quarta-feira, março 18, 2026

Política & Agro

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Clima brasileiro entre extremos desafia o agronegócio



A distribuição das chuvas também foi irregular



A distribuição das chuvas também foi irregular
A distribuição das chuvas também foi irregular – Foto: Pixabay

Durante julho e agosto, o Brasil viveu um cenário climático marcado por contrastes regionais. Segundo análise do Rabobank, as temperaturas ficaram acima da média em grande parte do país, especialmente no Centro-Oeste, Sudeste e MATOPIBA, com registros superiores a 37°C em cidades como Cuiabá. Em paralelo, frentes frias atingiram o Sul e parte do Sudeste, provocando geadas leves a moderadas e afetando culturas como o café no Cerrado Mineiro.

A distribuição das chuvas também foi irregular. Enquanto o Norte e o litoral do Nordeste registraram volumes acima da média, favorecendo feijão e milho, regiões como Rondônia, Tocantins, Goiás e Minas Gerais enfrentaram déficit hídrico, que comprometeu as pastagens. No Centro-Oeste, o clima seco permitiu o avanço da colheita do milho safrinha e do algodão. Já no Sudeste, a mesma condição beneficiou o café e a cana-de-açúcar. No Sul, por outro lado, o excesso de chuvas e o risco de geadas atrasaram o início do plantio de inverno, embora a produtividade do Paraná tenha sido preservada.

Entre as culturas, o café enfrentou episódios localizados de granizo no sul de Minas, sem impacto nacional relevante. A safra de laranja começou sob temperaturas abaixo da média e chuvas esparsas. Na cana, julho registrou 100 milhões de toneladas colhidas, mas a baixa qualidade da matéria-prima preocupa, com estimativas apontando produção total de açúcar abaixo de 40 milhões de toneladas na safra 2025/26.

O comportamento do clima global também entra no radar. O fenômeno ENSO permanece em neutralidade, com 56% de probabilidade de continuidade até o fim do inverno. A expectativa é de breve transição para La Niña na primavera, seguida de retorno à neutralidade, o que pode impactar chuvas e temperaturas. A partir de setembro, o mercado volta suas atenções ao regime de chuvas: no café, será decisivo para a florada da safra 2026/27, enquanto nos grãos será fundamental para a semeadura da temporada 2025/26.

 





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Obras de artistas gaúchos ganham protagonismo na 48ª Expointer


Pelo quinto ano consecutivo, o espaço cultural Estância da Arte oferece um lugar de pausa e contemplação para os visitantes da Expointer. Desta vez, a exposição na esquina do Pavilhão Internacional, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, está ainda maior, com mais de 50 obras de seis artistas gaúchos e um uruguaio, metade delas criadas especialmente para a feira. Com o tema “Traços da tradição”, a curadoria valoriza a cultura campeira e a vida do povo do Rio Grande do Sul. 

Há muitas novidades em relação ao ano anterior. Peças em cartoon, obras expressionistas e trabalhos em espátula são novas formas de apresentar a vida campeira. A presença feminina ganha força e a história da região das Missões entrou no circuito. Poemas do gaúcho Gujo Teixeira recheiam a exposição. 

“Aqui é um espaço cultural que vem criando uma tradição na Expointer. As pessoas se identificam muito, pois as cenas e paisagens da lida do campo são a realidade da maioria dos visitantes. Para nós é um motivo de muito orgulho”, contou Daniel Henz, um dos organizadores do espaço.

A curadoria das obras é realizada mais uma vez por Mariano Schmitz, gaúcho nascido em Novo Hamburgo e com trajetória ligada ao mundo campeiro. Os artistas convidados para a exposição são Carlito Bicca, Cristiano Ramos Alves, Dario Mastrosimone, Derli Vieira da Silva (Chapéu Preto), Márcia Bastos, Santiago e Sérgio Coirolo.

Democratização

O projeto da Estância da Arte promove a democratização da arte em três pilares: gratuidade, diversidade e acessibilidade. A visitação ao espaço é gratuita até domingo (7/9), entre 8h e 20h, e a multiplicidade de formatos atrai vários públicos. Um grande diferencial da exposição, mais uma vez, é possuir uma obra de cada artista em prancha tátil, com reproduções em relevo e textura que possibilitam a compreensão por pessoas cegas. O espaço também tem acessibilidade física, mediação em libras e guia vidente. 

A produtora rural Carina Correia estava de passagem pelas imediações e parou para ver as obras com toda a família. Ela, que é de Aceguá, se sentiu representada. “Eu vinha caminhando e minha filha, que gosta muito de pintura, nos alertou. Chamou atenção o trabalho do campo. Meu marido planta soja e a pintura dela [a artista Márcia Bastos] é bem o que a gente vê no dia a dia: o trabalho de campo em que nós, mulheres, também ajudamos”, explicou.

Programação dos próximos dias

Na sexta-feira (5/9), o Estância da Arte promove duas rodas de chimarrão com os artistas e o curador da exposição, sendo uma no horário da manhã (9h às 11h) e outra à tarde (13h às 16h).

A programação do sábado (6/9), por sua vez, reserva a pintura de obras ao vivo com os artistas Carlito Bicca, Cristiano Ramos Alves e Dario Mastrosimone. 

Ao longo dos nove dias de feira, os organizadores projetam a circulação de 40 mil pessoas pelo espaço.





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Programa Agrofamília formaliza R$ 500 mil em novos contratos na Casa do Badesul na 48ª Expointer


Nesta quinta-feira (4/9), a Casa do Badesul foi palco da assinatura de 17 contratos do Programa Agrofamília, que somam R$ 500 mil em investimentos para o fortalecimento da agricultura familiar. Do total, 12 contratos foram destinados a agroindústrias e 12 a jovens rurais.

A iniciativa é promovida pelo Governo do Estado e pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio do FEAPER, tendo o Badesul como gestor operacional, financeiro e contábil. Além de agroindústrias e jovens rurais, o crédito contempla pescadores e comunidades quilombolas.

O secretário da SDR, Vilson Covatti, destacou que mais de 600 contratos já foram assinados desde abril. “Estamos escrevendo uma linda página na história da agricultura familiar do nosso Estado, junto com os produtores, a agência de fomento Badesul, a FETAG-RS, a Emater-RS e o Governo do Estado. A agilidade de todas as instituições tem sido fundamental”, afirmou.

O diretor financeiro do Badesul, Robson Ferreira, também destacou a parceria entre a agência de fomento, a SDR, a Fetag e Emater-RS. “Unimos esforços para colocar os recursos na rua, fazendo-os chegar nas mãos de quem faz acontecer no campo”, disse.

Representando a FETAG-RS, Lucas Machry lembrou que mais de dez mil jovens se inscreveram para o programa. “Foi um belo trabalho, que atraiu inúmeros interessados e conseguiu fazer com que os valores de fato chegassem a eles”, ressaltou, elogiando a política pública.

“Estamos empenhados em promover o desenvolvimento de modo sustentável. A verdade política pública é a que gera resultado!”, afirmou o presidente da Emater, Luciano Schwertz, também presente no evento.

Entre os produtores rurais beneficiados pelo programa, está o casal Valmir e Rosane Fauro. Com o financiamento, a Agroindústria Faro, especializada no cultivo e processamento de mandioca, vai investir na qualificação da sua infraestrutura. “As melhorias incluem obras, além da aquisição de embalagens, caixaria e caixa térmica”, comemorou Rosane.





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Monitoramento é chave no combate ao psilídeo-dos-citros


Com mais de 25 anos de experiência, o engenheiro agrônomo Hamilton Rocha, presidente do Grupo de Consultores em Citros (GCONCI), destacou que houve avanços no controle químico do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), inseto vetor do greening (HBL). A associação, sediada em Cordeirópolis (SP) e de caráter técnico sem fins lucrativos, estende hoje sua atuação consultiva a cerca de 40 milhões de plantas cítricas.

Segundo Rocha, o avanço da doença levou ao desenvolvimento de estratégias mais precisas para determinar o momento adequado de aplicação de inseticidas. Ele explicou que surgiram produtos que atuam sobre as fases jovens da praga, sobretudo a chamada ninfa, capazes de “quebrar o ciclo” do inseto.

“Precisamos quebrar a reprodução do inseto em momentos decisivos. Um deles é na florada, que está ocorrendo agora, e outro em dezembro, janeiro, quando há vegetação intensa no pomar”, afirmou o consultor. “Quebrar o ciclo do inseto mudou o conceito de tratamento, trouxe um ganho enorme. O desafio é não deixar a praga se multiplicar, contaminar-se nas plantas doentes.”

Rocha explicou que, após anos de pesquisas, a fase ninfa foi identificada como a mais crítica para a transmissão da bactéria causadora da doença, enquanto antes os tratamentos se concentravam nos insetos adultos. Ele ressaltou que a associação de inseticidas com diferentes ingredientes ativos e modos de ação é fundamental para que atinjam tanto adultos quanto ninfas.

Conforme o presidente do GCONCI, quando aplicados corretamente e no momento adequado, inseticidas específicos para o controle da ninfa podem alcançar eficácia de até 80%. “Essas aplicações devem ser feitas, preferencialmente, do estágio V1 a V4 das folhas de citros (1 cm a 4 cm)”, explicou.

Dados do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) mostram que a incidência do greening em laranjeiras aumentou de 38% em 2023 para 44,35% em 2024. Segundo Rocha, árvores afetadas apresentam queda acentuada de frutos, que ficam menores, deformados e assimétricos. “A planta reage à bactéria que está dentro dela, bloqueia o transporte de seiva aos frutos. Uma parte dos frutos cai. Nossa grande busca é diminuir essa queda e fazer com que a seiva se desloque, apesar da doença”, disse.

Rocha destacou ainda que a intensidade e a qualidade do monitoramento das pragas são fatores determinantes para definir as melhores estratégias de manejo. “Devemos considerar clima, estágio da safra, as fases dos insetos presentes nas plantas. O monitoramento é chave”, reforçou.

O presidente do GCONCI acrescentou que o equilíbrio nutricional das plantas também é essencial. “Necessário haver equilíbrio na nutrição do pomar, fazer análises de solo, das folhas, para que as plantas se fortaleçam. Uma planta bem nutrida resistirá mais diante do psilídeo e também de outras pragas e doenças. Terá menos problemas”, disse. Rocha recomendou ainda o uso de bioestimulantes. “Bioestimulantes ajudam muito em situações de estresse, como a enfrentada nos dias de hoje pelo produtor, com tempo mais seco, ausência prolongada de chuvas e mesmo nos casos de estresse advindos de doenças. Esses produtos deixam a planta mais equilibrada para se ‘autodefender’.”

Apesar da maior pressão do greening sobre os pomares, a última previsão do Fundecitrus aponta que a produção do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais deverá alcançar 314,6 milhões de caixas de 40,8 kg na safra 2025/26, crescimento de 36% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 230,87 milhões de caixas.

“Há várias regiões que sofreram com a seca nos meses de fevereiro, março e abril. Isso afetou bastante os pomares. Estamos bem no início da safra, colhendo as ‘precoces’”, relatou Rocha. “De modo geral, observamos até o momento que apesar da perspectiva de aumento da colheita, está sendo uma safra marcada pela produção de frutas pequenas.”





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umidade e pragas afetam qualidade das raízes



Geadas prejudicam início da safra de mandioca




Foto: Canva

O plantio de mandioca na região de Santa Rosa, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (4), permanece suspenso em grande parte das áreas de cultivo. Os produtores relataram dificuldades para obter o material propagativo necessário para a implantação das lavouras, devido a danos provocados por doenças, pragas e geadas intensas, que afetaram a qualidade das ramas.

“O cozimento está mais difícil, e algumas variedades não estão viáveis para consumo, com exceção da mandioca de casca roxa e da Baianinha”, afirmou a Emater/RS-Ascar. A instituição ainda destacou relatos de apodrecimento de raízes em função da umidade contínua no solo. O preço praticado no comércio local varia de R$ 8,00 a R$ 10,00 por quilo descascada, e R$ 4,00 por quilo com casca.

Na região de Soledade, a cultura encontra-se em fase de plantio, com maior intensidade no Vale do Rio Pardo. No Alto da Serra do Botucaraí, o plantio ocorre de forma mais tardia, em função das temperaturas médias mais baixas na região. Alguns produtores estão preparando o solo, mas há poucas mudas viáveis, já que a safra sofreu danos totais pelas geadas.





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Exportação de carne bovina bate recorde histórico em julho/25, mesmo com…


Brasil embarcou 276,8 mil toneladas de carne bovina in natura no mês, superando em 16,7% o volume exportado em julho de 2024.

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Mesmo diante do impacto da nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras de carne bovina in natura atingiram em julho de 2025 o maior volume já registrado para um único mês em toda a série histórica. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados nesta quarta-feira (06), foram embarcadas 276.879 mil toneladas, o número que supera as 237,2 mil toneladas exportadas no mesmo período do ano passado.

No comparativo anual, o avanço no volume exportado representa uma alta de 16,69%. O volume exportado até a quarta semana de julho também já é superior em 14,81% ao volume total embarcado em junho deste ano, que ficou em 241,09 mil toneladas.

Segundo análise da Scot Consultoria, o volume exportado de carne bovina in natura em julho de 2025 representa um recorde histórico para um único mês, mesmo diante da imposição da tarifa adicional de 50% pelos Estados Unidos.

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Confira a série histórica das exportações | Elaboração: Scot Consultoria

Já com relação à média diária exportada, a média diária ficou próxima de 12,03 mil toneladas e teve um avanço de 16,68% frente a média diária do ano anterior, que ficou em 10,3 mil toneladas. 

Os preços médios pagos pela carne bovina ficaram próximos de US$ 5.551,0 mil por tonelada até a quinta semana de julho/25, isso representa um ganho anual de 25,9%, quando se compara com os valores observados em julho de 2024, em que estavam precificados em US$ 4.409,0 mil por tonelada.

O valor negociado para a carne bovina na quinta semana de julho ficou em US$ 1.536.951,8 bilhão, sendo que em julho do ano anterior a receita total foi de US$ 1.045.913,0 bilhão. 

A média diária do faturamento na quinta semana de julho ficou em US$ 66.824,0 milhões e registrou um ganho de 46,9%, frente ao observado no mês de julho do ano passado, que ficou em US$ 45.474,5 milhões.





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governo lança índice da inflação de alimentos com base em notas fiscais do varejo


O governo do Estado, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), lançou nesta quinta-feira (4/9), durante a Expointer, um conjunto de novidades ligadas ao programa Desenvolve RS – iniciativa da Receita Estadual que transforma a base de dados de documentos fiscais em informações acessíveis e úteis para os setores produtivos e para a sociedade. O objetivo é fomentar a economia e impulsionar a geração de empregos.

Uma das principais novidades é a ampliação e modernização do painel interativo Preços Dinâmicos, que agora passa a monitorar diariamente a variação de preços de 80 alimentos – 15 a mais do que antes. A ferramenta vai acompanhar as oscilações da cesta de consumo das famílias, que abrange todos os itens monitorados, e dos produtos separados por grupos e subgrupos, com possibilidade de consulta das variações por região do Estado. Todos os dados têm como fonte os registros das notas fiscais eletrônicas emitidas pelo varejo.

Dentro do painel, passa a estar disponível o Índice de Inflação da Cesta de Alimentos da Receita Estadual (ICA-RE), que mede a inflação média dos alimentos monitorados. O Rio Grande do Sul será o primeiro estado brasileiro a divulgar um índice próprio de variação de preços dos alimentos, que vai acompanhar as variações da cesta completa, além de fornecer índices por grupos, subgrupos e produtos específicos. Também será possível consultar os resultados por região, o que fornece um retrato mais fiel da realidade local. O índice ainda contará com versão dessazonalizada, que elimina variações extremas provocadas pela oferta irregular de determinados produtos ao longo do ano.

“Para as famílias, a iniciativa permite comparar preços praticamente em tempo real, economizando tempo e aumentando a segurança na hora de aproveitar ofertas. Para as empresas, a ferramenta possibilita monitoramento constante da concorrência e ajustes imediatos em preços, promoções e ofertas. Já para gestores públicos e economistas, o índice fornece subsídios relevantes para a formulação de políticas e a produção de indicadores de inflação”, avalia o subsecretário adjunto da Receita Estadual, Giovanni Padilha.

O ICA-RE poderá ser consultado por variação mensal, acumulado no ano e nos últimos 12 meses. O painel ainda fornece recortes específicos, como a inflação registrada entre empresas do Simples Nacional e do regime geral. O índice também será divulgado mensalmente no Boletim de Preços Dinâmicos, sempre no primeiro dia útil de cada mês, com dados referentes ao período anterior.

Apoio à tomada de decisão

Outra novidade apresentada foi o Painel RS360, que passa a divulgar indicadores econômicos da indústria, do atacado e do varejo, antes disponíveis apenas no boletim setorial da Revista RS360. A ferramenta, com atualização mensal, concentra dados sobre volume de vendas, compras, investimentos em bens de capital e informações como o valor adicionado dos setores, que sinaliza a margem de lucro das atividades econômicas.





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Digitalização é a saída para o Seguro Agrícola



Crises no agro já demonstraram que dificuldades antecipam transformações



Crises no agro já demonstraram que dificuldades antecipam transformações
Crises no agro já demonstraram que dificuldades antecipam transformações – Foto: Pixabay

A imposição de tarifas de 50% pelos EUA sobre produtos brasileiros está acelerando a transformação do seguro agrícola. Segundo Rodrigo Zuini, CTO da Picsel, o impacto atinge produtores em toda a cadeia, reduzindo margens e comprometendo a manutenção de seguros em meio à maior volatilidade climática e de mercado. O corte de 42% no Programa de Subvenção Rural reduziu a área segurada de 14 milhões para 7 milhões de hectares, deixando milhões de hectares vulneráveis a perdas sem respaldo financeiro.

Nesse cenário, a digitalização deixa de ser opcional. Tecnologias como inteligência artificial, Big Data, drones e seguros paramétricos permitem estimar riscos com precisão, reduzir custos e agilizar a emissão de apólices. Startups brasileiras mostram que processos automatizados podem cortar custos em até 90%, tornando o seguro mais acessível e transparente, mesmo sem subsídio público.

Crises no agro já demonstraram que dificuldades antecipam transformações. Plataformas digitais se consolidaram em crédito rural e gestão de propriedades após restrições financeiras e eventos climáticos extremos. Culturas exportadoras como café e carne bovina e regiões do Sul e Sudeste serão as mais impactadas, reforçando a necessidade de soluções tecnológicas ágeis.

“A crise comercial, portanto, não apenas evidencia fragilidades do seguro agrícola, mas também pode acelerar uma revolução digital que levaria décadas para ocorrer naturalmente. Sistemas de precificação dinâmica, emissão rápida de apólices e plataformas digitais para democratizar o acesso ao seguro podem transformar o setor, mitigando riscos financeiros e fortalecendo a resiliência do agro brasileiro em meio a desafios de mercado e clima. Se o Brasil conseguir integrar inovação tecnológica ao seguro agrícola com escala, poderá não apenas reduzir a dependência de subsídio público, mas também criar um novo padrão de gestão de risco rural, mais compatível com os desafios do século XXI”, conclui.

 





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Resistência pede soluções múltiplas no campo



O MIPD combina estratégias químicas, culturais, mecânicas e biológicas



O MIPD combina estratégias químicas, culturais, mecânicas e biológicas
O MIPD combina estratégias químicas, culturais, mecânicas e biológicas – Foto: Nadia Borges

A resistência de plantas daninhas aos herbicidas é um desafio crescente para a agricultura moderna, comprometendo a produtividade e elevando custos de produção. De acordo com o Comitê de Ação e Resistência aos Herbicidas (HRAC-BR), a adoção do Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD) é uma das principais ferramentas para enfrentar essa realidade.

Nesse contexto, o MIPD combina estratégias químicas, culturais, mecânicas e biológicas, reduzindo a pressão de seleção sobre as populações de plantas daninhas e prolongando a vida útil dos herbicidas. Entre as práticas recomendadas estão a rotação de culturas, o uso de diferentes mecanismos de ação, o plantio direto e a utilização de coberturas vegetais. Essas medidas diversificam o manejo e dificultam a adaptação das plantas daninhas, garantindo maior eficiência no controle e, consequentemente, torna a planta mais produtiva.

Além de preservar as tecnologias disponíveis, o MIPD contribui para a estabilidade produtiva no longo prazo. A combinação de diferentes métodos não apenas melhora os resultados imediatos, como também assegura sustentabilidade e equilíbrio no sistema agrícola. Isso é fundamental para manter a competitividade do setor diante de um cenário de crescente pressão sobre os sistemas de produção.

De acordo com as informações, o combate à resistência não se resolve com soluções únicas, mas sim com planejamento, diversidade e responsabilidade. Ao diversificar as práticas de manejo, o produtor não apenas garante maior eficiência no presente, como também preserva o futuro da agricultura. 

 





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Tarifas dos EUA desafiam carne brasileira


A decisão do governo Trump de impor tarifas de até 50% sobre produtos importados, incluindo a carne bovina brasileira, reacendeu o alerta para o agro nacional. Segundo análise da JPA Agro, maior marketplace agro do Brasil, o “tarifaço” pode alterar a dinâmica do comércio internacional e pressionar a competitividade brasileira.

“Tarifa é imposto, e imposto é preço alto. Não existe almoço grátis na economia. Quando se cria uma barreira como essa, cedo ou tarde ela se reflete no preço final”, afirma Leandro Avelar, CEO da JPA Agro, maior marketplace agro do Brasil e referência em inteligência de mercado no setor.

O impacto direto ao consumidor americano tende a ser limitado, já que a carne bovina representa apenas 0,5% do CPI. Nos últimos 12 meses, o preço subiu 7,2% nos EUA e especialistas projetam alta de até 20% até 2026. No Brasil, porém, a carne bovina tem peso de 3,5% no IPCA e compromete mais de 5% da renda mensal das famílias, o que mostra como o efeito inflacionário é sentido de forma mais intensa.

Para o Brasil, maior exportador global de carne bovina, a sobretaxa pode significar perda de participação de mercado frente a concorrentes como Austrália e Argentina. Além do risco comercial, especialistas ressaltam a importância da diplomacia e da separação entre disputas políticas e pauta econômica, já que os EUA são o segundo maior cliente do país.

A JPA Agro defende ainda que o Brasil precisa atacar gargalos internos – como carga tributária, legislação trabalhista e logística – para ampliar sua competitividade. Enquanto isso, pequenas e médias exportadoras, que dependem fortemente do mercado americano, podem sentir os efeitos mais imediatos.

“Se o aumento de preços não cair no inconsciente popular americano, dificilmente haverá pressão política para mudar. Ao contrário, se a carne passar a ser vista como ‘cara demais’ e esse discurso ganhar corpo, a tarifa pode entrar no centro do debate e abrir caminho para negociações. Até lá, o Brasil precisa se preparar e reforçar sua competitividade”, conclui o CEO da JPA Agro.





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