segunda-feira, março 9, 2026

Política & Agro

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Governo libera R$ 250 mi a estados prejudicados por chuvas


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, editou na quarta-feira (7) a primeira medida provisória de 2026: a MP 1.333 libera R$ 250 milhões em créditos extraordinários para atender diversos estados atingidos pelas fortes chuvas que começaram em novembro de 2025. O montante deve ajudar, principalmente, os seguintes estados: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. Também devem ser atendidas cidades atingidas por estiagem prolongada, secas, enxurradas, granizo, vendavais e incêndios.

O dinheiro já está à disposição do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional — já que as medidas provisórias têm efeitos imediatos, ou seja, passam a vigorar no momento em que são editadas. O socorro será feito por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).  Os créditos extraordinários (que são extraordinários por se tratarem de gastos não previstos no Orçamento em execução) são sempre liberados por meio de medidas provisórias. Estas, por sua vez, devem ser editadas pela Presidência da República em casos de relevância e urgência para o país.

As medidas provisórias têm efeitos imediatos, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional para se tornarem lei.  De acordo com o governo federal, os recursos liberados pela MP 1.333 serão usados para despesas e investimentos em ações de proteção e defesa civil de resposta e recuperação frente a desastres causados pelas chuvas excessivas em vários municípios — como foi o caso da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná.

Em 7 de novembro de 2025, essa cidade foi atingida por um tornado e, segundo o governo, o fenômeno climático afetou quase 90% da sua área urbana, deixando mortos e centenas de feridos, além de pessoas desabrigadas. Também houve destruição de casas, comércios, redes de energia e escolas. Localidades que passam por seca também devem ser beneficiadas. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) será o responsável pela execução de obras para a segurança hídrica em áreas do semiárido com falta crônica de água. 

De acordo com o Executivo, serão feitos estudos e intervenções, como canais de adução de água bruta, pequenas barragens e adutoras, entre outras obras, para ampliar a oferta de água, em especial no estado de Minas Gerais. Segundo a justificativa do governo federal, “a perfuração e a instalação de poços profundos configuram solução estrutural emergencial, capaz de assegurar o abastecimento contínuo em localidades onde sistemas convencionais foram severamente impactados”.

 





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Açaí é reconhecido em lei como fruta nacional



Aprovado pelo Senado em 2011, o projeto foi votado pela Câmara dos Deputados


Foto: Divulgação

O açaí passou a ser reconhecido como fruta nacional. É o que determina a Lei 15.330, de 2026, publicada nesta quinta-feira (8) no Diário Oficial da União. A expectativa é que a lei reforce a identidade do açaí como produto brasileiro e evite a biopirataria. A nova norma teve origem em um projeto de lei do Senado: o PLS 2/2011, do ex-senador Flexa Ribeiro (PA).

Aprovado pelo Senado em 2011, o projeto foi votado pela Câmara dos Deputados (onde tramitou como PL 2.787/2011) no final do ano passado. O texto alterou a Lei 11.675, de 2008, que já reconhecia o cupuaçu como fruta nacional.

Típico da Amazônia, o açaí é o fruto do açaizeiro. Sua polpa é usada como alimento e também em cosméticos. As sementes são usadas no artesanato e como meio de energia, substituindo a madeira. Do caule pode se extrair o palmito, enquanto as raízes podem ser utilizadas como vermífugo.

De acordo com os defensores da iniciativa, a nova lei pode reforçar a identidade do açaí como um produto brasileiro, beneficiando os produtores da Amazônia.

Além disso, eles argumentam que o reconhecimento em lei pode evitar a biopirataria. Em 2003, uma empresa japonesa chegou a patentear o açaí, mas em 2007 o governo brasileiro conseguiu cancelar esse registro.

 





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Cesta básica fica mais cara em 17 capitais


Em dezembro de 2025, a cesta básica ficou mais cara em 17 capitais brasileiras. A conclusão é da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, um levantamento divulgado mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), junto com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A única capital onde o preço médio não variou foi João Pessoa. Nas demais capitais, houve queda.

A elevação mais importante ocorreu em Maceió, onde o custo médio da cesta variou 3,19%. Em seguida, aparecem Belo Horizonte, com aumento de 1,58%; Salvador (1,55%); Brasília (1,54%); e Teresina (1,39%).

As quedas mais expressivas foram observadas na região norte do país, com Porto Velho liderando a lista (-3,60%), seguida por Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%) e Manaus (-1,43%).

Um dos principais responsáveis pelo aumento no preço da cesta foi a carne bovina de primeira, que subiu em 25 das 27 capitais. Segundo os responsáveis pela pesquisa, a alta no preço da carne pode ser explicada pelo aquecimento da demanda interna e externa e pela oferta restrita do produto.

Batata tem alta

A batata também apresentou alta em todas as capitais, com exceção de Porto Alegre, onde o preço do produto caiu 3,57%. No Rio de Janeiro o aumento chegou a 24,10%. Esse aumento pode ser explicado pelas chuvas e pelo fim da colheita.

A cesta básica mais cara do país continua a ser a de São Paulo, onde o custo médio chegou a R$ 845,95, seguida por Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06) e Cuiabá (R$ 791,29). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01) e Recife (R$ 596,10).

Com base na cesta mais cara do país, que em dezembro foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário-mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou que o salário-mínimo em dezembro deveria ser de R$ 7.106,83 ou 4,68 vezes o mínimo de R$ 1.518,00.





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Produtores colhem 35 t/ha de silagem e recuperam solo compactado


A adoção da Operação 365 vem promovendo mudanças significativas no manejo do solo e na produtividade da propriedade dos produtores de Ibiraiaras/RS, Fernando Daros e Fabrício Daros, pai e filho, que há 14 meses desenvolvem na propriedade a Operação 365, projeto desenvolvido pela Embrapa em parceria com a Rede Técnica Cooperativa (RTC). A iniciativa conta com acompanhamento técnico da CCGL, por meio do Assistente Técnico de Campo, Nicolas Petry e do especialista Michel Kraemer, responsáveis pela condução dos trabalhos na propriedade.

Antes do início do projeto, o diagnóstico revelou um cenário desafiador: solo altamente compactado, com baixa eficiência produtiva e limitações para o desenvolvimento das culturas. A partir desse levantamento detalhado, foram realizadas análises minuciosas do solo, correções com aplicação de calcário e a implantação de plantas de serviço, fundamentais para a descompactação e a melhoria da estrutura física e biológica do solo.

Segundo os produtores, a decisão de aderir à Operação 365 foi imediata, motivada pela oportunidade de contar com a expertise técnica dos profissionais envolvidos. “O projeto nos permitiu identificar rapidamente os principais problemas do solo e iniciar um trabalho consistente de recuperação”, destaca Fernando.

Os resultados já começam a aparecer no campo. Nas culturas de inverno, o desempenho foi expressivo, com destaque para as plantas de serviço e para o trigo destinado à silagem, que alcançou produtividade de 35 toneladas por hectare. Já nas culturas de verão, o milho apresenta elevado vigor, bom enraizamento e resposta positiva ao sistema nutricional, reflexo direto das mudanças no manejo.

Apesar de reconhecerem que o processo de recuperação do solo é contínuo e exige tempo, os produtores avaliam que a evolução observada até o momento é significativa. Mais do que ganhos produtivos, a Operação 365 proporcionou uma mudança de percepção sobre o solo. “Hoje temos uma nova visão: dar mais vida à terra para que ela nos devolva em resultados”, afirmam.

Para Fernando e Fabrício Daros, a Operação 365 representa um compromisso com o futuro da propriedade e da agricultura sustentável. “O futuro depende de nós e dos profissionais que caminham conosco. A Operação 365 veio para dar o verdadeiro valor à nossa Mãe Terra, e ela certamente irá nos retribuir”, concluem.

A Operação 365 tem como objetivo manter o solo coberto e produtivo durante todo o ano, promovendo boas práticas agrícolas por meio do Índice de Qualidade de Manejo (IQM). Além de contribuir para a sustentabilidade dos sistemas produtivos, o projeto possibilita benefícios como acesso a crédito diferenciado e maior segurança econômica ao produtor rural.

 





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Soja enfrentou cenário de intensa volatilidade nos preços



Ampla disponibilidade do grão no mercado global pressionou os preços para baixo



Foto: United Soybean Board

Ao longo de 2025, a soja enfrentou um cenário de intensa volatilidade nos preços, marcado por mudanças políticas, disputas comerciais e uma oferta global elevada. Segundo dados divulgados pelo Cepea, as cotações médias atingiram os menores patamares dos últimos anos. O mercado internacional de soja foi impactado por uma combinação de fatores que dificultaram previsões e decisões comerciais. Segundo o Cepea, a ampla disponibilidade do grão no mercado global pressionou os preços para baixo, refletindo diretamente nas negociações internas brasileiras.

Entre os elementos que influenciaram a trajetória do mercado em 2025, destacam-se as tensões comerciais entre China e Estados Unidos — os dois maiores players do setor. Essas disputas afetaram o fluxo de exportações, gerando incertezas entre tradings e produtores. Outro fator foi a mudança na política de “retenciones” na Argentina, que alterou o comportamento dos exportadores do país vizinho, tradicional competidor do Brasil no mercado externo.

Apesar das dificuldades, a demanda por soja seguiu em expansão em diversos países, especialmente asiáticos. Ainda assim, esse aumento não foi suficiente para equilibrar a balança frente à grande oferta. Segundo o Cepea, mesmo com o crescimento da procura, os preços médios mantiveram-se em queda, tanto nos portos brasileiros quanto nos contratos internacionais.

O Brasil, maior exportador mundial de soja, registrou um dos piores desempenhos de preços nos últimos anos. A forte concorrência no mercado externo, somada à política cambial e à alta dos custos de produção, reduziu as margens dos produtores, principalmente aqueles que não conseguiram travar preços antecipadamente.

Para 2026, as expectativas giram em torno de ajustes na produção, resposta do mercado às políticas externas e novos alinhamentos comerciais. Segundo o Cepea, a recuperação dos preços dependerá da redução na oferta global e da estabilidade nos acordos entre grandes economias. Produtores devem manter atenção redobrada às dinâmicas internacionais, que seguirão como principal vetor de precificação no setor.





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Preços em alta movimentam mercado de milho



Cotações do cereal ficaram acima dos níveis



Foto: Divulgação

Mesmo com produção histórica de 141 milhões de toneladas em 2025, os preços do milho subiram em relação a 2024. Segundo dados divulgados pelo Cepea, o avanço da produtividade garantiu volume recorde, mas o mercado operou com valorização durante boa parte do ano.

Ao contrário do que tradicionalmente se espera diante de uma supersafra, o mercado brasileiro de milho registrou recuperação nos preços ao longo de 2025. Segundo o Cepea, as cotações do cereal ficaram acima dos níveis observados em 2024, desafiando a lógica de que maiores volumes pressionam o mercado para baixo.

A produção total do ciclo 2024/25 atingiu 141 milhões de toneladas, o maior volume já registrado no país, representando um salto de 22% em relação à safra anterior. Esse crescimento foi impulsionado, sobretudo, pelo desempenho da segunda safra — tradicionalmente a mais relevante — beneficiada por clima favorável e aumento de produtividade em estados como Mato Grosso, Paraná e Goiás.

Apesar do aumento na oferta, fatores como demanda aquecida no mercado interno, retomada das exportações e menor competitividade de alguns concorrentes externos sustentaram os preços em patamares mais altos. De acordo com o Cepea, esse cenário favoreceu os produtores brasileiros, que conseguiram maior rentabilidade mesmo com custos elevados de produção.

Outro ponto que contribuiu para a valorização foi a melhoria na qualidade do grão colhido, que atendeu aos padrões exigidos por compradores internacionais. Com isso, o Brasil manteve posição de destaque no comércio global, reforçando sua imagem como fornecedor confiável e competitivo.

A perspectiva para os próximos meses é de atenção redobrada ao clima e às movimentações logísticas, especialmente nos portos. Segundo o Cepea, o desempenho do milho brasileiro em 2025 mostra que produtividade e demanda podem coexistir com preços firmes, consolidando o país como peça-chave no equilíbrio global do mercado de grãos.





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Brasil reduziu área de trigo em 2025 e acende alerta



A área cultivada em 2025 é a menor desde 2020



Foto: Canva

Após uma safra marcada por prejuízos em 2024, a cultura do trigo sofreu novo revés em 2025 — desta vez pela perda de área. A decisão dos produtores de reduzir o plantio foi motivada, sobretudo, pela frustração com os resultados da temporada anterior, afetada por condições climáticas adversas que comprometeram a produtividade e a rentabilidade.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área cultivada em 2025 é a menor desde 2020, com queda de aproximadamente 20% em relação ao ano anterior. O Paraná, principal produtor nacional, concentrou boa parte dessa retração, refletindo o desânimo de agricultores diante do risco climático e dos custos de produção.

A diminuição no cultivo reflete um comportamento defensivo por parte dos produtores, que buscaram alternativas mais seguras e rentáveis, como milho ou soja de inverno. Segundo dados da Conab, essa mudança de estratégia foi mais visível nas regiões que enfrentaram geadas, excesso de chuvas ou estiagens no ciclo 2024, comprometendo o desenvolvimento das lavouras de trigo.

Ainda que o trigo brasileiro venha ganhando espaço no mercado interno e nas exportações nos últimos anos, os episódios de instabilidade climática e a volatilidade de preços continuam sendo entraves ao seu avanço. Em 2025, esse cenário desestimulou investimentos em tecnologia e renovação de áreas.

Com menor área plantada, o desempenho da safra de trigo em 2025 dependerá fortemente do clima nos meses finais do ciclo. Segundo a Conab, o recuo sinaliza a necessidade de políticas de mitigação de riscos e incentivo à cultura, especialmente em estados-chave como o Paraná. O setor segue atento às próximas movimentações do mercado e às perspectivas climáticas para decidir os rumos de 2026.





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Bioinsumos e fertilizantes são alternativas viáveis para o déficit hídrico na safra de soja de 2026


Os bioinsumos são altamente eficazes contra déficit hídrico na soja, complementando fertilizantes com mecanismos biológicos que aumentam raízes em 20-30% e regulam hormônios de estresse. Microrganismos como Azospirillum, Bacillus e micorrizas melhoram absorção de água e nutrientes sob seca, recuperando 10-20% da produtividade perdida em florescimento 

Para Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, a força da safra está diretamente ligada à qualidade dos insumos utilizados: “A escolha correta dos insumos, principalmente dos fertilizantes,  define a eficiência de todo o sistema produtivo. Quando o produtor investe em nutrientes adequados, na dose certa e no momento certo, ele reduz perdas, aumenta a rentabilidade e protege o potencial produtivo da cultura.”

Os fertilizantes foliares são uma das principais alternativas viáveis para a safra de soja 2026/27 no Brasil, especialmente sob chuvas irregulares no Centro-Oeste. A adoção já atinge 46,7% da área cultivada (soja 62% do total), com crescimento anual de 20%, comprovando eficácia prática em cenários climáticos adversos.

A previsão climática para 2026 no Rio Grande do Sul, por exemplo, indica um ano de transição: começa sob influência da La Niña, passa para neutralidade entre o fim do verão e o outono e pode evoluir para um episódio de El Niño entre o inverno e a primavera. Além disso, a meteorologista ressalta que fenômenos de curto prazo, menos previsíveis, podem ocorrer ao longo do ano e alterar temporariamente o padrão climático esperado, mesmo dentro desse cenário geral. 

Apesar de ser um momento em que há muita adversidade climática, este não é um fator que irá determinar tanto o desempenho da safra de soja para o ano de 2026, que deve ser recorde no Brasil, superando 2025/26 apesar de chuvas irregulares localizadas. Abiove projeta 177,7 milhões de toneladas, um aumento de cerca de 3,4%  (172,1 milhões de toneladas) em relação a  2025.





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Paraná registra 88 casos de ferrugem-asiática da soja


De acordo com o Consórcio Antiferrugem,  a safra de soja 2025/2026 conta com 144 registros de ferrugem-asiática da soja, uma das doenças mais severas para a cultura da soja: sendo 88 casos no Paraná, 44 no Mato Grosso do Sul, 5 no Rio Grande do Sul, 4 em São Paulo, 2 em Santa Catarina e 1 registro em Minas Gerais. Ao se comparar o mesmo período do ano passado, observa-se que o Paraná havia registrado 41 no início de janeiro. Portanto, o Paraná tem o dobro das ocorrências da safra passada. “O aumento no número de relatos não indica perda de controle da doença, mas sim que a ferrugem foi identificada na região e precisa ser manejada adequadamente. É um sinal de que há esporos circulando e de que o produtor precisa utilizar Fungicidas com eficiência para o manejo da ferrugem.”, destaca a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa soja.

Na avaliação da pesquisadora, a maior ocorrência de relatos de ferrugem-asiática da soja na região Sul do Brasil está relacionada a maior sobrevivência de plantas voluntárias de soja na entressafra, à janela de semeadura, na região, e ao monitoramento da doença. A pesquisadora afirma que o clima mais úmido durante o inverno, no Sul, favorece a sobrevivência da soja voluntária — plantas que nascem espontaneamente após a colheita — e, consequentemente, do fungo causador da ferrugem. “Com a ocorrência de chuvas no inverno, há maior sobrevivência da soja voluntária, na qual o fungo acaba se mantendo”, explica. “No Cerrado, onde o inverno é mais seco, essa sobrevivência é menor”, diz a pesquisadora.

O vazio sanitário, período de 90 dias em que é proibido semear soja –  determina a eliminação das plantas de soja. “Mesmo assim, há presença significativa dessas plantas em meio a outras lavouras na região Sul, o que contribui para a manutenção da doença”, diz. Outro fator apontado pela pesquisadora é a janela de semeadura. “Estados como o Paraná iniciam o plantio já no dia 1º de setembro, assim como regiões do Paraguai. Quanto mais cedo se semeia, mais cedo a ferrugem começa a aparecer, principalmente quando há proximidade com fontes de inóculo”, afirma Godoy.

Além disso, o número elevado de relatos no Sul também está ligado à metodologia de registro. Os dados do Consórcio Antiferrugem são contabilizados por município, e o Paraná, por exemplo, possui um número maior de municípios em comparação a outros estados. “Os registros são voluntários e dependem da atuação de técnicos e agrônomos em campo. E as regiões com forte presença de cooperativas, como ocorre no Paraná, acabam apresentando maior número de notificações”, explica Cláudia.

No Centro-Oeste brasileiro, por outro lado, a colheita se aproxima e a ferrugem tende a causar menos impacto. “Os produtores estão conseguindo maior “escape” da doença. Porém, nessa região, outras enfermidades, como a mancha-alvo, têm maior relevância econômica”, ressalta Cláudia.

Orientações ao produtor

Com o avanço da resistência do fungo causador de ferrugem-asiática aos fungicidas há a necessidade do uso de produtos multissítios em associação. Esses fungicidas atacam o fungo em múltiplos pontos do seu metabolismo simultaneamente, por isso, o risco de o fungo desenvolver resistência a eles é mais baixo. “Essa estratégia é fundamental para aumentar a eficiência do controle e prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis”, afirma.

Os produtores podem baixar o aplicativo do Consórcio Antiferrugem na Google Play e Apple Store e acompanhar os dados do Consórcio Antiferrugem.  A eficiência dos fungicidas disponíveis no mercado pode ser consultada no aplicativo “Classificação de eficácia de fungicidas químicos e biológicos: módulo soja” no site da rede de fitossanidade tropical (RFT), com informações baseadas em ensaios cooperativos de quatro safras. As circulares técnicas com ensaios detalhados para ferrugem-asiática são disponibilizadas no site da RFT.





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Boi gordo fecha a semana sem mudanças em SP



Boi gordo mantém estabilidade em São Paulo



Foto: Divulgação

O mercado do boi gordo manteve estabilidade em São Paulo nesta sexta-feira (9), segundo análise do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria. O levantamento aponta que, como é comum para o último dia útil da semana, o volume de negócios foi reduzido.

De acordo com a Scot Consultoria, frigoríficos com escalas de abate mais confortáveis apresentaram menor participação no mercado, atuando apenas em oportunidades pontuais. Já as unidades que permaneceram ativas negociaram nos preços vigentes. O informativo registra que “havia relatos de negócios acima da referência, mas ainda insuficientes para estabelecer um padrão de preços”.

A análise indica que a oferta de boiadas foi suficiente para atender à demanda, enquanto o escoamento da carne seguiu em ritmo considerado adequado, o que contribuiu para o equilíbrio do mercado. Conforme o relatório, “na comparação feita dia a dia, os preços permaneceram estáveis para todas as categorias”. As escalas de abate atendiam, em média, a sete dias.

Para a próxima segunda-feira, a Scot Consultoria projeta a manutenção do cenário observado. Segundo o informativo, “o bom desempenho do escoamento da carne deverá dar sustentação ao mercado”.

Em Mato Grosso, o cenário foi semelhante. A análise aponta que a oferta vigente atendeu à demanda, sem formação de sobras, com a maior parte dos frigoríficos operando com escalas confortáveis. De acordo com a Scot Consultoria, as vendas de carne mantiveram o mercado equilibrado, resultando em estabilidade de preços na comparação diária em todas as categorias nas quatro praças do estado.

Ainda conforme o informativo “Tem Boi na Linha”, as escalas de abate em Mato Grosso atendiam, em média, entre sete e dez dias.





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