segunda-feira, março 23, 2026

Política & Agro

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Trigo argentino avança com boa umidade


A semeadura do trigo na Argentina atingiu 98,3% da área projetada de 6,7 milhões de hectares, com avanço de 2,4 pontos percentuais na última semana. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), chuvas generalizadas sobre toda a região agrícola melhoraram significativamente a oferta hídrica para o cereal, especialmente nas províncias de Santa Fé, Entre Ríos e Corrientes.

Cerca de 78,7% das lavouras de trigo estão em condições de umidade entre adequada e ótima, enquanto 96,9% apresentam estado vegetativo de normal a excelente. No norte do país, o início da fase reprodutiva está sendo beneficiado pela recuperação da umidade no solo. Em áreas com excesso de chuvas, houve relatos pontuais de redução na população de plantas, mas sem impacto significativo na produtividade. Apenas 3,8% do trigo em campo já está em estágio reprodutivo, concentrado no norte.

A colheita de milho com destino a grão comercial alcançou 88% da área cultivada, com rendimento médio nacional de 72,3 sacas por hectare. Em Córdoba, os trabalhos estão praticamente concluídos no centro-norte, com média de 80,5 sc/ha. No sul da província ainda falta colher 14% da área, com rendimento acumulado de 74,3 sc/ha. Na província de Buenos Aires, há atrasos, especialmente nas regiões centro e sul, mas os rendimentos estão dentro do esperado. A estimativa de produção foi mantida em 49 milhões de toneladas.

Quanto ao sorgo granífero, a colheita atingiu 95% da área nacional. Os rendimentos médios foram de 35,3 sc/ha, com destaque para os plantios tardios do centro do país, que superaram as expectativas. Apesar do estresse hídrico e térmico do final do verão, a produção foi revista para cima em 100 mil toneladas, totalizando agora 3,1 milhões de toneladas – aumento de 3,3% em relação à projeção anterior.





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Brasil avança na exportação de gergelim com novas habilitações para o mercado chinês



Brasil dobra estabelecimentos aptos a exportar gergelim para a China




Foto: Sérgio Cobel da Silva/ Embrapa

O número de estabelecimentos brasileiros habilitados a exportar gergelim para a China passou de 31 para 61, praticamente dobrando o número de estabelecimentos aptos, conforme nova lista divulgada pela Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC). A ampliação consolida o avanço do Brasil na exportação da oleaginosa e reforça os laços com o maior consumidor global do produto.

A abertura do mercado chinês para o gergelim brasileiro foi anunciada em novembro de 2024, durante a visita oficial do presidente Xi Jinping ao Brasil. A habilitação foi à época a 200ª abertura de mercado da atual gestão, resultado de um processo de negociação coordenado entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Adidância Agrícola em Pequim, a Embaixada do Brasil em Pequim, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o setor privado nacional, que atuaram de forma coordenada para atender às exigências estabelecidas pelas autoridades chinesas.

Hoje, o Brasil é o sétimo maior exportador mundial de gergelim, com 5,31% de participação no comércio global. Entre os principais estados produtores estão Mato Grosso, Goiás, Pará e Tocantins. Bahia, Minas Gerais, Maranhão e Rondônia também vêm ganhando destaque, com grande potencial de crescimento da cultura.

A China, que responde por 38,4% do consumo global da semente, é o maior importador mundial do produto. A ampliação expressiva das habilitações representa uma oportunidade concreta para fortalecer a presença brasileira em mercados estratégicos e ampliar as possibilidades de agregação de valor e desenvolvimento regional.

 





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Estados Unidos importaram 7,6 milhões de sacas de 60kg dos Cafés do Brasil no ano-cafeeiro 2024


Os Estados Unidos foram responsáveis pela compra de 16,5% do total de 46,1 milhões de sacas dos Cafés do Brasil exportados no ano-cafeeiro de 2024. Com um volume de 7,6 milhões de sacas de 60kg compradas, o País norte-americano liderou o ranking dos maiores países importadores dos cafés brasileiros em 2024.

O ano-cafeeiro de 2024 marcou o maior volume de exportação dos Cafés do Brasil em um único ano, com a venda de 46,1 milhões de sacas de 60 kg, o que corresponde a um crescimento de 30,6% em comparação com as 35,3 milhões de sacas exportadas em 2023. Na mesma base de comparação, as importações dos Estados Unidos aumentaram significativamente 40,7%, passando de 5,4 milhões de sacas em 2023 para 7,6 milhões de sacas em 2024.

É oportuno destacar que os dados estatísticos e demais números da produção cafeeira nacional e internacional, que estão permitindo realizar esta análise, foram extraídos do Sumário Executivo do Café – Julho 2025, estudo que é elaborado e divulgado mensalmente pela Secretaria de Política Agrícola – SPA, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – Mapa, cujas edições também estão disponíveis na íntegra no Observatório do Café do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café.

Para complementar essa análise focada apenas nas exportações dos Cafés do Brasil no ano-cafeeiro 2024, conforme indicado no Sumário Executivo, os cinco principais países importadores, em ordem decrescente, são: Estados Unidos, em primeiro lugar, respondendo por cerca de 16,5% das vendas, totalizando 7,6 milhões de sacas de 60 kg.

A Alemanha ocupa a segunda posição nesse ranking, com 7,3 milhões de sacas, o que representa 15,8% das vendas nacionais em 2024. Em seguida, está a Bélgica, que, após um aumento significativo de 100% em relação a 2023, importou 4,4 milhões de sacas. Esse volume representa 9,5% das exportações brasileiras no ano de 2024. Na quarta posição, encontra-se a Itália, com 3,9 milhões de sacas, representando cerca de 8,5% do total.

Por fim, em quinto lugar, está o Japão, cujas importações de café brasileiro no ano cafeeiro de 2024 totalizaram 2,3 milhões de sacas, representando, dessa forma, 5% das vendas nacionais no período. As compras de Espanha, Turquia, Holanda, Rússia, Reino Unido, Coréia do Sul, Canadá, Suécia, França e Colômbia completaram a totalidade das vendas dos Cafés do Brasil no ano-cafeeiro de 2024.

Leia na íntegra o Sumário Executivo do Café – Julho 2025, elaborado pela SPA/Mapa, pelo link:

http://www.consorciopesquisacafe.com.br/images/stories/noticias/2021/2025/Julho/Sumario_Cafe_julho_2025.pdf

Conheça todo o acervo de publicações da Embrapa Café e faça download gratuito dos arquivos pelo link:

https://www.embrapa.br/cafe/publicacoes

Confira as ANÁLISES (Análises e notícias da cafeicultura) divulgadas pelo Observatório do Café no link abaixo:

http://www.consorciopesquisacafe.com.br/index.php/imprensa/noticias

Consócio Pesquisa Café – Conheça os Atos Constitutivos do Consórcio Pesquisa Café e o seu respectivo Regimento Interno:

http://www.consorciopesquisacafe.com.br/index.php/consorcio/separador2/atos-constitutivos-e-regimentos





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como a carne de frango brasileira conquistou o mundo



Primeira remessa da proteína foi enviada ao Kuwait em 1975




Foto: Divulgação

No dia 1º de agosto, o Brasil comemorou um marco que transformou sua avicultura em referência global: os 50 anos do primeiro embarque oficial de carne de frango para o mercado externo. O destino foi o Kuwait, ponto de partida de uma trajetória que posicionou o país como o maior exportador mundial da proteína.

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil já exportou quase 100 milhões de toneladas de carne de frango desde 1975, alcançando mais de 150 países. Só em 2024, foram embarcadas 4,9 milhões de toneladas, com faturamento próximo de US$ 10 bilhões.

Aquela primeira exportação simbolizou o início de uma forte parceria com os mercados islâmicos, em especial os países do Golfo. Hoje, o Brasil é o principal fornecedor de carne de frango halal no mundo, com mais de 2 milhões de toneladas exportadas anualmente. A produção segue rigorosos critérios de rastreabilidade e sanidade, em parceria com certificadoras e autoridades religiosas.

Entre os principais mercados consumidores da proteína brasileira estão China, Emirados Árabes Unidos, Japão, Arábia Saudita e União Europeia — regiões que reconhecem a confiabilidade e a qualidade do produto nacional.

“O primeiro embarque foi o início de uma jornada construída com ciência, integração entre campo e indústria e foco na segurança alimentar. É uma conquista coletiva de milhares de brasileiros”, destacou Ricardo Santin, presidente da ABPA.

A trajetória de sucesso da carne de frango nacional também contou com o suporte de ações desenvolvidas em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Feiras internacionais, campanhas de imagem e articulação com stakeholders globais ajudaram a consolidar o Brasil como fornecedor estratégico de alimentos.





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Resistência de plantas daninhas desafia produtores



Entre as principais ações recomendadas estão o uso de herbicidas pré-emergentes



Entre as principais ações recomendadas estão o uso de herbicidas pré-emergentes
Entre as principais ações recomendadas estão o uso de herbicidas pré-emergentes – Foto: Divulgação

A resistência de plantas daninhas a herbicidas tem se tornado um dos maiores entraves para a produtividade nas lavouras de soja e milho no Brasil. Segundo a UPL Corp Brasil, o uso repetido de produtos com o mesmo mecanismo de ação favorece a seleção de biótipos resistentes, o que eleva os custos de produção e compromete o rendimento das culturas.

A resistência ocorre quando uma planta daninha sobrevive à aplicação de um herbicida que antes era eficaz. No país, já são comuns casos de resistência ao glifosato, inibidores de ALS (como o chlorimuron) e de ACCase (como o haloxyfop). Para enfrentar esse desafio, a UPL recomenda estratégias como a rotação de produtos com diferentes modos de ação, a utilização de herbicidas pré-emergentes e a adoção do Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), que alia práticas químicas, culturais e mecânicas.

Entre as principais ações recomendadas estão o uso de herbicidas pré-emergentes, que atuam no banco de sementes e formam uma barreira química no solo; a rotação de culturas, que quebra o ciclo das daninhas; e o uso de plantas de cobertura e palhada para suprimir germinação. Também é fundamental seguir as doses recomendadas, usar pontas de pulverização adequadas e monitorar constantemente a eficiência das aplicações.

A UPL reforça que, embora a resistência seja um problema crescente, é possível garantir a sustentabilidade e a rentabilidade das lavouras por meio de um manejo estratégico e do uso consciente de herbicidas, apoiado por tecnologias de aplicação eficazes e por um portfólio diversificado de soluções.





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Tratamento de sementes fortalece lavouras



Esse cenário tem sido constante nas últimas safras



Esse cenário tem sido constante nas últimas safras
Esse cenário tem sido constante nas últimas safras – Foto: Divulgação

A instabilidade climática e a pressão crescente de pragas e doenças têm imposto safras mais exigentes aos produtores do Cerrado, especialmente nas regiões do MATOPIBAPA (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Pará) e em Mato Grosso. Segundo Rafael Toscano, gerente técnico da ORÍGEO, joint venture entre Bunge e UPL, o cenário de chuvas irregulares e altas temperaturas favorece surtos de doenças como a antracnose, causada por fungos do gênero Colletotrichum, que comprometem o desenvolvimento das culturas desde as fases iniciais.

“A distribuição irregular das chuvas, aliada a períodos prolongados de altas temperaturas, cria condições ideais para o desenvolvimento e a propagação de fungos, comprometendo o desempenho das lavouras já nas fases iniciais da semeadura. Esse cenário tem sido constante nas últimas safras e a expectativa é de que continue desafiador nas próximas”, ressalta.

Com base nas projeções do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), do Ministério da Agricultura (MAPA), essa condição climática desafiadora tende a persistir nos próximos ciclos. Em resposta, cresce a importância da adoção de tecnologias no início do plantio. Segundo a Embrapa, o tratamento de sementes é uma das estratégias mais eficazes para proteger o potencial produtivo das lavouras desde a germinação, servindo como uma barreira contra fungos oportunistas.

A ORÍGEO destaca que soluções como o fungicida Vitavax Ultra, da UPL, vêm auxiliando produtores a garantir uma semeadura mais segura e plantas com crescimento mais uniforme. Registrado no MAPA para soja, milho e algodão, o produto combina ação sistêmica e de contato para proteger contra doenças como a antracnose.

 





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Setor de fertilizantes do Brasil escapa de nova tarifa



Estados Unidos não são um parceiro relevante nas trocas comerciais



Os Estados Unidos não são um parceiro relevante nas trocas comerciais
Os Estados Unidos não são um parceiro relevante nas trocas comerciais – Foto: Divulgação

O governo dos Estados Unidos anunciou no dia 31 de julho uma tarifa extra de 40% sobre uma série de produtos brasileiros importados. A nova taxação passa a valer uma semana após sua publicação e, em certos casos, eleva a carga tributária total para 50%, como parte de uma estratégia comercial voltada à proteção da indústria americana.

Entretanto, conforme análise da consultoria GlobalFert, produtos considerados essenciais para a agricultura ficaram de fora da medida. Fertilizantes à base de nitrogênio, fósforo e potássio, além de micronutrientes como boro, zinco, enxofre e magnésio, não serão impactados pela tarifa adicional. Também seguem isentos compostos como hidróxido de potássio, sulfatos de zinco, manganês e magnésio, além de substâncias industriais com uso agrícola, como silício técnico e óxido de alumínio.

A decisão norte-americana levou em conta a classificação dos produtos conforme o código HTSUS (Harmonized Tariff Schedule of the United States), que define com precisão os itens sujeitos a impostos, cotas ou exclusões. Com isso, a cadeia de fertilizantes permanece fora da lista de alvos da nova política comercial, o que evita impactos imediatos ao setor.

Segundo a GlobalFert, os Estados Unidos não são um parceiro relevante nas trocas comerciais de fertilizantes com o Brasil. Apenas 0,4% das exportações brasileiras de NPK nos últimos cinco anos tiveram os EUA como destino. Já nas importações, os produtos norte-americanos representaram 1% do total recebido nesse período, com leve recuo para 0,7% no primeiro semestre de 2025.

 





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Campanha quer ampliar consumo de feijão



A meta é clara: manter o feijão vivo no prato do brasileiro



A meta é clara: manter o feijão vivo no prato do brasileiro
A meta é clara: manter o feijão vivo no prato do brasileiro – Foto: Canva

Mesmo com preços mais baixos, o feijão está sendo deixado de lado na alimentação dos brasileiros. Segundo dados da Scanntech, divulgados recentemente, o consumo do grão caiu 4,2%, apesar de uma redução de 17,5% no preço. O arroz seguiu tendência parecida, com queda de 4,7% no volume consumido e retração de 14,2% nos preços.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), a queda no consumo de feijão é uma preocupação antiga. Nas últimas quatro décadas, o consumo per capita passou de 19 kg para 12,8 kg por ano. Entre os fatores estão a urbanização, famílias menores e a falta de tempo para cozinhar. Diante desse cenário, o setor está se mobilizando com a campanha Viva Feijão, que aposta em vídeos, redes sociais e influenciadores para reconectar o brasileiro com esse alimento tradicional e afetivo.

A ação inclui também o engajamento de produtores e parceiros do setor por meio do Clube Premier do Ibrafe, com incentivo à participação em eventos como o Pulse Day e à divulgação do perfil @vivafeijao no Instagram. A campanha pretende ainda ocupar as ruas com adesivos e divulgar opções de feijão pronto para atender ao consumidor moderno.

A meta é clara: manter o feijão vivo no prato do brasileiro. Para o Ibrafe, essa é uma causa social e cultural que precisa da força coletiva do setor para ser revertida.     “Vamos disponibilizar um adesivo oficial para carros, caminhonetes, tratores e onde mais for possível. Você pede, e nós enviamos o arquivo para impressão na sua região. Se o consumidor moderno acha complicado preparar pequenas porções de Feijão, vamos ocupar espaço com o Feijão pronto. O importante é manter o Feijão vivo no prato do brasileiro e transformar essa mobilização em força coletiva do setor”, conclui.

 





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Suinocultura deve manter cenário de preços firmes com demanda aquecida e…


Exportações avançando e custos sob controle devem sustentar a rentabilidade do setor

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A oferta estável, o mercado interno aquecido e as crescentes exportações impulsionaram o aumento no preço do suíno vivo e da carne suína no varejo no primeiro semestre de 2025. Para o segundo semestre, a expectativa é de que a disponibilidade siga ajustada, enquanto a demanda — tanto interna quanto externa — permanece aquecida, sustentando os preços no mercado físico.

A Safras & Mercado apontou que a disponibilidade doméstica de carne suína está enxuta, favorecida pelo ótimo ritmo da exportação, que por sua vez tende a ultrapassar a marca das 115 mil toneladas em junho, seguindo a última média divulgada pela Secex.

Segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), compiladas pela HN Agro, a produção de carne suína no Brasil deve crescer 2,2% em 2025, totalizando 4,6 milhões de toneladas em equivalente carcaça, frente às 4,5 milhões de toneladas registradas no ano passado. No sentido oposto, a China — maior produtora global — deve apresentar uma leve retração de 0,1%, com a produção estimada em 57 milhões de toneladas, ante as 57,06 milhões de toneladas de 2024.

O abate de 230,99 mil cabeças de suínos a mais no 1º trimestre de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior, foi impulsionado por aumentos em 17 das 26 Unidades da Federação participantes da pesquisa. Esse resultado da produção do abate de suínos registrou o melhor mês de janeiro, e significou o melhor 1° trimestre da série histórica iniciada em 1997.

“No caso do abate de suínos, a gente observa que, apesar do crescimento, o abate vem em uma desaceleração para poder manter a oferta equilibrada. Também observamos uma diversificação das nossas exportações, temos conseguido ampliar os nossos destinos para envio das carnes, o que tem favorecido a estabilidade deste mercado. A China reduziu muito as compras da nossa carne suína, mas conseguimos outros destinos, como as Filipinas, que tiveram uma ascensão nos últimos períodos e alcançaram a primeira posição nas compras”, explicou a gerente da pesquisa, Angela Lordão.

O Presidente da APCS, Valdomiro Ferreira, explica que muitos suinocultores seguraram os animais neste mês de junho a espera de preços superiores a R$ 180,00/@. “No começo de junho, o setor estava com uma perspectiva altista e que pudesse ultrapassar esse patamar de cotação até o final do mês, isso acabou levando os produtores a seguraram os animais mais leves na granja”, comentou em entrevista ao Notícias Agrícolas. 

A Associação tem pedido aos suinocultores que não aguardem a retomada de preços, pois isso pode comprometer o ganho de peso dos animais e também gerar um excesso de oferta no início de julho. “Nós estamos pedindo para que os suinocultores não segurem os animais nas granjas e não aguardem retomada de preços, já que esse período melhora a conversão alimentar do animal, assim ele consome mais e ganha mais peso”, informou. 

Já no estado do Rio Grande do Sul, a oferta e a demanda para a suinocultura no estado continua ajustada desde do final do ano passado, conforme comentou o Presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), Valdecir Folador. “Já terminamos o primeiro semestre e não temos oferta sobrando, mas se tivesse mais disponibilidade de animais os frigoríficos estariam comprando”, comentou ao Notícias Agrícolas. 

A liderança gaúcha ainda reforça que o cenário de oferta ajustada tem sido positiva ao setor, pois os preços estão se mantendo estáveis com viés de alta e deixando margens positivas para o suinocultor. 

Custo de Produção

O poder de compra do suinocultor paulista vem crescendo frente ao milho e ao farelo de soja – principais insumos da atividade. Segundo as informações do Cepea, esse cenário tem sido favorecido pelo aumento no valor do suíno vivo e pela queda nos preços dos insumos, como o milho. 

O levantamento do Itaú BBA indicou que os custos da suinocultura caíram 3%, ao passo em que os preços do animal vivo avançaram 1%, e este patamar do spread se manteve na primeira metade de junho, com os custos e os preços caindo proporcionalmente, na ordem de 2%.

De acordo com os custos de produção, Folador reportou que o preço do milho e do farelo estão estáveis na localidade. “Nós acreditamos que esse cenário deve permanecer para o segundo semestre, mas estamos acompanhando que a demanda está bem aquecida e isso pode contribuir para o mercado”, relatou Folador. 

Com um aumento da oferta de cereal e preços pressionados, os suinocultores estão com margens mais atrativas e alguns casos estão aproveitando para estocar o milho para garantir a rentabilidade até o final do ano. 

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o Presidente da Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira, destacou que os suinocultores estão tendo rentabilidade já que a relação de troca está favorável ao suinocultor. 

“Hoje, o preço do suíno está em R$ 168,00/@ e a saca do milho está em R$ 68,00 a saca posto Campinas. Nós estamos com uma relação de troca de uma arroba suína por 2,47 sacos de milho, sendo que o ideal é 2,5. Por tanto, nós estamos muito próximos de uma relação saudável”, comentou ao Notícias Agrícolas. 

Com relação ao farelo de soja, o setor de suinocultura está aguardando preços abaixo de R$ 1.600 por tonelada para o segundo semestre. “Com isso, nós estamos acompanhando produtores comprando farelo de soja de forma antecipada para os próximos dois meses e devemos comprar o farelo até dezembro”, destacou. 

No entanto, o agronegócio também acompanha a recente escalada de tensão no Oriente Médio, com o conflito entre Irã e Israel, que já começa a refletir de forma direta no setor. O impacto mais imediato tem sido o aumento no custo dos adubos nitrogenados, essenciais para culturas como o milho

Esse cenário traz consequências práticas para o planejamento agrícola. Tradicionalmente, em Santa Catarina, o milho é plantado entre setembro e outubro no estado e exige grande volume de nitrogênio na sua adubação. Com os preços elevados, muitos produtores já cogitam migrar parte das áreas destinadas ao milho para o cultivo da soja, que demanda menos fertilizante nitrogenado.

“Se o custo inviabilizar a cultura do milho, o produtor acaba optando pela soja. Isso pode agravar ainda mais o déficit de produção interna, já que nosso estado não tem safrinha e depende fortemente da produção de milho para alimentar suas cadeias de suínos, aves e leite. Hoje já temos um déficit de 5 a 6 milhões de toneladas de milho, e esse número pode crescer ainda mais”, alerta João Carlos Di Domenico, produtor rural e presidente da Cooperativa Agropecuária Camponovense (Coocam). 

Demanda

A demanda por carne suína será um dos fatores determinantes para a formação de preços no segundo semestre de 2025, em um cenário de oferta doméstica mais ajustada. As exportações devem seguir aquecidas, enquanto a carne suína deve enfrentar maior concorrência da carne de frango, que apresenta preços mais acessíveis e pode ganhar espaço nas gôndolas diante do consumidor sensível ao custo.

As importações de carne suína pela China devem recuar 0,5% em 2025, totalizando 1,3 milhão de toneladas em equivalente carcaça, levemente abaixo das 1,306 milhão de toneladas adquiridas em 2024, segundo estimativas do USDA compiladas pela HN Agro. O Japão também deve reduzir suas compras no mercado internacional, com previsão de queda de 1,8%, passando de 1,487 milhão de toneladas no ano passado para 1,46 milhão neste ano.

Em sentido oposto, as Filipinas devem intensificar as importações da proteína, com alta projetada de 5,7% em 2025. O volume deve alcançar 630 mil toneladas, frente às 590 mil toneladas adquiridas em 2024, em meio às dificuldades do país em conter a peste suína africana e garantir o abastecimento interno.

As exportações brasileiras de carne suína devem crescer 4,5% em 2025, totalizando 1,6 milhão de toneladas em equivalente carcaça, segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) compiladas pela HN Agro. O volume supera os 1,535 milhão de toneladas embarcadas em 2024 e reforça a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Na contramão, outros grandes exportadores devem enfrentar retração nas vendas externas. Os Estados Unidos devem embarcar 3,155 milhões de toneladas, queda de 2,2% em relação ao ano anterior. o USDA estima que a União Europeia, por sua vez, deve reduzir suas exportações em 3,8%, com estimativa de 2,9 milhões de toneladas em 2025, frente às 3,014 milhões de toneladas registradas em 2024.

O consumo de carne suína no mercado interno brasileiro deve avançar 1 % em 2025, alcançando 3,002 milhões de toneladas em equivalente‑carcaça e superando as 2,972 milhões de toneladas registradas em 2024, apontam projeções do USDA compiladas pela HN Agro. 
No maior polo de demanda global, a China, o movimento é inverso: espera‑se leve recuo de 0,1 %, para 58,2 milhões de toneladas, resultado de ajustes no plantel após os impactos da peste suína africana. 

Já as Filipinas surgem como destaque de expansão em função da dificuldade para conter a peste suína africana e com produção doméstica limitada, o país deve elevar suas compras em 5 %, passando de 1,576 milhão para 1,655 milhão de toneladas, o que tende a abrir espaço adicional para a proteína brasileira.

O Itaú BBA apontou que a China reduziu muito sua necessidade de importações desde 2021, após se recuperar da Peste Suína Africana. No caso das compras de carne suína do Brasil, as vendas estão 30% menores neste ano após terem caído 40% em 2024. Mesmo assim, ainda é o segundo principal destino externo, tendo sido ultrapassada somente pelas Filipinas. Ou seja, apesar das compras menores, ainda é um mercado importante para o Brasil.

Segundo as informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), de janeiro a março de 2025, 26 países registraram casos de peste suína africana contabilizando 2.251 casos registrados neste período. A ABPA ainda reforça que há décadas não ocorre casos de PSA no Brasil.

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Número de casos de peste suína africana | Informação e elaboração Secex

De acordo com as informações da Scot Consultoria, a carne suína enfrenta uma forte concorrência no mercado doméstico. De um lado, a carne de frango, mais barata. Do outro, a carne bovina, com preços mais atrativos que no passado. 





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Milho recua em Chicago com produção recorde e exportações dos EUA em alta



O mercado internacional de milho encerrou julho sob forte pressão




Foto: Divulgação

O mercado internacional de milho encerrou julho sob forte pressão de baixa. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o bushel caiu para US$ 3,94 no dia 31, contra US$ 4,01 uma semana antes. Esse é o menor valor desde setembro de 2024 para o primeiro vencimento do contrato.

Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), a queda é reflexo de uma combinação de fatores. De um lado, o clima segue favorável nos EUA, com 73% das lavouras em boas ou excelentes condições no fim de julho. De outro, os embarques do país surpreenderam positivamente: 1,5 milhão de toneladas foram exportadas na semana, acumulando 60,3 milhões no ano — 29% acima de 2024.

A perspectiva de colheita farta nos EUA se soma a uma supersafra brasileira. A produção total de milho no Brasil pode chegar a 150 milhões de toneladas, com a segunda safra representando 123,3 milhões — um recorde histórico. O CEEMA já batizou esse ciclo de “mãe de todas as safrinhas”, com expectativa de crescimento de quase 20% em relação ao ano anterior.

No Brasil, os preços seguem pressionados para baixo, impactados pelo avanço da colheita e pelo ritmo lento das exportações. Apesar de parte dos produtores estarem segurando o milho, a necessidade de quitar contratos de custeio entre agosto e setembro tende a aumentar a oferta, intensificando a pressão nos preços.

Mesmo com atraso na colheita — que atinge 66,1% da área nacional segundo a Conab —, os volumes colhidos sustentam a perspectiva de uma oferta robusta. Esse cenário, segundo o CEEMA, deve manter os preços baixos até o final de 2025, caso as condições climáticas para a próxima safra também sejam favoráveis.

 





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