quinta-feira, março 19, 2026

Política & Agro

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Omã e Brasil trocam experiências sobre controle de pragas


A Embrapa Tabuleiros Costeiros recebeu, de 22 a 26 de setembro, a visita de seis pesquisadores e representantes técnicos de Omã, que participaram de capacitação com especialistas da Embrapa no manejo da broca-do-olho do coqueiro Rhynchophorus palmarum praticado no Brasil.

O objetivo é que alguma das tecnologias adotadas no Brasil possa ser adaptada para o manejo do bicudo-vermelho Rhynchophorus ferrugineus no país árabe, situado na costa sudeste da Península Arábica. O bicudo-vermelho é a principal praga das tamareiras em Omã e outros países do Oriente Médio e recentemente foi relatada no Brasil. 

Os pesquisadores Adenir Teodoro, Élio Guzzo e Aldomário Negrisoli, especialistas em pragas agrícolas, conduziram a capacitação técnica durante o encontro no Brasil, que foi um desdobramento da visita de Teodoro e Guzzo realizada em 2024 a Omã.

Fruto de parceria articulada por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores (MRE), a reunião também tratou de possibilidades de cooperação técnico-científica entre a Embrapa e pesquisadores de Omã, junto ao Ministério da Agricultura do sultanato árabe.

Veja abaixo o vídeo com momentos da visita da delegação de Omã ao Brasil

Na segunda (22), as equipes dos dois países apresentaram suas linhas de pesquisa e detalharam trabalhos voltados ao manejo de pragas agrícolas. No mesmo dia, as equipes visitaram laboratórios da Embrapa e viram de perto amostras de de insetos-praga e métodos de controle biológico e comportamental, como armadilhas de baixo custo para captura, inimigos naturais e fungos capazes de colonizar e eliminar os besouros e brocas. 

O segundo e terceiro dias da visita foram reservados para idas a campo para ver de perto plantios experimentais e comerciais, a incidência de pragas nos locais e os métodos de controle aplicados em campo. 

Na terça (23), as equipes visitaram o campo experimental da Embrapa Tabuleiros Costeiros em Itaporanga d’Ajuda, no Litoral Sul de Sergipe, onde são mantidos em campo bancos de conservação genética de coqueiros e experimentos voltados a melhoramento das plantas e sistema de produção. Na quarta (24), a visita ocorreu em fazendas de dendê e coco de Valença, BA, onde equipes da Embrapa e parceiros vêm coletando brocas-do-olho e monitorando sua população. 

Na reunião final, na sexta (26), as equipes discutiram os encaminhamentos para efetivar uma parceria, com apoio da ABC, para desenvolver projetos conjuntos de pesquisa para validar práticas e soluções de manejo do bicudo vermelho em Omã a partir do conhecimento gerado em conjunto. 

De acordo com Antônio Junqueira, coordenador de Cooperação Técnica Para África, Ásia, Oceania e Oriente Médio da ABC, que acompanhou as visitas nos dois países, o próximo passo deverá ser a construção de uma parceria para transferir tecnologia para o controle das pragas, com foco importante na aplicação de métodos sustentáveis baseados em insumos biológicos.

Adenir explica que o bicudo vermelho é considerado a principal praga das palmeiras no mundo, sendo muito mais agressivo e devastador que a broca-do-olho presente no Brasil. O pesquisador destaca que a troca de conhecimento com Omã deverá fortalecer não apenas o controle naquele país, mas também preparar o Brasil para conviver com a praga quando se ele vier a ser detectada nos nossos plantios. 

Para Rashid Al Shidi, diretor de Defesa Agrícola de Omã, o principal objetivo do governo do seu país, através do Ministério da Agricultura do país é promover a evolução da sua agricultura, promovendo uma aliança com as instituições de pesquisa do Brasil em busca de controles efetivos para as suas pragas agrícolas mais importantes.





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La Niña se aproxima e acende alerta para safra de soja


Com o avanço do plantio no Brasil e clima adverso nos Estados Unidos, o mercado da soja vive um momento de instabilidade. Ao mesmo tempo, a decisão da Argentina de zerar impostos sobre exportação pressiona preços e intensifica a competição global. A conjuntura global da soja tem se mostrado desafiadora. O anúncio do governo argentino de isentar temporariamente os impostos de exportação até 31 de outubro aumentou a competitividade dos grãos do país vizinho, impactando diretamente as cotações em Chicago. A expectativa de maior oferta nos embarques de novembro gerou pressão baixista, afetando contratos futuros.

De acordo com a análise de mercado da Grão Direto, nos Estados Unidos, o cenário climático contribui para a instabilidade. A intensificação do clima seco no Meio-Oeste, em plena fase de enchimento e maturação das lavouras, levanta dúvidas sobre o volume e qualidade da safra norte-americana, com riscos de grãos menores e menor teor de óleo.

Na Bolsa de Chicago, o contrato de novembro de 2025 caiu 1,17%, fechando a US$ 10,14 por bushel. Já o de março de 2026 recuou 1,13%, encerrando a US$ 10,49. No Brasil, o dólar subiu 0,38% na semana, cotado a R$ 5,34, mas sem força para conter o movimento de queda nas principais regiões produtoras.

Com o fim do vazio sanitário em estados como Goiás, o plantio da safra 2025/26 ganhou ritmo. No entanto, os produtores seguem em alerta. Modelos climáticos apontam mais de 70% de chance de ocorrência do fenômeno La Niña entre outubro e dezembro, o que pode comprometer o regime de chuvas no Centro-Oeste, norte de Minas e oeste da Bahia. A previsão também indica temperaturas elevadas, chegando a 40°C em algumas regiões.

Essa combinação de calor e déficit hídrico amplia o risco de estresse térmico nas lavouras em fase inicial, exigindo maior atenção ao manejo e à janela de plantio.

Do lado da demanda, a China já cobriu praticamente toda a necessidade de soja para outubro e cerca de 60% para novembro. Ainda restam de 10 a 11 milhões de toneladas a serem adquiridas até janeiro, mas os preços elevados no Brasil e na Argentina dificultam os negócios. Mesmo com margens apertadas ou negativas, os esmagadores chineses não podem parar de comprar, o que aumenta a pressão sobre o produtor brasileiro.

O ritmo das vendas por parte do produtor brasileiro será determinante: quanto maior a oferta, maior a tendência de recuo nos preços. Ao mesmo tempo, a agressividade argentina com descontos pode limitar qualquer tentativa de valorização. O mercado segue atento à divulgação do relatório Payroll nos EUA, que pode influenciar a política de juros do Federal Reserve. Uma possível redução da taxa básica na próxima reunião do FOMC, em 29 de outubro, poderia impactar o câmbio e as commodities de forma mais ampla.

 





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Fundecitrus integrará consórcio internacional para combater o greening com IA


O Fundecitrus passará a integrar o consórcio internacional “Save the Orange”, lançado na última semana em Boston (EUA). A iniciativa é coordenada pela Coca-Cola Company, com apoio do MIT Generative AI Impact Consortium — vinculado ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma das mais renomadas instituições de pesquisa e educação em tecnologia do mundo. O grupo também conta com a participação da Invaio Sciences, Microsoft, e outras instituições de referência em tecnologia, ciência de dados e biotecnologia. O objetivo é unir esforços no combate ao greening, considerada a doença mais grave que ameaça a produção mundial de laranjas, conectando pesquisas avançadas em inteligência artificial (IA) a aplicações práticas em diferentes setores.

No “Save the Orange”, a IA generativa será aplicada para acelerar pesquisas e simulações que possam reduzir o tempo de desenvolvimento de soluções contra a doença, que já devastou pomares nos Estados Unidos e ameaça o fornecimento global de citros. O Fundecitrus, reconhecido mundialmente por sua expertise em pesquisa e manejo da doença, terá papel de orientação e direcionamento do trabalho, usando os mais de 20 anos de experiência com pesquisas e manejo do greening.

Segundo o diretor executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, a participação da entidade reforça seu protagonismo na pesquisa e no combate às pragas cítricas. “O Fundecitrus é referência no mundo no desenvolvimento de estratégias de manejo para uma doença que não tem cura. Ao integrar esse consórcio, reafirmamos nosso compromisso histórico com soluções baseadas em ciência, transparência e inovação, em uma ampla rede colaborativa. Esse consórcio trará os principais cientistas dos EUA em IA e irá explorar uma nova área de forma integrada para acelerar as pesquisas e, assim, ganharmos tempo. O momento exige união e um esforço mundial para quebrarmos paradigmas e vencermos o greening”, destaca.

Nova frente de atuação

O projeto reúne especialistas de diversas áreas em busca de alternativas viáveis para conter o avanço do greening. Para o Fundecitrus, a colaboração internacional amplia as chances de desenvolver ferramentas práticas que cheguem ao campo e apoiem diretamente os produtores. “A união entre academia, indústria e centros de pesquisa é fundamental para acelerar descobertas e consolidar o enfrentamento ao greening como um esforço global, no qual o Fundecitrus assume protagonismo representando a citricultura brasileira”, afirma o pesquisador Franklin Behlau.

Nos próximos meses, pesquisadores do consórcio devem visitar pomares brasileiros para conhecer de perto a citricultura do país, bem como os estudos conduzidos pelo Fundecitrus sobre o manejo do greening e o controle do psilídeo transmissor da doença.





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Parceria internacional impulsiona pesquisa com extratos vegetais no combate ao cancro cítrico



A comitiva visitou a sede do Fundecitrus


Foto: Fundecitrus

O Fundecitrus recebeu, na semana passada, a visita do pesquisador Dirk Jan Scheffers, da Universidade de Groningen, na Holanda, acompanhado de sua aluna de doutorado Terezija Jovanovski, além dos professores Henrique Ferreira e Michel Brienzo, da Unesp Rio Claro. O encontro marcou mais uma etapa da parceria entre as instituições, voltada ao desenvolvimento de formulações à base de extratos vegetais para o combate ao cancro cítrico. Nesta fase, liderada pelo Fundecitrus, os trabalhos incluem experimentos de campo.

A comitiva visitou a sede do Fundecitrus, na companhia dos pesquisadores Franklin Behlau e Eduardo Gorayeb e da pós-doutoranda da instituição Beatriz Pecoraro Sanches, e o campo experimental de Votuporanga (SP). As pesquisas com extratos vegetais têm grande relevância para a citricultura por oferecerem alternativas sustentáveis e seguras ao uso do cobre, principal defensivo químico empregado no manejo da doença. “Essas formulações podem ser incorporadas ao manejo integrado, ampliando as ferramentas disponíveis para os produtores e reduzindo a pressão de seleção que favorece o surgimento de bactérias resistentes. Além disso, o uso desses produtos contribui para a segurança alimentar e facilita o atendimento às exigências de mercados consumidores mais rigorosos”, explica Gorayeb.

O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com a Netherlands Organization for Scientific Research (NWO), principal agência pública de fomento à pesquisa da Holanda.





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Fundecitrus apresenta estratégias no controle do greening e do psilídeo no VI SIMPROT, em Botucatu (SP)



O evento contou com a participação de cerca de 70 pessoas


Foto: Fundecitrus

O Fundecitrus participou, nesta segunda-feira (22), do VI Simpósio em Proteção de Plantas (SIMPROT), realizado em Botucatu (SP).

Organizado pela Unesp de Botucatu, o evento é voltado a estudantes, pesquisadores e profissionais da área, e contou com palestras de especialistas, apresentação de trabalhos científicos e debates sobre temas relevantes da Fitossanidade, abrangendo Entomologia, Fitopatologia, Matologia, Nematologia e Tecnologia de Aplicação.

O pesquisador da instituição Wellington Ivo Eduardo ministrou a palestra “Manejo do psilídeo Diaphorina citri”, destacando a importância da identificação, do monitoramento e do controle do inseto. “Durante a palestra, abordei a identificação das diferentes fases de vida do psilídeo e aspectos bioecológicos, como ciclo de vida, dispersão e flutuação populacional ao longo do ano, além de destacar a importância do monitoramento contínuo e da adoção de estratégias integradas de controle. O combate ao psilídeo exige não apenas ações pontuais, mas um esforço coordenado entre produtores, técnicos e pesquisadores. Eventos como o SIMPROT são fundamentais para promover discussões técnicas”, afirma.

Também representando o Fundecitrus, o engenheiro-agrônomo Murilo Piccin apresentou a palestra “Desafios para enfrentamento dogreening”, abordando os sintomas da doença, as características e a importância do manejo preventivo. “O Simpósio é uma oportunidade de trazer as dificuldades práticas que enfrentamos com o manejo do greening no campo para o ambiente científico e universitário. Essa troca de conhecimento é fundamental para fortalecer a citricultura”, destaca.





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Link FDC – Fundecitrus participa de evento para mulheres em Campos de Holambra (SP)



O evento apresentou palestras sobre a formação de mudas de citros


Foto: Fundecitrus

 

Um evento com mulheres e feito para as mulheres, precisa de uma mulher na apresentação, não é mesmo?! Por isso, quem comandou esta edição do Link FDC foi a engenheira-agrônoma do Fundecitrus Renilza Rita Silva. O evento apresentou palestras sobre a formação de mudas de citros, os principais desafios fitossanitários, técnicas de manejo e estratégias de comercialização das frutas.





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EUA investigam práticas anticompetitivas nos insumos



A análise deve se concentrar nas estratégias de precificação


A análise deve se concentrar nas estratégias de precificação
A análise deve se concentrar nas estratégias de precificação – Foto: Divulgação

O governo dos Estados Unidos anunciou em 25 de setembro o início de uma nova investigação para apurar possíveis práticas anticompetitivas entre fornecedores de insumos agrícolas, como fertilizantes, sementes e defensivos. A ação será conduzida em conjunto pelo Departamento de Agricultura (USDA) e pelo Departamento de Justiça (DOJ), em resposta ao cenário de custos elevados e voláteis que vêm pressionando produtores rurais já impactados por preços mais baixos das safras e pelas disputas comerciais internacionais. O objetivo é avaliar se a concorrência está sendo limitada, dificultando o acesso dos agricultores a insumos a preços justos e comprometendo a competitividade do setor.

Embora ainda não haja detalhes mais profundos sobre o alcance da investigação, a medida reforça a preocupação do governo com a concentração de mercado e com possíveis abusos de poder econômico por parte das grandes indústrias do setor. A análise deve se concentrar nas estratégias de precificação e nos contratos de fornecimento, investigando se existem barreiras artificiais que impedem maior equilíbrio entre oferta e demanda.

Esse movimento regulatório soma-se a um cenário de crescente pressão sobre o agronegócio norte-americano, em que políticas comerciais e medidas governamentais já vêm sendo apontadas como fatores que restringem a oferta e contribuem para a elevação dos custos. Para os produtores, que enfrentam margens de lucro cada vez mais estreitas, qualquer avanço em transparência e competitividade pode significar maior fôlego para manter a sustentabilidade de suas atividades.





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Nova resolução do CMN traz alívio financeiro para produtores rurais, mas exige atenção aos detalhes


Por Dr Henrique Lima

O setor agropecuário acaba de ganhar uma nova oportunidade para reorganizar suas finanças. A Resolução CMN nº 5.247, publicada recentemente, regulamenta a Medida Provisória nº 1.314/2025 e estabelece condições especiais para renegociação, amortização ou quitação de dívidas rurais, beneficiando produtores de todos os portes, cooperativas e associações.

Para entender os impactos dessa medida, conversamos com o Dr. Henrique Lima, sócio fundador do Lima & Pegolo Advogados Associados, escritório full service com mais de 20 anos de experiência, com sedes em Campo Grande (MS), Curitiba (PR) e São Paulo (SP), atendendo clientes em todo o Brasil. O escritório tem forte atuação na defesa de produtores rurais e empresas do agronegócio em questões administrativas e judiciais.

“A resolução cria um caminho para reorganizar as finanças do produtor”

Pergunta: Dr. Henrique, em linhas gerais, o que muda com a Resolução CMN nº 5.247 e qual o objetivo principal desta norma?

Dr. Henrique Lima:

 A resolução traz alívio financeiro para os produtores que enfrentaram dificuldades nos últimos anos, principalmente por conta de eventos climáticos adversos, como secas, enchentes e outras calamidades.

 Ela permite que sejam renegociadas, amortizadas ou quitadas dívidas rurais, incluindo operações de custeio, investimento e Cédulas de Produto Rural (CPRs).

 É uma medida importante porque reconhece formalmente os prejuízos sofridos no campo e oferece condições especiais para que produtores, cooperativas e associações possam se reorganizar financeiramente e continuar produzindo.

Cuidado com as informações apresentadas aos bancos

Pergunta: Essa notícia traz um grande alívio, mas também exige atenção. Quais os principais cuidados que o produtor deve ter ao aderir a essa renegociação?

Dr. Henrique Lima:

É essencial que o produtor tenha muito cuidado com as informações apresentadas às instituições financeiras.

Para renegociar a dívida, ele precisa fornecer documentos como laudos técnicos, registros de produção e relatórios financeiros. Porém, se esses dados forem incompletos ou divergentes, isso pode comprometer o processo.

Em alguns casos, esses documentos podem ser utilizados contra o próprio produtor em uma eventual disputa judicial.

Por isso, a orientação é buscar assessoria jurídica especializada antes de formalizar o pedido, garantindo que todas as informações estejam corretas e consistentes.

O produtor deve ter em mente que, embora possa existir uma relação cordial com o gerente do banco, o papel dele é defender os interesses da instituição financeira. No final, o objetivo do gerente é garantir que a dívida seja paga, ainda que isso possa resultar na perda de patrimônio do produtor ou em impactos para sua família. É importante que o produtor se resguarde, entendendo que a prioridade do banco será sempre a segurança financeira da instituição.

Critérios para aderir à renegociação

Pergunta: Quais são os requisitos que o produtor deve cumprir para ter acesso aos benefícios previstos na resolução?

Dr. Henrique Lima:

 A resolução estabelece critérios específicos de elegibilidade, como:

  • Ter contratado a operação até 30/06/2024.

     
  • O município do produtor deve ter sido reconhecido, em pelo menos dois anos entre 2020 e 2024, como estando em situação de emergência ou calamidade pública, com reconhecimento federal.

     
  • Comprovação de perdas por eventos climáticos:

     

    • Redução mínima de 20% em duas das três principais atividades agrícolas, ou

       
    • Quebra superior a 30% em duas ou mais safras no período de 2020 a 2024.

       

  • Demonstração de dificuldades financeiras, como fluxo de caixa comprometido ou aumento do endividamento.

     

Esses critérios são fundamentais, pois garantem que os benefícios sejam direcionados a quem realmente sofreu prejuízos relevantes.

Quem pode se beneficiar e prazos para adesão

Pergunta: Quem está apto a participar e quais são os prazos estabelecidos?

Dr. Henrique Lima:

 O benefício é amplo e contempla:

  • Produtores rurais de todos os portes, desde o pequeno agricultor do Pronaf até grandes produtores;

     
  • Cooperativas de produção;

     
  • Associações e condomínios de produtores rurais.

     

Quanto aos prazos:

  • Para operações com recursos supervisionados, a contratação deve ser feita até 10/02/2026.

     
  • Para recursos livres, o limite vai até 15/12/2026.

     
  • As dívidas precisam estar adimplentes até 05/09/2025 para que possam ser renegociadas ou prorrogadas.

     


Orientação final: planejamento e segurança jurídica

Pergunta: Qual mensagem o senhor deixa aos produtores que desejam aproveitar essa oportunidade?

Dr. Henrique Lima:

 O momento é de organização e cautela.

 Minha recomendação é que o produtor:

  • Reúna toda a documentação necessária com antecedência;

     
  • Verifique se os dados estão corretos e coerentes;

     
  • Procure orientação jurídica antes de assinar qualquer acordo.

     

Essa resolução pode ser decisiva para recuperar a saúde financeira do negócio, mas, se mal conduzida, pode gerar problemas futuros, inclusive na esfera judicial.

 Com planejamento e acompanhamento especializado, é possível aproveitar os benefícios da norma com segurança.





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Mercado interno segue comprando milho apenas o necessário


De acordo com análise divulgada pelo Grão Direto nesta segunda-feira (29), o preço do milho deve permanecer estável ao longo da semana. A comercialização segue lenta, com produtores negociando em média entre 1% e 1,5% por semana. O frete rodoviário elevado desestimula as vendas, pois gera desconto no embarque. No Mato Grosso, as usinas de etanol compram apenas para atender à demanda imediata, sem espaço para milho de exportação.

Segundo o Grão Direto, “a janela de comercialização externa praticamente se perdeu, já que não há como competir em preço com o mercado interno”.

O mercado interno continua originando milho principalmente de Mato Grosso e de Goiás. No Mato Grosso, as negociações giraram entre R$ 48,00 e R$ 50,00 por saca, enquanto em Goiás os valores estão em torno de R$ 56,00 por saca. “No momento, não há grandes movimentos: as cooperativas realizam vendas, mas o produtor segura a oferta, e os compradores internos enviam comprando apenas o necessário para manter a rotatividade dos estoques”, informou a análise.

No cenário internacional, a colheita nos Estados Unidos avança e pode trazer movimentos mais drásticos para o mercado. Nesta semana, um ponto de atenção é a possibilidade de paralisação do governo norte-americano, gerada por atritos políticos do ex-presidente Donald Trump dentro do próprio governo e no embate contra os democratas. “Uma paralisação desse tipo poderia atrasar a divulgação de dados importantes, como as exportações dos EUA, o relatório do CFTC, os indicadores do setor agrícola e o próprio Payroll da sexta-feira”, destaca o estudo.

Outro fator apontado pelo Grão Direto é que na quarta-feira haverá feriado na China, o que pode coincidir com uma eventual paralisação nos EUA e reduzir ainda mais a liquidez do mercado. Além disso, o último relatório da CFTC mostrou que os fundos estão na maior posição líquida vendida nos últimos 12 meses em commodities agrícolas. “Isso aumenta o risco: se os agentes ficarem sem dados atualizados, podem optar por recomprar parte dessas posições vendidas para não ficarem tão expostos, ou que possam sustentar os preços do milho e da soja na Bolsa de Chicago”, diz a análise.

No Brasil, segundo o Grão Direto, o preço tende a seguir estável ou recuar um pouco diante da fragilidade de atuação do produtor e do frete elevado. Em Chicago, pode haver alta pontual caso uma paralisação nos EUA leve fundos a recomprar posições vendidas e reduza a oferta de dados no curto prazo.





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Justiça suspende liminar que proibia herbicida 2,4-D no RS



Entenda a decisão do TJRS que suspendeu a proibição



Foto: Canva

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul suspendeu, nesta quinta-feira (25/9), a decisão que proibia o uso do herbicida 2,4-D na Campanha Gaúcha e em áreas próximas a cultivos sensíveis. A medida tem efeitos imediatos e alivia a pressão sobre produtores rurais às vésperas do plantio da safra 2025/2026.

Segundo informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça, o Desembargador Francesco Conti, da 4ª Câmara Cível do TJRS, concedeu efeito suspensivo ao recurso apresentado pelo Governo do Estado. A decisão reverte, de forma temporária, a sentença da Vara Regional do Meio Ambiente que atendia a um pedido da Associação Gaúcha de Produtores de Maçã e da Associação dos Produtores de Vinhos Finos da Campanha Gaúcha.

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Essas entidades alegaram prejuízos ambientais e econômicos decorrentes da deriva — o deslocamento do produto pelo vento — do herbicida 2,4-D, amplamente utilizado no controle de plantas daninhas. A sentença anterior determinava a proibição do produto em toda a Campanha Gaúcha e restringia seu uso a no mínimo 50 metros de distância de vinhedos e pomares de maçã no restante do estado. No recurso, o Estado argumentou que a proibição geraria impactos significativos, especialmente por ter sido emitida próximo ao início da nova safra, quando os produtores já haviam adquirido insumos e equipamentos.

Ao deferir o pedido, o Desembargador considerou que a suspensão imediata do uso de um insumo essencial ao manejo agrícola, sem transição adequada, poderia gerar “abalo significativo e de consequências imprevisíveis” para a economia do setor. Ele também destacou a ausência de definição clara sobre os municípios incluídos na região da Campanha Gaúcha, o que ampliava a insegurança jurídica.

A decisão não encerra o processo, que seguirá para análise do colegiado da 4ª Câmara Cível. Até lá, o uso do 2,4-D está autorizado no estado. O caso reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas eficazes de fiscalização e monitoramento do uso de defensivos, equilibrando segurança ambiental e previsibilidade para o setor produtivo.





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