segunda-feira, março 23, 2026

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Leilão de frete contratará transporte de 6,48 mil toneladas de milho destinadas ao ProVB



Leilão da Conab vai contratar frete para transportar milho ao ProVB no Nordeste



Foto: USDA

Na próxima terça-feira (24), a Companhia realizará leilão para contratar serviço de transporte de remoção de 6,48 mil toneladas de milho, vinculados aos estoques públicos. O pregão será realizado a partir das 9h30 (horário de Brasília) por meio do Sistema de Comercialização Eletrônico da Conab (Siscoe), conforme o Aviso de Frete nº 08/2026. O cereal a ser removido será destinado ao Programa de Venda em Balcão (ProVB).

Voltado a pequenos criadores rurais, o ProVB facilita o acesso direto a estoques públicos a preços compatíveis com o mercado atacadista local. No caso do milho, o programa contribui para reduzir custos na formulação de ração animal, assegurando regularidade no fornecimento e fortalecendo a produção de espécies criadas em pequena escala, especialmente em regiões dependentes desse insumo.

A operação logística contemplará rotas que partem de unidades que armazenam estoques públicos localizadas em Campo Grande/MS, Brasília/DF  e Uberlândia/MG, com distribuição para unidades armazenadoras e unidades satélites de vendas em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Os lotes foram estruturados com fluxos de embarque compatíveis com a capacidade operacional dos locais de origem e de destino.

Para participar do leilão, as empresas deverão estar vinculadas a uma Bolsa de Mercadorias, serem cadastradas no Sistema da Conab (Sican) e estar em situação regular em cadastros de fornecedores, de créditos do setor público e no Sistema de Registro e Controle de Inadimplentes da Conab (Sircoi). Além disso, precisam comprovar que sua atividade principal é compatível com o serviço de transporte de carga.

As demais exigências para participar do leilão podem ser conferidas no Aviso de Frete n.º 8/2026.

Serviço:Leilão eletrônico para contratação de frete de milho em grãos

Edital: Aviso de Frete n.º 8/2026 

Data: terça-feira, 24 de março

Horário: 9h30





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Mercado eleva previsão da inflação para 4,17% para 2026


A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – referência oficial da inflação no país – passou de 4,1% para 4,17% em 2026. A estimativa está no boletim Focus desta segunda-feira (23), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Em meio às tensões em torno da guerra no Oriente Médio, pela segunda semana seguida, a previsão para a inflação de 2026 foi elevada, mas ainda se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC.

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

Em fevereiro, a alta dos preços em transportes e educação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,7% [https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/inflacao-oficial-recua-para-381-com-variacao-de-07-em-fevereiro], uma aceleração diante do registrado em janeiro, 0,33%. No entanto, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Para 2027, a projeção da inflação se mantém em 3,8%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,52% e 3,5%, respectivamente.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros (Taxa Selic), definida atualmente em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na reunião da semana passada, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. Antes da escalada do conflito no Irã, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto.

Em 15% ao ano, a Selic estava no maior nível desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro reuniões seguintes.

Na ata da reunião de janeiro, o Copom afirmou que iniciaria um ciclo de corte nos juros na reunião deste mês, mas o comunicado divulgado após o encontro trouxe mais cautela diante do aumento das incertezas provocado pelo conflito no Oriente Médio. O BC não descarta rever o ciclo de baixa, caso seja necessário.

A estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica foi elevada nesta edição do boletim Focus – de 12,25% ao ano para 12,5% ao ano até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a Taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 1,83% para 1,84%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.

No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,45.





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Cais Mauá passa por ajustes finais para receber o South Summit Brazil 2026


A estrutura do South Summit Brazil 2026 está na fase final de montagem no Cais Mauá, marcando a contagem regressiva para um dos maiores encontros de inovação, tecnologia e empreendedorismo da América Latina. Correalizado pelo governo do Estado, o evento começa na quarta-feira (25/3) e segue até sexta-feira (27), com a expectativa de reunir milhares de participantes na capital gaúcha.

A secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia, Simone Stülp, celebra a chegada da quinta edição do evento. “Mais uma vez, estamos prontos para receber pessoas de diferentes lugares do mundo, representando o ecossistema nacional e internacional de inovação. Sem dúvida, teremos mais uma edição memorável”, afirma.

Com a proximidade do início das atividades, a área histórica do Cais passa por uma intensa transformação para receber os diferentes espaços do evento, incluindo palcos de conteúdo, áreas de exposição, arenas de networking e estruturas voltadas à experiência do público. A montagem mobiliza equipes técnicas e envolve a adaptação dos armazéns e áreas externas, que se tornam um grande hub de conexões e negócios durante os três dias de programação.

Governo do Estado mobiliza projetos sociais para o South Summit Brazil 2026

A estrutura ocupará uma área útil aproximada de 30 mil metros quadrados (m²), ao longo de quatro armazéns do Cais Mauá. Serão sete palcos com uma extensa programação de painéis e apresentações, incluindo o RS Innovation Stage, que é a casa do governo gaúcho no evento. Esse espaço aumentará de 263 m² para 292 m², com o total de assentos passando de 125 para 144.

Além do RS Innovation Stage, o governo também estará presente em outros palcos e no marketplace – local de exposição, com estandes de patrocinadores, startups e parceiros. Neste ano, pela primeira vez, a Sunset Street, que dá acesso a todos os palcos, será coberta, o que garante que as condições climáticas não afetarão os visitantes.

Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática realiza ação social do South Summit Brazil em Estrela

O South Summit Brazil integra a estratégia de fortalecimento do ecossistema de inovação gaúcho, estimulando a geração de negócios, a atração de talentos e a internacionalização de empresas e iniciativas locais. A realização do evento nos últimos cinco anos reforça o posicionamento do Estado como porta de entrada para conexões globais e desenvolvimento tecnológico.

Novidades da quinta edição

Entre as novidades desta edição está o estúdio de podcast, que poderá ser utilizado por profissionais de imprensa e patrocinadores. O evento também passa a contar com o novo Experience VIP Lounge, espaço integrado voltado a conexões estratégicas e negócios, além da Cais Room, uma sala multiuso, e da Guaíba Room, dedicada a reuniões e encontros privados, com possibilidade de agendamento por participantes, investidores, startups e speakers.

Palco do governo no South Summit Brazil, RS Innovation Stage recebe 372 inscrições, maior procura já registrada

A agenda inclui, ainda, a segunda edição da South Summit Brazil Run, no sábado (28), com percursos de 3, 5 e 10 quilômetros, no Parque Harmonia.

A qualificação estrutural contempla, ainda, iniciativas voltadas à acessibilidade, ao bem-estar e à segurança do público, com reforço do time de profissionais especializados e uma sala de acolhimento.

South Summit Brazil

Criado na Espanha e consolidado como a maior feira de inovação do sul da Europa, o South Summit chegou ao Rio Grande do Sul por iniciativa do governo de Eduardo Leite, em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre. Antes da chegada ao Estado, o evento ainda não possuía edição na América Latina.

Por que é importante para o Estado sediar eventos que fomentam iniciativas de inovação como o South Summit Brazil? 

Em 2025, a edição brasileira reuniu 23 mil participantes de 62 países, incluindo 900 investidores e 140 fundos, com mais de US$ 215 bilhões sob gestão. O encontro também recebeu mais de 3 mil startups e 800 speakers.

O tema desta edição será “Human by Design” — conceito que coloca o ser humano no centro do desenvolvimento de tecnologias e produtos, destacando soluções orientadas às necessidades e ao potencial das pessoas.

Texto: Ascom SictEdição: Secom





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Brasil e China tratam regras fitossanitárias



Mudança busca agilizar certificados sanitários


Foto: USDA

O Ministério da Agricultura e Pecuária modificou os procedimentos de fiscalização aplicados às cargas de soja destinadas à exportação para a China. A decisão foi oficializada na última sexta-feira (13) pelo Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional, após solicitações de empresas tradings do setor.

Com as novas regras, a coleta de amostras de soja para inspeção passa a ser realizada por empresas supervisoras contratadas pelas tradings, enquanto o ministério seguirá responsável pela análise de 10% de todo o carregamento. A medida tem como objetivo agilizar a emissão dos certificados sanitários, que anteriormente eram liberados quando os navios já estavam em alto-mar.

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Além das mudanças operacionais, representantes do ministério devem viajar à China entre os dias 20 e 29 de março para reuniões bilaterais com autoridades do país asiático. A agenda inclui discussões sobre temas sanitários e fitossanitários ligados ao comércio agropecuário, com foco na fiscalização de produtos exportados pelo Brasil, como a soja.

A delegação brasileira participará da X Reunião da Subcomissão de Temas Sanitários e Fitossanitários e da VII Reunião da Subcomissão de Agricultura da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação, que serão realizadas em Pequim.

Os encontros devem abordar protocolos sanitários, exigências fitossanitárias e procedimentos de inspeção que impactam as exportações brasileiras para o mercado chinês, principal destino da soja nacional. A expectativa é de alinhamento nas regras de fiscalização e ampliação da cooperação técnica entre os dois países no comércio agropecuário. Com informações da CNN.*





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Sul passará por período de mais umidade



As projeções indicam aumento da umidade no Sul


As projeções indicam aumento da umidade no Sul
As projeções indicam aumento da umidade no Sul – Foto: Pixabay

A transição entre outono e inverno de 2026 deve trazer mudanças relevantes no padrão climático do país, com tendência de maior irregularidade nas chuvas e temperaturas acima da média em parte do território. O cenário ocorre após uma estação chuvosa abaixo do esperado e sob influência de uma La Niña fraca.

As projeções indicam aumento da umidade no Sul, enquanto áreas do extremo Norte devem enfrentar condições mais secas. No Centro-Sul, a previsão aponta para períodos de calor mais persistentes e menor frequência de ondas de frio, o que favorece a ocorrência de veranicos ao longo da estação.

De acordo com a Ampere, os sinais de aquecimento no Pacífico Equatorial já são consistentes, com anomalias positivas de temperatura na superfície do mar próximas à costa oeste da América do Sul. Modelos como o ECMWF indicam que esse aquecimento deve se intensificar nos próximos meses, com possibilidade de configuração de El Niño a partir de maio. “Desde o inverno de 2025, a Ampere vem indicando a possibilidade de desenvolvimento de um evento de El Niño em 2026 e, até o momento, os prognósticos vêm corroborando essa sinalização”, completa o meteorologista sênior da consultoria, Bruno César Capucin.

A influência do fenômeno deve ganhar força no trimestre entre maio e julho, período em que são esperadas chuvas acima da média no Sul e em áreas do sul do Sudeste e do Centro-Oeste. Em contrapartida, o extremo Norte tende a permanecer mais seco.

O padrão também favorece temperaturas mais elevadas, especialmente pela maior atuação de ventos de norte, reduzindo a entrada de massas de ar frio. Esse contexto aumenta o risco de eventos extremos, como temporais no Sul e períodos prolongados de calor no Centro-Sul.





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Explosão nos preços da ureia acende alerta máximo



O cenário atual é descrito como incerto e com baixa visibilidade


O cenário atual é descrito como incerto e com baixa visibilidade
O cenário atual é descrito como incerto e com baixa visibilidade – Foto: Canva

A recente movimentação dos preços da Ureia chama atenção pela intensidade e pela velocidade das altas observadas no mercado. As informações são de Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado.

De acordo com o comportamento mais recente do indicador, o gráfico da ureia passou a desenhar um formato semelhante ao de um prédio, refletindo um avanço abrupto nas cotações. Esse movimento elevou os preços a patamares considerados elevados, gerando preocupação direta sobre a capacidade de absorção por parte da demanda.

O cenário atual é descrito como incerto e com baixa visibilidade, o que amplia a cautela entre agentes do setor. Mesmo antes dos acontecimentos no Oriente Médio, já havia um sentimento de retração na área destinada ao trigo, motivado por custos e margens mais apertadas.

No final do mês de fevereiro, durante passagem pelo Rio Grande do Sul, o analista observou discussões sobre a redução da área de trigo no estado. No Paraná, a percepção era semelhante, indicando um movimento mais amplo entre produtores da região Sul.

Nesse cenário, com a ureia em níveis elevados, a tendência é de pressão adicional sobre a cultura do trigo, que depende fortemente do insumo. Esse encarecimento pode levar produtores a reavaliar o planejamento da próxima safra.

Diante desse contexto, outras culturas podem ganhar espaço nas áreas antes destinadas ao cereal, alterando a dinâmica de plantio. Esse possível redirecionamento exige acompanhamento atento do mercado, já que pode impactar tanto a oferta quanto os preços agrícolas nos próximos ciclos.

 





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MPF pede fim de prescrição remota de agroquímicos



A recomendação também aponta quebra de isonomia regulatória


A recomendação também aponta quebra de isonomia regulatória
A recomendação também aponta quebra de isonomia regulatória – Foto: Canva

A emissão de receituários agronômicos sem vistoria presencial entrou em debate após questionamentos sobre riscos à segurança ambiental e à saúde pública. O tema envolve a necessidade de diagnósticos técnicos precisos para orientar o uso adequado de insumos nas lavouras.

O Ministério Público Federal recomendou ao Conselho Federal dos Técnicos Agrícolas a revogação imediata de normas que autorizam a emissão remota desses documentos. O entendimento é de que a Resolução nº 64/2025 contraria a Lei nº 14.785/2023 e o Decreto nº 4.074/2002, que exigem visita técnica no local. Para o órgão, a legislação determina que o diagnóstico seja feito com base em inspeção direta, considerada essencial para avaliar condições reais do solo, do ambiente e das culturas.

A recomendação também aponta quebra de isonomia regulatória, já que normas aplicáveis a engenheiros agrônomos mantêm a exigência de presença física para emissão de laudos. O procurador responsável pelo documento alertou que a ausência de verificação in loco pode caracterizar negligência técnica, com possíveis implicações legais.

Dados analisados por órgão estadual indicaram irregularidades relevantes. Foram identificados casos de emissão em volume incompatível com a prática técnica, incluindo um profissional com mais de 15 mil receituários em um ano. Também houve registros de prescrições para culturas sem expressão ou inexistentes no estado, o que levanta dúvidas sobre a consistência dos diagnósticos.

O MPF orienta a adequação da norma para tornar explícita a obrigatoriedade da vistoria presencial e propõe fiscalização retroativa dos últimos dois anos. O conselho tem prazo de 10 dias para se manifestar e, em caso de concordância, deverá implementar as mudanças em até 30 dias.

 





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Agrotóxicos proibidos continuam entrando no Brasil pela fronteira, aponta Ministério Público


O evento Receituário Agronômico: boas práticas, segurança alimentar e responsabilidade técnica iniciou na manhã desta sexta-feira (20), em Porto Alegre, reunindo especialistas e autoridades no plenário do CREA-RS para discutir o uso responsável de agrotóxicos e a responsabilidade técnica na produção agrícola.

Um dos principais destaques da programação foi a palestra do promotor de Justiça Giovani Ferri, que trouxe um panorama detalhado sobre o combate ao uso ilegal de agrotóxicos no Brasil, especialmente em regiões de fronteira. Com mais de 30 anos de atuação no Ministério Público e cerca de duas décadas dedicadas ao tema, ele compartilhou a experiência no oeste do Paraná, na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Segundo o promotor, o cenário é preocupante. “Temos um mercado paralelo muito grande de agrotóxicos ilegais, principalmente oriundos do Paraguai, que gera prejuízos significativos para toda a sociedade”, afirmou. Ele explicou que o enfrentamento desse problema ocorre de forma integrada, com a atuação conjunta de órgãos de fiscalização, segurança pública e instituições técnicas.

Desde 2016, o Ministério Público do Paraná desenvolve um plano estruturado de combate a essas irregularidades. Ferri destacou que esse trabalho é sustentado por três pilares fundamentais: “a proteção ambiental, a proteção da saúde humana e do trabalhador e a proteção da cadeia produtiva”.

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Ao longo da apresentação, ele reforçou que o uso inadequado de agrotóxicos ultrapassa o campo e impacta diretamente toda a sociedade. “A aplicação incorreta pode colocar em risco o consumidor, contaminar o meio ambiente e comprometer a própria sustentabilidade da produção agrícola”, disse.

As operações realizadas nos últimos anos mostram a dimensão do problema. Em uma das ações, foram apreendidas 46 toneladas de agrotóxicos ilegais e aplicadas multas que chegaram a R$ 2,8 milhões. Em outro caso, foi descoberta uma fábrica clandestina. “Identificamos um laboratório ilegal que produzia e distribuía agrotóxicos sem qualquer autorização, atingindo toda a região”, relatou.

As investigações também revelaram crimes associados, como contrabando, falsificação e sonegação fiscal. Em uma operação recente, realizada entre 2024 e 2025, foram identificados cerca de R$ 24 milhões em irregularidades tributárias, com ações em seis estados e interdição de estabelecimentos.

Outro ponto que chamou atenção foi a entrada de substâncias proibidas no país. “Mesmo produtos banidos no Brasil continuam entrando ilegalmente pelas fronteiras e sendo utilizados no campo”, alertou, ao citar o caso do paraquate.

No campo jurídico, o promotor destacou que a legislação brasileira trata o risco dos agrotóxicos como presumido. “Não é necessário haver dano comprovado. O simples armazenamento irregular ou a comercialização ilegal já geram responsabilização”, explicou.

Nesse contexto, o receituário agronômico ganha ainda mais relevância. “A emissão indevida de um receituário pode gerar responsabilidade civil, administrativa e até criminal”, afirmou. Ele ressaltou que essa responsabilidade não se restringe ao produtor rural, mas envolve toda a cadeia. “Revendas, profissionais e distribuidores também respondem pelas irregularidades”. Apesar dos desafios, Ferri destacou um avanço importante dentro do setor. “Temos recebido denúncias de engenheiros agrônomos, de forma sigilosa, o que demonstra uma preocupação crescente com os impactos dessas práticas”, disse.

 

 





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Procuradora da República orienta sobre responsabilidade criminal no campo


O evento Receituário Agronômico: boas práticas, segurança alimentar e responsabilidade técnica, realizado na manhã desta sexta-feira (20), em Porto Alegre, também trouxe à tona discussões sobre os impactos jurídicos das mudanças na legislação de agrotóxicos, especialmente no campo da responsabilidade criminal.

A procuradora da República Flávia Rigo Nóbrega destacou que a nova legislação trouxe alterações significativas, principalmente ao reduzir o número de condutas tipificadas como crime.

Segundo ela, uma das principais dúvidas que surgem no setor é se determinadas práticas deixaram de ser consideradas criminosas. “Fica aquela questão: então quer dizer que essa conduta deixou de ser criminalizada? Eu não entendo que esse seja o melhor entendimento”, afirmou.

A procuradora explicou que a antiga legislação, como a Lei 7.802, previa dispositivos mais específicos, incluindo responsabilidades diretas do profissional técnico. Com a nova lei, esses dispositivos foram revogados, o que gerou uma aparente lacuna.

“É importante ter em mente que a Lei 7.802 foi totalmente revogada. Mas isso não significa que as interpretações construídas a partir dela, e também da Lei de Crimes Ambientais, tenham sido abandonadas”, ressaltou.

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De acordo com Flávia, a nova Lei nº 14.785 trouxe apenas duas condutas expressamente tipificadas como crime, o que representa uma redução significativa no campo da responsabilização penal. Ainda assim, ela alertou que isso não elimina a possibilidade de enquadramento criminal.

“A lei reduziu drasticamente o espaço de atuação criminal, mas isso não quer dizer que determinadas condutas deixaram de ser puníveis”, explicou.

A procuradora destacou que, embora alguns verbos e tipos penais não tenham sido repetidos na nova legislação, eles continuam contemplados em outros dispositivos legais.

“Quando a gente faz uma análise mais aprofundada, percebe que várias dessas condutas ainda encontram respaldo em outras normas. Elas não desapareceram do ordenamento jurídico”, afirmou.

Segundo ela, o desafio agora está na interpretação dessas normas e na aplicação prática da legislação. “A gente precisa olhar para frente, mas sem esquecer os pressupostos que já existiam. A interpretação jurídica continua sendo fundamental nesse cenário”, disse.

A fala reforça a preocupação com a responsabilização de profissionais e demais envolvidos na cadeia produtiva, especialmente diante de um contexto em que o uso de agrotóxicos segue sendo tema sensível para a saúde pública e o meio ambiente.

O debate integra uma série de painéis técnicos que discutem desde a responsabilidade civil e administrativa até os desafios da fiscalização e da atuação profissional no campo.





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