quarta-feira, abril 22, 2026

Política & Agro

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Pesquisador dos EUA visita o Fundecitrus e conhece mais sobre a citricultura brasileira



O Fundecitrus recebeu, na semana passada, a vista do pesquisador Fernando Alferez


Foto: Fundecitrus

O Fundecitrus recebeu, na semana passada, a vista do pesquisador Fernando Alferez, do Centro de Pesquisa e Educação do Sudoeste da Flórida (SWFREC), da Universidade da Flórida. Acompanhado de pesquisadores do Fundecitrus e da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Alferez conheceu, pela primeira vez, pomares e experimentos em algumas regiões do parque citrícola, os trabalhos desenvolvidos e a estrutura dos laboratórios da instituição em Araraquara (SP). Também em passagem pelo Brasil, o coordenador de projetos do Citrus Reserch and Development Foundation (CRDF) e pesquisador, Jim Graham, integrou o grupo de visitas técnicas por algumas propriedades. 

Alferez tem destaque em trabalhos de melhorias de práticas horticulturais para o combate ao greening, com destaque para a utilização de cobertura individuais para a proteção de plantas jovens e o uso do regulador vegetal brassinosteroides. Para ele, a colaboração entre Brasil e EUA é muito importante para a geração de conhecimento sobre o manejo da doença. “Na Flórida, quando falamos em citros, nosso principal problema é o greening. Por esse motivo, é muito importante essa colaboração internacional já que estamos falando sobre uma doença que é muito complexa. Fiquei realmente muito impressionado com o que está sendo feito aqui no Brasil, os pesquisadores brasileiros e a indústria estão fazendo um trabalho muito importante para controlar a doença” diz.

O pesquisador do Fundecitrus Franklin Behlau também ressaltou a parcerias entre os países na busca por uma solução eficiente e sustentável de combate ao greening. “Foi uma visita bastante importante para o fortalecimento dessa parceria histórica entre o Fundecitrus e a Universidade da Flórida. Temos colaboração com diversos pesquisadores e isso é muito importante para os avanços das pesquisas e de novos estudos. Nosso manejo do greening e do psilídeo tem sido referência internacional e isso reforça a qualidade do trabalho que vem sendo desempenhado pelo citricultor brasileiro”, explica.

Alferez participou, ainda, de seminário direcionado aos estudantes da ExpertCitrus, especialização em fitossanidade dos citros. Na palestra ministrada para os alunos, “Brassinosteroides para mitigação do greening: desenvolver a adoção de soluções viáveis ??para ajudar os citricultores em um cenário endêmico provocado pelo greenig”, o pesquisador apresentou os resultados dos seus estudos.





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FDC Repórter – Mapeamento da citricultura



3ª edição do FDC Repórter fala sobre o mapeamento


Foto: Fundecitrus

 

A 3ª edição do FDC Repórter fala sobre o mapeamento, também conhecido como censo da citricultura. O objetivo desse trabalho, realizado em todo o cinturão citrícola e em regiões de expansão, é estimar o número de plantas produtivas e não produtivas de laranjeiras no cinturão citrícola. Confira mais detalhes na reportagem.





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Como o brasileiro percebe o glúten?



Esses debates mostram a necessidade de uma comunicação eficaz da indústria



Esses debates mostram a necessidade de uma comunicação eficaz da indústria
Esses debates mostram a necessidade de uma comunicação eficaz da indústria – Foto: Pixabay

A percepção sobre o glúten entre os brasileiros e sua abordagem na mídia foram temas centrais do painel “O trigo e a Mídia”, ocorrido durante o Congresso Internacional da Indústria do trigo, promovido pela Associação Brasileira da Indústria do trigo (Abitrigo) em Foz do Iguaçu (PR). Um levantamento da Buzzmonitor monitorou o termo “glúten” nas redes sociais e sites de informação entre abril e outubro de 2024, revelando o contexto de discussão e a predominância de visões positivas ou negativas. 

Erick Garcia, gerente de Negócios da Buzzmonitor, apresentou os resultados, enfatizando a relevância de entender como o glúten é discutido digitalmente. Ele apontou que 46,6% das publicações sobre o tema têm uma perspectiva positiva, enquanto 31,4% são negativas e 22% neutras. O público feminino foi o mais engajado, representando 63,5% das interações. Para a indústria do trigo, compreender essas dinâmicas é vital, pois as percepções públicas podem influenciar diretamente a aceitação e as vendas de produtos à base de trigo.

Rogério Tondo, presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, destacou que, excluindo pessoas celíacas ou com problemas médicos, a maioria da população pode consumir derivados de trigo normalmente. O pesquisador Gilberto Igrejas reforçou que o trigo é um alimento nutritivo, alertando sobre os riscos de dietas sem glúten adotadas sem necessidade médica, que podem levar a deficiências nutricionais. Vanderli Marchiori, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrição em Saúde Mental, acrescentou que a saúde é resultado de um conjunto de decisões e não da exclusão de carboidratos.

Esses debates mostram a necessidade de uma comunicação eficaz da indústria, promovendo informações corretas para combater a desinformação e atender à demanda crescente por produtos saudáveis.

 





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Firme demanda e retração na oferta elevam preço da soja



Valorização da soja no mercado brasileiro ganhou força




Foto: United Soybean Board

A valorização da soja no mercado brasileiro ganhou força ao longo da última semana, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A alta nos preços reflete a firme demanda por parte das indústrias esmagadoras, ao mesmo tempo que os sojicultores mantêm uma postura cautelosa, reduzindo a oferta no mercado spot nacional.

Os pesquisadores do Cepea destacam que essa retração dos produtores está diretamente relacionada ao foco nas operações de campo para a safra 2024/25, cujas atividades vêm apresentando um ritmo mais lento do que em anos anteriores. A hesitação dos agricultores em negociar grandes volumes neste momento contribui para a pressão nos preços.

Como resultado, os Indicadores ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná alcançaram os maiores níveis nominais de 2024, consolidando a valorização da oleaginosa no mercado interno. A movimentação sugere que, enquanto a demanda por matéria-prima segue intensa, o avanço das atividades agrícolas pode determinar a dinâmica dos preços nas próximas semanas.

Essa tendência reforça a expectativa de que o desempenho da colheita da safra 2024/25 será decisivo para regular a oferta e atender às necessidades da indústria, especialmente diante da forte demanda por farelo e óleo de soja, produtos estratégicos no mercado doméstico e para exportação.





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A transformação do varejo na era digital



“Não dá mais para usar as mesmas formas do passado”



"Não dá mais para usar as mesmas formas do passado"
“Não dá mais para usar as mesmas formas do passado” – Foto: Pixabay

Na era digital atual, os padrões de consumo estão passando por uma transformação radical, especialmente no setor de varejo. Para sobreviver, as empresas precisam entender essas mudanças, que vão muito além das vendas online. Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarcas, enfatiza a evolução nos modelos de relacionamento entre varejistas e consumidores como crucial para o sucesso dos negócios. “Não dá mais para usar as mesmas formas do passado”, afirma.

Segundo Tamascia, a indústria passou de um modelo relacional tradicional, que focava no atendimento direto e personalizado, para um modelo transacional centrado em preços e promoções. Hoje, estamos na era do modelo relacional digitalizado, onde a personalização por meio da tecnologia é essencial. Essa nova interação com o consumidor deve ser profundamente personalizada e avançada. “A abordagem superficial já não é mais suficiente”, destaca.

A diversidade geracional também marca esse novo cenário, com consumidores de diferentes faixas etárias apresentando comportamentos distintos. A Geração Silenciosa valoriza a estabilidade e prefere lojas físicas, enquanto a Geração Z faz a maioria de suas compras online, priorizando personalização e inclusão.

Tamascia alerta que é fundamental investir em tecnologia e adotar estratégias diferenciadas para manter a relevância no mercado. A adaptação ao modelo Omnichannel, que integra diversos canais de atendimento, é necessária. Para empresas independentes, a união em redes associativistas pode ser uma alternativa viável para enfrentar os desafios da nova realidade. Assim, entender a jornada do consumidor e enfatizar a digitalização será essencial para a prosperidade do varejo.

 





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Chuvas impulsionam semeadura, e preço do milho sobe com oferta restrita



Produtores negociam o cereal apenas para necessidades pontuais




Foto: Divulgação

As cotações do milho registraram alta em todas as regiões monitoradas pelo Cepea, refletindo a postura estratégica dos produtores, que estão limitando as vendas no mercado spot. Com o retorno das chuvas, os agricultores intensificaram a semeadura da safra de verão 2024/25, negociando o cereal apenas para atender necessidades pontuais, o que tem reduzido a oferta disponível e impulsionado os preços.

Por outro lado, consumidores do mercado interno estão ativos na tentativa de recompor estoques, intensificando a demanda e reforçando a valorização do milho. A combinação de oferta limitada e procura aquecida tem sustentado as altas nas cotações nas últimas semanas.

Segundo o levantamento da Conab, até o dia 20 de outubro, 32% da área estimada para o milho da safra 2024/25 já havia sido semeada. A regularização das chuvas tem favorecido o avanço dos trabalhos no campo, especialmente nas regiões produtoras do Centro-Sul.

A expectativa é que, à medida que a semeadura avance e o mercado se ajuste, a disponibilidade do grão aumente, podendo influenciar os preços nas próximas semanas. Entretanto, a cautela dos produtores e a movimentação dos consumidores seguem como fatores-chave na definição das cotações no curto prazo.





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Uso excessivo de água no Matopiba pode comprometer até 40% da capacidade futura de expansão da irrigação


Considerada uma das fronteiras agrícolas que mais crescem no Brasil e a área com maior taxa de emissão de gases de efeito estufa no Cerrado, a região conhecida como Matopiba corre o risco de enfrentar falta de água já nos próximos anos. Entre 30% e 40% da demanda por irrigação de terras agricultáveis pode não ser atendida no período de 2025 a 2040 devido à superexploração dos recursos hídricos.

Esse problema, somado às mudanças climáticas, está reduzindo as vazões subterrâneas – provenientes do aquífero Urucuia – e dos corpos d’água superficiais da bacia do rio Grande, afluente do São Francisco. A redução desse fluxo pode comprometer o atendimento a demandas como o abastecimento urbano, de populações ribeirinhas e o próprio agronegócio, sem contar a diminuição de disponibilidade para toda a bacia.

A conclusão é de um estudo liderado por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que analisou a sustentabilidade de longo prazo da expansão agrícola em meio à crescente escassez de água na região. O trabalho, idealizado pela cientista do Inpe Ana Paula Aguiar e realizado em parceria com o Centro de Resiliência de Estocolmo (Suécia), aponta que deve haver um aumento de até 40% de energia para irrigação, pressionando ainda mais o sistema.

Acrônimo formado pelas siglas de quatro Estados – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia –, o Matopiba está inserido predominantemente no Cerrado (91% da área ou 665 mil km2), tendo apenas 7,3% na Amazônia e 1,7% na Caatinga. Em sua parte sudeste, é abastecido pela bacia do rio Grande, que cobre cerca de 76 mil km2.

Para fazer a análise, os pesquisadores usaram um modelo de dinâmica de sistemas – uma ferramenta que permite representar as complexas interações e feedbacks entre uso da terra, energia e água, além de simular diferentes cenários, vendo como é a reação ao longo do tempo. Com isso, ajuda na tomada de decisões e na implementação de políticas públicas mais eficazes.

“A dinâmica de sistemas considera uma visão holística, simulando as relações e as várias demandas – irrigação, energia elétrica, consumo – que existem simultaneamente na região. Isso nem sempre é considerado em análises realizadas por órgãos públicos”, diz o pesquisador do Inpe Celso von Randow, um dos autores do trabalho.

O artigo foi publicado na Ambio – Journal of Environment and Society e é parte do projeto Nexus – Caminhos para a Sustentabilidade, coordenado por Jean Ometto, pesquisador do Inpe e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG). O projeto buscou propor estratégias para viabilizar a transição para um futuro sustentável nos biomas Cerrado e Caatinga por meio de uma abordagem participativa, integrando métodos qualitativos e quantitativos.

O relatório técnico do Nexus, que traz informações da pesquisa do grupo e de outras desenvolvidas na região, foi lançado agora em outubro e apresentado no seminário “Contribuições da comunidade científica brasileira para a temática de combate à desertificação”, realizado na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Pesquisadores do grupo estarão juntamente com a delegação brasileira na Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), na Arábia Saudita, em dezembro.

“A ideia do estudo nasceu de uma das oficinas do projeto Nexus, realizada no município de Barreiras. Havia uma preocupação com a sustentabilidade do sistema de irrigação. Desenvolvemos um modelo de dinâmica de sistemas para a região, mas ele pode ser aplicado a outras áreas adaptando algumas variáveis de acordo com a necessidade”, explica a engenheira agrícola Minella Alves Martins, primeira autora do artigo e orientanda de von Randow no Inpe com o apoio da FAPESP.

Durante a oficina, os principais desafios relatados na bacia do rio Grande estavam relacionados à disponibilidade de água – tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo – e aos conflitos socioambientais motivados por seu uso e pela posse irregular da terra. Mais de 90% das retiradas de água na bacia são destinadas à irrigação, de acordo com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).


Uma das oficinas realizadas em Barreiras para montar o escopo da pesquisa (foto: Projeto Nexus) 

Nos últimos dez anos, o Matopiba – com 337 municípios – registrou um salto na produção de grãos – 92%, passando de 18 milhões de toneladas (safra 2013/14) para cerca de 35 milhões de toneladas. Na Bahia, as culturas de soja, milho e algodão são destaque, tendo o município de Barreiras como um dos principais produtores no Estado.

Estima-se que na próxima década o crescimento agrícola do Matopiba ainda seja de 37%, com a produção atingindo 48 milhões de toneladas em uma área plantada de 110 mil km2. Os números fazem parte do estudo Projeções do Agronegócio, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Por outro lado, a seca severa que vem atingindo o país reduziu a previsão de produção de grãos na safra 2023/2024, especialmente no Matopiba. Para agravar a situação, o Cerrado bateu recorde de focos de incêndio neste ano. Foram 68.868 entre janeiro e 25 de setembro, superando todo o ano de 2023. É o maior desde 2015.

Com esse cenário, além de registrar aumento da temperatura, o Matopiba emitiu 80% dos 135 milhões de toneladas de CO2 liberadas para a atmosfera por causa do desmatamento no Cerrado entre janeiro de 2023 e julho de 2024, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

A destruição da vegetação nativa pelo fogo e o desmatamento para outros usos levam a uma redução da evapotranspiração das plantas, diminuindo a quantidade de chuva. Há ainda o fato de a água, sem a cobertura vegetal, chegar com mais força ao solo, escorrendo superficialmente e deixando de formar os canais subterrâneos.

Projeções

O modelo de dinâmica de sistemas usado pelos pesquisadores para a região mostrou que as vazões superficiais e subterrâneas tendem a diminuir até 2040. Eles levaram em consideração os usos de água atuais, as mudanças climáticas e feedbacks econômicos. Em contrapartida, haverá um aumento na demanda de água, principalmente impulsionada pela expansão da irrigação. Deve passar de 1,53 m³/s (2011-2020) para 2,18 m³/s (2031-2040).

Por isso, os pesquisadores apontam a possibilidade de estagnação da expansão da agricultura irrigada na região, levantando preocupações sobre a sustentabilidade de longo prazo do setor na bacia do rio Grande.

“Ouvimos muito na região que as retiradas de água são acima dos níveis de outorga. Então, o primeiro ponto de recomendação seria a revisão dessas permissões, justamente para que estejam de acordo com o novo normal climatológico que estamos vivendo. A série histórica pode estar defasada, levando a uma permissão acima do que é possível ofertar. Observamos por meio de dados de monitoramento de poços da CPRM que os níveis de águas subterrâneas estão caindo, mas esse sistema ainda é muito utilizado. Por isso, outra necessidade seria a fiscalização para proibir poços clandestinos e o monitoramento da exploração de novos locais de perfuração, visando um uso racional dos recursos hídricos”, afirma Martins à Agência FAPESP.

O grupo recomenda também que seja aprimorada a fiscalização das mudanças de uso e cobertura do solo para que áreas de recarga do aquífero não sejam comprometidas, além de incentivar estratégias mais eficientes e racionais da utilização de água na agricultura. Para estudos futuros, os cientistas sugerem a exploração de outros caminhos para adaptação às condições atuais, como a possibilidade de conectar o subsistema elétrico local à rede nacional e a criação de canais adicionais para garantir o abastecimento.

O artigo Long-term sustainability of the water-agriculture-energy nexus in Brazil’s MATOPIBA region: A case study using system dynamics pode ser lido em: https://link.springer.com/article/10.1007/s13280-024-02058-9#Ack1.

 





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Por que o Brasil ainda importa produtos que poderia produzir internamente?


O Brasil alcançou números recordes de exportação de commodities em 2023, consolidando-se como um dos maiores fornecedores globais de produtos como soja, açúcar e milho. No entanto, essa estratégia de exportação massiva levanta questionamentos sobre o desenvolvimento da indústria alimentícia local. Luiz Alberto Gonzatti, CEO da Alibra Ingredientes, alerta para o fenômeno que ele define como “turismo de ingredientes”, criticando a dependência do país de importar ingredientes que poderiam ser produzidos internamente.

Gonzatti destaca que, embora o Brasil possua vantagens competitivas como clima favorável e abundância de recursos naturais, a maior parte do valor agregado das commodities exportadas acaba sendo explorada por outros países. Um exemplo é o processamento da soja: “Exportamos grãos para a Ásia, onde extraem óleo e farelo, além de produtos de alto valor, como a vitamina E, que depois são vendidos de volta para nós”, explica.

O CEO sugere que a falta de transformação local limita a capacidade do Brasil de desenvolver tecnologias e cadeias produtivas mais sofisticadas. “Precisamos desenvolver essa indústria aqui para gerar mais arrecadação e criar empregos qualificados”, defende Gonzatti, ressaltando que esse movimento permitiria ao Brasil ser menos vulnerável às oscilações do comércio exterior.

Para Gonzatti, uma das chaves para superar o “turismo de ingredientes” está na aproximação entre a indústria e as universidades, fomentando o setor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&DI). Ele acredita que a adoção do conceito ESG (Ambiental, Social e Governança) pode ser um diferencial competitivo. “Cuidar do meio ambiente e reduzir a pegada de carbono, utilizando tecnologias limpas, é fundamental para tornar nossa indústria mais sustentável e eficiente”, afirma.

O CEO da Alibra também alerta para a necessidade de investir em cadeias como a láctea, onde o Brasil, mesmo sendo um dos maiores produtores de leite do mundo, ainda depende de importações de proteínas lácteas da Europa, Oceania e Estados Unidos. “Poderíamos produzir esses ingredientes localmente e agregar mais valor aos produtos consumidos aqui”, sugere Gonzatti, ressaltando que a Alibra já trabalha com tecnologias para transformar componentes do leite em insumos de alto valor agregado.

Segundo Gonzatti, criar um “clúster produtivo” que integre universidades, setor privado e órgãos públicos é essencial para desenvolver um ambiente favorável à inovação e à produção local. Ele defende que essa estratégia pode garantir maior autossuficiência e estabilidade econômica. “É um processo que já ocorre em algumas cadeias, mas há muito espaço para expandir e reduzir nossa dependência de importações”, conclui.





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Startup cria soluções inéditas em sensoriamento



O modelo de negócio da Kalliandra é inovador



O modelo de negócio da Kalliandra é inovador
O modelo de negócio da Kalliandra é inovador – Foto: Divulgação

A Kalliandra, uma startup inovadora, foi fundada em 2017 por Gabriel Xavier Ferreira e Waldir Denver Muniz Meireles Filho em Luís Eduardo Magalhães, Oeste da Bahia. Inspirados na resiliência da Calliandra spp., um arbusto que floresce nas épocas mais árduas, os empreendedores desenvolveram soluções em sensoriamento para enfrentar os desafios do produtor rural brasileiro. A principal inovação da Kalliandra é um sistema de monitoramento autônomo que não requer internet nem rede elétrica, permitindo a supervisão em tempo real de toda a propriedade.

Utilizando uma rede MESH proprietária, o sistema conecta equipamentos que atuam como sensores e repetidores de sinal, proporcionando cobertura completa da fazenda com mínima infraestrutura. O portfólio da empresa inclui uma plataforma tecnológica com software próprio e diversos sensores, sendo o pluviômetro digital o carro-chefe, representando cerca de 70% dos negócios. Outros equipamentos como estações meteorológicas e monitores de irrigação completam as soluções oferecidas.

O modelo de negócio da Kalliandra é inovador, pois os equipamentos são cedidos aos produtores em comodato, garantindo que eles permaneçam nas propriedades ao longo do ano. “Antes do período das chuvas, nossa equipe realiza manutenção para assegurar a eficiência dos dispositivos”, explica Ferreira. A startup já monitora mais de 250 mil hectares em estados como Maranhão, Piauí e Goiás, com a meta de atingir 1.200 equipamentos instalados até o final do ano.

Nos últimos sete anos, a Kalliandra cresceu de forma orgânica, alcançando um crescimento médio de 70% ao ano, sempre buscando reduzir custos e aumentar a acessibilidade das tecnologias. Ferreira e Meireles Filho, que se conheceram na Universidade Federal de Viçosa, destacam que a incubação na Cyklo Agritech em 2020 foi crucial para ajustes e aprimoramentos, ajudando a consolidar a startup como referência em sensoriamento para o agronegócio.

 





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Plantio da soja avança com tempo instável no Sudeste e Centro-Oeste


A semana começa com padrões climáticos variados pelo Brasil, influenciando diretamente as atividades em campo. De acordo com o meteorologista do Portal Agrolink, Gabriel Rodrigues, um sistema de baixa pressão sobre o Sudeste está puxando umidade do oceano, formando nuvens carregadas e garantindo chuvas em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e algumas partes do Centro-Oeste.

A previsão para esta segunda-feira destaca volumes expressivos de chuva na região central de Minas Gerais, onde os acumulados podem variar entre 50 e 70 mm. Essa precipitação favorece a agricultura local, como o plantio de café e milho safrinha, que dependem de umidade adequada no solo para um bom desenvolvimento.

No Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, as chuvas serão mais localizadas, com volumes entre 20 e 40 mm, beneficiando principalmente o avanço do plantio da soja. Contudo, nas áreas sul e leste desses estados, as pancadas mais fortes serão isoladas e não devem causar impactos significativos nas atividades agrícolas.

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Enquanto a umidade traz desafios ao Sudeste e parte do Centro-Oeste, outras regiões devem enfrentar um cenário mais seco. No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as condições climáticas serão estáveis, favorecendo a colheita de trigo. O tempo firme também predomina no MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), além do Ceará e do Amapá, permitindo o avanço das culturas locais.

Para os estados do Acre, Rondônia e o extremo oeste do Amazonas, estão previstas pancadas isoladas, mas sem volumes expressivos. O mesmo padrão deve ser observado no litoral leste do Nordeste, com chuvas fracas e de curta duração, sem comprometer as culturas de cana-de-açúcar e fruticultura.

Rodrigues aponta que, com a chegada do fim de outubro, há expectativa de aumento nas chuvas típicas da estação pré-verão, trazendo precipitações mais espalhadas por todo o Brasil. No entanto, a região Nordeste ainda pode enfrentar períodos de seca, o que exige atenção das áreas agrícolas.

Em relação ao plantio de soja, o ritmo segue acelerado, com as lavouras já próximas da média histórica de plantio. As condições climáticas recentes têm se mostrado favoráveis em grande parte das regiões produtoras, o que projeta uma safra promissora.





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