segunda-feira, abril 27, 2026

Política & Agro

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Inflação surpreende e cenário fica mais incerto


O ambiente econômico global segue marcado por incertezas crescentes, influenciado por tensões geopolíticas e indicadores domésticos que dificultam a leitura sobre o ritmo da atividade. Segundo análise do Rabobank, o conflito entre Estados Unidos e Irã completa um mês sem avanços concretos, elevando riscos para a inflação e os mercados financeiros.

No cenário interno, a ata do Copom reforçou que a intensidade e a duração do atual ciclo de ajuste monetário serão definidas de forma gradual, conforme novos dados econômicos forem divulgados. A autoridade monetária também indicou necessidade de mais tempo para avaliar os efeitos econômicos do conflito internacional. Ao mesmo tempo, o IPCA-15 de março voltou a surpreender, com alta de 0,44% no mês, acima das expectativas, impulsionado principalmente pelos grupos de Alimentação e Transportes.

A combinação de fatores externos e internos amplia a incerteza. Há preocupação com a escalada de riscos geopolíticos, especialmente na região do Estreito de Ormuz, além dos efeitos ainda indefinidos da alta do petróleo. Mudanças tarifárias em potencial e o quadro fiscal desafiador em ano eleitoral também adicionam pressão ao cenário.

Apesar disso, o real apresentou desempenho positivo recente, encerrando a última semana cotado a 5,2386 por dólar, com valorização de 1,46% no período, destacando-se entre moedas emergentes. Ainda assim, a projeção para o fim de 2026 foi mantida em 5,55 por dólar.

Outros indicadores mostram sinais mistos. A arrecadação federal iniciou o ano em ritmo forte, atingindo R$ 227,1 bilhões em fevereiro. O déficit em conta corrente ficou em US$ 5,6 bilhões, com entrada consistente de investimento estrangeiro direto. Por outro lado, a taxa de desemprego subiu para 5,8%, interrompendo a sequência de quedas observada anteriormente.

 





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Alta do petróleo vira o jogo no setor de açúcar


A intensificação do conflito no Oriente Médio já começa a provocar reflexos diretos sobre o setor sucroenergético brasileiro, ao alterar a dinâmica de preços no mercado internacional de energia. Segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros, a valorização do petróleo tem elevado os custos de produção de açúcar e etanol no Centro-Sul do país.

Desde 28 de fevereiro, o Brent acumula alta superior a 40%, enquanto estimativas do Preço de Paridade de Importação indicam avanço de 48% na gasolina e de 91% no diesel. No mercado interno, o diesel B já registra aumento superior a R$ 1,00 por litro, com média de R$ 1,26 até 21 de março. Em São Paulo, a elevação foi de 12%.

O cenário traz efeitos distintos para o setor. O petróleo mais caro tende a sustentar os preços do etanol, mas a alta do diesel pressiona os custos operacionais, especialmente nas atividades agrícolas. O combustível tem forte peso na estrutura de custos, com correlação de 97,46% com o custo agroindustrial nas últimas 19 safras. A cada R$ 1,00 de aumento no litro, o impacto pode variar entre R$ 29 e R$ 36,5 por tonelada de cana.

Mesmo com a isenção de tributos federais, o reajuste de R$ 0,30 por litro aplicado em março limitou o alívio nos preços. No mercado de fertilizantes, a pressão também cresce, com alta de produtos como ureia e MAP, influenciada por restrições de oferta e aumento nos custos de energia e frete.

Para a safra 2026/27, a estimativa é de custo de produção do açúcar VHP em R$ 1.730 por tonelada na usina e R$ 1.875 FOB. Com o câmbio entre R$ 5,20 e R$ 5,30, o ponto de equilíbrio varia de US¢ 15,40 a 17,01 por libra-peso, enquanto as cotações operam próximas desse nível.

Apesar da pressão, ganhos de produtividade, redução de investimentos no canavial e queda no preço do ATR devem contribuir para aliviar parcialmente os custos. Ainda assim, o cenário tende a favorecer maior direcionamento da cana para o etanol, diante da melhora relativa na competitividade do biocombustível e da compressão das margens do açúcar.

 





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Tem algo acontecendo com o arroz no Brasil



Ainda em 2017, relatórios oficiais já indicavam uma tendência de redução da área


Ainda em 2017, relatórios oficiais já indicavam uma tendência de redução da área plantada
Ainda em 2017, relatórios oficiais já indicavam uma tendência de redução da área plantada – Foto: USDA

O mercado de arroz no Brasil vem apresentando sinais consistentes de mudança ao longo dos últimos anos, com transformações que vão além de oscilações pontuais de safra. Segundo Jeferson Cardoso, diretor de operações da Itaobi Representações, a análise se baseia em dados históricos e projeções divulgadas pelo Ministério da Agricultura.

Ainda em 2017, relatórios oficiais já indicavam uma tendência de redução da área plantada, enquanto o consumo interno permanecia estável e a produção se mantinha sustentada principalmente por ganhos de produtividade. O cenário mais recente, que considera o período entre as safras 2023/24 e 2033/34, reforça e amplia esse movimento.

Segundo o especialista, os dados apontam que o consumo, antes praticamente estagnado, passa a registrar queda gradual. Ao mesmo tempo, a produção tende à estabilidade ou até a uma leve retração, refletindo diretamente a continuidade da redução de área cultivada. Esse conjunto de fatores indica que o setor não enfrenta apenas um ciclo negativo, mas sim uma mudança estrutural no mercado.

Outro ponto relevante é o avanço de outros países na produção e participação global, ocupando espaços que antes eram mais presentes no cenário brasileiro. Esse movimento amplia a pressão competitiva e exige maior atenção estratégica dos agentes do setor.

Diante desse contexto, a leitura dos dados passa a ser determinante para decisões futuras. A capacidade de adaptação ao novo cenário e o posicionamento dentro desse mercado em transformação tendem a definir quais players conseguirão se destacar nos próximos anos.

 





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Soja dispara com surpresa nos EUA e agita mercado



Os contratos futuros encerraram o dia com ganhos consistentes


Os contratos futuros encerraram o dia com ganhos consistentes
Os contratos futuros encerraram o dia com ganhos consistentes – Foto: Pixabay

O mercado da soja apresentou valorização no cenário internacional, impulsionado por expectativas em torno da área de plantio e ajustes técnicos. Segundo análise da TF Agroeconômica , o movimento foi sustentado por uma projeção de área nos Estados Unidos abaixo do esperado, o que estimulou compras e elevou as cotações em Chicago.

Os contratos futuros encerraram o dia com ganhos consistentes, refletindo a reação dos agentes ao número divulgado pelo USDA, que indicou plantio de 34,28 milhões de hectares. A leitura do mercado apontava para uma migração maior de áreas do milho para a soja, o que não se confirmou. Esse fator compensou, ao menos inicialmente, os estoques trimestrais mais elevados, estimados em 57,28 milhões de toneladas.

No Brasil, o avanço da colheita segue em ritmo moderado, atingindo 74,3% da área, levemente acima da média histórica, mas ainda abaixo do registrado no ciclo anterior. No Sul, o mercado físico apresentou pouca movimentação, com ajustes pontuais de preços e influência direta de fatores externos, além do custo logístico pressionando as negociações.

Em Santa Catarina, a demanda da agroindústria sustentou as cotações no porto, contrastando com o cenário mais travado em outras regiões. Já no Paraná, questões envolvendo qualidade e custos elevaram a tensão no mercado, enquanto no Mato Grosso do Sul e Mato Grosso o encarecimento do diesel e do frete limitou a comercialização, mesmo diante de uma safra volumosa.

O cenário geral indica um descompasso entre o suporte externo e as dificuldades internas, com logística e custos operacionais reduzindo a capacidade do produtor de capturar melhores preços.

 





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Milho cai no dia, mas surpreende no mês



Na B3, o cereal encerrou o dia em baixa


Na B3, o cereal encerrou o dia em baixa
Na B3, o cereal encerrou o dia em baixa – Foto: Divulgação

O mercado de milho apresentou oscilações recentes, refletindo fatores externos e ajustes internos após um período de valorização. Na bolsa brasileira, os preços recuaram no fechamento mais recente, em movimento alinhado ao câmbio e ao desempenho internacional, enquanto o mês anterior consolidou ganhos relevantes. As informações são da TF Agroeconômica.

Na B3, o cereal encerrou o dia em baixa, acompanhando a desvalorização do dólar e a fraqueza observada em Chicago. O movimento também foi influenciado por realizações de lucro após as altas registradas ao longo de março. Mesmo com a queda diária, os contratos mantêm desempenho positivo na semana e no acumulado mensal, com avanços que superaram 5% em alguns vencimentos e ultrapassaram 6% nos contratos mais longos.

No mercado físico, a valorização foi mais moderada, com alta pouco acima de 1%, enquanto questões climáticas e atrasos no plantio da safrinha seguem no radar. No Rio Grande do Sul, a comercialização permanece lenta e regionalizada, com compradores priorizando estoques próprios e preços entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca. A colheita avança, mas em ritmo mais lento, influenciada pela priorização da soja.

Em Santa Catarina, o avanço da colheita contrasta com a baixa fluidez nas negociações. A diferença entre preços pedidos e ofertados limita novos negócios, mantendo o mercado travado mesmo diante de alguma restrição de oferta em regiões específicas. No Paraná, o cenário é semelhante, com desalinhamento entre compradores e vendedores e impacto das condições climáticas sobre a safrinha.

Já em Mato Grosso do Sul, o mercado mostra recuperação após quedas anteriores, sustentado parcialmente pela demanda do setor de bioenergia. Ainda assim, o ambiente segue competitivo e com baixa liquidez, enquanto a semeadura avança de forma mais lenta devido às chuvas.

 





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Preços do trigo seguem firmes com oferta restrita



No Rio Grande do Sul, o mercado mostra avanço nas negociações


No Rio Grande do Sul, o mercado mostra avanço nas negociações
No Rio Grande do Sul, o mercado mostra avanço nas negociações – Foto: Pixabay

O mercado de trigo no Sul do país apresenta movimento de firmeza nos preços, com sinais de ajuste entre oferta e demanda e menor disponibilidade em algumas origens. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário recente indica consolidação das altas, com compradores mais dispostos a elevar as indicações, enquanto vendedores mantêm pedidas mais firmes.

No Rio Grande do Sul, o mercado mostra avanço nas negociações, com compradores admitindo valores entre R$ 1.200 e R$ 1.250 por tonelada no interior, dependendo de qualidade e localização, para embarque em maio. Do outro lado, vendedores pedem entre R$ 1.250 e R$ 1.350. A ausência recente de ofertas de trigo argentino também contribui para sustentar os preços, embora haja previsão de chegada de um navio de trigo uruguaio em Porto Alegre. No mercado interno, o preço ao produtor subiu para R$ 57,00 por saca em Panambi.

Em Santa Catarina, o abastecimento segue apoiado principalmente no trigo gaúcho, ao redor de R$ 1.200 mais custos de frete e ICMS, enquanto o produto local gira próximo de R$ 1.300 CIF, com menor disponibilidade. Os preços pagos aos produtores variam entre R$ 59,00 e R$ 67,00 por saca, com destaque para alta em Xanxerê e estabilidade em outras praças.

No Paraná, o mercado apresenta poucas mudanças, mas com elevação nas pedidas. As ofertas giram entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada no norte do estado, com negócios ocorrendo até R$ 1.380 CIF. Nos Campos Gerais, as indicações ficam próximas de R$ 1.300. A menor movimentação também reflete o foco dos produtores na colheita de soja e milho. A perspectiva de redução de 6% na área plantada e de 12% na produção em 2026 reforça a tendência de preços sustentados. No mercado externo, não há ofertas de trigo argentino, apenas produto paraguaio cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto Ponta Grossa.

 





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Mercado de bioinsumos cresce e bate recorde



Os dados foram divulgados pela CropLife Brasil


Os dados foram divulgados pela CropLife Brasil
Os dados foram divulgados pela CropLife Brasil – Foto: Divulgação

O mercado de bioinsumos registrou crescimento expressivo em 2025, consolidando o avanço de tecnologias voltadas à sustentabilidade no campo. O setor movimentou mais de R$ 6,2 bilhões, com alta de 15% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, a área tratada com produtos biológicos chegou a 194 milhões de hectares, avanço de 28% sobre 2024, refletindo a ampliação do uso dessas soluções na agricultura.

Os dados foram divulgados pela CropLife Brasil, em São Paulo, e integram o CropData, plataforma que reúne informações do setor. Segundo a entidade, o desempenho resulta da expansão da indústria, do combate a pragas resistentes e da busca por sistemas mais eficientes. Renato Gomides destacou que os bioinsumos ganham espaço em um cenário de desafios econômicos e maior pressão por práticas sustentáveis.

Entre os segmentos monitorados estão biofungicidas, bioinseticidas, bionematicidas e inoculantes. Em área tratada, os inoculantes lideram com 40%, seguidos por bioinseticidas, bionematicidas e biofungicidas. Os inoculantes estiveram presentes em 77 milhões de hectares, reforçando seu papel na agricultura de baixa emissão de carbono. O destaque foi o avanço dos bionematicidas, com crescimento de cerca de 60%.

No valor de mercado, os bioinseticidas lideram, seguidos por bionematicidas, biofungicidas e inoculantes. Os biofungicidas tiveram a maior alta, de 41%, atingindo R$ 1,4 bilhão, impulsionados pelo controle de doenças relevantes. A soja concentra 62% do uso, seguida por milho e cana. Mato Grosso lidera entre os estados, com destaque para a soja. São Paulo e Goiás aparecem na sequência, enquanto o MATOPIBA também ganha relevância.

 





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Wall St cai após adiamento de ataque ao Irã oferecer apenas alívio limitado


Logotipo Reuters

 

Por Purvi Agarwal e Twesha Dikshit

27 Mar (Reuters) – Os principais índices de Wall Street caíam nesta sexta-feira, uma vez que a guerra do Oriente Médio, que já dura um mês, se arrastava e pesava sobre o sentimento, enquanto os investidores observam quaisquer sinais de redução das tensão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quinta-feira que prorrogará novamente o prazo para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz ou enfrente a destruição de suas usinas de energia, depois que Teerã rejeitou anteriormente uma proposta de 15 pontos dos EUA para acabar com o conflito.

O adiamento, no entanto, não acalmou os mercados, e os preços do petróleo subiram já que os investidores estão céticos quanto à possibilidade de os dois lados chegarem a um acordo.

“Os mercados financeiros continuam sendo movidos pelas manchetes. Os investidores estão sendo influenciados pelas alegações dos EUA de que estão sendo feitos progressos para pôr fim às hostilidades, enquanto o Irã nega que estejam ocorrendo negociações sérias”, disse David Morrison, analista sênior de mercado da Trade Nation.

“Parece óbvio que nenhum dos lados está perto de aceitar as condições de paz do outro, portanto, por enquanto, a guerra continua.”

O S&P 500 e o Nasdaq estavam a caminho de sua quinta semana de perdas. O Dow deve encerrar a semana com poucas alterações.

O Índice de Volatilidade CBOE, considerado o medidor de medo de Wall Street, tinha alta de 2,56 pontos, em 30.

O Dow Jones Industrial Average caía 1,06%, enquanto o S&P 500 perdia 0,94% e o Nasdaq Composite tinha queda de 1,27%.

O índice de serviços de comunicação do S&P 500 permanecia sob pressão e recuava 0,9%, já que a Alphabet e a Meta registraram perdas de 1,2% e 1,7%, respectivamente.

(Reportagem de Purvi Agarwal e Twesha Dikshit em Bengaluru)





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Colapso no plantio de arroz acende alerta global



A diminuição da área plantada ocorre em um ambiente considerado desafiador


A diminuição da área plantada ocorre em um ambiente considerado desafiador
A diminuição da área plantada ocorre em um ambiente considerado desafiador – Foto: coniferconifer

A intenção de plantio de arroz nos Estados Unidos para 2026 indica uma redução significativa na área cultivada, em um momento marcado por pressões simultâneas de custos, clima e dinâmica de mercado. Os dados são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgados em 31 de março de 2026.

Segundo Cleiton Evandro dos Santos, analista de mercados de arroz na AgroDados Inteligência em Mercado, a principal retração ocorre no arroz de grão longo, cuja área projetada cai 22% em relação a 2025, passando de 2,118 milhões para 1,648 milhão de acres. O arroz de grão médio apresenta leve queda de 3%, enquanto o grão curto recua 14%. No consolidado, a área total estimada soma 2,319 milhões de acres, redução de 18% frente ao ciclo anterior.

A diminuição da área plantada ocorre em um ambiente considerado desafiador, com alta de preços mesmo durante o pico de colheita e atraso nas operações devido ao alongamento do ciclo das plantas. Ao mesmo tempo, custos elevados de fertilizantes e combustíveis, somados ao risco de ruptura na distribuição, ampliam a pressão sobre os produtores.

O cenário é agravado pela volatilidade do dólar, pela oferta restrita e por uma demanda internacional aquecida que não vem sendo plenamente atendida. A previsão de El Niño adiciona incerteza ao desenvolvimento da safra, enquanto a menor intenção de plantio nos Estados Unidos reforça um quadro global mais apertado para o arroz.

“Números importantes e impactantes que tornam ainda mais complexo um cenário de alta de preços em pleno pico de colheita, alongamento do ciclo das plantas (e atraso na entrada das ceifadeiras), fertilizantes e combustíveis em alta e sob risco de ruptura no sistema de distribuição, dólar oscilando, oferta restrita e alta demanda internacional não sendo atendida… Previsão de El niño, e mais o componente importante da safra estadunidense. Não há colheita de arroz sem drama”, escreveu no LinkedIn.

 





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A norma do crédito rural extrapola a lei?



O PRODES, por sua vez, monitora a supressão de vegetação


O PRODES, por sua vez, monitora a supressão de vegetação
O PRODES, por sua vez, monitora a supressão de vegetação – Foto: Canva

A exigência de verificação ambiental para concessão de crédito rural passa a incorporar, a partir de abril de 2026, a consulta a dados de monitoramento por satélite, com o objetivo de coibir o financiamento de atividades associadas ao desmatamento ilegal. A análise é da advogada especialista em agronegócio Patrícia Arantes de Paiva Medeiros.

As Resoluções CMN nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025 determinam que instituições financeiras consultem o PRODES/INPE antes de liberar crédito para imóveis acima de quatro módulos fiscais, estendendo a exigência para propriedades menores a partir de 2027. Segundo a especialista, o modelo adotado cria uma inversão do ônus, ao tratar o produtor como irregular até que ele comprove o contrário com base em dados de satélite.

O Código Florestal já estabelece que o acesso ao crédito deve estar condicionado à regularidade ambiental comprovada por meio do Cadastro Ambiental Rural e validada por órgãos competentes. Instrumentos como Autorização de Supressão de Vegetação, Programa de Regularização Ambiental, Termo de Ajustamento de Conduta e Projeto de Recuperação de Área Degradada foram estruturados para diferenciar situações legais de infrações.

O PRODES, por sua vez, monitora a supressão de vegetação, mas não distingue se ela ocorreu de forma autorizada ou ilegal. Na prática, áreas com licença ambiental válida podem ser tratadas da mesma forma que desmatamentos irregulares, levando ao bloqueio prévio do crédito e à necessidade de comprovação por parte do produtor.

Com milhões de registros apontados e a maior parte dos cadastros ainda sem validação definitiva, o cenário gera sobreposição de sistemas e insegurança jurídica. Um imóvel regular pode enfrentar restrições, enquanto outro ainda não autuado pode acessar recursos normalmente.

A avaliação destaca que o problema não está no objetivo da norma, mas na forma de implementação. O uso do PRODES como base direta para bloqueio, sem mediação dos órgãos ambientais, amplia custos, cria incertezas e pode afetar o acesso ao crédito no início das safras.

 





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