sexta-feira, março 20, 2026

Política & Agro

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Exportações de carne de peru caem no primeiro semestre de 2025


Segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado nesta quinta-feira (7) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), as exportações brasileiras de carne de peru recuaram no primeiro semestre de 2025.

Dados do Agrostat Brasil indicam que o país embarcou 24 mil toneladas do produto, gerando receita de US$ 59,538 milhões. O resultado representa retração de 18,8% no volume e de 20% na receita cambial em relação ao mesmo período de 2024, quando foram exportadas 29.571 toneladas, totalizando US$ 74,377 milhões.

Os estados da região Sul seguem como principais produtores e exportadores. Santa Catarina liderou com US$ 22,628 milhões e 9.239 toneladas, seguido pelo Rio Grande do Sul, com US$ 19,764 milhões e 8.296 toneladas, e pelo Paraná, com US$ 16,603 milhões e 6.233 toneladas. Em relação ao volume exportado, o Paraná registrou queda de 0,6%, o Rio Grande do Sul recuou 18% e Santa Catarina apresentou a maior baixa, de 29,8%.

Em termos de receita cambial, o Paraná teve alta de 4%, enquanto o Rio Grande do Sul e Santa Catarina registraram reduções de 22,3% e 15,2%, respectivamente. “Apesar da retração geral, o Paraná apresentou desempenho positivo na receita”, destacou o boletim.

A carne de peru “in natura” respondeu por 94,5% das exportações no período, somando 22.672 toneladas e US$ 54,992 milhões. O preço médio foi de US$ 2.425,54 por tonelada, 0,9% inferior ao valor registrado no mesmo período de 2024, de US$ 2.447,96.

Os principais mercados compradores foram Chile, África do Sul, México, Países Baixos e Guiné Equatorial. No comparativo anual, houve queda no volume embarcado para México (-61%), África do Sul (-49,6%), Chile (-27,4%) e Países Baixos (-30%). Apenas a Guiné Equatorial registrou aumento, de 53,9%.

Na receita cambial, também houve retração para Chile (-18,5%), África do Sul (-53,3%), México (-69,2%) e Países Baixos (-22,8%). A Guiné Equatorial se destacou com alta de 66,5% na receita, mesmo com redução no volume importado, o que pode indicar aumento no preço pago por tonelada.





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Poda e adubação de inverno seguem nos vinhedos



Caxias do Sul realiza manejo e controle de pragas da uva




Foto: Arquivo Agrolink

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (7) pela Emater/RS-Ascar, a região administrativa de Caxias do Sul concluiu a poda seca de inverno nos parreirais e realizou tratamentos para o controle da cochonilha-do-tronco. Também segue em andamento a adubação de inverno. Nas áreas com plantas de cobertura de solo, foi feito o acamamento após a aplicação dos insumos.

Na região de Frederico Westphalen, a brotação já começou em variedades como Vênus, Bordô, Niágara Rosada, Niágara Branca, Seyve Villard e Carmem. Segundo o boletim, a poda e a aplicação de cianamida hidrogenada foram iniciadas para promover a quebra da dormência, uma vez que a demanda mínima de horas de frio foi atingida.

Também estão em andamento as aplicações de nitrogênio e fósforo para estimular o desenvolvimento das brotações.





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Semente de alto potencial precisa de tecnologia



“Pequenas modificações na taxa de aplicação por hectare fazem a diferença”



"Pequenas modificações na taxa de aplicação por hectare fazem a diferença"
“Pequenas modificações na taxa de aplicação por hectare fazem a diferença” – Foto: Canva

A produtividade de uma lavoura começa na semente, mas depende de muito mais do que genética. Fatores ambientais como solo, clima e o manejo fitossanitário também são decisivos para o desempenho das culturas. Pensando nisso, a Conceito Agrícola, empresa do Grupo Conceito, desenvolveu a Solução Escudo, um serviço completo de inteligência em tecnologia de aplicação para auxiliar o produtor durante toda a safra.

“Com o diagnóstico técnico e a avaliação de todos esses dados e fatores, conseguimos fazer recomendações personalizadas para cada produtor e realizar ajustes em tempo real. Pequenas modificações na taxa de aplicação por hectare, no posicionamento da barra do pulverizador ou até mesmo pensando nas condições do vento fazem grande diferença nos resultados. Para atingir a principal área da planta, que é o terço inferior, precisamos de gotas menores, principalmente em culturas anuais, como a soja, milho, feijão e sorgo”, afirma Thiago Clemente, especialista em Tecnologia de Aplicação da Conceito Agrícola.

A Solução Escudo também inclui a desinfecção de pulverizadores com escovas rotativas e produtos alcalinos, evitando contaminações cruzadas. Um estudo do Instituto Goiano do Algodão (IGA) mostrou ganho de até 1,15 sacos de soja por hectare com a tecnologia, que ainda contribui para reduzir a tensão superficial da calda, minimizar deriva e espuma e otimizar a emulsificação das misturas no tanque.

Produtores como Lucas Vicente Menegatti, de Rio Verde (GO), relatam economia de insumos e maior rendimento operacional. Com a equipe especializada da Conceito Agrícola, a segurança também é reforçada, e ao final de cada safra é gerado um relatório estratégico com foco em sustentabilidade ambiental e financeira.

 





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Zucco: falta 1 assinatura para protocolar pedido de impeachment de Moraes


O líder da oposição na Câmara, deputado Luciano Zucco (PL-RS), afirmou nesta quarta-feira (6) que falta apenas uma assinatura para protocolar no Senado o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Segundo Zucco, a 40ª assinatura foi do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), que estava indefinido. Para que o pedido seja apresentado, são necessárias 41 assinaturas.

Leia a notícia na íntegra no site da CNN

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Exportação de carne bovina do Brasil bate recorde em julho



A receita também atingiu máxima histórica


Foto: Pixbay

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram recorde em julho. Pesquisadores do Cepea reforçam que essa informação foi confirmada pela Secex nessa quarta-feira, 6, dia em que entrou em vigor a nova tarifa dos Estados Unidos para a importação de carne bovina brasileira, de 50%. Em julho, foram exportadas 310,2 mil toneladas, 15,3% a mais que em junho e 4% acima do então recorde alcançado em outubro/24, de 298,24 mil toneladas (in natura e processada).

A receita também atingiu máxima histórica, na marca de R$ 9,2 bilhões. Para os EUA, o volume exportado foi praticamente o mesmo de junho, 18.235 toneladas – aumento mensal de 2 toneladas –, mas sua participação no total das vendas brasileiras baixou de 6,8% em junho para 5,9% em julho. Já a China aumentou sua participação de 50% para 51,1% do total, elevando em 14,8% (ou 23.952 toneladas) o volume de um mês para outro.

Pesquisadores do Cepea indicam que vários outros destinos também ampliaram suas compras. Segundo pesquisadores do Cepea, os resultados de julho mostram que, em resposta à imposição da tarifa norte-americana, as indústrias exportadoras nacionais se movimentaram e obtiveram êxito em seus esforços para intensificar as vendas a outros destinos, além do que algumas devem realocar a relação comercial com os EUA para unidades que detêm em outros países não impactados por tamanha tarifa.





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Trigo em recuperação, soja em queda e milho pressionado


Os mercados agrícolas internacionais começaram esta quarta-feira (07/08) com movimentos mistos entre trigo, soja e milho. Segundo análise da TF Agroeconômica, o trigo mostra sinais de recuperação nas posições de curto prazo, enquanto a soja recua com pressão técnica e o milho sofre com as expectativas de uma safra melhor nos Estados Unidos.

O trigo na bolsa de Chicago (CBOT) abriu com alta nos contratos de setembro/25 (US$ 512,50, +4,00) e dezembro/25 (US$ 533,25, +4,00), refletindo uma leve retomada, apesar da concorrência externa manter os preços pressionados. No Brasil, o indicador CEPEA segue estável no Paraná (R$ 1.451,25) e teve leve queda no Rio Grande do Sul (R$ 1.298,68, -0,21%). Já nos países vizinhos, os preços do trigo argentino e paraguaio variam entre US$ 215 a 255, dependendo da praça.

A soja, por outro lado, segue em queda. O contrato para setembro/25 na CBOT recuou para US$ 964,50 (-1,00), atingindo nova mínima, em meio à desvalorização do óleo e farelo. No Brasil, a cotação CEPEA caiu para R$ 132,89 no interior do Paraná (-0,32%) e para R$ 138,83 em Paranaguá (-1,52%). Apesar disso, o óleo tenta se estabilizar, enquanto o farelo mostrou queda pontual após semanas de alta.

O milho apresenta leve alta em Chicago, com o contrato de setembro/25 cotado a US$ 381,75 (+2,00), após registrar mínima de US$ 3,75/bu durante o dia. No Brasil, os preços seguem pressionados: B3 em queda de até -0,58%, e CEPEA em R$ 63,67 (-0,53%). A expectativa de melhora na produtividade da safra americana, que pode ser confirmada no próximo relatório do USDA, continua provocando vendas por parte dos fundos e mantendo pressão sobre o cereal.

 





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Newe Seguros lança ação para apoiar o produtor rural


Com o mercado retraído pelo cenário macroeconômico e corte de subsídios do governo federal que causam incertezas no setor agrícola, a Newe Seguros lança uma ação inédita para apoiar e estimular o produtor rural para a safra de verão, visando a colheita da soja. Entre 1º e 20 de agosto, os clientes que emitirem apólices de seguro multirrisco para cultura de soja não terão dúvidas sobre o custo final do seguro e ainda poderão parcelar a contratação até o início do plantio. Se o produtor não conseguir acessar a subvenção por falta de verba federal, a seguradora quita a parcela referente à subvenção.

“É uma ação pioneira, pensada para proporcionar ao produtor uma solução inovadora e que possa impactar toda a cadeia rural. Hoje, diante da falta de garantia em relação ao recurso da subvenção, queremos apoiar o segmento e ser um parceiro do mercado”, afirma o diretor comercial da Newe, Marcos Vinicius Pereira.

O principal objetivo do movimento é dar suporte aos pequenos e médios produtores, que representam 77% dos estabelecimentos rurais no Brasil, segundo o Censo Agropecuário do IBGE. Esse grupo foi diretamente afetado pelo contingenciamento de R$ 445,17 milhões do orçamento de 2025 reservado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), anunciado no mês passado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e que representa 42% do total de R$ 1,06 bilhão previsto na Lei Orçamentária Anual. O PSR oferece subvenção de 20% sobre o valor do prêmio de seguro rural para a cultura da soja.

Essa retração deverá reduzir a área segurada para menos de 5 milhões de hectares, o menor volume em sete anos, deixando milhares de produtores sem acesso a apólices, principalmente no que se refere à cobertura da safra de soja, que pode ser afetada pelo fenômeno La Niña durante a colheita, prevista para fevereiro de 2026.

“A área média do programa de subvenção federal é de 50 hectares, portanto não são megaprodutores. Pelos nossos cálculos, os R$ 445 milhões contingenciados, em teoria, representam uma redução de R$ 37 bilhões de proteção que estariam deixando de ser contratados com esse movimento do governo, trazendo um impacto severo para a economia caso ocorra algum desastre climático”, destaca o vice-presidente da Newe, Rodrigo Motroni.

Além do corte no PSR, o governo anunciou um aumento de apenas 1,5% no Plano Safra 2025/2026 em comparação ao exercício anterior, passando de R$ 508,69 milhões para R$ 516,2 bilhões. As taxas de juros do Plano tiveram aumento de 1,5 a 2 pontos percentuais em relação ao programa do ciclo anterior, dificultando o acesso ao crédito.

Nesse contexto de dificuldades, o movimento da Newe foi projetado nos mínimos detalhes para amparar o setor agrícola. “Estamos trazendo uma ação disruptiva, planejada e muito calculada, para trazer fôlego e apoio ao produtor rural. Todas as propostas efetivadas serão submetidas às regras convencionais de subscrição e, em caso de sinistro, o prêmio eventualmente abatido neste processo será descontado do valor a ser indenizado, com toda responsabilidade e transparência junto a todos os envolvidos”, enfatiza Pereira.





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Especialistas debatem futuro do amendoim brasileiro


Exportação, consumo interno, sustentabilidade e inovação são alguns dos temas que movimentam o setor e ganham espaço em novo canal de informação

Os desafios e as oportunidades do mercado do amendoim, especialmente no cenário internacional, têm mobilizado cada vez mais especialistas, produtores, pesquisadores e representantes da agroindústria. A expansão da cultura no Brasil, aliada à busca por diferenciação e valor agregado, exige não apenas inovação tecnológica no campo, mas também estratégias comerciais e institucionais capazes de conectar o produto nacional às exigências do mundo.

É nesse contexto que surge o “Amendoim & Prosa”, novo podcast criado para valorizar e dar visibilidade aos diversos elos da cadeia produtiva do amendoim. A iniciativa é da Indústrias Colombo e foi lançada oficialmente no dia 6 de agosto, durante a 7ª Feira Nacional do Amendoim, em Jaboticabal/SP. O primeiro episódio aborda o tema “Mercado externo do amendoim: desafios e oportunidades” e tem como convidado Pablo Rivera, CEO da Beatrice Peanuts e vice-presidente da ABEX-BR.

Com foco técnico, mas linguagem acessível, o projeto busca promover o diálogo entre o campo, a ciência e o mercado, dando voz a quem planta, pesquisa, beneficia, transforma e comercializa o amendoim no Brasil e no mundo. A proposta é criar um espaço de escuta e construção coletiva de soluções para o desenvolvimento sustentável da cultura.

“O podcast nasce como mais uma ferramenta para impulsionar o setor e estimular boas práticas. O Brasil tem enorme potencial e protagonismo nessa cadeia, e é fundamental que a gente amplie a visibilidade e o conhecimento sobre o que está sendo feito de bom aqui”, afirma Luiz Antonio Vizeu, engenheiro agrônomo e gerente de Relações Institucionais da Indústrias Colombo.

Apresentado por Vizeu e pela jornalista Juliana Pertille — comunicadora com longa trajetória no agro, com passagens por veículos como Canal Rural e Record News —, o “Amendoim & Prosa” terá episódios mensais com convidados que vivem o dia a dia do setor. Além do mercado internacional, a programação trará temas como consumo interno, marketing do setor, sustentabilidade, inovação, óleo de amendoim e histórias reais de quem trabalha diretamente com a cultura.

“Queremos construir um conteúdo que una conhecimento técnico e sensibilidade. O agro tem muitas histórias potentes que precisam ser contadas e ouvidas com respeito, leveza e profundidade”, destaca Juliana.

Durante a Feira Nacional do Amendoim, além do lançamento oficial, novos episódios também serão gravados com convidados especiais, reforçando o compromisso do projeto com a escuta ativa e a valorização dos diversos agentes dessa cadeia.





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Paraná já colheu 74% da segunda safra de milho



Conab estima safra recorde de milho em 2024/25


Foto: Divulgação

A produção nacional de milho para a safra 2024/25 foi estimada em 131,9 milhões de toneladas, conforme informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em julho. Do total, 19% correspondem à primeira safra, 79% à segunda e 2% à terceira, esta cultivada apenas nas regiões Norte e Nordeste.

A maior parte da produção está concentrada no Centro-Oeste, responsável por cerca de 60% do volume total. O estado de Mato Grosso lidera o ranking nacional, com mais de 51 milhões de toneladas, o que representa 39% da produção brasileira. O Paraná ocupa a segunda posição, respondendo por 15% do total.

Segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado nesta quinta-feira (7) pelos analistas do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a colheita da segunda safra de milho no Paraná alcançou 74% da área plantada, que totaliza 2,77 milhões de hectares.

O Deral informou que, “com condições climáticas favoráveis, a expectativa é de que a colheita seja concluída ainda no mês de agosto”.





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RS aposta em inovação agropecuária após catástrofe climática


O tema foi destaque na quarta edição do Diálogos pelo Clima, evento preparatório para a COP30 que aconteceu em Porto Alegre abordando os biomas do Sul: Pampa e Mata Atlântica

Especialistas, gestores públicos, representantes do setor produtivo e da sociedade civil se reuniram nesta quarta-feira (06/08), em Porto Alegre (RS), para a edição sul-brasileira do Diálogos pelo Clima, iniciativa da Embrapa em preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada em novembro, em Belém (PA). Com foco nos biomas Pampa e Mata Atlântica, o evento promoveu um debate sobre os caminhos possíveis para enfrentar os desafios das mudanças climáticas com base na ciência, na inovação e no diálogo intersetorial.

O Diálogos pelo Clima aconteceu em um contexto em que, há pouco mais de um ano, eventos climáticos extremos impactaram diretamente cerca de 2,5 milhões de pessoas no Rio Grande do Sul, durante as enchentes classificadas pelo governo do Estado como a maior catástrofe climática da história gaúcha.

Nesse sentido, a abordagem do papel da agricultura na mitigação dessas mudanças do clima e as oportunidades de estabelecimento de padrões mais resilientes da atividade a partir dos episódios de 2024 no RS estiveram na pauta dos discursos das autoridades que compuseram o dispositivo de abertura do evento: Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, Simone Stülp, Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do RS, Eduardo Sfoglia, chefe da Assessoria Internacional do Ministério da Pesca e Aquicultura, José Cleber Dias de Souza, superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária no Rio Grande do Sul, Milton Bernardes, superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário no RS, Luciano Schwerz, presidente da Emater/RS-Ascar, Márcio Madalena, secretário-adjunto da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS e Pepe Vargas, presidente da Assembleia Legislativa do RS.

Massruhá destacou o papel estratégico da agricultura na construção de soluções para o enfrentamento das mudanças climáticas. Segundo ela, os sistemas agroalimentares brasileiros têm potencial para contribuir significativamente na mitigação dos gases de efeito estufa, especialmente se considerados em sua diversidade e adaptabilidade aos diferentes biomas do país. A presidente enfatizou que a agropecuária brasileira é multifuncional – produz alimentos, fibras e energia – e se relaciona diretamente a temas como saúde, nutrição, gastronomia, turismo e valorização da sociobiodiversidade. Ressaltou, ainda, que o Brasil é uma potência agroambiental e que, com a COP acontecendo em solo nacional, é essencial mostrar ao mundo a sustentabilidade da agricultura brasileira, baseada historicamente em ciência, tecnologia e inovação.

O presidente da Emater/RS-Ascar, Luciano Schwerz, destacou, em sua fala, os grandes desafios enfrentados pelos agricultores gaúchos nos últimos seis anos, marcados por eventos climáticos extremos que impactaram severamente a produção agropecuária no estado. Segundo ele, apenas na cultura da soja, mais de 39 milhões de toneladas deixaram de ser colhidas nesse período, além de perdas expressivas também no milho, com uma redução superior a 9 milhões de toneladas, entre outros déficits. “Isso leva o agricultor a uma angústia”, afirmou, enfatizando a urgência de adaptação à nova realidade imposta pelas mudanças climáticas.

Segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do RS, Simone Stülp, que representou o governo do Estado no evento, uma das abordagens feitas pela pasta tem sido justamente o enfrentamento dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, tema que ocupa posição central entre as 13 missões estratégicas definidas pela secretaria. A primeira dessas missões trata diretamente da necessidade de desenvolver soluções sustentáveis a partir da ciência, com foco na resiliência do território e no fortalecimento de setores-chave, como a agropecuária e os sistemas agroalimentares. A secretária ressaltou a importância de aprimorar as conexões entre as diferentes instituições que compõem essa cadeia no Estado, promovendo sinergia entre pesquisa, extensão, inovação e produção.

Conforme o presidente da Assembleia Legislativa do RS, Pepe Vargas, a crescente consciência social sobre as mudanças climáticas tem sido impulsionada por eventos extremos e pela realização da COP no Brasil, que ocorre em um cenário internacional desafiador, com potências globais relutando em financiar a transição ecológica e, em alguns casos, negando a própria crise climática. Segundo ele, apesar disso, o Brasil, conta com uma matriz energética majoritariamente limpa, e mantém o compromisso de estabelecer metas de mitigação não só nessa área, como também na agropecuária.

A palestra de abertura do evento foi proferida pela cientista Thelma Krug, coordenadora do Conselho Científico da COP30 e ex-vice-presidente do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC). Ela abordou a situação e perspectivas das mudanças do clima para os Biomas da Região Sul. Em sua explanação, Krug demonstrou preocupação com a possibilidade de, cada vez mais rápido, o planeta alcançar o aumento de temperatura de 1.5º acima dos níveis pré-industriais (limite estabelecido no Acordo de Paris), fato que apontaria para a irreversibilidade de danos a alguns ecossistemas, além de impactos diretos a áreas como a agropecuária.

A interferência humana foi apontada pela cientista como fator-chave na intensificação de eventos extremos, como os registrados no Rio Grande do Sul. Krug alertou que, com base em cenários do IPCC, se não houver uma redução drástica nas emissões – incluindo maior remoção do que emissão de Dióxido de Carbono (CO²) – o planeta poderá experimentar esses eventos como o “novo normal”.

Segundo Krug, os eventos extremos vêm se tornando mais frequentes e estão diretamente associados ao aquecimento global provocado pela atividade humana. A partir da década de 1970, cientistas passaram a observar uma aceleração no ritmo do aquecimento, com maior acúmulo de CO² na atmosfera, fator diretamente relacionado ao aumento da temperatura dos oceanos, ao derretimento das geleiras e à elevação do nível do mar, provocando efeitos duradouros e, em muitos casos, irreversíveis.

Outro ponto abordado na palestra foi a transição energética, considerada uma das maiores urgências da atualidade, mas que ainda enfrenta resistências significativas devido à forte dependência global de combustíveis fósseis. Conforme Krug, nos países desenvolvidos, as emissões estão fortemente ligadas ao setor de energia, enquanto nos países em desenvolvimento, o desafio está justamente concentrado na agropecuária, que, conforme a cientista, pode ter papel estratégico na mitigação dos impactos ao clima.

Durante a programação técnica, a pesquisadora Rosane Martinazzo, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Clima Temperado, proferiu uma palestra sobre os desafios enfrentados pelos biomas do Sul do Brasil diante das mudanças climáticas, com foco principal no Programa Recupera Rural RS, iniciativa coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com atuação da Embrapa e diversas instituições parceiras.

O programa surgiu como resposta aos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul e envolve ações emergenciais e estruturantes de médio e longo prazo, voltadas à recuperação agroprodutiva e ao fortalecimento da resiliência dos territórios rurais. A atuação é coletiva e abrangeu diversas ações iniciais, como doações e empréstimos de veículos e criação de uma sala de situação para análise de dados e apoio à tomada de decisão.

A partir da realização da oficina Recupera Rural RS, em 2024, com a reunião de 23 instituições, foram definidas ações prioritárias, que estão sendo desenvolvidas principalmente nas bacias dos rios Taquari-Antas e Baixo Jacuí. Na região de Bento Gonçalves e nos Campos de Cima da Serra, o foco está nas boas práticas agrícolas, recuperação de solos e gestão hídrica. Na região de Lajeado e Estrela, destacam-se as Unidades de Referência Tecnológica para a produção animal de pequena escala e as Unidades de Aprendizagem Coletiva voltadas à restauração ambiental, sistemas agroflorestais e monitoramento da fauna. Já na região de Eldorado do Sul e Viamão, a atenção se volta às boas práticas para restabelecimento da produção de arroz agroecológico e hortaliças, bem como à recomposição vegetal. Mesmo em regiões não diretamente impactadas por eventos extremos de maio de 2024, o programa tem promovido iniciativas como as Unidades de Referência para sistemas de Integração Lavoura-Pecuária.

Moderado por Clenio Pillon, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, o painel reuniu especialistas e representantes de diferentes setores para debater os desafios enfrentados pelos biomas Mata Atlântica e Pampa diante das mudanças climáticas. A secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do RS, Simone Stülp, destacou o papel estratégico da ciência na construção de soluções sustentáveis e adaptativas. Já Ernesto Casper, da Cooperativa Ecocitrus, compartilhou a experiência bem-sucedida da organização na gestão de resíduos agroindustriais e na valorização dos agricultores por meio do fortalecimento da cadeia produtiva, reduzindo a dependência de insumos externos.

Osmir Lavoranti, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Florestas, ressaltou a importância do setor florestal como ferramenta essencial para estratégias de sequestro de carbono, enquanto Eugênio Zanetti, vice-presidente da Fetag-RS, defendeu o reconhecimento e o apoio à agricultura familiar, que tem sofrido diretamente com os impactos climáticos. Já Paula Hofmeister, assessora ambiental da Farsul, lembrou que o Rio Grande do Sul foi pioneiro na agricultura de baixo carbono, e reforçou a necessidade de o estado assumir agora o protagonismo na construção de uma agricultura resiliente, capaz de responder às emergências climáticas que vêm se intensificando.

 





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