim. Esse cenário desacelerou as negociações e contribuiu com uma viagem baixista às cotações. Na região Sul, “a cotação do boi gordo manteve-se estável, a da novilha recuou R$1,00/@ e a da vaca, R$2,00/@”. Já na região Norte, “houve queda de R$2,00/@ para todas as categorias”. A cotação do “boi China” não se alterou. Todos os preços foram brutos e com prazo.

No Rio de Janeiro, “diferente das outras regiões, a oferta de gado para abate não foi tão confortável, embora o escoamento de carne bovina tenha ficado abaixo do esperado para o início do mês”. A oferta de fêmeas mostrou-se mais folgada que a de machos, mas sem grandes excedentes. “Esse cenário trouxe um mercado mais moroso nesta quinta-feira, mantendo as cotações resultantes.” As escalas de abate atenderam, em média, a seis dias. Todos os preços foram brutos e com prazo.





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AgriConnection anuncia a aquisição de ativos regulatórios e registros de produtos no Brasil.


A AgriConnection amplia portfólio de produtos e consolida presença no Mercado Brasileiro com o anúncio a celebração de um acordo para aquisição de ativos regulatórios e registros de produtos fitossanitários na área de proteção de cultivos.

A operação representa um marco estratégico para a companhia, reforçando seu compromisso em oferecer um portfólio cada vez mais amplo, competitivo e alinhado às necessidades de clientes e parceiros em todo o país.

Após a conclusão da aquisição, a AgriConnection deterá mais de 30 registros aprovados de produtos formulados, além de processos de registro em andamento e registros técnicos de produtos que respaldam e solidificam os registros formulados. Essa ampliação proporcionará maior flexibilidade em termos de fornecedores e fontes, ao mesmo tempo em que fortalece o desenvolvimento e a consolidação de marcas próprias dentro do portfólio da empresa.

Sobre a AgriConnection

A AgriConnection é uma empresa 100% brasileira, referência em acesso ao mercado de insumos agrícolas, com atuação em todos os níveis da cadeia: revendas, distribuidores, cooperativas, pools de compra, companhias agrícolas e vendas diretas. Reconhecida por sua abordagem inovadora e por seu compromisso com a sustentabilidade, a empresa já soma seis safras de atuação e responde por mais de 2% do mercado nacional de defensivos agrícolas.

Além de seu portfólio de soluções para proteção de cultivos (pragas, doenças e plantas daninhas), a Agriconnection tem expandido suas operações em Fertilizantes (NPK) e Especialidades foliares, incluindo Microelementos, Adjuvantes, Bioestimulantes e Bioinsumos. A companhia se posiciona como elo estratégico entre grandes produtores nacionais e internacionais e o mercado agrícola brasileiro, se colocando como empresa especialista em acesso ao mercado e construção de relacionamentos e parcerias.

Aspectos regulatórios da transação

A conclusão da transação está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), bem como do cumprimento das condições acordadas de fechamento e da transição habitual em uma negociação dessa natureza, incluindo a efetiva transferência dos ativos junto aos órgãos governamentais como MAPA, ANVISA e IBAMA.

Um passo estratégico para o futuro

Este movimento representa um avanço na consolidação da presença da Agriconnection no mercado agrícola brasileiro. Com um portfólio próprio de registros e produtos, a companhia fortalece sua capacidade de oferecer soluções completas, inovadoras e sustentáveis, criando conexões ainda mais sólidas com seus clientes e parceiros em todo o país. 





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alerta de economista no Campo das Ideias


Durante o Seminário Campo das Ideias, realizado em Porto Alegre, o economista Marcelo Portugal (UFRGS) afirmou que o Brasil não enfrentará seus problemas estruturais em 2026. Para ele, o desequilíbrio fiscal seguirá como principal desafio para o próximo governo.

No painel “Economia do Brasil e o seu Negócio”, Marcelo Savino Portugal, professor da UFRGS e ex-diretor do Banco Central, apresentou um panorama crítico da situação fiscal do país. “2026 será um ano em que vamos simplesmente empurrar os problemas para frente. Ninguém vai tratar de questões estruturais da economia brasileira. O problema fiscal não será resolvido e ficará para o próximo governo”, afirmou.

Portugal dividiu sua apresentação em três grandes eixos: a deterioração das contas públicas, o histórico da inflação no Brasil e a estabilização do câmbio. Ele lembrou que, nos anos 1990, o país enfrentava três grandes entraves econômicos: hiperinflação, instabilidade cambial e desequilíbrio fiscal.

“O problema da inflação foi resolvido com o Plano Real, após várias tentativas fracassadas. Aprendemos que não funcionava congelar preços, e sim atuar com câmbio fixo, ajuste fiscal e juros altos”, explicou. Segundo ele, o sistema de metas de inflação e a autonomia do Banco Central consolidaram a credibilidade do controle inflacionário.

No caso do câmbio, o economista destacou a mudança de patamar iniciada em 1999 com a adoção do câmbio flutuante, consolidada nos anos 2000 com o acúmulo de reservas internacionais. “Hoje vivemos um ambiente de liberdade cambial, onde qualquer pessoa pode movimentar capital internacional sem grandes entraves. É um cenário oposto ao dos anos 1980 e 90, marcados por crises recorrentes”, completou.

No entanto, para Portugal, o problema fiscal persiste como “o principal problema não resolvido” do país. “Diferentemente da inflação e do câmbio, o desequilíbrio nas contas públicas não foi enfrentado com a mesma eficácia. Seguimos gastando mais do que arrecadamos”, criticou.





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98% das lavouras do milho estão em boas condições



Deral aponta avanço no plantio do milho 25/26



Foto: Divulgação

Segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária desta quinta-feira (11), preparado pelos analistas do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), “os trabalhos de colheita da segunda safra de milho 2024/25 estão praticamente finalizados no Estado”. O relatório da semana indicou que “foram colhidos mais de 96% dos 2,79 milhões de hectares plantados neste ciclo”.

Ainda de acordo com o boletim, “o plantio da primeira safra de milho do ciclo 2025/26 teve avanço na semana e o percentual semeado atingiu 24% dos 315 mil hectares projetados para a safra”. O documento aponta que “as lavouras já plantadas têm condição boa de campo para 98% e apenas 2% da área apresenta condição mediana”.





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Manejo inadequado acelera perda de eficiência dos herbicidas


A perda de eficácia dos herbicidas vem se tornando uma realidade silenciosa nas lavouras brasileiras. Plantas que “escapam” do controle, reaparecem semanas após a aplicação ou se tornam cada vez mais difíceis de manejar são os primeiros sinais de alerta — e exigem atenção imediata do produtor.

A eficiência dos herbicidas, um dos pilares do manejo de plantas daninhas na agricultura moderna, vem sendo comprometida por diferentes fatores agronômicos, ambientais e até comportamentais. Segundo pesquisadores da Embrapa, reconhecer cedo os sinais de perda de eficácia é crucial para evitar prejuízos maiores e adaptar o manejo a tempo.

Entre os principais indicativos observados no campo está o “escape” de plantas daninhas, ou seja, a presença de indivíduos vivos mesmo após a aplicação do herbicida. Quando a maioria da população morre, mas alguns exemplares continuam crescendo, é possível que haja resistência em desenvolvimento — especialmente se esses escapes forem sempre da mesma espécie e repetidos ao longo de safras.

Outro sintoma frequente é o rebrote das plantas controladas, observado semanas depois da aplicação. Isso indica que a dose, o momento ou o modo de ação do herbicida não foram suficientes para eliminar completamente o sistema radicular, ou que a planta tem mecanismos de tolerância que lhe permitem sobreviver.

A necessidade de reaplicações em curto espaço de tempo também é um sinal de que a eficácia original do produto foi comprometida. Em muitos casos, os produtores também relatam que os herbicidas “parecem não fazer mais efeito como antes”, mesmo utilizando a mesma dose e nas mesmas condições climáticas. De acordo com a Embrapa, essa percepção não deve ser ignorada: é reflexo de uma mudança silenciosa no comportamento das plantas daninhas, que pode ter origem genética (resistência) ou ambiental (condições que reduzem absorção e translocação).

Além disso, a presença dominante de poucas espécies daninhas ao longo do tempo pode indicar que essas plantas estão se sobressaindo às demais por tolerância aos herbicidas utilizados. O capim-amargoso, a buva e o caruru, por exemplo, são casos clássicos de espécies que desenvolveram resistência no Brasil e hoje exigem estratégias de manejo muito mais complexas.

Outros sinais incluem:

– Plantas com crescimento normal, mesmo após aplicação recente;

– Cobertura incompleta do alvo (visualmente perceptível em manchas ou faixas de plantas daninhas não controladas);

– Redução de produtividade da cultura, devido à competição com daninhas não eliminadas.

Ao identificar qualquer um desses sinais, o produtor deve agir de forma preventiva: coletar amostras das plantas, buscar apoio técnico, verificar as condições de aplicação (clima, equipamentos, volume de calda) e, se necessário, realizar testes de resistência.

O diagnóstico precoce é essencial para evitar a propagação de biótipos resistentes e o agravamento da situação. E mais do que trocar o herbicida, é fundamental adotar estratégias de manejo integrado, como a rotação de mecanismos de ação, o uso de coberturas vegetais, a dessecação bem planejada e o controle mecânico complementar.





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Gestão na armazenagem de grãos será tema do VIII Simpósio em Sorriso (MT)


A cidade de Sorriso (MT) receberá, entre os dias 10 e 12 de setembro de 2025, o VIII Simpósio Matogrossense de Pós-colheita de Grãos (VIIISMPG2025), evento técnico de referência promovido pela Associação Brasileira de Pós-Colheita – ABRAPOS. O encontro será realizado no Centro de Eventos do Sicredi, com expectativa de reunir cerca de 300 participantes.

Com foco na “Gestão na Unidade Armazenadora de Grãos”, a edição de 2025 contará com palestras e painéis conduzidos por especialistas do setor. A programação inclui temas como classificação de soja e milho, controle de pragas e micotoxinas, inovação em secagem, automação, segurança e gestão de qualidade nas unidades armazenadoras.

A realização é da ABRAPOS em parceria com a Caramuru Alimentos e a C.Vale Cooperativa Agroindustrial. Entre os co-promotores estão a Embrapa, Conab, UFMT, AC Grãos e Tiras Agro, além do apoio de diversas instituições mato-grossenses.

A estrutura do evento também contempla uma feira técnica, com a participação de empresas que apresentarão equipamentos e soluções para o pós-colheita. Segundo a organização, o foco é conectar inovação e boas práticas à realidade de produtores e operadores de unidades armazenadoras.

Esta será a oitava edição do simpósio, que já passou por municípios como Rondonópolis, Lucas do Rio Verde, Sinop e outras edições em Sorriso. A continuidade do evento reflete a crescente demanda por capacitação e atualização tecnológica no segmento de pós-colheita, especialmente em um estado que responde por quase 30% da produção nacional de grãos.

“O simpósio reafirma o compromisso do setor em reduzir perdas e garantir segurança alimentar, beneficiando tanto produtores quanto consumidores”, reforça a presidente da ABRAPOS, Maria Cecília Andrade.

A expectativa é que os debates reforcem práticas sustentáveis e melhorem os indicadores de eficiência das unidades armazenadoras. Ao final do simpósio, a ABRAPOS pretende consolidar recomendações técnicas e promover articulações para projetos de extensão e capacitação continuada no Estado.





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