terça-feira, março 24, 2026

Política & Agro

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Exportações de mel enfrentam incertezas com nova tarifa dos EUA


De acordo com o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado nesta quinta-feira (17) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, a ser aplicada pelos Estados Unidos a partir de 1º de agosto, gera preocupação entre exportadores, especialmente do setor de mel.

“O impacto sobre a cadeia produtiva do mel pode ser significativo”, apontou o boletim. Os Estados Unidos são atualmente o principal destino do mel brasileiro, representando 84,1% do volume exportado no primeiro semestre de 2025. Nesse período, o Brasil embarcou 16.170 toneladas do produto para o mercado norte-americano, com receita de US$ 52,2 milhões.

A medida tarifária já teve reflexos práticos. Segundo o informativo, o Grupo Sama, empresa do Piauí e uma das maiores exportadoras de mel orgânico do mundo, sofreu o cancelamento imediato de um carregamento de 585 toneladas destinado aos EUA. Parte da carga estava nos portos de Pecém e Mucuripe, no Ceará, pronta para embarque. A empresa informou que, com a nova tarifa, o custo aumentaria em aproximadamente US$ 6 milhões.

Ainda segundo o boletim, outra exportadora nordestina, a Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), teve contêineres com 95 toneladas de mel liberados no dia 13 de julho, após apelo de produtores aos compradores nos Estados Unidos. A liberação ocorreu antes da vigência da nova tarifa, prevista para o início de agosto.

Além das barreiras comerciais, a Casa Apis também alertou para a estiagem prolongada no semiárido, que pode reduzir em até 40% a produção de mel em 2025. “A conjugação de fatores climáticos e comerciais coloca em risco a sustentabilidade da atividade apícola”, destacou a entidade.

Os dados da Agrostat mostram que, no primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 19.219 toneladas de mel in natura, 8,7% a mais que no mesmo período de 2024. A receita cambial foi de US$ 62,2 milhões, com preço médio de US$ 3.237,47 por tonelada, valor 27,1% superior ao registrado no ano anterior.

Minas Gerais liderou as exportações com 4.621 toneladas e receita de US$ 15,2 milhões, seguido por Piauí, com 3.796 toneladas e US$ 12 milhões. O Paraná ocupou a terceira posição com 3.814 toneladas exportadas e faturamento de US$ 12,3 milhões. Santa Catarina e São Paulo vieram na sequência.

Além dos Estados Unidos, o Brasil exportou mel para países como Canadá, Reino Unido, Países Baixos, Austrália, Bélgica e Israel, embora em volumes significativamente menores.

O boletim conclui que os efeitos da nova tarifa devem ser acompanhados de perto, pois podem comprometer a viabilidade econômica de produtores e exportadores, especialmente nas regiões mais dependentes do mercado externo.





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Baixa oferta de pasto impacta escore corporal


A condição corporal dos rebanhos de corte no Rio Grande do Sul tem variado conforme o acesso às pastagens de inverno e aos recursos de suplementação disponíveis nas propriedades. É o que aponta o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (17) pela Emater/RS-Ascar.

De acordo com o boletim, nas regiões onde predominam campos nativos e pastagens de verão, o escore corporal dos animais registrou queda, especialmente nas propriedades que não contam com silagem ou forrageiras implantadas. “Nessas áreas, os pecuaristas lançaram mão da suplementação com feno, pré-secado, silagem e sal proteinado”, informou a Emater. Em algumas localidades, também houve redução do rebanho por meio da venda de animais, como forma de equilibrar a lotação das pastagens disponíveis.

Nas propriedades com pastagens de inverno bem estabelecidas ou em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), a manutenção e até a melhora da condição corporal dos animais permitiram o abate e o bom desempenho dos lotes em fase de recria e terminação.

Na região de Bagé, o boletim relata que o ganho de peso ficou abaixo do esperado. Na Fronteira Oeste, a alimentação dos animais tem sido complementada com fardos de palha de arroz. Já em São Gabriel, foram registradas as primeiras parições da temporada. “Em propriedades menores, observamos a tentativa de reduzir a lotação, enquanto em unidades mais tecnificadas houve reforço com silagem ensacada, feno e pré-secado”, informou a Emater/RS-Ascar.

No relatório da região de Caxias do Sul, a sanidade do rebanho foi considerada adequada, porém o estado corporal foi prejudicado em áreas sem silagem. Nessas propriedades, o fornecimento de sal proteinado foi direcionado principalmente a touros e vacas prenhes.

Em Erechim, os rebanhos apresentam condição corporal satisfatória, apesar da menor oferta de pasto nas áreas de verão e de campo nativo. Em locais com alta lotação animal, a queda de peso foi compensada com o uso de silagens e concentrados, além do manejo em pastagens de inverno já disponíveis.

A unidade de Frederico Westphalen reportou uso de suplementação alimentar como medida para conter a perda de peso dos animais. O clima seco contribuiu para a execução de manejos sanitários, como desvermifugação e vacinação.

Em Passo Fundo, a ocorrência de geadas comprometeu a oferta de pastagens, provocando queda de peso nos lotes a pasto. Nessas condições, houve necessidade de suplementação alimentar. Os animais em confinamento mantiveram a condição corporal. Em propriedades onde o pastejo foi inviabilizado, foi registrada a venda dos lotes.

A Emater ainda apontou que, na região de Pelotas, a condição corporal segue em queda, influenciada pelas baixas temperaturas e oferta limitada de forragem. “Os produtores das áreas de campo nativo têm fornecido sal mineral proteinado para preservar a reserva corporal dos animais”, destacou o informativo.

Na regional de Santa Maria, o crescimento lento das pastagens afetou o ganho de peso dos animais. O desmame e a comercialização de terneiros continuam, assim como os diagnósticos de gestação.

Na área de Santa Rosa, o manejo e o bem-estar dos animais foram favorecidos pelas condições climáticas, mas observou-se tendência de queda no escore corporal em propriedades sem forrageiras de inverno. Em contraste, nas áreas com integração lavoura-pecuária, os animais apresentaram ganho de peso e foram destinados ao abate ou alocados em pastagens cultivadas de inverno para manutenção da condição corporal.

Por fim, na região de Soledade, segue o período de parição e os terneiros continuam ganhando peso. O estado corporal dos animais foi considerado adequado devido ao pastejo nas áreas de aveia.





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Horticultura movimenta mais de R$ 9 bilhões no Paraná em 2024


O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná está estimado em R$ 188,3 bilhões para o ano de 2024. A projeção é da Divisão de Estatísticas Básicas do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e foi divulgada nesta quinta-feira (17) no Boletim de Conjuntura Agropecuária.

Segundo o Deral, esse valor consolida a força da agropecuária paranaense, fortemente alicerçada na produção de grãos, cereais e proteínas animais. A horticultura, embora com menor participação, também contribui de maneira relevante, representando 5,1% da receita bruta total do setor.

A olericultura, segmento da horticultura que engloba o cultivo de hortaliças, responde por 3,5% do VBP estadual, com receita de R$ 6,2 bilhões. Esse valor é distribuído entre mais de 50 espécies, sendo a batata e o tomate os principais produtos. “A batata gerou R$ 1,4 bilhão em valor bruto, o que corresponde a 20,8% da receita da olericultura, enquanto o tomate alcançou R$ 1,1 bilhão, representando 16,7%”, detalhou o Deral. Os demais cultivos somaram R$ 4,1 bilhões, o equivalente a 62,5% do total do segmento.

Na fruticultura, a participação estimada no VBP estadual é de 2,1%. O levantamento do Deral considerou 37 espécies de frutas cultivadas e monitoradas no estado. A laranja lidera com R$ 1,2 bilhão em receita, representando 31,8% do valor do setor. Em seguida aparecem o morango, com 17,7% e R$ 705,3 milhões; a uva, com 8,1% e R$ 323 milhões; a banana, com 6,4% e R$ 256,5 milhões; e a tangerina, com 5,1% e R$ 204,4 milhões. Juntas, essas cinco frutas concentram 69,2% do VBP da fruticultura em 2024.

Já a floricultura, com mais de 40 espécies cultivadas no estado, movimentou R$ 271,7 milhões no período analisado, o que representa uma participação de 0,1% no VBP estadual.

Apesar de ter uma presença proporcionalmente pequena frente à força do agronegócio paranaense, o Deral destacou que a horticultura “tem importância significativa nos municípios onde está inserida, promovendo geração de empregos e renda tanto nas áreas rurais quanto urbanas, em diferentes etapas das cadeias produtivas”.





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Trigo segue pressionado no Sul


Segundo a TF Agroeconômica, o mercado do trigo no Sul do Brasil voltou a registrar queda nesta semana, com baixa de 0,38% no dia e 1,01% no mês no Rio Grande do Sul. A cotação da safra velha do trigo pão chegou a R\$ 1.380,00 FOB, mas os moinhos têm se retraído após novas compras, refletindo a fraca demanda por farinha. A grande disponibilidade de matéria-prima, combinada à moagem reduzida e estoques prolongados, impede altas e contribui para um ciclo vicioso de retração no setor.

Na safra nova gaúcha, os primeiros negócios ocorrem na faixa de R\$ 1.250 no interior, sobretudo no norte do estado, enquanto compradores tentam pagar R\$ 1.200 – valor ainda sem aceitação. No mercado externo, os preços de exportação para dezembro giram em torno de US\$ 230/t no porto de Rio Grande, o que, convertido, equivale a R\$ 1.278 no porto e R\$ 1.128 no interior, tornando inviável economicamente. O preço da pedra em Panambi permaneceu em R\$ 70/saca.

Em Santa Catarina, o mercado segue travado, com poucos negócios registrados. Um corretor local relatou apenas um lote de trigo branqueador vindo do RS negociado a R\$ 1.550 FOB. A oferta do trigo gaúcho continua elevada e freia qualquer tentativa de valorização, com preços entre R\$ 1.330 e R\$ 1.360 FOB. A safra nova ainda não tem indicações consistentes, e os sementeiros relatam queda de até 20% nas vendas de sementes. A CONAB prevê redução de 6,3% na produção estadual. Os preços da pedra seguem estáveis, com leves variações entre R\$ 73,33 e R\$ 79,00/saca.

No Paraná, o câmbio mais fraco puxou para baixo os preços do trigo importado, que recuaram cerca de R\$ 20/t. No mercado interno, falta vontade de comprar e vender: vendedores pedem R\$ 1.500 FOB pelo trigo tipo 1, enquanto compradores oferecem R\$ 1.450 CIF. Para o tipo 2, moinhos indicam R\$ 1.280–1.300, sem aceitação do vendedor. A safra nova segue calma, com indicações entre R\$ 1.400–1.450 CIF. Os preços pagos ao agricultor caíram 0,36% na semana, para R\$ 77,14/saca, reduzindo o lucro médio no estado para 4,91%.

 





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Câmara aprova novas regras de licenciamento ambiental


A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quinta-feira (17), por 267 votos a favor e 116 contra, o projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental no país. A proposta, que vai à sanção do presidente Lula (PT), teve forte articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e representa mais uma vitória do setor agro no Congresso. Segundo os ruralistas, as novas regras trazem segurança jurídica e podem acelerar obras de infraestrutura e empreendimentos agroindustriais, inclusive no campo.

De acordo com os textos analisados, o projeto cria sete tipos de licenciamentos, com destaque para a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que permite ao empreendedor obter autorização por meio de autodeclaração. Também foram incluídas a Licença Ambiental Especial (LAE), sugerida pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), e a Licença de Operação Corretiva (LOC), que regulariza atividades sem licença prévia. A proposta ainda autoriza licenças renováveis automaticamente e retira a exigência de anuência do Ibama em casos de desmatamento da Mata Atlântica, transferindo mais responsabilidade para órgãos estaduais e municipais.

Entre os pontos mais polêmicos, estão a liberação facilitada para projetos de mineração e exploração de petróleo na Margem Equatorial, com prazos máximos de um ano para a resposta ambiental. A oposição, liderada por ambientalistas e setores da esquerda, apelidou o projeto de “PL da Devastação”, alegando que ele enfraquece os mecanismos de proteção a florestas, rios e solos, além de limitar a participação de indígenas e quilombolas nos processos de licenciamento fora de áreas demarcadas.

Apesar da orientação contrária do governo, a proposta teve apoio de ministérios como Transportes, Agricultura, Minas e Energia e Casa Civil. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ficou isolada na tentativa de barrar o avanço da proposta. A expectativa agora é de que Lula vete parte do texto, principalmente no que diz respeito ao enfraquecimento do Conama. No entanto, a FPA já articula para derrubar os vetos no Congresso, e também se prepara para eventual judicialização do tema no STF. Para o agronegócio, trata-se de uma resposta necessária a um sistema burocrático que vinha travando empreendimentos e investimentos no campo.

 





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Pix incomoda e vira alvo dos Estados Unidos



Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares



Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares
Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares – Foto: Pixabay

O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, iniciou uma investigação contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais no setor digital, tendo como foco o sistema de pagamentos instantâneos Pix. A apuração, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), ocorre com base na Seção 301 da Trade Act e pode levar à imposição de tarifas ou restrições contra o país.

Segundo o USTR, o Pix, por ser gratuito para pessoas físicas e desenvolvido pelo Banco Central, representa uma distorção de mercado que afeta empresas norte-americanas como PayPal, Visa, Mastercard, Apple Pay e Google Pay. A investigação também engloba temas como proteção de dados, decisões judiciais brasileiras que impactaram plataformas digitais dos EUA, além de críticas ao combate à pirataria e alegadas vantagens do agronegócio brasileiro por atuação em áreas desmatadas ilegalmente.

Essa não é a primeira ofensiva dos EUA contra sistemas similares. Em 2024, o governo americano usou o mesmo mecanismo para questionar o QRIS da Indonésia, impondo tarifas de até 32%. No caso do Brasil, o embate também tem motivações políticas. Trump mencionou o processo judicial contra Jair Bolsonaro e ameaçou aplicar tarifas de 50% a produtos brasileiros, enquanto nomes ligados ao trumpismo, como o bilionário Peter Thiel, têm interesse direto em empresas concorrentes ao Pix.

A reação do governo brasileiro veio com críticas públicas e ironia nas redes sociais. Especialistas avaliam que o ataque ao sistema estatal de pagamentos brasileiro é uma tentativa de proteger o domínio das big techs americanas, num momento em que o Banco Central do Brasil avança em planos de internacionalização do Pix por meio de acordos com outros países e participação no projeto Nexus, coordenado pelo G20 e o Banco de Compensações Internacionais. A audiência pública do caso está marcada para 3 de setembro.

 





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Trigo, soja e milho recuam em Chicago


Segundo informações da TF Agroeconômica desta quarta-feira (17), os mercados de trigo, soja e milho abriram o dia em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo principalmente o avanço da colheita no Hemisfério Norte e as previsões climáticas positivas para as lavouras norte-americanas. A valorização do dólar frente ao euro também impacta negativamente a competitividade das exportações dos EUA, contribuindo para a pressão sobre os preços internacionais.

O trigo setembro/25 recuou para US\$ 537,25 por bushel, com o contrato dezembro/25 a US\$ 557,75. No Brasil, o indicador CEPEA no Paraná caiu 0,04% no dia, a R\$ 1.475,81, enquanto no Rio Grande do Sul houve leve alta de 0,27%, a R\$ 1.327,32. Já no mercado físico, a safra nova avança em Goiás e Minas Gerais, com preços ao redor de R\$ 1.300 FOB. No RS, vendedores pedem R\$ 1.250 FOB e compradores oferecem R\$ 1.200 FOB; no Paraná, compradores oferecem R\$ 1.400 CIF, mas não há vendedores.

A soja agosto/25 recuou US\$ 2,00 e fechou a US\$ 1.011,50, impactada pelas boas perspectivas climáticas no Meio-Oeste americano. No Brasil, os preços seguem mistos: o CEPEA Interior PR caiu 0,48%, a R\$ 129,52, enquanto em Paranaguá subiu 0,06%, a R\$ 136,48. No Paraguai, a tonelada foi cotada a US\$ 362,41, com alta de 6,80 dólares. Apesar da queda, rumores de compras chinesas e a demanda por biodiesel sustentam parte dos preços.

No milho, o contrato setembro/25 recuou US\$ 1,75, para US\$ 403,50 por bushel. O clima favorável nos EUA e incertezas comerciais pressionam o cereal. No Brasil, a B3 teve alta de 0,58% no contrato setembro, a R\$ 64,03, e 0,25% no janeiro/26, a R\$ 71,55. O indicador CEPEA subiu 0,10% no dia, a R\$ 62,84, mas acumula queda de 6,24% no mês. No Paraguai, os preços variam entre US\$ 145 e US\$ 185/t, dependendo da região e mês de entrega.

 





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Brasil caminha para novo recorde no processamento de soja


O setor de processamento de soja segue em trajetória positiva no Brasil e deve alcançar novos recordes em 2025. Segundo avaliação da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), o bom desempenho registrado ao longo de 2024 fortalece a confiança nas projeções de crescimento para o Complexo da soja no próximo ano.

De acordo com dados divulgados pela Abiove, somente no mês de maio foram processadas 4,87 milhões de toneladas de soja no país, o que representa um aumento de 2,1% em relação a abril e de 13,6% na comparação com o mesmo mês de 2024, ajustado pela base amostral. No acumulado do ano, o volume processado chegou a 21,33 milhões de toneladas — crescimento de 5,9% sobre igual período do ano passado.

A entidade destaca que o desempenho está diretamente ligado à elevação da mistura obrigatória de biodiesel, que incorporou os percentuais B14 e B15 ao longo de 2024. “Estamos vivendo um ano positivo para o processamento de soja, com perspectiva de recorde”, afirma Daniel Furlan Amaral, Diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da ABIOVE. Ele também aponta que a demanda firme por óleo de soja tem mantido o ritmo de atividade elevado na indústria.

Para o restante do ano, a previsão é de continuidade no crescimento. A produção nacional de soja deve alcançar 169,7 milhões de toneladas, enquanto o volume de esmagamento está projetado em 57,8 milhões de toneladas — ligeira alta de 0,5%. Já a produção de farelo e óleo de soja deve atingir 44,5 milhões e 11,6 milhões de toneladas, respectivamente, com avanços de 0,9% e 1,3%.

No mercado externo, a expectativa também é otimista. A exportação de soja em grãos deve somar 109 milhões de toneladas, aumento de 0,9% sobre o ano anterior. Já as vendas externas de farelo devem se manter estáveis em 23,6 milhões de toneladas. Por outro lado, as exportações de óleo de soja devem sofrer uma leve retração de 3,6%, sendo revisadas para 1,35 milhão de toneladas. As importações de óleo e grão de soja devem somar, respectivamente, 100 mil e 500 mil toneladas, como forma de complementar a oferta no mercado interno.





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Conab vai adquirir mandioca da safra 2025 em três estados


Produtores e produtoras de farinha e fécula de mandioca já podem  vender seus produtos para o governo federal. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está autorizada a comprar até 3 mil toneladas de fécula e 3,8 mil toneladas de farinha da raiz da safra de 2025. A compra foi autorizada pelos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Fazenda (MF), e conta com recursos de R$ 20 milhões. 

A medida atende aos produtores do Paraná, Mato Grosso do Sul e de São Paulo.  A aquisição será realizada por meio do mecanismo de Aquisição do Governo Federal (AGF), previsto na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) e tem por objetivo garantir aos produtores rurais o nível de rentabilidade dado pelo preço mínimo, evitando que tenham que comercializar sua produção a preços que inviabilizem a atividade econômica.

De acordo com o Manual de Operação da Companhia, o limite de venda por produtor é de 105 toneladas de farinha, ou seja 2.100 sacas de 50 quilos. Já para a fécula, o limite é de 90 toneladas, o que representa 3.600 sacas de 25 quilos. A compra só será finalizada pela Conab se o produto atender aos padrões exigidos. O cereal adquirido deverá ser estocado em unidades armazenadoras próprias ou credenciadas pela estatal.

Os interessados em vender a farinha ou a fécula de mandioca para a Companhia devem estar cadastrados no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican) e procurar a regional da Conab nos estados atendidos para orientação sobre o preenchimento dos formulários exigidos para a operação, bem como a apresentação de documentos adicionais que se fizerem necessários.

A operação dá prosseguimento às ações de retomada dos estoques públicos no país, além de garantir o apoio aos produtores rurais, uma vez que os preços da raiz e da fécula de mandioca estão abaixo do mínimo estabelecido pelo governo federal na região Centro-Sul do país. Esse cenário é explicado pelo aumento da oferta da raiz, uma vez que os agricultores intensificaram a colheita para liberar áreas para arrendamento, aliado aos elevados estoques industriais. Vale destacar que os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo concentram, aproximadamente, 1/3 da produção nacional de raiz de mandioca e respondem por 95,3% da capacidade instalada de produção de fécula de mandioca no país.

Aquisição do Governo Federal – Instrumento da PGPM, a AGF tem o objetivo de apoiar produtores rurais, agricultores familiares e suas cooperativas por meio da aquisição de produtos quando o preço de mercado se apresenta inferior ao preço mínimo estabelecido para a safra vigente. A aquisição depende do repasse, pelo Tesouro Nacional, dos recursos necessários à operacionalização das aquisições.





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Embrapa irá desenvolver inventários regionais de ciclo de vida para pecuária de Leite


A Embrapa Gado de Leite e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) assinaram um acordo de cooperação técnica para a construção de 11 inventários de Análise de Ciclo de Vida (ACV) de leite bovino in natura nas bacias leiteiras mais representativas do país. O documento foi assinado este mês durante o III Workshop Pecuária de leite regenerativa: Integrando a ciência ao campo, um dos eventos da Jornada pelo Clima da Embrapa (leia mais sobre a Jornada pelo Clima no final desta reportagem).

Segundo o pesquisador Tomich, da Embrapa Thierry, a construção desses inventários irá dar maior assertividade à estimativa de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) pela produção de leite no Brasil. Atualmente, os inventários disponíveis para o setor, lançados em 2023 (parceria da Embrapa Gado de Leite com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná) aborda dois sistemas semi confinados e um sistema confinado de produção em apenas duas regiões produtoras. “Isso dificulta o direcionamento das ações de mitigação, além de divulgar informações que, em alguns casos, podem penalizar o produtor de leite que se preocupa com a sustentabilidade do seu negócio”, diz Tomich.

A analista Vanessa Romário de Paula, da Embrapa Gado de Leite, que participou da equipe de construção dos primeiros Inventário do Ciclo de Vida (ICV) da pecuária de leite brasileira, diz que atualmente as emissões da atividade nos estados são baseadas em estudos que quantificam as emissões associadas ao rebanho total do país. “São dados médios que não consideram as especificidades dos sistemas de produção, a estrutura dos rebanhos, as raças dos bovinos, a genética e a composição da dieta nas diferentes regiões”, explica a analista.

A parceria com o IBICT irá considerar informações específicas em 11 estados (MG, PR, RS, GO, SC, SP, PE, AL, RO, RJ, MS) como primeira etapa, com perspectiva de avançar para dados de todos os estados brasileiros. Segundo explicou a analista, a coleta dos dados será feita in loco com apoio dos laticínios que atuam nos estados. A modelagem dos dados e a construção dos inventários será realizada pela Embrapa Gado de Leite. O checklist de qualidade e a validação dos inventários será realizada pelo IBICT.

“A disponibilização dos ICVs do leite brasileiro atende a uma demanda importante da pesquisa científica brasileira e irá nortear estratégias de políticas públicas para o setor”, conclui Tomich. Os primeiros inventários já estão sendo construídos e, quando concluídos, servirão de referência quanto às intensidades e emissões de gases de efeito estufa em relação à unidade de leite produzido em cada local e tipo de sistema de produção. Além disso, possibilitarão a identificação da contribuição relativa dos itens que compõem as pegadas de carbono do leite que vão embasar e priorizar as estratégias mais assertivas para redução da intensidade dessas emissões.

A pecuária de leite no Brasil é uma atividade econômica de grande relevância; mas, assim como as demais atividades produtivas, também gera impactos ambientais. Para quantificar e compreender esses impactos, são realizados inventários que buscam analisar o ciclo de vida completo da produção leiteira, desde a fazenda até o produto final.

Para a ACV do produto, metodologia aplicada para cálculo de pegada de carbono, por exemplo é necessário a construção do ICV, técnica abrangente e padronizada internacionalmente pelas normas ISO 14040 e ISO 14044. O ICV identifica e quantifica todas as entradas (recursos naturais, energia, água, matérias-primas, etc.) e saídas (emissões para o ar, água e solo, resíduos sólidos, coprodutos etc.) de cada etapa do ciclo de vida do produto. A ACV é a metodologia de referência para avaliação de impacto ambiental no setor de laticínios no mundo todo e deve ser usada prioritariamente nos projetos que têm esse escopo. A ferramenta também é importante para verificar a acurácia das inúmeras ferramentas que têm sido empregadas no setor para avaliações das emissões de gases de efeito estufa.

A metodologia identifica e quantifica os impactos ambientais dos produtos e processos; compara o desempenho ambiental de diferentes produtos ou alternativas; podendo ser empregada para desenvolver e melhorar produtos e serviços, tornando-os mais sustentáveis; subsidia decisões estratégicas em empresas e políticas públicas; comunica a sustentabilidade de forma transparente e identifica oportunidades de otimização e redução de resíduos. No caso da pecuária de leite, a ACV permite entender de onde vêm as maiores emissões de GEE, onde há maior consumo de água e quais etapas da cadeia produtiva podem ser aprimoradas para uma produção mais sustentável.

O III Workshop Pecuária de leite regenerativa: Integrando a ciência ao campo, realizado nos dias primeiro e dois de julho, reuniu pesquisadores e demais agentes privados e públicos da cadeia de laticínios que abordaram temas como redução da pegada de carbono na pecuária, eficiência alimentar, melhoramento genético, bem-estar animal, cria e recria de bezerros, compostagem e manejo de dejetos. O evento também tratou de ACV, mercado e carbono e políticas governamentais para o agro. O workshop fez parte da Jornada pelo Clima, iniciativa da Embrapa para discutir desafios e soluções para uma agropecuária de baixo carbono.

Também no workshop foi apresentado o documento de “Orientações para coleta de dados para cálculo de pegada de carbono” que é uma demanda do setor e apoiará o trabalho no campo. Essa etapa é um dos gargalos para obtenção de dados de qualidade, pela falta de conhecimento por parte dos técnicos e organização das informações na propriedade leiteira. Para ter acesso a esse documento, clique aqui.

Ação da Embrapa para posicionar a ciência e a inovação agrícola brasileira como pilares fundamentais na resposta global às mudanças climáticas, a Jornada pelo Clima mostra que é possível produzir alimentos de forma sustentável e com baixo impacto ambiental. O objetivo principal de ampliar o conhecimento e o debate sobre o papel da agricultura no enfrentamento das mudanças climáticas, tanto na mitigação (redução de GEE) quanto na adaptação (aumento da resiliência dos sistemas produtivos).

Essa jornada foi lançada neste ano e está relacionada aos preparativos da COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que será realizada em Belém/PA em novembro de 2025. A ideia é mostrar que a agricultura brasileira, impulsionada pela ciência, não é apenas parte do problema, mas também uma parte crucial da solução.





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