sexta-feira, março 13, 2026

Política & Agro

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os riscos da falta de inovação no campo


A agricultura moderna é um dos setores que mais dependem da inovação científica. Cada nova tecnologia desenvolvida representa anos de pesquisa, milhões em investimento e, principalmente, uma resposta concreta aos desafios enfrentados no campo — surgimento de novas pragas (ou surtos das atuais), resistência de pragas, mudanças climáticas, perda de produtividade, solos degradados e tantos outros.

O que acontece quando novas moléculas deixam de ser aprovadas ou chegam tarde demais aos produtores?

A resposta é clara — e preocupante: sem inovação, o controle se torna menos eficaz, os custos aumentam e o impacto ambiental cresce.

Nas últimas décadas, a pesquisa para desenvolvimento de novos defensivos agrícolas evoluiu significativamente. As novas moléculas químicas são mais seletivas, eficientes e seguras, e o avanço no portfólio de bioinsumos reforça ainda mais o caminho rumo à sustentabilidade da agricultura. No entanto, o ritmo de aprovação e disponibilização de novas tecnologias segue lento — e isso coloca em risco o acesso do produtor a ferramentas essenciais e compromete as boas práticas de manejo.

Sem novos ingredientes ativos, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) — que combina diferentes tecnologias e estratégias — perde parte do seu potencial. Afinal, é a diversidade de ferramentas que permite evitar a resistência, reduzir impactos e manter a produtividade das lavouras.

 

Resistência de pragas: o preço da estagnação química

As pragas evoluem. E quando as tecnologias permanecem as mesmas por tempo demais, a resistência é apenas uma questão de tempo.

Como destacam Garud et al. (2024), a falta de novas moléculas leva à dependência de ativos antigos, que acabam sendo usados de forma repetitiva. Isso acelera a seleção de populações resistentes e provoca falhas no controle — um ciclo perigoso que afeta produtividade e aumenta custos.

Esse ciclo pode ser evitado com a incorporação contínua de novas tecnologias no campo. Segundo Umetsu e Shirai (2020), mais de 105 pesticidas foram lançados ou estavam em desenvolvimento apenas na última década no mundo — incluindo fungicidas, inseticidas e herbicidas. A maioria dessas moléculas foi projetada com alto potencial de seletividade e menor persistência ambiental, atendendo às novas demandas de segurança e sustentabilidade.

Essa tendencia é mostrada por Lazarevic-Pašti et al. (2025), em seu trabalho, onde destaca que o EIQ (Environmental Impact Quotient), índice que mede o impacto ambiental e à saúde humana dos defensivos, vem caindo de forma consistente nas últimas duas décadas.

Ou seja, as moléculas mais recentes são menos tóxicas, mais específicas e com menor persistência ambiental, reduzindo riscos para polinizadores, inimigos naturais e microrganismos do solo.

Além disso, novas formulações e sistemas de liberação controlada permitem maior eficiência com doses menores, diminuindo o volume de ingrediente ativo aplicado por hectare. Isso se traduz em menor impacto e maior custo-benefício.

O resultado é uma agricultura que não apenas produz mais, mas produz melhor — com segurança, rastreabilidade e responsabilidade ambiental.

Sem inovação com o desenvolvimento de novas ferramentas, o sistema produtivo perde força. Não é apenas um problema agronômico, mas também econômico e ambiental.

O resultado é paradoxal — a ausência de novas tecnologias leva justamente ao aumento dos impactos que se busca evitar.

 

Quando a inovação não chega: o impacto da lentidão regulatória

Desenvolver um novo ingrediente ativo químico é um processo demorado, complexo e caro.  Segundo levantamento da CropLife International (2024), o custo médio global para levar uma molécula do laboratório até o mercado chega a US$ 301 milhões, somando as etapas de pesquisa, desenvolvimento e registro.

O caminho também ficou mais demorado: o tempo médio de pesquisa e desenvolvimento passou de 11 para cerca de 12 anos, refletindo a maior complexidade dos requisitos regulatórios e o volume crescente de dados exigidos para comprovar eficácia, seletividade e segurança.

Após estes 12 anos de P&D, há o tempo de análise técnico-regulatória, o que faz com que este prazo se estender ainda mais para a chegada da tecnologia no campo.

Das muitas moléculas estudadas, apenas uma em cada 140 mil chega ao mercado. Agora, imagine somar a isso processos regulatórios lentos e burocráticos. O resultado é que, muitas vezes, tecnologias seguras e eficazes — já disponíveis em outros países — demoram anos para chegar ao produtor brasileiro.

Essa defasagem cria um cenário de desvantagem competitiva e aumenta a pressão sobre as moléculas antigas, que seguem sendo utilizadas por falta de alternativas.

Em um mercado global que evolui rapidamente, não aprovar ou demorar para aprovar novas tecnologias é também uma forma de retroceder.

 

Regulação com rigor e ciência: o equilíbrio que o agro precisa

No Brasil, o uso de defensivos químicos é rigidamente regulamentado, com uma das legislações mais completas e exigentes do mundo.

A Lei nº 14.785/2023 estabelece normas que abrangem todas as etapas do ciclo de vida dos produtos, desde a pesquisa e desenvolvimento, passando pela produção, comercialização, transporte e aplicação, até o descarte e a destinação final das embalagens.

Esse arcabouço garante que nenhum produto chegue ao campo sem antes passar por três avaliações independentes, conduzidas por órgãos federais com diferentes competências:

•    o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), responsável pela eficácia agronômica;

•    o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que analisa os impactos ambientais;

•    e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que avalia os riscos à saúde humana.

Os critérios utilizados por essas instituições estão alinhados às principais agências internacionais, como a EPA (EUA) e a EFSA (União Europeia), reforçando o compromisso do Brasil com o Código Internacional de Conduta para o Gerenciamento de Pesticidas, da FAO.

Manter o rigor científico é essencial — mas é igualmente importante que o processo não se torne uma barreira à inovação. A lentidão nos registros pode atrasar a chegada de novos produtos, ampliar a dependência de moléculas antigas e gerar, portanto, ineficácia de controle de pragas no campo.

No fim das contas, a inovação só se concretiza quando governo, academia e setor produtivo trabalham juntos.

É dessa colaboração que nasce o equilíbrio entre rigor, agilidade e sustentabilidade — e é ela que garante que o Brasil continue sendo uma referência mundial em produtividade e manejo responsável.

 

Inovação é só o começo: o papel do uso correto

Por mais modernas que sejam as moléculas, o sucesso delas depende do uso responsável e técnico.

A rotação de modos de ação, a dose correta e o momento ideal de aplicação são estratégias essenciais para prolongar a vida útil das moléculas e evitar novas situações de resistência e ressurgência de pragas.

Sem isso, até mesmo as tecnologias mais inovadoras podem perder eficácia rapidamente. O uso inadequado — seja por repetição, subdosagem ou pulverizações excessivas — aumenta a pressão seletiva sobre as populações de pragas, comprometendo o manejo integrado e elevando custos.

O MIP é a base desse equilíbrio. Ele integra bioinsumos, químicos, manejo genético e cultural para garantir produtividade sustentável, usando cada ferramenta no momento certo e da maneira correta.

 

Inovação também é manejo

Falar em novas moléculas não é apenas discutir produtos: é falar em ciência aplicada ao manejo. Cada ingrediente ativo aprovado é o resultado de uma longa jornada de pesquisa, testes e validações que têm como objetivo tornar o campo mais produtivo, seguro e sustentável.

Com novas tecnologias, abrimos espaço para uma agricultura que usa menos, mas produz mais; que protege o solo, a água e a biodiversidade; e que continua a alimentar o mundo com eficiência e responsabilidade.

Como costumo dizer: não existe milagre, existe manejo — e dentro desse manejo, a inovação é a engrenagem que mantém o agro em movimento.

 

Texto desenvolvido por:

Dra. Gabriela Vieira: Engenheira agrônoma, bióloga, doutora em fitossanidade e é especialista em Manejo Integrado de Pragas (MIP) e produtos biológicos. Trabalha como consultora, palestrante e treina profissionais do agro no Brasil todo.

Descascando a Ciência: Empresa de comunicação que traduz a ciência em conteúdos estratégicos e acessíveis. Atuamos com planejamento, produção e divulgação de pesquisas e tecnologias para aproximar ciência, sociedade e mercado.

Principais referências:

CropLife International. Time and Cost of new agrochemical product discovery, development and registration. AgbioInvestor, 2024. 

Garud, A., et al. A Scientific Review of Pesticides: Classification, Toxicity, Health Effects, Sustainability, and Environmental Impact. Cureus, 2024.

Lazarevic-Pašti, T., et al. With or Without You?—A Critical Review on Pesticides in Food. Foods, 2025.

Umetsu, N., & Shirai, Y. Development of Novel Pesticides in the 21st Century. Pesticide Biochemistry and Physiology, 2020.

 





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Produção recorde nos EUA pressiona preços do milho



No Brasil, o plantio da soja para 2025/26 avança em boas condições no Paraná


No Brasil, o plantio da soja para 2025/26 avança em boas condições no Paraná
No Brasil, o plantio da soja para 2025/26 avança em boas condições no Paraná – Foto: Leonardo Gottems

A nova projeção do USDA indica avanço significativo na produção, consumo, exportações e estoques finais de milho nos Estados Unidos para a safra 2025/26. Segundo análise do Itaú BBA, a entidade estima que a produção americana alcance cerca de 425 milhões de toneladas, sustentada por aumento de área e melhora de produtividade. Do lado da demanda, as exportações foram ajustadas para 78,1 milhões de toneladas e os estoques finais devem crescer cerca de 40 por cento frente ao ciclo 2024/25.

Mesmo com a projeção de queda nos estoques globais de milho, a oferta elevada nos EUA tende a manter os preços pressionados. O cenário é reforçado pela forte produção chinesa e pela menor necessidade de importações pelo país. Esse equilíbrio confortável no balanço americano funciona como fator limitante para altas expressivas no mercado internacional do cereal.

No Brasil, o plantio da soja para 2025/26 avança em boas condições no Paraná e em parte do Mato Grosso, enquanto Goiás e Minas Gerais ainda tentam recuperar atrasos. Em Tocantins e Maranhão, as chuvas irregulares dificultam a implantação das lavouras e exigem atenção redobrada nas próximas semanas. A definição da janela ideal será determinante para o nível de investimento da segunda safra.

Com a melhora na relação de troca entre milho e fertilizantes, favorecida pela queda no preço dos insumos, produtores que concluíram rapidamente o plantio da soja podem ampliar a área destinada ao milho safrinha. A decisão final dependerá da combinação entre preços, potencial de rentabilidade, andamento da colheita e risco climático. Caso o ciclo da soja permaneça dentro da normalidade, a perspectiva para o milho 2ª safra segue positiva. Em regiões com atraso, como Goiás e Minas, pode haver limitação de área, redução tecnológica e menor investimento, embora o milho continue sendo a opção mais atrativa pela liquidez e mercado consolidado.





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Aiba apresentará Bahia Farm Show 2026 durante a Fenagro



Começaram os preparativos para a Bahia Farm Show 2026


Foto: Divulgação

Começaram os preparativos para a Bahia Farm Show 2026, e a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), entidade responsável pela realização da feira, fará a apresentação da 20ª edição no próximo domingo (30), às 15 horas, durante a abertura oficial da Fenagro, na Tribuna de Honra do Parque de Exposições de Salvador.

Além de representantes das entidades do agronegócio e da imprensa da capital baiana, lideranças políticas também participarão do evento, como o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o secretário de Agricultura, Pablo Barrozo, e demais secretários do governo.

Sobre a Bahia Farm Show:

Consolidada como um dos principais eventos do calendário do agronegócio no Brasil, a Bahia Farm Show é uma das mais importantes feiras agrícolas do país e desempenha papel fundamental na economia baiana. A 20ª edição já tem data marcada e acontecerá de 8 a 13 de junho, no município de Luís Eduardo Magalhães.

A maior feira de tecnologia agrícola e negócios do Norte e Nordeste contará, em 2026, com a participação de mais de mil marcas expositoras e deverá atrair milhares de visitantes, reforçando sua relevância para o desenvolvimento socioeconômico da Bahia.

SERVIÇO:

Apresentação da Bahia Farm Show 2026

Data: 30/11/2026 (Domingo)

Horário: 15 horas

Local: Tribuna de honra do Parque de Exposições

 





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Mercado do boi fecha semana com alta na novilha



MS e BA mantêm estabilidade



Foto: Divulgação

O informativo “Tem Boi na Linha”, divulgado pela Scot Consultoria na sexta-feira (28), apontou movimento de alta no mercado do boi gordo em São Paulo. Segundo a análise, “o mercado encerrou a semana com alta de R$ 2,00/@ na cotação da novilha”, enquanto os preços das demais categorias resultaram na comparação diária.

A consultoria divulgou que o quadro de firmeza foi sustentado “pela boa demanda por carne bovina no mercado interno e pelo bom desempenho de exportação”. Apesar disso, o avanço das cotações encontrou limite na oferta de boiadas, considerado maior que o previsto para o período. As escalas de abate atenderam, em média, a sete dias, e “todos os preços foram brutos e com prazo”, informou o boletim.

No Mato Grosso do Sul, a oferta mais confortável em parte das praças levou a indústria a reduzir o valor oferecido pela arroba, embora a análise tenha classificado o cenário geral como de firmeza nos preços. Em Dourados, “a cotação do boi gordo caiu R$ 1,00/@, e a da vaca e da novilha se manteve estável”. Em Campo Grande, não houve alterações na comparação diária, e em Três Lagoas todas as categorias encontradas foram encontradas. O informativo registrou ainda que “a arroba do boi China caiu R$ 2,00”, mantendo a observação de que todos os preços foram divulgados de forma bruta e com prazo.

Na Bahia, o levantamento específico de estabilidade, sem mudanças nas cotações no comparativo dia

um dia.





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Diesel comum fica mais caro em outubro na comparação com setembro, segundo…


Combustível teve média de R$ 6,19, enquanto tipo S-10 custou, em média, R$ 6,21

De acordo com a mais nova análise do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), levantamento que consolida o comportamento de preços das transações nos postos de combustível, trazendo uma média precisa, o diesel comum ficou mais caro em outubro na comparação com setembro, atingindo preço médio de R$ 6,19, uma alta de 0,32%. Já o diesel S-10 teve média de R$ 6,21, mesmo valor registrado em setembro.

“O preço do diesel comum teve uma leve alta em outubro, enquanto o S-10 manteve estabilidade. Apesar da leve alta, o mercado mostra sinais de acomodação, depois de um primeiro semestre marcado por variações mais bruscas. O diesel continua sendo o combustível de maior peso nos custos do transporte, o que faz com que qualquer movimento de preço tenha impacto direto em toda a cadeia logística”, analisa Renato Mascarenhas, Diretor de Rede Abastecimento da Edenred Mobilidade.

Na análise individual de cada região do País em outubro, o Sul se destacou como a única região a registrar queda para o diesel comum, de 0,17% (R$ 5,98), além da maior queda entre regiões para o diesel S-10, de 0,33% (R$ 6,02). Os preços médios da região foram os menores do País no período para os dois tipos do diesel.

Os preços de diesel comum e S-10 mais altos do País em outubro foram registrados no Norte, onde custaram, em média, R$ 6,76 (+0,75%), e R$ 6,57 (-0,30%), respectivamente. 

O Norte apresentou a maior alta para o diesel comum, de 0,75% (R$ 6,76), enquanto o Centro-oeste foi a única região onde o S-10 ficou mais caro no período, com custo médio de R$ 6,34 (+0,16%).

No levantamento por estados, o IPTL constatou que a maior média para o diesel comum em outubro foi registrada no Acre, de R$ 7,54 (-0,66%). O Paraná aparece como o estado onde os motoristas encontraram o diesel comum mais em conta em outubro: a R$ 5,94, em média (-0,67%). Roraima, por sua vez, apresentou a alta mais significativa do País para o diesel comum, de 4,33%, comercializando o combustível por R$ 7,47, em média. O combustível teve sua maior queda no mês registrada em Santa Catarina, de 1,15%, sendo comercializado, em média, por R$ 6,01.

Em relação ao diesel S-10, o maior preço médio registrado em outubro também foi o do Acre: R$ 7,48 (estável). No Paraná, foi identificado o menor preço médio do mês: R$ 5,96, após recuo de 0,83% no valor do combustível no estado. Em Pernambuco foi registrada a maior alta para o diesel S-10, de 1,01% (R$ 5,98). O estado do Amazonas, por sua vez, teve a maior queda no preço médio do S-10 em outubro, de 1,50% (R$ 6,56).

O IPTL é um índice de preços de combustíveis levantado com base nos abastecimentos realizados nos 21 mil postos credenciados da Edenred Ticket Log, com uma robusta estrutura de data science que consolida o comportamento de preços das transações nos postos, trazendo uma média precisa, que tem grande confiabilidade, por causa da quantidade de veículos administrados pela marca: mais de 1 milhão, com uma média de oito transações por segundo. A Edenred Ticket Log, marca da linha de negócios de Mobilidade da Edenred Brasil, conta com mais de 30 anos de experiência e se adapta às necessidades dos clientes, oferecendo soluções modernas e inovadoras, a fim de simplificar os processos diários. 





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Cotação do boi tem movimentos distintos nos estados



São Paulo tem 14 dias de estabilidade no boi gordo



Foto: Sheila Flores

De acordo com a análise divulgada na quarta-feira (26) pelo informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, “a cotação do boi gordo está estável em São Paulo”. Segundo o boletim, todas as categorias abriram o dia sem variações, após 14 dias consecutivos de estabilidade nos preços para machos e novilhas e oito dias para vacas. As escalas de abate estavam, em média, previstas para seis dias.

Em Alagoas, o informativo registrou que “todas as categorias tiveram alta de R$ 2,00 por arroba”, movimento que, segundo a consultoria, marcou o comportamento do mercado no estado.

Para Roraima, a Scot Consultoria informou que “a cotação não mudou na comparação dia a dia”, indicando manutenção dos preços no mercado regional.

No Rio de Janeiro, o levantamento apontou que “a oferta de bovinos estava enxuta”, o que, segundo a consultoria, sustentou as cotações no estado.

No Maranhão, a análise registrou que “a cotação da vaca e da novilha subiu R$ 2,00 por arroba”, enquanto o preço do boi gordo permaneceu estável, sem alteração em relação ao dia anterior.





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Frio deve persistir até o início do verão


O Brasil deve manter temperaturas abaixo da média na passagem de novembro para dezembro, segundo informações do Meteored. A tendência está associada à fase negativa da Oscilação Antártica, que favorece a entrada recorrente de massas de ar frio no país. “A atuação mais frequente dessas massas promete manter o cenário mais ameno em várias regiões”, informou a plataforma.

O verão meteorológico começa em 1º de dezembro, marcando o início do trimestre climatologicamente mais quente do ano. Apesar disso, o padrão mais frio deve persistir ao menos até a primeira semana do mês. Entre 1º e 24 de novembro, grande parte do território nacional registrou temperaturas entre 1°C e 2°C abaixo da climatologia, com maior destaque para o centro-sul. Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, sul de Minas Gerais e sul da Bahia apresentaram anomalias negativas persistentes.

A previsão mais recente do modelo ECMWF, utilizado pela Meteored, aponta a manutenção desse comportamento entre 1º e 8 de dezembro. As áreas em azul nos mapas de anomalia indicam regiões com temperaturas inferiores à média, enquanto locais em branco representam normalidade e, em vermelho, valores acima do esperado. Para a próxima semana, Brasil Central e faixa norte devem registrar temperaturas entre 1°C e 3°C acima da média, enquanto o centro-sul e parte do leste do país tendem a permanecer mais frios.

A Meteored explicou que o fenômeno está diretamente relacionado à Oscilação Antártica (AAO), principal modo de variabilidade climática do Hemisfério Sul extratropical. “Ela descreve padrões de pressão e ventos que controlam a dinâmica de frentes frias e massas de ar frio que saem do Polo Sul”, explicou a publicação. O fenômeno alterna entre fases positiva e negativa, geralmente em ciclos de dez a quinze dias.

A fase negativa ocorre quando há aquecimento da coluna de ar sobre o Polo Sul, o que enfraquece o vórtice polar. Com isso, os ventos de oeste se reorganizam e se deslocam para latitudes mais baixas, permitindo a chegada mais frequente de frentes frias ao Cone Sul e ao Brasil. “Essa fase deve continuar predominando pelo menos até a primeira semana de dezembro”, informou o Meteored, justificando a manutenção das anomalias negativas justamente na virada do mês e no início do verão meteorológico.

 





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Safra recorde na Argentina pode pressiona trigo no Brasil


De acordo com dados da Scot Consultoria, “a Argentina é o maior produtor de trigo da América do Sul” e, após a quebra da safra 2022/23, o país registrou recuperação. Para o ciclo 2025/26, cuja colheita começou em meados de outubro, a consultoria informou que há expectativa de recorde de produção. Segundo o levantamento, a projeção considera aumento da área semeada, condições climáticas favoráveis e produtividade maior, fatores que levaram a Bolsa de Cereais de Buenos Aires a estimar “uma safra histórica de 24,0 milhões de toneladas”. No ciclo 2024/25, a produção foi de 18,0 milhões de toneladas.

No Brasil, a colheita de trigo entrou na fase final, mas segue abaixo do ritmo histórico. Estados do Sul, como Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enfrentaram precipitação elevada, granizo e vendavais em algumas regiões. Mesmo assim, a Scot Consultoria destacou que “a qualidade do trigo em colheita é considerada boa”. A safra nacional está estimada em 7,7 milhões de toneladas, queda de 2,6% em relação a 2024. Esse é o terceiro recuo consecutivo após o recorde de 10,5 milhões de toneladas em 2022.

A consultoria atribuiu a redução da produção à diminuição da área semeada, influenciada por problemas climáticos nos últimos anos no Sul e pela maior atratividade financeira de outras culturas de inverno. Em 2025, a estimativa é de retração de 20,1% na área plantada em comparação a 2024.

A Scot Consultoria questiona o impacto da safra argentina sobre o mercado brasileiro e afirma que a demanda total, somando consumo doméstico e exportações, “deverá ficar praticamente estável em 13,8 milhões de toneladas”. Com produção menor, a necessidade de importação permanece elevada, configurando a segunda maior desde 2019. Em 2024, a Argentina respondeu por 64,1% do custo das importações brasileiras de trigo. Em 2025, até outubro, essa participação subiu para 78,6%.

O relatório aponta que, com o dólar em queda em 2025 e com a boa produção na Argentina e no mercado global, “a cotação do trigo no mercado internacional caiu”, aproximando o preço do trigo brasileiro da paridade de importação e levando ao menor valor em doze meses.

Além do cenário argentino, a consultoria afirma que a expectativa global é de safra recorde em 2025/26 e de recuperação dos estoques. A colheita no hemisfério Norte está em andamento, com previsão de aumento de produção em União Europeia, Estados Unidos, Rússia e Índia, o que contribui para um mercado internacional com cotações menos sustentadas.

A Scot Consultoria resume que a safra recorde na Argentina, o avanço da colheita no Brasil e a perspectiva de uma safra global elevada “deverá manter o mercado brasileiro frouxo no curto prazo”.

 





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Produção de carnes deve bater recorde em 2026


A produção de carne de frango em 2026 pode alcançar 15,86 milhões de toneladas, segundo projeções atualizadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estatal afirmou que, se confirmado, o volume “representa um novo recorde na série histórica”, superando a estimativa de 15,5 milhões de toneladas para 2025. A Conab destacou que o bom desempenho da avicultura de corte, somado à suinocultura, influencia a produção total de carnes no país, estimada em 32,6 milhões de toneladas em 2026. O número corresponde a “uma ligeira alta de 0,4%” sobre a previsão para 2025 e também configura recorde.

A Conab informou que o resultado da produção de carne de frango neste ano permite ampliar a oferta interna, mesmo com a previsão de exportações de 5,2 milhões de toneladas, ante 5,15 milhões de toneladas embarcadas em 2024. A estatal lembrou que as vendas externas foram afetadas pelo caso de Influenza Aviária registrado em maio no Rio Grande do Sul, mas ressaltou que outros mercados “absorveram parte significativa da produção”. Ainda em novembro, a China declarou a retomada das compras do produto brasileiro.

Para 2026, a estatal projeta continuidade na expansão das exportações de carne de frango, que podem atingir 5,25 milhões de toneladas. Segundo o levantamento, o aumento das vendas externas não deve limitar o mercado interno, cuja disponibilidade pode crescer 3,1%, passando de 10,3 milhões de toneladas em 2025 para 10,62 milhões de toneladas em 2026. A Conab estimou que a disponibilidade per capita alcance 51,3 quilos por habitante.

A Conab também projeta cenário semelhante para a proteína suína. Em 2025, a produção deve somar 5,63 milhões de toneladas. Mesmo com a desaceleração das compras chinesas devido à recomposição do plantel após a Peste Suína Africana, a estatal afirmou que as exportações devem alcançar 1,48 milhão de toneladas. A disponibilidade interna está estimada em 4,16 milhões de toneladas, ante 4 milhões de toneladas em 2024.

Para 2026, a Conab espera alta de 4,5% na produção de carne suína, totalizando 5,88 milhões de toneladas. Esse crescimento pode permitir que os embarques cheguem a 1,6 milhão de toneladas sem reduzir o abastecimento interno, cuja oferta deve aumentar 3,2%, alcançando cerca de 4,3 milhões de toneladas.

No segmento de carne bovina, a produção prevista para 2025 é de 11,38 milhões de toneladas. As exportações devem chegar a 4,21 milhões de toneladas, o maior volume já registrado, segundo a Conab. A estatal afirmou que o bom ritmo ocorre mesmo após as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos, retiradas em meados de novembro, e é impulsionado pela demanda chinesa, responsável por 53,7% dos embarques.

Para 2026, a Conab projeta uma reversão no ciclo pecuário, o que pode resultar em produção de 10,89 milhões de toneladas devido à maior retenção de fêmeas. A demanda internacional deve permanecer aquecida e as exportações devem se manter próximas da estabilidade, em torno de 4,25 milhões de toneladas. A oferta interna, porém, pode recuar para 6,67 milhões de toneladas.

No caso da produção de ovos, a Conab projeta novo recorde em 2026, estimado em 50,3 bilhões de unidades. O volume representa alta de 2,6% em relação à previsão para 2025, de 49 bilhões de unidades, mantendo a tendência de aumento da disponibilidade interna.





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Brasil discute biopesticidas em missão na Coreia



Brasil e Coreia do Sul fortalecem parceria para inovação em defensivos biológicos



Foto: Pixabay

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, participou nesta terça-feira (25) de uma reunião técnica com o diretor da Rural Development Administration (RDA), Seungdon Lee, para avançar em ações de cooperação bilateral relacionadas ao desenvolvimento de biopesticidas. O encontro ocorreu durante a missão brasileira na Coreia do Sul, voltada à inovação e à troca de informações técnicas.

Na reunião, Goulart afirmou que o Brasil ocupa posição de destaque no uso de produtos biológicos, mas ressaltou que “ainda não há bioherbicidas disponíveis comercialmente no mundo”, segmento que corresponde a grande parte da aplicação de defensivos no país. Segundo ele, a parceria com a Coreia poderá impulsionar avanços em etapas regulatórias e tecnológicas. “Queremos aproveitar a cooperação técnica para trabalhar com rigor, agilidade e previsibilidade. Temos sistemas diferentes avaliando o mesmo objeto, e isso abre espaço para alinhamento de procedimentos e compartilhamento de experiências”, disse.

Seungdon Lee destacou que a Coreia tem interesse em fortalecer a cooperação científica e regulatória, indicando que a consolidação dessa agenda depende de encontros frequentes. Ele afirmou que os biológicos devem assumir papel central nos próximos anos, semelhante ao que os químicos tiveram anteriormente, e apontou vantagens complementares entre Brasil e Coreia do Sul que podem favorecer avanços conjuntos. “Temos o mesmo ponto de vista e estamos prontos para transformar planejamento em ação. Nossas equipes estão motivadas para gerar resultados concretos, principalmente no desenvolvimento de defensivos biológicos, e vemos grande potencial de cooperação com a Embrapa, o Mapa e a Anvisa”, afirmou.

A missão também permitiu que a equipe brasileira conhecesse tecnologias avançadas, capacidades laboratoriais e projetos relacionados a melhoramento vegetal, biodiversidade e fenotipagem.





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