sexta-feira, março 13, 2026

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Farinha à base de castanha-do-brasil apresenta teor de proteína 60% superior à do trigo


Pesquisas da Embrapa mostram que a farinha parcialmente desengordurada e o concentrado proteico de castanha-do-brasil apresentam alto teor de proteínas e têm potencial promissor para o mercado de produtos de origem vegetal. No caso da farinha, o teor proteico é cerca de 60% superior ao da feita com trigo. Os ingredientes foram aplicados na formulação de hambúrgueres, quibes e proteína texturizada, que tiveram boa avaliação de sabor, textura e aparência. A tecnologia está pronta para ser testada em escala comercial.

“A busca por maior diversidade de fontes proteicas nacionais têm estimulado pesquisas voltadas à exploração sustentável da biodiversidade brasileira. Além de contribuir para o aproveitamento de recursos naturais e a geração de emprego e renda, essas iniciativas buscam novos ingredientes para a indústria alimentícia”, afirma Ana Vânia Carvalho, pesquisadora da Embrapa. O trabalho integra o Programa Biomas do The Good Food Institute (GFI) Brasil, com financiamento do Fundo JBS pela Amazônia.

Os processos de obtenção da farinha parcialmente desengordurada, do concentrado proteico e da proteína texturizada, utilizada como substituta de produtos cárneos, foram desenvolvidos no Laboratório de Agroindústria da Embrapa Amazônia Oriental (PA).

A pesquisadora conta que a primeira etapa do trabalho, que está publicado em boletim técnico, foi entender profundamente a matéria-prima. Com aproximadamente 15% de proteína bruta, 67% gorduras, 7% carboidratos e valor energético de 751 kcal/100g, a castanha-do-brasil desponta como um produto promissor para o mercado de proteínas alternativas.

“A castanha-do-brasil é um símbolo da sociobiodiversidade amazônica e surge como alternativa nacional de alto valor agregado. Isso pode fortalecer cadeias produtivas amazônicas, gerando valor para pequenos produtores e indústrias regionais”, acredita Carvalho.

A pesquisadora explica que a remoção parcial do óleo da castanha – usado majoritariamente pela indústria cosmética – gera uma torta, que é a base para os novos ingredientes. “A torta da castanha é um resíduo do processo de extração do óleo. Um subproduto da indústria”, conta.  A pesquisa utilizou também castanhas que não tinham padrão para comercialização in natura – quebradas ou em pedaços, ampliando o aproveitamento das castanhas e reduzindo desperdícios.

Após a extração do óleo, o teor de proteína da castanha, originalmente de 15%, saltou para 32,4% na farinha, um aumento de cerca de 116%.  Em 100 gramas de farinha de trigo integral, por exemplo, estão cerca de 13 gramas de proteína, um pouco mais que a tradicional farinha de trigo “branca”. Já 100 gramas de farinha de castanha apresentam quase 33 gramas de proteína, valor 60% maior que a de trigo.

A partir dessa farinha, os pesquisadores produziram o concentrado proteico que obteve até 56% de proteína. O concentrado e a farinha foram testados na formulação de produtos para o consumidor final.  “Nós avaliamos hambúrguer e quibe usando tanto a farinha quanto o concentrado proteico. Já a proteína texturizada fizemos só com o concentrado, em um blend de proteína de castanha-do-brasil e proteína de soja”, complementa a cientista.

O trabalho destaca que os novos ingredientes apresentam propriedades funcionais adequadas para aplicações alimentícias e elevados teores de aminoácidos, além de serem ricos em selênio – mineral abundante na castanha.

 Na Embrapa Agroindústria de Alimentos ( RJ), foram desenvolvidos o quibe e o hambúrguer, ambos vegetais e com características sensoriais – sabor, textura e aparência – semelhantes aos feitos com produtos de origem animal. O trabalho foi publicado pela instituição e está disponível para download.

Nas receitas dos dois alimentos foram utilizados a farinha parcialmente desengordurada e o concentrado proteico obtido a partir da mesma farinha. “Conseguimos utilizar um coproduto da cadeia de produção da castanha-do-brasil e transformar em um produto para consumo direto, com foco nos públicos vegetarianos, veganos e flexitarianos”, explica a pesquisadora da Embrapa Janice Lima.

Para a formulação do quibe foi usada a farinha com composição em torno de 6% de óleo, 32% de proteínas e 10% de fibra total. Os demais ingredientes da receita podem ser encontrados em supermercados, mercearias e afins. Em caso de preparo doméstico, o produto deve ser consumido logo após ficar pronto. Já a comercialização inclui as etapas de embalagem e congelamento. O alimento pode ser comercializado congelado, cru ou pré-assado, a critério do fabricante. 

Na formulação do hambúrguer vegetal, os resultados de pesquisa propõem a utilização do concentrado proteico de castanha-do-brasil. Tipicamente, o concentrado apresenta em torno de 7% de óleo, 56% de proteínas e 13% de fibra total. Assim como para o quibe, os demais ingredientes do hambúrguer são comerciais. Depois de moldados, os produtos devem ser embalados em sacos plásticos individuais e, em seguida, congelados.

Na composição final, e de acordo com a Instrução Normativa nº 75, de 8 de outubro de 2020, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o quibe é considerado um produto de alto conteúdo de fibras, com 6,8 gramas de fibras a cada 80 gramas do produto, enquanto o hambúrguer pode ser considerado fonte de fibras, com 4,5 gramas de fibras a cada 80 gramas do produto. 

 Além desses alimentos de origem vegetal, também foi obtido um ingrediente texturizado proteico vegetal à base de castanha-do-brasil e soja, contendo cerca de 56% de proteína, que é similar, em uso, à tradicional proteína texturizada de soja (PTS). Segundo a pesquisadora Melicia Galdeano, da Embrapa, o resultado materializa um dos principais objetivos do projeto: desenvolver ingredientes proteicos alternativos a partir de matéria-prima nacional, promovendo a diversificação das fontes proteicas vegetais no Brasil para o mercado plant-based brasileiro.

“Atualmente predominam no mercado de proteínas vegetais opções como a soja e a ervilha. Esse trabalho caminha para o aproveitamento sustentável da castanha, incentivando seu plantio e beneficiando comunidades locais”, destaca Galdeano.

 O teste de aceitação sensorial avaliou a aplicação dos coprodutos da industrialização da castanha-do-brasil em preparações alimentícias e mostrou boa aceitação pelos consumidores participantes. “Os análogos vegetais, quibe,  hambúrguer e texturizado proteico vegetal à base de castanha-do-brasil e soja, apresentaram aparência, sabor e textura característicos de suas versões convencionais, o que indica o potencial de utilização dos coprodutos do processamento da castanha-do-brasil como ingredientes alternativos em produtos desenvolvidos para o público de alimentos plant-based”, finaliza a pesquisadora Daniela Freitas de Sá.





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Brasil lidera transformação verde no campo


Uma nova geração de cafeicultores está colocando o Brasil na vanguarda da produção de alimentos com baixa pegada ambiental. Com foco na redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), produtores têm adotado práticas regenerativas e fertilizantes nitrogenados com emissão reduzida de carbono, resultando em ganhos de produtividade e valor agregado para o café nacional.

Fertilizante é responsável por dois terços das emissões do café e está sendo transformado

Estudos indicam que cerca de 67% das emissões de GEE na produção de café estão associadas ao uso de fertilizantes nitrogenados. Para enfrentar esse desafio, empresas começaram a empregar fertilizantes produzidos com amônia de baixa emissão, como os da linha Climate Choice™, que reduzem até 90% da pegada de carbono do insumo. Essa mudança permitiu uma redução média de 42% nas emissões por quilo de café produzido, com registros que chegam a 58% em algumas lavouras.

“A combinação entre fertilizantes de menor impacto e uma nutrição mais equilibrada, baseada em diagnóstico de solo e ferramentas de recomendação, possibilitou ganhos relevantes de produtividade e sustentabilidade”, afirma Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil.

Ganhos em produtividade, renda e qualidade sensorial com o café regenerativo

A integração das soluções nutricionais de baixo carbono com práticas regenerativas como uso de composto orgânico, plantas de cobertura e manejo de solo resultou em aumento de 14% na produtividade (de 48 para 55 sacas/ha), incremento de 3 pontos na qualidade sensorial do café (de 81 para 84 pontos) e ganho médio de R$ 5 mil por hectare em renda do produtor.

A primeira safra de café com o uso desses fertilizantes foi colhida em parceria com a Cooxupé e foi apresentada como case de sucesso do Brasil durante a COP30. O mesmo lote está agora a caminho do Fórum Econômico Mundial, em Davos, reforçando o papel do país na liderança da agricultura de baixo carbono.

Mercado global pressiona por descarbonização da cadeia de alimentos

Com cerca de 50% das maiores empresas de bens de consumo impondo metas de emissão em toda sua cadeia (escopo 3), cresce a demanda por produtos com rastreabilidade ambiental. Nesse contexto, o café de baixo carbono se posiciona como resposta às exigências do mercado externo e como estratégia competitiva para o produtor.

Segundo estudo do Hydrogen Council e McKinsey, até 30% das emissões de um produto podem vir do uso de fertilizantes, e até 95% desse impacto pode ser reduzido com soluções baseadas em amônia de baixa emissão. O impacto no custo final, segundo o levantamento, é de apenas 1% a 3%.

Expansão para outras culturas e futuro promissor para a agricultura regenerativa

O modelo aplicado na cafeicultura brasileira deve agora ser replicado em outras cadeias produtivas. Além da continuidade da parceria com cooperativas cafeeiras, empresas do setor já anunciaram projetos similares com batata, citrus, milho e cevada, todos com foco em descarbonização.

“Nosso objetivo é apoiar o agricultor mesmo em anos mais desafiadores, oferecendo tecnologias que gerem retorno de até 200% sobre o investimento, como os fertilizantes regenerativos e as soluções da linha YaraVita e YaraAmplix”, explica Schmitz.

Fertilizantes sustentáveis impulsionam protagonismo brasileiro na agenda climática

De acordo com dados apresentados no relatório anual da companhia, o Brasil lidera a adoção de fertilizantes de baixa emissão entre os países do Sul Global. Projetos com foco em cafeicultura, batata e cacau, além de iniciativas com biometano e amônia verde, posicionam o país como protagonista na transição para uma agricultura regenerativa e carbono neutro.

A estimativa da empresa é quadruplicar o volume de fertilizantes lower carbon em 2026, alcançando novas culturas e consolidando o café como vitrine internacional da sustentabilidade no campo.





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Importações crescem e preços de fertilizantes caem em novembro


De acordo com o relatório da CNA, os preços médios dos principais fertilizantes caíram em novembro: ureia foi cotada a R$ 3.445/tonelada (queda de 2% no mês), o MAP a R$ 4.899/t (recuo de 1%) e o KCl a R$ 2.880/t. O cenário de baixa é sustentado pela menor demanda de grandes importadores como Índia, EUA e Brasil, além da liberação de novas cotas de exportação pela China.

No segmento de nitrogenados, o mercado mostrou reação com o anúncio de compra da Índia, o que limitou o ritmo de queda da Ureia. Ainda assim, o uso de alternativas como o sulfato de amônio (SAM) tem crescido entre os produtores brasileiros. Já os fosfatados, como o map, seguem com pouca atratividade nas negociações, enquanto os potássicos apresentam preços mais estáveis.

A queda nos preços dos fertilizantes trouxe algum alívio, mas a relação de troca (RT) ainda limita decisões de compra em parte das lavouras. No caso do algodão, por exemplo, são necessárias 40,9 arrobas para adquirir uma tonelada de map — um cenário classificado como “muito desfavorável” pela CNA.

Para o milho, o SAM tem se mostrado uma alternativa viável à ureia. A relação de troca foi de 32,2 sacas por tonelada, enquanto a ureia exigiu 50,3 sacas. Já para o café arábica, o momento é mais favorável: a cultura foi a única a apresentar melhora consistente no poder de compra do produtor.

As entregas de fertilizantes somaram 30,5 milhões de toneladas até agosto, crescimento de 9% em relação a 2024. A expectativa é de novo recorde em 2025, apesar do ritmo mais lento em estados como o Rio Grande do Sul. A importação também cresceu: de janeiro a outubro, o país adquiriu 38,3 milhões de toneladas — alta de 4,6% no comparativo anual.

“O produtor brasileiro segue investindo nas lavouras, mesmo diante de margens apertadas e desafios no crédito. O aumento de área e a perspectiva de safra recorde devem sustentar a demanda”, afirma o boletim da CNA.

Um dos destaques do relatório é a mudança no perfil dos fornecedores. A China ultrapassou a Rússia como principal vendedora de fertilizantes ao Brasil. O país asiático lidera nas vendas de SAM e formulações NPs, embora ainda não exporte KCl — o que mantém Rússia, Canadá e Omã como fontes estratégicas deste insumo.

No entanto, o rápido aumento das importações chinesas gerou gargalos logísticos no Porto de Paranaguá, com filas de navios e tempo médio de espera próximo a 60 dias para desembarque.

 

 





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Henrique Lima é nomeado para a Comissão Nacional de Direito Agrário da OAB



A nomeação foi registrada oficialmente em 24 de novembro de 2025


Foto: Divulgação

O advogado Henrique da Silva Lima foi nomeado Membro Consultor da Comissão Especial de Direito Agrário e do Agronegócio do Conselho Federal da OAB para a gestão 2025/2028, conforme a Portaria n. 2253/2025. A indicação, assinada pelo presidente da OAB Nacional, José Alberto Simonetti, e pelo coordenador nacional de comissões, Rafael de Assis Horn, consolida Henrique como uma das vozes mais relevantes do Direito Agrário no país.

A nomeação ocorreu a pedido do presidente da OAB/MS, Dr. Luiz Cláudio Alves Pereira (Bito), cuja atuação vem fortalecendo a presença sul-mato-grossense em pautas estratégicas da advocacia. Com forte atuação nacional na defesa do produtor rural — especialmente em temas como endividamento, recuperação judicial, seguro rural e garantias — Henrique agora passa a contribuir em um dos fóruns mais importantes para o setor.

Para ele, a designação chega em um momento decisivo: “O agronegócio enfrenta instabilidade econômica, jurídica e política, além de um elevado endividamento que tem pressionado o produtor rural. É por isso que esta Comissão assume papel central,e estou muito motivado para colaborar.”

Henrique também destaca sua gratidão institucional: “Agradeço ao Dr. Luis Cláudio Bito pela confiança. Sua gestão impecável à frente da OAB-MS fortalece a advocacia e valoriza pautas essenciais para o nosso Estado. Representar a OAB-MS no Conselho Federal é uma honra e uma responsabilidade que recebo com entusiasmo.”

A nova função reforça a importância de Mato Grosso do Sul no debate agrário nacional e amplia a participação de especialistas comprometidos com segurança jurídica, competitividade e proteção patrimonial do produtor rural. Com a nomeação, Henrique passa a contribuir nos grandes temas que moldarão o futuro do setor: crédito rural,infraestrutura, tributação, inovação e estabilidade regulatória.

A nomeação foi registrada oficialmente em 24 de novembro de 2025, conforme o Certificado de Nomeação emitido pelo Conselho Federal da OAB.





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Produtor rural, o Administrador Judicial NÃO administra


“Se eu entrar com recuperação judicial, perderei a gestão dos meus negócios?” Essa é uma pergunta frequente entre os produtores rurais. Alguns chegam a descartar sumariamente a recuperação judicial por equivocadamente acreditarem que um “funcionário da Justiça”, referindo-se ao administrador judicial, irá assumir, ou pelo menos participar, do dia a dia da empresa.

Para quem é da área jurídica, isso pode até parecer uma questão simplória. Entretanto, para a grande maioria dos produtores rurais, que pouco conhecem sobre questões jurídicas, é uma dúvida relevante. Eles estão mais acostumados a administrar riscos climáticos, preço da soja, variação do dólar e fluxo de caixa. Então, ao ouvir falar em um “administrador” nomeado pela Justiça, a impressão é de que alguém assumirá a gestão dos negócios.

A resposta simples e direta é: não, o administrador judicial não irá assumir a gestão dos seus negócios.

Costumo dizer aos clientes que o problema está no nome escolhido: administrador judicial. Ele passa a justificável impressão de que, com a recuperação judicial, será ele quem passará a “administrar”, ou seja, a fazer a gestão dos negócios.

Acredito que o legislador teria sido mais preciso se tivesse optado por “auditor judicial” ou, melhor ainda, “fiscal judicial”, denominações que representam de forma mais adequada o papel desse profissional que colabora com a Justiça.

A verdade: o administrador não administra

Que fique claro: o administrador judicial não tem como função administrar o negócio do devedor. Ele não tomará decisões comerciais, não definirá o plantio, não mexerá no caixa, não contratará ou demitirá funcionários, não organizará logística, não negociará insumos ou a produção. Em outras palavras, ele não “administrará” nada.

A própria lei deixa isso expresso. O artigo 64 da Lei 11.101/2005 determina que, durante a recuperação judicial, o devedor continua na administração de seus bens e negócios, salvo nas hipóteses excepcionais do artigo 65, que tratam de gestão temerária, fraude e violações graves. Ou seja, afastamento da gestão é exceção — e exceção raríssima.

Para que não haja dúvidas, vejamos exatamente o que diz uma parte importante da lei:

Lei 11.101/05 – Art. 64. Durante o procedimento de recuperação judicial, o devedor ou seus administradores serão mantidos na condução da atividade empresarial, sob fiscalização do Comitê, se houver e do administrador judicial, salvo se qualquer deles:

Já o artigo 22 da Lei 11.101/2005 elenca todas as atribuições do administrador judicial. Em suma, ele:

– fiscaliza o cumprimento das obrigações legais;

– audita as informações enviadas pelo devedor;

– informa o juiz por meio de pareceres e relatórios;

– acompanha a execução do plano de recuperação;

– atua como interlocutor entre o juiz, os credores e o devedor.

Ou seja: ele fiscaliza, audita, informa e acompanha. Ele não administra.

Os relatórios que o devedor envia ao administrador judicial também estão previstos em lei. O artigo 52, IV, determina que, após o deferimento do processamento, o devedor deve apresentar “contas demonstrativas mensais” para o administrador judicial avaliar a regularidade das operações.

De fato, é possível que ele realize visitas, inspeções ou reuniões. Mas, na prática, quando isso ocorre, geralmente é apenas no início da recuperação judicial, mais com o intuito de confirmar se a atividade produtiva continua e se o histórico relatado na petição inicial condiz com a realidade. Na maioria dos casos, a fiscalização e o acompanhamento ocorrem exclusivamente por meio das informações documentadas enviadas pelo devedor.

Portanto, se um dos receios de ingressar com o pedido de recuperação judicial é o de perder a gestão dos negócios para o administrador judicial, pode deixar de lado essa preocupação. Aliás, o que se percebe na prática é o contrário: em alguns casos, o administrador judicial acaba indiretamente ajudando o devedor a se organizar, tanto administrativamente quanto financeiramente. Isso porque, ao ter de relatar sua realidade por meio de números e documentos, o devedor acaba identificando falhas e percebendo melhorias possíveis — uma gestão mais profissionalizada que, se tivesse sido adotada antes, talvez tivesse evitado o cenário de sofrimento financeiro em que se encontra.

Quer saber mais sobre o tema? Acesse.

Para mais informações ou orientações sobre o tema, entre em contato com o autor.





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Crescimento moderado marca início da semana econômica



No cenário doméstico, a nova bateria de indicadores trouxe o IPCA-15 como indicador


No cenário doméstico, a nova bateria de indicadores trouxe o IPCA-15 como principal referência
No cenário doméstico, a nova bateria de indicadores trouxe o IPCA-15 como principal referência – Foto: Pixabay

O ambiente internacional começou a semana com liquidez reduzida pelo feriado de Thanksgiving nos Estados Unidos, mas ainda assim as bolsas avançaram de forma leve e o dólar perdeu força ante outras moedas. As expectativas de cortes de juros pelo banco central americano sustentaram esse movimento, enquanto dados represados pelo shutdown sinalizaram arrefecimento da atividade, segundo informações do Rabobank.

No cenário doméstico, a nova bateria de indicadores trouxe o IPCA-15 como principal referência, com alta ligeiramente acima do esperado. Antes da divulgação, a presidência do Banco Central manteve tom cauteloso ao mencionar a expansão do crédito e a influência da volatilidade eleitoral sobre o comportamento dos preços. A situação política ganhou sensibilidade adicional após a prisão do ex-presidente, fato que elevou a tensão entre Congresso e governo diante da ausência de indicação ao Supremo.

O Rabobank avaliou que a incerteza tarifária e geopolítica permanece elevada. O dólar encerrou a semana anterior em R$ 5,3349, refletindo apreciação de 1,3% do real e desempenho superior ao de grande parte das moedas emergentes. A combinação entre diferencial de juros e enfraquecimento global da moeda americana sustenta a projeção de R$ 5,50 para o fim do ano.

O IPCA-15 mostrou leve aceleração, influenciado por itens pontuais de Transporte e Despesas pessoais. O IGP-M também subiu na margem, mas voltou ao campo negativo em 12 meses, com avanço do IPA agropecuário e industrial. Nas contas públicas, o déficit de R$ 36,5 bilhões em outubro resultou do aumento das despesas discricionárias. No setor externo, o déficit em transações correntes diminuiu com a melhora da balança comercial, enquanto o investimento direto somou US$ 10,9 bilhões.





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Estudo inédito aplica inteligência artificial na reprodução do pirarucu


A Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) está utilizando inteligência artificial de forma inédita para estudar o comportamento reprodutivo do pirarucu (Arapaima gigas). A pesquisa, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), adapta técnicas já usadas na análise comportamental de roedores para a realidade da aquicultura. O objetivo é aumentar a previsibilidade da reprodução do maior peixe amazônico e abrir caminho para novas aplicações tecnológicas na criação.

O uso de IA na piscicultura ainda é muito recente no Brasil. A maior parte das pesquisas em inteligência artificial está concentrada em áreas como saúde, agronegócio de grãos, pecuária e estudos biomédicos.  “Aplicações em piscicultura, especialmente com espécies nativas como o pirarucu, representam uma nova fronteira”, destaca o professor da UFMG Cleiton Aguiar, parceiro do projeto. Ele acrescenta que esse tipo de abordagem de rastreamento comportamental automatizado no País coloca o projeto em uma posição pioneira na integração de tecnologia de ponta com a produção aquícola.

Ao rastrear automaticamente os movimentos do pirarucu em gravações ininterruptas de vídeos, a IA possibilita mensurar comportamentos como deslocamento, tempo de atividade, interações e até detectar padrões relacionados ao estado de saúde ou ao ambiente de cultivo. Em vez de depender apenas da observação humana, que é limitada e subjetiva, a inteligência artificial gera dados quantitativos, contínuos e padronizados, facilitando o acompanhamento da produção e a tomada de decisões no manejo.

No caso da pesquisa da Embrapa, 12 câmeras foram instaladas em 12 viveiros escavados, filmando durante o período de luz solar, das 6h às 18h. A cada subida do pirarucu – que é um peixe de respiração aérea – a IA detecta e faz uma marcação com um ponto na imagem do viveiro.

“A máquina conta quantas vezes o pirarucu sobe e faz uma planilha de Excel com dia, hora e as coordenadas do viveiro onde houve a aparição do peixe”, explica Lucas Torati, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura (foto à direita). “Mas antes de chegar a esse ponto há um longo caminho de aprendizado de máquina”, complementa.

O projeto é financiado com recursos do consórcio de pesquisa internacional Aquavitae, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT) e de emenda parlamentar do senador do Tocantins, Eduardo Gomes.

O modelo adota treinamento de redes neurais profundas para que a máquina consiga identificar automaticamente a subida do pirarucu na superfície.

Primeiro, são marcados os quatro cantos do viveiro e onde o peixe aparece na superfície. Isso é feito para várias imagens e, na sequência, a rede é treinada para aprender o que é um pedaço do peixe e o que é um canto do viveiro.

“É como treinar um cérebro virtual, a partir de cerca de 200 quadros. Essa técnica de aprendizado de máquina, ou machine learning, faz com que ela consiga analisar os vídeos com base nos padrões ensinados, que são os viveiros e as partes do corpo dos peixes (cabeça, tronco e cauda)”, explica Torati.

Ele acrescenta que durante esse trabalho de aprendizado de máquina, deve-se levar em conta ias variações climáticas e de luminosidade dos viveiros para que a máquina consiga fazer a análise das imagens em todas as condições. “Para isso, é necessário utilizar imagens com diferentes condições de incidência luminosa (manhã, sol do meio-dia e entardecer) e quadros em diferentes condições climáticas (sol nublado, chuva, céu aberto). É um treinamento longo e minucioso para que a máquina possa depois analisar vídeos em todas essas condições”, pontua o pesquisador.

Segundo o professor da UFMG, as redes neurais profundas (deep neural networks) são modelos computacionais inspirados no funcionamento do cérebro, compostos por várias camadas de processamento que permitem aprender representações complexas a partir de dados.

“No contexto do projeto, essas redes são treinadas com vídeos do pirarucu: primeiro, um conjunto de imagens é anotado manualmente (marcando pontos de interesse no corpo do peixe) e, em seguida, a rede aprende a reconhecer automaticamente esses pontos em novos vídeos”, afirma o professor. Ele observa ainda que esse processo é feito com o auxílio do software open source DeepLabCut (DLC), uma ferramenta de aprendizado profundo amplamente utilizada para rastreamento de animais. “Assim, a rede vai ficando cada vez mais precisa em identificar e acompanhar o movimento dos peixes em diferentes condições”, reforça Aguiar.

No Laboratório de Neurociências Comportamental e Molecular (LANEC) da UFMG, a inteligência artificial é utilizada, principalmente, para análise de sinais neurofisiológicos e de comportamento em roedores. Nesse contexto, o DLC tem a função de rastrear movimentos dos ratos durante tarefas de aprendizagem. Os estudos contam com a colaboração da engenheira e doutoranda Natália Martínez, do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFMG.

A mesma ferramenta está sendo usada para o monitoramento do pirarucu. A diferença principal está no objeto de estudo e na conjuntura: em roedores, o foco é compreender os mecanismos de formação de memória e aprendizagem utilizando ratos como modelos animais, enquanto na piscicultura a IA é empregada para monitorar padrões comportamentais dos animais na superfície da água que possam refletir de alguma forma o seu bem-estar, crescimento e comportamento reprodutivo, com impacto direto na produção e manejo sustentável.

Na pesquisa da Embrapa, a ideia é mapear a formação do ninho formado pelo casal de pirarucus. Esse momento é crucial para os produtores, que preferem recolher os alevinos o mais cedo possível. “Após a implantação de hormônio nos peixes, eles se reproduzem e foram o ninho para que a fêmea possa depositar ovos, a serem fertilizados pelo macho”, esclarece Torati.

Na sequência, há um comportamento típico da espécie, que é o do cuidado parental, em que o macho e a fêmea ficam sempre no mesmo lugar. Outro sinal é que o casal não busca mais comida. Com a inteligência artificial será possível identificar o momento exato em que esse processo acontece, de forma precoce.

“Se fosse possível, a coleta de ovos recém-fertilizados, certamente, aumentaria a taxa de sobrevivência. Geralmente, os produtores têm uma perda de milhares de alevinos, pela demora em retirá-los do viveiro”, ressalta o pesquisador.

O uso de IA na aquicultura não se restringe a estudos de reprodução do pirarucu. Os resultados obtidos nessa pesquisa abrem portas para outros tipos de explorações científicas com a espécie, como, por exemplo, avaliar como fatores relacionados à temperatura da água e á quantidade de oxigênio e de amônia podem interferir na frequência de respiração do pirarucu.

Também será possível pesquisar qual é o período em que o pirarucu é mais ativo, o quão estressado o peixe fica após o manejo, durante a biometria; será possível pesquisar o reflexo de cada doença no comportamento do peixe, entre outras aplicações.

“A IA também permite monitorar a eficiência alimentar e o consumo de comida dos peixes, de forma automática, sem necessidade de contagem manual. Quem sabe, em um futuro próximo, consigamos calcular automaticamente a biomassa desses animais (saber o quanto engordaram) a partir da biometria por meio de fotos propiciada pela inteligência artificial. Isso minimizaria muito o estresse e todo o trabalho de manejo de um peixe que pode chegar a mais de 100 quilos”, projeta Torati.

 





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Farelo de soja cai no ano, apesar de leve alta semanal



Preços da soja divergem entre MT e mercado internacional



Foto: Canva

Segundo análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgada na segunda-feira (1º), as cotações do óleo de soja na CME-Group registraram na semana de 24 a 28 de novembro uma queda de 1,21%, com média final de US$ 50,45/lb. De acordo com o instituto, o recuo está associado à redução de 1,40% no preço do petróleo Brent, influenciada pela expectativa de um possível acordo entre Rússia e Ucrânia, fator que poderia reduzir a demanda pelo coproduto utilizado como matéria-prima na produção de biodiesel.

O Imea informou que o farelo de soja também acompanhou o movimento de baixa, com recuo de 1,38% no período e negociações na média de US$ 316,73/t. No mercado mato-grossense, entretanto, o comportamento foi distinto. O preço do óleo de soja registrou alta de 0,43% em relação à semana anterior, com média de R$ 6.290,33/t. Segundo o instituto, a elevação é sustentada pela “demanda aquecida do setor de biodiesel em 2025”, o que mantém os preços 2,89% acima do observado no mesmo período do ano passado.

Ainda conforme a análise, o farelo de soja no estado teve acréscimo de 0,30% na semana, sendo cotado em média a R$ 1.615,80/t. Apesar disso, o produto apresenta queda de 17,43% em comparação com 2024, reflexo da menor demanda pelo coproduto no mercado mato-grossense diante da elevada oferta global.





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Argentina semeia 36% da soja, mas excesso de chuvas preocupa produtores


Segundo informações divulgadas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em relatório da Bolsa de Cereais de Buenos Aires de 27 de novembro, a semeadura da soja da safra 2025/26 na Argentina alcançou 36% da área total estimada em 17,6 milhões de hectares. O avanço semanal foi de 11 pontos percentuais, mas o ritmo segue abaixo do esperado.

Apesar da aceleração recente, o plantio ainda está 9 pontos percentuais atrás do mesmo período da safra passada e 1 ponto abaixo da média dos últimos cinco anos. O principal entrave, segundo o relatório, é o excesso de chuvas em importantes regiões produtoras, o que tem dificultado a operação de maquinários agrícolas e limitado o progresso da semeadura.

As áreas com maior percentual de avanço no plantio são o Sul de Córdoba (66,5%), o Núcleo Norte (63,3%) e o Noroeste de La Pampa (56,5%). Em contrapartida, o Centro-Norte de Córdoba, Núcleo Sul e Centro-Leste de Entre Ríos apresentam atrasos consideráveis, com apenas 27,1%, 49,4% e 34,5% das áreas semeadas, respectivamente — todos com desempenho inferior ao padrão para o período.

Segundo o Imea, esse cenário reflete os impactos dos volumes excessivos de precipitação registrados em diversas províncias argentinas, que já vinham afetando o calendário agrícola desde o início da safra.

A lentidão no plantio argentino preocupa o mercado internacional e pode influenciar o comportamento dos preços da soja, especialmente no Brasil. Como segundo maior produtor mundial da oleaginosa, a Argentina tem papel estratégico na oferta global. Qualquer atraso significativo pode gerar volatilidade nas cotações futuras, impactando decisões de comercialização e logística no Brasil.

A expectativa é que o avanço do plantio retome ritmo mais intenso com a redução das chuvas nas próximas semanas. No entanto, o sinal de alerta está aceso: caso o clima siga instável, o calendário da soja poderá ser comprometido, o que refletiria diretamente na produtividade potencial da safra argentina e, por consequência, nos estoques globais do grão.





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Alta moderada e expectativa de volatilidade no agro



As inspeções de exportação continuam indicando fraqueza


 As inspeções de exportação continuam indicando fraqueza
As inspeções de exportação continuam indicando fraqueza – Foto: Divulgação

Os mercados agrícolas internacionais seguiram a semana com avanços moderados, em meio à retomada gradual de dados oficiais nos Estados Unidos e ao cenário regulatório ainda indefinido na União Europeia. O desempenho do S&P GSCI Agriculture Index, que subiu 1,1% até 1º de dezembro, refletiu um ambiente de negociações contidas e expectativas de maior volatilidade nas próximas semanas.

Segundo análise do Rabobank, a divulgação atrasada de relatórios do USDA e da CFTC, resultado da paralisação do governo norte-americano, limitou a confiança dos participantes. As inspeções de exportação continuam indicando fraqueza nas vendas de soja dos Estados Unidos, mas a ausência de dados atualizados de exportações abriu espaço para algum suporte, impulsionado por operações pontuais de venda para a China. A retomada das publicações trouxe reação inicial cautelosa, com possibilidade de movimentos mais amplos quando os fundamentos e o posicionamento dos agentes forem totalmente esclarecidos.

Na Europa, o debate regulatório avançou após o Parlamento aprovar posição favorável ao adiamento de doze meses da aplicação das regras do EUDR. A decisão veio dias depois de o Conselho adotar postura semelhante. Ambos divergem da proposta anterior da Comissão Europeia, que previa implementação gradual com um período de adaptação de seis meses. As instituições precisam chegar a um acordo até meados de dezembro, caso contrário a norma passa a valer em 30 de dezembro de 2025.

No mercado de cacau, o contrato de março na bolsa de Nova York subiu 7,1% na semana, recuperando parte das perdas de novembro. A queda anterior, combinada a negociações reduzidas e estoques baixos, criou espaço para reação, que se consolidou após o ICCO reduzir a projeção de superávit para 2024/25 para 49 mil toneladas.

 





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