sábado, março 14, 2026

Política & Agro

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Pecuária de baixo carbono ganha espaço na COP30


Protocolo de Carne de Baixo Carbono (CBC), Boas Práticas Agropecuárias (BPA) – bovinos e bubalinos de corte e estoque de carbono no bioma Pantanal são as tecnologias que a Embrapa Gado de Corte levará a Belém, durante a COP30, na vitrine viva da Embrapa preparada para a Conferência.

O Protocolo CBC, desenvolvido pela Embrapa, é o primeiro do Brasil a estabelecer um conjunto de critérios e procedimentos auditáveis e certificáveis, que garantem a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa pelo sistema produtivo da bovinocultura de corte e a obtenção de um selo para a carne, que possibilita ao consumidor optar por um produto com atributos de descarbonização nas gôndolas dos supermercados.

A iniciativa está associada a sistemas pecuários sem a presença de árvores, que a partir das boas práticas agropecuárias, envolvendo a recuperação e manejo correto da pastagem, e integração lavoura-pecuária, promovem aumento do estoque de carbono no solo, mitigando as emissões de GEE do sistema.

Para validar as orientações técnicas do protocolo CBC, a Embrapa realizou experimentos durante dois ciclos de produção (2019 a 2021) em um ambiente de produção comercial no Oeste baiano. Essa validação serve como modelo de certificação da marca-conceito CBC nas fazendas de pecuária de corte que desejarem adotar esse modelo, que estará disponível para os produtores, após o lançamento, na plataforma Agri Trace Rastreabilidade Animal, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Boas Práticas

Eficiência, sustentabilidade e competitividade formam o tripé do Programa de Boas Práticas Agropecuárias (BPA) – bovinos de corte, que com mais de 20 anos de existência, passou por profunda transformação. O novo Programa BPA busca agora uma abordagem integrada, envolvendo técnicos, pesquisadores e produtores rurais, para saltar das 200 propriedades, atualmente credenciadas para mil, nos próximos três anos.

Entre as mudanças, está a inclusão dos bubalinos de corte no Manual de BPA, já que antes era restrito aos bovinos. O tema da função social do imóvel incorporou os quesitos de legislações trabalhistas e ambiental, que antes apareciam dispersos. Abriu-se espaços para gestão ambiental e de pessoas para quesitos que, de fato, são gerenciáveis, que exigem a tomada de decisão, como por exemplo, separação e destinação correta de resíduos sólidos, e bonificação por desempenho.

A adesão ao Programa BPA é gratuita e voluntária e os produtores podem participar com três níveis de engajamento. No primeiro, o material disponibilizado pela Embrapa no site do BPA serve como guia de implantação na propriedade, sem vínculo formal com o Programa. Já no segundo, apesar de a implantação ser independente, a verificação de conformidade e emissão de atestado de adequação se dá por técnico credenciado BPA. Por fim, no nível três, há acompanhamento técnico desde a verificação inicial até a implantação total.

Pantanal e carbono

Outro tema presente na COP30 é um estudo inédito que revela o potencial estratégico de estoque de carbono na Bacia do Alto Paraguai. A pesquisa, desenvolvida por equipes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e Embrapa Gado de Corte (MS) mapeou os estoques de carbono na Bacia do Alto Paraguai e aponta oportunidades para conservação e desenvolvimento sustentável.

O estudo foi conduzido utilizando imagens do satélite Landsat e ferramentas avançadas de sensoriamento remoto e geoprocessamento, com base no Protocolo UEMS. Foram analisadas 59 localidades da Bacia do Alto Paraguai (BAP), com atenção especial às áreas do bioma Pantanal (MS e MT).

Os cálculos envolveram índices de vegetação (NDVI), classificação espectral e validação em campo, permitindo mapear os estoques de carbono em vegetações nativas e alteradas, e o resultado é um panorama científico inédito sobre a capacidade de fixação de carbono da região e seu papel no enfrentamento das mudanças climáticas.





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Lula reforça compromisso climático em Belém


Em sessão temática dos dez anos do compromisso internacional para limitar o aquecimento da Terra, o presidente brasileiro pediu celeridade para implementar o Acordo. Ele também chamou atenção para a necessidade de financiamento climático para os países em desenvolvimento

A última sessão da Cúpula do Clima de Belém, nesta terça-feira, 7/11, convidou os líderes a refletir sobre os dez anos do Acordo de Paris – que prevê esforços para limitar o aquecimento da Terra a 1,5ºC. Em discurso de abertura, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou a intenção de avançar na implementação do compromisso internacional durante a COP30 e também no financiamento climático necessário para isso. 

“No que depender do Brasil, Belém será o lugar onde renovaremos nosso compromisso com o Acordo de Paris. Isso significa não apenas implementar o que já foi acordado, mas também adotar medidas adicionais capazes de preencher a lacuna entre a retórica e a realidade”, iniciou o presidente brasileiro. 

Para isso, Lula ressaltou a importância dos países entregarem Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) ambiciosas para, efetivamente, limitar o aquecimento global a 1,5ºC – principalmente as nações que historicamente mais emitem gases de efeito estufa.

“Podemos avançar rumo ao futuro sem abrir mão de reivindicar daqueles que mais se beneficiaram historicamente das emissões que façam jus a suas responsabilidades. Estão na América Latina, na Ásia e na África as regiões que correm o risco de se tornarem inabitáveis. Estão no Caribe e no Pacífico as ilhas que podem desaparecer. Omitir-se é sentenciar novamente aqueles que já são os condenados da Terra”, lamentou o presidente brasileiro. 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, explicou que as NDCs têm sido uma espécie de “termômetro” da ambição climática dos países. Mas, elas não estão sendo suficientes nesta primeira década do Acordo. Segundo ele, para chegar à meta de 1,5ºC seria necessário a redução de 60% dos gases do efeito estufa do mundo até 2035.

“As novas NDCs entregam apenas uma redução de 10%. Precisamos de um plano de aceleração para fechar as lacunas na ambição e implementação das NDCs. E essa aceleração deve começar aqui em Belém”, salientou o representante da ONU.

Durante a sessão, os países em desenvolvimento relataram os desafios que enfrentam para implementar medidas de combate às mudanças climáticas. Representantes de pequenos Estados insulares (SIDS, na sigla em inglês), por exemplo, solicitaram apoio das maiores economias, uma vez que vêm sendo duramente afetados por eventos climáticos extremos.

Lula, então, defendeu a  conclusão do Mapa do Caminho de Baku a Belém para alcançar US$1,3 trilhão de financiamento climático por ano, até 2035, para os países em desenvolvimento. As presidências da COP29, do Azerbaijão, e da COP30, do Brasil, apresentaram o planejamento para alcançar o investimento na última quarta-feira, 5/11. 

“Sem meios de implementação adequados, exigir ambição dos países em desenvolvimento é injusto e irrealista. O Mapa do Caminho Baku a Belém mostra que, com vontade política, temos alternativas para chegar à meta de US$1,3 trilhão por ano”, destacou o presidente brasileiro, reafirmando que apenas uma pequena parcela do financiamento climático chega ao Sul Global. 

Diante desse cenário, o secretário-geral António Guterres mencionou que o Mapa do Caminho tem como missão “restaurar a confiança de que o financiamento climático fluirá de forma previsível, justa e em escala”.

“Formas inovadoras de financiamento devem ser desenvolvidas, incluindo trocas de dívida por clima, mecanismos de compartilhamento de risco e instrumentos ousados como o Fundo Floresta Tropical para Sempre, sem esquecer a contribuição dos mercados de carbono. E devemos continuar pressionando por reformas da arquitetura financeira global, para que reflita o mundo de hoje e sirva às necessidades dos países em desenvolvimento”, disse.

Lula e Guterres, por fim, deixaram um chamado à ação climática para os países e um pedido de reforço com o compromisso firmado. “Na COP30, vamos renovar a grande promessa que o mundo fez há uma década em Paris – iniciando uma nova década de implementação e aceleração”, disse o secretário-geral. 

“Em vez de abandonar as esperanças, podemos construir juntos uma nova era de prosperidade e igualdade”, finalizou o presidente do Brasil. 





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Incêndios em silos reacendem debate sobre automação


Em 2025, uma sequência de incêndios em silos graneleiros acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. Só no Rio Grande do Sul, ao menos três ocorrências de grande porte foram registradas neste ano. A mais recente, no início de outubro, em Arroio Grande, destruiu um dos silos da Cotribá, com prejuízo estimado em mais de um milhão de reais, entre grãos perdidos e estrutura danificada.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o sinistro pode ter sido provocado por combustão espontânea — um fenômeno invisível, mas devastador, que começa dentro da própria massa de grãos.

“A maioria desses incêndios não começa com uma fagulha externa. É o resultado de um processo lento de autoaquecimento, causado por manejo inadequado, falhas na aeração ou ausência de monitoramento preciso”, explica Everton Rorato, diretor comercial da PCE Engenharia, especializada em automação de armazenagem de grãos.

Rorato detalha que a combustão espontânea resulta de uma sequência previsível de eventos biológicos e químicos. Grãos com umidade acima do ideal ou mal limpos tornam-se alimento para microrganismos. Isso em conjunto com a própria atividade metabólica dos grãos gera calor, e a massa compacta atua como isolante térmico.

Sem aeração adequada, o calor não é removido, a temperatura interna sobe e ao ultrapassar 60 °C começam reações de oxidação, produzindo gases inflamáveis e risco de autocombustão. “Quando o operador percebe fumaça, o dano já está feito”, resume.

Para o professor e pesquisador Volnei Meneghetti, especialista em pós-colheita do Instituto Federal Farroupilha, a raiz do problema é conhecida: “Falha humana, sem dúvidas. Pessoal desqualificado e sistemas de termometria convencionais que dependem demais do operador”, afirma.

Segundo ele, o manejo correto em uma condição extrema exigiria transilagem ou expedir o material. “Um sistema automatizado de checagem das condições internas de temperatura e controle automático dos ventiladores de aeração poderia ter evitado o desastre, com certeza. Ele detecta o problema antes que se torne irreversível”, completa Meneghetti.

Rorato encerra com um alerta: “A tecnologia que evita o fogo também protege o lucro. Ignorar isso, hoje, é o verdadeiro risco.”

 





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Defesa Civil registra estragos em mais de 30 municípios


Desde sexta-feira (7), a instabilidade provocada por um ciclone extratropical trouxe vento forte, chuva volumosa e granizo para diversas regiões do Rio Grande do Sul. Pelo menos 39 municípios registraram algum tipo de dano entre sexta (7) e sábado (8), conforme balanço divulgado pela Defesa Civil Estadual na manhã deste domingo (9).

As rajadas mais intensas das últimas 12 horas foram registradas em Planalto, no Norte gaúcho, alcançando 95 km/h, de acordo com o Centro de Monitoramento do governo do Estado. Outras cidades também tiveram ventos fortes ao longo do evento. 

A Região dos Vales concentrou os maiores acumulados de precipitação. Em Ilópolis, choveu 155 mm em 12 horas. Em Anta Gorda, o volume chegou a 143 mm no mesmo período; em Tapera, 128 mm. Esses totais contribuíram para alagamentos pontuais e transtornos urbanos e rurais. 

Norte e Noroeste foram as áreas mais atingidas ao longo da sexta-feira. Em Passo Fundo, houve queda de árvores em pontos da região central; no bairro Zachia, casas foram destelhadas, e a Defesa Civil Municipal distribuiu lonas. Em Sarandi, as aulas em seis escolas foram suspensas na sexta (7) após queda de granizo, e a prefeitura planeja decretar situação de emergência na segunda-feira (10). 

Entre os principais transtornos relatados ao órgão estadual estão destelhamentos, bloqueios em estradas e danos em redes elétricas. As equipes municipais e estaduais atuaram no atendimento às ocorrências e na distribuição de lonas para telhados afetados, com priorização de áreas mais vulneráveis. 

No campo, os prejuízos iniciais se concentram em lavouras de soja, criações de aves e suínos e na produção de hortaliças, especialmente no Noroeste, Centro-Oeste e Norte. 

Do ponto de vista hidrológico, as últimas 24 horas tiveram volumes acima de 100 mm em grande parte da metade Norte e picos superiores a 150 mm no Centro-Oeste e Vales. Com isso, rios apresentam tendência de elevação — entre normalidade e atenção para inundação na Região Hidrográfica do Uruguai; normalidade com estações em atenção no Guaíba; e estabilidade nas Bacias Litorâneas. A orientação é manter vigilância para enxurradas e alagamentos em áreas suscetíveis. 

Neste domingo (9), a atuação de uma área de alta pressão favorece a gradativa melhora do tempo na maior parte do território gaúcho, com sol e variação de nebulosidade. Para segunda-feira (10), a tendência é de tempo estável em todo o Estado, com mínimas entre 5 °C e 14 °C e máximas de 18 °C a 29 °C, conforme o boletim hidrometeorológico estadual. 





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Petróleo cai com dólar mais forte e temores de excesso de oferta


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Por Arathy Somasekhar

HOUSTON (Reuters) – Os preços do petróleo caíram nesta terça-feira, uma vez que os números mais fracos da indústria e um dólar mais forte pesaram sobre a demanda, enquanto a decisão da Opep+ de interromper os aumentos de produção no primeiro trimestre do próximo ano pode sinalizar a preocupação do grupo com um possível excesso de oferta.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com queda de 0,7%, a US$64,44 por barril. O petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos caiu 0,8%, a US$60,56.

“Os futuros do petróleo estão sentindo a pressão hoje da alta valorização do dólar norte-americano. O mercado acionário dos Estados Unidos também está passando por uma forte correção de baixa no início das negociações, já que a paralisação do governo pode estar começando a adicionar pressão para baixo, o que pode acabar prejudicando a demanda doméstica de combustível”, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de negociações do BOK Financial.

O dólar subiu para uma máxima em quatro meses em relação ao euro nesta terça-feira, já que as divisões no Federal Reserve levantaram dúvidas sobre a perspectiva de outro corte nas taxas de juros este ano. Uma moeda norte-americana mais forte torna os ativos cotados em dólar, como o petróleo, mais caros para os detentores de outras moedas.

Wall Street caiu acentuadamente após avisos de uma liquidação do mercado por parte de alguns grandes bancos dos EUA.

A paralisação do governo dos EUA entrou em seu 35º dia, igualando o recorde estabelecido durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump como o mais longo da história.

(Reportagem de Seher Dareen em Londres, Ashitha Shivaprasad em Bengaluru e Emily Chow em Cingapura)

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Feijão: exportações batem recorde histórico



O Brasil vive um momento histórico


O Brasil vive um momento histórico
O Brasil vive um momento histórico – Foto: Canva

Segundo o Instituto Brasileiro de feijão e Pulses (Ibrafe), São Paulo retomou a colheita de feijões, ainda com alta umidade nos grãos. Mesmo assim, os melhores lotes chegaram a R$ 255 por saca quando a umidade ficou abaixo de 18%, e a cerca de R$ 240 por saca nos lotes mais úmidos. Com o avanço da colheita previsto para hoje, antes do retorno das chuvas no sábado, o volume disponível tende a aumentar nos próximos dias.

Historicamente, as primeiras cargas costumam ser vendidas ao preço vigente, mas o Ibrafe avalia que, até o fim do mês, a pressão de oferta deve diminuir e abrir espaço para uma retomada de alta. Em dezembro, o volume de negócios tende a cair, e muitos produtores já indicam que devem segurar o produto para vender apenas no próximo ano, apostando em melhores margens.

No cenário externo, o Brasil vive um momento histórico: nunca exportou tanto Feijão quanto em 2025. Foram 450 mil toneladas, somando US$ 380 milhões, sem comprometer o abastecimento interno. Desse total, 235 mil toneladas foram de Feijão Mungo Verde e Feijão-preto, que ganharam espaço nos últimos anos graças à pesquisa e à assistência técnica.

Contudo, o Ibrafe alerta que o principal gargalo hoje vem do governo. Apesar dos esforços do MAPA e da APEX, políticas agrícolas enfraquecidas, crédito escasso e insegurança cambial prejudicam o avanço. Segundo o instituto, restaurar o seguro rural, reativar instrumentos de renda e investir em armazenagem e logística são medidas urgentes. O Brasil já provou que sabe produzir e vender Feijão ao mundo — falta o governo decidir se quer ser gargalo ou alavanca.

 





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Sugadores desafiam produtores e ameaçam produtividade



Período de outubro e novembro é crítico


Período de outubro e novembro é crítico
Período de outubro e novembro é crítico – Foto: Nadia Borges

As pragas sugadoras seguem como uma das maiores ameaças à agricultura brasileira, capazes de causar perdas de até 30% na produtividade da soja, segundo a Embrapa. Esses insetos, conhecidos como “vampiros do campo”, se alimentam da seiva das plantas, provocando enfraquecimento, transmissão de viroses e queda de rendimento nas lavouras. Entre os principais vilões estão o percevejo-marrom, a mosca-branca, o percevejo barriga-verde, os pulgões e os trips, todos de alta capacidade reprodutiva e difícil controle químico.

De acordo com Bruno Temporim, gerente de Produtos e Portfólio do Grupo Conceito, as condições climáticas entre outubro e dezembro, marcadas por calor intenso e chuvas irregulares em regiões como Goiás, Centro-Oeste e Sudeste, favorecem a multiplicação dessas pragas. O percevejo-marrom, em especial, tem se destacado pela resistência e impacto nas lavouras de grãos.

“O período de outubro a dezembro, justamente quando o país vive o clima de Halloween, coincide com as condições ambientais perfeitas para o crescimento populacional dos sugadores devido às temperaturas elevadas e ao aumento da umidade em muitas regiões produtoras”, comenta.

Para conter o avanço, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é a principal estratégia. Ele envolve monitoramento constante, uso de controles biológicos e químicos, eliminação de plantas tigueras e restos culturais, além da utilização de sementes tratadas. A Conceito Agrícola reforça que, mais do que combater os “vampiros do campo”, o objetivo é proteger o potencial produtivo das lavouras com soluções integradas e suporte técnico especializado. “Estamos lado a lado com o produtor para possibilitar que nenhum vampiro ultrapasse os limites da lavoura. Com as ferramentas certas, o terror se transforma em produtividade”, conclui Temporim.





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Praga afeta produção de sementes do algodão



O besouro adulto perfura os botões florais para se alimentar


O besouro adulto perfura os botões florais para se alimentar
O besouro adulto perfura os botões florais para se alimentar – Foto: Canva

O Bicudo-do-Algodoeiro (Anthonomus grandis) segue como o maior vilão da cotonicultura brasileira, alerta Kayren Mota, profissional de Marketing e Comunicação no Agronegócio. Segundo a especialista, a praga é capaz de comprometer até 100% da produtividade se não houver controle eficiente, afetando diretamente a formação de fibras e sementes, base da produção de algodão.

O besouro adulto perfura os botões florais para se alimentar e permitir que a fêmea deposite seus ovos. As larvas, protegidas dentro dos botões e maçãs, destroem as fibras e sementes, resultando em queda prematura de flores e capulhos com aspecto de “balão”. Além disso, a disseminação é acelerada, pois os adultos sobrevivem à entressafra em refúgios de vegetação e atacam as bordaduras das novas lavouras, espalhando rapidamente a infestação.

De acordo com Kayren Mota, o manejo eficaz exige um conjunto de medidas integradas. O Monitoramento Constante, com inspeção visual e armadilhas, é essencial para detectar precocemente a presença do inseto. Já o Vazio Sanitário, com 60 a 90 dias sem plantas de algodão no campo, aliado à destruição imediata dos restos culturais, é considerado o método mais eficiente para quebrar o ciclo do bicudo.

O controle químico, por sua vez, deve ser usado de forma estratégica e responsável, priorizando as bordaduras e rotacionando produtos para evitar resistência. A especialista reforça que o sucesso no combate ao bicudo depende da disciplina coletiva dos produtores e da aplicação rigorosa das práticas de Manejo Integrado de Pragas (MIP), garantindo a sustentabilidade e a rentabilidade da cotonicultura.

 





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Clima afeta parte das lavouras de aveia-branca


O Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (6) aponta que a colheita da aveia-branca avançou nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul, com produtividade dentro do esperado. Segundo o documento, a cultura está “em plena colheita”, embora com variações decorrentes de condições edafoclimáticas e de manejo. Nas últimas semanas registraram períodos alternados de umidade e estiagem localizada, o que influenciou especialmente as atividades implantadas mais tarde, que sofreram “algum nível de estresse hídrico na fase de enchimento de grãos”.

A qualidade dos grãos permanece adequada, com “bom PH e uniformidade”, favorecendo a destinação industrial. A Emater/RS-Ascar estima 393.252 hectares cultivados no Estado, com produtividade média de 2.445 kg/ha.

Na região administrativa de Bagé, o ritmo de colheita varia entre os municípios. Em São Gabriel, o trabalho foi finalizado com rendimento médio de 1.200 kg/ha. Em Maçambará, 40% dos 5.500 hectares foram colhidos, com produtividades entre 1.200 e 1.800 kg/ha. Nos municípios da Campanha, como Hulha Negra e Candiota, as atividades implantadas posteriormente enfrentaram déficit hídrico durante o abastecimento de grãos, o que afetou os resultados. Em Caçapava do Sul e Lavras do Sul, a colheita alcança cerca de 40% das áreas, com produtividades dentro da média regional.

Na região de Frederico Westphalen, a colheita está praticamente concluída, restando 5% das atividades em maturação. O rendimento médio projetado é de 2.370 kg/ha, com desempenho considerado estável entre os municípios. Em Ijuí, a colheita chega a 55%, com rendimento médio de 2.850 kg/ha em áreas já colhidas. Em Ibirubá, houve incremento ao longo do avanço da colheita. Em Santo Augusto, a produtividade ficou abaixo do previsto, com 2.400 kg/ha. Os títulos apresentam PH superior a 50 pontos, favorecendo a comercialização industrial.

Na região de Santa Maria, a colheita chega a 70%, enquanto 30% das lavouras se encontram em maturação fisiológica. Em Tupanciretã, os trabalhos foram concluídos, com produtividades próximas de 2.200 kg/ha e padrão considerado adequado. Em Soledade, a colheita avança em 35%, com 58% das áreas em maturação e 7% em enchimento de grãos. Em Tio Hugo, 90% da área está colhida, com rendimentos entre 1.500 e 3.000 kg/ha. A média regional deve se aproximar de 3.000 kg/ha, impulsionada por manejo mais tecnificado e cultivares de maior rendimento.





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Plantio lento e dólar fraco mantêm preços da soja estáveis no Brasil


Mesmo com cotações internacionais em alta, os preços da soja no Brasil seguem estáveis, pressionados pelo dólar em baixa e exportação menos competitiva. Segundo análise divulgada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, condições climáticas adversas também retardam o plantio nacional.

O preço do bushel da soja chegou a US$ 11,19 na Bolsa de Chicago, sendo a mais alta cotação desde julho, mas encerrou a semana em queda, aos US$ 10,91. A oscilação reflete a instabilidade no mercado internacional e a exclusão da soja da lista de produtos norte-americanos beneficiados pela China na suspensão de tarifas. Essa exclusão manteve a tarifa de 13% sobre a soja dos EUA, favorecendo a competitividade da soja brasileira.

No entanto, esse fator não foi suficiente para impulsionar os preços internos, diante da desvalorização cambial e dos prêmios de exportação negativos, que retornaram a patamares não vistos desde julho. Segundo a CEEMA, as cotações no mercado físico permaneceram estáveis. A média gaúcha alcançou R$ 126,03 por saca de 60 kg, com as principais praças brasileiras variando entre R$ 118,50 e R$ 125,00. O Rio Grande do Sul e o Centro-Oeste concentram as regiões com maiores flutuações. O atraso no plantio é outro fator de preocupação.

A soja foi semeada em apenas 47% da área prevista até o momento, contra 54% no mesmo período do ano anterior. O estado de Goiás apresenta o ritmo mais lento desde a safra 2017/18, de acordo com a CEEMA. No Mato Grosso, maior produtor nacional, o plantio atingiu 76,1% da área esperada, abaixo da média histórica de 76,7%. As chuvas irregulares nas principais regiões produtoras têm dificultado o andamento da safra, elevando a incerteza quanto à produtividade final. A especulação nos mercados futuros pode aumentar se as previsões de clima adverso se confirmarem.

Nesse cenário, a soja brasileira pode manter sua competitividade, mas com impactos diretos nos custos de produção e na oferta interna. A estabilidade nos preços reflete um equilíbrio frágil entre demanda, câmbio e clima. A evolução das chuvas e o comportamento do mercado internacional serão decisivos nas próximas semanas.





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