sexta-feira, março 13, 2026

Política & Agro

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Feira agrícola abre inscrições e inicia preparação global



Na edição anterior, a feira recebeu cerca de 350 mil visitantes vindos de 150 países


Na edição anterior, a feira recebeu cerca de 350 mil visitantes vindos de 150 países
Na edição anterior, a feira recebeu cerca de 350 mil visitantes vindos de 150 países – Foto: Eima

A principal feira internacional de tecnologias para o campo avança nos preparativos para a edição que será realizada em novembro de 2026 e inicia uma nova fase de organização voltada a expositores e ao público profissional. A partir desta semana, a EIMA International abriu seu sistema online para que as indústrias interessadas confirmem presença, informem o espaço desejado e detalhem a linha de produtos que pretendem apresentar.

De acordo com a FederUnacoma, entidade italiana que promove o encontro, o registro antecipado busca ordenar a elevada demanda observada nas últimas edições, que reuniram mais de 1.800 fabricantes de 50 países. Concluída a etapa de inscrições, começa o desenho dos estandes e a distribuição das áreas internas, processo que envolve planejamento técnico e definição das estruturas que irão acolher mais de 50 mil modelos de máquinas, equipamentos e componentes destinados à agricultura e ao paisagismo. Na edição anterior, a feira recebeu cerca de 350 mil visitantes vindos de 150 países, número que reforça a necessidade de organização prévia.

A preparação inclui também uma campanha de divulgação internacional voltada à imprensa e a operadores econômicos, programada para começar em janeiro. O circuito prevê encontros e conferências em diversos continentes, reunindo representantes de cadeias agrícolas e setores industriais interessados em tecnologias capazes de elevar a produtividade sem comprometer os recursos naturais. A iniciativa busca fortalecer o diálogo global sobre inovação, promover intercâmbio entre mercados e ampliar o alcance da feira antes da abertura oficial em Bolonha.

 





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Acácia, eucalipto e pínus têm cenários distintos no RS


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quarta-feira (19), a produção de acácia-negra na região administrativa de Caxias do Sul, especialmente na região das Hortênsias, permanece como reserva financeira e complemento de renda para diversas unidades produtivas. O boletim informa que “a atividade enfrenta dificuldades devido à escassez de mão de obra”, enquanto a maior parte do mercado segue direcionada à produção de energia, com participação menor da construção civil. As condições fitossanitárias são consideradas adequadas, com tratos culturais, controle de formigas, adubação de cobertura, corte e colheita em andamento.

Na mesma região, a demanda pela matéria-prima do eucalipto permanece estável. O informativo destaca que “a espécie se destaca pelo rápido crescimento”, impulsionado pelo setor de desdobro e pelo uso diversificado. A implantação de novas áreas e o manejo da brotação estão abaixo do previsto, o que pode resultar em escassez de madeira nos próximos anos. Segundo o documento, a cultura “apresenta boas condições fitossanitárias”, com práticas de manejo como controle de formigas, corte, empilhamento e comercialização de toras e subprodutos, especialmente lenha. Os preços variam conforme localização, dificuldade de extração e diâmetro da madeira, atendendo aos mercados local, regional e estadual.

Na região administrativa de Frederico Westphalen, são realizados tratos culturais, incluindo preparo de terreno, plantio de mudas, controle de formigas e inços e adubação. Em florestas de dois a três anos ocorre a poda, enquanto áreas com seis a sete anos recebem o raleio.

Na região administrativa de Caxias do Sul, os cultivos de pínus mantêm papel relevante na cadeia florestal, com destinação para toras, chapas, compensados, aglomerados, laminados, movelaria, pallets, estaquetas para exportação, forros, assoalhos e construção civil. O setor registra apreensão diante de especulações sobre tarifas de importação pelos Estados Unidos, o que levou empresas a conceder férias coletivas e a promover demissões. A madeira fina, entre 18 e 30 centímetros, mantém mercado, embora com queda nos preços, enquanto toras acima de 30 centímetros enfrentam baixa procura. Segundo o informativo, “a demanda por parte de empresas locais, regionais e de estados vizinhos garante preços regulares aos produtores”. O boletim também aponta que apenas 15% a 20% das áreas de corte raso estão sendo replantadas, com substituição por cultivos anuais e perenes, exceto em empresas verticalizadas que mantêm os plantios. As entidades do setor alertam para o risco de déficit de madeira nos próximos anos. As condições fitossanitárias são relatadas como adequadas.

Na região administrativa de Passo Fundo, a resinagem registrou retração no último ano e tende a diminuir ainda mais devido à baixa disponibilidade de áreas aptas para coleta. A atividade permanece apenas em florestas já resinadas, sem expansão para novas áreas. Continua a colheita por corte raso, com baixo índice de replantio e migração de áreas para cultivos anuais.





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EUA seguem como principal destino do mel nacional


Segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado na quarta-feira (19) pelos analistas do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), os dados da Agrostat Brasil mostram que, entre janeiro e outubro de 2025, o Brasil exportou 30.651 toneladas de mel in natura, volume “1,5% maior do que aquele obtido em igual período de 2024”. A receita alcançou US$ 102,948 milhões, avanço de 31,2% sobre o período anterior. O preço médio nacional do mel foi de US$ 3.358,71 por tonelada, “29,2% menor que o valor médio de igual período de 2024”.

O Paraná ocupou a terceira posição no ranking nacional das exportações de mel no acumulado dos dez meses de 2025. O boletim aponta que o Estado registrou receita de US$ 18,639 milhões, volume de 5.571 toneladas e preço médio de US$ 3,35 por quilo. Em 2024, no mesmo período, o Paraná havia exportado 2.962 toneladas, faturando US$ 7,532 milhões, a um preço médio de US$ 2,54 por quilo. Minas Gerais liderou o ranking, seguido por Piauí, enquanto Santa Catarina e Ceará completaram as cinco primeiras posições. O documento também destaca a participação de São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia entre os principais exportadores.

Os Estados Unidos foram o principal destino do mel brasileiro entre janeiro e outubro, absorvendo 85,4% do total exportado. O país importou 26.137 toneladas, gerando receita de US$ 87,646 milhões, com preço médio de US$ 3,35 por quilo. No ano anterior, os EUA haviam comprado 23.767 toneladas, ao custo de US$ 61,090 milhões. Outros mercados citados incluem Canadá, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos, Austrália, Bélgica, Áustria, Suíça, Itália, China, Libéria, Ilhas Marshall e Japão.

O boletim recorda que, em 9 de julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou “a imposição de uma tarifa de 50% sobre inúmeros produtos provenientes do Brasil”, medida aplicada a partir de 6 de agosto e que afetou diretamente a apicultura brasileira. Em agosto, os EUA importaram 2.941 toneladas e gastaram US$ 10,675 milhões, valores 25% e 76,1% superiores aos registrados em agosto de 2024, indicando antecipação de compras. Em setembro, o impacto se tornou evidente: foram importadas 2.338 toneladas, 19% a menos que no ano anterior, embora o gasto tenha sido 11,4% maior. O boletim observa que a diferença ocorreu devido ao aumento de 37,4% no preço médio da tonelada do mel brasileiro.

Em outubro, o efeito da tarifa persistiu, mas de forma mais branda. Os EUA importaram 1.643 toneladas, volume 1,1% menor que em 2024, enquanto os gastos foram 20,3% superiores. O documento registra que “o aumento de 21,6% no preço médio da tonelada do mel brasileiro” elevou a receita cambial, apesar da redução no volume. A análise conclui que a tarifa norte-americana reduziu o volume exportado, mas que “a simultânea e intensa valorização do preço do mel brasileiro exportado tem, pelo menos até outubro de 2025, conseguido mitigar a perda de receita”.





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Safras turcas recuam e importações avançam, diz relatório


A seca fora de época vem alterando o equilíbrio das principais safras da Turquia e deve provocar ajustes relevantes no abastecimento global de grãos em 2025-26. A tendência indica queda na oferta de trigo e cevada, enquanto o milho deve avançar.

Segundo relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a colheita de trigo está estimada em 16,3 milhões de toneladas, redução de 15% em relação ao ciclo anterior. A qualidade, porém, é descrita como muito boa. O órgão aponta que grande parte do volume será destinada à moagem, deixando menos produto para ração animal, conforme avaliação presente no relatório. A projeção inclui cerca de 3,5 milhões de toneladas de trigo duro, usado na fabricação de massas para consumo interno e exportação.

As importações de trigo devem alcançar quase 7,3 milhões de toneladas, mais que o dobro do registrado no ano passado, movimento que, apesar da alta, se aproxima da média da última década. Dois terços desse total serão voltados à produção de farinha e massa destinadas ao mercado externo, enquanto o restante atenderá ao consumo doméstico. O documento destaca também que esse volume poderia ser maior não fosse a retração da demanda do Iraque.

As exportações de trigo tendem a recuar para cerca de 6 milhões de toneladas, o menor nível em quase dez anos. A projeção considera perda de participação em mercados tradicionais e menor procura de farinha por parte do Iraque, segundo a análise técnica.

A cevada acompanha o movimento de baixa e deve somar 5,1 milhões de toneladas, quase 2 milhões a menos que no ciclo anterior. Para suprir o consumo, especialmente na pecuária, as importações são estimadas em 1,7 milhão de toneladas.

No sentido oposto, o milho deve crescer cerca de 12%, alcançando 7,9 milhões de toneladas. A maior parte das áreas é irrigada, condição que reduz o impacto da seca. Com a maior oferta interna, as importações foram ajustadas para 3,3 milhões de toneladas, queda expressiva frente ao ano anterior.





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Quais os riscos do uso de semente sem procedência?



“Nas sementes sem origem, essa tecnologia é perdida ou diluída”


“Nas sementes sem origem, essa tecnologia é perdida ou diluída"
“Nas sementes sem origem, essa tecnologia é perdida ou diluída” – Foto: Divulgação

O início da safra ocorre sob incertezas climáticas, o que reforça a necessidade de previsibilidade no estabelecimento da lavoura. A semente certificada surge como decisão estratégica ao reunir identidade, rastreabilidade e conhecimento aplicado para garantir emergência uniforme e saudável. 

Ela concentra anos de pesquisa para elevar o potencial produtivo, reduzir riscos e ampliar a adaptação ao clima. Especialistas destacam que, quando não há origem definida, essa tecnologia se perde, aumentando gastos e abrindo espaço para contaminações capazes de comprometer toda a área.

Estimativas apresentadas no Seed Congress of the Americas 2026 indicam prejuízos anuais de até 10 bilhões de reais ligados ao uso de sementes sem procedência. Para assegurar desempenho, o lote passa por processos de qualidade que envolvem testes de germinação, vigor e envelhecimento acelerado, realizados da pré-colheita à expedição. A supervisão técnica explica que a germinação revela o potencial máximo da semente em condições ideais, enquanto o vigor mede sua capacidade de enfrentar estresses como calor, umidade e profundidade de semeadura, com apoio de avaliações fisiológicas e bioquímicas.

Estudo científico mostra que sementes de soja de alto vigor podem elevar a produtividade entre 10% e 15%. Para especialistas, esse conjunto de avaliações oferece segurança ao agricultor na fase inicial da safra e reforça a certificação como aliada direta do retorno econômico. “Nas sementes sem origem, essa tecnologia é perdida ou diluída, forçando o produtor a gastar mais com produtos fitossanitários para compensar, além de serem uma porta de entrada para contaminações que podem destruir uma safra inteira e contagiar a propriedade de forma permanente”, reforça Rafael Vaz, gerente comercial da Conceito Sementes.

 





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Fertilizantes recuam e melhoram relação de troca



O efeito dessa mudança já aparece na balança comercial


Um fenômeno marcante de 2025 é a migração crescente para fertilizantes de menor concentração de macronutrientes
Um fenômeno marcante de 2025 é a migração crescente para fertilizantes de menor concentração de macronutrientes – Foto: Divulgação

Depois da forte volatilidade causada pelo conflito entre Israel e Irã, que elevou rapidamente os preços dos fertilizantes, especialmente da Ureia, o mercado voltou a algum equilíbrio em 2025. Segundo o Itaú BBA, as cotações dos principais nutrientes recuaram parcialmente e todos os produtos registraram queda em relação às máximas de julho, tanto em dólares quanto em reais. Em moeda local, o map atingiu as mínimas do ano, enquanto a Ureia já opera próxima aos níveis observados no mesmo período de 2024.

Nos últimos três meses, a relação de troca entre fertilizantes e os principais produtos agrícolas brasileiros melhorou de forma consistente. Nitrogenados e potássicos retornaram à média histórica, embora os fosfatados sigam acima. A exceção é o café, cujas relações estão nas mínimas históricas devido ao preço elevado do grão. Esse ambiente abre espaço para acelerar compras atrasadas para a safrinha de 2026 ou até antecipar negociações do pacote tecnológico da safra de verão de 2027.

Um fenômeno marcante de 2025 é a migração crescente para fertilizantes de menor concentração de macronutrientes. No mercado de nitrogenados, o sulfato de amônio (SAM) vem apresentando custo por ponto percentual de N mais atrativo do que a ureia. Entre os fosfatados, o preço nominal mais baixo tem impulsionado a demanda por supersimples (SSP) e, em menor escala, por supertriplo (TSP), deslocando parte do consumo do tradicional MAP.

O efeito dessa mudança já aparece na balança comercial. Entre janeiro e outubro de 2025, as importações de SAM superaram as do mesmo período de 2024, e o mesmo ocorreu com o SSP em relação ao MAP — algo inédito nos dois mercados. Esse movimento reforça a busca do produtor por alternativas mais competitivas em um cenário de custos ainda sensíveis e planejamento apertado para as próximas safras.

 





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Mercado de feijão mantém firmeza apesar de poucos negócios



Os dados também mostram variações distintas entre as principais praças


Os dados também mostram variações distintas entre as principais praças
Os dados também mostram variações distintas entre as principais praças – Foto: Canva

O mercado de feijão registrou início de quarta-feira marcado por baixa movimentação, mas sem perda de firmeza nos preços. Em diferentes regiões acompanhadas pelo Instituto Brasileiro de feijão e Pulses (Ibrafe), as referências do feijão-carioca continuam mostrando oscilações pontuais, enquanto Minas Gerais segue como um dos focos de maior seletividade por parte do produtor. Consultorias apontam que, no estado, o feijão-carioca nota 8 permanece em torno de R$ 215 por saca, e o 8,5 segue estável na casa dos R$ 230, com compradores cedendo quando buscam lotes de melhor qualidade.

Os dados também mostram variações distintas entre as principais praças. No feijão-carioca de notas 9 a 10, regiões como Itapeva e Leste Goiano registraram quedas diárias moderadas, enquanto Barreiras teve leve alta. Para as notas entre 8 e 8,5, houve avanços em áreas como Leste Goiano e recuos em outras, caso de Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. No feijão-preto, as referências apresentaram ajustes discretos entre Curitiba, Metade Sul do Paraná e São Paulo.

Em São Paulo, o avanço da colheita nas áreas mais adiantadas ganhou ritmo na terça-feira, o que deve ampliar a oferta de feijão novo nos próximos dias. Ainda assim, não há sinal claro de pressão baixista imediata, segundo análises do setor. A postura do produtor continua restritiva, especialmente em Minas, enquanto empacotadores que precisam compor escala testam até onde os preços encontram resistência. Com a virada do mês se aproximando, o tempo reduzido para compras acrescenta tensão ao mercado.

 





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Na COP30, agricultura familiar alimenta o mundo e simboliza o elo vital entre clima, terra e gente


O investimento de R$ 1,3 milhão garantiu a compra de 146 toneladas de alimentos da agricultura familiar através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo brasileiro. Unidade Armazenadora de Ananindeua recebeu dois contêineres e está estocando os produtos sem cobrar taxa

Na COP30, em Belém, enquanto líderes globais discutem o futuro do planeta, uma outra conferência — silenciosa, cotidiana e essencial — acontece no coração do evento: a que garante alimento fresco, barato e saudável a milhares de pessoas que circulam diariamente pelo Parque da Cidade. É ali que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do governo brasileiro, desempenha um papel decisivo, assegurando o abastecimento de delegações, trabalhadores, voluntários e movimentos populares que integram a Cúpula dos Povos e a COP Indígena. Pela primeira vez na história, das conferências climáticas, a agricultura familiar entrou no orçamento da ONU como fornecedora oficial de alimentos.

A operação montada para a COP30 mobilizou agricultores de todas as regiões do país, com destaque para os produtores amazônidas. A Conab investiu R$ 1,3 milhão na compra de 146 toneladas de alimentos via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), tornando-se responsável por 100% da alimentação da Cúpula dos Povos e coordenando, ainda, a indicação de cooperativas para garantir ao menos 30% da alimentação das áreas oficiais da COP — a Blue Zone e a Green Zone.

No centro logístico da operação está a Unidade Armazenadora de Ananindeua, aberta especialmente para receber, refrigerar e distribuir os produtos, sem cobrança de taxas. Com capacidade para até 500 toneladas, o armazém se tornou o pulmão da alimentação da COP30, recebendo desde hortaliças colhidas no dia até pescados e frangos congelados. Dois contêineres instalados pela Conab ampliaram o suporte para produtos que exigem resfriamento.

Nas cozinhas da Cúpula dos Povos foram servidas 21 mil refeições diárias. Voluntárias como a gaúcha Eliane de Araújo sentem, na prática, a diferença que a política pública faz: “Tudo que eu peço chega às minhas mãos. É maravilhoso ver comida farta e saudável para tanta gente neste evento internacional”, conta.

Na Blue Zone, o restaurante SocioBio, administrado pela Cooperativa Central do Cerrado e parceiros, preparou cerca de 100 mil refeições em 30 dias. O cardápio reúne ingredientes de biomas brasileiros e garante renda superior a R$ 1 milhão às cooperativas. “É uma alimentação coerente com os propósitos de um encontro global como este”, afirma o secretário executivo Luiz Carrazza.

Para agricultoras como Ana Cláudia Souza, da Cooperativa Agropecuária de Produtores de Belém do Pará (Copabel), ver seus produtos na COP30 é a realização de um sonho plantado ainda na infância. “A gente nunca imaginou que nossos alimentos chegariam tão longe. Dá alegria saber que nosso trabalho faz parte de algo tão grande”, diz.

Na quinta-feira (20), a Conab ainda fez a doação de 18 toneladas de alimentos não utilizados pela Cúpula dos Povos para cozinhas solidárias de Belém e região metropolitana, reforçando o compromisso com a segurança alimentar.

Segundo o presidente da estatal, Edegar Pretto, a missão recebida do governo federal simboliza o que o Brasil quer mostrar ao mundo: “Estamos garantindo o abastecimento de pessoas de todo o planeta, como já fazemos no país, inclusive ajudando a retirar o Brasil do Mapa da Fome”, destaca.

Na COP30, o Brasil mostra que enfrentar a crise climática também passa por valorizar quem produz comida de verdade — gente que depende do clima, da terra e das políticas públicas para seguir alimentando o país e o mundo.





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“Cacau vai crescer no Brasil e esse cacau será irrigado”, afirma especialista


Déficit global de mais de 1 milhão de toneladas e demanda por tecnologia colocam o país em posição estratégica; irrigação de precisão é apontada como fator determinante para viabilizar novas fronteiras produtivas

O Brasil está prestes a retomar espaço no cenário internacional da cacauicultura, e um dos motores desse movimento será a irrigação de precisão. A análise é de Emerson Silva, gerente de Iniciativas Comerciais da Netafim, que participou do evento Cacauicultura 4.0, realizado nesta semana em Barreiras (BA).

“O mercado está acelerando e vai acelerar mais. Existe um déficit global de mais de um milhão de toneladas de cacau, e o Brasil tem todas as condições para atender essa demanda reprimida, especialmente no Norte de Minas, Oeste da Bahia e MATOPIBA. E esse cacau que está surgindo nessas regiões será, inevitavelmente, irrigado — é a irrigação que dá segurança e reduz o risco climático. Por isso, o nosso papel é fundamental na cadeia”, afirma.

Com cerca de 70% do cacau mundial concentrado na África Ocidental, o Brasil aposta na combinação entre escala e tecnologia para se consolidar como player global. Entre os temas em debate no evento, o uso da irrigação de precisão foi apontado como fator determinante para viabilizar a cultura em regiões de clima desafiador, como o MATOPIBA, que concentra cerca de 2,25 milhões de hectares cultivados por 1.300 produtores.

“A irrigação localizada é a mais vantajosa em regiões como o MATOPIBA, onde a disponibilidade hídrica é menor, pois otimiza o uso da água e permite ao produtor expandir mais área com o mesmo recurso”, explica Emerson Silva.

A Netafim, líder e pioneira em irrigação por gotejamento com presença em mais de 110 países, está presente globalmente há 60 anos e, no Brasil, há três décadas faz parte do dia a dia dos agricultores, levando tecnologia e segurança para a produção no campo. A empresa vem estruturando uma proposta de valor específica para a cacauicultura, com soluções adaptadas tanto às áreas tradicionais quanto às novas fronteiras produtivas.

Estratégias e gargalos do setor

Para o especialista, o crescimento da cacauicultura irrigada no Brasil é uma questão de tempo, mas exige inovação e mecanização.

“Além da irrigação, há gargalos como a mão de obra. O cacau tradicional demanda um homem para cada cinco ou seis hectares, o que é inviável em áreas de mil, dois mil hectares. Por isso, a mecanização, principalmente na poda e na colheita, é essencial. O setor já investe em inovações para reduzir essa dependência, buscando alcançar um cenário de um homem para cada 10 ou 12 hectares”, analisa.

Como parte de sua estratégia para o segmento, a Netafim promoveu, paralelamente ao evento, o primeiro workshop técnico e estratégico com nove dos principais distribuidores que atuam em regiões produtoras de cacau.

“Esse workshop foi o ‘dia zero’ da nossa estratégia para o setor. Trabalhamos com os distribuidores questões técnicas e de posicionamento, analisamos demandas de materiais e processos e traçamos planos específicos para cada perfil de produtor. Eles são peça-chave, porque conectam o produtor à tecnologia e viabilizam a instalação e o suporte dos projetos”, explica Michele Silva, diretora de marketing da Netafim.

A expansão da cacauicultura irrigada também é vista como oportunidade de crescimento econômico e sustentabilidade ambiental, já que o cultivo do cacau pode ser integrado a sistemas agroflorestais e contribuir para a recuperação de áreas degradadas.

“É necessário investir em ciência, inovação e persistência. Não dá para fazer cacau como se fazia no passado. Cada região tem um perfil diferente de clima, solo e produtor, e o desafio é entregar soluções sob medida. Mas o momento é certo, o mercado está comprador e o Brasil tem potencial para ser um dos grandes players globais”, conclui Emerson Silva.





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Ministro destaca impacto do fim das tarifas adicionais


O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou nesta quinta-feira (20) que a decisão dos Estados Unidos de retirar as tarifas adicionais sobre produtos agrícolas brasileiros representa um avanço nas relações entre os dois países. Segundo ele, o anúncio confirma que “o diálogo técnico e institucional retomou seu curso natural”.

Fávaro declarou que a medida traz segurança ao agronegócio e aos mercados internacionais. Para o ministro, a decisão evidencia que as tratativas bilaterais evoluíram de maneira técnica após um período de tensão. “Como diz o presidente Lula, não tem assunto proibido. Tudo é possível no diálogo de alto nível”, afirmou. Ele acrescentou que “a relação Brasil–EUA não podia ficar em fofocas e intrigas” e que, após a conversa entre os dois chefes de Estado, “as coisas vieram para a normalidade”.

Com o fim da sobretaxa, produtos brasileiros voltam a acessar o mercado norte-americano com maior competitividade. O ministro destacou que o momento marca a superação de impasses recentes. “Quem ganha com isso são os brasileiros, são os norte-americanos, a América e a relação comercial mundial”, disse.

Fávaro ressaltou que as negociações continuam. “Ainda há muito a negociar, mas, para a agropecuária brasileira, esta decisão foi excelente”, concluiu o ministro.

Produtos brasileiros beneficiados com o fim do tarifaço:

1. Carnes bovinas – o anexo traz todas as categorias de carne bovina — fresca, refrigerada ou congelada — incluindo:

  • Carcaças e meias-carcaças
  • Cortes com osso
  • Cortes sem osso
  • Cortes de “high-quality beef”
  • Miúdos bovinos
  • Carne salgada, curada, seca ou defumada

2. Frutas e vegetais – grande lista, incluindo:

  • Tomate (por sazonalidade)
  • Coco (fresco, desidratado, carne, água de coco)
  • Lima Tahiti / Lima da Pérsia
  • Abacate
  • Manga
  • Goiaba
  • Mangostim
  • Abacaxi (fresco e processado)
  • Papaya (mamão)
  • Diversas raízes tropicais: mandioca

3. Café e derivados

  • Café verde
  • Café torrado
  • Café descafeinado
  • Cascas e películas de café (“husks and skins”)
  • Substitutos contendo café

4. Chá, mate e especiarias – inclui diversas categorias de:

  • Chá verde
  • Chá preto
  • Erva-mate
  • Pimentas (piper, capsicum, paprika, pimenta-jamaica)
  • Noz-moscada
  • Cravo
  • Canela
  • Cardamomo
  • Açafrão
  • Gengibre
  • Cúrcuma
  • Misturas de especiarias

5. Castanhas e sementes

  • Castanha-do-pará
  • Castanha de caju
  • Macadâmia
  • Nozes pignolia e outras
  • Sementes diversas (coentro, cominho, anis, funcho etc.)

6. Sucos de frutas e derivados

  • Suco de Laranja (várias classificações)
  • Suco de limão / lima
  • Suco de abacaxi
  • Água de coco
  • Açaí (polpas e preparados)

7. Produtos de cacau

  • Amêndoas de cacau
  • Pasta de cacau
  • Manteiga de cacau
  • Pó de cacau

8. Produtos processados

  • Polpas de frutas (manga, banana, papaya etc.)
  • Geleias
  • Pastas e purês
  • Palmito
  • Tapioca, féculas e amidos
  • Produtos preservados em açúcar ou vinagre

9. Fertilizantes (importante para o Brasil como exportador/importador)

  • Ureia
  • Sulfato de amônio
  • Nitrato de amônio
  • Misturas NPK
  • Fosfatos (MAP/DAP)
  • Cloreto de potássio (KCl)





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