segunda-feira, março 30, 2026

Política & Agro

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Soja fecha semana em baixa com ajuste nas cotações



Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1%


Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1%
Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1% – Foto: USDA

O mercado internacional da soja encerrou a semana em queda, refletindo ajustes técnicos e pressões combinadas de fundamentos globais e regionais. Segundo análise da TF Agroeconômica , o movimento seguiu a lógica de realização de lucros após a confirmação de metas de biocombustíveis nos Estados Unidos, com investidores adotando a estratégia de venda após o fato.

Na Bolsa de Chicago, os contratos recuaram mais de 1%, com destaque para o farelo de soja, que liderou as perdas no dia. Apesar da definição de um volume mais elevado para mistura de biocombustíveis em 2026, o mercado já havia antecipado parte desse cenário, abrindo espaço para correções. Ao mesmo tempo, a pressão da oferta sul-americana contribuiu para o viés negativo, com o Brasil avançando na colheita e elevando a estimativa de safra recorde, enquanto a Argentina mantém boas condições das lavouras.

No cenário interno, a dinâmica regional mostra forte influência de fatores logísticos e de demanda. No Rio Grande do Sul, a colheita ainda avança lentamente, com produtividade afetada por estiagem em algumas áreas, enquanto o alto custo do diesel impacta o transporte, majoritariamente rodoviário. Em Santa Catarina, a demanda da agroindústria sustenta preços firmes, garantindo liquidez mesmo diante da pressão externa.

No Paraná, o avanço da colheita convive com entraves sanitários nas exportações, elevando custos e restringindo margens. Já em Mato Grosso do Sul, o aumento dos custos e limitações de armazenagem reduzem o ritmo de negócios. Em Mato Grosso, o fim da colheita expõe gargalos logísticos, com fretes elevados e capacidade limitada de estocagem, pressionando os preços ao produtor mesmo diante de processamento recorde.

 





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Milho pode surpreender e mudar rumo dos preços



Por outro lado, o mercado encontra resistência na realização de lucros


Por outro lado, o mercado encontra resistência na realização de lucros
Por outro lado, o mercado encontra resistência na realização de lucros – Foto: Divulgação

O mercado de milho segue em compasso de espera, refletindo forças opostas que limitam movimentos mais intensos de preços. De acordo com análise da TF Agroeconômica, o cenário atual combina fatores de sustentação e pressão, mantendo as cotações em trajetória lateral, com viés levemente baixista no curto prazo.

Entre os elementos de alta, o clima nos Estados Unidos continua sendo um dos principais pontos de atenção. Dados do USDA indicam que 41% da área potencial de plantio apresenta algum nível de seca, o que mantém um prêmio de risco nas negociações, especialmente com a aproximação da safra 2026/27. No Brasil, a safrinha em fase de enchimento de grãos também depende de chuvas nas próximas semanas para preservar o potencial produtivo.

Outro fator relevante é a mudança no uso de áreas agrícolas na França, onde produtores têm migrado do milho para o girassol, reduzindo a necessidade de fertilizantes e, consequentemente, a oferta do cereal na União Europeia. Ao mesmo tempo, políticas de incentivo ao etanol nos Estados Unidos e na Argentina reforçam a demanda, tendência que ganha ainda mais destaque diante do papel estratégico dos biocombustíveis, como apontado em análise internacional sobre a capacidade do Brasil de responder a choques no mercado de energia.

Por outro lado, o mercado encontra resistência na realização de lucros por produtores norte-americanos e na atuação de fundos de investimento, que ampliaram liquidações recentes. A perspectiva de aumento da produção na União Europeia, estimada em 61,2 milhões de toneladas para 2026/27, também pesa sobre os preços.

Além disso, estimativas indicam possível expansão de área nos Estados Unidos, enquanto a América do Sul apresenta oferta confortável, com destaque para a recuperação da safra argentina, projetada em 57 milhões de toneladas, apesar de leve recuo na produção brasileira.





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Milho ignora pressão externa e surpreende na B3


O mercado de milho apresentou comportamento divergente ao longo da semana, com movimentos distintos entre as referências internas e externas de preços. As oscilações refletiram fatores climáticos, andamento da safra e dinâmica de oferta e demanda nos principais estados produtores.

Segundo análise da TF Agroeconômica , os contratos futuros do milho negociados na B3 encerraram a semana em alta, mesmo diante da queda observada em indicadores importantes como o dólar, Chicago e a média Cepea. O movimento positivo foi influenciado por incertezas relacionadas ao desenvolvimento da safrinha, especialmente diante de atrasos no plantio e questionamentos sobre a produtividade.

Na B3, o contrato de maio de 2026 fechou a R$ 72,17, enquanto julho atingiu R$ 71,32 e setembro R$ 71,86, todos com ganhos no dia e no acumulado semanal. O cenário contrasta com o ambiente externo mais pressionado.

No Rio Grande do Sul, o mercado segue com baixa liquidez e negociações pontuais. A colheita avança de forma desigual, atingindo 73% da área, com produtividade variando conforme as condições hídricas. Algumas regiões registram perdas pontuais, enquanto áreas irrigadas apresentam desempenho superior.

Em Santa Catarina, o principal entrave continua sendo o desalinhamento entre preços pedidos e ofertados. As negociações permanecem limitadas, com vendedores pedindo cerca de R$ 75,00 por saca e compradores ofertando valores próximos de R$ 65,00.

No Paraná, o mercado também segue travado, com baixa fluidez e diferenças entre preços de venda e compra. A colheita da primeira safra está praticamente concluída, enquanto o plantio da safrinha avança fora da janela ideal em parte das áreas, mantendo cautela quanto ao potencial produtivo.

Em Mato Grosso do Sul, apesar de uma leve recuperação nos preços, o mercado continua com negociações restritas. A demanda do setor de bioenergia ajuda a sustentar as cotações, mas o elevado volume disponível ainda limita avanços mais consistentes.

 





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Trigo sobe com demanda forte e clima preocupa



Outros fatores também seguem no radar


Outros fatores também seguem no radar
Outros fatores também seguem no radar – Foto: Pixabay

O mercado internacional de trigo encerrou a semana com leve valorização, sustentado por fatores de demanda e incertezas climáticas, apesar de limitações vindas do cenário macroeconômico. Segundo a TF Agroeconômica, o suporte veio principalmente da demanda internacional aquecida e das preocupações com o clima nos Estados Unidos.

No cenário geopolítico, a continuidade dos conflitos no Oriente Médio e na região do Mar Negro mantém elevado o nível de incerteza, com impactos sobre logística e custos de insumos agrícolas. A demanda externa também contribuiu para sustentar os preços, com destaque para a compra de cerca de 700 mil toneladas de trigo pela Argélia, a valores superiores aos registrados anteriormente.

Nos Estados Unidos, o relatório semanal do USDA apontou vendas de 397,2 mil toneladas, próximas ao limite superior das expectativas. O volume acumulado da safra 2025/26 já supera em cerca de 15% o registrado no mesmo período do ano anterior, com participação relevante de países asiáticos e do México. Ao mesmo tempo, o aumento da área sob seca, que atinge 57% do trigo de inverno, reforça a preocupação do mercado, já que essa cultura representa a maior parte da produção do país.

Outros fatores também seguem no radar, como a possível redução da área plantada nos Estados Unidos, estimativas menores de produção na Europa e o aumento no custo de fertilizantes, que pode impactar o plantio no Hemisfério Sul.

Por outro lado, a realização de lucros por fundos de investimento, a valorização do dólar e a previsão de chuvas nas Grandes Planícies limitaram ganhos mais expressivos. No curto prazo, o mercado segue em movimento lateral, com leve viés de alta, sustentado pelo equilíbrio entre oferta e demanda e pela atenção às condições climáticas.

 





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Trigo dispara e mercado dá sinais de nova alta



No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por ton


No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF
No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF – Foto: Pixabay

O mercado de trigo apresenta reação nos preços e segue com negociações pontuais no Sul do país, com compradores buscando garantir abastecimento futuro diante da oferta restrita de produto de qualidade. Levantamento da TF Agroeconômica aponta que esse movimento ocorre em meio à menor disponibilidade e incertezas sobre a produção regional.

No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, conforme o prazo de entrega, com indicações mais firmes para maio. A avaliação predominante é de que os patamares mais baixos dificilmente retornarão, especialmente pela escassez de trigo de melhor qualidade, agravada por problemas na safra argentina. Nesse cenário, os lotes ainda disponíveis no estado tendem a ser mais valorizados. O preço pago ao produtor subiu para R$ 57,00 por saca em Panambi.

Em Santa Catarina, o abastecimento segue baseado no trigo gaúcho, negociado ao redor de R$ 1.200 mais frete e ICMS, além do produto local próximo de R$ 1.300 CIF, embora com menor oferta. Os preços de balcão permaneceram estáveis na maioria das praças, com variações pontuais, incluindo alta em Xanxerê.

No Paraná, o mercado se mantém firme, mas com ritmo mais lento de negócios. As negociações seguem concentradas em contratos com entregas mais longas, enquanto produtores priorizam a colheita de soja e milho. No norte do estado, os preços giram entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto nos Campos Gerais ficam próximos de R$ 1.300 CIF.

A perspectiva de redução na área e na produtividade para a próxima safra reforça a tendência de sustentação dos preços. A estimativa indica queda de 6% na área plantada e recuo de 12% na produção, para 2,53 milhões de toneladas. No mercado externo, não houve oferta de trigo argentino na semana, apenas produto paraguaio cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto em Ponta Grossa.

 





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Plataforma revela a dinâmica da produção de trigo no Brasil


A Embrapa lançou, na terça-feira (24/03), a plataforma digital trigo no Brasil, que retrata a cadeia produtiva do cereal em dados e mapas. As informações abrangem desde a produção no campo e a importação até o processamento nas indústrias e a exportação. O site traz ainda uma estimativa inédita da proporção de sistemas de produção irrigados ou de sequeiro na triticultura do Brasil Central, região para onde o cultivo tem se expandido nos últimos anos. Cenários possíveis para aumento da produção no País também estão disponíveis na ferramenta.

A solução tecnológica, com dados para apoiar políticas públicas e investimentos privados no crescimento das safras de trigo no Brasil, atende a uma demanda do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em 2024, o País importou 7 milhões de toneladas do cereal — o único produto das grandes cadeias de grãos em que não é autossuficiente. Ao mesmo tempo, questões comerciais e logísticas colocaram o Brasil no mercado exportador de trigo. No período 2020-2025, o volume exportado cresceu 11,5 vezes, com destino a mercados da Ásia, África e Oriente Médio. A produção nacional vem apresentando expressivo crescimento nos últimos anos, o que reduz a dependência do mercado externo.

Esses são alguns dos números disponíveis na plataforma Trigo no Brasil, resultado do trabalho conjunto da Embrapa Territorial (SP) e da Embrapa Trigo (RS), com apoio de equipe da sede da Embrapa e da Embrapa Solos (RJ). A plataforma integra um projeto mais amplo, com recursos do Mapa, para incentivo ao cultivo do cereal em ambiente tropical e o alcance da autossuficiência nacional na produção do grão.

Além de produção, importação e exportação, a ferramenta apresenta informações sobre processamento, empregos, histórico de custos e preços e infraestrutura do setor. Os dados, alguns com série histórica desde o início dos anos 2000, são detalhados por microrregiões, tanto nas áreas tradicionais do Sul quanto nas regiões de expansão do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.

“Durante a construção da plataforma, buscamos identificar a localização dos principais agentes com a intenção de compreender a dinâmica da cadeia, com base em informações sobre a distribuição geográfica, o número desses atores no Brasil e a evolução histórica dos indicadores”, explica Álvaro Augusto Dossa, analista da Embrapa Trigo. 

A ferramenta estruturada nos conceitos de Inteligência Territorial Estratégica (ITE) oferece dados integrados para análises que direcionem ações voltadas à autossuficiência em trigo no Brasil. Dossa lembra que a expansão da triticultura no Cerrado é peça-chave para o País conquistar essa autossuficiência, e conectar dados sobre essa área com os do restante do País é imprescindível quando se pensa na cadeia produtiva e no fornecimento de matéria-prima para a indústria. “Não podemos apenas considerar o Cerrado porque as decisões não são isoladas. Por exemplo, temos que observar também o consumo expressivo no Nordeste do Brasil, Região na qual a população é grande”, avalia.

Oferta de sementes para cada uso

Uma das vantagens da plataforma é reunir dados sobre o trigo antes dispersos em diferentes órgãos. Mais do que isso, a ferramenta traz novas camadas de informação a partir da análise de profissionais da Embrapa com vivência do setor e experiência no tratamento e na disponibilização de dados.

É o caso do painel sobre produção de sementes. A base dos dados está disponível no site do Mapa, em uma planilha na qual se pode conhecer município, área de cultivo, categoria, espécie e cultivar adotada por cada produtor. A partir dessas duas últimas informações, a equipe da Embrapa fez novas classificações para detalhar a oferta de sementes. Estimou a disponibilidade para os diferentes usos de trigo e a predominância entre cultivares novas ou antigas. “Foi preciso um esforço de curadoria e interpretação por quem conhece o setor para chegar a esse e outros painéis de informação”, ressalta o analista Hilton Ferraz da Silveira, da Embrapa Territorial.

A oferta de sementes é um dos exemplos de que a ferramenta não se limita a organizar dados, mas revela um esforço de prospecção, de análise e de extração de informações que estavam em relatórios e outros documentos de diferentes entidades. Os dados sobre produção, consumo e preços de derivados de trigo foram extraídos manualmente dos anuários da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) e organizados para a consolidação de uma série histórica. Assim, quem acessa a plataforma pode visualizar rapidamente a evolução da produção e das vendas de biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados e da farinha para o varejo, de 2017 a 2024.

Elos da cadeia produtiva

A plataforma apresenta informações que permitem dimensionar e entender como a cadeia produtiva do trigo se organiza no território. O mapa com a distribuição dos elos na cadeia no País mostra que eles se encontram principalmente no Sul, mas também estão presentes na região Central e no Nordeste. O detalhamento dos dados mostra que, nos estados nordestinos, há presença de moinhos e de produtores de sementes. Os produtores estão, principalmente, no Oeste da Bahia, área de cerrado onde há o plantio do grão. Os moinhos, por sua vez, estão no litoral. Hilton Silveira explica que eles processam grande parte do trigo importado que entra no País pelos portos da região.

A comparação dos locais de cooperativas e moinhos com as áreas de cultivo, em mapas, revela regiões em que essas estruturas ainda não estão tão presentes nos estados para onde a triticultura se expandiu mais recentemente. A plataforma também mostra em quais regiões há maior ou menor oferta de armazéns do tipo Granel Sólidos, que poderiam estocar trigo. Contudo, essas estruturas hoje são utilizadas principalmente para estocagem de soja e milho, o que coloca mais uma camada de complexidade à cadeia, diz Silveira. Os moinhos e indústrias precisam de matéria-prima o ano todo. Sem possibilidade de estocar a produção nacional, é preciso recorrer à exportação e importação para balancear oferta e demanda.

Dados sobre esse comércio internacional do trigo estão na plataforma. Além de volume e valor, mostram as microrregiões brasileiras que recebem ou enviam trigo e derivados para o exterior, assim como os países de origem e destino. Apresentam ainda os portos por onde passa todo esse comércio. Em 2024, o País exportou 2,9 milhões de toneladas de trigo; mais de um terço dessas exportações saiu do Porto de Rio Grande (RS), e o Vietnã foi o principal destino. As vendas ao exterior concentram-se no trigo em grãos, mas também há registro de embarque de farinha, massas e biscoitos. As importações, em contrapartida, somaram 7 milhões de toneladas e chegaram principalmente da Argentina; a maior parte dos desembarques ocorreu no Porto de Santos.

É possível dimensionar a indústria e o comércio de derivados de trigo com dados disponíveis na ferramenta. A plataforma apresenta o número de estabelecimentos, bem como os empregos a eles vinculados, em três categorias: moagem, fabricação (massas, pães, biscoitos, etc) e comércio (varejo e atacado de cereais e farinhas, além de padarias). Mapas mostram o número de estabelecimentos e de empregos por 100 mil habitantes em cada microrregião do País, para análises que considerem as diferenças de densidade populacional.

Na seção dedicada à Economia da Produção há dados sobre o histórico das despesas de custeio, valor e preço pago pela produção das lavouras de trigo de 2002 a 2024. Informações sobre seguros agrícolas também podem ser analisadas.

“A plataforma preenche uma lacuna de dados organizados e de estimativas para tanto dimensionar a cadeia do trigo de forma integrada como analisar sua capacidade de expansão e os gargalos a superar”, avalia Hilton Silveira. Ele acredita que as informações, algumas das quais apresentadas pela primeira vez, podem abrir caminho para ampliar e melhorar a disponibilidade de dados sobre o setor.

Análise inédita: a irrigação e o trigo no Cerrado

A plataforma apresenta os resultados de uma análise inédita que estima quanto da área cultivada na região de expansão é irrigada. A equipe da Embrapa desenvolveu um método baseado em dados como rendimento da cultura e presença de áreas irrigadas por pivôs centrais para estimar em quais municípios os produtores adotam exclusiva ou predominantemente o sistema irrigado e em quais adotam o sequeiro. Isso permite estimativas anuais, diferente do Censo Agropecuário, realizado, em média, a cada 10 anos.

O painel sobre o tema disponível na plataforma aponta que, no território estudado, cerca de 314,8 mil toneladas de trigo foram produzidas em sistema de produção irrigado, gerando um valor de produção de R$ 67,1 milhões. Esses números correspondem à média anual para o período de 2019 a 2022. Pelos cálculos, a produção em sistema de sequeiro ainda predomina, com total próximo a 560 mil toneladas anuais no período analisado. “Conhecer pelo menos uma estimativa das áreas de trigo de sequeiro e irrigado pode ajudar nas aferições de uso das tecnologias de produção e melhorar o planejamento para a expansão da cultura”, avalia Álvaro Dossa.

Como aumentar a produção de trigo no Brasil?

A plataforma tem uma seção dedicada ao tema do aumento da produção de trigo no campo. A primeira estratégia explorada é elevar a produção nas áreas já cultivadas com o cereal. Por isso, a ferramenta apresenta o primeiro painel interativo com a inferência de lacunas de rendimento nos estados do Sul – a área tradicional de cultivo. As lacunas revelam a diferença entre o rendimento obtido e o que poderia ser alcançado com a adoção de tecnologias e manejos otimizados. Esses valores foram estimados microrregião por microrregião. Em cada uma delas, a equipe de pesquisa identificou o maior rendimento de trigo obtido por um dos municípios integrantes. Então, calculou a diferença entre esse valor e o rendimento médio da microrregião.

Na microrregião de Passo Fundo (RS), por exemplo, a avaliação é de que, entre 2020 e 2022, poderiam ter sido produzidos 837 quilos de trigo a mais por ano, em cada hectare cultivado. Considerando a área média colhida nesse período, a produção adicional alcançaria pouco mais de 60 mil toneladas anuais. Quando se faz esse cálculo para todas as microrregiões da Região Sul, chega-se a 1,8 milhão de toneladas adicionais. “As estimativas das lacunas nas diferentes microrregiões produtoras de trigo na Região Sul permitem identificar onde são maiores e onde ações de intercâmbio e transferência para melhorar o rendimento da cultura teriam maior impacto”, explica Dossa.

A plataforma também apresenta possibilidades de expansão das áreas de plantio de trigo, nas microrregiões em que há recomendação de cultivo no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cultura. Na região tradicional, projetaram-se cenários com parte das terras destinadas à produção de soja e milho de primeira safra convertidas em lavouras de trigo. Na região de expansão, considerou-se a área de milho de segunda safra. Três cenários foram projetados e apontam potencial de cultivo adicional de 4 a 5 milhões de hectares, tendo como comparação o triênio 2020-2022 e as áreas de soja e milho.

 





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Operação apreende mais de 5 mil litros de fertilizantes irregulares em São Paulo



Os produtos não possuíam registro no Mapa



Foto: Divulgação

Uma operação do Ministério da Agricultura e Pecuária apreendeu 5.046 litros de fertilizantes com irregularidades no interior de São Paulo. A ação foi realizada nos municípios de Cedral, Olímpia e Urupês, na região de São José do Rio Preto, após solicitação do Serviço de Fiscalização de Insumos e Sanidade Vegetal do Estado de São Paulo.

De acordo com o ministério, os produtos não possuíam registro, o que impede a comprovação de eficácia e configura infração à legislação. Durante a fiscalização, um veículo que transportava produtos destinados à revenda foi abordado, e os auditores fiscais federais agropecuários identificaram fertilizantes líquidos com rótulos contendo números de registro incompatíveis com as formulações e garantias declaradas. A nota fiscal foi retida e os lotes foram apreendidos no estabelecimento responsável.

Segundo o órgão, também foram constatadas irregularidades como ausência de comprovantes de controle de qualidade e inexistência de ordens de produção com detalhamento das matérias-primas. Ao todo, sete empresas foram fiscalizadas na primeira semana de março, sendo três autuadas.

A fiscalização identificou ainda que algumas empresas produziam adjuvantes nas mesmas instalações destinadas à fabricação de fertilizantes, prática não permitida sem a devida segregação de processos. De acordo com o ministério, essa condição pode resultar em contaminação cruzada e comprometer a qualidade dos produtos.

Todos os fertilizantes irregulares foram apreendidos, e as empresas envolvidas foram autuadas e intimadas a regularizar suas atividades. O ministério informou que também intensifica o monitoramento de vendas realizadas por telefone e redes sociais, orientando os consumidores a verificarem a regularidade dos produtos antes da compra.

O órgão destacou que “a atuação é baseada na análise de risco de produtos e locais críticos, priorizando ações preventivas e repressivas sustentadas por inteligência fiscal”, com o objetivo de garantir a conformidade dos insumos agropecuários e proteger a produção agrícola.

 





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Brasil amplia exportações para três países



Agro soma 555 aberturas desde 2023



Foto: Divulgação

O governo brasileiro concluiu negociações para ampliar o acesso de produtos agropecuários a mercados internacionais, com autorizações para exportações destinadas a El Salvador, Filipinas e Trinidad e Tobago. As tratativas foram conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Em El Salvador, foi autorizada a exportação de carne suína e derivados. Segundo o governo, a medida “permitirá maior aproveitamento econômico da cadeia produtiva, com agregação de valor”. Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 103 milhões em produtos agropecuários para o país.

Para as Filipinas, a abertura de mercado contempla o envio de feno seco. De acordo com o governo brasileiro, a autorização “criará oportunidades em mercado de grande escala”. O país asiático, com cerca de 112 milhões de habitantes, importou mais de US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários brasileiros em 2025.

Já em Trinidad e Tobago, foi liberada a exportação de sementes de coco. Conforme informado, a medida “deverá contribuir para a recomposição da flora e o fortalecimento da economia local”. Em 2025, o país importou mais de US$ 61 milhões em produtos agropecuários do Brasil.

Com as novas autorizações, o agronegócio brasileiro soma 555 aberturas de mercado desde o início de 2023, resultado atribuído à atuação conjunta dos ministérios envolvidos.





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Mercado da soja segue atento ao cenário global


A cotação da soja na Bolsa de Chicago registrou oscilações ao longo de março, influenciada por fatores geopolíticos e expectativas sobre o mercado norte-americano. Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 20 a 26 de março, o contrato para o primeiro mês chegou a US$ 12,13 por bushel no dia 12, maior valor desde o início de junho de 2024, mas recuou para US$ 11,55 nos dias 16 e 24, antes de encerrar o dia 26 cotado a US$ 11,73.

De acordo com a Ceema, o mercado segue atento às incertezas provocadas pelo cenário internacional. “Sob pressão das idas e vindas da guerra no Oriente Médio, o mercado espera com atenção o relatório de intenção de plantio nos EUA, previsto para o próximo dia 31/03”, aponta a análise. Ainda segundo o órgão, há expectativa de redução na área plantada com soja nos Estados Unidos em 2026, o que pode impactar as cotações futuras.

No Brasil, os preços apresentaram pouca variação no período. O saco de 60 quilos foi comercializado entre R$ 98,00 e R$ 119,00 nas diferentes regiões, patamar semelhante ao observado um mês antes. No Rio Grande do Sul, as principais praças registraram valores próximos de R$ 117,00 por saca. A Ceema destaca que “o câmbio se mantém entre R$ 5,20 e R$ 5,25 na média deste mês de março, segurando os preços”.

O avanço da colheita também segue abaixo do registrado no ano anterior. Até 19 de março, 68% da área havia sido colhida no país, ante 80% no mesmo período de 2025. No mercado internacional, o óleo de soja, que havia subido com o início do conflito no Oriente Médio, apresentou estabilização recente, embora tenha fechado o dia 26 em alta, cotado a 68,02 centavos de dólar por libra-peso.

Nos Estados Unidos, os embarques semanais de soja somaram 1,1 milhão de toneladas na semana encerrada em 19 de março, acumulando 29,2 milhões de toneladas no atual ano comercial, volume 27% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

A demanda chinesa por soja norte-americana apresentou forte retração no início de 2026. Segundo dados da alfândega chinesa, o país importou 1,49 milhão de toneladas do produto dos Estados Unidos em janeiro e fevereiro, queda de 83,7% em relação às 9,13 milhões de toneladas do mesmo período de 2025. A Ceema ressalta que “o mercado espera que Trump e Xi Jinping, presidente da China, se reúnam para dar mais clareza aos negócios entre os dois países”.

Por outro lado, as importações chinesas de soja brasileira cresceram 82,7% no bimestre, alcançando 6,56 milhões de toneladas. Ainda assim, há preocupação com possíveis entraves logísticos e sanitários. “O mercado está preocupado com o fato de que os controles fitossanitários mais rigorosos do Brasil e o prolongado desembaraço alfandegário da China possam diminuir o ritmo das chegadas nos próximos meses”, informa a análise.

A Argentina também ampliou sua participação no mercado chinês, com exportações que totalizaram 3,27 milhões de toneladas no primeiro bimestre, ante 111,6 mil toneladas no mesmo período do ano anterior. O avanço está associado à suspensão temporária dos impostos de exportação no país.





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preço dispara e preocupa famílias


O preço da dúzia de ovos subiu 9,21% na capital paulista entre janeiro e fevereiro de 2026, em um movimento puxado pela demanda aquecida, pela alta das exportações brasileiras e pelos custos de produção ainda elevados. A elevação ocorre em meio a um cenário mais amplo de pressão sobre os alimentos, grupo que avançou 4,55% no IPCA de fevereiro.

Na avaliação do economista Gesner Oliveira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio da GO Associados, a alta não é pontual e reflete um desequilíbrio entre oferta e demanda em um item cada vez mais presente na mesa do brasileiro.

“O aumento de 9,21% no preço da dúzia de ovos na capital paulista entre janeiro e fevereiro de 2026 reflete pressões simultâneas sobre oferta e demanda, dentro de um cenário de alimentos básicos com alta mais ampla”, afirma. Segundo ele, o encarecimento do produto acompanha uma tendência estrutural do mercado de alimentos e tem impacto direto no custo de vida, especialmente para as famílias de menor renda.

Um dos principais motores dessa valorização é o avanço do consumo interno. Estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que o consumo por brasileiro chegou a 287 unidades em 2025, alta de 6,7% em relação a 2024 e de 33,4% na comparação com 2015.

Para Gesner Oliveira, esse movimento está ligado ao chamado “boom das proteínas”, com maior procura por alternativas mais acessíveis diante do encarecimento de outras fontes proteicas. “A pressão sobre os ovos combina a expansão da demanda interna, impulsionada pelo chamado ‘boom das proteínas’, com a redução da oferta decorrente do aumento das exportações brasileiras, que restringe o volume disponível para o mercado doméstico”, explica.

Além do consumo mais forte, o mercado interno também sente os efeitos da menor disponibilidade do produto. Com o aumento dos embarques ao exterior, parte da produção deixa de abastecer o mercado doméstico, o que ajuda a sustentar os preços em patamar mais elevado.

Outro fator de peso é o custo de produção. Despesas com ração e energia seguem pressionando o setor e dificultam uma acomodação mais rápida dos preços.

“Custos de produção elevados, especialmente ração e energia, sustentam a tendência de alta, tornando difícil uma acomodação rápida dos preços e mantendo a trajetória iniciada no final de 2025”, destaca o economista. 

Os dados do primeiro bimestre reforçam esse cenário. O preço médio da dúzia passou de R$ 10,04 em dezembro de 2025 para R$ 10,44 em fevereiro de 2026, o que representa alta de 3,98% no período. Embora o peso do ovo no índice geral de inflação seja limitado, o efeito sobre o orçamento doméstico é relevante. Por fazer parte da cesta básica e ser uma proteína amplamente consumida, o produto tem impacto direto sobre o poder de compra das famílias.

“Do ponto de vista inflacionário, a evolução do preço do ovo impacta diretamente famílias de menor renda, dada a relevância do item na cesta básica, afetando a percepção de perda de poder de compra e pressionando a inflação de alimentos essenciais”, afirma Oliveira. Na prática, a alta do ovo reforça uma pressão já sentida no dia a dia do consumidor e sinaliza que a inflação dos alimentos básicos continua sendo um dos principais desafios para o orçamento das famílias brasileiras.

 





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