quarta-feira, março 11, 2026

Política & Agro

AgroNewsPolítica & Agro

Goiás amplia VBP da suinocultura após dois anos de queda


A carne suína perdeu competitividade frente à carne de frango em novembro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), analisados na edição de dezembro do informativo mensal Agro em Dados, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). No período, a carcaça especial suína foi comercializada a R$ 12,63 por quilo, com alta de 0,7% em relação a outubro. Já o frango resfriado apresentou média mensal de R$ 8,09 por quilo, queda de 0,9% na mesma base de comparação, resultando em uma diferença de R$ 4,54 por quilo entre as duas proteínas.

Apesar da perda de competitividade no comparativo mensal, a análise da Inteligência de Mercado Agropecuário da Seapa indica perspectiva de valorização adicional da carne suína no encerramento do ano, em função do aumento da demanda associado às festividades de fim de ano, tradicionalmente mais aquecida nesse período.

O informativo aponta ainda que a suinocultura brasileira retomou o crescimento do Valor Bruto da Produção (VBP) entre 2023 e 2025, após dois anos consecutivos de retração. Goiás acompanhou esse movimento, com destaque para 2024, quando registrou avanço de 25,1% em relação a 2023. O desempenho reflete a valorização da carne suína observada nos últimos três anos e estimulou a produção no estado, que alcançou recorde no número de carcaças abatidas em 2024.

O setor segue impulsionado, principalmente, pelo mercado externo. Em outubro, as exportações goianas de carne suína cresceram 60,3% em valor e 39,5% em volume na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O avanço foi influenciado pelo aumento das compras de Singapura, principal parceiro comercial do estado, responsável por 51,1% do valor exportado no período, com embarques concentrados em carne suína in natura.

Esse desempenho reforça a expectativa positiva da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para as exportações brasileiras de carne suína, projetadas para alcançar 1,4 milhão de toneladas em 2025.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

colheita e secagem ganham ritmo no RS



Produtores intensificam colheita de tabaco no estado



Foto: Pixabay

A colheita do tabaco avança nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (25) pela Emater/RS-Ascar. O levantamento indica intensificação das atividades de campo, com foco na colheita, secagem das folhas e condução dos tratos culturais.

Na região administrativa de Pelotas, a colheita ocorre em todos os municípios, acompanhada da secagem das folhas nas estufas. Os produtores realizam capação, aplicação de produtos antibrotantes e adubações de cobertura. No cultivo do tabaco tradicional, as operações concentram-se nas etapas de colheita e secagem.

Em Santa Rosa, teve início a colheita da variedade Burley, conhecida como fumo de galpão. As lavouras encontram-se em fase final de desenvolvimento, com expectativa de produtividade estimada em 2.200 kg por hectare. De acordo com a Emater/RS-Ascar, a cultura apresenta condição fitossanitária satisfatória.

Já na região administrativa de Soledade, especialmente no Baixo Vale do Rio Pardo, a colheita segue em ritmo intenso. Áreas implantadas mais cedo estão sendo liberadas para o plantio de soja ou milho. Os produtores mantêm os tratos culturais, com controle de plantas invasoras e finalização da salitragem em áreas mais altas, além da realização de desbrota química e colheita. A área cultivada com tabaco no estado está estimada em 67 mil hectares, conforme a Emater/RS-Ascar.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Citricultura enfrenta queda de preços e alívio nos EUA


A safra 2025 da laranja pera para indústria começou com preços elevados, sustentados por uma combinação entre oferta limitada e demanda firme por frutas de boa qualidade. No entanto, ao longo do ano, esse cenário sofreu mudanças importantes, impactando diretamente a rentabilidade do citricultor e o ritmo da indústria.

Segundo dados divulgados pelo Cepea, o segundo trimestre foi marcado por uma reversão nas cotações. Estoques de suco com padrão inferior de qualidade e o menor interesse da indústria por novos lotes pressionaram os valores pagos ao produtor. Esse movimento se intensificou com a divulgação, em maio, da estimativa do Fundecitrus, que projetava uma safra 2025/26 com 314,6 milhões de caixas de 40,8 kg, sugerindo um volume mais expressivo.

Na avaliação do setor industrial, a expectativa era de que a produção se concentrasse na segunda florada, com colheita intensificada entre agosto e setembro. Do lado dos produtores, entretanto, houve frustração com os preços propostos, em um cenário ainda marcado por elevada queda de frutos — reflexo do avanço de doenças como o greening e o cancro cítrico, além das condições climáticas adversas.

Esses fatores levaram o Fundecitrus a revisar a projeção inicial. Em novo relatório, a estimativa da safra 2025/26 foi reduzida para 294,81 milhões de caixas, revelando perdas relevantes e reabrindo o debate sobre os desafios fitossanitários da citricultura.

Outro fator que trouxe instabilidade ao mercado foi o risco de uma tarifa adicional de 40% por parte dos Estados Unidos sobre o suco brasileiro. A possibilidade de um tarifaço elevou a tensão entre exportadores durante boa parte do primeiro semestre. Contudo, em julho, veio o alívio: o governo norte-americano optou por isentar o suco de laranja do Brasil da medida, uma decisão considerada estratégica para manter o abastecimento no país.

Mesmo com a isenção, os embarques realizados entre julho e novembro de 2025 ficaram abaixo do volume exportado no mesmo período da safra anterior. Uma das mudanças observadas foi a nova composição dos destinos: Estados Unidos e União Europeia dividiram a liderança nas importações, com participações semelhantes — cerca de 48% cada.

A safra, que já se mostrava atrasada, também apresentou uma nova dinâmica contratual. A formalização de contratos ocorreu mais tardiamente e em volumes menores, o que reforçou a pressão sobre os preços no último trimestre do ano.

Com cenário ainda indefinido, a citricultura brasileira encerra 2025 entre a expectativa de recuperação produtiva, os desafios fitossanitários persistentes e a necessidade de reequilibrar as relações comerciais com a indústria.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Bovinocultura goiana mantém crescimento


De acordo com a edição de dezembro do informativo Agro em Dados, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a bovinocultura em Goiás segue amplamente distribuída pelo território, mas com concentração em polos consolidados. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2024, Nova Crixás manteve a liderança do efetivo estadual, com 772,8 mil cabeças de gado. Em seguida aparecem São Miguel do Araguaia, com 595,7 mil, e Porangatu, com 470,4 mil.

Embora a configuração geral se mantenha estável, alguns municípios apresentaram crescimento expressivo no rebanho entre 2023 e 2024. Divinópolis registrou aumento de 29,7%, seguida por Uirapuru (18,4%), Monte Alegre de Goiás (12,1%) e Aruanã (11,6%). Segundo a Seapa, “esse movimento reforça a presença de núcleos tradicionais fortemente estruturados, ao mesmo tempo em que evidencia a expansão gradual da atividade em outros municípios”.

A série histórica de 2019 a 2024 mostra avanço contínuo da bovinocultura de corte. De acordo com o IBGE, o rebanho brasileiro cresceu 10,9%, passando de 214,6 para 238,1 milhões de cabeças. Em Goiás, o número atingiu 23,2 milhões de cabeças, alta de 1,7% no período. No país, a produção de carne aumentou 26,0%, totalizando 10,3 milhões de toneladas de carcaça em 2024. Em Goiás, os abates chegaram a 1,0 milhão de toneladas, representando crescimento de 36,0%.

A Inteligência de Mercado Agropecuário da Seapa destacou que “diante desse cenário, as exportações brasileiras e goianas de carne bovina podem alcançar um novo recorde em 2025”.

No comércio internacional, o setor de carnes mantém posição de destaque, ocupando o segundo lugar nas exportações do agronegócio goiano, atrás apenas do complexo soja. Entre 2019 e 2024, as exportações de carne bovina aumentaram 59,5% em valor e 50,2% em volume.

No acumulado de janeiro a outubro de 2025, a carne bovina respondeu por 57,9% do volume total de carnes exportadas por Goiás. O desempenho contribuiu para um saldo positivo superior a US$ 1,7 bilhão na balança comercial, superando todo o resultado de 2024. A Seapa avalia que “o estado consolida-se como o terceiro maior exportador nacional da proteína, sustentado pela evolução e robustez do segmento”.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Safra de uva avança com atenção a doenças



Produtores intensificam controle fitossanitário da uva



Foto: Divulgação

De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (25), o desenvolvimento da uva apresenta evolução distinta entre as regiões acompanhadas. Na área administrativa de Erechim, o crescimento das bagas segue dentro do esperado, com a realização de tratamentos preventivos para o controle de doenças. O informativo registra que “a previsão é de que a safra seja muito boa com alta qualidade, se as condições climáticas continuarem propícias”.

Na região de Santa Rosa, a Emater/RS-Ascar informa que a carga de cachos e de bagas bem formadas está em nível elevado. No entanto, há registro de incidência de doenças, com destaque para antracnose e míldio, “que está se manifestando em muitas plantas, principalmente na Niágara Branca”.

Segundo o relatório, produtores com maior experiência adotaram estratégias de controle preventivo, utilizando calda sulfocálcica no inverno, Fungicidas na floração e tratamentos periódicos com produtos cúpricos. Algumas variedades já apresentam sinais iniciais de maturação, como Núbia, Vênus e Niágara Rosa.

O informativo também aponta a presença de vespas nas lavouras, que perfuram as bagas e acabam atraindo abelhas, fator que tem exigido atenção adicional dos produtores durante o período de desenvolvimento da cultura.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Milho tem preços firmes em 2025 apesar de safra recorde


Mesmo com a maior produção da história, o mercado brasileiro de milho apresentou recuperação de preços durante boa parte de 2025, operando em níveis superiores aos registrados no ano anterior. Segundo dados divulgados pelo Cepea, o comportamento surpreendeu o setor, já que o volume colhido foi expressivamente elevado.

Somando as três safras de 2024/25, a produção brasileira alcançou 141 milhões de toneladas, aumento de 22% em relação ao ciclo anterior. O principal impulso veio da segunda safra, cuja produtividade foi beneficiada por condições climáticas favoráveis.

No contexto internacional, a oferta global de milho manteve relativa estabilidade entre os ciclos 2023/24 e 2024/25. Quedas na produção em países como EUA, Rússia e Ucrânia foram compensadas por crescimentos relevantes no Brasil, na China e na Índia, o que reduziu a pressão internacional sobre os preços.

No início de 2025, apesar das projeções de uma colheita robusta, o mercado interno foi influenciado por um fator-chave: o estoque de passagem historicamente baixo, estimado em apenas 1,8 milhão de toneladas em janeiro. Isso, somado à demanda firme, valores mais altos pedidos pelos vendedores e problemas logísticos, impulsionou as cotações no primeiro trimestre.

Com o avanço da colheita da safra de verão e o bom desenvolvimento da segunda safra, as expectativas de oferta abundante passaram a pressionar os preços a partir de abril. A produção recorde se confirmou, e o mercado começou a responder com quedas nas cotações em diversas regiões.

Durante o segundo semestre, a tendência de baixa se intensificou, refletindo o recuo da demanda. Muitos consumidores optaram por aguardar novas desvalorizações, diante da colheita em andamento e da maior disponibilidade do grão. A lentidão das exportações e a maior flexibilidade de negociação por parte dos vendedores contribuíram para esse cenário.

Já nos últimos meses do ano, especialmente a partir de outubro, a oferta começou a se restringir. Produtores, diante da queda nos preços e da dificuldade de recompor estoques, reduziram a disponibilidade do cereal no mercado spot. Esse movimento sustentou os valores até meados de dezembro.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Produção recorde e cenário internacional derrubam preços da soja


O mercado global da soja enfrentou um ano marcado por elevada volatilidade e pressão sobre os preços em 2025. Mesmo com demanda firme em alguns mercados e exportações brasileiras recordes, o excesso de oferta internacional e o cenário geopolítico adverso limitaram as cotações ao longo do ano.

De acordo com dados divulgados pelo Cepea, os preços médios no Brasil foram os mais baixos desde 2019, considerando valores reais. Tanto o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná quanto o CEPEA/ESALQ – Paranaguá (PR) refletiram a pressão negativa dos fundamentos globais. No mercado externo, o contrato com vencimento mais próximo na CME Group registrou sua menor média anual desde 2020.

No Brasil, mesmo com o menor estoque de passagem dos últimos quatro ciclos, a colheita acelerada da safra 2024/25 garantiu um volume recorde de 171,48 milhões de toneladas. A quebra no Rio Grande do Sul foi compensada pela produtividade elevada em outras regiões, ampliando a oferta doméstica e dinamizando o mercado spot.

Com esse desempenho, o Brasil respondeu por aproximadamente 40% da produção mundial de soja em 2024/25, estimada em 427,15 milhões de toneladas, segundo o USDA. O cenário internacional também contribuiu para o excesso de oferta: os Estados Unidos colheram 119,04 milhões de toneladas, com avanço de 5%, e a Argentina, 51,1 milhões de toneladas, crescimento de 6% frente ao ciclo anterior.

A política de “retenciones” (impostos de exportação) na Argentina e as disputas comerciais entre China e Estados Unidos adicionaram incertezas ao mercado, influenciando os fluxos de comércio e as decisões de venda. Ainda assim, o comércio global de soja atingiu 184,8 milhões de toneladas em 2024/25, alta de 3,9% em relação ao ciclo anterior.

A China continuou sendo o principal destino da soja brasileira, embora tenha reduzido suas compras totais em 3,5%. O Brasil compensou essa retração com crescimento nas vendas para outros mercados, mantendo a liderança global. Ao todo, o País respondeu por 55,8% das exportações mundiais, segundo dados consolidados até novembro.

Entre os destaques do ano, chamou atenção o crescimento expressivo das importações brasileiras pela Argentina, que ampliou suas compras em 73,5% no período. Esse movimento atípico refletiu a necessidade da indústria argentina diante da recomposição de estoques e mudanças internas.





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Cotações do açúcar ampliam queda com sinalização de novas exportações pela Índia


Logotipo Notícias Agrícolas

Os contratos futuros do açúcar aprofundaram as perdas nesta quinta-feira (8) e ampliaram o movimento baixista observado ao longo da semana. As baixas ganharam mais força após o secretário de alimentação da Índia, Sanjeev Chopra, afirmar que o governo pode autorizar novas exportações de açúcar para reduzir o excesso de oferta interna.

Em Nova Iorque, as quedas foram fortes. O março/26 recuou 0,28 cent (-1,90%) e fechou a 14,48 cents/lbp. O maio/26 perdeu 0,26 cent (-1,84%), negociado a 14,10 cents/lbp. O julho/26 caiu 0,24 cent (-1,67%) para 14,13 cents/lbp, enquanto o outubro/26 cedeu 0,22 cent (-1,49%) e encerrou a 14,48 cents/lbp.

Em Londres, o movimento foi semelhante. O março/26 reduziu US$ 6,40 (-1,51%) e terminou o dia a US$ 415,90 por tonelada. O maio/26 recuou US$ 6,40 (-1,53%), cotado a US$ 412,50 por tonelada. O agosto/26 perdeu US$ 6,10 (-1,47%) e fechou a US$ 409,10 por tonelada, enquanto o outubro/26 caiu US$ 5,80 (-1,40%) e finalizou o pregão em US$ 409,30 por tonelada.

Segundo a Reuters, o governo indiano avalia liberar excedentes para aliviar o mercado doméstico e proteger os produtores de cana de perdas financeiras. Chopra afirmou que o país precisa conter estoques elevados por meio de exportações e de uma maior destinação de açúcar à produção de etanol.

“O excedente vai prejudicar os agricultores, e isso não podemos permitir. Portanto, no interesse deles e também de todos os envolvidos, é preciso garantir que os estoques excedentes sejam contidos”, declarou o secretário, de acordo com a Reuters.

As projeções são de que a produção indiana no ciclo 2025/26, iniciado em 1º de outubro, deve crescer 18% e alcançar 30,9 milhões de toneladas. A demanda anual do mercado doméstico gira em torno de 29 milhões de toneladas, o que deixa sobra a ser manejada.

Chopra acredita que o setor deve enfrentar preços mais baixos até meados de janeiro, quando o excesso de oferta tende a se acentuar. O governo, segundo ele, deve anunciar medidas nesse período para garantir fluxo financeiro e pagamento aos produtores. Outra alternativa que etá em estudo é a elevação do preço mínimo para vendas de açúcar no mercado interno indiano.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Déficit de armazenagem redefine mercado grãos no Brasil em meio a safra recorde


A safra brasileira de grãos continua avançando em ritmo acelerado e já ultrapassa 320 milhões de toneladas, com expectativa de um novo recorde no ciclo 2025/26. Esse crescimento, porém, não vem sendo acompanhado na mesma velocidade pela infraestrutura de armazenagem. Segundo a Conab, a capacidade estática do país fica entre 200 e 230 milhões de toneladas, o que permite guardar cerca de 2/3 da produção anual. Esse descompasso acaba influenciando diretamente a dinâmica do mercado físico e a formação de preços.

Para Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, a armazenagem vai além da questão estrutural. “A armazenagem não é apenas infraestrutura física. Ela representa tempo de decisão, e tempo é o ativo mais valioso no mercado de grãos. Quando a oferta entra de forma simultânea no sistema, quem não consegue esperar acaba vendendo sob pressão”, afirma.

Gargalo regional e sazonal pressiona o produtor 

Apesar de os números agregados sugerirem relativa suficiência, a realidade operacional é distinta. A produção brasileira se concentra em janelas curtas, especialmente entre março e junho, quando a colheita da soja se sobrepõe ao avanço do milho. Nesse período, armazéns já ocupados, gargalos logísticos e limitações operacionais reduzem drasticamente a capacidade efetivamente disponível.

“O déficit de armazenagem não se manifesta como ausência absoluta de espaço, mas como incapacidade funcional de absorver volumes no momento crítico. É nesse intervalo que o mercado físico ajusta preços de forma mais agressiva”, explica a analista. 

Esse efeito é ainda mais intenso em regiões altamente produtivas, onde a relação entre capacidade de armazenagem e produção pode cair para 60% ou menos no pico da colheita. Como cerca de 83% da armazenagem brasileira está fora das propriedades rurais – concentrada em cooperativas, tradings e grandes operadores – forma-se uma assimetria estrutural de poder na cadeia .

Diferencial de base (ou basis) vira termômetro real do mercado e redistribui margem

Enquanto a Bolsa de Chicago (CBOT) reflete expectativas globais, política monetária e fluxo financeiro, é o diferencial de base, também conhecido como basis que traduz a realidade local do mercado físico brasileiro. Volume disponível, logística, necessidade de caixa e capacidade de armazenagem se materializam diretamente no diferencial de preços.

“No Brasil, é o basis que revela onde o mercado realmente acontece. Em momentos de excesso de oferta, a deterioração da base funciona como um mecanismo de ajuste, forçando a saída de volume”, comenta a especialista.

Durante o pico da colheita, essa deterioração pode facilmente superar R$ 15 a R$ 25 por saca, enquanto o custo médio de armazenagem gira entre R$ 2,50 e R$ 4,00 por saca ao mês. A diferença evidencia que a venda forçada transfere margem ao longo da cadeia, penalizando o produtor que não possui estrutura própria.

“Armazenagem não cria preço, mas define quem consegue esperar. Quem tem estrutura transforma um custo fixo em preservação de margem; quem não tem, paga esse custo todos os anos, mesmo sem perceber”, completa. 

Armazenagem é ativo estratégico em cenário de crédito caro e margens pressionadas

Com juros elevados e maior seletividade no crédito, a capacidade de armazenagem ganha também uma dimensão financeira. Ao reduzir a necessidade de vendas imediatas para geração de caixa, o produtor passa a ter mais flexibilidade para planejar a comercialização ao longo do ano, combinando vendas físicas, travas financeiras e operações de hedge.

“A armazenagem permite diluir decisões no tempo e reduzir a dependência de escolhas feitas sob pressão. Ela não elimina os riscos do mercado, mas reduz sua intensidade e torna o resultado menos sensível a choques pontuais”, finaliza Yedda Monteiro. 

Nesse contexto, a estrutura de armazenagem deixa de ser apenas suporte operacional e passa a funcionar como elemento central do gerenciamento de risco. Em um mercado onde a produção segue crescendo mais rápido do que a infraestrutura disponível, quem controla o tempo da venda tende a capturar melhores preços e preservar margem, mesmo em ambientes de maior volatilidade.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Mercados agrícolas iniciam sessão curta em Chicago



No trigo, os contratos na Bolsa de Chicago apresentam valorização


No trigo, os contratos na Bolsa de Chicago apresentam valorização
No trigo, os contratos na Bolsa de Chicago apresentam valorização – Foto: Divulgação

Os mercados agrícolas iniciam o pregão desta terça-feira em um ambiente de ajustes técnicos e influência do cenário internacional, com sessão encurtada e menor liquidez. As cotações em Chicago operam em alta para os principais grãos, refletindo movimentos de cobertura de posições por parte de fundos e fatores geopolíticos que seguem impactando o complexo de commodities, especialmente por meio do petróleo. No mercado doméstico, os preços físicos mostram variações pontuais, enquanto o câmbio permanece sem referência devido ao fechamento dos mercados no Brasil.

No trigo, os contratos na Bolsa de Chicago apresentam valorização expressiva tanto para março quanto para dezembro de 2026, com preços mais próximos das máximas do dia, indicando impulso consistente de alta. O movimento ocorre em meio à recompra de posições por fundos, após a saída recente do trigo americano. No cenário internacional, o ritmo das exportações russas segue desacelerando, ao mesmo tempo em que os preços internos do cereal na Rússia recuam. 

A soja também opera em elevação em Chicago, sustentada por fatores geopolíticos que influenciam o petróleo, apesar de fundamentos comerciais mais frágeis. As compras chinesas previstas para o ano foram cumpridas apenas parcialmente, em um contexto atribuído a razões políticas, já que a soja americana segue mais cara do que a oferta do Brasil e da Argentina. No mercado interno, os preços no Paraná apresentam estabilidade no dia, com pequenas altas no acumulado do mês, tanto no interior quanto no porto.

No milho, as cotações avançam na CBOT, acompanhando o mesmo ambiente externo observado na soja. No Brasil, os contratos futuros na B3 recuam, enquanto o mercado físico registra leve alta diária e ganho mensal. A ausência de referência cambial limita ajustes mais amplos nos preços domésticos.

 





Source link