quarta-feira, março 18, 2026

Política & Agro

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Mercado do boi gordo segue estável



Compradores alongam escalas e reduzem ofertas



Foto: Canva

De acordo com a análise divulgada na sexta-feira (12) pelo informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, as cotações do boi gordo, da novilha e do “boi China” registraram quedas ao longo da segunda semana de setembro. Segundo a publicação, “a oferta de bovinos confortável atendeu à demanda com tranquilidade, permitindo que parte dos compradores alongasse suas escalas”. O cenário desacelerou as negociações e, conforme o informativo, “na sexta-feira, parte da indústria frigorífica optou por se manter fora das compras, aguardando um melhor posicionamento do mercado em relação aos preços e ao desenrolar das vendas de carne”. Entre os compradores ativos, “as negociações ocorreram com cautela: alguns reduziram suas ofertas, contudo, a ponta vendedora se manteve firme”.

Dessa forma, o informativo aponta que “as cotações de todas as categorias permaneceram estáveis na comparação dia a dia”. As escalas de abate ficaram, em média, em dez dias.

Na Bahia, “embora não houvesse excedentes, a oferta conseguiu suprir a demanda, permitindo um alongamento das escalas”. Com isso, “na região Oeste, a cotação do boi gordo recuou R$3,00/@, enquanto a das fêmeas permaneceu estável em relação ao dia anterior”. Na região Sul do estado, “as cotações permaneceram estáveis para todas as categorias”.

Em Santa Catarina, “a oferta e a demanda estiveram equilibradas, o que contribuiu para que as cotações se mantivessem as mesmas durante toda a semana, cenário que se repetiu na sexta-feira”, informa o “Tem Boi na Linha”.





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Trigo volta a romper piso dos US$5 em Chicago



Colheita do trigo de primavera avança nos EUA



Foto: Canva

Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 5 a 11 de setembro e publicada nesta quinta-feira (11), o primeiro mês cotado para o trigo em Chicago voltou a romper o piso dos US$ 5,00/bushel no dia 10/09, após quase um mês, ao fechar em US$ 4,95. No dia seguinte, 11/09, véspera do relatório de oferta e demanda do USDA, o bushel do cereal subiu levemente e fechou em US$ 5,03, contra US$ 5,02 registrado uma semana antes.

Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de primavera atingia 85% da área semeada até 07/09, frente à média histórica de 84%. Já o plantio da nova safra de trigo de inverno alcançava 5% da área esperada, contra 6% na média histórica.

Os embarques de trigo estadunidense, na semana encerrada em 4 de setembro, somaram 424.993 toneladas, dentro do esperado pelo mercado. Com isso, o total embarcado no atual ano comercial, iniciado em 1º de junho, chega a 7,1 milhões de toneladas, ficando 10% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.





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É possível colher mais com menos insumos?


O uso de inoculantes agrícolas tem se consolidado como uma das práticas mais eficientes e sustentáveis para a produção de culturas como soja, feijão, milho e pastagens. Esses produtos biológicos contêm microrganismos vivos capazes de promover o crescimento das plantas por diferentes mecanismos, como a fixação biológica de Nitrogênio, a solubilização de nutrientes e o estímulo ao desenvolvimento radicular. Quando aplicados corretamente, os inoculantes podem substituir total ou parcialmente o uso de fertilizantes químicos nitrogenados, trazendo ganhos econômicos e ambientais ao sistema produtivo.

A seleção adequada do inoculante é o primeiro passo para o sucesso da prática. É essencial utilizar produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com cepas específicas e recomendadas para cada cultura. Por exemplo, o Bradyrhizobium japonicum é indicado para soja, enquanto o Azospirillum brasilense vem sendo utilizado em gramíneas como milho e pastagens. O uso de produtos fora da validade ou de origem duvidosa pode comprometer toda a estratégia, uma vez que microrganismos mortos ou contaminados não trazem benefícios à planta.

Outro ponto crítico é o armazenamento. Os inoculantes devem ser mantidos em ambientes frescos, protegidos da luz solar e de produtos químicos. O calor excessivo ou a umidade elevada comprometem a viabilidade dos microrganismos, reduzindo drasticamente sua eficácia no campo.

O preparo do solo e as condições ambientais também influenciam diretamente no desempenho dos inoculantes. Solos muito ácidos ou secos inibem a multiplicação e a atividade dos microrganismos. A recomendação dos técnicos da Embrapa é realizar a calagem com antecedência, sempre que o pH estiver abaixo do ideal para a cultura, e planejar a inoculação para momentos de boa umidade no solo.

A aplicação pode ser feita de diferentes formas: diretamente na semente, no sulco de plantio ou por pulverização no solo. A escolha depende do tipo de inoculante (líquido, turfoso, gel), da cultura e da logística da fazenda. Independentemente do método, é fundamental respeitar a dose recomendada e garantir uma boa cobertura das sementes ou da área de aplicação. Em tratamentos de sementes, por exemplo, o ideal é que cada unidade receba pelo menos 1,2 milhão de bactérias viáveis, no caso da soja.

Outro cuidado essencial é verificar a compatibilidade dos inoculantes com defensivos agrícolas. Muitos produtos químicos utilizados no tratamento de sementes, como fungicidas e inseticidas, são tóxicos aos microrganismos. Por isso, é recomendável fazer a aplicação do inoculante separadamente ou utilizar produtos com formulação protegida, desenvolvidos para resistir a esses agentes.

O tempo entre a aplicação e o plantio também influencia o sucesso da inoculação. O ideal é realizar o plantio no mesmo dia da aplicação, especialmente quando se trata de sementes tratadas. Existem no mercado inoculantes com maior tolerância ao tempo, chamados de “pré-inoculação”, mas mesmo nesses casos é preciso observar os prazos estabelecidos pelo fabricante.

Após a aplicação, é importante monitorar o campo. A observação da nodulação (quando aplicável), do crescimento inicial das plantas e, posteriormente, da produtividade, permite avaliar a eficácia da prática e corrigir eventuais falhas em safras futuras. No caso da soja, por exemplo, nódulos com coloração rosada no interior indicam atividade eficaz de fixação de nitrogênio.

De acordo com a legislação brasileira, todos os inoculantes comercializados devem seguir normas técnicas que garantam pureza, concentração mínima de microrganismos viáveis e ausência de contaminantes. Essas exigências estão detalhadas em instruções normativas do MAPA e em manuais técnicos da Embrapa, que orientam tanto fabricantes quanto usuários.

A adoção correta de inoculantes depende de planejamento técnico e manejo ajustado às condições da propriedade. Quando bem utilizados, esses bioinsumos representam um avanço importante rumo a uma agricultura mais rentável, resiliente e ambientalmente equilibrada.





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Brasil mantém projeções estáveis para o milho


O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para setembro trouxe uma leve redução na produção mundial de milho, reforçando sinais de equilíbrio, mas com alguns ajustes regionais relevantes. A estimativa global caiu de 1,288 bilhão de toneladas em agosto para 1,286 bilhão de toneladas neste mês. Já os estoques finais mundiais passaram de 282,54 milhões para 281,4 milhões de toneladas, indicando uma menor margem de segurança na transição entre safras.

No Brasil, as projeções se mantiveram estáveis em relação ao mês anterior. A produção foi confirmada em 131 milhões de toneladas, com estoques finais em 3,59 milhões e exportações estimadas em 43 milhões de toneladas. O quadro de estabilidade contrasta com as oscilações vistas em outros países e reflete a consolidação das perspectivas da safra nacional após os ajustes já incorporados em agosto.

Nos Estados Unidos, maior produtor e exportador global, o USDA elevou a projeção de produção de 425,26 milhões para 427,11 milhões de toneladas. No entanto, a produtividade foi revisada para baixo, de 197,51 para 195,30 sacas por hectare, mostrando impacto das condições climáticas no cinturão agrícola. Os estoques finais recuaram levemente, de 53,77 milhões para 53,58 milhões de toneladas, enquanto exportações e uso para etanol seguiram inalterados, em 73,03 milhões e 142,25 milhões de toneladas, respectivamente.

A Argentina manteve suas projeções, com produção em 53 milhões de toneladas, exportações em 37 milhões e estoques finais de 3,19 milhões. O mesmo ocorreu na Ucrânia, que seguiu com produção estimada em 32 milhões de toneladas e exportações em 25,5 milhões. O único ajuste veio nos estoques finais, que subiram de 950 mil para 1,15 milhão de toneladas.

 





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Soja, carne e milho lideram alta nas exportações


As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 14,29 bilhões em agosto de 2025, alta de 1,5% ante o mesmo mês de 2024. O desempenho foi impulsionado por um aumento de 5,1% no volume embarcado, que compensou a queda de 3,4% nos preços médios internacionais.

Soja em grãos, carne bovina in natura e milho responderam pela maior parte do crescimento. A soja alcançou embarques de 9,3 milhões de toneladas, 16,2% acima de agosto de 2024, com receitas de US$ 3,88 bilhões (+11%). A carne bovina totalizou 268 mil toneladas (+23,5%), gerando US$ 1,5 bilhão (+56%). O milho chegou a 6,8 milhões de toneladas (+12,9%), movimentando US$ 1,36 bilhão (+17%).

Além dos produtos tradicionais, itens específicos atingiram em agosto o melhor resultado da série histórica, fruto da diversificação de mercados. O sebo bovino registrou exportações de 64,7 mil toneladas (+17,2%), somando US$ 74,1 milhões (+36,4%). As sementes de oleaginosas (excluindo soja) chegaram a 68,5 mil toneladas (+10%), com receitas de US$ 71,3 milhões (+16,5%). Os feijões atingiram 58,4 mil toneladas (+29%), com US$ 49,5 milhões (+27,5%). As rações para animais domésticos alcançaram US$ 35,9 milhões (+22,6%). O óleo de amendoim saltou de 2,9 mil toneladas em agosto de 2024 para 13,3 mil toneladas em 2025 (+358%), gerando US$ 20 milhões (+573,4%).

A China manteve-se como principal compradora dos produtos agropecuários brasileiros, com US$ 5,12 bilhões (+32,9%), representando 35,8% das exportações do setor, seguida pela União Europeia, com US$ 1,9 bilhão.

Entre os mercados em expansão, destacaram-se o México, com US$ 339 milhões (+91,9%), impulsionado pelas carnes; e o Egito, com US$ 342 milhões (+14%), favorecido pelo milho. Houve também crescimento nas vendas para países asiáticos como a Índia (+37,3%) e a Tailândia (+9,5%).

Os resultados de agosto refletem a estratégia de abertura e diversificação de mercados conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Somente no mês foram abertos 22 novos mercados e, desde agosto de 2024, o número de destinos habilitados passou de 58 para 72, resultado das 55 missões internacionais de negociação e promoção comercial realizadas em 2025, ampliando o acesso para diferentes cadeias produtivas.





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Produção mundial de soja recua levemente, aponta USDA


O relatório de oferta e demanda do USDA de setembro trouxe revisões importantes para a soja no cenário global. A produção mundial foi ajustada levemente para baixo, de 426,39 milhões de toneladas em agosto para 425,87 milhões em setembro. Os estoques finais também caíram, passando de 124,9 para 123,99 milhões de toneladas, refletindo ajustes regionais, sobretudo na América do Sul e nos Estados Unidos. O quadro indica um mercado ainda equilibrado, mas com sinais de aperto na oferta, o que pode trazer impactos nas cotações internacionais.

No Brasil, o USDA manteve a estimativa de produção em 175 milhões de toneladas, consolidando o país como o maior produtor mundial. Os estoques finais tiveram leve aumento, de 36,96 para 37,26 milhões de toneladas, reforçando a posição de equilíbrio da safra brasileira. Já as exportações permanecem projetadas em 112 milhões de toneladas, sem alteração em relação ao relatório anterior, sustentando o protagonismo brasileiro nas vendas externas.

Nos Estados Unidos, houve revisão positiva na produção, que passou de 116,82 para 117,05 milhões de toneladas. Porém, a produtividade recuou de 60,08 para 59,96 sacas por hectare, mostrando os efeitos do clima adverso em algumas regiões produtoras. Os estoques finais subiram de 7,89 para 8,17 milhões de toneladas, enquanto as exportações caíram de 46,4 para 45,86 milhões, evidenciando perda de competitividade frente ao Brasil.

Na Argentina, o USDA manteve a estimativa de produção em 48,5 milhões de toneladas, mas reduziu os estoques finais de 24,65 para 23,85 milhões de toneladas. As exportações, por outro lado, foram ajustadas para cima, de 5,8 para 6 milhões de toneladas, sinalizando maior fluxo de comércio externo, ainda que em patamares inferiores ao período pré-seca.

A China, maior importadora mundial, manteve os números estáveis. A produção segue projetada em 21 milhões de toneladas, enquanto as importações permanecem em 112 milhões, demonstrando forte dependência do mercado externo. Os estoques finais ficaram em 43,38 milhões de toneladas, sem alterações em relação a agosto.

 





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Framboesa ganha edição genética sem DNA externo



Essa inovação abre caminho para o desenvolvimento de variedades mais resistentes


Essa inovação abre caminho para o desenvolvimento de variedades mais resistentes
Essa inovação abre caminho para o desenvolvimento de variedades mais resistentes – Foto: Pixabay

Pesquisadores da Universidade de Cranfield, no Reino Unido, anunciaram o primeiro método validado para editar o genoma da framboesa sem a introdução de DNA externo, segundo divulgação do ChileBio em 9 de setembro de 2025. Em estudo publicado na Frontiers in Genome Editing, a equipe isolou células individuais da fruta e aplicou a tecnologia CRISPR-Cas9 para realizar alterações precisas no genoma, estabelecendo bases importantes para acelerar o melhoramento genético da framboesa de forma segura e controlada.

Essa inovação abre caminho para o desenvolvimento de variedades mais resistentes a fungos, com maior firmeza e prazo de validade prolongado, garantindo que os frutos cheguem em melhores condições às casas dos consumidores e contribuindo significativamente para a redução de perdas em toda a cadeia alimentar. Além disso, a tecnologia pode ser aplicada para aprimorar atributos como doçura, tamanho, número de sementes e até tolerância a ondas de calor, aumentando a qualidade, produtividade e sustentabilidade da produção.

Segundo os pesquisadores, versões aprimoradas de cultivares de elite podem ser geradas em cerca de 12 meses, possibilitando o início da propagação e testes de campo em tempo muito mais rápido do que os ciclos tradicionais de melhoramento, que normalmente levam uma década ou mais. Esse avanço representa um marco na biotecnologia vegetal e no melhoramento de frutas de alto valor comercial.

O próximo passo da equipe é regenerar plantas inteiras a partir das células geneticamente editadas. Somente após essa etapa será possível avaliar os frutos quanto às características desejadas, consolidando o potencial da edição genética como uma ferramenta inovadora e eficiente para transformar o cultivo de framboesas e oferecer produtos de melhor qualidade aos consumidores.

 





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Média diária de embarques de café não torrado e torrado se consolida em…


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Os dados divulgados nesta quarta-feira (06) pela Secretária de Comércio Exterior (Secex), mostram que no mês de julho de 2025, a média diária exportada de café não torrado contabilizou uma baixa de 20,4%, registrando um total de 7,001 toneladas, comparada a 8,794 toneladas embarcadas durante o mês de julho de 2024. O volume total exportado em julho/25 ficou em 161,038 milhões de toneladas, e no mês de julho do ano passado foi de 202,266 milhões de toneladas. 

O faturamento total das exportações do grão nos 23 dias de julho/25 somou US$ 1,043 bilhão, comparado a US$ 832,080 milhões registrado no mesmo período do ano passado. Já o ganho diário ficou em US$ 45,365 milhões em julho/25, registrando assim um avanço de 25,4% com relação ao mês de julho/24, onde a média ficou em US$ 36,177 milhões. 

Sobre o valor negociado para exportação do produto, julho de 2025 registrou um avanço de 57,5% quando comparado ao mês de julho de 2024. A preço ficou em US$ 6.479,20 (julho/25), em contrapartida a US$ 4.113,80 (julho/24).  

Café torrado, extratos, essências e concentrados

O volume total embarcado do café torrado, extratos, essências e concentrados nos 23 dias de julho/25 ficou em 7,670 toneladas, comparado a 8.493 toneladas registrados nos 23 dias de julho/24. A média diária foi de 333 toneladas (julho/25), registrando uma baixa de 9,7% ao mês de julho/24, que ficou com o total de 369 toneladas. 

Sobre o faturamento com as exportações do grão, a 5ª semana de julho/25 fechou contabilizando um total de US$ 102,069 milhões, sendo que no mês de julho/24 a receita total ficou em US$ 82,086 milhões. A média diária registrou um aumento de 24,3%, somando US$ 4,437 milhões em julho/25,  comparada com US$ 3,569 milhões registrados em julho/24. 

Com relação ao preço médio, em julho/25 o produto foi negociado por US$ 13.306,40, contabilizando uma valorização de 37,7% frente ao preço médio negociado durante o mesmo período do ano passado, que registrou um valor de US$ 9.664,80. 
 





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Milho e soja: cenário favorável anima mercado



Produção robusta deve elevar exportações



Foto: Expodireto Cotrijal

Produção robusta deve elevar exportações e garantir abastecimento interno; soja tem destino recorde previsto no mercado externo

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) atualizou, nesta semana, as estimativas dos estoques de passagem para a safra 2024/25. Com a boa perspectiva para o milho, o volume final disponível do cereal deve atingir 12,8 milhões de toneladas. Já no caso da soja, a safra recorde sustenta tanto a expansão das exportações quanto do consumo interno, com reflexos positivos no estoque final do ciclo.

O cenário mais favorável para a produção de milho neste ciclo levou a Conab a revisar para cima os estoques de passagem, agora estimados em 12,8 milhões de toneladas. O número sinaliza maior segurança no abastecimento interno, após períodos de maior volatilidade no mercado.

No caso da soja, a Conab também atualizou o estoque inicial da atual temporada, fixando-o em 4,32 milhões de toneladas. Com uma safra recorde, o Brasil poderá exportar até 106,25 milhões de toneladas da oleaginosa, o que representa um aumento significativo frente ao ciclo anterior. O consumo interno também avança, com estimativa de 57 milhões de toneladas destinadas ao processamento no mercado doméstico.

Apesar desse volume expressivo de comercialização, a soja também deverá registrar recuperação nos estoques finais, estimados em 9,3 milhões de toneladas.

Com a revisão dos estoques, o mercado deve acompanhar de perto os próximos dados de colheita e o comportamento das exportações. O aumento nos volumes armazenados pode influenciar a dinâmica dos preços no segundo semestre, além de garantir maior previsibilidade aos setores de ração, biodiesel e exportadores. Segundo a Conab, a atualização reflete o avanço das colheitas, as condições climáticas favoráveis e a resposta positiva do mercado internacional aos preços brasileiros.





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Marcos Troyjo destaca insegurança alimentar global e potencial estratégico do Brasil no agro


Durante o Seminário Campo das Ideias, realizado em Porto Alegre, o economista e diplomata Marcos Troyjo alertou para a gravidade da insegurança alimentar mundial e defendeu que o Brasil está prestes a assumir o protagonismo global na produção de alimentos.

No painel de abertura do Seminário Campo das Ideias, promovido pelo Senar-RS nesta quinta-feira (11), o economista, cientista político e diplomata Marcos Troyjo afirmou que o Brasil está em rota para se consolidar como a principal potência mundial na produção de alimentos. Segundo ele, o agravamento da insegurança alimentar global reposiciona os gargalos logísticos brasileiros como um problema geopolítico — e não apenas interno.

“Em um mundo com escassez de alimentos, os nossos desafios de infraestrutura deixam de ser um problema brasileiro e passam a ser uma questão mundial”, afirmou Troyjo, comparando: “Se você deve 10 reais ao banco, o problema é seu; se deve 10 bilhões, o problema é do banco.”

Troyjo ponderou que, apesar do potencial da África, seu mercado consumidor ainda é restrito. “Somando o PIB dos 54 países africanos, temos 3,2 trilhões de dólares — menos que o PIB da França. Uma única França é economicamente maior do que todo o continente africano”, afirmou.

Ele comparou esse cenário com o dos Estados Unidos, destacando o peso do consumo interno norte-americano. “Os americanos importam cerca de 12% do PIB, o que representa 3,6 trilhões de dólares — ou seja, os EUA importam, por ano, o equivalente a uma França inteira”, ressaltou, ao defender que o Brasil aprofunde relações comerciais com os EUA e Ásia.

Outro ponto abordado por Troyjo foi a necessidade de captar investimentos de longo prazo para modernizar a infraestrutura brasileira. Para ele, o cenário atual é mais favorável, graças à diversificação dos centros financeiros globais.

“Hoje, há liquidez em centros como Singapura, Xangai, Doha e Abu Dhabi. O desafio é apresentar projetos estruturados e com segurança jurídica”, alertou.

O economista ainda enfatizou que a judicialização excessiva no Brasil inibe investimentos estruturantes. “Se conseguirmos reduzir o perfil litigioso que domina a atenção de todos os setores, o país poderá consolidar sua posição como superpotência na produção de alimentos”, disse.

MAIS

O Seminário Campo das Ideias é uma iniciativa inédita do Senar-RS, com foco nos principais desafios e oportunidades do agronegócio brasileiro. Realizado no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre, o evento reúne especialistas como Roberto Rodrigues, Fernando Schuler, Aldo Rebelo, Marcelo Portugal e Marcos Fava Neves, além de representantes do Sistema Farsul e da Secretaria da Fazenda do RS.





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