terça-feira, março 31, 2026

Política & Agro

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Safra de arroz mantém qualidade dos grãos


O Emater/RS-Ascar informou que a colheita de arroz no Rio Grande do Sul avançou para 35% da área cultivada, conforme o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (26). O progresso foi favorecido por períodos de baixa precipitação, ainda que tenham ocorrido chuvas esparsas.

Segundo o levantamento, “o cultivo de arroz registrou avanço contínuo da colheita, alcançando 35% da área, impulsionado por períodos de baixa precipitação ou acumulados pouco significativos”. A maior parte das lavouras está em maturação, com 47% da área, enquanto 18% ainda se encontram em enchimento de grãos, fase considerada sensível às condições hídricas e de radiação solar.

De acordo com o relatório, “de maneira geral, as produtividades vêm se confirmando em patamares satisfatórios a elevados nas áreas já colhidas”, embora haja redução em relação à safra anterior em parte das lavouras. O documento aponta que essa variação está associada a fatores como menor incidência solar, temperaturas fora da faixa ideal em momentos críticos e mudanças no nível tecnológico adotado. A qualidade industrial também foi destacada. “A qualidade industrial dos grãos colhidos é considerada adequada, com bom rendimento de engenho”, informa.

A colheita segue condicionada à redução da umidade dos grãos e a fatores climáticos. “Eventuais intercorrências climáticas, como ventos e precipitações, podem interferir pontualmente no ritmo das operações e na qualidade final da produção”, registra o boletim. A área cultivada no estado é de 891.908 hectares, conforme dados do IRGA, e a produtividade média está projetada em 8.744 quilos por hectare.

Nas regionais, o avanço ocorre em ritmos distintos. Em Bagé, a colheita chegou a 29% da área, mesmo com registros de chuva durante o período. Em Uruguaiana, há relatos de acamamento pontual causado por ventos, sem perdas quantificadas. Em São Gabriel, 25% da área foi colhida, com produtividades entre 10% e 20% abaixo da safra anterior.

Na regional de Pelotas, a colheita também atingiu 35% da área, com predominância de lavouras em maturação. Já em Santa Maria, os trabalhos superam 40% da área, com produtividades acima de 8.000 kg/ha, chegando a 9.000 kg/ha em algumas áreas. O cenário, segundo o boletim, indica potencial produtivo elevado, com resultados superiores aos inicialmente projetados em diversas regiões.

Em Santa Rosa, a colheita foi iniciada, mas segue limitada pelas chuvas. Na regional de Soledade, os trabalhos alcançaram 35% da área, com destaque para a qualidade dos grãos e rendimento de engenho. O relatório também aponta que “o monitoramento fitossanitário segue ativo, e a ocorrência de percevejos e brusone está sob controle”.





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Produção de milho deve cair mesmo com mais área


A nova temporada de milho no Brasil aponta para leve expansão de área, mas com expectativa de recuo na produção total, refletindo ajustes entre as safras e influência das condições climáticas ao longo do ciclo. Dados do Rally da Safra indicam mudanças relevantes na distribuição entre primeira e segunda safra, além de impactos do calendário de plantio sobre o potencial produtivo.

A área total estimada para 2025/26 é de 22,9 milhões de hectares, alta de 2,7% frente ao ciclo anterior. O avanço é puxado pela segunda safra, que cresce 2,5% e alcança 18,5 milhões de hectares, enquanto a primeira safra registra aumento de 3,6%, somando 4,4 milhões de hectares. Apesar da expansão da área, a produção total é projetada em 141,6 milhões de toneladas, queda de 6,2% em relação à temporada passada.

O recuo está concentrado na segunda safra, cuja produção é estimada em 114,5 milhões de toneladas, retração de 7,6%. Já a primeira safra apresenta leve alta de 0,3%, chegando a 27,1 milhões de toneladas. O ritmo de plantio da safrinha segue próximo ao padrão recente, com leve atraso em relação à média de cinco anos em algumas etapas, mas mantendo convergência ao longo de março.

O levantamento também destaca a dependência crescente das lavouras por chuvas em períodos mais tardios. Em estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná, aumenta a parcela de áreas que necessitam de precipitações em maio para sustentar o potencial produtivo, especialmente nas lavouras plantadas fora da janela ideal.

As simulações indicam que o atraso no plantio eleva o risco climático. Em Goiás e Mato Grosso, áreas semeadas em março tendem a apresentar maior sensibilidade a cortes de chuva a partir da segunda quinzena de abril, com possíveis perdas de produtividade. Por outro lado, a manutenção das chuvas até abril e maio pode sustentar bom desempenho mesmo nas áreas mais tardias.

 





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Argentina permite mistura de até 15% de etanol na gasolina após choque do…


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BUENOS AIRES, 27 Mar (Reuters) – O governo da Argentina anunciou nesta sexta-feira que permitirá que as empresas locais misturem voluntariamente até 15% de etanol à gasolina, em uma tentativa de reduzir o impacto dos preços mais altos do petróleo sobre os custos locais dos combustíveis.

“A medida tem como objetivo dar maior flexibilidade ao setor e amortecer qualquer aumento potencial nos preços do combustível na bomba, protegendo os consumidores”, disse a Secretaria de Energia em um comunicado.

Os preços da gasolina no país sul-americano subiram mais de 18% em março, segundo estimativas de analistas, impulsionados pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, e acumulam alta superior a 60% em relação ao ano anterior.

A Secretaria de Energia da Argentina, subordinada ao Ministério da Economia, aumentou o teor máximo de oxigênio permitido no combustível para 5,6%, dando às refinarias flexibilidade para adicionar mais etanol e usar menos gasolina em suas misturas, contribuindo para a redução dos custos totais.

A secretaria esclareceu que a resolução não impõe novas exigências às refinarias nem modifica a mistura obrigatória de bioetanol. Também não introduz alterações ao atual regime do biodiesel, que já permite misturas de até 20%.

(Reportagem de Lucila Sigal)

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Soja pode cair mais com oferta recorde no radar



No médio prazo, o comportamento dos preços dependerá de novos dados dos EUA


No médio prazo, o comportamento dos preços dependerá de novos dados dos EUA
No médio prazo, o comportamento dos preços dependerá de novos dados dos EUA – Foto: Divulgação

O mercado internacional da soja segue marcado por movimentos de acomodação, refletindo o equilíbrio entre fatores de oferta elevada e expectativas de demanda. Segundo análise da TF Agroeconômica, o cenário de curto prazo indica uma tendência lateral a levemente baixista, influenciada principalmente pela ampla disponibilidade do grão na América do Sul.

No médio prazo, o comportamento dos preços dependerá de novos dados sobre área plantada e estoques nos Estados Unidos, além da evolução da demanda global, com destaque para China e o setor de biodiesel. Em Chicago, a análise técnica aponta um mercado em consolidação, com resistência próxima de 1180 cents por bushel e suporte ao redor de 1140 cents.

Entre os fatores de sustentação, estão os custos mais elevados de insumos agrícolas nos Estados Unidos, que podem impactar a área cultivada ou a produtividade, além da expectativa de expansão do biodiesel, com aumento previsto no mandato de diesel de biomassa nos próximos anos. Também contribuem para o viés positivo novas vendas externas da safra americana, incluindo a confirmação recente de 105 mil toneladas, e a possibilidade de retomada das compras chinesas diante de negociações entre os dois países. A redução nas projeções de exportação brasileira para março também pode aliviar a concorrência no mercado internacional.

Por outro lado, o avanço da safra brasileira, com estimativas superiores a 183 milhões de toneladas, somado à recuperação das lavouras argentinas e ao ritmo acelerado da colheita no Brasil, amplia a oferta e pressiona as cotações. Esse conjunto reforça a percepção de um mercado ainda abastecido.

A leitura técnica mostra que, após uma reação motivada por tensões geopolíticas, os preços não conseguiram sustentar níveis mais elevados e retornaram ao intervalo de consolidação. O movimento indica que o impulso altista foi pontual e que o mercado voltou aos seus fundamentos.





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Soja fecha semana em baixa com ajuste nas cotações



Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1%


Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1%
Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1% – Foto: USDA

O mercado internacional da soja encerrou a semana em queda, refletindo ajustes técnicos e pressões combinadas de fundamentos globais e regionais. Segundo análise da TF Agroeconômica , o movimento seguiu a lógica de realização de lucros após a confirmação de metas de biocombustíveis nos Estados Unidos, com investidores adotando a estratégia de venda após o fato.

Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1%, com destaque para o farelo de soja, que liderou as perdas no dia. Apesar da definição de um volume mais elevado para mistura de biocombustíveis em 2026, o mercado já havia antecipado parte desse cenário, abrindo espaço para correções. Ao mesmo tempo, a pressão da oferta sul-americana contribuiu para o viés negativo, com o Brasil avançando na colheita e elevando a estimativa de safra recorde, enquanto a Argentina mantém boas condições das lavouras.

No cenário interno, a dinâmica regional mostra forte influência de fatores logísticos e de demanda. No Rio Grande do Sul, a colheita ainda avança lentamente, com produtividade afetada por estiagem em algumas áreas, enquanto o alto custo do diesel impacta o transporte, majoritariamente rodoviário. Em Santa Catarina, a demanda da agroindústria sustenta preços firmes, garantindo liquidez mesmo diante da pressão externa.

No Paraná, o avanço da colheita convive com entraves sanitários nas exportações, elevando custos e restringindo margens. Já em Mato Grosso do Sul, o aumento dos custos e limitações de armazenagem reduzem o ritmo de negócios. Em Mato Grosso, o fim da colheita expõe gargalos logísticos, com fretes elevados e capacidade limitada de estocagem, pressionando os preços ao produtor mesmo diante de processamento recorde.

 





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Milho pode surpreender e mudar rumo dos preços



Por outro lado, o mercado encontra resistência na realização de lucros


Por outro lado, o mercado encontra resistência na realização de lucros
Por outro lado, o mercado encontra resistência na realização de lucros – Foto: Divulgação

O mercado de milho segue em compasso de espera, refletindo forças opostas que limitam movimentos mais intensos de preços. De acordo com análise da TF Agroeconômica, o cenário atual combina fatores de sustentação e pressão, mantendo as cotações em trajetória lateral, com viés levemente baixista no curto prazo.

Entre os elementos de alta, o clima nos Estados Unidos continua sendo um dos principais pontos de atenção. Dados do USDA indicam que 41% da área potencial de plantio apresenta algum nível de seca, o que mantém um prêmio de risco nas negociações, especialmente com a aproximação da safra 2026/27. No Brasil, a safrinha em fase de enchimento de grãos também depende de chuvas nas próximas semanas para preservar o potencial produtivo.

Outro fator relevante é a mudança no uso de áreas agrícolas na França, onde produtores têm migrado do milho para o girassol, reduzindo a necessidade de fertilizantes e, consequentemente, a oferta do cereal na União Europeia. Ao mesmo tempo, políticas de incentivo ao etanol nos Estados Unidos e na Argentina reforçam a demanda, tendência que ganha ainda mais destaque diante do papel estratégico dos biocombustíveis, como apontado em análise internacional sobre a capacidade do Brasil de responder a choques no mercado de energia.

Por outro lado, o mercado encontra resistência na realização de lucros por produtores norte-americanos e na atuação de fundos de investimento, que ampliaram liquidações recentes. A perspectiva de aumento da produção na União Europeia, estimada em 61,2 milhões de toneladas para 2026/27, também pesa sobre os preços.

Além disso, estimativas indicam possível expansão de área nos Estados Unidos, enquanto a América do Sul apresenta oferta confortável, com destaque para a recuperação da safra argentina, projetada em 57 milhões de toneladas, apesar de leve recuo na produção brasileira.





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Milho ignora pressão externa e surpreende na B3


O mercado de milho apresentou comportamento divergente ao longo da semana, com movimentos distintos entre as referências internas e externas de preços. As oscilações refletiram fatores climáticos, andamento da safra e dinâmica de oferta e demanda nos principais estados produtores.

Segundo análise da TF Agroeconômica , os contratos futuros do milho negociados na B3 encerraram a semana em alta, mesmo diante da queda observada em indicadores importantes como o dólar, Chicago e a média Cepea. O movimento positivo foi influenciado por incertezas relacionadas ao desenvolvimento da safrinha, especialmente diante de atrasos no plantio e questionamentos sobre a produtividade.

Na B3, o contrato de maio de 2026 fechou a R$ 72,17, enquanto julho atingiu R$ 71,32 e setembro R$ 71,86, todos com ganhos no dia e no acumulado semanal. O cenário contrasta com o ambiente externo mais pressionado.

No Rio Grande do Sul, o mercado segue com baixa liquidez e negociações pontuais. A colheita avança de forma desigual, atingindo 73% da área, com produtividade variando conforme as condições hídricas. Algumas regiões registram perdas pontuais, enquanto áreas irrigadas apresentam desempenho superior.

Em Santa Catarina, o principal entrave continua sendo o desalinhamento entre preços pedidos e ofertados. As negociações permanecem limitadas, com vendedores pedindo cerca de R$ 75,00 por saca e compradores ofertando valores próximos de R$ 65,00.

No Paraná, o mercado também segue travado, com baixa fluidez e diferenças entre preços de venda e compra. A colheita da primeira safra está praticamente concluída, enquanto o plantio da safrinha avança fora da janela ideal em parte das áreas, mantendo cautela quanto ao potencial produtivo.

Em Mato Grosso do Sul, apesar de uma leve recuperação nos preços, o mercado continua com negociações restritas. A demanda do setor de bioenergia ajuda a sustentar as cotações, mas o elevado volume disponível ainda limita avanços mais consistentes.

 





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Trigo sobe com demanda forte e clima preocupa



Outros fatores também seguem no radar


Outros fatores também seguem no radar
Outros fatores também seguem no radar – Foto: Pixabay

O mercado internacional de trigo encerrou a semana com leve valorização, sustentado por fatores de demanda e incertezas climáticas, apesar de limitações vindas do cenário macroeconômico. Segundo a TF Agroeconômica, o suporte veio principalmente da demanda internacional aquecida e das preocupações com o clima nos Estados Unidos.

No cenário geopolítico, a continuidade dos conflitos no Oriente Médio e na região do Mar Negro mantém elevado o nível de incerteza, com impactos sobre logística e custos de insumos agrícolas. A demanda externa também contribuiu para sustentar os preços, com destaque para a compra de cerca de 700 mil toneladas de trigo pela Argélia, a valores superiores aos registrados anteriormente.

Nos Estados Unidos, o relatório semanal do USDA apontou vendas de 397,2 mil toneladas, próximas ao limite superior das expectativas. O volume acumulado da safra 2025/26 já supera em cerca de 15% o registrado no mesmo período do ano anterior, com participação relevante de países asiáticos e do México. Ao mesmo tempo, o aumento da área sob seca, que atinge 57% do trigo de inverno, reforça a preocupação do mercado, já que essa cultura representa a maior parte da produção do país.

Outros fatores também seguem no radar, como a possível redução da área plantada nos Estados Unidos, estimativas menores de produção na Europa e o aumento no custo de fertilizantes, que pode impactar o plantio no Hemisfério Sul.

Por outro lado, a realização de lucros por fundos de investimento, a valorização do dólar e a previsão de chuvas nas Grandes Planícies limitaram ganhos mais expressivos. No curto prazo, o mercado segue em movimento lateral, com leve viés de alta, sustentado pelo equilíbrio entre oferta e demanda e pela atenção às condições climáticas.

 





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Trigo dispara e mercado dá sinais de nova alta



No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por ton


No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF
No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF – Foto: Pixabay

O mercado de trigo apresenta reação nos preços e segue com negociações pontuais no Sul do país, com compradores buscando garantir abastecimento futuro diante da oferta restrita de produto de qualidade. Levantamento da TF Agroeconômica aponta que esse movimento ocorre em meio à menor disponibilidade e incertezas sobre a produção regional.

No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, conforme o prazo de entrega, com indicações mais firmes para maio. A avaliação predominante é de que os patamares mais baixos dificilmente retornarão, especialmente pela escassez de trigo de melhor qualidade, agravada por problemas na safra argentina. Nesse cenário, os lotes ainda disponíveis no estado tendem a ser mais valorizados. O preço pago ao produtor subiu para R$ 57,00 por saca em Panambi.

Em Santa Catarina, o abastecimento segue baseado no trigo gaúcho, negociado ao redor de R$ 1.200 mais frete e ICMS, além do produto local próximo de R$ 1.300 CIF, embora com menor oferta. Os preços de balcão permaneceram estáveis na maioria das praças, com variações pontuais, incluindo alta em Xanxerê.

No Paraná, o mercado se mantém firme, mas com ritmo mais lento de negócios. As negociações seguem concentradas em contratos com entregas mais longas, enquanto produtores priorizam a colheita de soja e milho. No norte do estado, os preços giram entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto nos Campos Gerais ficam próximos de R$ 1.300 CIF.

A perspectiva de redução na área e na produtividade para a próxima safra reforça a tendência de sustentação dos preços. A estimativa indica queda de 6% na área plantada e recuo de 12% na produção, para 2,53 milhões de toneladas. No mercado externo, não houve oferta de trigo argentino na semana, apenas produto paraguaio cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto em Ponta Grossa.

 





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Plataforma revela a dinâmica da produção de trigo no Brasil


A Embrapa lançou, na terça-feira (24/03), a plataforma digital trigo no Brasil, que retrata a cadeia produtiva do cereal em dados e mapas. As informações abrangem desde a produção no campo e a importação até o processamento nas indústrias e a exportação. O site traz ainda uma estimativa inédita da proporção de sistemas de produção irrigados ou de sequeiro na triticultura do Brasil Central, região para onde o cultivo tem se expandido nos últimos anos. Cenários possíveis para aumento da produção no País também estão disponíveis na ferramenta.

A solução tecnológica, com dados para apoiar políticas públicas e investimentos privados no crescimento das safras de trigo no Brasil, atende a uma demanda do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em 2024, o País importou 7 milhões de toneladas do cereal — o único produto das grandes cadeias de grãos em que não é autossuficiente. Ao mesmo tempo, questões comerciais e logísticas colocaram o Brasil no mercado exportador de trigo. No período 2020-2025, o volume exportado cresceu 11,5 vezes, com destino a mercados da Ásia, África e Oriente Médio. A produção nacional vem apresentando expressivo crescimento nos últimos anos, o que reduz a dependência do mercado externo.

Esses são alguns dos números disponíveis na plataforma Trigo no Brasil, resultado do trabalho conjunto da Embrapa Territorial (SP) e da Embrapa Trigo (RS), com apoio de equipe da sede da Embrapa e da Embrapa Solos (RJ). A plataforma integra um projeto mais amplo, com recursos do Mapa, para incentivo ao cultivo do cereal em ambiente tropical e o alcance da autossuficiência nacional na produção do grão.

Além de produção, importação e exportação, a ferramenta apresenta informações sobre processamento, empregos, histórico de custos e preços e infraestrutura do setor. Os dados, alguns com série histórica desde o início dos anos 2000, são detalhados por microrregiões, tanto nas áreas tradicionais do Sul quanto nas regiões de expansão do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.

“Durante a construção da plataforma, buscamos identificar a localização dos principais agentes com a intenção de compreender a dinâmica da cadeia, com base em informações sobre a distribuição geográfica, o número desses atores no Brasil e a evolução histórica dos indicadores”, explica Álvaro Augusto Dossa, analista da Embrapa Trigo. 

A ferramenta estruturada nos conceitos de Inteligência Territorial Estratégica (ITE) oferece dados integrados para análises que direcionem ações voltadas à autossuficiência em trigo no Brasil. Dossa lembra que a expansão da triticultura no Cerrado é peça-chave para o País conquistar essa autossuficiência, e conectar dados sobre essa área com os do restante do País é imprescindível quando se pensa na cadeia produtiva e no fornecimento de matéria-prima para a indústria. “Não podemos apenas considerar o Cerrado porque as decisões não são isoladas. Por exemplo, temos que observar também o consumo expressivo no Nordeste do Brasil, Região na qual a população é grande”, avalia.

Oferta de sementes para cada uso

Uma das vantagens da plataforma é reunir dados sobre o trigo antes dispersos em diferentes órgãos. Mais do que isso, a ferramenta traz novas camadas de informação a partir da análise de profissionais da Embrapa com vivência do setor e experiência no tratamento e na disponibilização de dados.

É o caso do painel sobre produção de sementes. A base dos dados está disponível no site do Mapa, em uma planilha na qual se pode conhecer município, área de cultivo, categoria, espécie e cultivar adotada por cada produtor. A partir dessas duas últimas informações, a equipe da Embrapa fez novas classificações para detalhar a oferta de sementes. Estimou a disponibilidade para os diferentes usos de trigo e a predominância entre cultivares novas ou antigas. “Foi preciso um esforço de curadoria e interpretação por quem conhece o setor para chegar a esse e outros painéis de informação”, ressalta o analista Hilton Ferraz da Silveira, da Embrapa Territorial.

A oferta de sementes é um dos exemplos de que a ferramenta não se limita a organizar dados, mas revela um esforço de prospecção, de análise e de extração de informações que estavam em relatórios e outros documentos de diferentes entidades. Os dados sobre produção, consumo e preços de derivados de trigo foram extraídos manualmente dos anuários da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) e organizados para a consolidação de uma série histórica. Assim, quem acessa a plataforma pode visualizar rapidamente a evolução da produção e das vendas de biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados e da farinha para o varejo, de 2017 a 2024.

Elos da cadeia produtiva

A plataforma apresenta informações que permitem dimensionar e entender como a cadeia produtiva do trigo se organiza no território. O mapa com a distribuição dos elos na cadeia no País mostra que eles se encontram principalmente no Sul, mas também estão presentes na região Central e no Nordeste. O detalhamento dos dados mostra que, nos estados nordestinos, há presença de moinhos e de produtores de sementes. Os produtores estão, principalmente, no Oeste da Bahia, área de cerrado onde há o plantio do grão. Os moinhos, por sua vez, estão no litoral. Hilton Silveira explica que eles processam grande parte do trigo importado que entra no País pelos portos da região.

A comparação dos locais de cooperativas e moinhos com as áreas de cultivo, em mapas, revela regiões em que essas estruturas ainda não estão tão presentes nos estados para onde a triticultura se expandiu mais recentemente. A plataforma também mostra em quais regiões há maior ou menor oferta de armazéns do tipo Granel Sólidos, que poderiam estocar trigo. Contudo, essas estruturas hoje são utilizadas principalmente para estocagem de soja e milho, o que coloca mais uma camada de complexidade à cadeia, diz Silveira. Os moinhos e indústrias precisam de matéria-prima o ano todo. Sem possibilidade de estocar a produção nacional, é preciso recorrer à exportação e importação para balancear oferta e demanda.

Dados sobre esse comércio internacional do trigo estão na plataforma. Além de volume e valor, mostram as microrregiões brasileiras que recebem ou enviam trigo e derivados para o exterior, assim como os países de origem e destino. Apresentam ainda os portos por onde passa todo esse comércio. Em 2024, o País exportou 2,9 milhões de toneladas de trigo; mais de um terço dessas exportações saiu do Porto de Rio Grande (RS), e o Vietnã foi o principal destino. As vendas ao exterior concentram-se no trigo em grãos, mas também há registro de embarque de farinha, massas e biscoitos. As importações, em contrapartida, somaram 7 milhões de toneladas e chegaram principalmente da Argentina; a maior parte dos desembarques ocorreu no Porto de Santos.

É possível dimensionar a indústria e o comércio de derivados de trigo com dados disponíveis na ferramenta. A plataforma apresenta o número de estabelecimentos, bem como os empregos a eles vinculados, em três categorias: moagem, fabricação (massas, pães, biscoitos, etc) e comércio (varejo e atacado de cereais e farinhas, além de padarias). Mapas mostram o número de estabelecimentos e de empregos por 100 mil habitantes em cada microrregião do País, para análises que considerem as diferenças de densidade populacional.

Na seção dedicada à Economia da Produção há dados sobre o histórico das despesas de custeio, valor e preço pago pela produção das lavouras de trigo de 2002 a 2024. Informações sobre seguros agrícolas também podem ser analisadas.

“A plataforma preenche uma lacuna de dados organizados e de estimativas para tanto dimensionar a cadeia do trigo de forma integrada como analisar sua capacidade de expansão e os gargalos a superar”, avalia Hilton Silveira. Ele acredita que as informações, algumas das quais apresentadas pela primeira vez, podem abrir caminho para ampliar e melhorar a disponibilidade de dados sobre o setor.

Análise inédita: a irrigação e o trigo no Cerrado

A plataforma apresenta os resultados de uma análise inédita que estima quanto da área cultivada na região de expansão é irrigada. A equipe da Embrapa desenvolveu um método baseado em dados como rendimento da cultura e presença de áreas irrigadas por pivôs centrais para estimar em quais municípios os produtores adotam exclusiva ou predominantemente o sistema irrigado e em quais adotam o sequeiro. Isso permite estimativas anuais, diferente do Censo Agropecuário, realizado, em média, a cada 10 anos.

O painel sobre o tema disponível na plataforma aponta que, no território estudado, cerca de 314,8 mil toneladas de trigo foram produzidas em sistema de produção irrigado, gerando um valor de produção de R$ 67,1 milhões. Esses números correspondem à média anual para o período de 2019 a 2022. Pelos cálculos, a produção em sistema de sequeiro ainda predomina, com total próximo a 560 mil toneladas anuais no período analisado. “Conhecer pelo menos uma estimativa das áreas de trigo de sequeiro e irrigado pode ajudar nas aferições de uso das tecnologias de produção e melhorar o planejamento para a expansão da cultura”, avalia Álvaro Dossa.

Como aumentar a produção de trigo no Brasil?

A plataforma tem uma seção dedicada ao tema do aumento da produção de trigo no campo. A primeira estratégia explorada é elevar a produção nas áreas já cultivadas com o cereal. Por isso, a ferramenta apresenta o primeiro painel interativo com a inferência de lacunas de rendimento nos estados do Sul – a área tradicional de cultivo. As lacunas revelam a diferença entre o rendimento obtido e o que poderia ser alcançado com a adoção de tecnologias e manejos otimizados. Esses valores foram estimados microrregião por microrregião. Em cada uma delas, a equipe de pesquisa identificou o maior rendimento de trigo obtido por um dos municípios integrantes. Então, calculou a diferença entre esse valor e o rendimento médio da microrregião.

Na microrregião de Passo Fundo (RS), por exemplo, a avaliação é de que, entre 2020 e 2022, poderiam ter sido produzidos 837 quilos de trigo a mais por ano, em cada hectare cultivado. Considerando a área média colhida nesse período, a produção adicional alcançaria pouco mais de 60 mil toneladas anuais. Quando se faz esse cálculo para todas as microrregiões da Região Sul, chega-se a 1,8 milhão de toneladas adicionais. “As estimativas das lacunas nas diferentes microrregiões produtoras de trigo na Região Sul permitem identificar onde são maiores e onde ações de intercâmbio e transferência para melhorar o rendimento da cultura teriam maior impacto”, explica Dossa.

A plataforma também apresenta possibilidades de expansão das áreas de plantio de trigo, nas microrregiões em que há recomendação de cultivo no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cultura. Na região tradicional, projetaram-se cenários com parte das terras destinadas à produção de soja e milho de primeira safra convertidas em lavouras de trigo. Na região de expansão, considerou-se a área de milho de segunda safra. Três cenários foram projetados e apontam potencial de cultivo adicional de 4 a 5 milhões de hectares, tendo como comparação o triênio 2020-2022 e as áreas de soja e milho.

 





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