sexta-feira, março 20, 2026

Política & Agro

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Estratégias aumentam confiança em bioinsumos


De acordo com o artigo “Estratégias de mercado no uso de bioinsumos para o produtor rural movimentam setor”, publicado por Fellipe Parreira, Gerente de Portfólio e Acesso ao Mercado no Grupo GIROAgro, no setor industrial existem divisões claras entre empresas químicas e biológicas. Entretanto, para o produtor rural, essa distinção se torna pouco relevante. “O desafio é único: obter soluções eficazes para melhorar a produtividade e a saúde de sua lavoura de forma segura e confiável”, afirma.

O objetivo das empresas que atuam com fertilizantes e bioinsumos vai além de levar o produto ao campo; é necessário gerar segurança para o agricultor. Isso ocorre por meio de estratégias como a experimentação in loco, que respeita manejo, variedade e condições locais. A prática proporciona comprovação concreta dos benefícios das tecnologias.

Segundo Parreira, trabalhar com consultores técnicos de confiança do produtor é fundamental. “Tais profissionais, respeitados e acreditando no campo, são verdadeiros multiplicadores de benefícios quanto às soluções oferecidas”, explica. Investir em capacitação e relacionamento permite validar cientificamente as tecnologias e influenciar o produtor final. Com isso, cria-se um ecossistema de referências inclusivo para produtores influentes, cuja marca está associada a resultados comprovados. Isso transforma a adoção de bioinsumos de uma compra por impulso em um processo confiável e sustentado por resultados práticos e evidências locais.

De acordo com a Fiesp-Deagro, a principal motivação do produtor para utilizar produtos biológicos é a eficiência comprovada dos bioinsumos. No Brasil, há mais de 140 empresas e 600 produtos registrados, gerando complexidade na escolha. O produtor avalia não apenas o desempenho em sacas por hectare, mas a segurança de receber o resultado prometido.

Parreira observa que o produtor enfrenta variáveis incertas, como mudanças climáticas, preços de commodities e custos de insumos. “Diante de ofertas que entregam duas, três ou quatro sacas a mais, ele muitas vezes opta por aquele insumo que lhe garante maior segurança e previsibilidade, mesmo oferecendo tecnicamente um resultado menor”, afirma.

A segurança, segundo ele, é promovida por programas de demonstração de campo, como o “Liga dos Campeões” da VIVAbio, que reúne cerca de 300 áreas demonstrativas em diferentes regiões, com dados consistentes sobre os efeitos das tecnologias aplicadas. Cooperativas e revendas desempenham papel essencial no atendimento a pequenos e médios produtores, oferecendo estrutura, qualificação técnica e comunicação clara. Inovações industriais, como bioinsumos que não exigem armazenamento em freezer, ampliam o acesso a produtos com validade estendida em temperatura ambiente.

A Fiesp-Deagro aponta que o custo pode ser um desafio para o mercado, mas o produtor prioriza o custo-benefício real. Produtos de maior valor, que garantem eficácia, são preferidos por oferecerem retorno mais seguro.

O mercado de bioinsumos cresceu mais de 30% no último ano e deve representar até 25% do valor dos produtos químicos convencionais. O crescimento é impulsionado por desempenho técnico, sustentabilidade, saúde ambiental e qualidade dos alimentos. Em síntese, o mercado de bioinsumos busca agregar valor, segurança e sustentabilidade ao produtor rural. A experimentação local, capacitação de consultores e comunicação sólida são apontadas como estratégias para acelerar a adoção desses produtos no agronegócio brasileiro.





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Fase de desenvolvimento varia entre cultivares de uva



Uva tem bom desenvolvimento em Caxias do Sul



Foto: Divulgação

O informativo conjuntural divulgado nesta quinta-feira (9) pela Emater/RS-Ascar mostra que as videiras na região administrativa de Caxias do Sul apresentam bom vigor e sanidade no dossel vegetativo, além de uniformidade de brotação e número de cachos, especialmente na variedade Isabel.

Segundo o informativo, alguns produtores relataram paralisação no desenvolvimento dos cachos da variedade Bordô em função do frio atípico para o período. “O clima mais frio impactou diretamente o desenvolvimento da Bordô, o que exige atenção no manejo”, aponta o boletim. Os tratamentos fitossanitários seguem para prevenir e controlar doenças.

Na região de Frederico Westphalen, as variedades estão em diferentes fases de desenvolvimento: Vênus, de grão ervilha ao início de compactação do cacho; Bordô, de 25% de flores abertas a pleno florescimento; Niágara Rosada e Branca, de 80% de flores abertas a grão ervilha; Seyve Villard, do início do florescimento à frutificação; Carmem, do florescimento à limpeza do cacho; e Lorena, do alongamento da inflorescência ao pleno florescimento. Os produtores realizam manejo da copa, eliminação de brotos, desponta, desfolha, adubação, monitoramento de doenças e amarração dos ramos para evitar quebras.

Em Santa Rosa, ainda há floração em alguns parreirais, mas a maior parte das videiras já apresenta desenvolvimento de bagas, que chegam a 0,5 cm em variedades precoces. A ocorrência de antracnose foi registrada em função das chuvas recorrentes e dos ventos intensos.





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Trigo se mantém estagnado


O mercado de trigo manteve-se praticamente estagnado nesta quinta-feira (17), com vendedores resistentes aos preços oferecidos e moinhos pouco ativos nas negociações. As informações são da TF Agroeconômica, que aponta um cenário de lentidão em todo o Sul do país, mesmo com o avanço gradual da colheita.

No Rio Grande do Sul, a Emater/RS divulgou que 2% da área cultivada já foi colhida, embora agentes do mercado discordem desse número. O relatório destaca lavouras em boas condições, com 50% na fase de enchimento de grãos e 30% em maturação, beneficiadas por clima ameno, boa luminosidade e baixa incidência de doenças. Apesar de ventos pontuais no Centro-Oeste gaúcho, a expectativa de produtividade segue positiva.

No entanto, o mercado permanece travado. Exportadores ofereceram R$ 1.180 por tonelada no porto, com pagamento para janeiro de 2026, mas sem aceitação por parte dos produtores. Os moinhos aguardam entregas de contratos antigos, enquanto os preços internos giram em torno de R$ 1.050 nas Missões e R$ 1.070 em Tenente Portela. Mesmo com 190 mil toneladas já exportadas, o volume é considerado pequeno frente aos anos anteriores, e ainda restam cerca de 2,4 milhões de toneladas de trigo gaúcho por comercializar — fator que mantém o mercado pressionado. Os preços “de pedra” estão em queda, entre R$ 60 e R$ 62 por saca.

Em Santa Catarina, o mercado também segue sem negócios relevantes. Produtores pedem cerca de R$ 1.250 FOB pelo trigo novo, mas os compradores oferecem valores semelhantes CIF, sem fechamento de contratos. Os preços pagos aos produtores variam entre R$ 62 e R$ 70,50 por saca, com leve recuo em várias praças.

Já no Paraná, a colheita avança, mas as chuvas recentes prejudicaram a qualidade dos grãos. Foram registrados negócios a R$ 1.230 FOB no Sudoeste e R$ 1.250 CIF em Curitiba, enquanto os preços pagos aos agricultores caíram 2,52% na semana, para R$ 64,94 por saca. Com custo médio estimado em R$ 74,63, o triticultor acumula prejuízo de cerca de 13%, reforçando a importância do uso do mercado futuro para garantir margens melhores.

 





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Brasil amplia importações seletivas


As importações brasileiras avançam de forma seletiva em 2025, mesmo com o comércio global em desaceleração. Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o país importou US$ 135,8 bilhões no primeiro semestre, alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2024. O cenário, porém, ocorre em meio a um contexto internacional de tarifas mais altas e câmbio instável. O Banco Mundial projeta crescimento global de 2,3% para 2025, enquanto a Organização Mundial do Comércio (OMC) estima retração de 0,2% no comércio internacional.

De acordo com Thiago Oliveira, especialista em comércio exterior e câmbio e CEO da Saygo, o movimento brasileiro é de expansão seletiva em setores estratégicos como tecnologia, saúde, insumos industriais e bens de consumo, com maior diversificação de fornecedores na Ásia e na União Europeia. O principal risco para o importador em 2025 é o dólar volátil e o aumento de tarifas, enquanto a oportunidade está em redesenhar origens de compra e otimizar contratos cambiais para capturar preços mais competitivos.

“Para o quarto trimestre, a tendência é de expansão seletiva das compras externas em setores como tecnologia, saúde, insumos industriais e bens de consumo, com diversificação de fornecedores na Ásia e na União Europeia”, avalia .

O especialista recomenda três ajustes imediatos: contratar em múltiplas moedas, dividindo operações entre dólar e euro conforme a origem; revisar Incoterms e seguros, priorizando coberturas mais amplas em rotas asiáticas e europeias; e reforçar o compliance documental, reduzindo riscos de custos adicionais e atrasos na liberação de cargas.

“A recomposição virá menos pelo volume generalizado e mais por compras direcionadas em novas origens, ancoradas em contratos cambiais bem estruturados. Quem transformar a área de importação em área de estratégia (e não só de compras) atravessa 2025 preservando caixa e competitividade”, conclui Oliveira.





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Grãos em alta em Chicago impulsionam otimismo


As principais commodities agrícolas iniciaram a quinta-feira (17) em alta na Bolsa de Chicago, impulsionadas por demanda doméstica e externa, e por um dólar mais fraco no mercado internacional. As informações são da TF Agroeconômica, que destacou o avanço conjunto da soja, do milho e do trigo, acompanhando a recuperação das commodities após recentes quedas.

A soja foi o destaque do dia, com o contrato novembro/25 subindo para US$ 1.014,75 por bushel (+4,00) e o maio/26 cotado a US$ 1.061,50 (+3,00). No Brasil, o indicador CEPEA registrou leve queda diária de 0,20% no Paraná, a R$ 132,96 por saca, enquanto em Paranaguá ficou em R$ 138,17. A China realizou sua primeira compra de soja brasileira após o feriado da Semana Dourada, mas a demanda segue fraca, mesmo com a necessidade de até 9 milhões de toneladas nos próximos meses.

O milho também apresentou firmeza, com o contrato dezembro/25 em US$ 424,00 (+2,25) e julho/26 em US$ 451,75 (+2,25). Na B3, os preços avançaram para R$ 67,93 em novembro/25 (+0,42%). As incertezas sobre a produtividade final da safra norte-americana, atrasada pelas chuvas no Cinturão do Milho, e a boa demanda brasileira por exportação e etanol sustentaram as cotações.

Já o trigo se recuperou levemente após registrar mínimas recentes, fechando dezembro/25 a US$ 502,75 (+0,25). No Brasil, os preços seguem pressionados pela colheita, com o CEPEA apontando R$ 1.207,95 no Paraná (-1,96%) e R$ 1.116,48 no Rio Grande do Sul (-0,63%). Segundo a TF Agroeconômica, agricultores norte-americanos têm segurado a oferta diante da rentabilidade reduzida, o que também contribui para o movimento altista em Chicago.

 





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“A agricultura não pode ficar à mercê do clima”, diz Gilberto Cunha


O 23º Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, realizado em 2025, reuniu especialistas para discutir os desafios impostos pelas mudanças climáticas à agricultura. O encontro se consolida como um dos mais importantes espaços de diálogo entre ciência, tecnologia e campo, abordando de forma direta a necessidade de construir resiliência climática e apoiar a tomada de decisões estratégicas no agronegócio.

Segundo Gilberto Cunha, Presidente da Comissão Científica, o evento chega em um momento importante para o setor. “O Congresso é fundamental porque traz as grandes questões que hoje afetam a agricultura mundial, e em particular a brasileira. O Rio Grande do Sul é um exemplo disso. Nos últimos cinco anos, o estado enfrentou inundações e estiagens severas, que trouxeram muitos prejuízos para a agricultura gaúcha”, destacou.

O tema central desta edição — a construção da resiliência climática via o suporte à tomada de decisões — reflete a urgência de um novo olhar sobre a agricultura diante das emergências climáticas globais. Para Gilberto, o Brasil precisa avançar em soluções práticas que combinem informação meteorológica, manejo agrícola e gestão de riscos.

“Não podemos mais ignorar que as anomalias climáticas extremas estão mais severas e mais frequentes. Esse Congresso trata exatamente disso: como usar a tecnologia a favor da agricultura brasileira”, explicou.

Durante o evento, painéis especiais abordaram as enchentes de 2024, que atingiram fortemente o Rio Grande do Sul. As discussões buscaram apontar caminhos técnicos e políticos para evitar que tragédias climáticas voltem a comprometer a produção rural.

“Não há uma medida única para lidar com riscos climáticos. É uma solução integrada, que passa pela mitigação, transferência e acompanhamento dos riscos. A agrometeorologia tem muitas respostas e faz parte da solução para os desafios climáticos na agricultura”, reforçou Gilberto.

Entre os exemplos citados pelo especialista está o manejo do trigo, cultura de destaque no sul do país. Ele explica que o excesso de chuva na primavera é o principal obstáculo à produção. “O maior problema do trigo no Sul é o excesso de umidade, especialmente entre setembro e novembro, que favorece doenças de espiga, de difícil controle. Diferente do Cerrado, onde o desafio é a falta de água, aqui as chuvas em excesso são o grande inimigo”, observou.

Apesar das dificuldades, Gilberto ressalta que os avanços tecnológicos têm garantido boas produtividades, mesmo em condições adversas. “A tecnologia de produção de trigo, seja em genética ou em manejo de cultura, melhorou muito nos últimos anos. Hoje se consegue boas produtividades, mesmo em situações inóspitas. É claro que não há milagre, mas há uma evolução significativa”, afirmou.

Para além da ciência, Cunha defende que é preciso fortalecer as políticas públicas de seguro rural, ferramenta essencial para reduzir o impacto dos riscos climáticos sobre os produtores.

“O Brasil precisa ampliar a indústria do seguro rural. Ainda é uma prática incipiente, mas é um mecanismo de transferência de risco. Já tivemos momentos melhores, mas precisamos evoluir e ampliar a base de produtores segurados. A agricultura é uma atividade de grandes investimentos e não pode ficar à mercê do clima”, avaliou.

Gilberto conclui reforçando que o uso da informação meteorológica associada ao manejo das culturas é indispensável para o futuro da agricultura. “A agricultura não pode prescindir do bom uso da informação meteorológica. Ela é essencial para o planejamento e para reduzir os impactos das variações do clima sobre a produtividade”, finalizou.


O Congresso Brasileiro de Agrometeorologia de 2025 consolida-se, assim, como um fórum de diálogo e inovação, reunindo ciência, políticas públicas e prática de campo em busca de um mesmo objetivo: garantir um futuro mais sustentável e resiliente para a agricultura brasileira.





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Setor rural se prepara para nova era tributária no Brasil



A nova tributação no destino deve alterar o equilíbrio entre estados


“O Brasil é um dos raros países que está tentando fazer uma reforma tributária antes de uma reforma administrativa"
“O Brasil é um dos raros países que está tentando fazer uma reforma tributária antes de uma reforma administrativa” – Foto: Pixabay

O encontro entre o poder político e o financeiro promete movimentar a Avenida Faria Lima nesta terça-feira (15), onde o ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera Mano Filho participa de um debate sobre os impactos da Reforma Tributária no agronegócio. O evento, promovido pelo Grupo Studio em seu espaço VIP voltado a profissionais do direito e da contabilidade, busca traduzir as novas regras em estratégias de adaptação e vantagem competitiva.

“O Brasil é um dos raros países que está tentando fazer uma reforma tributária antes de uma reforma administrativa. Estamos tratando apenas o lado da receita, sem nenhuma ação do lado das despesas. Por isso, não acho que a reforma atual vai melhorar o nosso sistema tributário”, afirma.

Com a substituição de PIS, Cofins e ICMS pelo IBS e pela CBS, o agronegócio entra em um ciclo de mudanças profundas que afetam desde a gestão de caixa até a precificação. Cálculos preliminares indicam que margens podem variar até 15% em algumas cadeias, conforme o nível de verticalização. Enquanto insumos terão alíquotas reduzidas, produtos processados e exportações indiretas podem ser penalizados com restrições de créditos tributários — agora vinculados ao pagamento efetivo e exigindo maior rastreabilidade financeira.

A nova tributação no destino deve alterar o equilíbrio entre estados produtores e consumidores, afetando cadeias integradas, exportadoras e cooperativas. Empresas que hoje se beneficiam de incentivos estaduais precisarão reavaliar modelos de negócio, margens e precificação. O cenário também exige reestruturação contábil, revisão de contratos e adequação aos novos regimes fiscais.

Dentro desse contexto, a Studio Agro, divisão especializada do Grupo Studio, tem orientado empresas a revisar enquadramentos fiscais, recuperar créditos e otimizar a governança tributária. O foco está em transformar a complexidade da reforma em eficiência operacional e sustentabilidade competitiva para o agronegócio brasileiro.

“Nosso papel é traduzir a complexidade tributária em soluções práticas. A reforma está exigindo que o produtor rural se torne também um gestor de eficiência fiscal. Quem entender isso primeiro vai garantir vantagem e sustentabilidade em um ambiente cada vez mais competitivo”, conclui.

 





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Silo de grãos desaba em Illinois e deixa região sem energia



Não há relatos de feridos



Foto: Reprodução – Internet

Na última quarta-feira (15), a cidade de Martinton, em Illinois (EUA), foi palco de um grave incidente com um silo de grãos que colapsou repentinamente, espalhando toneladas de grãos por uma ampla área. O acidente gerou momentos de tensão entre trabalhadores e moradores próximos.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram o instante em que a estrutura cede, rachando ao meio e levantando uma grande nuvem de poeira. No topo do silo, faíscas visíveis antecedem o colapso, indicando a quebra de cabos elétricos, o que resultou em cortes de energia para centenas de pessoas.

Segundo autoridades locais, sinais de desgaste já haviam sido notados na construção, o que permitiu a evacuação dos funcionários momentos antes do desabamento. Técnicos que trabalhavam na limpeza do local perceberam uma rachadura lateral pouco antes do acidente, mas não houve tempo suficiente para conter o colapso da estrutura.

Apesar da força do impacto e dos clarões causados pela ruptura elétrica, não há relatos de feridos. 





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TJ-GO amplia conceito de bem essencial a produtor



“A essencialidade não depende do tamanho ou do valor do bem”


“A essencialidade não depende do tamanho ou do valor do bem"
“A essencialidade não depende do tamanho ou do valor do bem” – Foto: Canva

Uma decisão recente do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) tem gerado repercussão no agronegócio ao impedir a retomada de pivôs de irrigação usados por uma empresa rural em recuperação judicial. O entendimento amplia o conceito de bem essencial e reforça a proteção jurídica do produtor, ao reconhecer a importância estratégica de determinados equipamentos para a continuidade da atividade agrícola.

Para o advogado André Aidar, sócio e head de Direito do Agronegócio no Lara Martins Advogados, o caso representa uma mudança de paradigma. Segundo ele, a essencialidade não depende do valor econômico, mas da função do bem na produção. “Mesmo representando menos de 1% da área, os pivôs eram vitais para manter a produtividade e a operação da empresa”, explica. A decisão, avalia, fortalece o princípio da preservação da empresa rural e a função social da propriedade.

“A essencialidade não depende do tamanho ou do valor do bem, mas do seu papel estratégico dentro da produção. Mesmo representando menos de 1% da área, os pivôs eram vitais para manter a produtividade e a continuidade da atividade”, explica.

O reflexo desse entendimento já é percebido nas renegociações de dívidas rurais. O advogado Adhemar Michelin Filho, da Michelin Sociedade de Advogados, aponta que o Judiciário tem reconhecido a vulnerabilidade do produtor frente às instituições financeiras, aplicando o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de crédito rural. Essa interpretação exige mais transparência e equilíbrio nas operações.

“O Judiciário está mais atento à disparidade de forças entre produtor e instituição financeira. Tribunais têm reconhecido a vulnerabilidade do contratante e aplicado o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de crédito rural, o que obriga os bancos a serem mais transparentes e diligentes”, afirma.

 





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Fertilizante à base de substâncias húmicas ganha espaço por potencial biológico e reaproveitamento de resíduos


Um fertilizante líquido formulado a partir de resíduos orgânicos tem despertado interesse por unir atributos agronômicos e ambientais. A composição à base de substâncias húmicas vegetais atua diretamente na microbiota do solo, promovendo equilíbrio radicular e podendo reduzir o uso de insumos químicos.

Substâncias húmicas e nutrição do solo

A formulação do fertilizante surgiu durante tentativas de tratamento biotecnológico de um efluente rico em compostos orgânicos — um percolado gerado a partir da decomposição de bagaço e cascas de uva. O resíduo apresentava odor forte e representava risco de contaminação ambiental, especialmente de lençóis freáticos. “Esse líquido tem um cheiro muito forte, fétido, e é um vetor de contaminação, pois polui o lençol freático. Esse foi o nosso problema inicial”, relata Rodrigo Leygue, diretor da Nubitech.

Durante o tratamento, observou-se que o material adquiria novas características: odor adocicado, pH básico e presença marcante de substâncias húmicas. “O resultado foi um líquido com odor normal, adocicado, mais próximo do café ou do chocolate do que do cheiro original, que era insuportável. E com um pH — isso é importante — básico, ou seja, não ácido”, explica.

Segundo Leygue, essa é uma distinção relevante frente aos ácidos húmicos de origem mineral. “Essa é a diferença entre substâncias húmicas de origem vegetal (básicas) e os ácidos húmicos de origem mineral (ácidos)”, afirma. Ensaios iniciais em canteiros e viveiros indicaram efeitos nutricionais consistentes, levando ao desenvolvimento de uma formulação voltada à agricultura.

Desafios normativos e ajustes na formulação

Durante o processo de desenvolvimento, o principal entrave foi a ausência de regulamentação específica. “Considerávamos esse produto um fertilizante, mas não existiam normas para registrá-lo. Tivemos que esperar cerca de quatro a cinco anos para que começassem a surgir as primeiras regulamentações”, recorda.

Para atender às exigências legais, foi necessário ajustar a composição. “O primeiro desenvolvimento foi a adição de Nitrogênio, Fósforo e Potássio para formalizá-lo como fertilizante organomineral. E assim foi registrado”, explica.

Atualmente, o produto é composto por substâncias húmicas vegetais associadas a macronutrientes. “O Potosí é um fertilizante orgânico composto líquido, especialmente constituído por substâncias húmicas de origem vegetal. Os macronutrientes que ele contém, NPK, estão ligados com a matéria orgânica da substância húmica. Isso faz com que sua eficiência nutricional seja altamente positiva”, detalha Leygue.

Atuação no solo e nas raízes

Uma das características destacadas é o modo de atuação, que difere dos fertilizantes convencionais por sua interação com o ecossistema microbiológico do solo.

“O diferencial primordial: os fertilizantes químicos não interagem com a microbiota. Não criam condições de equilíbrio entre os micro-organismos, de maneira a que a planta se sinta bem nutrida com moléculas específicas”, explica. Segundo Leygue, o produto atua na rizosfera, favorecendo o desenvolvimento de raízes mais saudáveis. “Cria condições de que os micro-organismos existentes no solo, que são os que provêm a nutrição da raiz, sejam ativados, sejam melhorados”, afirma.

Essa abordagem é considerada mais ampla e sistêmica. “Não é um elemento químico que vai entrar na nutrição, é um equilíbrio microbiano que vai condicionar a nutrição perfeita para a planta”, acrescenta.

Aplicações e versatilidade de uso

O fertilizante é recomendado para diversos tipos de cultivo — desde produção intensiva até horticultura doméstica. “Pode ser utilizado em canteiros, vasos, gramados, pastos, em termos gerais. Isso está ligado à própria condição como os vegetais surgiram no planeta: todos eles precisaram de micro-organismos na sua raiz”, afirma.

No campo, a recomendação de uso envolve três aplicações, com destaque para o momento da semeadura. “Recomendamos três aplicações. E há uma aplicação mais elaborada na hora da semeadura”, orienta.

Aspectos ambientais e potenciais de mitigação

Além do papel na nutrição vegetal, o fertilizante também apresenta benefícios ambientais. “Ele pega um resíduo contaminante — o percolado de vegetais — e transforma esse passivo ambiental em um ativo ambiental. Isso é fundamental”, avalia.

Outro aspecto citado é a possível contribuição para a captura de carbono. “Ao modificar a microbiota da planta, da raiz, ele permite a captura de gases do efeito estufa. É importantíssimo isso”, destaca.

Para Leygue, também há ganhos indiretos na redução do uso de químicos. “Pode diminuir o uso de agrotóxicos, porque a planta com uma raiz forte tem defesas naturais melhores. As grandes pragas, normalmente, afetam raízes enfraquecidas”, complementa.

O desenvolvimento de fertilizantes à base de substâncias húmicas vegetais ilustra a convergência entre biotecnologia, reaproveitamento de resíduos e agricultura de base ecológica. 

Para mais informações, clique aqui.





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