sexta-feira, março 20, 2026

Política & Agro

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Clima favorece avanço da semeadura do milho


O início da safra 2025/2026 de milho no Rio Grande do Sul ocorre de forma gradual, conforme o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (21) pela Emater/RS-Ascar. Segundo o boletim, a implantação das lavouras está sendo conduzida em conformidade com as condições climáticas e com as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Desde o início de agosto, têm predominado as operações de preparo do solo e a dessecação das áreas destinadas ao cultivo. “A semeadura foi iniciada em localidades de menor suscetibilidade à ocorrência de geadas”, destacou o informativo. As condições recentes de tempo seco, insolação e aumento gradual das temperaturas do solo favoreceram o avanço do plantio, criando ambiente propício para o estabelecimento das lavouras.

O documento aponta tendência de expansão da área cultivada em comparação à safra anterior. Esse movimento é associado “aos resultados satisfatórios alcançados na última safra, aos programas de fomento, à necessidade de rotação de culturas e à adoção de estratégias de manejo voltadas à mitigação da variabilidade climática”.

A Emater/RS-Ascar realiza levantamento de campo para estimar a área cultivada e o potencial produtivo. Os dados consolidados serão divulgados em 2 de setembro, durante a 47ª Expointer, em Esteio. Na safra 2024/2025, a produtividade estadual de milho, segundo o IBGE, foi de 7,37 t/ha em uma área total de 711,1 mil hectares.

Na Fronteira Oeste, o aumento da temperatura do solo impulsionou a implantação das lavouras. Em Maçambará, cerca de 750 hectares foram semeados, principalmente sob irrigação. Em São Borja, já foram implantados aproximadamente 4,5 mil hectares, sobretudo em propriedades que planejam uma segunda safra após a colheita do milho precoce. A Emater/RS-Ascar ressalta que, no município, “semeaduras realizadas nos dois primeiros decêndios de agosto apresentam historicamente desempenho superior em termos de produtividade, já que atrasos expõem os cultivos a maior risco de estiagens durante o estádio reprodutivo”.

Na região de Caxias do Sul, o solo está em fase de preparo, com início do plantio previsto para setembro, seguindo o calendário recomendado. Há expectativa de pequeno acréscimo na área em relação à safra anterior.

Em Erechim, muitos agricultores estão utilizando recursos próprios para o cultivo, alegando que crédito e seguro agrícola apresentam custos elevados. O plantio começou em áreas de menor risco de geadas.

Na região de Ijuí, a semeadura avançou intensamente na última semana, sobretudo nos municípios da Região Celeiro. Nos demais, os produtores aguardam a elevação das temperaturas para iniciar a implantação. O manejo químico com herbicidas está sendo concluído.

Na região de Santa Rosa, estima-se que 40% da área já esteja implantada. Algumas lavouras mais precoces apresentam adequada emergência das plantas. Até o momento, não há registros de cigarrinha, mas os agricultores foram orientados a monitorar os cultivos.

Em Soledade, o preparo do solo foi intensificado. Conforme o Zarc, a semeadura começou em 1º de setembro nos municípios de baixa altitude do Baixo Vale do Rio Pardo e, a partir do dia 11, nos demais. Em Rio Pardo e Candelária, mais de 50% do previsto já foi implantado. Segundo o boletim, observa-se tendência de ampliação da área “impulsionada pela utilização de cultivares de ciclo precoce e pela semeadura antecipada, estratégia voltada à redução dos riscos de estiagens e de altas temperaturas no final do ano”.

No mercado, a Emater/RS-Ascar registrou elevação de 0,84% no preço médio estadual do milho, que passou de R$ 61,85 para R$ 62,37 a saca.





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Óleo de soja fecha semana em leve alta



A leve alta, no entanto, reflete uma pressão de baixa menor em outros derivados



A leve alta, no entanto, reflete uma pressão de baixa menor do que a observada em outros derivados
A leve alta, no entanto, reflete uma pressão de baixa menor do que a observada em outros derivados – Foto: United Soybean Board

O mercado do óleo de soja teve uma semana marcada pela volatilidade na Bolsa de Chicago, alternando quedas e recuperações pontuais. Segundo levantamento da StoneX, o movimento acompanhou a soja em grão e o farelo, embora com menor intensidade, refletindo preocupações com a safra americana e os números de esmagamento de julho nos EUA divulgados pela NOPA. Como resultado, o contrato de setembro terminou cotado a US¢ 53,2/lb, registrando valorização semanal de 0,9%.

O otimismo em relação ao óleo de soja esteve ligado principalmente à percepção de risco maior para a safra dos Estados Unidos, após ajustes nas estimativas do USDA. Esse cenário, aliado à força dos derivados e ao ritmo de esmagamento, ajudou a sustentar preços mesmo em meio à instabilidade do mercado. A leve alta, no entanto, reflete uma pressão de baixa menor do que a observada em outros derivados da soja.

Já o óleo de palma foi o grande destaque positivo da semana, acumulando alta de 5,7% e atingindo o maior patamar em quatro meses. O suporte inicial veio dos números do Conselho de Óleo de Palma da Malásia (MPOB), que apontaram produção e estoques abaixo das expectativas, reforçados por estimativas da SPPOMA que indicaram queda de 6,25% na produção nos primeiros dez dias de agosto.

Esse movimento ganhou ainda mais força com o avanço dos embarques malaios. Inspetores de cargas estimaram crescimento entre 16,5% e 23,7% nas exportações na primeira metade do mês, sinalizando um aperto maior no balanço global de oferta e demanda. Com isso, o contrato de outubro encerrou a semana negociado a USD 1.062/t, consolidando uma expressiva valorização.

 





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Produtor ressalta potencial das variedades de cevada da Embrapa



Podutor comentou sobre a possibilidade de produzir alimentos orgânicos




Foto: Canva

Em visita no dia 22 de agosto ao Centro de Inovação em Genética Vegetal (CIGV) da Embrapa Cerrados (DF), localizado na Fazenda Sucupira, em Brasília, o produtor rural Joe Valle, proprietário da Fazenda Malunga, conheceu os ensaios com diversas variedades de cevada. Ele foi recebido pelo chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia, Fábio Faleiro; pelo supervisor do CIGV, Lincoln Loures; pelo pesquisador Renato Amabile e pelo extensionista da Emater-DF, Hélcio Santos. Valle, que produz e comercializa a cerveja Malungueira, fabricada com ingredientes orgânicos, acredita que é possível produzir uma bebida de alta qualidade a partir de materiais de cevada selecionados para cultivo no Cerrado. “Quando vemos um campo como este, no CIGV, e o potencial dos materiais que estão sendo testados, acreditamos que faremos não só uma boa cerveja, mas a melhor cerveja do mundo com material da Embrapa, do Cerrado e orgânico”.

O produtor também comentou sobre a possibilidade de produzir alimentos orgânicos a partir da cevada nua, variedade voltada à alimentação humana devido às propriedades funcionais. “Essa é uma grande tendência de mercado. Vemos lançamentos nesse sentido todo dia, e esses produtos aparecem nas nossas lojas. Tenho certeza de que, com a capacidade produtiva e de adaptação desse material, será um sucesso. Vamos fazer a farinha de cevada na Malunga e lançá-la em nossas lojas”, afirmou.

O pesquisador Renato Amabile está conduzindo, além dos ensaios no CIGV, uma unidade demonstrativa de cevada orgânica na Fazenda Malunga (veja na foto abaixo).

 





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Boi gordo fecha semana em alta



Mercado do boi reage após semana de estabilidade




Foto: Kadijah Suleiman

O mercado do boi gordo encerrou a semana em alta, segundo análise publicada nesta sexta-feira (22) no informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria. Após sete dias úteis de estabilidade em São Paulo, as cotações registraram avanço tanto para o boi gordo quanto para a vaca gorda.

O levantamento aponta que a arroba do boi gordo subiu R$ 2,00, enquanto a da vaca avançou R$ 3,00. “O cenário seguiu dividido em dois movimentos distintos. De um lado, as indústrias frigoríficas que não conseguiram alongar suas escalas sentiram a retração dos pecuaristas, que reduziram as ofertas de bovinos terminados na expectativa de negociar em patamares mais elevados. De outro, os frigoríficos que já garantiram escalas mais confortáveis optaram por se retirar das compras ou mantiveram firmeza nos preços ofertados”, descreveu a análise.

Nas demais categorias, os preços permaneceram estáveis em relação ao dia anterior.

Em Tocantins, o comportamento foi distinto entre regiões. No Sul, todas as categorias completaram uma semana sem alterações. No Norte, a menor oferta de novilhas elevou as pedidas em R$ 5,00/@, enquanto os demais preços seguiram inalterados.

Em Santa Catarina, a cotação da arroba do boi gordo manteve-se estável por sete dias úteis consecutivos, e o valor das fêmeas não apresentou variações nos últimos três dias. Já no Rio de Janeiro, todas as categorias permaneceram sem mudanças na comparação diária.





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Governo detalha regras do Plano Brasil Soberano


O governo federal detalhou nesta sexta-feira (22) a Portaria Conjunta nº 17/2025, que estabelece critérios de priorização para os beneficiários das medidas de apoio do Plano Brasil Soberano, previsto na Medida Provisória nº 1.309/2025, e define regras de acesso às garantias do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (PEAC-FGI Solidário). As medidas têm como objetivo mitigar os efeitos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros em 30 de julho.

Segundo o texto, poderão acessar os benefícios pessoas jurídicas de direito privado e pessoas físicas que exportem para os Estados Unidos, desde que devidamente registradas nos sistemas oficiais de comércio exterior. Também será exigida regularidade fiscal junto à Receita Federal e à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Empresas em recuperação judicial ou falência ficam impedidas, exceto quando houver plano aprovado pela Justiça.

A identificação dos beneficiários será feita com base nos dados da Receita Federal. “O acesso às medidas será dado com prioridade às empresas que tenham registrado, entre julho de 2024 e junho de 2025, no mínimo 5% do faturamento total proveniente de exportações de produtos impactados pelas tarifas adicionais dos EUA”, diz o informativo.

Empresas cujo faturamento bruto decorrente dessas exportações seja igual ou superior a 20% poderão acessar condições mais favoráveis, especialmente micro, pequenas e médias. Apenas companhias com receita anual de até R$ 300 milhões poderão contar com as garantias do PEAC-FGI Solidário.

O BNDES será o agente financeiro da linha de crédito, que contará com R$ 30 bilhões do Fundo de Garantia à Exportação como fonte de recursos. As linhas incluem capital de giro, aquisição de bens de capital e investimentos em adaptação produtiva, inovação e adensamento de cadeias. Os prazos de pagamento variam de cinco a dez anos, com carência entre 12 e 24 meses.

A Portaria nº 1.863/2025 também disciplina operações do Programa Brasil Soberano com foco em micro e pequenas empresas exportadoras. O Fundo Garantidor de Operações (FGO) assegurará até 100% de cada contrato, limitado a 40% da carteira de cada instituição. As operações terão carência de até 24 meses e prazo máximo de 72 meses para pagamento, prorrogáveis por até 84 meses.

Além disso, a Portaria nº 1.862/2025 estabelece prioridade para restituição e ressarcimento de créditos tributários a empresas afetadas, bem como prorrogação de prazos de tributos federais e de débitos em dívida ativa. Os vencimentos de agosto foram transferidos para outubro, e os de setembro para novembro.

O acesso às medidas está condicionado ao compromisso de manutenção ou ampliação de empregos. “Essa cláusula de compromisso é requisito para as condições mais favoráveis nos contratos de financiamento”, informou o governo. Os dados serão aferidos pelo eSocial, e o descumprimento resultará em encargos calculados pela taxa Selic.

Entre as demais medidas já em vigor estão o fortalecimento do seguro de crédito à exportação e, em breve, serão publicadas novas normas, incluindo prorrogação de regimes especiais e um novo Reintegra para estimular a competitividade das exportações.





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Menor liquidez e baixas externas e cambial mantêm pressão sobre valores



Os preços médios do arroz em casca seguem em ligeira queda


Foto: José Luis da Silva Nunes

Os preços médios do arroz em casca seguem em ligeira queda, apontam levantamentos do Cepea. Segundo pesquisadores, além das baixas externas e da taxa de câmbio, que reduz a paridade de importação, a menor liquidez interna explica a pressão sobre as cotações domésticas.

No geral, conforme o Centro de Pesquisas, se observa certa queda de braço entre agentes. Compradores seguem relatando dificuldades na comercialização do arroz beneficiado, o que limita ofertas a preços maiores para o casca. Parte das indústrias reduziu moderadamente os valores de compra, enquanto outras priorizaram o produto já estocado nas unidades de beneficiamento.

Do lado do produtor, ainda de acordo com levantamentos do Cepea, as decisões variaram conforme a microrregião: alguns mantiveram postura cautelosa, enquanto outros disponibilizaram novos lotes para gerar caixa e se preparar para a safra 2025/26. 





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Contrato de opção do governo é alternativa para arrozeiros, destaca Federarroz



Contrato público representa uma alternativa estratégica




Foto: Paulo Rossi/Divulgação

Diante do cenário de crise enfrentado pela orizicultura gaúcha, a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz) orientou os produtores a aderirem ao contrato público de opção e venda de arroz lançado pelo governo federal. A recomendação foi divulgada nesta quarta-feira, 20 de agosto, após a publicação da Portaria Interministerial MAPA/MF/MDA nº 26/2025, que regulamenta o mecanismo para o grão longo fino em casca, tipo 1, da safra 2024/2025.

Segundo informações divulgadas pela Federarroz, a medida surge em um momento de elevada produção e preços abaixo do custo de produção, realidade que ameaça a permanência de muitos arrozeiros na atividade. A entidade avalia que a adesão ao programa oficial pode reduzir a oferta do cereal no mercado livre, contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda e fortalecendo a renda dos produtores.

A federação destacou ainda que o contrato público representa uma alternativa estratégica diante das dificuldades do setor. Para a entidade, a utilização desse instrumento pode garantir não apenas a continuidade da produção, mas também a segurança alimentar da população.

A Federarroz reforça que a orientação busca amparar o produtor rural neste momento de instabilidade, criando condições mínimas para que a próxima safra seja planejada com maior previsibilidade.





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Dia da Semente reforça importância da escolha do insumo e do manejo pré-plantio para a alta produtividade


Nesta quinta-feira (21), o Brasil celebra o Dia da Semente, insumo que carrega em si o potencial produtivo de toda a lavoura. A data tem grande relevância para o agronegócio, já que a semente é o ponto de partida de culturas estratégicas como soja, milho, algodão, arroz, tabaco, entre tantas outras. Por trás dela, existe um processo de pesquisa que pode levar até 10 anos de dedicação intensa, com altos investimentos em ciência e tecnologia, para que chegue ao campo uma variedade capaz de unir produtividade, resistência a pragas e adaptação às condições de cada região.

Apesar disso, ainda são poucos os que conhecem a complexidade envolvida nesse processo e o quanto a decisão do produtor na hora de escolher a semente pode impactar o resultado da safra. A utilização de sementes certificadas, com alto vigor germinativo e pureza genética, garante uniformidade na emergência, número adequado de plantas por hectare e maior segurança na colheita. Já a prática de utilizar sementes salvas representa riscos consideráveis, como desuniformidade, presença de patógenos e baixo vigor, o que compromete todo o ciclo produtivo.

Solo preparado é base para colheitas

No entanto, a qualidade da semente por si só não é suficiente. O desempenho da lavoura também depende da condição do solo, que deve estar pronto para receber o plantio. Antes mesmo de entrar com as máquinas, o produtor precisa avaliar a fertilidade, a textura, a compactação e a presença de resíduos. Correções químicas, como a aplicação de calcário e gesso agrícola, e intervenções mecânicas, como o uso de subsoladores e escarificadores, fazem parte desse processo de preparo.

Além disso, o manejo adequado das máquinas agrícolas é cada vez mais decisivo. Trânsito excessivo de implementos pesados pode causar compactação, um dos maiores vilões silenciosos da agricultura, que reduz a infiltração de água e dificulta o desenvolvimento radicular. Paralelamente, a adoção de técnicas de conservação, como curvas de nível, terraços e o plantio direto, ajuda a preservar a estrutura do solo, ampliando sua longevidade produtiva.

O combate antecipado às invasoras

Outro fator essencial nesta fase inicial é o controle de plantas daninhas. Espécies resistentes, como buva, capim-amargoso e caruru, têm desafiado os produtores em diferentes regiões do país. Elas competem por água, luz e nutrientes, reduzindo o potencial da cultura principal. Além disso, muitas servem de hospedeiras para pragas e doenças, aumentando os custos de manejo fitossanitário ao longo da safra.

O controle antecipado com herbicidas dessecantes reduz a pressão das invasoras e facilita a instalação da lavoura. Estudos de campo apontam que falhas nessa etapa podem comprometer até 30% da produtividade. Nesse cenário, ganha espaço o manejo integrado, que combina rotação de culturas, uso de herbicidas com diferentes mecanismos de ação, manutenção de palhadas e tecnologias de aplicação de precisão, estratégias que reduzem a pressão de seleção de resistência e elevam a eficiência do controle.

Adubação de base: o alimento que a planta precisa antes de nascer

Com o solo corrigido e livre de plantas daninhas, chega o momento da adubação de base, prática fundamental no plantio. O fornecimento de nutrientes estratégicos, como fósforo, potássio, enxofre, cálcio e micronutrientes, garante o vigor inicial da cultura. O fósforo, por exemplo, é essencial para o enraizamento e deve ser aplicado próximo à semente, já que apresenta baixa mobilidade no solo.

A eficiência da adubação também depende do pH do solo. Em áreas ácidas, comuns no Cerrado brasileiro, a correção com calcário deve ser realizada meses antes para evitar perdas de eficiência. Tecnologias mais recentes, como fertilizantes de liberação controlada, organominerais e inoculantes biológicos, têm conquistado espaço ao melhorar o aproveitamento dos nutrientes e reduzir o desperdício. A agricultura de precisão, com o uso de mapas de aplicação, também contribui para um manejo mais ajustado, garantindo doses específicas de acordo com a necessidade de cada talhão.

O futuro da lavoura começa antes da semeadura

O Dia da Semente reforça uma mensagem central para o agronegócio: a produtividade não depende de uma única decisão isolada, mas de um conjunto de práticas integradas. Escolher sementes de qualidade, preparar o solo, controlar plantas daninhas antecipadamente e realizar uma adubação equilibrada formam a base de uma lavoura rentável e sustentável.

 Cada escolha feita pelo produtor nesta fase pré-plantio determina a eficiência das tecnologias aplicadas ao longo da safra e define, em grande medida, o tamanho e a qualidade da colheita que chegará ao mercado meses depois.





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o selo que valoriza a agricultura familiar com origem e tecnologia


Quando começou a produzir mandioca, em três hectares, no sítio onde mora, em Boa Esperança do Norte (MT), a agricultora Joyce Ferreira acreditava no potencial da sua produção.  Esta convicção aumentou depois que ela e outros 16 pequenos produtores rurais da região médio-norte de Mato Grosso alcançaram o Selo de Identificação de Origem da Agricultura Familiar, uma iniciativa da Associação Clube Amigos da Terra – CAT Sorriso.

O selo que atesta as boas práticas agrícolas e a qualidade do produto vendido pela Joyce, tem pouco mais de 1 ano e já gerou muitos resultados. “Aumentou a renda da minha propriedade em 30%. Consegui novos mercados, expandindo as vendas para outros municípios, porque eles viram que têm garantia de procedência. Gerou reconhecimento!”, afirma a produtora rural, Joyce Ferreira.

Atualmente, a agricultora comercializa 1.200 kg de mandioca beneficiada por mês para supermercados, feiras e para a merenda escolar dos municípios de Boa Esperança do Norte e Santa Rita do Trivelato. O legume é entregue sem casca e congelado. Na embalagem, há o selo com um QR Code, que leva os consumidores para uma plataforma digital com informações sobre o produtor, detalhes e imagens da propriedade, métodos utilizados no plantio e cuidados aplicados na produção. “Mudou 100% a transparência dos meus produtos. Os clientes e parceiros fazem questão de escanear, saber a história por trás daquele alimento. Agregou valor ao nosso trabalho”, destaca Joyce.

A rastreabilidade também se tornou um diferencial para o melão cultivado e vendido pela produtora rural Elizane da Silva, de Sorriso (MT). Nas gôndolas dos supermercados da cidade, a fruta divide espaço com o melão colhido no nordeste do país. “O selo diferencia e agrega valor à produção local”, assegura Elizane.

O QR Code nas embalagens de hortifrutigranjeiros desperta tanto interesse que algumas propriedades já recebem visitas dos consumidores. “Na feira, a curiosidade deles é tão grande que pedem para visitar a chácara”, é o que conta a produtora rural Marilde de Olímpia Rossi Ferla, que tem cultivos no município de Vera (MT). Na chácara da família, é feito o plantio de cenoura, brócolis, beterraba, couve-flor, outras hortaliças e frutas. Toda essa variedade de alimentos ocupa uma área de 9 hectares da propriedade.

Selo valoriza produção com responsabilidade ambiental e rastreabilidade

O Selo de Identificação de Origem da Agricultura Familiar – no Coração de Mato Grosso é promovido pelo CAT Sorriso, por meio do projeto Cultivando Vida Sustentável, que tem o apoio da organização IDH e da empresa Cargill. A meta é atingir os 16 municípios da região médio-norte de Mato Grosso. Segundo o CAT, os produtores rurais que desejam conquistar o selo precisam atender a três critérios principais: gestão da propriedade, responsabilidade ambiental e boas práticas de produção.

Na gestão, é exigido que o agricultor tenha documentos como CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar) e CAR (Cadastro Ambiental Rural), além de manter um Caderno do Produtor, com registros detalhados de sua produção, como: custos, aplicações de insumos e capacidade produtiva.

Já a responsabilidade ambiental envolve ações como separação de resíduos, compostagem doméstica (com restos da cozinha) e compostagem em leiras, que transforma resíduos agrícolas em adubo reutilizável. “A primeira adaptação que exigiram na minha propriedade foi o lixo zero. Antes, por falta de conhecimento, nós descartávamos de forma irregular.  Hoje, eu agradeço ao CAT por esse incentivo e temos orgulho de fazer tudo certo”, comemora a agricultora Marilde Rossi Ferla.

Outra exigência para certificação são as boas práticas de produção, o uso responsável de agroquímicos, com controle do período de carência antes da comercialização. Para produtos de origem animal, é obrigatória a adesão a sistemas de inspeção (municipal, estadual ou federal), garantindo a segurança alimentar e a procedência dos alimentos.

“O selo assegura ao consumidor que o produto tem origem conhecida, qualidade garantida e foi produzido com responsabilidade”, afirma a assistente de projetos do CAT Sorriso, Andreia Sousa.

Tecnologia e inovação impulsionam a agricultura familiar

O grupo de 16 produtores rurais certificados, a partir da iniciativa e apoio do CAT Sorriso, deu um passo além do cultivo tradicional. Com foco em produtividade, sustentabilidade e acesso a novos mercados, os agricultores estão investindo em novas tecnologias de produção e comercialização.

Em Vera, a produtora Elizandra Vedovato Han transformou a propriedade da família com irrigação por microaspersão, uso de energia solar, adubação foliar orgânica e clonagem genética de mudas de mamão hermafrodita. “Buscamos mudas certificadas em laboratório, com alto potencial produtivo e uniformidade. É inovação no campo e no mercado”, conta Elizandra.

Em Sorriso, no assentamento Jonas Pinheiro, Adeni Becker mantém uma produção diversificada de hortaliças, com destaque para a alface hidropônica. A técnica garante colheita em apenas 35 dias e produção constante de mil pés da hortaliça por mês, destinados à merenda escolar, feiras e projetos sociais. “O selo nos ensinou a usar insumos com responsabilidade, respeitar o tempo de carência e melhorar nossos processos”, afirma Adeni.

No município de Boa Esperança do Norte, Joyce Ferreira aplicou pesquisa e genética no plantio de mandioca, com base em estudos da Embrapa. “Fomos atrás de ramas mais produtivas, com boa aceitação no mercado”, explica. A propriedade também adotou composteiras estáticas para transformar resíduos em biofertilizante, gerando autonomia e sustentabilidade.

Em Sorriso, Elizane da Silva cultiva pimentão em estufas com fertirrigação automatizada. “A tecnologia controla com precisão o horário e a quantidade de água liberada”, explica. No cultivo de melão, Elizane utiliza o mulching, técnica que cobre os canteiros com material plástico para preservar a umidade e controlar ervas daninhas. A produção também tem abelhas para polinização natural. “As abelhas ajudam no aumento de 30% da produtividade do melão”, explica.  Recentemente, a produtora ampliou a área com o plantio de 40 mil pés de abacaxi em sistema semi-intensivo.

“As agricultoras dessa região do médio-norte mato-grossense mostram que a agricultura familiar é moderna, sustentável e eficiente”, garante a coordenadora do CAT, Cristina Delicato.





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China assume liderança em inovação agroquímica



Entre 2020 e 2024, o país aprovou 85 novos pesticidas



Entre 2020 e 2024, o país aprovou 85 novos pesticidas baseados em 59 ingredientes ativos
Entre 2020 e 2024, o país aprovou 85 novos pesticidas baseados em 59 ingredientes ativos – Foto: Canva

A indústria chinesa de proteção de cultivos passa por uma transformação estrutural, segundo análise de Fabio Sgarbi, Founder & CEO da StrategicAg Consulting. Por décadas, o setor foi marcado pelo modelo pós-patente, focado em volume, baixo custo e agilidade no registro, mas sinais recentes apontam para uma mudança de mentalidade em direção à inovação, diferenciação e liderança tecnológica. Esse movimento pode reposicionar a China como protagonista global em agroquímicos, com reflexos diretos na competitividade do agronegócio mundial.

Entre 2020 e 2024, o país aprovou 85 novos pesticidas baseados em 59 ingredientes ativos, dos quais 67% são biopesticidas — um dado que mostra não apenas diversificação, mas também alinhamento com a agenda de sustentabilidade. No mesmo período, de 63 novos ingredientes ativos reconhecidos pela ISO em inglês, 29 tiveram origem chinesa, sinalizando reconhecimento internacional da inovação do país. 

Outro destaque é o incentivo à nanotecnologia, promovido pelo 14º Plano Quinquenal e regulamentado em 2024. Ensaios iniciais indicam que pesticidas nanoformulados, aplicados com drones, podem reduzir o uso em mais de 30%, combinando eficiência agronômica e menor impacto ambiental. Além disso, avanços em biossíntese, biopesticidas de RNA e aplicações microbianas começam a deixar os laboratórios para serem testados em escala comercial.

“A indústria de proteção de cultivos da China pode estar se perguntando agora: Por que continuar apenas com esforços em produtos pós-patente com margens baixas, se agora também podemos inovar e capturar mais valor no mercado? Certamente, nos próximos cinco anos, poderemos ver essa transição no mercado de defensivos na China, de “Me too” → “Me better” → “Me first” — e isso poderá redefinir as regras do jogo no agronegócio global”, conclui.

 





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