sábado, março 28, 2026

Política & Agro

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Mercado de feijão se aquece com oferta reduzida



Os preços começaram a refletir a menor oferta disponível no mercado



Os preços começaram a refletir a menor oferta disponível no mercado
Os preços começaram a refletir a menor oferta disponível no mercado – Foto: Canva

Com informações do Instituto Brasileiro de feijão e Pulses (IBRAFE), o mercado de feijão no Paraná tem registrado uma expressiva valorização nas últimas semanas. A colheita do feijão-carioca está na reta final, o que reduziu significativamente a oferta no mercado. Como reflexo, compradores estão dispostos a pagar até R\$ 280 pela saca do tipo 8,5/9, com negócios pontuais já superando esse valor, impulsionados especialmente pela escassez de grãos de boa qualidade.

“Com a colheita do feijão no Paraná entrando na reta final, os preços começaram a refletir a menor oferta disponível no mercado. Para o feijão-carioca tipo 8,5/9, há um número crescente de compradores dispostos a pagar até R$ 280/sc, e pontualmente os negócios já superam essa faixa. A escassez de produto com boa qualidade tem sido o motor dessa valorização”, comenta.

No segmento do feijão-preto, a semana foi marcada por grande oscilação tanto na qualidade dos lotes quanto nos preços praticados. As negociações variaram entre R\$ 120 e R\$ 150 por saca. Apesar disso, o valor mais alto ainda não está consolidado de forma ampla no mercado. Segundo o IBRAFE, o comportamento dos produtores será decisivo nas próximas semanas, especialmente quanto à retenção de lotes de qualidade, que pode sustentar e firmar esse novo patamar.

A pressão de credores também entra na equação, podendo influenciar a decisão dos produtores sobre vender ou segurar seus estoques. Caso haja firmeza na retenção, especialmente nos lotes de qualidade superior, é possível que o mercado T1 consolide o patamar de R\$ 150/sc como novo piso. O cenário segue dinâmico, e o IBRAFE reforça que continuará acompanhando de perto os movimentos do mercado, atentos às oportunidades que surgirem tanto para produtores quanto para compradores.

 





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Uso de biológicos no inverno tem grande potencial



A aplicação em cobertura também pode funcionar



A aplicação em cobertura também pode funcionar
A aplicação em cobertura também pode funcionar – Foto: Canva

O uso de produtos biológicos durante o inverno apresenta um enorme potencial para o manejo agrícola, desde que a aplicação seja realizada com atenção e técnica. Erros comuns, como calda mal preparada, escolha inadequada do horário ou mistura incompatível, podem comprometer o desempenho dos biológicos, mesmo quando se trata de produtos de alta qualidade.

Uma das formas mais eficientes de aplicação no período é o tratamento de sementes, que leva o microrganismo diretamente à raiz da planta no início do desenvolvimento, reduzindo a interferência das condições ambientais. Outra estratégia válida é a aplicação no sulco, especialmente em culturas de cobertura ou trigo, desde que o volume e a distribuição do produto estejam bem calibrados.

A aplicação em cobertura também pode funcionar, mas o momento ideal é essencial: temperaturas amenas, umidade adequada e evitar exposição ao sol forte logo após a aplicação. Geralmente, o final da tarde é o período mais indicado para esse tipo de uso.

Outro aspecto importante é a compatibilidade dos biológicos com outros produtos, como fungicidas, inseticidas e adubos. Misturas inadequadas podem anular a ação dos microrganismos, por isso sempre é recomendável realizar testes simples antes ou seguir as orientações do fabricante. Com o inverno trazendo menor pressão de doenças e clima mais estável, os produtores podem aplicar com mais calma e atenção técnica, o que contribui para um melhor acompanhamento dos resultados no campo. “No inverno, com menor pressão de doença e clima mais estável, é possível aplicar com mais calma, atenção e foco técnico. E isso ajuda a observar os resultados com mais clareza”, conclui.

 





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Agricultura inteligente recebe novos investimentos



Controle de sementes é um dos métodos



Controle de sementes é um dos métodos
Controle de sementes é um dos métodos – Foto: Canva

O Grupo Bosch anunciou que vai investir cerca de R$ 200 milhões nos próximos três anos para expandir sua atuação no agronegócio no Brasil e Argentina, com 100 colaboradores dedicados e apoio do programa Mais Inovação, do Governo Federal, via FINEP e BNDES. Segundo Gastón Diaz Perez, CEO da Bosch na América Latina, o objetivo é fortalecer a inovação e aumentar a capacidade produtiva para atender a demanda crescente de alimentos, já que a população mundial deve ultrapassar 10 bilhões até 2050.

No Brasil, a Bosch já oferece soluções hidráulicas, eletrônicas, software e peças para máquinas agrícolas e veículos off-road. Um destaque é a Solução de Plantio Inteligente (IPS), que controla a distribuição de sementes linha a linha, garantindo equidistância e aplicação variável de fertilizantes. Testes da Embrapa em lavouras de milho e algodão, no Mato Grosso e Paraná, mostraram aumento de produtividade de até 8% com essa tecnologia, importante para o rendimento da fibra do algodão.

A Bosch Digital Agro é outra inovação, com plataforma que conecta máquinas e produtores para monitoramento em tempo real do plantio, evitando desperdícios e aumentando eficiência. Em parceria com a BASF, a Bosch desenvolveu o ONE SMART SPRAY, que aplica herbicidas só onde há plantas daninhas, reduzindo em 62% o uso de insumos.

Além disso, a fusão da Bosch Rexroth com a Hydraforce fortaleceu a liderança em hidráulica, e a linha elétrica e-Lion destaca-se pela eficiência e sustentabilidade. No setor automotivo, a Rede Bosch Diesel oferece serviços especializados em mais de 300 oficinas para máquinas agrícolas, garantindo qualidade e confiabilidade.

 





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Primeiro caso global de resistência à flurocloridona



Até então, não havia registros mundiais de resistência



Até então, não havia registros mundiais de resistência
Até então, não havia registros mundiais de resistência – Foto: AgrolinkFito

Pesquisadores da Universidade Nacional do Centro da Província de Buenos Aires confirmaram o primeiro caso mundial de resistência da Brassica rapa L. (nabo silvestre) ao herbicida flurocloridona. O biotipo resistente foi identificado na região de Tandil, sudeste da Província de Buenos Aires, e está sendo estudado outro caso suspeito em Azul. Este é um marco preocupante, pois se soma às resistências já conhecidas na espécie: glifosato, inibidores da ALS e herbicidas hormonais (2,4-D), configurando resistência múltipla a quatro mecanismos de ação.

A flurocloridona, utilizada desde 2018 como alternativa para manejar a resistência crescente aos herbicidas convencionais, é um herbicida residual que atua na inibição da fitoeno desaturase (PDS), essencial para a biossíntese de carotenoides. Até então, não havia registros mundiais de resistência a essa molécula, embora existam casos isolados com outros inibidores de PDS, como diflufenican e fluridona, em diferentes espécies.

O estudo liderado pelos engenheiros agrônomos Víctor Juan, Lucía Ledesma e Federico Núñez Fré analisou dois biotipos: um de Tandil, exposto a aplicações anuais de flurocloridona por oito anos, e outro de Olavarría, com uso muito menor do produto. Os resultados foram claros: enquanto o biotipo de Olavarría apresentou controle eficaz nas doses recomendadas, o de Tandil sobreviveu em 45% dos casos na dose comercial (1X) e só foi praticamente eliminado na dose dobrada (2X). O índice de resistência calculado foi de 6, o que indica que a população resistente precisa de seis vezes mais herbicida para atingir o mesmo nível de controle.

Este achado eleva para 49 o número de biotipos de plantas daninhas resistentes na Argentina, segundo dados da REM (Rede de Manejo de Pragas) da AAPRESID. O avanço dessa resistência acende um alerta para produtores da região, especialmente do centro e sudeste da província de Buenos Aires, onde 100% dos municípios já enfrentam a resistência do nabo silvestre a três mecanismos de ação, com tendência de avanço para outras regiões.

 





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UE classifica café do Brasil como risco médio



A classificação levou em consideração critérios como taxas de desmatamento



A classificação levou em consideração critérios como taxas de desmatamento, degradação florestal e expansão agrícola
A classificação levou em consideração critérios como taxas de desmatamento, degradação florestal e expansão agrícola – Foto: Emater MG

De acordo com comunicado oficial de Marcos Antonio Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgado em 22 de maio, a União Europeia (UE) publicou a classificação de risco por país no âmbito do Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). O Brasil, incluindo o setor cafeeiro, foi classificado como risco médio, o que significa que 3% dos volumes exportados para o bloco estarão sujeitos a auditorias de conformidade.

A classificação levou em consideração critérios como taxas de desmatamento, degradação florestal e expansão agrícola. Enquanto isso, países concorrentes do Brasil no mercado de cafés especiais, como Vietnã, Índia, Costa Rica, Quênia e Jamaica, receberam classificação de baixo risco, o que representa menos exigências e auditorias, além da possibilidade de uma devida diligência simplificada.

Diante desse cenário, o Cecafé reforça a necessidade urgente do setor investir no georreferenciamento de alta resolução do parque cafeeiro brasileiro, a fim de apresentar às autoridades europeias dados técnicos e científicos que comprovem o baixo risco de desmatamento do café nacional. Essa ação é fundamental, especialmente considerando o recorte temporal adotado pelo EUDR, que estabelece dezembro de 2020 como data limite para a verificação de conformidade ambiental.

O comunicado destaca ainda que é essencial que o Brasil avance no combate ao desmatamento, na melhoria dos sistemas de monitoramento, na validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e na regulamentação completa do Código Florestal. Segundo o Cecafé, a entidade continuará atuando diretamente com as autoridades da Comissão Europeia, levando informações técnicas sobre a cafeicultura brasileira, com o objetivo de buscar, no futuro, uma reclassificação para baixo risco, especialmente com a possibilidade de adoção de critérios regionais.

 





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É melhor ter cautela nas vendas da soja


De acordo com análise da TF Agroeconômica, apesar do lucro atual ainda ser expressivo, girando em torno de 26,30%, a recomendação é de cautela nas vendas de soja. A consultoria, que normalmente orienta a não postergar negociações, mudou sua posição diante de fatores como os baixos estoques finais mundiais apontados no último relatório do USDA. A expectativa é de que haja espaço para valorização, tanto na safra atual, que já opera no topo do canal de tendência, quanto na próxima safra, impulsionada por fundamentos mais positivos que negativos.

Entre os principais fatores de alta estão o excesso de chuvas na Argentina, que pode impactar tanto a qualidade quanto o volume da produção, gerando especulações de perdas entre 1,5 e 2 milhões de toneladas. Soma-se a isso a firmeza do mercado de óleo de soja, influenciado pela extensão dos créditos fiscais para biocombustíveis nos EUA, e as exportações semanais americanas, que vieram acima das expectativas, especialmente com forte demanda do México.

Por outro lado, alguns fatores limitam a alta. O progresso do plantio nos Estados Unidos está acima da média, com 66% da área já semeada, o que traz alívio ao mercado. Além disso, as exportações brasileiras seguem fortes. Segundo a ANEC, a previsão para maio subiu de 14,27 para 14,52 milhões de toneladas, superando os números de abril e de maio do ano passado. Outro ponto de atenção é a escalada tarifária anunciada por Donald Trump contra a União Europeia, com ameaça de tarifas de até 50% a partir de 1º de junho.

Diante desse cenário, a TF Agroeconômica recomenda atenção redobrada. A orientação é aguardar, ao menos, até que se definam as tarifas dos EUA sobre a Europa e que se inicie o consumo mais significativo da soja no Brasil, algo esperado para o mês de julho. No entanto, ressalta que o mercado exige monitoramento constante, dada sua alta volatilidade.

 





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Soja encerra semana em baixa em Chicago


Segundo a TF Agroeconômica, a soja negociada na Bolsa de Chicago (CBOT) encerrou a sexta-feira (23) em baixa, pressionada pela ameaça do ex-presidente Donald Trump de elevar para 50% as tarifas sobre produtos da União Europeia. Essa possibilidade impacta diretamente o mercado, já que os EUA são o principal fornecedor de soja para o bloco europeu. Até abril, as vendas americanas para a safra 2024/25 somavam 5,28 milhões de toneladas, representando 52,43% do total adquirido pela UE no período.

Nos fechamentos do dia, o contrato de soja para julho, referência para a safra brasileira, recuou 0,68%, equivalente a US\$ 7,25 cents/bushel, cotado a US\$ 1.060,25. O contrato de agosto caiu 0,61%, ou US\$ 6,50 cents/bushel, encerrando em US\$ 1.056,00. No mercado de derivados, o farelo de soja para julho teve baixa de 0,77%, cotado a US\$ 296,2 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja subiu 0,49%, fechando a US\$ 49,35 por libra-peso.

O movimento de baixa nesta sexta foi interpretado pelo mercado como realização de lucros, após uma sequência de altas, especialmente em função do feriado prolongado nos Estados Unidos. A preocupação maior ficou por conta de uma possível ruptura na trégua tarifária entre EUA e União Europeia, o que poderia comprometer os embarques norte-americanos.

Apesar da queda no dia, os contratos acumularam desempenho positivo na semana. A soja fechou com alta semanal de 0,98% (US\$ 10,25 cents/bushel), o farelo avançou 1,47% (US\$ 4,3 por tonelada curta) e o óleo de soja subiu 0,86% (US\$ 0,42 por libra-peso), indicando que, apesar das incertezas comerciais, o mercado segue sustentado por fundamentos favoráveis.

 





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Confira como a soja encerrou a semana


No estado do Rio Grande do Sul, o mercado da soja reagiu com prêmios mais firmes, mas incertezas sobre dívidas limitam avanço dos negócios, de acordo com informações da TF Agroeconômica. “Indicações no porto, para entrega maio e pagamento 13/06 na casa de R$ 135,80, marcando alta de 2,11%. No interior os preços de fábricas seguiram o balizamento de cada praça. R$ 132,00 Cruz Alta – Pgto. 04/07 – para fábrica R$ 132,00 Passo Fundo – Pgto. 04/07 R$ 132,00 Ijuí – Pgto. 04/07 – para fábrica R$ 131,00 Santa Rosa / São Luiz – Pgto. 04/07. Preços de pedra, em Panambi, caíram para R$ 118,50 a saca, para o produtor”, comenta.

Em Santa Catarina a colheita acabou e o mercado segue travado. “No mercado, a comercialização permanece travada, afetada pela retração nos prêmios de exportação e queda dos preços internacionais, o que limita a liquidez dos produtores e pode provocar acúmulo de estoques. Os preços no estado variam entre R$ 125,00 e R$ 132,50 por saca, sem avanços significativos nas negociações. Não há dados recentes sobre custos de frete, o que dificulta a análise da rentabilidade total para os produtores. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 133,66”, completa.

No Paraná, a aproximação do vazio sanitário limita o tempo para escoamento, aumentando a necessidade de uma gestão eficiente dos estoques para evitar perdas e garantir rentabilidade aos produtores. “Em Paranaguá, o preço chegou a R$ 134,26, marcando baixa de 0,04%. Em Cascavel, o preço foi 118,57. Em Maringá, o preço foi de R$ 118,97. Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 119,90(+0,59%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$133,76(+0,07%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 130,00”, indica.

No Mato Grosso do Sul, a venda precoce do produto pode comprometer a rentabilidade dos produtores diante de uma safra histórica. “Em Dourados, o spot da soja ficou em 119,82(+0,33%), Campo Grande a 119,82(+0,33%), Maracaju a 119,82(+0,33%), Chapadão do Sul a 116,65(-0,51%), Sidrolândia a 119,42”, indica. Mato Grosso colhe safra histórica de soja, mas enfrenta desafios com frete e comercialização lenta. “Campo Verde: R$ 113,41(-0,78%). Lucas do Rio Verde: R$ 109,62(+1,61%), Nova Mutum: R$ 109,62(+1,61%). Primavera do Leste: R$ 113,41(-0,78%). Rondonópolis: R$ 113,41(-0,78%). Sorriso: R$ 109,62(+1,61%)”, conclui.

 





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saiba identificar os sinais e como recuperar a área com eficiência


A degradação das pastagens é um dos principais gargalos da pecuária brasileira, afetando diretamente a produtividade e a sustentabilidade das propriedades rurais. Segundo o engenheiro agrônomo Ronaldo Trecenti, sinais claros como a perda da capacidade de produção forrageira, surgimento de plantas daninhas, aparecimento de cupins e até erosão do solo indicam que a pastagem entrou em um processo de degradação que exige intervenção urgente.

“Quando a pastagem para de crescer, a lotação diminui e os animais começam a emagrecer, é hora de acender o alerta”, afirma o especialista. “Em estágios mais avançados, aparecem falhas no solo, rebrota de vegetação nativa e até erosão. Aí o sistema já está em fase terminal”, reforça.

Diagnóstico é o primeiro passo para recuperar pastagens degradadas

Antes de pensar em insumos ou tecnologias, o primeiro passo para recuperar uma pastagem degradada é fazer um diagnóstico técnico preciso da área. O processo começa com a identificação do estágio de degradação – que pode variar em seis níveis segundo a Embrapa – e segue com a análise de solo e levantamento zootécnico do rebanho.

“Assim como na medicina, antes de qualquer tratamento, precisamos de exames. É fundamental entender como está o solo, o desempenho dos animais, a taxa de natalidade, o peso ao nascer e ao desmame”, explica Trecenti.

Com base nesse levantamento, o agrônomo pode recomendar corretivos de solo como calcário, gesso e adubação fosfatada e potássica. Em muitos casos, também é indicada a renovação da pastagem com espécies mais produtivas e adaptadas às novas condições do solo.

Espécies forrageiras devem respeitar o bioma local

Outro ponto destacado por Ronaldo Trecenti é a importância da escolha correta das forrageiras conforme o bioma e as condições climáticas de cada região. No Sul, por exemplo, espécies como azevém e aveia se adaptam melhor. Já no Cerrado, predominam as braquiárias e os pânicos.

“O Brasil é um país continental. No Norte, as espécies devem tolerar encharcamento. No semiárido do Nordeste, devem ser resistentes à seca. A orientação técnica é essencial para que a escolha seja assertiva”, pontua.

Benefícios ambientais e econômicos da recuperação de pastagens

A recuperação de áreas degradadas gera impactos positivos não apenas no desempenho do rebanho, mas também na sustentabilidade da atividade pecuária. De acordo com o especialista, pastagens bem manejadas reduzem emissões de gases de efeito estufa e aumentam o sequestro de carbono.

“Um animal bem alimentado emite menos metano. E uma pastagem vigorosa atua como sumidouro de carbono. Isso contribui para neutralizar as emissões da fermentação entérica”, explica Trecenti.

Além disso, o manejo adequado favorece a infiltração da água da chuva, contribuindo para a recarga dos aquíferos. Isso abre espaço para que o produtor seja reconhecido como provedor de serviços ambientais, podendo receber inclusive incentivos financeiros por isso.

Entraves culturais e falta de informação ainda travam o avanço da pecuária sustentável

Apesar dos benefícios econômicos e ambientais, muitos produtores ainda resistem à adoção de práticas mais sustentáveis. Para Trecenti, a principal barreira ainda é cultural.

“O lavoureiro, pela dinâmica da atividade, busca mais conhecimento. Já o pecuarista, por vezes, se acomoda na escala e esquece que a degradação está corroendo os lucros”, analisa.

Outro entrave é a falta de informação técnica de qualidade. Nesse sentido, o especialista reforça a importância de buscar assistência técnica qualificada e de se apoiar em programas públicos e privados de fomento à recuperação de pastagens.

“Com planejamento e orientação, o investimento se paga. E se houver integração lavoura-pecuária-floresta, o retorno pode ser ainda maior. Você coloca o boi na sombra e melhora o conforto do animal e do dono também”, finaliza.

Veja a entrevista na íntegra

Portal Agrolink – Quais sinais indicam que a pastagem entrou em processo de degradação e precisa ser recuperada com urgência?

Ronaldo Trecenti – Existem vários sinais que indicam a degradação da pastagem. O primeiro deles é a perda de capacidade produtiva. Se uma forrageira que produzia 20 toneladas de matéria seca por hectare ao ano passa a produzir 15 ou 10 toneladas, isso já é um alerta. Isso se reflete na menor lotação de animais por área, no capim que cresce menos e nos animais que começam a perder peso.

Com o tempo, surgem falhas no campo, plantas começam a morrer, e o banco de sementes de plantas invasoras se manifesta. Em cada região aparecem diferentes tipos de invasoras. No Cerrado, por exemplo, a vegetação nativa começa a rebrotar. Mais adiante, surgem cupins, sinal de degradação avançada. O estágio final é a erosão do solo — quando o “paciente” já está na UTI.

Portal Agrolink – Quais tecnologias e insumos hoje são considerados aliados fundamentais para recuperar pastagens de forma eficiente?

Ronaldo Trecenti – O primeiro passo é fazer um bom diagnóstico. É como ir ao médico: você precisa de um profissional de confiança para avaliar a situação. Começamos identificando os pastos e o grau de degradação — são seis estágios, segundo a Embrapa.

Em seguida, realizamos a análise de solo e avaliamos o desempenho animal: número de cabeças, ganho de peso, taxa de natalidade, peso ao desmame, entre outros. Com os dados em mãos, definimos os corretivos: calcário, gesso, fosfatagem, potassagem e adubação.

Na maioria das vezes, a recomendação é renovar a pastagem. Se vamos investir na melhoria do solo, é melhor optar por uma forrageira mais exigente, mais responsiva, que entregue maior produção e melhor qualidade para os animais.

Portal Agrolink – A adubação tem papel central nesse processo. O que o produtor precisa considerar ao escolher os produtos e as doses corretas para o tipo de solo?

Ronaldo Trecenti – A adubação precisa ser baseada na análise de solo. É ela que vai apontar se há acidez, deficiência de fósforo, potássio, cálcio ou enxofre. A recomendação técnica deve ser específica para cada gleba.

Não existe espaço para improviso: a aplicação correta, com base técnica, evita desperdícios e garante resposta positiva da pastagem. O solo precisa estar equilibrado para que a planta absorva os nutrientes de forma eficiente.

Portal Agrolink – Como as soluções para recuperação de pastagens variam entre diferentes regiões e biomas brasileiros?

Ronaldo Trecenti – O Brasil é um país continental, com grande diversidade de solos, climas e biomas. No Sul, usamos forrageiras como azevém e aveia, adaptadas ao clima mais frio. No Cerrado, o foco são os capins tropicais, como braquiárias e pânicos.

No Norte, é preciso forrageiras que tolerem encharcamento, devido à umidade. Já no semiárido do Nordeste, precisamos de espécies resistentes à seca. Por isso, é essencial contar com a orientação técnica da Embrapa, da Emater, de consultores e empresas do setor. Só assim é possível fazer escolhas seguras e eficientes.

Portal Agrolink – Quais os benefícios ambientais da recuperação das pastagens, especialmente no contexto atual de preocupação com as emissões e a sustentabilidade?

Ronaldo Trecenti – Os benefícios são diversos, tanto ambientais quanto econômicos. Ao recuperar a pastagem, o produtor aumenta sua renda, melhora a eficiência do sistema, consegue manter mais animais por hectare e aumenta o ganho de peso — em arrobas de carne ou litros de leite.

Do ponto de vista ambiental, ao intensificar a produção, evitamos a abertura de novas áreas. Além disso, pastagens degradadas emitem mais gases de efeito estufa. Um animal mal alimentado, por exemplo, emite mais metano. Já uma pastagem bem manejada sequestra carbono, tanto na parte aérea quanto nas raízes.

Esse balanço ambiental positivo pode levar à produção de carne carbono neutro ou leite carbono zero. Também pode gerar bonificações — um adicional na arroba, no litro de leite ou até mesmo o pagamento por serviços ambientais. E tem mais: uma pastagem bem manejada ajuda na produção de água, aumentando a infiltração da chuva no solo e recarregando aquíferos, como reconhece a Agência Nacional de Águas.





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Wall Street sobe com esperanças comerciais e dados mostram pessimismo de…


Logotipo Reuters

 

Por Sinéad Carew e Pranav Kashyap

(Reuters) – Os principais índices de Wall Street subiram nesta sexta-feira, atingindo sua quinta alta diária consecutiva, impulsionados pela trégua tarifária entre os Estados Unidos e China anunciada anteriormente na semana, mesmo com dados de pesquisas econômicas mostrando uma deterioração na confiança do consumidor norte-americano.

De acordo com dados preliminares, o S&P 500 ganhou 0,70%, para 5.958,47 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq avançou 0,51%, para 19.208,89 pontos. O Dow Jones subiu 0,78%, para 42.650,78 pontos.

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