quarta-feira, março 11, 2026

Política & Agro

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Novas normas acendem alerta no campo



“A legislação mudou, os bancos mudaram”


"A legislação mudou, os bancos mudaram"
“A legislação mudou, os bancos mudaram” – Foto: Canva

A entrada em vigor de novas regras tributárias, ambientais e contratuais em janeiro de 2025 deve alterar a rotina de produtores rurais, cooperativas e empresas do agronegócio. O início do ano marca a consolidação de exigências digitais, mudanças no Funrural, revisão de contratos e novos critérios de crédito, criando um cenário de atenção imediata para a safra.

Especialistas apontam que o período será marcado por revisões urgentes de obrigações fiscais e documentais. Para o advogado tributarista e especialista em direito agrário Adriano de Almeida, sócio do Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, o início do ano será “um divisor de águas para quem ainda não adaptou a gestão financeira e documental da propriedade às novas exigências legais”, analisa.  

As alterações em contratos de arrendamento, parceria e compra futura também devem gerar impacto imediato, já que muitos documentos passam a exigir revisão diante de novas interpretações administrativas e judiciais. A digitalização definitiva de processos, como CNDs, notas fiscais e registros de transporte, consolida 2025 como o ano da conformidade no campo, com risco de bloqueios operacionais para quem não estiver regularizado.

Os novos critérios ambientais associados ao crédito rural, somados às exigências de rastreabilidade e mercado de carbono, tornam a organização antecipada indispensável. Segundo Adriano, “deixar ajustes para depois da virada pode resultar em perda de crédito, contratos anulados e autuações que comprometem a safra. A legislação mudou, os bancos mudaram, as fiscalizações mudaram. O produtor que entrar em janeiro sem planejamento jurídico e tributário pode perder crédito, ter contratos anulados ou sofrer autuações pesadas. O campo não tem mais espaço para improviso”, finaliza.

 





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Planejamento sucessório tende a ficar mais caro



“O inventário implica custos significativos”


“O inventário implica custos significativos"
“O inventário implica custos significativos” – Foto: Divulgação

O adiamento do planejamento sucessório tende a elevar custos e burocracias para produtores rurais diante das mudanças no ITCMD e das alterações trazidas pela reforma tributária. A organização prévia da transferência de bens envolve propriedades, maquinário, semoventes, estoques e outros ativos ligados à atividade agropecuária. Sem essa estrutura, todo o patrimônio passa ao inventário, processo que inclui a cobrança do ITCMD, cujas alíquotas variam entre os Estados e podem alcançar 8%.

O especialista Álvaro Santos observa que propostas em discussão no Senado buscam ampliar o teto do imposto para 16%, indicando um cenário de maior tributação. A reforma tributária também passou a exigir alíquotas progressivas, vinculou a cobrança ao último domicílio do falecido e autorizou a incidência sobre bens no exterior. Essas mudanças impactam diretamente estratégias patrimoniais e sucessórias.

“O inventário implica custos significativos, entre eles o ITCMD (Imposto Sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), tributo de competência dos Estados e do Distrito Federal, cujas alíquotas podem chegar a 8%”, destaca o especialista.

Modelos como doação com reserva de usufruto e constituição de holdings continuam possíveis, mas dependem de análise criteriosa. O especialista destaca ainda que o projeto que regulamenta o ITCMD prevê critérios padronizados de avaliação de cotas, o que pode elevar custos futuros. Para ele, agir com antecedência é essencial para reduzir riscos e garantir decisões adequadas, com apoio profissional qualificado. 

“Nós da Álvaro Santos, contamos com uma equipe altamente capacitada, auxiliamos em todas as etapas do planejamento patrimonial para que nosso cliente tome as melhores decisões. O primeiro conselho é que saiam da inércia, pois esperar pode custar caro”, finalizou o especialista.

 





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Controle eficaz impulsiona rendimento do milho



A maior limpeza das áreas resultou em colheitas superiores a 100 sacas por hectare


A maior limpeza das áreas resultou em colheitas superiores a 100 sacas por hectare
A maior limpeza das áreas resultou em colheitas superiores a 100 sacas por hectare – Foto: USDA

Uma nova mistura herbicida vem sendo apontada por estudos como alternativa para o controle de plantas daninhas de difícil manejo no milho. A solução reúne dois ingredientes ativos que, segundo as pesquisas, apresentam ação sinérgica e contribuem para elevar a produtividade das lavouras avaliadas.

Os trabalhos conduzidos na região de Palotina pelo pesquisador Alfredo Albrecht, da UFPR, indicaram que terbutilazina e mesotriona, combinadas em formulação pronta, atuam de forma eficaz sobre invasoras como capim-pé-galinha, capim-amargoso, picão-preto, trapoeraba e caruru. As avaliações envolveram milho verão e segunda safra. Nos testes, o controle dessas plantas alcançou níveis entre 90% e 100%, enquanto tratamentos-padrão com herbicidas amplamente usados no país mostraram desempenho considerado muito baixo diante da resistência observada em algumas espécies.

“São moléculas que agora associadas em uma mistura de formulação equilibrada, têm sinergia e encaixe favorável no controle de invasoras difíceis do milho, como capim-pé-galinha, capim-amargoso, picão-preto, trapoeraba, caruru e outras que preocupam dentro do sistema soja-milho”, ressalta.

A maior limpeza das áreas resultou em colheitas superiores a 100 sacas por hectare e, conforme o pesquisador, a mistura não apresentou sinais de injúria, mantendo seletividade ao milho. Ele destaca que falhas no manejo de invasoras podem levar a perdas expressivas e comprometer a competitividade das lavouras.

“Já chegamos a quantificar a campo perdas de 80% a 90% do milho, em áreas não tratadas adequadamente com herbicidas”, alerta Albrecht. “Importante o produtor perceber que a contenção de daninhas não implica apenas custo, mas representa investimento em produtividade. Caro é ter o mato como adversário”, ele conclui.

 





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Caminhos para recuperar pastagens



Fazenda é exemplo nesta questão


Fazenda é exemplo nesta questão
Fazenda é exemplo nesta questão – Foto: Bing

As plantas daninhas comprometem a produtividade das pastagens ao reduzir o vigor das forrageiras, o que afeta a rentabilidade e amplia a pegada de carbono das propriedades. Com o uso de herbicidas tecnológicos, o pecuarista Carlos Roberto Simm, de Campestre da Serra, conseguiu recuperar áreas degradadas e alcançar o sequestro de 60 toneladas de carbono por ano. Ele adotou as inovações da Linha Pastagem da Corteva Agriscience integradas à Plataforma-S, que reúne tecnologia, manejo avançado e monitoramento para valorizar práticas sustentáveis.

Na Fazenda Clarice, o sistema foi desenvolvido com a Criatec e a medição da pegada de carbono utilizou o GHG Protocol. Nos ciclos avaliados, ficou comprovado o sequestro anual de 60 toneladas de carbono equivalente, resultado da recuperação das áreas e do manejo que favorece um sistema radicular mais profundo. A avaliação mostrou evolução no estoque de carbono no solo e indicou que a carne produzida segue um sistema de carbono negativo, com destaque para o controle de invasoras pelos herbicidas.

“A Fazenda Clarice se tornou um dos exemplos mais notáveis da eficácia da integração de manejo e tecnologia. Ao aderir ao Plataforma-S como um Pecuarista-S, Simm demonstrou a viabilidade de uma pecuária moderna, eficiente e regenerativa, focada na longevidade da terra”, destaca Rodrigo Takegawa, Líder de Marketing & Comercial das Linhas Floresta e Pastagem da Corteva Agriscience para o Brasil e Paraguai.

A Plataforma-S apoiou o registro do balanço de carbono, que diferencia propriedades carbono neutro daquelas carbono negativo, caso da fazenda. Para ampliar esses resultados, a Linha Pastagem investe em herbicidas como Navius e Juvix, formulados para controlar plantas resistentes e facilitar a operação no campo, garantindo pastos mais longevos e produtivos.

 





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Soja encerra em leve alta em Chicago


A soja encerrou a sessão desta quinta-feira em leve alta na Bolsa de Chicago, com o mercado voltando as atenções para a movimentação da China, principal importadora global da oleaginosa. Segundo a TF Agroeconômica, o comportamento das compras chinesas e sinais no mercado interno do país asiático sustentaram os ganhos moderados dos contratos futuros.

No fechamento do dia, o contrato janeiro avançou 0,60%, ou 6,75 cents por bushel, sendo cotado a US$ 11,31,50, enquanto o vencimento março subiu 0,53%, ou 6,00 cents, para US$ 11,40,75 por bushel. No complexo soja, o farelo para janeiro teve leve alta de 0,03%, encerrando a US$ 317,10 por tonelada curta, e o óleo de soja registrou valorização mais expressiva, com ganho de 1,13%, fechando a US$ 50,87 por libra-peso.

A sustentação dos preços esteve diretamente ligada à China. Além de uma compra relâmpago de 264 mil toneladas com destino aos portos chineses, o país respondeu por pouco mais da metade das vendas semanais de soja entre 7 e 13 de novembro, mesmo com o registro de um cancelamento de 100 mil toneladas no mesmo período. Outro fator relevante foi o leilão estatal de soja realizado no mercado chinês, no qual as tradings adquiriram grande parte das 512 mil toneladas ofertadas para uso interno, movimento interpretado como uma abertura de espaço para a entrada de soja norte-americana.

Apesar desse suporte, os dados de exportação mostram um quadro misto. Até 13 de novembro, as exportações de soja dos Estados Unidos acumulam atraso de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as de farelo estão 8% acima, e o óleo de soja apresenta redução líquida de 13,3 mil toneladas. O relatório do NASS, por sua vez, apontou aumento mensal e anual no esmagamento de soja em outubro, trazendo um viés positivo adicional ao mercado.





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Milho recua no mercado brasileiro e sobe em Chicago


O mercado de milho apresentou comportamentos distintos nesta quinta-feira, com queda nos preços na bolsa brasileira e alta nas cotações internacionais, segundo informações da TF Agroeconômica. O cenário reflete ajustes recentes nas variáveis climáticas, cambiais e de demanda, que seguem influenciando a formação de preços no curto prazo.

Na B3, os principais contratos futuros encerraram o dia em baixa. As cotações se acomodaram após a ocorrência de chuvas, reduzindo gradualmente o prêmio de risco climático que vinha sustentando os preços. Ainda há atenção ao atraso no plantio da soja, fator que pode impactar a janela ideal do milho safrinha, mas o mercado passou a reagir de forma mais cautelosa. A acomodação do dólar após o sobressalto recente, motivado por fatores políticos, também pressionou o mercado físico no interior do país. Apesar disso, os portos seguem aproveitando a moeda americana acima de R$ 5,40 para oferecer melhores preços.

Nesse contexto, o contrato janeiro/26 fechou a R$ 72,27, com queda diária de R$ 0,76 e recuo semanal de R$ 2,13. O vencimento março/26 encerrou a R$ 75,15, com baixa de R$ 0,62 no dia e de R$ 0,94 na semana. Já o contrato maio/26 terminou cotado a R$ 74,36, apresentando perda diária de R$ 0,74 e semanal de R$ 1,23.

Em Chicago, o milho fechou em alta, sustentado pela forte demanda externa e interna. O contrato dezembro subiu 1,95%, a US$ 431,75 por bushel, enquanto março avançou 1,60%, para US$ 445,50. O movimento foi apoiado por uma venda relâmpago de 186 mil toneladas e por dados positivos do relatório de oferta e demanda do USDA de dezembro. As vendas de exportação entre 7 e 13 de novembro superaram as expectativas e os compromissos acumulados estão 30% acima do ano anterior. Já o relatório NASS indicou crescimento médio de 9,43% no uso total do cereal no mercado interno.

 





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Incertezas pautam mercado da soja


No mercado da soja do Rio Grande do Sul, a combinação de incerteza produtiva e retenção de oferta sustenta a demanda portuária, segundo informações da TF Agroeconômica. “Para pagamento em dezembro, com entrega em dezembro, os preços no porto foram reportados a R$ 142,00/sc semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 132,14/sc semanal em Cruz Alta, salvo por Santa Rosa a R$ 136,00. Já em Panambi, o mercado físico apresentou manutenção, com o preço de pedra recuando para R$ 121,00/sc, sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador”, comenta.

Em Santa Catarina, mesmo com o plantio de soja finalizado, a instabilidade climática persiste como fator de preocupação após danos por granizo em novembro. “O porto registrou alta nos preços, enquanto o restante do estado permaneceu mais estável diante do foco total na logística. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 142,63 (+0,31%)”, completa.

A demanda da proteína animal garante base firme no Paraná, mas o mercado físico opera com cautela, ajustando prêmios e reduzindo agressividade nas origens. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 141,82 (-0,17%). Em Cascavel, o preço foi R$ 131,65. Em Maringá, o preço foi de R$ 130,95. Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 133,22 por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 142,19. No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 120,00”, indica.

O Mato Grosso do Sul ampliou de forma agressiva sua área de grãos, mas a produtividade recuou diante do estresse hídrico. “A estratégia dominante passa a ser o armazenamento, com o produtor tentando segurar o físico diante de custos crescentes e incerteza no campo. A comercialização segue limitada, e os preços subiram pontualmente em Eldorado. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 126,82, Campo Grande em R$ 126,82, Maracaju em R$ 126,82, Chapadão do Sul a R$ 123,24, Sidrolândia a em R$ 126,82”, informa.

No Mato Grosso, a pressão logística e a proximidade da colheita criam um ambiente de comercialização defensivo, no qual armazenar o grão e segurar o volume físico torna-se a principal estratégia para evitar negociações em níveis deprimidos. “Campo Verde: R$ 122,68. Lucas do Rio Verde: R$ 118,72, Nova Mutum: R$ 118,72. Primavera do Leste R$ 122,68. Rondonópolis: R$ 122,68. Sorriso: R$ 118,72”, conclui.


 





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Farsul busca renegociação das dívidas de produtores rurais



Governo e setor rural negociam novas condições de crédito



Foto: Nadia Borges

O diretor vice-presidente da Farsul e presidente eleito, Domingos Velho Lopes, esteve em Brasília para defender a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, já aprovado na Câmara dos Deputados e em análise no Senado Federal. Ele participou de agendas ao lado do governador Eduardo Leite e dos secretários Edvilson Brum e Pricilla Santana. O grupo se reuniu com o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, para tratar do tema.

O projeto prevê a utilização de recursos do Fundo Social do pré-sal para refinanciar dívidas de produtores afetados por calamidades, com juros menores e prazos ampliados. A medida, segundo o texto, não altera o resultado primário da União.

No encontro, também foi discutida a Medida Provisória 1.314, que cria uma linha de crédito emergencial, mas “com regras que hoje restringem o acesso e não alcançam a maior parte dos produtores gaúchos”. A entidade já havia encaminhado ao governo federal documento em que aponta entraves à adesão e apresenta sugestões para ampliar o alcance da medida. O grupo também visitou o gabinete do senador Luiz Carlos Heinze, articulador na Comissão Mista responsável pela MP.





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Exportações do agro recuam em novembro, mas soja e carne bovina mantêm ritmo de alta


As exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 13,4 bilhões em novembro de 2025, conforme dados divulgados pela consultoria Itaú BBA. O valor representa uma queda de 13% em relação a outubro, mas ainda um avanço de 6% frente ao mesmo mês do ano anterior. A retração mensal foi puxada principalmente pela desaceleração no volume de embarques de etanol, carnes e milho, apesar do desempenho positivo da soja e da celulose.

O complexo soja liderou as vendas externas no mês, com destaque para o grão, que teve embarques de 4,2 milhões de toneladas — um crescimento de 64% na comparação anual. A estabilidade no preço médio (US$ 435,5/t) favoreceu o aumento da receita, que atingiu US$ 1,83 bilhão. Já o farelo de soja apresentou alta modesta de 2,5% no volume exportado, mas com preços em queda de 18% em relação a novembro de 2024.

Na pecuária, a carne bovina in natura manteve desempenho expressivo. Foram 318,5 mil toneladas embarcadas, com aumento de 40% no volume frente ao mesmo mês do ano anterior. A receita somou US$ 1,75 bilhão, sustentada por um preço médio de US$ 5.508,8/t — 13% acima do registrado em novembro de 2024. Em contrapartida, houve queda nas vendas de carne de frango (-6,5% em volume) e de carne suína (-14%), ambas impactadas por menor demanda internacional.

O setor sucroenergético registrou retração em quase todos os seus segmentos. As exportações de etanol caíram 38% em volume e 32% em receita, mesmo com alta de 10% no preço médio (US$ 654/m³). O açúcar VHP teve queda de 4% em volume e 21% nos preços, enquanto o açúcar refinado cresceu 13% em embarques, mas com preços 22% mais baixos que no ano anterior.

Entre os cereais, o milho apresentou um avanço tímido de 6,4% no volume exportado, totalizando 5 milhões de toneladas. No entanto, a queda de 23% na receita mensal indica impacto da menor demanda e da alta concorrência internacional. O preço médio ficou em US$ 215,4/t, com ligeira alta de 5,5%.

Outro destaque positivo foi o algodão, com crescimento de 34% nos embarques em relação a novembro de 2024. A celulose também apresentou bom desempenho, com alta de 14% no volume exportado, totalizando 1,85 milhão de toneladas. Em contrapartida, o café verde registrou queda de 26% nos volumes e de 9% na receita.

No comércio bilateral, os Estados Unidos voltaram a registrar crescimento nas compras do agronegócio brasileiro após a retirada de tarifas de importação para diversos produtos, como carne bovina, café, frutas e sucos. Mesmo assim, o setor agro ainda acumulou queda de 57% nas vendas para os EUA em relação a novembro de 2024, com receita de US$ 643 milhões. A expectativa, segundo o Itaú BBA, é de recuperação gradual dos embarques nos próximos meses com a consolidação da isenção tarifária.

 





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Aumentar consumo de etanol em 21 estados: oportunidade para expansão do setor


O mercado interno brasileiro desponta como o principal vetor de crescimento do setor de etanol, diante da ampliação da produção do etanol de milho e da busca por novas frentes de consumo. A avaliação é do CEO da SCA BrasilMartinho Seiiti Ono, feita durante a live “Expansão do etanol de milho impulsiona novas oportunidades de consumo no Brasil”, transmitida nesta segunda-feira (3/11) pelos canais da SCA Brasil no YouTube e LinkedIn, e que contou com a participação do Presidente Executivo da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM)Guilherme Nolasco.

Ono destacou que 80% das vendas de etanol hidratado no País estão concentradas em apenas seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esses estados reúnem 59% da frota nacional de veículos flex e neles, o consumo de etanol representa 36,6% do ciclo Otto.

A grande oportunidade de ampliação está nos demais 21 estados. Juntos eles respondem por 41% da frota flex, mas o etanol atinge apenas 10,1% do ciclo Otto, com cerca de 4 milhões de metros cúbicos do biocombustível comercializados.

“Há um espaço enorme a ser explorado dentro do próprio território nacional. O desafio é viabilizar logística e preço competitivo, para que o etanol chegue a todas as regiões com condições equilibradas de comercialização”, afirmou o executivo. Segundo ele, o mercado nacional ainda apresenta forte desigualdade tributária, com variação do ICMS entre 11,3% e 22%.

O presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), Guilherme Nolasco, concorda que a grande expansão no consumo virá do território brasileiro. “Não falta oportunidade para expandir o etanol no Brasil. O País tem todas as condições de avançar sobre novos mercados, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste, que devem ganhar relevância com a reforma tributária e a reorganização logística do setor”, acrescentou.

O fator milho

Ono explica que comercializar todo o etanol adicional que virá da expansão da produção do biocombustível de milho, representaria vender o etanol em São Paulo a uma paridade de 57 ou 58%. “Seria uma ação predatória de preço, quando o ideal é preservar os seis estados que vendem bem e focar em um preço mais competitivo nos estados que não tem essa atratividade, com um benefício de manutenção de margem para o setor da ordem de R$ 15 bilhões por safra”.

O executivo lembra que o etanol hidratado ainda flutua com impostos diferentes em cada estado, um desafio logístico e tributário que precisa ser enfrentado. “A reforma tributária prevista a partir de 2027 poderá unificar essa cobrança, tornando o produto mais competitivo em todo o país. Temos potencial para dobrar as vendas de etanol nos estados com baixa competitividade, o que elevaria de 4 para 8 milhões de metros cúbicos a demanda anual pelo hidratado nesses estados e aumentaria a participação nacional do combustível no ciclo Otto para até 32%.”

A frota flex já soma 80% dos veículos leves brasileiros, o que reforça o potencial de ampliação do uso do combustível renovável. “A pujança do etanol de milho é importante e vai puxar a expansão do mercado. O mercado internacional é promissor, mas o grande potencial está dentro do Brasil. O mercado interno pode democratizar o consumo e tornar o etanol ainda mais competitivo”, destacou Ono.

De acordo com levantamento da SCA Brasil, entre 2005 e 2024 o Brasil inaugurou 32 novas usinas de etanol de milho, enquanto o número de usinas de cana praticamente se manteve estável com 141 abertas e 133 fechadas. O estudo também aponta que o crescimento do etanol de milho deve dobrar nos próximos anos, enquanto o etanol de cana tende a permanecer em patamar estável.

Para Ono, esse cenário confirma a necessidade de “desenvolver planos de ação específicos para aumentar as vendas de etanol hidratado nos estados sem competitividade, além de trabalhar políticas nacionais de preço e incentivos logísticos”, principalmente enquanto oportunidades como o SAF (combustível sustentável de aviação) e o BioBunker não forem viabilizadas comercialmente.

O exemplo do Mato Grosso

Segundo Nolasco, menos de 20% do etanol produzido no Mato Grosso é consumido dentro do próprio estado, o que demonstra a necessidade de reorganizar a distribuição nacional. “A reforma tributária vai mudar a cobrança para o destino, eliminando distorções e abrindo espaço para novos polos consumidores, como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, além de estados do Norte e Nordeste. O desafio será estruturar clusters logísticos eficientes para levar o etanol a essas regiões de forma competitiva”, alertou.

Ele também salientou o papel do milho na nova geografia do biocombustível. Segundo o dirigente, o milho é mais democrático e está alcançando o território nacional com projetos no Nordeste, Norte e no Sul do Brasil, evidenciando que o etanol está diversificando sua base de produção. Conforme Nolasco, o avanço da produtividade e da tecnologia deve elevar o rendimento para 455 litros de etanol por tonelada de milho, ampliando a eficiência industrial.

Os dados da SCA Brasil indicam ainda que cada ponto percentual a mais na participação do hidratado no ciclo Otto corresponde a um aumento de 742 mil m³ de etanol consumido. Em simulações para 2030, a participação do etanol hidratado poderia chegar a até 32% do ciclo Otto, caso o País mantenha um crescimento de 1,5% ao ano e amplie o uso do biocombustível nas regiões com menor consumo.

“Precisamos olhar para o futuro com responsabilidade e aproveitar as oportunidades. O Brasil tem todas as condições para fortalecer o mercado de etanol e consolidar-se como referência mundial em biocombustíveis de baixo carbono”, concluiu Nolasco.

O programa Conexão SCA Brasil, em sua 17ª edição, foi apresentado pelo jornalista Adhemar Altieri, da MediaLink Comunicação Corporativa, com produção técnica da Propano Filmes. A série promove debates sobre temas estratégicos do agronegócio, com foco em biocombustíveis e sustentabilidade.





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