sexta-feira, abril 24, 2026

Política & Agro

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Seca gera preocupações para colheita de inverno no sudeste da Europa



Chuvas causam atrasos na colheita de verão




Foto: Pixabay

Segundo o Weekly Weather and Crop Bulletin, divulgado na terça-feira (29) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a Europa Ocidental enfrentou uma semana de chuvas moderadas a intensas, com precipitações variando entre 2 e 100 mm, afetando principalmente Inglaterra, França, Espanha e Itália. Esse cenário garantiu umidade adequada a excessiva para as culturas de inverno, mas atrasou a colheita de safras de verão. No entanto, chuvas mais intensas, variando de 100 a 320 mm, causaram inundações em áreas localizadas do leste da Espanha, sul da França e partes da Itália, especialmente no norte e oeste do país.

De acordo com o boletim, na Alemanha, as precipitações foram mais leves, abaixo de 5 mm, após um mês com chuvas acima do normal (200 a 300% da média), o que facilitou o trabalho de campo. Em contraste, o sudeste da Europa experimentou condições climáticas secas, agravando preocupações com a seca na Hungria e no Vale Central do Rio Danúbio, áreas críticas para o estabelecimento das culturas de inverno.

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Enquanto isso, o tempo seco e ensolarado favoreceu as operações agrícolas na Polônia e nos Estados Bálticos. No entanto, a falta de chuva nos últimos 30 dias reduziu a umidade superficial em partes da Lituânia e Letônia, com precipitações chegando a menos de 50% do normal.

As temperaturas na maior parte da Europa permaneceram entre 2 a 5°C acima da média, exceto pelo oeste da Espanha e o baixo Vale do Danúbio, que registraram temperaturas até 2°C abaixo do normal. O relatório também destaca que as culturas de inverno europeias entram em dormência geralmente a partir de novembro, em uma faixa que vai do nordeste ao sudoeste do continente.





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Qual é o improvável futuro do agro?



Atualmente, a produtividade agrícola cresce entre 1,5% a 2% ao ano



Atualmente, a produtividade agrícola cresce entre 1,5% a 2% ao ano
Atualmente, a produtividade agrícola cresce entre 1,5% a 2% ao ano – Foto: USDA

Marcos Rubin, fundador da Veeries, reflete sobre o futuro da agricultura inspirado por Vinod Khosla, um renomado investidor em tecnologia. Em um podcast, Khosla afirmou que “apenas o improvável é importante para avaliar o futuro”, ressaltando que os especialistas frequentemente olham para o passado ao projetar o futuro, o que limita a inovação. Rubin se questiona sobre o impacto que um aumento de 3%  na produtividade agrícola poderia ter, desafiando as expectativas atuais.

Atualmente, a produtividade agrícola cresce entre 1,5% a 2% ao ano, e a área plantada aumenta de 1% a 2% anualmente, com o Brasil liderando essa expansão. O consumo de proteína deve crescer com a renda, e a indústria de ração continua dependente de soja e milho. Tecnologias inovadoras estão otimizando a eficiência operacional na agropecuária, enquanto o comércio global de grãos segue em ascensão.

Contudo, Rubin sugere que devemos considerar cenários improváveis. Entre eles, uma revolução na produtividade agrícola com ganhos superiores a 3% ao ano poderia reduzir a necessidade de expansão de áreas cultivadas. Avanços genéticos poderiam permitir o cultivo em regiões antes inadequadas, e a indústria de ração poderia se reinventar com produtos sintéticos mais eficientes. Além disso, alternativas sintéticas para algodão, café e açúcar podem transformar o mercado, enquanto o combate à obesidade pode mudar hábitos alimentares globais. Essas considerações não são meras especulações; muitas inovações estão em andamento. Rubin convida todos a imaginar fatores improváveis que possam impactar a produção de commodities e o consumo de alimentos.





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Chuvas não aliviam seca prolongada na Ucrânia e Rússia



Chuvas insuficientes agravam situação de seca




Foto: Divulgação

O Weekly Weather and Crop Bulletin, divulgado nesta terça-feira (29) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indica que, após um breve período de chuvas, o clima seco voltou a prevalecer no leste da Ucrânia e no oeste da Rússia. Embora tenham ocorrido chuvas leves e esparsas, entre 2 e 10 mm, esses volumes não foram suficientes para aliviar a seca prolongada na região. O mais recente Índice de Saúde da Vegetação (VHI), obtido por satélite, revelou que a condição das colheitas permanece ruim a crítica em muitas dessas áreas, mesmo após a precipitação isolada na semana anterior.

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Em contraste, a Moldávia, o oeste e o centro da Ucrânia, e a Bielorrússia registraram condições completamente secas, favorecendo o trabalho de campo sazonal e o desenvolvimento das culturas de inverno após um setembro e uma primeira quinzena de outubro muito chuvosos. Nessas áreas, o VHI apontou uma saúde das colheitas variando de razoável a boa.

Ao longo da costa do Mar Negro, as temperaturas permaneceram próximas ou ligeiramente abaixo do normal, mas, mais ao norte, registraram-se leituras de até 4°C acima da média. O relatório também destaca que as culturas de inverno na região tendem a entrar em dormência do início de novembro nos distritos central e do Volga, na Rússia, até o final do mês ao longo da costa do Mar Negro.





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Dólar sobe em linha com emergentes com China e Oriente Médio em foco


Logotipo Reuters

Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar subia frente ao real nesta quarta-feira, em linha com a força da moeda dos EUA no exterior, à medida que investidores analisavam dados do IPCA de setembro, que vieram praticamente em linha com o esperado, e avaliavam os efeitos de fatores externos sobre as divisas de países emergentes.

Às 9h46, o dólar à vista subia 0,51%, a 5,5614 reais na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha alta de 0,37%, a 5,571 reais na venda.

Nesta sessão, o real acompanhava o movimento de seus pares emergentes, que ampliavam as perdas frente à moeda norte-americana diante de um cenário de incertezas para ativos de maior risco, com investidores aguardando notícias de China e Oriente Médio.

O governo chinês anunciou nesta quarta que o Ministério das Finanças realizará uma entrevista coletiva de imprensa no sábado para detalhar as medidas fiscais de estímulo que adotará para impulsionar a economia do país, um dia depois de os mercados se decepcionarem com a apresentação de um planejador estatal.

O otimismo pelas medidas de estímulo na China se dissipou na sessão de terça-feira, derrubando moedas de países emergentes, cujas exportações de diversas mercadorias, principalmente commodities, estão atreladas ao grande mercado consumidor da segunda maior economia do mundo.

“O pacote da China pode mexer bastante no mercado se for razoável ou até estimulador. Se houver um incentivo bem relevante, a tendência é que as commodities venham a subir, favorecendo exportadores de commodities como o Brasil”, disse Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

A aversão ao risco em mercados emergentes se mantinha nesta sessão, com o dólar avançando sobre divisas como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.

A moeda dos EUA ainda era beneficiada pelo cenário incerto no Oriente Médio, com investidores avaliando se a recente escalada nas tensões geopolíticas pode provocar uma guerra ampla entre Israel e Irã.

Por outro lado, os rendimentos dos Treasuries estavam praticamente estáveis, após forte avanço recente na esteira de movimento de reavaliação de expectativas sobre o ciclo de afrouxamento monetário do Federal Reserve.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,21%, a 102,700.

Todas as atenções na quinta-feira se voltarão à divulgação de novos dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos, com agentes financeiros em busca de sinais sobre a trajetória de juros do Fed.

Mais tarde nesta sessão, os mercados avaliarão a ata da mais recente reunião do banco central dos EUA, quando as autoridades decidiram reduzir a taxa de juros em 50 pontos-base a fim de enfrentar o enfraquecimento do mercado de trabalho.

No cenário doméstico, o foco estava nos dados do IPCA de setembro, divulgados na abertura da sessão. O índice acelerou para uma alta de 0,44% no mês, ante queda de 0,02% em agosto. Em 12 meses, a inflação brasileira chegou a 4,42%. Economistas esperavam alta de 0,46% no mês, segundo pesquisa da Reuters.

Após os dados, houve movimentação na curva de juros brasileira, com juros futuros subindo, à medida que a alta dos preços se aproximou do teto da meta de inflação de 4,50%, provocando consolidação de apostas de aumento da taxa Selic em novembro.





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“Boi China” registra com nova alta em São Paulo



Cotação segue subindo em São Paulo




Foto: Kadijah Suleiman

De acordo com o informativo “Tem Boi na Linha” da Scot Consultoria desta quarta-feira (30), o mercado de carne bovina iniciou o dia com valorização nos preços, impulsionado pela oferta restrita de animais e pela crescente demanda internacional. O preço da arroba do “boi China” e da vaca gorda teve um acréscimo de R$5,00. Já para o boi comum, a alta foi de R$3,00/@.

No Sul da Bahia, o mercado abriu com aumento generalizado de R$5,00/@ para todas as categorias destinadas ao abate, refletindo o cenário de oferta limitada.

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No Tocantins, tanto na região Sul quanto na região Norte, o valor da arroba do boi gordo subiu R$5,00, acompanhando a tendência de alta demanda e baixa oferta. Na região Sul, a cotação da vaca e da novilha também apresentou alta, com reajuste de R$3,00/@. Entretanto, o preço do “boi China” permaneceu estável no estado.

Até a quarta semana de outubro, o volume exportado de carne bovina in natura alcançou 236,2 mil toneladas, com uma média diária de 12,4 mil toneladas. Esse resultado representa um crescimento de 40,2% em relação ao mesmo período de 2023.

O preço médio por tonelada foi de US$4,6 mil, gerando um faturamento 0,9% superior ao mesmo período do ano anterior. A expectativa é que o volume exportado em outubro ultrapasse o recorde de setembro de 2024, consolidando um novo marco para as exportações mensais de carne bovina.





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Chuvas intensas e frio atingem Oriente Médio



Oriente Médio apresentou condições variadas durante a última semana




Foto: Divulgação

O Weekly Weather and Crop Bulletin, divulgado na terça-feira (29) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), informa que o clima no Oriente Médio apresentou condições variadas durante a última semana. A região experimentou um tempo seco e muito frio nas áreas oeste e central, seguido pela primeira chuva considerável da estação em partes do Irã. Uma baixa atmosférica se deslocou do leste da Síria para o Irã, trazendo o ar mais frio registrado até agora.

De acordo com os dados do USDA, as temperaturas médias semanais ficaram entre 3°C e 7°C abaixo do normal do Planalto da Anatólia, na Turquia central, até o oeste do Irã. No entanto, o calor anormal permaneceu à frente do sistema de baixa, com registros de até 5°C acima do normal no sudeste iraniano. Na Turquia central, foi observado o primeiro congelamento da estação, com temperaturas entre -4°C e -1°C, embora a média semanal de 10°C ainda esteja acima do limite de dormência das safras de inverno, que ocorre em temperaturas de 5°C ou menos.

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O tempo seco prevaleceu da Turquia central até o Iraque e o centro-oeste do Irã, mas um vento vindo do norte ao longo da costa oriental do Mar Negro provocou fortes chuvas orográficas, registrando volumes de 55 a 215 mm na região. Enquanto isso, no Irã, chuvas moderadas a intensas, entre 10 mm e 70 mm, marcaram o primeiro evento significativo de umidade do Ano Hidrológico de 2024-25, essencial para o estabelecimento dos grãos de inverno.

No nordeste da Turquia, um vento proveniente do Mar Cáspio trouxe chuvas intensas para comunidades costeiras no centro-norte do Irã, registrando até 275 mm de precipitação. Embora essas chuvas tenham causado danos localizados à infraestrutura, não afetaram diretamente as principais áreas de cultivo do país, conforme apontou o boletim.





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Plantio de milho avança na Argentina



Chuva beneficiou as culturas de inverno




Foto: Canva

As áreas agrícolas de maior rendimento da Argentina receberam chuvas intensas nos últimos dias, de acordo com o Weekly Weather and Crop Bulletin divulgado nesta terça-feira (29) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A precipitação beneficiou as culturas imaturas de inverno e as lavouras de verão em estágio inicial de desenvolvimento.

As chuvas mais intensas, variando entre 50 e 125 mm, concentraram-se nas regiões centrais e sul de Córdoba, noroeste de Buenos Aires e áreas próximas em La Pampa, Santa Fé e Entre Rios. Outras áreas registraram precipitações entre 10 e 50 mm, enquanto a seca se manteve restrita ao extremo norte do país, abrangendo uma ampla região de Santiago del Estero até o Paraguai, além de alguns pontos no sul de Buenos Aires.

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O período chuvoso veio acompanhado de temperaturas acima da média para esta época do ano, com elevações de 2 a 4 °C em relação ao normal. As temperaturas diurnas oscilaram entre 30 °C nas áreas agrícolas mais secas do norte e 20 a 30 °C no sul de Buenos Aires.

Segundo o governo argentino, o plantio de girassol avançou para 35% da área prevista até 24 de outubro, 9 pontos percentuais à frente do ritmo registrado no ano passado. O milho, por sua vez, alcançou 24% da área plantada, comparado a 20% no mesmo período de 2023. Já o plantio de algodão segue em andamento no norte de Santa Fé e regiões vizinhas.





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Chuvas impulsionam o plantio de soja e outras culturas de verão no Brasil



Chuvas beneficiam culturas de verão no Sul e interrompem colheita de trigo




Foto: Divulgação

Segundo os dados do Weekly Weather and Crop Bulletin divulgado nesta terça-feira (29) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o início contínuo das chuvas sazonais tem melhorado as condições para a soja e outras culturas de verão em grande parte do Brasil. As precipitações, variando entre 10 e 100 mm, cobriram áreas anteriormente secas na região Centro-Oeste, especialmente em Goiás e partes vizinhas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No entanto, em regiões como o oeste da Bahia e outras áreas produtivas do Nordeste, as chuvas permaneceram esparsas, com volumes inferiores a 25 mm.

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Apesar da recuperação parcial das chuvas, as temperaturas altas, com máximas próximas a 40 °C, mantiveram elevadas as taxas de evaporação em áreas mais quentes do Norte do país. Mesmo com essas adversidades climáticas, o governo do Mato Grosso informou que o plantio da soja avançou para 56% até 25 de outubro, um salto de 31 pontos percentuais em relação à semana anterior, ficando apenas seis pontos atrás da média dos últimos cinco anos.

No Sul do país, as chuvas, variando entre 10 e 50 mm, e pontualmente mais intensas, favoreceram o desenvolvimento das culturas de verão, como a cana-de-açúcar, mas também causaram interrupções localizadas na colheita do trigo. O calor, com máximas na faixa dos 30 °C, manteve o crescimento acelerado das lavouras em estágio inicial.

No Paraná, o governo estadual informou que a colheita de trigo atingiu 87% até 21 de outubro. O plantio do milho de primeira safra e da soja no estado avançou para 95% e 62%, respectivamente. No Rio Grande do Sul, até 24 de outubro, o plantio de milho e soja chegou a 68% e 3%, respectivamente, enquanto a colheita do trigo foi concluída em 29%.





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Clima beneficia cinturão do milho na África do Sul



Chuvas intensas em KwaZulu-Natal e Rio Orange beneficiam cana-de-açúcar




Foto: Canva

Segundo o Weekly Weather and Crop Bulletin, divulgado nesta terça-feira (29) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as chuvas moderadas a intensas que atingiram a África do Sul recentemente trouxeram uma melhoria na umidade do solo, favorecendo as safras de verão que dependem das chuvas. As precipitações variaram entre 25 e 100 mm em áreas como Mpumalanga, estendendo-se para o sul até a Costa Indiana e avançando a oeste pelo Cabo Oriental.

Em Mpumalanga, onde o plantio das safras de verão já estava em andamento, as chuvas foram especialmente benéficas. As regiões ocidentais e centrais do cinturão do milho, abrangendo o Noroeste, Estado Livre e Gauteng, também receberam volumes consideráveis de precipitações, chegando localmente a 25 mm. Embora as chuvas tenham chegado cedo em algumas áreas mais a oeste, a umidade acumulada ajudará a preparar os campos para o início do plantio, previsto para novembro e dezembro, período tradicional para essas lavouras.

Em KwaZulu-Natal, foram registradas as maiores precipitações da temporada até o momento, alcançando localmente 100 mm. Essas chuvas têm grande importância para o desenvolvimento da cana-de-açúcar. Já na região oeste, precipitações acima de 25 mm ocorreram nas bacias hidrográficas superiores do Rio Orange, o que eventualmente beneficiará as safras irrigadas de verão, especialmente milho e algodão, em áreas mais baixas do rio.

As temperaturas médias nas principais regiões de cultivo de milho mantiveram-se dentro de 1°C da média histórica, com máximas diurnas variando de 20°C em Mpumalanga a 30°C em áreas mais ao norte e oeste.





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Setor lácteo prevê 2025 positivo, mas com desafios


O setor lácteo brasileiro projeta um 2025 positivo, mas com alguns desafios para a manutenção da rentabilidade da atividade no médio prazo. A projeção alicerçada em estudos capitaneados pela Embrapa Gado de Leite foi debatida na manhã desta terça-feira (29/10) entre lideranças do setor industrial e dos produtores gaúchos durante reunião mensal do Conseleite, na sede do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat/RS), em Porto Alegre (RS). 

Em uma apresentação densa e repleta de reflexões que dialogam com a realidade do Rio Grande do Sul, o economista e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Glauco Carvalho, alertou que a estabilidade dos preços do leite vem sendo mantida por um crescimento econômico projetado em 3% do PIB para 2024, sustentado pela expansão do crédito, consumo das famílias e gastos do governo. No entanto, um arrojo maior nos investimentos é necessário para sustentar o desenvolvimento no longo prazo, alerta Carvalho. No setor lácteo, há ameaças reais no horizonte, entre elas, está a falta de competitividade do leite brasileiro frente aos importados, que seguem ingressando no Brasil a taxas crescentes. A apresentação do especialista foi viabilizada por meio de parceria entre o Conseleite, Sindilat/RS e a Fecoagro.

Com produção estagnada, o mercado brasileiro torna-se um prato cheio para a produção externa. De janeiro a setembro de 2024, a importação de lácteos cresceu 6%. Um cenário motivado apenas por questões de mercado uma vez que, enquanto o preço do leite em pó no Brasil é de R$ 27,87, o importado chega ao Brasil a R$ 20,28. “A importação tende a seguir elevada, pois o produto importado está mais competitivo. A medida do governo para limitar a importação tirou o laticínio da jogada, mas as compras seguem via tradings e varejistas”, disse citando também a abertura de um nicho de companhias que vêm operando no porcionamento de produtos para redistribuição no mercado interno. “O que preocupa é que nossa produção está perdendo participação no abastecimento doméstico”, alertou.

O segredo para o equilíbrio está em tornar a produção nacional mais competitiva, reduzindo custos de produção. Um modelo que, segundo o presidente do Sindilat/RS, Guiherme Portella, já foi exitoso ao fundamentar a expansão do setor avícola brasileiro. “Com base na redução de custos por quilo, se conseguiu elevar o consumo interno, expandir produção e, só então, achar o caminho das exportações”, comparou. Segundo ele, a tendência deve estar atrelada à valorização do produtor eficiente, independentemente do tamanho e produção mensal. 

Outra potencialidade indicada pelo pesquisador da Embrapa é a exploração de nichos de maior valor agregado e que trabalhem o consumo dentro da fatia populacional que o Brasil dispõe hoje, com boa parte da população mais velha. Com o baixo crescimento demográfico e com a renda relativamente estagnada na última década, o caminho é explorar potencialidade e funcionalidades, criando demandas em novas faixas de idade e renda. “Aqui temos o papel da inovação e a possibilidade de trabalhar itens diferentes para rendas diferentes. É importante explorar nichos de mercado e inovar, para melhorar as vendas”. 

Segundo ele, a rentabilidade das operações com produtos como leite UHT e queijo muçarela vem reduzindo no tempo, sendo necessários importantes ganhos de eficiência na indústria para manter rentabilidade, citando características intrínsecas do mercado lácteo que o colocam nessa situação, como alta pulverização industrial, baixo poder de negociação e achatamento de margens no setor.

Riscos do clima

Glauco Carvalho apresentou dados que confirmam o impacto dos episódios climáticos na produção brasileira. Segundo ele, as enchentes no Rio Grande do Sul promoveram um declínio imediato de 750 mil litros/dia na bacia leiteira gaúcha no mês de maio. O impacto foi continuado e, apesar do patamar de produção ter se recuperado, verifica-se, no campo, uma difícil retomada. O principal motivo é a falta de comida abundante para acelerar a produção das vacas, o que indica que a coleta a pleno só deve ocorrer em um novo ciclo de produção de forragens.

Os impactos climáticos na produção não se limitaram ao RS. De acordo com dados da Embrapa, no mês de setembro, houve aumentos de até 3°C na temperatura em um cinturão que cruza o Brasil de Sul e Norte. “Isso teve muito impacto na produção nos últimos meses”, salientou o especialista, sinalizando que a situação deve se normalizar no próximo trimestre com temperaturas e precipitações mais próximas da média histórica.  





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