terça-feira, março 10, 2026

Política & Agro

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Controle industrial redefine disputa pelas terras raras



Nesse aspecto, a China construiu uma vantagem estrutural


 Nesse aspecto, a China construiu uma vantagem estrutural
Nesse aspecto, a China construiu uma vantagem estrutural – Foto: Canva

A discussão sobre terras raras ganha relevância crescente no cenário econômico global por envolver insumos estratégicos para tecnologia, transição energética e defesa, além de intensificar disputas geopolíticas. Análise de Gilberto Silva, MSc., mestre em Geociências pela Unicamp, mostra que as maiores reservas globais desses metais estão concentradas em poucos países, com ampla liderança da China, seguida por Brasil, Índia e Austrália, dentro de um volume estimado entre 130 e 160 milhões de toneladas.

Os dados indicam que a presença de reservas não garante, por si só, poder econômico ou influência estratégica. O fator determinante está na capacidade de processamento, separação, refino e integração industrial, etapas que definem quem transforma o minério em produtos de alto valor agregado. Nesse aspecto, a China construiu uma vantagem estrutural ao controlar praticamente toda a cadeia produtiva das terras raras, utilizando esse domínio como instrumento de política econômica e geopolítica.

Em contraste, Estados Unidos e outros países ocidentais enfrentam limitações relevantes. Mesmo dispondo de reservas próprias, permanecem dependentes da Ásia para o processamento, o que amplia riscos para suas cadeias industriais e tecnológicas. A escassez, portanto, não está no volume disponível de minério, mas na falta de capacidade industrial viável, eficiente e alinhada a critérios ambientais.

Brasil e Índia aparecem como polos de potencial estratégico. Com grandes recursos geológicos e cadeias produtivas ainda pouco desenvolvidas, os dois países ganham importância no tabuleiro global, atraindo interesse por investimentos diretos e parcerias de longo prazo. Nesse contexto, a disputa pelas terras raras se mostra menos associada à posse dos recursos e mais ao controle do ecossistema industrial que permite transformar essas reservas em poder econômico.

 





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Disputa logística redefine rotas minerais africanas


A crescente demanda global por minerais críticos colocou a África Austral no centro de uma disputa geoeconômica entre rotas logísticas que ligam o interior do continente aos oceanos Atlântico e Índico. A análise é de Ivo Ernesto, especialista sênior de Supply Chain e Intermodalidade, que destaca a competição entre corredores da Zâmbia e da República Democrática do Congo como um dos principais vetores de mudança no comércio mineral.

Zâmbia e RDC passaram a concentrar atenções à medida que quatro corredores disputam o mesmo hinterland, especialmente a região do Copperbelt. No Atlântico, os portos de Lobito, em Angola, e Walvis Bay, na Namíbia, oferecem acessos terrestres de cerca de 1.300 e 1.700 quilômetros. No Índico, Dar es Salaam, na Tanzânia, conecta-se a Lusaka por aproximadamente 2.000 quilômetros, enquanto Nacala, via Malawi, e Durban, na África do Sul, completam as principais rotas em operação.

A vantagem atlântica está associada à menor distância terrestre até os mercados da Europa e das Américas. A ligação por Lobito reduz cerca de 700 quilômetros em relação a Dar es Salaam, com tempo de trânsito estimado em três dias, contra até duas semanas pela rota de Durban. Essa diferença pode representar economias de centenas de dólares por tonelada transportada. Considerando um volume anual de 880 mil toneladas de cobre zambiano, cada dia economizado no escoamento pode gerar milhões de dólares adicionais em receitas.

O Índico mantém competitividade pela proximidade com a Ásia. China, Índia e Sudeste Asiático contam com rotas marítimas mais curtas, infraestrutura portuária consolidada e linhas de navegação estabelecidas. Atualmente, Dar es Salaam responde por cerca de 60% das exportações da Zâmbia, seguido por Durban, com 20%, e Nacala, com 15%, em expansão.

Nesse cenário, o mesmo minério pode seguir para o Oeste ou para o Leste conforme o mercado final, mas é a infraestrutura terrestre que define o custo logístico total. A disputa reposiciona a Zâmbia como um território multiconectado, levantando a questão sobre a capacidade do corredor atlântico de equilibrar o domínio histórico do Índico.

 





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Reforma tributária amplia peso do enquadramento rural



A avaliação entre pessoa física e pessoa jurídica ganha peso


A avaliação entre pessoa física e pessoa jurídica ganha peso
A avaliação entre pessoa física e pessoa jurídica ganha peso – Foto: Pixabay

A Reforma Tributária prevista para 2026 impõe novos desafios ao produtor rural e amplia a importância das decisões ligadas ao enquadramento fiscal da atividade. Segundo a contadora Liciene França, a escolha entre atuar como pessoa física ou pessoa jurídica deixa de ser apenas uma definição operacional e passa a ter impacto direto na estratégia do negócio rural.

Com as mudanças no sistema de tributos, a tendência é de aumento na diferença de carga tributária entre os dois modelos, o que exige atenção redobrada por parte dos produtores. Um enquadramento inadequado pode resultar em perda de créditos tributários, elevação do custo fiscal e reflexos negativos no resultado financeiro da atividade, afetando desde o fluxo de caixa até a capacidade de investimento.

A avaliação entre pessoa física e pessoa jurídica ganha peso em um cenário no qual o planejamento tributário se torna indispensável. A decisão incorreta pode comprometer a competitividade do produtor no mercado e gerar efeitos duradouros sobre o patrimônio construído ao longo dos anos. Por outro lado, uma escolha bem fundamentada permite maior previsibilidade dos custos e melhor aproveitamento das regras do novo sistema.

A partir de 2026, o planejamento deixa de ser uma alternativa e passa a ser uma necessidade para quem atua no campo. A definição do enquadramento mais adequado funciona como uma ferramenta de proteção do resultado econômico da produção rural, ajudando a reduzir riscos e a sustentar a atividade em um ambiente tributário mais complexo. A decisão entre pessoa física ou jurídica deve ser encarada como parte central da gestão do negócio, com foco na preservação do caixa, da competitividade e da segurança patrimonial do produtor.

 





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Pressão de custos altera margens da soja no Centro-Oeste



Do lado da receita bruta, o comportamento foi predominantemente negativo


Do lado da receita bruta, o comportamento foi predominantemente negativo
Do lado da receita bruta, o comportamento foi predominantemente negativo – Foto: Divulgação

A análise dos custos, da receita e da margem da produção de soja no Centro-Oeste revela um cenário de maior pressão econômica para as próximas safras, exigindo atenção redobrada nas decisões de gestão e planejamento. Segundo levantamento apresentado por Leonardo Machado, Gerente de Desenvolvimento de Mercado, a estimativa para as safras 2024/25 e 2025/26 indica mudanças relevantes nos principais indicadores da atividade nos estados da região.

Os dados mostram que todos os estados analisados registraram aumento no custo operacional total em áreas de terra própria, sinalizando avanço consistente das despesas de produção. Esse movimento amplia os desafios de rentabilidade e reforça a necessidade de maior eficiência no uso de insumos e na condução das lavouras.

Do lado da receita bruta, o comportamento foi predominantemente negativo, com retração nos valores totais na maior parte do Centro-Oeste. A exceção ficou com Mato Grosso do Sul, onde a valorização do preço da soja, superior a 8%, sustentou a receita mesmo diante do aumento dos custos.

Goiás manteve, pela segunda safra consecutiva, o maior custo de produção entre os estados avaliados. Ainda assim, o desempenho produtivo mais elevado compensou as despesas, resultando na maior receita bruta e, consequentemente, na maior margem líquida do grupo analisado.

Em Mato Grosso do Sul, os preços de comercialização da soja se destacam como os mais favoráveis da região. Para a safra 2025/26, a expectativa é de valores ainda mais positivos, o que levou o estado a ser o único a registrar crescimento da margem líquida no período considerado.

O Mato Grosso apresentou o quadro mais preocupante, com queda superior a 40% na margem líquida. O resultado reflete a combinação do maior aumento no custo de produção com a maior redução na receita bruta entre os estados avaliados, acendendo um sinal de alerta para a sustentabilidade econômica da atividade.





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Setor projeta novo avanço em 2026; risco sanitário segue no radar



ABPA estima o consumo per capita de carne de frango em 47,3 kg em 2026, alta de 1,2%


Foto: Canva

Pesquisadores do Cepea apontam que a avicultura de corte brasileira deve manter trajetória de crescimento em 2026, sustentada pelo avanço das exportações, pela oferta ajustada às demandas interna e externa e por margens favoráveis ao produtor. Esse cenário, porém, depende da ausência de novos focos de Influenza Aviária, sobretudo durante o período crítico do fluxo migratório de aves.

A ABPA estima o consumo per capita de carne de frango em 47,3 kg em 2026, alta de 1,2% frente a 2025. Agentes consultados pelo Cepea ressaltam que a isenção do imposto de renda para salários até R$ 5 mil deve contribuir para sustentar a demanda interna. O Brasil responde por cerca de um terço da carne de frango exportada globalmente e manteve liderança mesmo diante de restrições pontuais provocadas pela gripe aviária. Projeções do Cepea apontam incremento de 2,4% nos embarques em 2026 e produção de 14,73 milhões toneladas, aumento de 3,8% sobre 2025. A concretização desse desempenho requer controle sanitário rigoroso, já que eventuais focos em granjas podem resultar em barreiras imediatas de importadores – como ocorrido em maio/25.

O Cepea destaca a necessidade de monitoramento contínuo do vírus H5N1, considerando surtos recentes na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, impulsionados pela migração de aves. O período crítico coincide com a chegada de aves migratórias, entre maio e julho. Apesar do alerta, o setor brasileiro dispõe de elevado nível de biosseguridade e de capacidade técnica e comercial para responder a eventuais ocorrências, como demonstrado em 2025. 





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Mercados de grãos começam o ano com sinais divergentes


O início de 2026 trouxe movimentos mistos para os principais grãos negociados nos mercados internacionais, com trigo e soja pressionados por fatores de oferta e indicadores  técnicos, enquanto o milho apresentou reação positiva sustentada pela demanda global. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário reflete a combinação entre fundamentos amplos, comportamento dos fundos e ajustes típicos do começo do ano.

No mercado de trigo, as cotações recuaram na Bolsa de Chicago, influenciadas pela ampla disponibilidade mundial. Esse volume elevado mantém os compradores confortáveis e reforça um sentimento negativo entre os fundos. Mesmo as tensões no Mar Negro perdem relevância diante da oferta abundante em outras origens, como a Argentina, que pode suprir eventuais falhas logísticas da região. Os preços FOB na América do Sul indicam competitividade, com referências para Argentina, Uruguai e Paraguai em diferentes padrões de qualidade e prazos de embarque.

A soja iniciou o ano sob forte pressão em Chicago, com perdas expressivas nos contratos de curto e médio prazo. No mercado físico brasileiro, os preços também cederam tanto no interior do Paraná quanto no porto de Paranaguá. A China mostrou atividade moderada na última sessão do ano anterior, adquirindo alguns carregamentos de soja brasileira, mas não há expectativa de novas compras no curto prazo devido ao fechamento da Bolsa de Dalian. Os prêmios de exportação da soja subiram levemente, enquanto farelo e óleo mantiveram bases estáveis na América do Sul. 

Indicadores chineses apontaram queda no esmagamento semanal e ajustes pontuais nos estoques. Do ponto de vista técnico, o complexo da soja renovou mínimas, com indicadores negativos e rompimento de suportes relevantes, reforçando perspectivas de pressão adicional. Para o novo ano, pesam fatores como o rebalanceamento de fundos, o clima favorável no Brasil, que eleva estimativas de produção, e a expectativa de aumento de área nos Estados Unidos.

O milho, por sua vez, abriu o ano em alta em Chicago, sustentado pela demanda mundial considerada elástica o suficiente para absorver o crescimento da produção global. No Brasil, os contratos na B3 e o mercado físico mostraram estabilidade, enquanto referências de exportação no Paraguai e no Sul do país indicam níveis firmes. Entre os indicadores externos, o dólar recuou no mercado brasileiro, o petróleo operou em leve baixa, pressionando soja e milho, e o índice do dólar avançou, fator negativo para o trigo.

 





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Safras cheias moldam preços dos grãos em 2025



A soja iniciou 2025 em forte desvalorização


A soja iniciou 2025 em forte desvalorização
A soja iniciou 2025 em forte desvalorização – Foto: Pexels

O cenário macroeconômico do agronegócio em 2025 foi marcado por ampla oferta de grãos e efeitos diretos sobre as cotações das principais commodities. Segundo análise da Céleres, estoques elevados e expectativas de safras cheias pressionaram os preços da soja e do milho ao longo do ano, com movimentos distintos entre os semestres.

A soja iniciou 2025 em forte desvalorização, influenciada por estoques de passagem elevados e pela perspectiva de uma safra recorde no Brasil. Durante o pico da colheita 2024/25, as cotações em Mato Grosso chegaram a R$ 110,0, refletindo o excesso de oferta no mercado interno. Esse movimento limitou a rentabilidade do produtor nos primeiros meses do ano e reforçou a pressão sobre os preços regionais.

No segundo semestre, porém, o quadro mudou. A entressafra coincidiu com o agravamento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, o que levou o país asiático a reduzir as importações de soja americana. Nesse contexto, o Brasil consolidou-se como principal fornecedor, com exportações que alcançaram 107,5 milhões de toneladas ao longo do ano. Esse reposicionamento no comércio internacional permitiu a recuperação das perdas acumuladas no início de 2025, com tendência de encerramento do ano em patamar mais valorizado.

No mercado de milho, o primeiro semestre foi marcado por valorização no mercado interno. Problemas climáticos na safra de verão, associados aos efeitos do El Niño, além de estoques de passagem restritos e demanda doméstica aquecida, especialmente pela indústria de etanol, sustentaram o avanço das cotações. Já no segundo semestre, a combinação de produção recorde e retração das exportações, impactadas pela valorização do real e pela elevação da paridade de exportação, resultou em sobreoferta no mercado interno, pressionando os preços para baixo.

 





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Indústria recebe R$ 643 bilhões e amplia projetos no país


O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que, em 2025, consolidou e ampliou programas e ações estruturantes desenvolvidos desde 2023, no âmbito da política industrial brasileira. Segundo a pasta, as iniciativas reforçam o compromisso com um modelo industrial voltado à inovação, à exportação, à sustentabilidade, à competitividade e à inclusão.

Sob a gestão do vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin e a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o MDIC atuou para ampliar o acesso a novos mercados, atrair investimentos estrangeiros e melhorar o ambiente de negócios. De acordo com o ministério, essas ações contribuíram para mitigar os efeitos do aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O MDIC destacou que as negociações para a redução das tarifas adicionais exigiram meses de diálogo com autoridades norte-americanas e representantes do setor empresarial dos dois países. Como resultado, foi estruturado o Plano Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 40 bilhões em crédito para empresas afetadas, além de outras medidas. Paralelamente, o processo levou à eliminação das tarifas sobre grande parte dos produtos exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano.

Ainda em 2025, os recursos do Plano Mais Produção, instrumento de financiamento da Nova Indústria Brasil (NIB), alcançaram R$ 643,3 bilhões. Segundo o MDIC, 93% desse montante já foi contratado e direcionado a cerca de 406 mil projetos industriais em todas as regiões do país.

Entre os programas vinculados à NIB, o ministério apontou como destaques o Carro Sustentável, que zerou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos de entrada, e a Política Nacional de Datacenter. Esta última criou o programa Redata, com foco no estímulo à construção de centros de dados no Brasil e no desenvolvimento de cadeias produtivas associadas a semicondutores, tecnologia da informação e cabos submarinos, em articulação com investimentos em energia renovável.

Em um contexto de retração do comércio internacional, marcado pelo avanço do protecionismo e de barreiras tarifárias, o governo brasileiro reafirmou, em 2025, a defesa do multilateralismo. Conforme o MDIC, esse posicionamento se traduziu na busca pela abertura de novos mercados para produtos nacionais, com destaque para a assinatura do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e os países da EFTA e o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia.

O ministério informou ainda que avançaram, ao longo do período, iniciativas voltadas à redução de custos e prazos para a realização de negócios, por meio da facilitação, simplificação e desburocratização de processos. Também foram intensificados esforços para ampliar a competitividade da indústria nacional, com medidas de defesa comercial, contenção de surtos de importação e redução tarifária para produtos e insumos não produzidos no país.





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Europa compra menos e indústria fica mais cautelosa


O ano de 2026 tende a ser um dos mais desafiadores para a citricultura brasileira, segundo dados que foram divulgados pelo Cepea. Apesar de a safra 2025/26 indicar um bom volume de produção, fatores sanitários e climáticos vêm limitando o desempenho esperado no campo.

Pesquisadores do Cepea apontam que o potencial produtivo tem sido parcialmente comprometido pelas elevadas quedas de frutos. Esse movimento está relacionado ao avanço de doenças como o greening e o cancro, além de condições climáticas desfavoráveis em etapas relevantes do desenvolvimento da temporada.

Enquanto a produção enfrenta esses entraves, o mercado também lida com um ambiente mais difícil do lado da demanda. Segundo dados que foram divulgados pelo Cepea, as compras de suco de laranja na Europa seguem em ritmo mais lento, o que tem dificultado as negociações da commodity nos patamares atuais de preços.

Com o enfraquecimento das vendas, a tendência é de recomposição dos estoques de suco nas processadoras. Pesquisadores do Cepea indicam que esse movimento reduz a urgência da indústria em adquirir novas cargas de fruta, mudando a dinâmica das negociações no curto prazo.

Nesse contexto, a disputa entre vendedores e compradores de suco se intensifica. Segundo dados que foram divulgados pelo Cepea, a indústria tem adotado postura mais cautelosa nas compras e repassado a pressão do mercado aos valores pagos aos produtores.

Pelo lado da oferta, a safra 2025/26 deve somar pouco menos de 300 milhões de caixas de 40,8 kg, conforme apontam pesquisadores do Cepea. Ainda assim, a temporada tem contribuído para recompor estoques, já que, apesar de mais tardia, apresentou frutas de boa qualidade.

O olhar do setor, porém, já se volta para 2026/27. Pesquisadores do Cepea destacam a preocupação com a persistência do greening e do cancro cítrico, que continuam elevando os custos de produção e limitando ganhos de produtividade.

Quanto ao desenvolvimento da safra 2026/27, o clima mais heterogêneo entre regiões tende a criar condições bastante distintas entre as praças produtoras, sobretudo em relação à primeira florada, segundo dados que foram divulgados pelo Cepea.

A segunda florada, por sua vez, vem ocorrendo em condições melhores na maior parte das regiões. Pesquisadores do Cepea indicam que isso pode, novamente, tornar a temporada mais tardia, repetindo o padrão observado em 2025/26.





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prazo para relatório de cancro e greening termina dia 15



Estado cobra envio de relatório sobre cancro e greening



Foto: Seane Lennon

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Defesa Agropecuária, alertou os produtores de citros sobre o prazo para entrega do relatório Cancro/HLB (Greening), que deve ser enviado até 15 de janeiro. O documento precisa ser encaminhado pelo sistema informatizado de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave) e deve conter os resultados das vistorias trimestrais realizadas entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2025 em todas as plantas cítricas da propriedade.

De acordo com a Secretaria, o relatório reúne informações das inspeções obrigatórias para Cancro Cítrico e Greening e é exigido de todos os produtores, independentemente da idade das plantas. A pasta reforçou que o atraso ou a não entrega do documento pode resultar em penalidades previstas no Decreto Estadual nº 45.211, de 19 de setembro de 2000.

A obrigatoriedade está alinhada à Portaria MAPA nº 1.326, de 4 de julho de 2025, que instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle ao HLB. No Estado de São Paulo, a eliminação de plantas com sintomas da doença segue a Resolução SAA nº 88, de 7 de dezembro de 2021, válida para pomares com até oito anos, além do monitoramento e controle do psilídeo em todas as áreas cultivadas. Segundo a Defesa Agropecuária, “o cumprimento das medidas é essencial para a prevenção e o controle das principais doenças da citricultura”.

O Cancro Cítrico é provocado pela bactéria Xanthomonas citri pv. citri e afeta todas as variedades de citros, causando lesões em folhas, frutos e ramos, além de desfolha e queda de frutos em casos de maior incidência. Desde 2017, São Paulo é reconhecido pelo Ministério da Agricultura como área sob Sistema de Mitigação de Risco, o que permite a adoção de medidas fitossanitárias para reduzir o potencial de disseminação da praga e viabilizar a comercialização de frutos sem sintomas no mercado interno e externo.

Já o HLB, também conhecido como Greening, é causado pela bactéria Candidatus Liberibacter spp. e transmitido pelo psilídeo Diaphorina citri. A doença não tem cura e, uma vez infectada, a planta passa a ser fonte de contaminação para o pomar. A Secretaria destacou que o Greening é atualmente “a principal ameaça à citricultura mundial”, o que reforça a importância do monitoramento contínuo e da entrega do relatório dentro do prazo.





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