terça-feira, março 10, 2026

Política & Agro

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Citricultura enfrenta queda de preços e alívio nos EUA


A safra 2025 da laranja pera para indústria começou com preços elevados, sustentados por uma combinação entre oferta limitada e demanda firme por frutas de boa qualidade. No entanto, ao longo do ano, esse cenário sofreu mudanças importantes, impactando diretamente a rentabilidade do citricultor e o ritmo da indústria.

Segundo dados divulgados pelo Cepea, o segundo trimestre foi marcado por uma reversão nas cotações. Estoques de suco com padrão inferior de qualidade e o menor interesse da indústria por novos lotes pressionaram os valores pagos ao produtor. Esse movimento se intensificou com a divulgação, em maio, da estimativa do Fundecitrus, que projetava uma safra 2025/26 com 314,6 milhões de caixas de 40,8 kg, sugerindo um volume mais expressivo.

Na avaliação do setor industrial, a expectativa era de que a produção se concentrasse na segunda florada, com colheita intensificada entre agosto e setembro. Do lado dos produtores, entretanto, houve frustração com os preços propostos, em um cenário ainda marcado por elevada queda de frutos — reflexo do avanço de doenças como o greening e o cancro cítrico, além das condições climáticas adversas.

Esses fatores levaram o Fundecitrus a revisar a projeção inicial. Em novo relatório, a estimativa da safra 2025/26 foi reduzida para 294,81 milhões de caixas, revelando perdas relevantes e reabrindo o debate sobre os desafios fitossanitários da citricultura.

Outro fator que trouxe instabilidade ao mercado foi o risco de uma tarifa adicional de 40% por parte dos Estados Unidos sobre o suco brasileiro. A possibilidade de um tarifaço elevou a tensão entre exportadores durante boa parte do primeiro semestre. Contudo, em julho, veio o alívio: o governo norte-americano optou por isentar o suco de laranja do Brasil da medida, uma decisão considerada estratégica para manter o abastecimento no país.

Mesmo com a isenção, os embarques realizados entre julho e novembro de 2025 ficaram abaixo do volume exportado no mesmo período da safra anterior. Uma das mudanças observadas foi a nova composição dos destinos: Estados Unidos e União Europeia dividiram a liderança nas importações, com participações semelhantes — cerca de 48% cada.

A safra, que já se mostrava atrasada, também apresentou uma nova dinâmica contratual. A formalização de contratos ocorreu mais tardiamente e em volumes menores, o que reforçou a pressão sobre os preços no último trimestre do ano.

Com cenário ainda indefinido, a citricultura brasileira encerra 2025 entre a expectativa de recuperação produtiva, os desafios fitossanitários persistentes e a necessidade de reequilibrar as relações comerciais com a indústria.





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Bovinocultura goiana mantém crescimento


De acordo com a edição de dezembro do informativo Agro em Dados, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a bovinocultura em Goiás segue amplamente distribuída pelo território, mas com concentração em polos consolidados. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2024, Nova Crixás manteve a liderança do efetivo estadual, com 772,8 mil cabeças de gado. Em seguida aparecem São Miguel do Araguaia, com 595,7 mil, e Porangatu, com 470,4 mil.

Embora a configuração geral se mantenha estável, alguns municípios apresentaram crescimento expressivo no rebanho entre 2023 e 2024. Divinópolis registrou aumento de 29,7%, seguida por Uirapuru (18,4%), Monte Alegre de Goiás (12,1%) e Aruanã (11,6%). Segundo a Seapa, “esse movimento reforça a presença de núcleos tradicionais fortemente estruturados, ao mesmo tempo em que evidencia a expansão gradual da atividade em outros municípios”.

A série histórica de 2019 a 2024 mostra avanço contínuo da bovinocultura de corte. De acordo com o IBGE, o rebanho brasileiro cresceu 10,9%, passando de 214,6 para 238,1 milhões de cabeças. Em Goiás, o número atingiu 23,2 milhões de cabeças, alta de 1,7% no período. No país, a produção de carne aumentou 26,0%, totalizando 10,3 milhões de toneladas de carcaça em 2024. Em Goiás, os abates chegaram a 1,0 milhão de toneladas, representando crescimento de 36,0%.

A Inteligência de Mercado Agropecuário da Seapa destacou que “diante desse cenário, as exportações brasileiras e goianas de carne bovina podem alcançar um novo recorde em 2025”.

No comércio internacional, o setor de carnes mantém posição de destaque, ocupando o segundo lugar nas exportações do agronegócio goiano, atrás apenas do complexo soja. Entre 2019 e 2024, as exportações de carne bovina aumentaram 59,5% em valor e 50,2% em volume.

No acumulado de janeiro a outubro de 2025, a carne bovina respondeu por 57,9% do volume total de carnes exportadas por Goiás. O desempenho contribuiu para um saldo positivo superior a US$ 1,7 bilhão na balança comercial, superando todo o resultado de 2024. A Seapa avalia que “o estado consolida-se como o terceiro maior exportador nacional da proteína, sustentado pela evolução e robustez do segmento”.





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Safra de uva avança com atenção a doenças



Produtores intensificam controle fitossanitário da uva



Foto: Divulgação

De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (25), o desenvolvimento da uva apresenta evolução distinta entre as regiões acompanhadas. Na área administrativa de Erechim, o crescimento das bagas segue dentro do esperado, com a realização de tratamentos preventivos para o controle de doenças. O informativo registra que “a previsão é de que a safra seja muito boa com alta qualidade, se as condições climáticas continuarem propícias”.

Na região de Santa Rosa, a Emater/RS-Ascar informa que a carga de cachos e de bagas bem formadas está em nível elevado. No entanto, há registro de incidência de doenças, com destaque para antracnose e míldio, “que está se manifestando em muitas plantas, principalmente na Niágara Branca”.

Segundo o relatório, produtores com maior experiência adotaram estratégias de controle preventivo, utilizando calda sulfocálcica no inverno, Fungicidas na floração e tratamentos periódicos com produtos cúpricos. Algumas variedades já apresentam sinais iniciais de maturação, como Núbia, Vênus e Niágara Rosa.

O informativo também aponta a presença de vespas nas lavouras, que perfuram as bagas e acabam atraindo abelhas, fator que tem exigido atenção adicional dos produtores durante o período de desenvolvimento da cultura.





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Milho tem preços firmes em 2025 apesar de safra recorde


Mesmo com a maior produção da história, o mercado brasileiro de milho apresentou recuperação de preços durante boa parte de 2025, operando em níveis superiores aos registrados no ano anterior. Segundo dados divulgados pelo Cepea, o comportamento surpreendeu o setor, já que o volume colhido foi expressivamente elevado.

Somando as três safras de 2024/25, a produção brasileira alcançou 141 milhões de toneladas, aumento de 22% em relação ao ciclo anterior. O principal impulso veio da segunda safra, cuja produtividade foi beneficiada por condições climáticas favoráveis.

No contexto internacional, a oferta global de milho manteve relativa estabilidade entre os ciclos 2023/24 e 2024/25. Quedas na produção em países como EUA, Rússia e Ucrânia foram compensadas por crescimentos relevantes no Brasil, na China e na Índia, o que reduziu a pressão internacional sobre os preços.

No início de 2025, apesar das projeções de uma colheita robusta, o mercado interno foi influenciado por um fator-chave: o estoque de passagem historicamente baixo, estimado em apenas 1,8 milhão de toneladas em janeiro. Isso, somado à demanda firme, valores mais altos pedidos pelos vendedores e problemas logísticos, impulsionou as cotações no primeiro trimestre.

Com o avanço da colheita da safra de verão e o bom desenvolvimento da segunda safra, as expectativas de oferta abundante passaram a pressionar os preços a partir de abril. A produção recorde se confirmou, e o mercado começou a responder com quedas nas cotações em diversas regiões.

Durante o segundo semestre, a tendência de baixa se intensificou, refletindo o recuo da demanda. Muitos consumidores optaram por aguardar novas desvalorizações, diante da colheita em andamento e da maior disponibilidade do grão. A lentidão das exportações e a maior flexibilidade de negociação por parte dos vendedores contribuíram para esse cenário.

Já nos últimos meses do ano, especialmente a partir de outubro, a oferta começou a se restringir. Produtores, diante da queda nos preços e da dificuldade de recompor estoques, reduziram a disponibilidade do cereal no mercado spot. Esse movimento sustentou os valores até meados de dezembro.





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Produção recorde e cenário internacional derrubam preços da soja


O mercado global da soja enfrentou um ano marcado por elevada volatilidade e pressão sobre os preços em 2025. Mesmo com demanda firme em alguns mercados e exportações brasileiras recordes, o excesso de oferta internacional e o cenário geopolítico adverso limitaram as cotações ao longo do ano.

De acordo com dados divulgados pelo Cepea, os preços médios no Brasil foram os mais baixos desde 2019, considerando valores reais. Tanto o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná quanto o CEPEA/ESALQ – Paranaguá (PR) refletiram a pressão negativa dos fundamentos globais. No mercado externo, o contrato com vencimento mais próximo na CME Group registrou sua menor média anual desde 2020.

No Brasil, mesmo com o menor estoque de passagem dos últimos quatro ciclos, a colheita acelerada da safra 2024/25 garantiu um volume recorde de 171,48 milhões de toneladas. A quebra no Rio Grande do Sul foi compensada pela produtividade elevada em outras regiões, ampliando a oferta doméstica e dinamizando o mercado spot.

Com esse desempenho, o Brasil respondeu por aproximadamente 40% da produção mundial de soja em 2024/25, estimada em 427,15 milhões de toneladas, segundo o USDA. O cenário internacional também contribuiu para o excesso de oferta: os Estados Unidos colheram 119,04 milhões de toneladas, com avanço de 5%, e a Argentina, 51,1 milhões de toneladas, crescimento de 6% frente ao ciclo anterior.

A política de “retenciones” (impostos de exportação) na Argentina e as disputas comerciais entre China e Estados Unidos adicionaram incertezas ao mercado, influenciando os fluxos de comércio e as decisões de venda. Ainda assim, o comércio global de soja atingiu 184,8 milhões de toneladas em 2024/25, alta de 3,9% em relação ao ciclo anterior.

A China continuou sendo o principal destino da soja brasileira, embora tenha reduzido suas compras totais em 3,5%. O Brasil compensou essa retração com crescimento nas vendas para outros mercados, mantendo a liderança global. Ao todo, o País respondeu por 55,8% das exportações mundiais, segundo dados consolidados até novembro.

Entre os destaques do ano, chamou atenção o crescimento expressivo das importações brasileiras pela Argentina, que ampliou suas compras em 73,5% no período. Esse movimento atípico refletiu a necessidade da indústria argentina diante da recomposição de estoques e mudanças internas.





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Cotações do açúcar ampliam queda com sinalização de novas exportações pela Índia


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Os contratos futuros do açúcar aprofundaram as perdas nesta quinta-feira (8) e ampliaram o movimento baixista observado ao longo da semana. As baixas ganharam mais força após o secretário de alimentação da Índia, Sanjeev Chopra, afirmar que o governo pode autorizar novas exportações de açúcar para reduzir o excesso de oferta interna.

Em Nova Iorque, as quedas foram fortes. O março/26 recuou 0,28 cent (-1,90%) e fechou a 14,48 cents/lbp. O maio/26 perdeu 0,26 cent (-1,84%), negociado a 14,10 cents/lbp. O julho/26 caiu 0,24 cent (-1,67%) para 14,13 cents/lbp, enquanto o outubro/26 cedeu 0,22 cent (-1,49%) e encerrou a 14,48 cents/lbp.

Em Londres, o movimento foi semelhante. O março/26 reduziu US$ 6,40 (-1,51%) e terminou o dia a US$ 415,90 por tonelada. O maio/26 recuou US$ 6,40 (-1,53%), cotado a US$ 412,50 por tonelada. O agosto/26 perdeu US$ 6,10 (-1,47%) e fechou a US$ 409,10 por tonelada, enquanto o outubro/26 caiu US$ 5,80 (-1,40%) e finalizou o pregão em US$ 409,30 por tonelada.

Segundo a Reuters, o governo indiano avalia liberar excedentes para aliviar o mercado doméstico e proteger os produtores de cana de perdas financeiras. Chopra afirmou que o país precisa conter estoques elevados por meio de exportações e de uma maior destinação de açúcar à produção de etanol.

“O excedente vai prejudicar os agricultores, e isso não podemos permitir. Portanto, no interesse deles e também de todos os envolvidos, é preciso garantir que os estoques excedentes sejam contidos”, declarou o secretário, de acordo com a Reuters.

As projeções são de que a produção indiana no ciclo 2025/26, iniciado em 1º de outubro, deve crescer 18% e alcançar 30,9 milhões de toneladas. A demanda anual do mercado doméstico gira em torno de 29 milhões de toneladas, o que deixa sobra a ser manejada.

Chopra acredita que o setor deve enfrentar preços mais baixos até meados de janeiro, quando o excesso de oferta tende a se acentuar. O governo, segundo ele, deve anunciar medidas nesse período para garantir fluxo financeiro e pagamento aos produtores. Outra alternativa que etá em estudo é a elevação do preço mínimo para vendas de açúcar no mercado interno indiano.





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Déficit de armazenagem redefine mercado grãos no Brasil em meio a safra recorde


A safra brasileira de grãos continua avançando em ritmo acelerado e já ultrapassa 320 milhões de toneladas, com expectativa de um novo recorde no ciclo 2025/26. Esse crescimento, porém, não vem sendo acompanhado na mesma velocidade pela infraestrutura de armazenagem. Segundo a Conab, a capacidade estática do país fica entre 200 e 230 milhões de toneladas, o que permite guardar cerca de 2/3 da produção anual. Esse descompasso acaba influenciando diretamente a dinâmica do mercado físico e a formação de preços.

Para Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, a armazenagem vai além da questão estrutural. “A armazenagem não é apenas infraestrutura física. Ela representa tempo de decisão, e tempo é o ativo mais valioso no mercado de grãos. Quando a oferta entra de forma simultânea no sistema, quem não consegue esperar acaba vendendo sob pressão”, afirma.

Gargalo regional e sazonal pressiona o produtor 

Apesar de os números agregados sugerirem relativa suficiência, a realidade operacional é distinta. A produção brasileira se concentra em janelas curtas, especialmente entre março e junho, quando a colheita da soja se sobrepõe ao avanço do milho. Nesse período, armazéns já ocupados, gargalos logísticos e limitações operacionais reduzem drasticamente a capacidade efetivamente disponível.

“O déficit de armazenagem não se manifesta como ausência absoluta de espaço, mas como incapacidade funcional de absorver volumes no momento crítico. É nesse intervalo que o mercado físico ajusta preços de forma mais agressiva”, explica a analista. 

Esse efeito é ainda mais intenso em regiões altamente produtivas, onde a relação entre capacidade de armazenagem e produção pode cair para 60% ou menos no pico da colheita. Como cerca de 83% da armazenagem brasileira está fora das propriedades rurais – concentrada em cooperativas, tradings e grandes operadores – forma-se uma assimetria estrutural de poder na cadeia .

Diferencial de base (ou basis) vira termômetro real do mercado e redistribui margem

Enquanto a Bolsa de Chicago (CBOT) reflete expectativas globais, política monetária e fluxo financeiro, é o diferencial de base, também conhecido como basis que traduz a realidade local do mercado físico brasileiro. Volume disponível, logística, necessidade de caixa e capacidade de armazenagem se materializam diretamente no diferencial de preços.

“No Brasil, é o basis que revela onde o mercado realmente acontece. Em momentos de excesso de oferta, a deterioração da base funciona como um mecanismo de ajuste, forçando a saída de volume”, comenta a especialista.

Durante o pico da colheita, essa deterioração pode facilmente superar R$ 15 a R$ 25 por saca, enquanto o custo médio de armazenagem gira entre R$ 2,50 e R$ 4,00 por saca ao mês. A diferença evidencia que a venda forçada transfere margem ao longo da cadeia, penalizando o produtor que não possui estrutura própria.

“Armazenagem não cria preço, mas define quem consegue esperar. Quem tem estrutura transforma um custo fixo em preservação de margem; quem não tem, paga esse custo todos os anos, mesmo sem perceber”, completa. 

Armazenagem é ativo estratégico em cenário de crédito caro e margens pressionadas

Com juros elevados e maior seletividade no crédito, a capacidade de armazenagem ganha também uma dimensão financeira. Ao reduzir a necessidade de vendas imediatas para geração de caixa, o produtor passa a ter mais flexibilidade para planejar a comercialização ao longo do ano, combinando vendas físicas, travas financeiras e operações de hedge.

“A armazenagem permite diluir decisões no tempo e reduzir a dependência de escolhas feitas sob pressão. Ela não elimina os riscos do mercado, mas reduz sua intensidade e torna o resultado menos sensível a choques pontuais”, finaliza Yedda Monteiro. 

Nesse contexto, a estrutura de armazenagem deixa de ser apenas suporte operacional e passa a funcionar como elemento central do gerenciamento de risco. Em um mercado onde a produção segue crescendo mais rápido do que a infraestrutura disponível, quem controla o tempo da venda tende a capturar melhores preços e preservar margem, mesmo em ambientes de maior volatilidade.





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Mercados agrícolas iniciam sessão curta em Chicago



No trigo, os contratos na Bolsa de Chicago apresentam valorização


No trigo, os contratos na Bolsa de Chicago apresentam valorização
No trigo, os contratos na Bolsa de Chicago apresentam valorização – Foto: Divulgação

Os mercados agrícolas iniciam o pregão desta terça-feira em um ambiente de ajustes técnicos e influência do cenário internacional, com sessão encurtada e menor liquidez. As cotações em Chicago operam em alta para os principais grãos, refletindo movimentos de cobertura de posições por parte de fundos e fatores geopolíticos que seguem impactando o complexo de commodities, especialmente por meio do petróleo. No mercado doméstico, os preços físicos mostram variações pontuais, enquanto o câmbio permanece sem referência devido ao fechamento dos mercados no Brasil.

No trigo, os contratos na Bolsa de Chicago apresentam valorização expressiva tanto para março quanto para dezembro de 2026, com preços mais próximos das máximas do dia, indicando impulso consistente de alta. O movimento ocorre em meio à recompra de posições por fundos, após a saída recente do trigo americano. No cenário internacional, o ritmo das exportações russas segue desacelerando, ao mesmo tempo em que os preços internos do cereal na Rússia recuam. 

A soja também opera em elevação em Chicago, sustentada por fatores geopolíticos que influenciam o petróleo, apesar de fundamentos comerciais mais frágeis. As compras chinesas previstas para o ano foram cumpridas apenas parcialmente, em um contexto atribuído a razões políticas, já que a soja americana segue mais cara do que a oferta do Brasil e da Argentina. No mercado interno, os preços no Paraná apresentam estabilidade no dia, com pequenas altas no acumulado do mês, tanto no interior quanto no porto.

No milho, as cotações avançam na CBOT, acompanhando o mesmo ambiente externo observado na soja. No Brasil, os contratos futuros na B3 recuam, enquanto o mercado físico registra leve alta diária e ganho mensal. A ausência de referência cambial limita ajustes mais amplos nos preços domésticos.

 





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Calor e chuvas irregulares marcam verão no campo em 2026


A previsão climática para o trimestre de janeiro a março de 2026 indica um cenário de calor acima da média e chuvas irregulares em parte do país, com potencial impacto sobre culturas como o milho safrinha e o arroz irrigado. A análise foi divulgada pelo Meteored Brasil com base em nota técnica de previsão sazonal elaborada em cooperação entre o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

Segundo o documento, o período de verão é decisivo para o resultado da safra, uma vez que concentra etapas críticas de manejo, como definição de janelas de plantio, controle de pragas, uso da água e decisões de custo. A nota destaca que, entre janeiro e março, a variabilidade do tempo pode ser elevada, e a alternância entre semanas chuvosas e períodos secos tende a influenciar diretamente a produtividade e a qualidade das lavouras.

O cenário climático considera a atuação de um resfriamento no Oceano Pacífico associado a uma La Niña de fraca intensidade, além de sinais no Atlântico Tropical, fatores que condicionam a distribuição das chuvas no território nacional. De acordo com as informações, há maior chance de precipitações acima da média histórica em grande parte da Região Norte, no norte do Maranhão e do Piauí e no Rio Grande do Sul. Em contrapartida, a previsão indica maior probabilidade de volumes abaixo do normal em áreas do Nordeste e em uma faixa que abrange Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o nordeste de São Paulo.

Em relação à temperatura, a nota técnica aponta predominância de valores acima da média em grande parte do país. Para o setor agropecuário, esse padrão tende a elevar a evapotranspiração e acelerar a perda de umidade do solo em períodos de menor chuva, além de influenciar o ciclo das culturas e o manejo fitossanitário.

No caso do milho safrinha, o Meteored Brasil destaca que a combinação entre calor persistente e chuvas irregulares aumenta o risco de estresse hídrico, especialmente em regiões do Sudeste e do Centro do país. A análise ressalta que o risco não está associado à ausência total de precipitações, mas à sua distribuição irregular ao longo do ciclo, o que pode comprometer fases sensíveis da cultura. A recomendação técnica é que decisões de plantio e manejo considerem a necessidade de ajustes constantes, acompanhando atualizações semanais da previsão e as condições observadas no campo.

Para o arroz irrigado, o relatório indica um cenário mais favorável no Rio Grande do Sul, que aparece entre as áreas com maior probabilidade de chuva acima da média no trimestre. De acordo com a análise, esse padrão pode contribuir para a reposição hídrica e reduzir a pressão sobre reservatórios, fator considerado estratégico para a estabilidade da produção. No entanto, o documento alerta que volumes elevados de chuva também podem provocar dificuldades operacionais, como restrições de tráfego nas áreas cultivadas e maior ocorrência de eventos climáticos intensos.

A nota técnica do CPTEC/INPE e os materiais do INMET lembram que, durante o verão, sistemas atmosféricos como a Zona de Convergência do Atlântico Sul podem organizar períodos prolongados de chuva, com grande variabilidade espacial e episódios pontuais de intensidade elevada. Nesse contexto, a orientação é que a previsão climática seja utilizada como instrumento de apoio ao planejamento, com revisão contínua das estratégias de manejo conforme a atualização dos boletins meteorológicos.





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Algodão brasileiro reafirma seu protagonismo global


Em 2025, o trabalho da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em conjunto com as 11 associações estaduais, reforçou o posicionamento do algodão como uma cultura responsável e estratégica para o agronegócio brasileiro.

De acordo com o Presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, o sucesso do algodão brasileiro em 2025 está baseado nos 4 pilares que norteiam o trabalho da Abrapa. “Através da implementação estruturada de práticas voltadas à sustentabilidade, à rastreabilidade, à qualidade e à promoção, conduzidas de forma organizada por meio dos programas da Abrapa, a cadeia consolidou um posicionamento sólido e articulado, capaz de avançar de maneira consistente em conquistas e em agendas socioambientais estratégicas para o país”, avalia o presidente.

No encerramento do ano, apresentamos um balanço das principais conquistas dos últimos 12 meses nos quatro pilares estratégicos do algodão brasileiro e das perspectivas que se desenham para 2026.

Sustentabilidade: renovação com a BCI e participação na COP 30 foram destaque

Desde sua criação, em 2012, o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) orienta os cotonicultores a produzirem de acordo com rigorosos parâmetros de sustentabilidade socioambiental. Na safra 2024/2025, o ABR assegurou que 83% do algodão brasileiro fosse certificado segundo padrões internacionais de produção responsável, fortalecendo o posicionamento e o reconhecimento no mercado global.

Para dar continuidade a esse sucesso, o programa começou 2025 renovando a sua parceria com o Better Cotton Institute (BCI), benchmark que garante que o certificado BCI chegue às fazendas brasileiras e leve o algodão nacional para os clientes mais exigentes da indústria.

A participação da Abrapa na COP30 também contribuiu para projetar o algodão brasileiro no cenário internacional. O gerente de Sustentabilidade da entidade, Fábio Carneiro, destacou o alcance das práticas responsáveis adotadas no país e apresentou o algodão como uma alternativa natural às fibras sintéticas na indústria têxtil, hoje entre as maiores fontes de poluição por microplásticos.

Qualidade: atuação em conjunto com as associações estaduais

Em 2025, a Abrapa realizou seis workshops de qualidade em municípios de Goiás, Bahia e Mato Grosso, capacitando 1.440 profissionais envolvidos em toda a cadeia a produtiva. A entidade também realizou treinamentos nos estados produtores para inspetores de Unidade de Beneficiamento de Algodão (UBA) e de algodão em pluma, que atuam nos laboratórios de análise de todo o Brasil, uma prerrogativa do terceiro pilar do Standard Brasileiro HVI (SBHRVI), focado em capacitação e difusão de conhecimento.

Em 2026, o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) completará dez anos de atuação voltada à padronização de laboratórios. Apenas em 2025, mais de 14 milhões de fardos foram analisados pelos laboratórios, gerando dados que passam a integrar as informações no Sistema Abrapa de Identificação, o programa mais antigo de rastreabilidade do algodão brasileiro.

Rastreabilidade: SouABR lança política de adesão ao mercado

Lançado em 2021, o SouABR é o programa de rastreabilidade da Abrapa que assegura transparência em toda a cadeia de custódia do algodão brasileiro. Por meio de um QR Code aplicado às peças, o consumidor final tem acesso a informações completas sobre a origem e a trajetória do produto, da semente ao guarda-roupa.

Em 2025, o programa avançou com o lançamento de sua política de adesão, possibilitando que qualquer marca que atenda aos requisitos estabelecidos ofereça rastreabilidade em suas peças, assegurando o acesso aos dados da cadeia produtiva e ampliando a transparência do setor.

Sou de Algodão: movimento completa 10 anos em 2026

A trajetória do algodão também foi destaque no São Paulo Fashion Week 2025, por meio do movimento Sou de Algodão. O desfile reuniu seis estilistas de renome da moda brasileira para traduzir, nas passarelas, a importância da rastreabilidade e a conexão entre o consumidor e as histórias das milhares de pessoas que trabalham na cadeia produtiva.

“O público da moda está cada vez mais exigente em relação à origem e aos processos de produção do que consome. Nesse cenário, a rastreabilidade confere ainda mais credibilidade ao algodão brasileiro, tanto no mercado interno quanto no exterior”, afirmou a diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do movimento Sou de Algodão, Silmara Ferraresi.

Em 2026, o movimento que foi lançado na SPFW para unir a cadeia produtiva e têxtil e estimular o uso do algodão brasileiro completa 10 anos. “O Sou de Algodão mostra como o algodão é importante para o Brasil e o mundo através da comunicação, ações e campanhas. Nesses 10 anos, dialogamos com pessoas cada vez mais preocupada com origem, qualidade e sustentabilidade daquilo que consome”, analisa a diretora.

Cotton Brazil amplia diálogo em defesa da fibra natural

No comércio exterior, 2025 consolidou o Brasil como líder global do algodão ao unir escala, competitividade e sustentabilidade. O país é o terceiro maior produtor mundial e o primeiro exportador desde 2024, respondendo por 33% das exportações globais.

Na safra 2024/2025, foram embarcadas 2,8 milhões de toneladas, gerando US$ 4,8 bilhões em receita. O Brasil ampliou sua participação em todos os principais mercados importadores, com destaque para Índia, Egito e Paquistão.

Esse desempenho é impulsionado pelo projeto setorial Cotton Brazil, responsável por orientar a estratégia internacional do setor. O diretor de relações internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, explicou que o próximo ano será essencial para a manutenção do mercado conquistado. Segundo ele, “Em 2026 e 2027, o Cotton Brazil terá como foco a defesa de mercado, o fortalecimento da imagem e a expansão do consumo frente às fibras sintéticas. Para isso, continuamos priorizando os dez maiores compradores do algodão brasileiro, responsáveis por 96% das importações mundiais, mas expandimos nossas ações voltadas ao varejista e ao consumidor final, que se concentram na Europa e Estados Unidos”.

Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) acontece em Belo Horizonte em 2026

A organização do CBA 2026 já está em andamento. O tema da sua próxima edição será “Algodão Brasileiro: Fibra Natural, uma jornada com propósito, qualidade e transparência”. O evento está marcado para setembro de 2026, na cidade de Belo Horizonte, e tem expectativa de público recorde.

Neste ano, a 14ª edição do CBA, que aconteceu em 2024, ganhou o primeiro lugar no Prêmio Caio, na categoria que reconhece os melhores congressos nacionais. O Prêmio Caio é comparado ao “Oscar” dos eventos no Brasil.

Segundo o diretor executivo da Abrapa, Márcio Portocarrero, o reconhecimento concedido ao 14º CBA simboliza um marco na trajetória do Congresso e reflete o protagonismo alcançado pelo algodão brasileiro no cenário internacional. “Além de conquistarmos a liderança nas exportações globais, o CBA registrou o maior público de sua história. Essa premiação consolida esse momento histórico vivido pela Abrapa”, afirmou.

 





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