quinta-feira, março 12, 2026

Política & Agro

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Brasil bate recordes de comércio exterior em novembro


As exportações e importações brasileiras registraram novos recordes para meses de novembro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (4/12) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). No mês, as exportações somaram US$ 28,5 bilhões e as importações, US$ 22,7 bilhões, resultando em superávit de US$ 5,8 bilhões e corrente de comércio de US$ 51,2 bilhões.

No acumulado do ano, as exportações atingiram US$ 317,8 bilhões e as importações, US$ 260 bilhões, com saldo positivo de US$ 57,8 bilhões e corrente de comércio anual de US$ 577,8 bilhões.

Na comparação entre novembro de 2025 (US$ 28,51 bilhões) e novembro de 2024 (US$ 27,86 bilhões), houve alta de 2,4% nas exportações. As importações cresceram 7,4% entre novembro de 2025 (US$ 22,67 bilhões) e o mesmo mês de 2024 (US$ 21,11 bilhões). Com isso, a corrente de comércio mensal somou US$ 51,19 bilhões, expansão de 4,5% frente ao mesmo período do ano anterior.

Entre janeiro e novembro, as exportações avançaram 1,8% na comparação entre 2025 (US$ 317,82 bilhões) e 2024 (US$ 312,17 bilhões). As importações tiveram crescimento de 7,2% no período, passando de US$ 242,62 bilhões para US$ 259,98 bilhões. A corrente de comércio acumulada registrou US$ 577,8 bilhões, alta de 4,1%.

No desempenho setorial das exportações de novembro de 2025, em comparação com novembro de 2024, houve aumento de US$ 1,16 bilhão (25,8%) na Agropecuária e de US$ 0,57 bilhão (3,7%) na Indústria de Transformação, além de queda de US$ 1,06 bilhão (14%) na Indústria Extrativa. No acumulado do ano, a Agropecuária cresceu US$ 3,45 bilhões (5%) e a Indústria de Transformação, US$ 5,3 bilhões (3,2%), enquanto a Indústria Extrativa recuou US$ 3,26 bilhões (4,3%).

Nas importações do mês, houve crescimento de US$ 1,79 bilhão (9,3%) em produtos da Indústria de Transformação, queda de US$ 0,02 bilhão (5,4%) em Agropecuária e recuo de US$ 0,21 bilhão (18,1%) na Indústria Extrativa. No acumulado anual, a Agropecuária registrou alta de US$ 0,36 bilhão (7%) e a Indústria de Transformação, de US$ 20,52 bilhões (9,3%), enquanto a Indústria Extrativa caiu US$ 3,49 bilhões (22,6%).





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CMO aprova R$ 12,5 bilhões em créditos para agro



CMO aprova recursos para aliviar dívidas rurais



Foto: Canva

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou nesta terça-feira (2) um total de R$ 12,5 bilhões em créditos extraordinários para o Orçamento de 2025, conforme divulgado pela Agência Senado. A maior parcela está na Medida Provisória 1.316/2025, que destina R$ 12 bilhões para apoiar produtores rurais afetados por eventos climáticos adversos.

Segundo mensagem enviada pelo governo ao Congresso, a medida cria novas linhas de crédito rural voltadas à liquidação ou amortização de dívidas relacionadas ao Pronaf, ao Pronamp e a contratos firmados por agricultores que enfrentam dificuldades de pagamento, conforme o informado pela Agência Senado.

A relatora da MP, senadora Dorinha Seabra (União-TO), defendeu a aprovação da proposta. “Com esse crédito, será possível oferecer taxas de juros e prazos mais adequados para pagamento das dívidas que não puderam ser regularizadas devido aos custos com as instituições financeiras e para o Tesouro Nacional”, afirmou.

O presidente da comissão, senador Efraim Filho (União-PB), informou que a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 (PLN 2/2025) e do relatório de receitas do Orçamento de 2026 (PLN 15/2025) foi remarcada para esta quarta-feira (3). As medidas provisórias aprovadas seguirão agora para análise dos Plenários da Câmara e do Senado, enquanto os projetos de lei serão votados no Plenário do Congresso Nacional.

De acordo com a Agência Senado, na mesma reunião, a CMO aprovou o relatório do Comitê de Admissibilidade de Emendas sobre o Orçamento de 2026. O relator, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), rejeitou duas emendas de comissões e quatro de bancadas estaduais, aprovando um total de 532. Ele declarou que ainda aguarda o relatório da bancada de Alagoas. Os parlamentares podem apresentar emendas coletivas de bancadas estaduais e de comissões, além de emendas individuais às despesas previstas pelo Executivo.





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Diversidade genética amplia uso agrícola da berinjela



A equipe examinou 368 variedades que representam a diversidade global da espécie


A equipe examinou 368 variedades que representam a diversidade global da espécie
A equipe examinou 368 variedades que representam a diversidade global da espécie – Foto: Pixabay

A diversidade genética da berinjela ganhou novo alcance com a divulgação do conjunto completo de genes e características agronômicas da espécie. O trabalho reúne informações reunidas ao longo de oito anos de pesquisa e amplia o entendimento sobre a capacidade de adaptação do cultivo a diferentes ambientes, fator relevante diante das mudanças climáticas. A análise se baseou em uma coleção global com mais de 3400 variedades cultivadas e silvestres, usadas para identificar diferenças de desenvolvimento e evolução do vegetal.

O estudo foi conduzido por uma colaboração internacional que inclui o Instituto Nacional para a Pesquisa Agronômica da França. Os pesquisadores mapearam mais de 20 mil famílias de genes e 218 características agronômicas, entre elas resistência à marchitez fúngica e capacidade antioxidante. O conjunto, de livre acesso, fornece recursos para programas de melhoramento interessados em desenvolver variedades ajustadas a condições locais. Os resultados foram publicados em Nature Communications.

A equipe examinou 368 variedades que representam a diversidade global da espécie e duas ancestrais silvestres, com sequenciamento completo do genoma e observação em campo de características como resistência à seca, resistência a doenças e composição do fruto. Os ensaios ocorreram em locais com diferentes condições ambientais na Espanha, Itália e Turquia. A partir desses dados, os cientistas identificaram 16.300 famílias de genes essenciais presentes em todas as variedades e outras 4.000 consideradas opcionais. Algumas características apareceram em todas as regiões avaliadas, enquanto outras se manifestaram apenas em ambientes específicos, mostrando forte influência do clima e do manejo.





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A agricultura das Américas é o farol da segurança alimentar e da dignidade…


Manuel Otero, Diretor Geral do IICA, na apresentação de seu relatório de gestão na Conferência dos Ministros da Agricultura das Américas 2025, em Brasília, no qual destacou a transformação do Instituto em um hub de inovação e cooperação agrícola para o continente.

O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) é hoje uma instituição moderna, desburocratizada, próxima aos países, ágil e com visão de futuro. Deixou de ser percebido exclusivamente como organismo técnico de nicho para se consolidar como um verdadeiro hub de inovação e cooperação agrícola no continente.

Assim se expressou o Diretor Geral do IICA, Manuel Otero, em seu relatório de gestão, apresentado no primeiro dia de sessões da Conferência dos Ministros da Agricultura das Américas 2025, que está acontecendo em Brasília.

Cerca de 30 ministros e vice-ministros da agricultura da região participam do encontro, que é organizado pelo governo brasileiro e pelo IICA, sob o tema “Uma nova narrativa para a agricultura e os sistemas agroalimentares das Américas”.

Otero expressou sua emoção por estar prestes a encerrar seu ciclo de oito anos como Diretor Geral do IICA, pois em Brasília será eleito seu sucessor, que assumirá em janeiro próximo.

Os ministros e os chefes de delegações presentes ressaltaram o trabalho de Otero por sua proximidade aos países e aos agricultores, além de seu permanente impulso à incorporação da ciência e da tecnologia como ferramentas para melhorar a produtividade e a resiliência do agro.

“O IICA é minha casa, minha paixão. Desde o primeiro dia como Diretor Geral, em janeiro de 2018, estava claro para mim que esta não seria uma gestão pessoal, mas uma travessia coletiva. Nada teria sido possível sem os representantes dos países que integram este organismo, minhas colegas e meus colaboradores do IICA e os produtores agropecuários, que nos inspiram com seu trabalho diário”.

Otero agradeceu, na pessoa do ministro Fávaro, a todo o Governo do Brasil por seu compromisso com a concretização da Conferência, que afirmou não ser distinto do de seus produtores agropecuários, que, amparados em políticas com visão de longo prazo, protagonizaram uma grande mudança, convertendo em poucas décadas um país inseguro do ponto de vista alimentar em uma potência agroalimentar global.

Na abertura de seu discurso, Otero expressou também sua solidariedade com as nações da região do Caribe, especialmente Bahamas, Jamaica, Haiti e República Dominicana, atingidas severamente pelo furacão Melissa, e anunciou que o IICA já constituiu um fundo de emergência que foi posto à disposição desses países. Os recursos serão acompanhados por uma mobilização de recursos técnicos destinada a mitigar os efeitos sobre as propriedades rurais, os agricultores e suas ferramentas de trabalho.

Fornecedor de soluções

“Por meio do diálogo permanente com os ministros e as ministras do setor agrícola das Américas, constatamos que a renovação e a modernização do IICA, alcançada em um complexo cenário internacional, reposicionou a instituição como um grande fornecedor de soluções, que é também capaz de influir na construção de uma visão e de uma narrativa sobre a agricultura inseparável das estratégias de desenvolvimento dos países”, observou Otero.

O Diretor Geral sublinhou o trabalho do IICA no impulso à conectividade e à digitalização rural, à agricultura 4.0 e à bioeconomia, com iniciativas como o Centro de Interpretação do Amanhã da Agricultura (CIMAG), que é visitado anualmente por 25 mil jovens só da Costa Rica.

Também se referiu ao trabalho em diplomacia agrícola, que levou a voz das agriculturas da região e de seus agricultores a espaços como as COP, a OMC, o G20, a OEA e a todos os foros internacionais relevantes, além do fortalecimento de parcerias com atores estratégicos como EMBRAPA, INTA, PROCISUR, CIMMYT, AGRA, APPRESID, a JAD dominicana, universidades, cientistas e organizações de produtores.

Otero afirmou que o IICA se transformou em uma grande ponte entre os ministérios da agricultura dos países, os mandatários da instituição e o setor privado, que são a coluna vertebral para o desenvolvimento da agricultura. Isso trouxe uma contribuição importante ao alinhamento do ecossistema agrícola à ideia de que a agricultura das Américas é parte da solução global, e não do problema.

“Nossa proposta foi tornar um setor insubstituível para a segurança alimentar, a paz social, a preservação dos recursos naturais, a criação de empregos, a geração de divisas e a interação com a ciência, a tecnologia e a inovação cada vez mais hierarquizado, reconhecido e valorizado pela sociedade e por seus representantes”, disse.

“O IICA de hoje” – acrescentou – “é semelhante ao que sonhamos há alguns anos atrás, capaz de desenvolver um novo mapa de parcerias estratégicas, projetar sua imagem e implementar uma estratégia agressiva de captação de recursos externos para servir melhor a nossos países”.

Otero revelou que quer deixar como legado de seu mandato a certeza de que o futuro da agricultura das Américas não está em ter saudade do passado, “mas em construir o que podemos e devemos ser. Neste sentido, chegou o momento de consolidar uma nova narrativa da agricultura, que fale de modernidade, sustentabilidade, inovação digital e biológica e de responsabilidade e compromisso social. Uma narrativa que nos projete como fornecedores confiáveis de alimentos, energia limpa, fibras e serviços ecossistêmicos para o mundo inteiro”.

“O agricultor, quando semeia, não pensa só na próxima safra; pensa nas gerações futuras. É o que acontece também com nosso trabalho na cooperação internacional: semear futuro, inclusive sabendo que outros colherão os frutos. Com gratidão infinita e esperança renovada, afirmo, com total convicção, que a agricultura das Américas continuará sendo o farol de segurança alimentar e dignidade rural para o mundo inteiro”, concluiu o Diretor Geral.





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Produção de café é estimada em 56,5 milhões de sacas em 2025


A produção brasileira de café em 2025 está estimada em 56,5 milhões de sacas de 60 quilos, segundo o 4º Levantamento de Café 2025 divulgado nesta quinta-feira (4). Mesmo em ano de bienalidade negativa, o volume representa o terceiro maior da série da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e supera em 4,3% o resultado da safra passada. A Conab atribui o desempenho à combinação entre uma redução de 1,2% na área em produção, calculada em 1,85 milhão de hectares, e à produtividade média nacional projetada em 30,4 sacas por hectare, impulsionada pelo avanço do conilon.

Com menor impacto da bienalidade, o conilon alcança 20,8 milhões de sacas em 2025, considerado pela Conab um recorde histórico. O órgão destaca que “a regularidade climática favoreceu o vigor das plantas e resultou em elevada carga produtiva”. O crescimento é de 42,1% em relação ao ano anterior. No Espírito Santo, maior produtor nacional, a colheita chega a 14,2 milhões de sacas, aumento de 43,8%. Na Bahia, são esperadas 3,29 milhões de sacas, alta de 68,7%, enquanto Rondônia registra estimativa de 2,32 milhões, avanço de 10,8%.

Para o café arábica, o levantamento aponta redução no volume colhido. A Conab explica que a bienalidade negativa e a escassez hídrica limitaram o potencial das lavouras. A área em produção recuou 1,5%, totalizando 1,49 milhão de hectares, e a produtividade média caiu 8,4%, atingindo 24,1 sacas por hectare. A safra do ciclo atual é estimada em 35,76 milhões de sacas, queda de 9,7%.

Em Minas Gerais, maior produtor de arábica, a colheita fechou em 25,17 milhões de sacas, redução de 9,2%. Segundo o levantamento, o estado foi afetado pelo ciclo de bienalidade negativa e por “longo período de seca nos meses que antecederam a floração”. Em São Paulo, a produção está estimada em 4,7 milhões de sacas, queda de 12,9% devido à estiagem e às altas temperaturas. A Bahia, por outro lado, registra aumento de 2,5%, com destaque para o Cerrado, que cresceu 18,5%.

No mercado internacional, o Brasil exportou 34,2 milhões de sacas de café entre janeiro e outubro de 2025, baixa de 17,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O recuo é atribuído à limitação dos estoques no início do ano após o recorde de embarques de 50,5 milhões de sacas em 2024.

Embora o volume exportado tenha diminuído, o valor exportado alcançou US$ 12,9 bilhões nos dez primeiros meses de 2025, superando o total de 2024. O MDIC informa que o desempenho é resultado da elevação dos preços internacionais do café. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) avalia que, mesmo com a expectativa de aumento da produção mundial em 2025/26, não devem ocorrer reduções expressivas nos preços, devido ao estoque remanescente reduzido. O USDA destaca que “o estoque mundial no início da safra 2025/26 é o mais baixo dos últimos 25 anos”, estimado em 21,8 milhões de sacas.





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Estoques do PAA serão reforçados com nova operação



Conab lança compra institucional de R$ 46 milhões



Foto: Pixabay

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) iniciou uma operação de Compra Institucional no valor de aproximadamente R$ 46 milhões para atender unidades recebedoras do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e reforçar estoques estratégicos destinados a ações de segurança alimentar e nutricional. Segundo a estatal, a iniciativa utiliza recursos sob gestão do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e tem como objetivo ampliar a participação da agricultura familiar nas políticas públicas de abastecimento.

De acordo com a Conab, a operação prevê a aquisição de produtos fornecidos por associações, cooperativas e outras organizações formalmente constituídas. Entre os itens listados no comunicado estão “arroz polido, arroz parboilizado orgânico, feijão, fubá, farinha de mandioca, carnes bovina e suína, polpas de frutas, macaxeira a vácuo, rapadura e melado de cana”. A estatal informou que os alimentos serão destinados às unidades atendidas pelo PAA, como Cozinhas Solidárias, além de reforçar os estoques estratégicos utilizados em ações sociais.

A execução será articulada entre a matriz da Conab e as superintendências regionais responsáveis pelos estados de origem das entidades fornecedoras. As propostas devem ser enviadas pelo aplicativo PAANet – Proposta Doação, acompanhadas da documentação exigida. A classificação das organizações será divulgada conforme o cronograma previsto.

A Conab ressaltou que a Compra Institucional é uma modalidade do PAA que permite a aquisição direta de alimentos da agricultura familiar, com base em preços de referência e limites de participação por organização. Os produtos são destinados a equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional ou utilizados para recomposição dos estoques estratégicos mantidos pela companhia.





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Exportações de ovos têm alta anual


O Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado nesta quinta-feira (4) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, aponta crescimento nas exportações brasileiras de ovos entre janeiro e outubro de 2025. Segundo dados do Agrostat Brasil, do Ministério da Agricultura e Pecuária, o país embarcou 49.806 toneladas no período, alta de 36,8% em relação aos dez primeiros meses de 2024. O faturamento passou de US$ 134,2 milhões para US$ 163,365 milhões, aumento de 21,7%.

O levantamento indica que os principais itens exportados são “ovos férteis destinados à incubação e os ovos frescos com casca”. O Paraná aparece como quarto maior exportador em 2025, com 5.641 toneladas e receita de US$ 28,418 milhões, números inferiores aos de 2024. O estado registrou queda de 33,3% no volume e de 24,4% no faturamento.

Entre os maiores exportadores, o relatório mostra desempenho distinto. São Paulo reduziu suas exportações em 21,5%, enquanto Mato Grosso teve avanço de 2.996,3%. Minas Gerais cresceu 105,1%, o Rio Grande do Sul recuou 16,9% e o Espírito Santo registrou alta de 907,4%. São Paulo segue líder, com 12.778 toneladas e receita de US$ 50,395 milhões.

Os destaques do período foram Mato Grosso e Espírito Santo. O boletim cita que Mato Grosso passou de 241 toneladas e US$ 308.984 em 2024 para 7.642 toneladas e US$ 13,345 milhões em 2025. O Espírito Santo avançou de 410 toneladas e US$ 571.852 para 4.130 toneladas e US$ 8,460 milhões.

No acumulado dos dez meses de 2025, os Estados Unidos permaneceram como principais compradores. O país importou 19.578 toneladas e registrou gasto de US$ 41,606 milhões, elevação de 1.038,9% no volume e de 1.299,9% no faturamento em comparação com o ano anterior. O boletim afirma, porém, que a aplicação de uma tarifa de 50% pelo governo norte-americano a partir de agosto alterou esse cenário.

Outros destinos também se destacaram entre janeiro e outubro: México, Chile, Senegal e Japão. Apenas Chile apresentou queda no volume importado no período, segundo o Deral.

O relatório lembra que o Brasil ainda destina mais de 99,5% da produção de ovos ao mercado interno. Apesar disso, a Associação Brasileira de Proteína Animal registrou embarques de 2.366 toneladas em outubro, alta de 13,6% em relação ao mesmo mês de 2024. A receita no período foi de US$ 6,051 milhões, aumento de 43,4%.

Nos dez meses de 2025, as exportações totalizaram 36.745 toneladas, crescimento de 151,2% frente a 2024. A receita subiu 180,2%, alcançando US$ 86,883 milhões. Chile seguiu como principal destino em outubro, com 578 toneladas, embora tenha reduzido as compras. Na sequência aparecem Japão, México, Equador e Emirados Árabes Unidos.

O boletim dedica parte da análise ao impacto da tarifa aplicada pelos Estados Unidos. O documento lembra que, em julho, antes da cobrança, “os EUA importaram 3.774 toneladas de ovos e gastaram US$ 7,578 milhões”, expansão superior a 3.000% sobre 2024. Entre janeiro e julho, o país já acumulava 18.998 toneladas importadas e desembolso de US$ 40,8 milhões.

Com o início da tarifa, o movimento mudou. Em agosto, os norte-americanos compraram 439 toneladas, valor ainda maior que o de 2024, mas longe do ritmo observado até julho. Em setembro, as importações caíram para 100 toneladas e, em outubro, para 41 toneladas. A análise conclui que o tarifaço reduziu o volume exportado e “interrompeu as possibilidades de conquista e a consolidação de um mercado comprador para os ovos do Brasil”.





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Brasil reforça alerta após PSA em javalis na Espanha



Trata-se do primeiro episódio da doença na Espanha desde 1994.



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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) comunicou que a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) foi informada sobre a detecção de peste suína africana (PSA) em javalis na província de Barcelona, na Catalunha, em 26 de novembro. Segundo o órgão, “até 2 de dezembro, nove casos foram confirmados, todos restritos a javalis”, sem registros da enfermidade em suínos domésticos. Trata-se do primeiro episódio da doença na Espanha desde 1994.

A PSA é uma infecção viral que atinge suínos domésticos, asselvajados e javalis. O Mapa destacou que, embora não represente risco à saúde humana, “é de notificação obrigatória devido ao seu alto poder de disseminação e ao impacto potencial para os sistemas de produção”. A presença de carrapatos do gênero Ornithodoros, que podem atuar como vetores, amplia a dificuldade de controle da doença em ambientes silvestres.

O vírus possui elevada resistência no ambiente e pode permanecer ativo por longos períodos em roupas, calçados, veículos, equipamentos e produtos de origem suína que não passam por tratamento térmico. Conforme o Mapa, as formas mais comuns de introdução do vírus em áreas livres incluem o contato de animais suscetíveis com materiais contaminados ou a ingestão de produtos suínos infectados.

O Brasil mantém o status de país livre de PSA desde 1984. O ministério afirmou que a preservação dessa condição depende do cumprimento das normas sanitárias e da atenção a pessoas, produtos e materiais provenientes de locais afetados. Para o órgão, a entrada da doença no país “traria impactos significativos para a cadeia suinícola”, motivo pelo qual a vigilância e os protocolos de prevenção continuam reforçados.





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Irrigação estratégica do trigo no Cerrado reduz pela metade a emissão de gases de efeito estufa


Estudo inédito da Embrapa Cerrados (DF) revelou que usar a água de forma estratégica na irrigação do trigo pode reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) sem perda de produtividade. O ponto de equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade ambiental encontrado pela pesquisa melhora o manejo do cereal em regiões tropicais em um cenário de mudanças climáticas.

Pense no solo como uma esponja gigante que guarda água para as plantas. Os cientistas descobriram que o momento perfeito para irrigar o trigo é quando essa esponja já usou 40% da água que tinha guardada.

Os pesquisadores testaram quatro estratégias de controle da irrigação, equivalentes a deixar o solo esgotar 20%, 40%, 60% e 80% da água disponível antes de irrigar novamente. O objetivo era encontrar o ponto de equilíbrio entre produtividade da lavoura, economia de água e impacto ambiental.

Os resultados da pesquisa foram divulgados no artigo Sustainable irrigation management of winter wheat and effects on soil gas emissions (N2O and CH4) and enzymatic activity in the Brazilian savannah, publicado na revista Sustainability MDPI.

Após dois anos de experimentos, a equipe da Embrapa Cerrados concluiu que o momento ideal para irrigação do trigo ocorre quando as plantas utilizaram 40% da reserva da água do solo. “Esse é o ponto ideal, com resultado favorável entre produtividade e intensidade de emissão de gases de efeito estufa, alcançando o melhor índice de Potencial de Aquecimento Global”, revela a pesquisadora Alexsandra Oliveira, uma das responsáveis pelo estudo. Esse potencial se refere às emissões de óxido nitroso (N2O) e metano (CH4).

Com a reposição da água após o uso de 40% da capacidade da água disponível (CAD) do solo, o trigo alcançou a maior produtividade – 6,8 toneladas por hectare, com o menor índice de emissão de óxido nitroso (em média, inferior a 3,0 kg por hectare), gás quase 300 vezes mais potente que o dióxido de carbono (CO2).

Já o pico de emissão de óxido nitroso foi atingido quando a reposição de água foi feita após o uso de 60% da CAD (5,69 toneladas por hectare), resultando no maior Potencial de Aquecimento Global (PAG) —1.185,8 quilos de CO2 equivalente, (ver tabela abaixo). Em comparação, o tratamento de 40% emitiu quase metade GEEs (-41,3%), ao mesmo tempo em que registrou quase 20% a mais de produtividade.

“O que comprovamos com esse estudo é que um simples ajuste no momento da irrigação pode alterar radicalmente a emissão de gases de efeito estufa e seus efeitos sobre as mudanças climáticas”, justifica Oliveira.

A pesquisadora completa: “Quando o solo era irrigado tardiamente, com o esgotamento de 60% ou 80% da água do solo, as emissões aumentaram consideravelmente. No geral, manter uma umidade intermediária no solo, em torno de 40%, proporcionou o melhor equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade ambiental. Essa é uma estratégia climaticamente inteligente e eficiente em relação ao uso dos recursos naturais para a produção de trigo irrigado em sistemas tropicais”.

Segundo a pesquisa, os ciclos de reumidificação do solo são promotores de emissões de gases de efeito estufa. Ou seja, deixar o solo secar demais e depois irrigá-lo, causando grandes alterações em sua umidade, estimula a ação de microrganismos produtores desses gases.

Para entender o experimento, imagine que o solo é como uma caixa d’água subterrânea. Quando os cientistas falam em “depleção de 60%”, significa que essa caixa foi esvaziada em 60%. Irrigar demais desperdiça água; irrigar de menos causa estresse nas plantas. Portanto, o segredo está em saber a hora certa de reabastecer.

“Quando a caixa d’água do solo fica muito vazia, as plantas sofrem. Quando enchemos demais, perdemos água e aumentamos as emissões de gases”, explica Jorge Antonini, pesquisador da Embrapa Cerrados e participante do estudo. Isso porque o reabastecimento intermitente estimula reações microbianas no solo, que geram especialmente óxido nitroso.

Os dados consolidados mostraram que é possível produzir a mesma quantidade de alimento com maior eficiência, considerando-se a relação emissão/produto. “Não se trata apenas de irrigar mais ou menos — e sim de irrigar com precisão. Esses achados mostram que é possível produzir trigo no Cerrado com alto rendimento e baixo impacto climático. Basta respeitar o limite do solo e saber o momento certo de irrigar. A agricultura tropical precisa trabalhar com precisão hídrica para ser produtiva e sustentável”, resume o pesquisador Jorge Antonini.

Portanto, manter a irrigação com o índice de uso da CAD em 40% é uma estratégia eficiente para os produtores do Cerrado: “Assim a produtividade se mantém alta, com quase 7 toneladas por hectare, e o impacto ambiental é o menor possível”, enfatiza.

Com as informações geradas pelo estudo, os produtores rurais podem aproveitar melhor a água da irrigação sem comprometer a rentabilidade da lavoura e com o mínimo impacto na condição climática do planeta.

Outra constatação importante foi quanto ao comportamento do metano (CH4). “Em vez de liberar esse gás, em condições ideais de irrigação, o solo do Cerrado atuou como um dreno, absorvendo metano da atmosfera, um achado em sistemas agrícolas irrigados”, ressalta Oliveira.

A explicação está nas características do solo tropical: boa drenagem, aeração e ausência de encharcamento. Essas condições favorecem a atuação de microrganismos que consomem metano, transformando um vilão climático em aliado.

O experimento foi realizado entre 2022 e 2024, na área da Embrapa Cerrados, em Planaltina, Distrito Federal. As parcelas foram plantadas em sistema de plantio direto, com sucessão soja-trigo. As cultivares usadas foram as BRS 4782 RR e BRS 264, respectivamente. O trigo plantado no inverno, após a colheita da soja, é uma combinação bastante adotada pelos produtores rurais da região.

“Para monitorar a umidade do solo em tempo real, foram instaladas sondas a 70 centímetros de profundidade, altura onde estão concentradas as raízes do trigo”, explica Artur Müller, também pesquisador e integrante da equipe.

Já para as emissões de gases de efeito estufa, foram usadas câmaras estáticas fechadas. Esse método é aceito pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Além da produtividade e do óxido nitroso e metano, os cientistas analisaram a atividade enzimática do solo, como indicativo de sua saúde biológica. Os resultados não mostraram variações significativas em relação à atividade das enzimas, o que indica que pode não existir uma relação direta entre elas e o momento da irrigação do trigo em sucessão à soja.

Uma explicação possível, segundo Oliveira, pode ser a ausência de umidade em excesso, já que, no estudo, a irrigação apenas repôs a água até a capacidade de campo, sem excesso. Outro fator pode estar relacionado ao plantio direto, que mantém, na sucessão de cultivos, a palhada na lavoura, reduzindo a perda de umidade do solo.

O trigo irrigado do Cerrado ocupa mais de 30 mil hectares e é uma das apostas na expansão das lavouras para reduzir a dependência brasileira de importações. Esse estudo avaliou de forma inédita o sistema de trigo irrigado em sucessão, cultura estratégica para o Bioma e para uma intensificação agrícola sustentável nos trópicos. Seus resultados mostram que é possível alcançar o equilíbrio entre produtividade da cultura e a mitigação dos gases de efeito estufa, em especial do óxido nitroso.

“O estudo mostrou que a emissão de gases de efeito estufa é reduzida quando ajustamos o momento da irrigação, indicando um sistema de produção otimizado, que equilibra uso racional da água, ótimo rendimento da lavoura e baixo impacto ambiental. Com o nível de depleção de água no solo a 40%, o sistema converteu eficientemente insumos, como água e nitrogênio, em grãos de trigo, apontando para um manejo eficiente da irrigação”, esclarece Oliveira.

A partir desses resultados, a equipe planeja continuar os estudos com outros sistemas agrícolas que incluam milho, soja e café, para avaliar os efeitos de longo prazo da influência da irrigação na emissão de gases de efeito estufa. Com o avanço da mudança climática, os pesquisadores apostam no uso eficiente dos recursos naturais para tornar o País referência em agricultura de baixo carbono, conciliando segurança alimentar e conservação ambiental.

 





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Mercados ajustam ritmo com oferta global



A soja registrou recuperação em Chicago


A soja registrou recuperação em Chicago
A soja registrou recuperação em Chicago – Foto: Canva

Os mercados agrícolas iniciaram a terça-feira com variações moderadas, acompanhando ajustes derivados do comportamento recente das cotações internacionais, de acordo com a TF Agroeconômica. No trigo, os preços recuaram em Chicago após a valorização da semana anterior, influenciados pelo baixo volume adquirido pela China nos Estados Unidos e pelo avanço das estimativas de produção na Argentina e na Austrália. 

A revisão da ABARES elevou as previsões australianas para trigo, cevada e canola, enquanto análises privadas projetaram redução da oferta russa até 2026 e ligeiro crescimento na Ucrânia. No mercado brasileiro, os valores físicos apresentaram pequenas quedas no Paraná e no Rio Grande do Sul.

A soja registrou recuperação em Chicago, acompanhando a alta do óleo e reagindo às mínimas da sessão anterior. O mercado segue volátil, pressionado pela necessidade de avaliar dados divulgados no início do mês e pelas incertezas nos equilíbrios globais, em que fatores geopolíticos mantêm relevância. As exportações dos Estados Unidos avançaram, mas ainda dependem da confirmação pelos embarques, enquanto persistem dúvidas sobre o volume efetivo prometido pela China. A consultoria StoneX reduziu a estimativa para a safra brasileira e fontes do setor apontaram possibilidade de estoques globais recordes em 2026.

O milho teve leve alta em Chicago, sustentado pelo ritmo firme das exportações e dos embarques dos EUA, mesmo diante da oferta americana considerada sem precedentes. No Brasil, a Conab informou que o plantio da primeira safra atingiu 65,9% da área estimada, superando a semana anterior e a média recente.

 





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