quinta-feira, março 12, 2026

Política & Agro

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Comissão aprova uso do Fundo Garantidor de Operações para garantir crédito do Pronaf


A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2213/25, que autoriza a utilização de até R$ 500 milhões em recursos não comprometidos do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para cobrir operações de crédito contratadas no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

A proposta altera a Lei 13.999/20, que criou linhas emergenciais de crédito durante a pandemia, e prevê que o uso dos recursos observará as regras já estabelecidas pelo estatuto do fundo.

Segundo o texto, caberá a ato conjunto dos ministros do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e da Fazenda definir como os recursos serão alocados, além de estabelecer os limites máximos de garantia, os critérios de elegibilidade dos agricultores familiares e cooperativas e as modalidades do Pronaf que poderão receber cobertura do FGO.

O projeto também permite que instituições financeiras autorizadas a operar crédito rural no Pronaf solicitem a garantia do fundo, respeitados os percentuais estabelecidos para cada carteira. O valor total a ser honrado pelo FGO ficará limitado ao montante destinado ao fundo pela União e pelos demais cotistas para essa finalidade.

Correção

Foi aprovado o parecer do relator, deputado Rogério Correia (PT-MG), favorável ao PL 2213/25, de autoria do Senado Federal. O relator destacou que a medida não gera aumento de despesa pública, pois utiliza recursos já disponíveis no fundo.

Correia observou que a legislação já permitia o uso desses recursos para apoiar a agricultura familiar, mas essa previsão foi revogada por um erro técnico. Segundo ele, o projeto corrige essa distorção ao restabelecer a possibilidade de empregar valores não comprometidos do FGO na garantia de operações do Pronaf.

Para o relator, a proposta é fundamental para “reduzir riscos, ampliar a oferta de crédito rural e fortalecer a agricultura familiar como eixo estratégico de desenvolvimento econômico e social”.

Próximos passos

A proposta tramita em regime de urgência e poderá ser votada diretamente pelo Plenário da Câmara.

Para virar lei, a medida precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

 





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Estudo científico revela que pecuária tem carbono positivo


Pesquisa feita no Cerrado mostrou que a braquiária sob pastejo sequestra mais carbono do que a vegetação nativa do bioma e, também, do que um pasto vazio

O produtor Piotre Laginski abriu 70 ha de sua fazenda em Baixa Grande do Ribeiro (PI) para um estudo inédito sobre sequestro de carbono, cujo objetivo era demonstrar que o boi, ao contrário do senso comum, pode contribuir para o carbono positivo no solo.

Segundo as medições, a pastagem submetida ao pastejo sequestrou 168 t de CO2eq/ha, superando tanto a gramínea solteira (148,85 t/ha), quanto a vegetação nativa (134 t/ha), considerando análises de matéria orgânica até 60 cm de profundidade.

A diferença é expressiva: o pasto com animais capturou 34 t/ha a mais de CO2eq do que o Cerrado virgem e foi 2,3 vezes superior à vantagem da pastagem solteira, que registrou 14,95 t/ha a mais.

Para Piotre, isso desmonta a imagem negativa da atividade. “De vilão, o boi virou a cereja do bolo”, resume o produtor. Ele reforça que “fazemos uma pecuária de carbono positivo. Todos precisam saber que o boi é um reciclador de nutrientes essencial para o equilíbrio entre produção e meio ambiente”.

O estudo integra o Projeto Cerrado Carbono Positivo, coordenado pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Associação dos Produtores de Soja do Piauí e Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR).

A vice-reitora da UTFPR e coordenadora do projeto, Tangriani Simioni Assmann, explica que incluir o boi nos sistemas agrícolas potencializa o sequestro de carbono.

Segundo ela, “ao colocar o boi dentro do processo de produção agrícola, é possível usar gramíneas C4, como as do gênero Brachiaria ou o milheto, que são fixadoras de carbono. Assim, fazemos com que a captura do carbono pela fotossíntese e sua posterior incorporação ao solo sejam maiores do que as emissões entéricas dos animais”.

Tangriani também destaca que o estigma em torno da pecuária foi construído com base em narrativas incompletas.

“Para a pesquisadora, o conceito do boi como poluidor foi construído em cima de desinformação.”

Ela afirma que “muitos países da Europa, que desejam criar barreiras comerciais para a carne brasileira, criticam nossa produção agropecuária e somente consideram as emissões entéricas para embasar essas críticas.

Eles desconsideram totalmente a captura do CO2 via fotossíntese por nossas plantas forrageiras, que são 25% mais eficientes do que as de clima temperado”.

 





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Governo Leite divulga primeiros beneficiários e oficializa início da Operação Terra Forte


A Operação Terra Forte iniciou oficialmente suas atividades no campo nesta terça-feira (2/12), com a publicação, no Diário Oficial do Estado, da lista dos primeiros beneficiários selecionados. O lançamento marca uma nova etapa da política pública voltada ao fortalecimento da agricultura familiar, com a implementação de um projeto-piloto que antecede a execução em larga escala prevista para 2026.

O projeto-piloto envolve 12 produtores de 12 municípios diferentes — um por regional da Emater/RS-Ascar — e tem como objetivo testar, em condições reais, as ferramentas e metodologias que serão aplicadas em todo o programa. Participam desta fase inicial os municípios de Caraá (Porto Alegre), Estrela (Lajeado), Ijuí (Ijuí), Jacutinga (Erechim), Manoel Viana (Bagé), Morro Redondo (Pelotas), Nova Roma do Sul (Caxias do Sul), Palmitinho (Frederico Westphalen), Paraíso do Sul (Santa Maria), Porto Mauá (Santa Rosa), Sananduva (Passo Fundo) e Venâncio Aires (Soledade).

Nessas localidades, equipes técnicas darão início aos diagnósticos e à elaboração dos Planos Individuais de Ações Integradas (Piais) diretamente nas primeiras propriedades beneficiadas. O processo servirá como base de aperfeiçoamento para os cadernos técnicos elaborados e para o sistema de gestão específico que será utilizado na Operação Terra Forte quando ela atingir todos os municípios previstos.

O titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Vilson Covatti, destacou que o início da Operação Terra Forte marca um avanço decisivo para a agricultura familiar no Estado. “Hoje é um dia histórico para o Rio Grande do Sul. Com a publicação do início da Operação Terra Forte no Diário Oficial, iniciamos um programa aprovado em R$ 903 milhões, que já começa com a liberação dos primeiros R$ 300 milhões. Os 12 beneficiários iniciais representam o ponto de partida de um projeto que vai transformar vidas e fortalecer comunidades. Entre 15 e 22 de dezembro, entregaremos os primeiros Cartões Cidadão, com R$ 30 mil por produtor, e, a partir de 6 de janeiro, iniciaremos os diagnósticos nos demais municípios. O Terra Forte é mais que um programa: é um compromisso com quem produz e com o futuro do nosso Estado”, concluiu.

Mais de 52 mil inscrições e 15 mil famílias beneficiárias

A previsão é de que os primeiros Cartões Cidadão — instrumento que permitirá a execução dos recursos para as ações previstas nos Piais — sejam entregues entre 15 e 22 de dezembro. Já a execução ampla dos diagnósticos e Piais em todas as demais regiões está programada para começar em 6 de janeiro de 2026.

O presidente da Emater/RS, Luciano Schwerz, destacou a importância da parceria com a SDR e o empenho dos extensionistas nas fases concluídas do programa, que contou com mais de 52 mil inscrições. “Estamos iniciando a execução do trabalho com as 15 mil famílias, sempre com forte alinhamento com a SDR, para levar a essas propriedades um programa que melhora a qualidade de vida, organiza as unidades produtivas e fortalece a resiliência climática”, afirmou.

Segundo a SDR, a fase piloto vai permitir maior precisão na aplicação dos instrumentos do programa e agilidade na etapa seguinte, garantindo que os agricultores ingressem na Operação Terra Forte com informações técnicas consolidadas e planos de ação adequados às necessidades de cada propriedade.

 





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Trigo entra em período decisivo, diz consultoria



Por outro lado, a comercialização avança em ritmo acelerado


Por outro lado, a comercialização avança em ritmo acelerado
Por outro lado, a comercialização avança em ritmo acelerado – Foto: Divulgação

O mercado de trigo no Brasil entra em um período decisivo diante do quadro de oferta internacional e das limitações de disponibilidade interna. Segundo dados da TF Agroeconômica, mesmo com abundância global, os preços FOB do trigo hard americano giram em torno de 680,35 dólares por bushel, enquanto o produto argentino permanece mais barato, a 566,05 dólares, abaixo inclusive do fechamento da Bolsa de Chicago, que encerrou a 578,75 dólares. Essa diferença mantém pressão direta sobre as cotações domésticas.

Por outro lado, a comercialização avança em ritmo acelerado. As pesquisas apontam que 42 por cento da safra gaúcha já foi negociada, ao lado de um avanço ainda maior no Paraná, onde as vendas alcançam entre 92 por cento e 95 por cento do volume disponível. Isso deixa no mercado 1,97 milhão de toneladas no Rio Grande do Sul e apenas entre 125 mil e 200 mil toneladas no Paraná. No total nacional, restam cerca de 2,27 milhões de toneladas de trigo para abastecer o país entre fevereiro e agosto de 2026.

Considerando a demanda de moagem brasileira, estimada em 984,39 mil toneladas por mês, sendo 225 mil no Paraná e 175 mil no Rio Grande do Sul, o país teria apenas 324,28 mil toneladas mensais de oferta nacional para suprir um consumo que ultrapassa em mais de 23 por cento esse volume. O déficit potencial de aproximadamente 530,04 mil toneladas apenas nos dois estados do Sul abre espaço para uma valorização do trigo interno em direção à paridade de importação.

Nesse cenário, a recomendação da consultoria sugere que os moinhos garantam desde já a cobertura das matérias-primas para contratos de longo prazo, preservando margens mesmo com custos maiores ao longo dos próximos meses. A tendência observada pela TF Agroeconômica é de sustentação e possível alta do trigo na CBOT ao longo de 2026.

 





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BB Seguridade vai ter dificuldades para elevar lucro em 2026, diz executivo


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SÃO PAULO (Reuters) – O grupo de previdência e seguros do Banco do Brasil, BB Seguridade, deve enfrentar em 2026 dificuldades para elevar ou mesmo manter o lucro no mesmo nível deste ano, diante da perspectiva de queda nos juros e sinistralidade mais alta.

A expectativa foi divulgada nesta terça-feira pelo diretor financeiro da companhia, Rafael Sperendio, durante conferência com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre divulgados na noite da véspera.

“É bastante difícil manter o lucro ou ter crescimento em 2026”, disse o executivo. “As melhores estimativas indicam resultado bastante forte para 2025…mas para 2026, com um menor resultado financeiro, que tem impacto imediato, e sinistralidade mais alta, mesmo que seja marginalmente mais alta, é difícil conseguirmos compensarmos com crescimento de vendas”, acrescentou.

A previsão de um resultado financeiro menor, que no terceiro trimestre ajudou a impulsionar o lucro da empresa, decorre das perspectivas de queda da Selic no próximo ano. Já a sinistralidade maior vem da expectativa de impactos do fenômeno La Niña sobre a safra de verão, disse Sperendio.

Para tentar minimizar os impactos para o próximo ano, o novo presidente-executivo da BB Seguridade, Delano de Andrade, afirmou que o foco de sua gestão será busca de sinergias melhores com as empresas investidas do grupo e medidas de eficiência operacional, com redução de despesas, mas não deu detalhes.

Sperendio afirmou que embora a sinistralidade deve apresentar algum crescimento no próximo ano, a área de seguros deve mostrar crescimento em todas as linhas de negócios no próximo ano, também por causa da esperada queda nos juros da economia.

Isso porque juros menores contribuem para uma melhor originação de empréstimos e queda da inadimplência, o que fomenta a tomada de seguros como prestamista.

“Trabalhamos agora com crescimento praticamente em todas as linhas de negócios, de um digito alto, calcado na redução de juros de 2026”, disse o diretor financeiro.

Questionado sobre a possibilidade de pagamento de dividendos extraordinários, Sperendio disse que embora o caixa do grupo seja “bastante robusto”, a BB Seguridade não prevê um pagamento adicional aos acionistas.

Apesar disso, o executivo disse que o nível de “payout” do segundo semestre deste ano será maior que o do primeiro.





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Produtores retêm soja e temem perdas na safra



Mercado da soja trava com impasse entre compradores e produtores



Foto: Arquivo Agrolink

Negociações com soja e derivados seguem lentas no início de dezembro, marcadas pela resistência dos vendedores e cautela dos compradores. Segundo o Cepea, disparidade de preços e preocupações com o clima explicam a desaceleração.

As negociações envolvendo soja e seus derivados estão em ritmo reduzido neste começo de dezembro, segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O cenário é de impasse: compradores pressionam por queda nas cotações, enquanto produtores evitam vender diante das incertezas climáticas e boa condição financeira.

O levantamento aponta que grande parte dos consumidores está abastecida e prefere aguardar uma possível retração nos preços antes de fechar novos contratos. Por outro lado, os sojicultores, em sua maioria capitalizados, têm evitado ofertar novos lotes no mercado spot e direcionam seus esforços às atividades de campo.

O clima é um fator central na cautela dos produtores. Regiões com déficit hídrico acendem o alerta para perdas de produtividade, o que reforça a decisão de manter o grão armazenado. Segundo o Cepea, a apreensão com a safra 2025/26 já é perceptível entre os agentes consultados, que consideram improvável o cumprimento da estimativa de 177 milhões de toneladas feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Esse quadro de desaquecimento nas negociações reflete um momento de transição para o mercado da soja. Além das tensões sobre os preços, há um componente de incerteza climática que eleva o risco para decisões de venda, tanto no curto quanto no médio prazo.

A desaceleração nas trocas comerciais também pode impactar outros elos da cadeia, especialmente indústrias processadoras e exportadores que dependem de um fluxo contínuo de matéria-prima. No entanto, a postura dos produtores sinaliza uma estratégia de retenção em busca de preços mais favoráveis ou, ao menos, maior clareza quanto ao desempenho da safra.

Para os próximos meses, o comportamento do clima e a movimentação da demanda internacional serão decisivos para destravar o mercado. Até lá, a tendência é de continuidade na lentidão das negociações, com pouca oferta no spot e compradores cautelosos quanto às aquisições.





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Milho se aproxima de R$ 70 e vendedores recuam à espera de mais altas



Preço do milho voltou a subir no mercado interno na última semana



Foto: Divulgação

O preço do milho voltou a subir no mercado interno na última semana, impulsionado por maior demanda e retração da oferta. De acordo com dados divulgados pelo Cepea, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) se aproximou dos R$ 70 por saca de 60 kg, valor nominal que não era registrado desde maio deste ano.

A valorização está associada ao avanço dos compradores na recomposição de estoques para o final de 2025 e início de 2026. No entanto, os negócios encontram resistência: vendedores estão menos dispostos a negociar no spot, aguardando novas altas diante das incertezas climáticas e do foco nas atividades de plantio.

Segundo o Cepea, os produtores mostram cautela ao liberar seus estoques. Em algumas regiões, o clima quente gera preocupações com o desenvolvimento das lavouras, enquanto em outras, ainda persistem os efeitos das chuvas intensas de novembro. Esse cenário leva os agricultores a limitar a oferta imediata, com expectativa de melhores preços adiante.

Por outro lado, os compradores enfrentam dificuldades para fechar negócios diante da elevação nas pedidas dos vendedores. Parte da demanda opta por adiar novas aquisições, apostando na pressão de baixa que pode vir com a colheita da safra de verão, que tende a liberar espaço nos armazéns e gerar necessidade de caixa para os produtores.

Apesar dessa expectativa, o Cepea destaca que o cenário ainda é de incerteza, especialmente considerando o ritmo abaixo do esperado nas exportações e os volumes internos ainda concentrados. O mercado segue atento à evolução do clima e à chegada da nova safra, fatores que devem influenciar o comportamento de preços nas próximas semanas.

Até que haja maior clareza sobre a disponibilidade e a qualidade da safra verão, a tendência é de continuidade na oscilação entre demanda contida e oferta limitada, mantendo o milho em patamares elevados no curto prazo.





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VBP do café sobe com clima favorável



VBP do café deve subir para R$ 1,4 bilhões em 2025



Foto: Pixabay

O Valor Bruto da Produção (VBP) do café deve registrar nova alta em 2025, alcançando aproximadamente R$ 1,4 bilhão, segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado nesta quinta-feira (4) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O número supera o montante de R$ 1,1 bilhão estimado para 2024.

De acordo com o boletim, a projeção é sustentada pela produção prevista de 745 mil sacas de café beneficiado, volume 10% maior que as 679 mil sacas colhidas em 2024. Os analistas afirmam que “as condições climáticas foram mais favoráveis neste ano, especialmente quanto à disponibilidade hídrica”, o que contribuiu para o avanço da produtividade e para a qualidade do produto colhido.

O documento aponta que mais de 80% da produção já foi comercializada, com valores considerados positivos pelos técnicos. Segundo o Deral, “a maior parte do volume vendido ocorreu em um patamar superior a R$ 2.000 por saca”, ficando abaixo desse nível apenas entre julho e agosto, durante o pico da entrada da safra. A tendência é de que o preço médio permaneça próximo desse valor, mesmo diante de eventual recuo das cotações nos próximos meses.

Em 2024, o preço médio registrado foi de R$ 1.668,60 por saca, o que indica uma alta aproximada de 15% em relação à safra atual. O boletim também destaca que, diferentemente do ciclo anterior, “o produtor pode se apropriar de maneira muito mais efetiva dos bons preços”, já que, no ano passado, as valorizações ocorreram apenas nos momentos finais da comercialização.

O custo de produção recém-divulgado aponta um total de R$ 1.137,00 para produzir e beneficiar uma saca de café. De acordo com os analistas, esse valor é coberto com folga pelos preços médios observados nas duas últimas safras.





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Taxar os agroquímicos é a solução?



A proposta se apoia na ideia de que elevar impostos reduziria o uso desses insumos


A proposta se apoia na ideia de que elevar impostos reduziria o uso desses insumos
A proposta se apoia na ideia de que elevar impostos reduziria o uso desses insumos – Foto: Canva

O debate sobre a tributação de agroquímicos voltou ao centro das discussões nacionais, impulsionado por iniciativas que defendem taxas destinadas a corrigir supostos impactos ambientais. As informações são de Luis Eduardo Pacifici Rangel, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Ex-secretário de Defesa Agropecuária e Ex-Diretor de Análises Econômicas e Políticas Públicas do MAPA.

A proposta se apoia na ideia de que elevar impostos reduziria o uso desses insumos, mas estudos recentes mostram que essa lógica não se aplica ao setor agrícola. Pesquisadores da Universidade de Brasília apontam que a demanda por agroquímicos tem elasticidade-preço praticamente nula, o que significa que o uso não diminui mesmo diante de aumentos de custo. O efeito direto seria apenas o encarecimento da produção, pressionando os preços dos alimentos sem gerar benefícios ambientais.

As análises destacam que esses insumos são essenciais para a produtividade e integrados ao sistema de manejo das lavouras, o que os coloca dentro do princípio constitucional da essencialidade. A recomposição de tributos como ICMS e IPI poderia elevar significativamente os custos de culturas como algodão, soja e milho, com impacto sobre produtores e consumidores. O estudo ressalta ainda que penalizar bens essenciais distorce o mercado e ameaça a segurança alimentar, reforçando que a adoção de práticas sustentáveis avança por inovação, e não por coerção. 

“Taxar agroquímicos não é “corrigir o mercado”, é distorcê-lo. A teoria e a evidência empírica mostram que a seletividade tributária é o caminho mais racional: ela equilibra eficiência econômica, justiça fiscal e sustentabilidade. A agricultura sustentável não nasce da penalização, mas da inovação e da coerência científica” conclui.

 





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Cresce a preocupação com nematoides nas lavouras



O aumento populacional desses organismos tende a afetar o crescimento das raízes


O aumento populacional desses organismos tende a afetar o crescimento das raízes
O aumento populacional desses organismos tende a afetar o crescimento das raízes – Foto: Nadia Borges

Os nematoides vêm ganhando espaço nas lavouras e exigem atenção redobrada na condução das principais culturas. Esses organismos apresentam elevada capacidade de reprodução e, quando chegam ao sistema radicular das plantas, comprometem o desenvolvimento e reduzem o potencial produtivo. Nos solos agrícolas existe grande diversidade de espécies, algumas com funções benéficas ao ecossistema, outras atuando como predadoras e contribuindo para o equilíbrio biológico. Entre elas estão os fitoparasitas, que atacam raízes de soja, milho e algodão.

O aumento populacional desses organismos tende a afetar o crescimento das raízes e a absorção de nutrientes, o que, segundo a ORÍGEO, pode resultar em perdas consistentes para a produção agrícola. Para enfrentar o problema, são necessárias práticas combinadas, entre elas rotação de culturas, agricultura regenerativa, variedades resistentes e ações que reduzam a presença dos nematoides no solo. Monitoramento frequente e identificação correta das espécies orientam o momento de intervenção.

“Quando suas populações aumentam, esses organismos passam a comprometer o desenvolvimento das plantas, afetando o crescimento das raízes e a absorção de nutrientes. O resultado pode ser uma consistente redução do desempenho das lavouras e perdas para a produção agrícola”, explica João Brússolo, gerente de campanhas da ORÍGEO.

“Insumos feitos com microrganismos e peptídeos naturais atuam de diferentes maneiras, reduzem risco de resistência e ainda contribuem para o bom desenvolvimento das plantas. São alternativas que acompanham a demanda por uma agricultura com menor impacto ambiental”, destaca o especialista da ORÍGEO.

 





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