sexta-feira, maio 1, 2026

Política & Agro

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Câmbio vira o jogo e mexe com preços da soja



Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram o dia com ganhos moderados


Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram o dia com ganhos moderados
Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram o dia com ganhos moderados – Foto: Divulgação

O mercado da soja apresentou leve recuperação nas negociações internacionais, em um cenário marcado por oscilações cambiais e ajustes nas expectativas de oferta e demanda. De acordo com a TF Agroeconômica , o movimento foi influenciado principalmente pela valorização do real frente ao dólar, fator que reduziu a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.

Na Bolsa de Chicago, os contratos encerraram o dia com ganhos moderados. O vencimento de maio subiu 0,32%, enquanto julho avançou 0,30%. O farelo acompanhou a tendência positiva, mas o óleo de soja recuou mais de 3%, pressionado pela queda do petróleo, apesar de ainda acumular valorização expressiva no ano. O mercado também ajusta posições diante da expectativa de leve aumento nos estoques finais dos Estados Unidos.

No Brasil, o avanço da colheita no Rio Grande do Sul ganhou ritmo no início de abril, passando de 10% para 23% da área. Ainda assim, a produtividade média segue abaixo do esperado, impactada pela falta de chuvas em regiões importantes. Mesmo com relatos de doenças, os efeitos sobre a produção são limitados nesta fase final das lavouras. A menor oferta regional tem sustentado os preços no estado.

Em Santa Catarina, o mercado físico opera com estabilidade, refletindo a ausência de novos dados oficiais e um ambiente de cautela entre os agentes. Já no Paraná, a pressão da oferta e a queda do dólar influenciam negativamente as cotações no interior, ampliando as diferenças regionais.

No Centro-Oeste, o destaque é o avanço da colheita em Mato Grosso do Sul, que já supera 86%, enquanto cresce a preocupação com a forte queda na importação de fertilizantes. Em Mato Grosso, a safra recorde consolida a liderança nacional, com boa transição para o milho safrinha e preços variando conforme a logística e a demanda.





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Milho despenca e dólar acende alerta no mercado


O mercado de milho apresentou recuo nas cotações, influenciado por fatores cambiais, externos e pelo avanço da safra em diferentes regiões produtoras. A análise foi divulgada pela TF Agroeconômica.

Na B3, os contratos futuros fecharam em baixa, pressionados pela queda em Chicago e, principalmente, pela desvalorização do dólar, que atingiu R$ 5,10, o menor patamar desde maio de 2024. O cenário reduz a competitividade das exportações brasileiras. Além disso, o encerramento da colheita de verão e o avanço do plantio da safrinha, com melhora climática em parte das áreas, contribuíram para o movimento de queda.

Os contratos com vencimento em maio, julho e setembro de 2026 registraram perdas tanto no dia quanto na semana, refletindo o ambiente de maior oferta e menor sustentação externa.

No mercado físico, o comportamento segue heterogêneo entre os estados do Sul. No Rio Grande do Sul, a liquidez permanece baixa, com compradores priorizando estoques próprios. Os preços variam entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca, com estabilidade na média estadual. A produção apresenta variações importantes devido à irregularidade das chuvas.

Em Santa Catarina, o mercado também segue travado, com diferença entre pedidas e ofertas limitando os negócios. Enquanto vendedores indicam valores próximos de R$ 75,00, a demanda gira ao redor de R$ 65,00 por saca, mantendo negociações pontuais.

No Paraná, o cenário é semelhante, com baixa fluidez e incertezas relacionadas à segunda safra. O clima irregular, com calor e chuvas mal distribuídas, impacta o potencial produtivo e dificulta o manejo das lavouras, embora ainda haja sustentação parcial nos preços.

Já em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 49,00 e R$ 58,00 por saca, com negociações pontuais. O setor de bioenergia segue como importante fator de suporte, embora o mercado continue competitivo e com atuação cautelosa dos agentes.

 





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Trigo emperra e custo do frete dispara alerta



No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais


No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais
No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais – Foto: Canva

O mercado de trigo no Sul do Brasil segue com movimentações limitadas e preços sustentados por fatores logísticos e sazonais. De acordo com a TF Agroeconômica, o ritmo de negociações permanece lento, refletindo o foco dos produtores em outras culturas e o impacto dos custos de frete.

No Rio Grande do Sul, os negócios continuam pontuais, em meio à colheita da soja e à baixa disposição de venda. Moinhos evitam aquisições neste momento, pressionados por fretes elevados, que variam entre R$ 1.200 e R$ 1.250 no interior, conforme qualidade e local de armazenagem. Há registros de negociações a R$ 1.300 CIF para maio, com pagamento antecipado em abril, enquanto vendedores pedem até R$ 1.350 no interior. O volume segue reduzido. No mercado externo, o trigo argentino deixou de ser ofertado recentemente, embora haja previsão de chegada de carga uruguaia em Porto Alegre. Já o preço ao produtor teve alta de 3,51% em Panambi, passando de R$ 57,00 para R$ 59,00 por saca.

Em Santa Catarina, o abastecimento segue baseado no trigo gaúcho, acrescido de frete e ICMS, além da oferta local, ambos na faixa de R$ 1.300 CIF, ainda que com menor disponibilidade. Os preços pagos aos produtores permaneceram estáveis na maior parte das praças, com variações pontuais e leve alta em algumas regiões.

No Paraná, as cotações se mantêm firmes, com negócios ao redor de R$ 1.350 CIF moinho. Compradores relatam dificuldade em repassar custos, enquanto vendedores elevam as pedidas para R$ 1.400, sem negócios confirmados nesse patamar. A colheita de soja e milho segue como prioridade dos produtores. A presença de trigo gaúcho e paraguaio, este último com preços ligeiramente inferiores, contribui para limitar avanços mais expressivos. Nesta semana, não houve oferta de trigo argentino, apenas produto paraguaio cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto em Ponta Grossa.

 





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O que está por trás da virada nos preços do açúcar



O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio


O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio
O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio – Foto: Pixabay

A evolução recente das vendas no setor açucareiro indica uma mudança no equilíbrio de mercado e pode influenciar o comportamento dos preços nos próximos meses. O avanço nas fixações contribui para reduzir pressões que vinham limitando movimentos mais consistentes de valorização.

No Centro-Sul, os produtores entraram na safra 2026/27 em condição mais ajustada após intensificarem as fixações ao longo de março. Segundo a StoneX, o percentual vendido saltou de 41,8% para 59,5%, diminuindo a diferença em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando o índice estava em 68,7%. A defasagem, que já chegou a 20 pontos percentuais, recuou para cerca de 10 pontos.

O ambiente de preços mais firmes no mês foi influenciado por tensões no Oriente Médio, que levaram à redução de posições vendidas por agentes especulativos. Ao mesmo tempo, produtores aproveitaram a janela de liquidez para avançar nas vendas, o que ajudou a conter uma alta mais acentuada das cotações.

Esse movimento, embora tenha limitado ganhos no curto prazo, altera a dinâmica do mercado. A recomposição das fixações reduz a pressão vendedora que atuava como barreira informal às altas, criando um cenário mais equilibrado entre oferta e demanda.

“O mercado passa a operar em uma condição mais equilibrada, com menor resistência do lado produtor a movimentos de alta”, avalia a consultora em Gerenciamento de Riscos da StoneX, Nathalia Bruni. “Se os fundamentos encontrarem um novo gatilho de alta, a resistência do lado produtor tende a ser menor do que foi observado anteriormente”, completa.

 





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Mercados agrícolas reagem a tensões externas



A soja opera em alta
A soja opera em alta – Foto: Divulgação

Os mercados agrícolas iniciam o dia com recuperação nas cotações internacionais, refletindo um ambiente de maior incerteza geopolítica e movimentações nos mercados financeiros. De acordo com a TF Agroeconômica, a abertura desta quarta-feira mostra ganhos nos principais contratos de grãos, com destaque para trigo, soja e milho.

No trigo, os contratos em Chicago avançam após a liquidação de posições por fundos de investimento no pregão anterior. O movimento de recompra ocorre em meio às tensões no Oriente Médio e às restrições no Estreito de Ormuz, que voltam a impactar o comércio global. A desvalorização do dólar frente ao euro também contribui para melhorar a competitividade das exportações americanas, enquanto a previsão de chuvas nas regiões produtoras dos Estados Unidos limita altas mais expressivas. O mercado acompanha ainda a divulgação do relatório WASDE.

A soja opera em alta, puxada principalmente pela valorização do óleo, em um cenário de volatilidade no petróleo. As tensões geopolíticas seguem como fator de sustentação, enquanto no Brasil a colheita avança para 82%, acima da média histórica. Na China, há sinais de enfraquecimento da demanda industrial, com queda no processamento e aumento dos estoques. O câmbio também pesa sobre o mercado interno, com a recente desvalorização do dólar frente ao real pressionando os preços.

No milho, os contratos acompanham o movimento positivo do petróleo, apesar da cautela persistente em relação ao cenário internacional. O cessar-fogo envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel apresenta sinais de instabilidade, e a logística global segue afetada, com centenas de embarcações ainda paradas no Golfo Pérsico.

 





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Alta generalizada acende alerta no mercado agrícola


O mercado global de agroquímicos atravessa um período de forte pressão nos custos de produção, com reflexos diretos sobre preços e oferta. Segundo análise do engenheiro agrônomo Rafael Gomes, baseada em dados coletados junto a parceiros de mercado e preços FOB China, esse movimento é influenciado principalmente pelo cenário chinês, referência na formação de preços internacionais.

O avanço dos custos está ligado a fatores como tensões geopolíticas, alta nos preços de energia e desequilíbrios na cadeia global de suprimentos. Ao mesmo tempo, mudanças regulatórias em diferentes países têm ampliado as despesas de produção, afetando a sustentabilidade do fornecimento.

Diversas matérias-primas já registram valorização, entre elas fenol, bromo, enxofre, metanol, isopropanol, dietanolamina, além de solventes e adjuvantes utilizados nas formulações. Esse encarecimento tem impacto direto sobre produtos finais e intermediários da indústria.

O glifosato técnico acumula alta próxima de 25% desde janeiro, impulsionado por aumentos em toda a cadeia produtiva, incluindo metanol, álcalis líquidos, glicina, formaldeído, paraformaldeído e cloro líquido. A elevação, portanto, deixa de estar concentrada em um único insumo e passa a refletir um movimento mais amplo.

Outros ativos também apresentam variações expressivas no período, como thiamethoxam, com alta de até 30%, chlorantraniliprole, que chega a 70%, além de lambda-cialotrina e bifentrina, com avanços de 23% e 20%, respectivamente.

Outro fator relevante veio da China, que anunciou em janeiro o cancelamento do reembolso de impostos sobre exportação para diversos produtos, com vigência a partir de abril de 2026. A medida atinge ativos como glufosinato, acefato, malathion, profenofos e ethephon, elevando imediatamente os preços FOB em cerca de 9%.





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Alta silenciosa pode encarecer sua comida


A elevação dos custos de combustíveis na aviação agrícola tem ampliado a pressão sobre a produção rural e acendido um alerta para possíveis impactos nos preços dos alimentos e na economia. O movimento recente indica um cenário de alta relevante nos insumos energéticos utilizados nas operações aéreas, com efeitos diretos e indiretos em toda a cadeia produtiva.

Levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (SINDAG), realizado em abril de 2026 com 30 empresas distribuídas em nove estados, mostra que os combustíveis mais utilizados na atividade registraram aumentos expressivos. A gasolina de aviação (AVGAS) teve alta média de 67,3%, passando de R$ 8,36 para R$ 13,99, enquanto o querosene de aviação (QAV) subiu 51,6%, de R$ 5,58 para R$ 8,46. Já o etanol e o diesel apresentaram variações menores, de 6,9% e 7,7%, respectivamente.

Como a maior parte da frota utiliza AVGAS e QAV, os impactos são mais intensos nas operações com aeronaves tripuladas. O aumento dos combustíveis tem refletido diretamente nos custos das empresas, com elevação entre 14% e 40%, e média próxima de 25%. Diante disso, o repasse aos clientes já supera 10% em algumas regiões.

O índice de inflação da aviação agrícola chegou a registrar queda em fevereiro, mas a estimativa para março aponta forte alta, impulsionada pela valorização do câmbio e pelo encarecimento de insumos energéticos. Esse cenário reforça a tendência de pressão inflacionária no setor.

Segundo o levantamento, o efeito não se limita às empresas. A aviação agrícola atende regiões que concentram a maior parte da produção nacional, o que amplia o alcance dos impactos. Com mais de 40% das exportações brasileiras concentradas em produtos agropecuários e forte dependência da operação aérea, o aumento de custos tende a se refletir nos preços internos, na competitividade e na balança comercial.


 





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Emoção pode ser a chave para atitudes sustentáveis



O estudo foi liderado pela Universidade de Coimbra


O estudo foi liderado pela Universidade de Coimbra
O estudo foi liderado pela Universidade de Coimbra – Foto: Divulgação

A relação entre emoções e comportamento tem ganhado destaque nos estudos sobre alterações climáticas, especialmente na forma como o desconforto psicológico pode influenciar atitudes sustentáveis. Uma investigação recente indica que níveis moderados de preocupação com a crise climática podem estimular ações concretas em prol do ambiente, contribuindo para mudanças no comportamento individual.

O estudo foi liderado pela Universidade de Coimbra, no âmbito da linha de investigação em Psicologia das Alterações Climáticas do Instituto de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina. A análise envolveu 577 adultos da população portuguesa e avaliou a ligação entre características pessoais positivas, como empatia, altruísmo e conexão com a natureza, e a adoção de práticas sustentáveis.

Os resultados mostram que indivíduos com níveis mais elevados dessas características tendem a adotar comportamentos pró-ambientais com maior frequência. Além do efeito direto, os investigadores identificaram um impacto indireto mediado pelas emoções associadas às alterações climáticas. Níveis moderados de preocupação e mal-estar funcionam como impulso para ações como reduzir o consumo de recursos, escolher meios de transporte mais ecológicos e apoiar políticas ambientais.

Por outro lado, o estudo alerta que o sofrimento psicológico intenso pode ter efeito contrário, tornando-se paralisante e prejudicial ao funcionamento diário. A investigação contribui para a compreensão dos fatores psicológicos envolvidos na resposta social à crise climática e aponta caminhos para estratégias de comunicação e intervenção que incentivem atitudes sustentáveis sem agravar o sofrimento emocional.

 





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Safra 26/27 entra em alerta com disparada de custos



As estimativas consideram alguma acomodação nos preços


As estimativas consideram alguma acomodação nos preços
As estimativas consideram alguma acomodação nos preços – Foto: United Soybean Board

O avanço das tensões no Oriente Médio passou a influenciar diretamente o planejamento da próxima safra brasileira, ainda em fase de definição de custos e estratégias produtivas. Segundo a Veeries, o cenário internacional já se consolidou como um fator estrutural para a temporada 2026/27, independentemente da duração de um eventual cessar-fogo anunciado recentemente.

Em pouco mais de um mês, os preços dos insumos, especialmente fertilizantes, registraram alta significativa em todas as culturas. Esse movimento tem levado produtores a revisar planos de plantio, com tendência de redução de área e maior cautela nas decisões. O ambiente de incerteza interrompe o ritmo de comercialização e reforça a postura de espera no campo.

As avaliações foram apresentadas no Market Update Grãos de abril, divulgado aos clientes da consultoria, enquanto os impactos sobre as compras de insumos aparecem no relatório Farmer Purchases, também de divulgação mensal. Os dados indicam que a elevação de custos já afeta diretamente o desenho da próxima safra.

A soja, por apresentar maior resiliência à redução no uso de fertilizantes, deve registrar a menor expansão de área em duas décadas. Ainda assim, o crescimento será limitado. Outras culturas tendem a enfrentar retração mais intensa, com projeções de queda relevante para trigo, arroz e algodão.

As estimativas consideram alguma acomodação nos preços dos insumos ao longo dos próximos meses. No entanto, a continuidade do conflito e possíveis instabilidades em rotas estratégicas de abastecimento podem ampliar as perdas de área. Com margens já pressionadas, o produtor brasileiro enfrenta dificuldades para absorver novos aumentos de custos, o que reforça o cenário de cautela para a safra 26/27.

 





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Manejo de plantas daninhas garante exportação de grãos


Palestra da Embrapa na TecnoShow Comigo revela como a sanidade vegetal é crucial para a manutenção das exportações brasileiras de grãos

“Plantas daninhas quarentenárias: o papel do produtor na garantia do acesso ao mercado externo” foi o tema da palestra apresentada pelo pesquisador Alexandre Ferreira da Silva, da Embrapa Milho e Sorgo, no segundo dia da TecnoShow Comigo, evento realizado de 06 a 10 abril, em Rio Verde-GO. “O tema destaca como a sanidade vegetal é fator determinante para a manutenção das exportações brasileiras de grãos, especialmente para a China”, disse o pesquisador.

“A exportação de grãos do Brasil se destaca como um importante componente do PIB agrícola da nossa economia. Na safra 2024/2025 a exportação de soja atingiu mais de 108 milhões de toneladas (valor FOB* de US$ 43,5 bilhões) e o milho cerca de 40 milhões de toneladas (valor FOB* de US$ 8,6 bilhões). Para sustentar esses números é vital cumprir os requisitos fitossanitários dos países importadores, que visam proteger seus territórios contra pragas ausentes”, reforça o pesquisador.

*O valor FOB (Free On Board) representa o preço da mercadoria no local de origem (geralmente porto), incluindo custos de carregamento, mas sem frete e seguro.

Diferente da qualidade comercial – como umidade ou grãos quebrados, que gera apenas descontos no preço, o problema sanitário é impeditivo na exportação, podendo implicar na rejeição total da carga. “A presença de apenas uma semente de uma planta daninha quarentenária pode levar à rejeição total da carga e ao embargo. A contaminação de um único talhão pode comprometer toda a cadeia, como a unidade armazenadora, a logística e a reputação da exportadora, podendo resultar na suspensão do porto ou até de todo o grão brasileiro pelo país importador”, pondera Alexandre.

A China consolidou-se como o principal destino da soja brasileira, sendo responsável por absorver a maior parte do excedente exportável do País. “No entanto, esse relacionamento comercial depende de um rigoroso cumprimento de protocolos. Recentemente, o setor enfrentou alertas e episódios de embargos devido à identificação de sementes de plantas daninhas quarentenárias em cargas brasileiras”, completa.

De acordo com dados disponibilizados pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), 91% das ocorrências de pragas quarentenárias em cargas de grãos para a China estão relacionados à presença de cinco espécies de plantas daninhas: Cenchrus echinatus (Capim-carrapicho), Euphorbia heterophylla (Leiteiro), Xanthium spp. (Carrapichão), Ambrosia artemisifolia (Cravorana), Sorghum halepense (Sorgo-selvagem) e Sorghum almum (híbrido do cruzamento de S. halepense  x S. bicolor).

Manejo integrado é saída para driblar o problema

O pesquisador Alexandre Ferreira enfatiza ser fundamental que o produtor compreenda seu papel estratégico na manutenção dos mercados internacionais, ciente de que uma falha no manejo pode comprometer toda a cadeia exportadora. “Para isso é fundamental a adoção de estratégias de Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), priorizando sempre o manejo preventivo, sob a premissa de que a prevenção é o método mais eficaz e econômico”, explica.

Veja as medidas preventivas elencadas por ele:

Limpeza de máquinas: a colhedora é a principal responsável pela disseminação de sementes entre talhões. A regra de ouro é: “limpar antes de entrar, limpar antes de sair”; 

Sementes certificadas: utilizar sementes com garantia de procedência para evitar o plantio acidental de invasoras;

Efeito de borda: manter as bordas da lavoura limpas, pois o vento e a movimentação espalham sementes dessas áreas para o cultivo.

“Complementarmente deve-se realizar medidas de manejo cultural, como o uso de plantas de cobertura, rotação de culturas, evitar períodos de pousio e, por fim, realizar o manejo químico com a rotação de mecanismos de ação, além do uso de herbicidas pré-emergentes para reduzir a competição inicial e aumentar a eficácia de controle”, complementa.





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