segunda-feira, março 9, 2026

Política & Agro

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Pastagens evoluem com chuvas e calor no RS


As pastagens apresentaram evolução favorável em grande parte do Rio Grande do Sul nas últimas semanas, impulsionadas por chuvas regulares, umidade adequada do solo e temperaturas elevadas. Segundo a Emater/RS-Ascar, esse conjunto de fatores “favoreceu o desenvolvimento das pastagens gens”, com boa resposta das plantas às adubações de cobertura, especialmente as nitrogenadas, resultando em rebrota e aumento da produção de massa verde. Áreas de campo nativo e de pastagens agensimplantadas seguem em desenvolvimento vegetativo, com melhoria na oferta e na qualidade da forragem.

Na região administrativa de Bagé, as pastagens de milheto, sorgo forrageiro e capim-sudão registraram crescimento consistente, beneficiadas pela umidade e pela radiação solar. A Emater/RS-Ascar informa que áreas implantadas de forma escalonada já estão disponíveis para pastejo, enquanto as mais recentes estão sendo preparadas para a entrada dos animais a partir da segunda quinzena de janeiro. Em Hulha Negra e Aceguá, a oferta de trevo e cornichão é considerada suficiente tanto para pastejo direto quanto para fenação ou colheita de sementes. Em Candiota, produtores relatam problemas associados a derivados de herbicidas utilizados em culturas de soja.

Na região de Caxias do Sul, a redução da umidade do solo contribuiu para o manejo das pastagens e para a execução de trabalhos nas mangueiras. De acordo com a Emater/RS-Ascar, áreas com elevada presença de trevo-branco receberam manejo preventivo “para evitar casos de timpanismo em bovinos”, tendo, em algumas propriedades, uso associado de monensina.

Em Erechim, as chuvas consecutivas limitaram o desempenho das espécies forrageiras, com redução do crescimento em função da menor fotossíntese. Ainda assim, as pastagens anuais de verão mantiveram oferta de forragem considerada suficiente para o pastel.

Nas regiões de Ijuí, Frederico Westphalen, Pelotas e Santa Maria, as forrageiras anuais e as perenes de verão apresentam elevada produção de massa verde, boa qualidade e rápida rebrota após o pastel. Segundo a Emater/RS-Ascar, esses fatores garantem “volume suficiente para o pastel”, associado ao manejo adequado das pastagens e dos piquetes.

Na região de Soledade, foram observadas altas taxas de crescimento das pastagens anuais e perenes de verão. No campo nativo, ocorre o desenvolvimento de leguminosas nativas, com destaque para o pega-pega, identificado pela Emater/RS-Ascar como espécie de “bom valor proteico” e atualmente em período de disseminação de sementes.

Em Santa Rosa, tanto no campo nativo quanto nas gramíneas perenes, houve incremento rápido da área foliar, elevando a disponibilidade de forragem e gerando sobra de pasto em propriedades. Após chuvas intensas registradas em 29 de dezembro, piquetes pastejados com excesso de umidade, compactação do solo, redução de plantas e menor rebrota. Com o retorno do tempo firme e da insolação, foram intensificados os trabalhos de roçada, fenação e produção de pré-secado, embora a Emater/RS-Ascar aponte que, em diversas áreas, o atraso dessas práticas encontradas em maior proporção de talos em relação às folhas.





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Verão e tecnologia elevam produção agropecuária na Bahia


O verão reúne condições consideradas favoráveis ao desenvolvimento de diversas culturas agrícolas na Bahia, como soja, milho, feijão, arroz, algodão e café. De acordo com informações da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), o período se caracteriza pela alta luminosidade, temperaturas elevadas e boa distribuição de chuvas, fatores essenciais para o crescimento das plantas. A pasta destaca que a atenção às condições climáticas também é fundamental para a pecuária, uma vez que grande parte do território baiano está localizada na região do semiárido.

Segundo a Seagri, o acompanhamento constante das previsões meteorológicas é uma das principais orientações aos produtores para garantir melhores resultados no verão. Entre as ferramentas disponíveis, o órgão aponta o aplicativo ZARC – Plantio Certo, que permite o acesso às informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático, indicando as melhores épocas de plantio para mais de 43 culturas e os diferentes níveis de risco associados a eventos meteorológicos.

A secretaria informa ainda que estratégias como a integração lavoura-floresta, o plantio direto com manutenção da palhada no solo e o uso de cultivares geneticamente melhoradas contribuem para a conservação da umidade e para maior tolerância das lavouras à seca.

Na pecuária, o clima segue como um dos principais fatores que influenciam a produtividade. De acordo com o assessor técnico da Seagri, Paulo Emílio Torres, “Especialmente pelo fato de que cerca de 80% do território do Estado está inserido na faixa do semiárido, realidade que historicamente moldou os sistemas produtivos e a forma de convivência com o clima. Essa característica impõe desafios, mas também consolidou um modelo de produção baseado na adaptação, resiliência e planejamento”.

Para o gestor, a convivência com o semiárido permanece como a principal estratégia para a sustentabilidade da atividade pecuária no estado. “Em anos com maior volume de chuvas, torna-se fundamental que os produtores estejam preparados para ampliar a produção e o armazenamento de alimentos, como silagens, fenos e forragens estratégicas, criando reservas capazes de sustentar os rebanhos em períodos menos favoráveis”, destaca.

Em anos de menor precipitação, conforme a avaliação da Seagri, a manutenção da produtividade depende do uso dessas reservas alimentares, aliado à adoção de espécies forrageiras adaptadas, manejo adequado dos rebanhos, tecnologias para o uso eficiente da água e práticas sustentáveis.





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Minas abre consulta sobre normas de trânsito animal



Minas revisa controle da movimentação de animais



Foto: Pixabay

A normatização do trânsito de animais vivos e ovos férteis em Minas Gerais está em processo de atualização e poderá receber contribuições diretas da sociedade. A revisão envolve a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), documento obrigatório para o transporte de animais no país, e da Autorização de Transferência Animal (ATA), utilizada para a movimentação de animais dentro de um mesmo estabelecimento agropecuário. As informações foram divulgadas pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

Com o objetivo de ampliar a participação de produtores rurais, pecuaristas, médicos-veterinários e demais interessados, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) abriu consulta pública sobre a nova proposta normativa que trata do controle e da movimentação animal no estado. Segundo o órgão, “o prazo para envio de contribuições segue aberto até 21 de janeiro”, e a minuta da legislação, assim como o formulário para participação, estão disponíveis no site institucional.

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De acordo com a proposta em consulta, a norma prevê a exigência de regularidade cadastral dos estabelecimentos e dos rebanhos junto ao IMA, além da consolidação do uso de sistemas eletrônicos. O texto também estabelece alinhamento aos manuais e às normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Conforme a análise, a atualização “passa a regulamentar, em ato normativo, a Autorização de Transferência Animal e a disciplinar formalmente as hipóteses e os procedimentos para o cancelamento da GTA”, com o objetivo de conferir maior clareza aos processos.

A proposta ainda inclui a exigência de apresentação de procuração quando a solicitação de emissão da GTA for realizada por terceiros. Segundo o documento, a medida busca garantir que “a movimentação dos animais ocorra com a devida autorização do produtor responsável”, reforçando os mecanismos de controle e a segurança do processo de emissão das guias.





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Governo libera R$ 250 mi a estados prejudicados por chuvas


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, editou na quarta-feira (7) a primeira medida provisória de 2026: a MP 1.333 libera R$ 250 milhões em créditos extraordinários para atender diversos estados atingidos pelas fortes chuvas que começaram em novembro de 2025. O montante deve ajudar, principalmente, os seguintes estados: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. Também devem ser atendidas cidades atingidas por estiagem prolongada, secas, enxurradas, granizo, vendavais e incêndios.

O dinheiro já está à disposição do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional — já que as medidas provisórias têm efeitos imediatos, ou seja, passam a vigorar no momento em que são editadas. O socorro será feito por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).  Os créditos extraordinários (que são extraordinários por se tratarem de gastos não previstos no Orçamento em execução) são sempre liberados por meio de medidas provisórias. Estas, por sua vez, devem ser editadas pela Presidência da República em casos de relevância e urgência para o país.

As medidas provisórias têm efeitos imediatos, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional para se tornarem lei.  De acordo com o governo federal, os recursos liberados pela MP 1.333 serão usados para despesas e investimentos em ações de proteção e defesa civil de resposta e recuperação frente a desastres causados pelas chuvas excessivas em vários municípios — como foi o caso da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná.

Em 7 de novembro de 2025, essa cidade foi atingida por um tornado e, segundo o governo, o fenômeno climático afetou quase 90% da sua área urbana, deixando mortos e centenas de feridos, além de pessoas desabrigadas. Também houve destruição de casas, comércios, redes de energia e escolas. Localidades que passam por seca também devem ser beneficiadas. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) será o responsável pela execução de obras para a segurança hídrica em áreas do semiárido com falta crônica de água. 

De acordo com o Executivo, serão feitos estudos e intervenções, como canais de adução de água bruta, pequenas barragens e adutoras, entre outras obras, para ampliar a oferta de água, em especial no estado de Minas Gerais. Segundo a justificativa do governo federal, “a perfuração e a instalação de poços profundos configuram solução estrutural emergencial, capaz de assegurar o abastecimento contínuo em localidades onde sistemas convencionais foram severamente impactados”.

 





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Açaí é reconhecido em lei como fruta nacional



Aprovado pelo Senado em 2011, o projeto foi votado pela Câmara dos Deputados


Foto: Divulgação

O açaí passou a ser reconhecido como fruta nacional. É o que determina a Lei 15.330, de 2026, publicada nesta quinta-feira (8) no Diário Oficial da União. A expectativa é que a lei reforce a identidade do açaí como produto brasileiro e evite a biopirataria. A nova norma teve origem em um projeto de lei do Senado: o PLS 2/2011, do ex-senador Flexa Ribeiro (PA).

Aprovado pelo Senado em 2011, o projeto foi votado pela Câmara dos Deputados (onde tramitou como PL 2.787/2011) no final do ano passado. O texto alterou a Lei 11.675, de 2008, que já reconhecia o cupuaçu como fruta nacional.

Típico da Amazônia, o açaí é o fruto do açaizeiro. Sua polpa é usada como alimento e também em cosméticos. As sementes são usadas no artesanato e como meio de energia, substituindo a madeira. Do caule pode se extrair o palmito, enquanto as raízes podem ser utilizadas como vermífugo.

De acordo com os defensores da iniciativa, a nova lei pode reforçar a identidade do açaí como um produto brasileiro, beneficiando os produtores da Amazônia.

Além disso, eles argumentam que o reconhecimento em lei pode evitar a biopirataria. Em 2003, uma empresa japonesa chegou a patentear o açaí, mas em 2007 o governo brasileiro conseguiu cancelar esse registro.

 





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Cesta básica fica mais cara em 17 capitais


Em dezembro de 2025, a cesta básica ficou mais cara em 17 capitais brasileiras. A conclusão é da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, um levantamento divulgado mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), junto com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A única capital onde o preço médio não variou foi João Pessoa. Nas demais capitais, houve queda.

A elevação mais importante ocorreu em Maceió, onde o custo médio da cesta variou 3,19%. Em seguida, aparecem Belo Horizonte, com aumento de 1,58%; Salvador (1,55%); Brasília (1,54%); e Teresina (1,39%).

As quedas mais expressivas foram observadas na região norte do país, com Porto Velho liderando a lista (-3,60%), seguida por Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%) e Manaus (-1,43%).

Um dos principais responsáveis pelo aumento no preço da cesta foi a carne bovina de primeira, que subiu em 25 das 27 capitais. Segundo os responsáveis pela pesquisa, a alta no preço da carne pode ser explicada pelo aquecimento da demanda interna e externa e pela oferta restrita do produto.

Batata tem alta

A batata também apresentou alta em todas as capitais, com exceção de Porto Alegre, onde o preço do produto caiu 3,57%. No Rio de Janeiro o aumento chegou a 24,10%. Esse aumento pode ser explicado pelas chuvas e pelo fim da colheita.

A cesta básica mais cara do país continua a ser a de São Paulo, onde o custo médio chegou a R$ 845,95, seguida por Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06) e Cuiabá (R$ 791,29). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01) e Recife (R$ 596,10).

Com base na cesta mais cara do país, que em dezembro foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário-mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou que o salário-mínimo em dezembro deveria ser de R$ 7.106,83 ou 4,68 vezes o mínimo de R$ 1.518,00.





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Produtores colhem 35 t/ha de silagem e recuperam solo compactado


A adoção da Operação 365 vem promovendo mudanças significativas no manejo do solo e na produtividade da propriedade dos produtores de Ibiraiaras/RS, Fernando Daros e Fabrício Daros, pai e filho, que há 14 meses desenvolvem na propriedade a Operação 365, projeto desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Rede Técnica Cooperativa (RTC). A iniciativa conta com acompanhamento técnico da CCGL, por meio do Assistente Técnico de Campo, Nicolas Petry e do especialista Michel Kraemer, responsáveis pela condução dos trabalhos na propriedade.

Antes do início do projeto, o diagnóstico revelou um cenário desafiador: solo altamente compactado, com baixa eficiência produtiva e limitações para o desenvolvimento das culturas. A partir desse levantamento detalhado, foram realizadas análises minuciosas do solo, correções com aplicação de calcário e a implantação de plantas de serviço, fundamentais para a descompactação e a melhoria da estrutura física e biológica do solo.

Segundo os produtores, a decisão de aderir à Operação 365 foi imediata, motivada pela oportunidade de contar com a expertise técnica dos profissionais envolvidos. “O projeto nos permitiu identificar rapidamente os principais problemas do solo e iniciar um trabalho consistente de recuperação”, destaca Fernando.

Os resultados já começam a aparecer no campo. Nas culturas de inverno, o desempenho foi expressivo, com destaque para as plantas de serviço e para o trigo destinado à silagem, que alcançou produtividade de 35 toneladas por hectare. Já nas culturas de verão, o milho apresenta elevado vigor, bom enraizamento e resposta positiva ao sistema nutricional, reflexo direto das mudanças no manejo.

Apesar de reconhecerem que o processo de recuperação do solo é contínuo e exige tempo, os produtores avaliam que a evolução observada até o momento é significativa. Mais do que ganhos produtivos, a Operação 365 proporcionou uma mudança de percepção sobre o solo. “Hoje temos uma nova visão: dar mais vida à terra para que ela nos devolva em resultados”, afirmam.

Para Fernando e Fabrício Daros, a Operação 365 representa um compromisso com o futuro da propriedade e da agricultura sustentável. “O futuro depende de nós e dos profissionais que caminham conosco. A Operação 365 veio para dar o verdadeiro valor à nossa Mãe Terra, e ela certamente irá nos retribuir”, concluem.

A Operação 365 tem como objetivo manter o solo coberto e produtivo durante todo o ano, promovendo boas práticas agrícolas por meio do Índice de Qualidade de Manejo (IQM). Além de contribuir para a sustentabilidade dos sistemas produtivos, o projeto possibilita benefícios como acesso a crédito diferenciado e maior segurança econômica ao produtor rural.

 





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Soja enfrentou cenário de intensa volatilidade nos preços



Ampla disponibilidade do grão no mercado global pressionou os preços para baixo



Foto: United Soybean Board

Ao longo de 2025, a soja enfrentou um cenário de intensa volatilidade nos preços, marcado por mudanças políticas, disputas comerciais e uma oferta global elevada. Segundo dados divulgados pelo Cepea, as cotações médias atingiram os menores patamares dos últimos anos. O mercado internacional de soja foi impactado por uma combinação de fatores que dificultaram previsões e decisões comerciais. Segundo o Cepea, a ampla disponibilidade do grão no mercado global pressionou os preços para baixo, refletindo diretamente nas negociações internas brasileiras.

Entre os elementos que influenciaram a trajetória do mercado em 2025, destacam-se as tensões comerciais entre China e Estados Unidos — os dois maiores players do setor. Essas disputas afetaram o fluxo de exportações, gerando incertezas entre tradings e produtores. Outro fator foi a mudança na política de “retenciones” na Argentina, que alterou o comportamento dos exportadores do país vizinho, tradicional competidor do Brasil no mercado externo.

Apesar das dificuldades, a demanda por soja seguiu em expansão em diversos países, especialmente asiáticos. Ainda assim, esse aumento não foi suficiente para equilibrar a balança frente à grande oferta. Segundo o Cepea, mesmo com o crescimento da procura, os preços médios mantiveram-se em queda, tanto nos portos brasileiros quanto nos contratos internacionais.

O Brasil, maior exportador mundial de soja, registrou um dos piores desempenhos de preços nos últimos anos. A forte concorrência no mercado externo, somada à política cambial e à alta dos custos de produção, reduziu as margens dos produtores, principalmente aqueles que não conseguiram travar preços antecipadamente.

Para 2026, as expectativas giram em torno de ajustes na produção, resposta do mercado às políticas externas e novos alinhamentos comerciais. Segundo o Cepea, a recuperação dos preços dependerá da redução na oferta global e da estabilidade nos acordos entre grandes economias. Produtores devem manter atenção redobrada às dinâmicas internacionais, que seguirão como principal vetor de precificação no setor.





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Preços em alta movimentam mercado de milho



Cotações do cereal ficaram acima dos níveis



Foto: Divulgação

Mesmo com produção histórica de 141 milhões de toneladas em 2025, os preços do milho subiram em relação a 2024. Segundo dados divulgados pelo Cepea, o avanço da produtividade garantiu volume recorde, mas o mercado operou com valorização durante boa parte do ano.

Ao contrário do que tradicionalmente se espera diante de uma supersafra, o mercado brasileiro de milho registrou recuperação nos preços ao longo de 2025. Segundo o Cepea, as cotações do cereal ficaram acima dos níveis observados em 2024, desafiando a lógica de que maiores volumes pressionam o mercado para baixo.

A produção total do ciclo 2024/25 atingiu 141 milhões de toneladas, o maior volume já registrado no país, representando um salto de 22% em relação à safra anterior. Esse crescimento foi impulsionado, sobretudo, pelo desempenho da segunda safra — tradicionalmente a mais relevante — beneficiada por clima favorável e aumento de produtividade em estados como Mato Grosso, Paraná e Goiás.

Apesar do aumento na oferta, fatores como demanda aquecida no mercado interno, retomada das exportações e menor competitividade de alguns concorrentes externos sustentaram os preços em patamares mais altos. De acordo com o Cepea, esse cenário favoreceu os produtores brasileiros, que conseguiram maior rentabilidade mesmo com custos elevados de produção.

Outro ponto que contribuiu para a valorização foi a melhoria na qualidade do grão colhido, que atendeu aos padrões exigidos por compradores internacionais. Com isso, o Brasil manteve posição de destaque no comércio global, reforçando sua imagem como fornecedor confiável e competitivo.

A perspectiva para os próximos meses é de atenção redobrada ao clima e às movimentações logísticas, especialmente nos portos. Segundo o Cepea, o desempenho do milho brasileiro em 2025 mostra que produtividade e demanda podem coexistir com preços firmes, consolidando o país como peça-chave no equilíbrio global do mercado de grãos.





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Brasil reduziu área de trigo em 2025 e acende alerta



A área cultivada em 2025 é a menor desde 2020



Foto: Canva

Após uma safra marcada por prejuízos em 2024, a cultura do trigo sofreu novo revés em 2025 — desta vez pela perda de área. A decisão dos produtores de reduzir o plantio foi motivada, sobretudo, pela frustração com os resultados da temporada anterior, afetada por condições climáticas adversas que comprometeram a produtividade e a rentabilidade.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área cultivada em 2025 é a menor desde 2020, com queda de aproximadamente 20% em relação ao ano anterior. O Paraná, principal produtor nacional, concentrou boa parte dessa retração, refletindo o desânimo de agricultores diante do risco climático e dos custos de produção.

A diminuição no cultivo reflete um comportamento defensivo por parte dos produtores, que buscaram alternativas mais seguras e rentáveis, como milho ou soja de inverno. Segundo dados da Conab, essa mudança de estratégia foi mais visível nas regiões que enfrentaram geadas, excesso de chuvas ou estiagens no ciclo 2024, comprometendo o desenvolvimento das lavouras de trigo.

Ainda que o trigo brasileiro venha ganhando espaço no mercado interno e nas exportações nos últimos anos, os episódios de instabilidade climática e a volatilidade de preços continuam sendo entraves ao seu avanço. Em 2025, esse cenário desestimulou investimentos em tecnologia e renovação de áreas.

Com menor área plantada, o desempenho da safra de trigo em 2025 dependerá fortemente do clima nos meses finais do ciclo. Segundo a Conab, o recuo sinaliza a necessidade de políticas de mitigação de riscos e incentivo à cultura, especialmente em estados-chave como o Paraná. O setor segue atento às próximas movimentações do mercado e às perspectivas climáticas para decidir os rumos de 2026.





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