quinta-feira, março 26, 2026

Política & Agro

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Corrente de comércio soma US$ 12,8 bilhões na semana


A corrente de comércio brasileira alcançou US$ 12,8 bilhões na terceira semana de março de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior. No período, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,4 bilhão, resultado de exportações de US$ 7,1 bilhões e importações de US$ 5,7 bilhões.

No acumulado do mês, as exportações somam US$ 21,8 bilhões, enquanto as importações chegam a US$ 16,6 bilhões, com saldo positivo de US$ 5,2 bilhões e corrente de comércio de US$ 38,3 bilhões. No ano, o país registra US$ 72,7 bilhões em exportações e US$ 59,4 bilhões em importações, com superávit de US$ 13,3 bilhões e corrente de comércio de US$ 132,2 bilhões.

Na comparação das médias diárias até a terceira semana de março de 2026 com o mesmo período de 2025, houve queda de 4,0% nas exportações, que passaram de US$ 1,511 bilhão para US$ 1,452 bilhão. As importações recuaram 0,1%, de US$ 1,104 bilhão para US$ 1,103 bilhão. “Até a 3ª semana de março de 2026, a média diária da corrente de comércio totalizou US$ 2.555,71 milhões”, informou a Secex.

O saldo médio diário foi de US$ 348,47 milhões, enquanto a corrente de comércio apresentou retração de 2,3% na comparação com março de 2025. No desempenho setorial das exportações, a Indústria Extrativa registrou crescimento de 27,6% na média diária, enquanto a Agropecuária recuou 13,4% e a Indústria de Transformação caiu 10,3%.

Nas importações, houve aumento de 6,6% na Indústria Extrativa e de 0,3% na Indústria de Transformação, enquanto a Agropecuária apresentou queda de 24,9% na média diária. No acumulado mensal, a redução nas exportações foi influenciada principalmente pela queda nas vendas de produtos como café não torrado, soja e minério de Ferro.

Apesar da retração geral, alguns produtos apresentaram crescimento nas exportações, como animais vivos, milho e algodão em bruto, além de petróleo bruto e carne bovina. Já nas importações, a queda foi puxada por itens como trigo, óleos combustíveis e máquinas, enquanto houve aumento nas compras de fertilizantes, gás natural e veículos.





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São Paulo reforça defesa contra vírus da tilápia


O Governo do Estado de São Paulo publicou nesta semana uma resolução que estabelece medidas de defesa sanitária para proteger a cadeia produtiva da tilápia diante do risco de introdução do Tilapia Lake Virus (TiLV), considerado uma ameaça à aquicultura. A norma define protocolos obrigatórios de controle sobre o ingresso, trânsito, comercialização e processamento de tilápia e derivados provenientes de países com ocorrência confirmada da doença ou de outros patógenos de risco.

Segundo o texto, a medida tem caráter preventivo e busca preservar o status sanitário da aquicultura paulista enquanto persistem incertezas sobre os riscos da importação do produto. “A medida é preventiva e visa preservar o status sanitário da aquicultura paulista”, destaca a resolução ao justificar a adoção das regras até uma definição em nível federal.

A normativa estabelece que todos os produtos de tilápia, frescos ou congelados, inteiros ou processados, oriundos de países com registro da doença, passam a estar sujeitos a controle sanitário em todo o território paulista. “A resolução estabelece que todos os produtos de tilápia passam a estar sujeitos a controle sanitário rigoroso”, informa o texto, que também prevê exigências relacionadas à identificação, rastreabilidade, segregação por origem e manutenção de registros.

A execução e a fiscalização das medidas caberão à Defesa Agropecuária do Estado, que poderá realizar inspeções em estabelecimentos, cargas e documentos, além de adotar medidas administrativas em caso de risco. “A execução e fiscalização das medidas caberão à Defesa Agropecuária do Estado”, diz a norma, que também prevê a atuação integrada com vigilâncias sanitárias municipais e outros órgãos.

A resolução leva em consideração o avanço internacional do Tilapia Lake Virus, já registrado em países da Ásia, África e Oriente Médio, e com potencial de causar impactos em regiões produtoras. “A introdução da doença tem potencial para impactos relevantes”, aponta o documento ao justificar a adoção do princípio da precaução.

Controle sanitário e rastreabilidade

Entre as exigências, estão:

• identificação e rastreabilidade dos lotes

• segregação de produtos por origem

• manutenção de registros sanitários e fiscais por no mínimo 12 meses

• submissão a fiscalização e inspeção pelos órgãos competentes

Fiscalização sanitária

Entre as ações previstas estão:

• apreensão e interdição cautelar de produtos

• fiscalização de cargas e estabelecimentos

• aplicação de sanções administrativas

• determinação de medidas corretivas

De acordo com o governo paulista, a iniciativa busca proteger uma cadeia produtiva em expansão no país. “A tilapicultura vem se consolidando como uma das principais cadeias da aquicultura brasileira”, ressalta o texto, ao destacar a importância econômica do setor e a necessidade de medidas para garantir sua continuidade.





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Goiás realiza entrega de R$ 6,9 milhões na produção familiar



Goiás entrega crédito rural a 1,3 mil produtores



Foto: Pixabay

O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, em parceria com a Emater Goiás e com apoio do Goiás Social, realizou na segunda-feira (23), em Iaciara, a entrega de cartões do Crédito Social Rural para produtores da região do Vão do Paranã. Ao todo, 1.384 produtores foram beneficiados, com investimento de R$ 6,9 milhões destinado à estruturação de atividades produtivas no campo. Segundo o governo estadual, os recursos são voltados ao fortalecimento da produção rural.

A iniciativa contemplou agricultores familiares de 17 municípios da região. De acordo com o governo, “os recursos poderão ser aplicados na aquisição de insumos, equipamentos e melhorias produtivas, conforme as atividades desenvolvidas pelos beneficiários”, permitindo a ampliação das atividades no campo e o apoio direto à produção local.

Os produtores atendidos também participaram de cursos de capacitação promovidos pela Emater Goiás, que alcançaram 1.567 pessoas. As formações abrangeram diferentes áreas produtivas ligadas à agropecuária e às atividades complementares, como processamento de alimentos e turismo rural. “Os produtores atendidos participaram de cursos de capacitação promovidos pela Emater Goiás”, informa o texto, ao destacar a integração entre assistência técnica e acesso ao crédito.





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Vórtice ciclônico mantém chuvas pelo Brasil nesta quinta, 26


De acordo com o Meteored, a tarde e a noite desta quarta-feira (25) têm previsão de pancadas de chuva no Sul do Brasil devido à atuação de uma frente fria. Instabilidades também atingem o Centro-Oeste e o Norte do país, enquanto no Sudeste as chuvas retornam após dias de calor e tempo firme, ocorrendo de forma pontual. “A tarde e noite desta quarta-feira (25) têm previsão de pancadas de chuva devido à atuação de uma frente fria sobre o Sul do Brasil”, informa o boletim.

Para esta quinta-feira (26), o sistema conhecido como Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) segue atuando sobre áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Segundo a previsão, o fenômeno favorece pancadas de chuva isoladas, com possibilidade de eventos de intensidade moderada a forte. “O sistema favorece a ocorrência de pancadas de chuva isoladas nessas regiões”, aponta o texto.

Nas primeiras horas do dia, o centro-sul do país deve registrar céu parcialmente nublado. Uma frente fria que atuava na Região Sul perdeu força, mas outro sistema já avança, elevando as instabilidades, especialmente no Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, áreas do Sudeste e do Centro-Oeste permanecem sob influência do VCAN, o que favorece a formação de nuvens carregadas e a ocorrência de chuvas, inclusive no oeste de Goiás. “O tempo permanece parcialmente nublado, com risco de chuvas durante o amanhecer”, destaca a análise.

Ao longo da tarde, a tendência é de aumento da nebulosidade em grande parte do centro-sul. Há previsão de chuvas moderadas a fortes em regiões como o Triângulo Mineiro, noroeste de Minas Gerais, Goiás e norte do Mato Grosso do Sul. “Há possibilidade de chuvas moderadas a fortes”, diz o boletim, que também alerta para a ocorrência de descargas elétricas e rajadas de vento. Em São Paulo, Rio de Janeiro e nos estados do Sul, as precipitações devem ocorrer de forma pontual e com menor intensidade.

No centro-norte do país, o VCAN também influencia o tempo, com maior concentração de instabilidades sobre Mato Grosso e áreas da Região Norte. O amanhecer deve ser marcado por muita nebulosidade e pancadas de chuva no norte mato-grossense, interior do Amazonas e extremo norte de Rondônia. “O transporte de umidade proveniente do Atlântico Equatorial […] deixa a atmosfera mais saturada”, informa o texto.

Durante a tarde, há previsão de chuvas fortes em grande parte do Acre, Amazonas e centro-oeste do Mato Grosso. O estado mato-grossense permanece em atenção por estar em fase final da colheita da soja, podendo haver impactos logísticos. Com o avanço das horas, a intensidade das chuvas diminui, mas o tempo segue fechado em áreas do Norte, com pancadas ainda previstas no interior do Pará e em parte do Amapá.

Até o fim desta quinta-feira (26), os maiores volumes de chuva devem se concentrar no sudeste do Amazonas, com acumulados superiores a 70 mm. Em regiões do noroeste do Mato Grosso e em grande parte de Acre e Rondônia, os volumes diários variam entre 23 mm e 60 mm, enquanto nas demais áreas da Região Norte os acumulados tendem a ser inferiores a 30 mm. “Os maiores volumes de chuva devem ocorrer no sudeste do Amazonas”, conclui o boletim.





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Ação entrega máquinas agrícolas em Santa Catarina



Infraestrutura rural recebe novos recursos



Foto: Pixabay

O Ministério da Agricultura e Pecuária realizou, na terça-feira (24), a entrega de máquinas e equipamentos a municípios de Santa Catarina, com foco na melhoria da infraestrutura rural. A ação foi conduzida por meio da Superintendência de Agricultura e Pecuária no Estado (SFA-SC).

A iniciativa integra o Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq), voltado ao apoio direto aos municípios e ao fortalecimento do setor agropecuário. Segundo o ministério, o objetivo é ampliar a capacidade operacional das prefeituras e contribuir para o desenvolvimento das atividades no campo.

Foram entregues oito caminhões caçamba, dois caminhões-pipa e uma motoniveladora, destinados a ações como manutenção de estradas rurais, escoamento da produção e atendimento às comunidades do interior. O investimento total foi de R$ 5,09 milhões, com recursos provenientes de emenda parlamentar.

Os equipamentos foram destinados aos municípios de Quilombo, São José do Cerrito, Lontras, Catanduvas, Rio dos Cedros, Caçador, Bom Retiro, Fraiburgo, Caxambu do Sul, Araranguá e Rio do Campo.

A solenidade contou com a presença do secretário-executivo adjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária, Cleber Soares, que representou o ministro Carlos Fávaro. De acordo com a pasta, a ação “reforça o compromisso com o desenvolvimento regional e o fortalecimento da agricultura, promovendo melhores condições de trabalho no campo e contribuindo diretamente para a qualidade de vida dos produtores rurais”.





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Por que o açúcar reagiu à crise do petróleo



O movimento simultâneo reforça os mecanismos que conectam os dois mercados


O movimento simultâneo reforça os mecanismos que conectam os dois mercados
O movimento simultâneo reforça os mecanismos que conectam os dois mercados – Foto: Pixabay

A recente volatilidade nos mercados internacionais de energia e de commodities agrícolas tem reforçado a relação entre diferentes cadeias produtivas. As oscilações nos preços do petróleo e do açúcar voltaram a chamar atenção diante de movimentos simultâneos registrados ao longo de março.

Segundo análise do Rabobank, no dia 9 de março, em meio à escalada do conflito envolvendo o Irã, o petróleo Brent chegou próximo de USD 120 por barril, enquanto os contratos futuros do açúcar bruto na ICE, com vencimento em maio de 2026, atingiram máxima intradiária de 14,64 centavos de dólar por libra-peso, encerrando o dia a 14,59 centavos, então um dos níveis mais altos do ano. Já em 24 de março, o petróleo recuava para a faixa de USD 100 por barril, enquanto o açúcar avançava para perto de 15,50 centavos por libra-peso.

O movimento simultâneo reforça os mecanismos que conectam os dois mercados, especialmente por meio do setor de combustíveis no Brasil. A dinâmica envolve a decisão das usinas sobre o direcionamento da cana-de-açúcar entre a produção de açúcar e etanol, influenciada diretamente pela competitividade dos combustíveis fósseis.

Com a alta do petróleo, o etanol tende a se tornar mais competitivo em relação à gasolina, elevando a demanda pelo biocombustível. Esse cenário incentiva as usinas brasileiras a destinarem maior volume de cana para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.

A análise aponta que o atual patamar do petróleo, ainda que abaixo do pico observado no início do mês, permanece suficiente para sustentar essa dinâmica. Dessa forma, o cenário de preços elevados do petróleo, impulsionado pelo conflito, contribui para um viés de alta no mercado de açúcar, ao limitar a disponibilidade global do produto.

 





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Custos da safra dão salto em poucas semanas


O mercado de defensivos agrícolas tem registrado oscilações recentes nos preços internacionais, refletindo mudanças no cenário global de insumos. Segundo análise de Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, com base em dados da Agrinvest Commodities, já há sinais consistentes de valorização nos principais princípios ativos negociados na China.

Levantamento dos últimos 30 dias mostra alta generalizada entre diferentes moléculas. O glifosato 95% avançou 19%, passando de US$ 3,45 para US$ 4,10. O 2,4-D 97% subiu 18%, enquanto o diquat 40% teve elevação de 17%. Produtos como metribuzim e glufosinato também registraram aumentos relevantes, de 11% e 7%, respectivamente. Outros itens, como cletodim, imazethapyr e picloram, apresentaram altas mais moderadas, variando entre 4% e 5%.

O movimento ocorre em um contexto de impacto indireto da guerra sobre cadeias globais, embora a dinâmica dos defensivos seja distinta da observada em fertilizantes. Ainda assim, a tendência de alta na China já começa a influenciar as discussões no Brasil, onde o mercado tenta diferenciar o que é efeito especulativo e o que tem आधार em fundamentos.

Há cerca de um mês e meio, o cenário era oposto, com quedas relevantes em produtos como o cletodim, em um momento em que os preços atingiam mínimas históricas. A reversão recente reforça a importância de acompanhar a formação internacional de preços, especialmente porque o Brasil depende quase integralmente de importações.

O cenário ganha ainda mais relevância diante da formação de custos da safra 2026/27. Nos últimos cinco meses, o custo total com insumos, incluindo fertilizantes, sementes e defensivos, já aumentou mais de 3,5 sacas por hectare, pressionando o planejamento do produtor rural.

 





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O que os dados escondem sobre os riscos no Brasil



Essa diferença reflete não apenas percepções, mas realidades distintas


Essa diferença reflete não apenas percepções, mas realidades distintas
Essa diferença reflete não apenas percepções, mas realidades distintas – Foto: Pixabay

A percepção de riscos globais varia conforme o nível de desenvolvimento e o contexto de cada país. Segundo o Munich Security Conference, economias menos desenvolvidas tendem a priorizar mudanças climáticas e eventos extremos, enquanto países mais ricos concentram preocupações em cibersegurança, crises econômicas e tensões geopolíticas.

O Munich Security Index 2026 mostra o Brasil com índices elevados para mudanças climáticas e incêndios florestais, liderando a lista de preocupações nacionais. Em contraste, Alemanha e Reino Unido apontam ciberataques como principal risco, enquanto Estados Unidos e Japão destacam crises econômicas e instabilidade política.

Essa diferença reflete não apenas percepções, mas realidades distintas. Ainda assim, no caso brasileiro, os dados territoriais indicam um cenário mais equilibrado. Estudos apresentados pela Embrapa Territorial na COP30 mostram que cerca de 65% do território nacional permanece com vegetação nativa, enquanto menos de um terço é ocupado pela agropecuária, com participação dos produtores na preservação.

Para Gustavo Spadotti A. Castro, chefe-geral da Embrapa Territorial, o país demonstra que é possível conciliar produção e conservação em larga escala. A análise reforça que percepção de risco e realidade nem sempre caminham juntas, o que amplia a importância de decisões baseadas em dados qualificados.

“Traduzir o que está no território (produção, uso da terra, riscos reais etc) em informação qualificada para decisão. Mo fim, o maior risco não é aquele que mais aparece no debate. É aquele que não está sendo corretamente compreendido!”, conclui.

 





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A crise atual não é de petróleo, diz especialista



Duas decisões recentes ajudam a explicar esse contexto


Duas decisões recentes ajudam a explicar esse contexto
Duas decisões recentes ajudam a explicar esse contexto – Foto: Pixabay

O cenário internacional tem direcionado atenções para questões energéticas, mas movimentos recentes no mercado de insumos agrícolas indicam um risco menos visível e potencialmente mais amplo. Segundo análise de José Carlos de Lima Júnior, sócio da Markestrat Group e cofundador da Harven Agribusiness School, a atual pressão global está concentrada na oferta de nutrientes essenciais à produção de alimentos.

Duas decisões recentes ajudam a explicar esse contexto. A Rússia, um dos principais exportadores globais de nitrato de amônio, suspendeu temporariamente suas exportações para priorizar o abastecimento interno. Paralelamente, a China ampliou restrições sobre embarques de fertilizantes, incluindo produtos NPK e fosfatados como MAP e DAP, reduzindo a oferta disponível no mercado internacional.

Esse movimento ocorre enquanto o foco global permanece voltado à energia, criando um descompasso entre atenção política e riscos efetivos. Na prática, o sistema alimentar começa a enfrentar limitações silenciosas que podem comprometer a produtividade agrícola em escala global.

A avaliação aponta que a próxima crise pode estar relacionada diretamente à capacidade de produção no campo. Diferentemente do petróleo, que conta com estoques estratégicos em diversos países, os fertilizantes ainda não são tratados com a mesma prioridade, apesar de seu papel central na garantia de oferta de alimentos.

No caso brasileiro, o cenário é particularmente sensível. O país consome cerca de 45 milhões de toneladas de fertilizantes por ano e depende majoritariamente de importações. Mesmo com avanços institucionais recentes, como a Lei 14.385/22, ainda não há estoques estratégicos relevantes que protejam o setor.

Sem essa proteção, o Brasil pode enfrentar um duplo impacto na safra 2026/27, com redução de produtividade e elevação de custos. A análise reforça que a segurança alimentar começa antes do plantio, no acesso aos nutrientes, que se tornam cada vez mais escassos no cenário atual.

 





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Brasil já lidera em bioinsumos, mas precisa consolidar avanço da indústria, afirma presidente da ANPII Bio


O mercado de bioinsumos segue em expansão no Brasil, mas ainda enfrenta desafios para ganhar escala nacional. Durante o 3º Workshop de Inteligência de Mercado da ANPII Bio, Thiago Delgado, presidente da entidade, afirmou que o principal entrave está na eficiência dos produtos biológicos frente aos defensivos químicos, embora o país já ocupe posição de liderança no setor.

Eficiência ainda é o principal desafio

Na avaliação de Thiago Delgado, o avanço dos bioinsumos no país depende, прежде de tudo, da capacidade de a indústria entregar soluções com desempenho equivalente — ou superior — ao dos produtos químicos convencionais.

“O principal gargalo hoje é que nós precisamos ter bioinsumos que tenham efeito, seja de controle ou seja de promoção de crescimento ou de solubilização, mais eficientes. Ao ponto da gente conseguir, por exemplo, substituir um bioinseticida, um inseticida químico, ou substituir um fungicida químico”, afirmou.

Segundo ele, hoje os produtos biológicos ainda atuam majoritariamente dentro de um sistema de manejo integrado, convivendo com os químicos em vez de substituí-los por completo. Para Delgado, esse quadro tende a mudar à medida que novas tecnologias entreguem resultados mais consistentes no campo.

Um dos exemplos citados por ele é o segmento de nematicidas. “Os nematicidas tiveram um controle melhor que os químicos e ocupam hoje mais de 80% do mercado de controle de nematoides”, disse. Para o presidente da ANPII Bio, esse caso mostra que, quando o produto biológico alcança alto nível de eficiência, a adoção cresce de forma acelerada.

Thiago Delgado ressalta que o Brasil reúne condições únicas para se firmar de forma definitiva como líder global em bioinsumos. Entre os fatores favoráveis, ele destaca a biodiversidade, a pressão tropical de pragas e doenças e a capacidade técnica instalada em pesquisa pública e privada. “O Brasil tem todas as possibilidades para isso”, afirmou. “A gente tem uma natureza de país tropical muito rica em diversidade de micro-organismos”, acrescentou.

De acordo com ele, o ambiente tropical brasileiro, embora mais desafiador do ponto de vista fitossanitário, também impulsiona o desenvolvimento de soluções mais robustas e adaptadas às condições reais de produção. Isso vale tanto para doenças quanto para insetos-praga, cujos ciclos são mais rápidos no país.

“Aqui os ciclos dos micro-organismos, dos insetos, eles são muito mais acelerados”, explicou. Para Delgado, essa característica obriga a indústria a inovar com mais velocidade e eficiência, o que acaba se convertendo em vantagem competitiva.

Ele também ressaltou a qualidade da base de pesquisa nacional. “Nós temos pesquisas, sejam privadas, sejam estatais, institutos de pesquisas muito bons. A gente saiu na frente realmente dos concorrentes”, afirmou. O Brasil já ocupa posição de destaque global, mas ainda precisa transformar essa vantagem em liderança consolidada. “nós já temos a liderança. Agora temos que consolidar essa liderança de forma definitiva”, disse. Segundo ele, trata-se de “um ativo muito bom para o agronegócio brasileiro”.

Outro ponto abordado por Thiago Delgado foi o avanço das grandes multinacionais sobre o mercado de bioinsumos. Na leitura dele, esse movimento é impulsionado pela percepção de que os biológicos podem reduzir espaço de segmentos já consolidados, como defensivos químicos e fertilizantes minerais.

Segundo Delgado, empresas globais ligadas a químicos enxergam os bioinsumos como parte de uma nova agenda de controle de pragas e doenças. Já as multinacionais de fertilizantes acompanham de perto o avanço de tecnologias como os solubilizadores de fósforo, que também podem alterar a dinâmica de mercado.

Ainda assim, ele avalia que há espaço para coexistência entre grandes grupos e empresas menores, desde que estas últimas apostem em especialização e base técnica sólida. “Eu acredito que vai haver espaço para as pequenas que levarem uma pesquisa séria, que se tornarem especialistas em determinados segmentos ou produtos. E eu vejo a possibilidade de coexistir os dois negócios”, disse.

Por outro lado, Delgado reconhece que as multinacionais entram no setor com forte capacidade de investimento e devem conquistar fatia relevante do mercado. “Sem dúvida que as multinacionais estão vindo com alto investimento e elas vão conseguir um mercado importante”, declarou.

 





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