terça-feira, março 10, 2026

Política & Agro

AgroNewsPolítica & Agro

Produtores investem em kiwi com cultivares tolerantes



Kiwi busca recuperação após perdas por fungo



Foto: Divulgação

O Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (1) aponta que a produção de kiwi enfrenta dificuldades na região administrativa de Caxias do Sul, especialmente no município de Farroupilha. Segundo o levantamento, o principal fator limitante tem sido a incidência do fungo Ceratocystis fimbriata, que “dizimou uma área considerável da cultura”.

Apesar do impacto, o informativo registra avanços no enfrentamento do problema. De acordo com a Emater/RS-Ascar, “tem sido possível cultivar com manejo sanitário adequado e com cultivares mais tolerantes para se obter frutos de qualidade”. O documento destaca que esforços conjuntos de órgãos de pesquisa, instituições públicas e privadas e da própria Emater/RS-Ascar têm incentivado a retomada da cultura na região.

Ainda conforme o informativo, a produção de kiwi é vista como alternativa de diversificação e geração de renda nas propriedades, motivo pelo qual as instituições seguem estimulando os produtores a investir na atividade, com foco em práticas sanitárias e materiais genéticos mais adaptados às condições locais.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Erro de risco expõe limites do crédito no campo



A conta também não fechou do ponto de vista financeiro


Outro fator estrutural foi a distância entre a lógica do mercado de capitais e a organização
Outro fator estrutural foi a distância entre a lógica do mercado de capitais e a organização – Foto: Pixabay

O mercado de crédito agrícola passou por uma fase de forte expansão nos últimos anos, impulsionada por expectativas otimistas sobre preços, margens e capacidade de pagamento do produtor rural. Segundo análise de Alexsandro Rebello Bonatto, especialista em Crédito & Trade Finance, esse movimento foi marcado menos por falha de diagnóstico e mais por um erro relevante na calibração do risco envolvido.

Entre 2021 e 2022, o ambiente de commodities valorizadas estimulou o crescimento acelerado de instrumentos como FIAGROs e CRAs, com projeções baseadas no pico do ciclo. A virada ocorreu a partir do fim de 2022, quando a queda nos preços de soja e milho, combinada à manutenção de custos elevados, reduziu drasticamente as margens. Nesse cenário, a inadimplência do crédito rural saltou de 0,59% em janeiro de 2023 para 11,4% em outubro de 2025, evidenciando o descompasso entre expectativa e realidade.

Outro fator estrutural foi a distância entre a lógica do mercado de capitais e a organização do campo brasileiro, majoritariamente familiar. A exigência de governança corporativa, dados padronizados e compliance rígido encontrou limitações em um universo no qual mais de 99% dos produtores não possuem estruturas compatíveis. A migração do CPF para o CNPJ, estimulada como solução, acabou desincentivada por aumento de carga tributária e custos operacionais, criando barreiras adicionais de transparência.

A conta também não fechou do ponto de vista financeiro. Com a redução do crédito subsidiado, produtores recorreram a linhas de mercado com juros nominais em torno de 15% ao ano e custo efetivo total que podia alcançar 30% ou 40%, cenário incompatível com um setor de margens estreitas e alto risco climático. A pressão se intensificou com o avanço das recuperações judiciais, que mostraram lentidão na execução de garantias e frustração da liquidez esperada.

O ajuste em curso aponta para maior seletividade, foco em governança efetiva, fortalecimento de garantias fundiárias e estruturas com mecanismos de proteção de perdas. O crédito agrícola entra em uma fase mais madura, na qual compreender as particularidades do campo passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do financiamento.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Manejo integrado transforma controle de pragas na soja



“Na prática, o MIP envolve acompanhar a lavoura de perto”


“Na prática, o MIP envolve acompanhar a lavoura de perto"
“Na prática, o MIP envolve acompanhar a lavoura de perto” – Foto: Arquivo Agrolink

O controle de insetos na lavoura de soja passa por mudanças importantes com a adoção do Manejo Integrado de Pragas, modelo que prioriza decisões técnicas e uso racional de insumos. A estratégia busca equilibrar produtividade e sustentabilidade ao orientar o agricultor a intervir apenas quando o nível de infestação representa risco econômico à cultura.

O sistema se baseia no acompanhamento constante da lavoura, identificação correta das pragas e definição do momento adequado para o controle. Lagartas e percevejos estão entre os principais insetos que afetam a soja desde a fase inicial até a colheita. Para isso, o uso de armadilhas e amostragens permite avaliar a necessidade real de aplicação, a escolha do produto mais eficiente e a dose correta indicada em bula, evitando excessos e falhas no manejo.

“Na prática, o MIP envolve acompanhar a lavoura de perto, identificar corretamente as pragas e definir o momento certo para agir. Entre os principais insetos que atacam a soja estão lagartas e percevejos, que podem causar prejuízos desde a germinação até a colheita. O uso de armadilhas e coletas de amostras são passos importantes que orientam o agricultor a usar produtos eficazes, na dose certa (conforme a recomendação da bula) e somente quando necessário. Essa combinação de métodos aumenta a eficiência do manejo e ajuda a evitar falhas no controle”, destaca Hudslon Huben, gerente de efetividade e acesso ao mercado da ORÍGEO.

De acordo com a Embrapa, o Manejo Integrado de Pragas reduz o número de pulverizações ao longo da safra, diminui custos e contribui para retardar o desenvolvimento de resistência dos insetos. O modelo também amplia a proteção de polinizadores e de organismos benéficos, preservando recursos naturais e a biodiversidade no entorno das áreas cultivadas.

“Como cada produto age de um jeito diferente, eles são importantes para variar o uso de inseticidas do MIP, evitando que as pragas criem resistência e garantindo controle mais eficiente ao longo da safra. Por isso, incluir insumos eficazes no manejo ajuda o produtor a combater as principais pragas da soja com mais segurança e bons resultados”, comenta o especialista.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Nova técnica propõe produção de frutos sem plantas



Um exemplo citado é a produção de algodão em biorreatores


Um exemplo citado é a produção de algodão em biorreatores
Um exemplo citado é a produção de algodão em biorreatores – Foto: Canva

A possibilidade de produzir frutos sem a formação completa de uma planta inteira desponta como uma nova fronteira da agricultura celular e provoca debates sobre eficiência produtiva, impactos ambientais e organização econômica do setor. O tema é analisado por Leandro Simões Azevedo Gonçalves, professor da Universidade Estadual de Londrina, ao discutir o conceito de “fruto cultivado” e suas implicações científicas e sociais.

A proposta parte da ideia de que frutos botânicos podem ser gerados quase sem órgãos vegetativos, a partir de tecidos cultivados em laboratório. Experimentos desse tipo não são recentes e já vinham sendo observados desde a década de 1940, quando flores destacadas conseguiam se desenvolver em frutos em meios nutritivos. Hoje, o avanço tecnológico permite pensar em sistemas controlados capazes de induzir floração, garantir o desenvolvimento do fruto e conduzir seu crescimento até a maturação, ainda que persistam desafios técnicos relevantes ao longo do processo.

Entre os principais pontos em aberto estão os efeitos da floração artificial sobre a qualidade final do fruto, a eficiência da polinização em ambiente in vitro, a real necessidade de luz e os limites de tamanho e enchimento. Apesar disso, o modelo apresenta ganhos ambientais importantes, como a eliminação do uso direto do solo, a redução do escorrimento de nutrientes e pesticidas e a possibilidade de produção contínua próxima aos centros urbanos, com menor consumo de água e insumos.

A discussão extrapola os alimentos e alcança as fibras. Um exemplo citado é a produção de algodão em biorreatores a partir de células de algodoeiro, demonstrando que materiais agrícolas podem ser obtidos sem lavoura em escala industrial. Ao mesmo tempo, o debate levanta riscos de concentração de poder, exclusão de agricultores e lacunas regulatórias. Assim, os frutos cultivados se colocam como um teste decisivo sobre como a biotecnologia será incorporada ao futuro da produção agrícola.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Mercado de fertilizantes busca equilíbrio em meio a ajustes



No Brasil, a reação dos preços ocorreu após a ureia romper o patamar de US$ 400/ton


No Brasil, a reação dos preços ocorreu após a ureia romper o patamar de US$ 400 por tonelada CFR
No Brasil, a reação dos preços ocorreu após a ureia romper o patamar de US$ 400 por tonelada CFR – Foto: Canva

O mercado global de fertilizantes iniciou o período recente com sinais mistos, refletindo movimentos pontuais de recuperação em meio a um quadro ainda marcado por oferta elevada e demanda seletiva. De acordo com análise da Agrinvest Commodities, o segmento de nitrogenados encontrou suporte temporário com o retorno da Índia às compras de Ureia, interrompendo a sequência de quedas observada nas semanas anteriores. Apesar desse movimento, o equilíbrio global segue pressionado, já que a oferta permanece abundante e a demanda fora do mercado indiano continua limitada.

No Brasil, a reação dos preços ocorreu após a ureia romper o patamar de US$ 400 por tonelada CFR, o que trouxe algum alívio ao mercado doméstico. Nesse contexto, o custo do ponto de nitrogênio voltou a favorecer a ureia em relação ao sulfato de amônio, mesmo diante de fretes mais elevados e de custos de nacionalização mais altos. Ainda assim, o ambiente segue cauteloso, com compradores atentos à sustentabilidade desse ajuste diante do cenário internacional.

Para os fosfatados e potássicos, o quadro é de maior firmeza. As restrições impostas pela China para 2026, combinadas com o enxofre acima de US$ 500 por tonelada e os anúncios de cortes de produção, têm sustentado os preços dos fosfatados, mesmo com uma demanda doméstica mais contida. No mercado de potássio, o contrato firmado pela China trouxe suporte aos preços globais, mantendo o KCl entre US$ 360 e US$ 370 por tonelada CFR Brasil. Os estoques mais ajustados reforçam esse movimento, enquanto a atenção do mercado se volta agora para a definição do próximo acordo envolvendo a Índia, que pode influenciar a dinâmica dos preços nos próximos meses.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Mercado de feijão fecha ano com forte seletividade



A análise aponta que a distância entre o feijão premium e o produto comercial ampliou


A análise aponta que a distância entre o feijão premium e o produto comercial se ampliou
A análise aponta que a distância entre o feijão premium e o produto comercial se ampliou – Foto: Canva

O mercado brasileiro de feijão atravessou 2025 sob um cenário de consumo estagnado, estoques elevados e crescente diferenciação entre produtos, com a qualidade assumindo papel central na formação de preços. A avaliação consta em retrospectiva da Safras & Mercado sobre o desempenho do setor ao longo do ano.

A análise aponta que a distância entre o feijão premium e o produto comercial se ampliou de forma estrutural, refletindo uma demanda interna retraída, exportações usadas apenas como alívio parcial e retenção de lotes superiores. O início do ano foi marcado pela oferta crescente de grãos intermediários, escassez de padrões elevados e liquidez seletiva, com impacto direto das condições climáticas sobre a qualidade em importantes estados produtores.

No primeiro trimestre, o carioca de melhor padrão manteve firmeza, enquanto os produtos comerciais enfrentaram dificuldade de escoamento. Já o feijão preto operou com oferta confortável, sustentado por excedentes e embarques externos, mas com preços pressionados pela apatia do consumo doméstico. No segundo trimestre, a lentidão se intensificou, com mínima liquidez, varejo abastecido e preços sustentados apenas pela escassez de grãos nobres.

O terceiro trimestre revelou colapso da fluidez e afastamento dos compradores, seguido por leve reação no carioca premium ao final do período, enquanto o feijão preto permaneceu dependente das exportações. No último trimestre, consolidou-se o padrão de seletividade extrema, demanda fraca e sustentação apenas nominal para os produtos de maior qualidade, encerrando o ano com pressão contínua na base do mercado.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Pressão de custos reduz margem do produtor rural



A redução nos custos diretos está associada à normalização da oferta de fertilizantes


A redução nos custos diretos está associada à normalização da oferta de fertilizantes
A redução nos custos diretos está associada à normalização da oferta de fertilizantes – Foto: Pixabay

A rentabilidade do produtor rural brasileiro segue pressionada na safra 2024/25, em um contexto marcado por custos operacionais elevados e margens mais apertadas. Segundo análises da Céleres, embora os custos diretos da produção agrícola tenham apresentado estabilidade a leve queda nominal em 2025, o alívio não foi suficiente para compensar outras despesas que continuam em trajetória de alta.

A redução nos custos diretos está associada à normalização da oferta de fertilizantes e a um ambiente geopolítico mais estável, além de mudanças no mercado de defensivos, que passou a registrar maior participação de produtos genéricos e ainda convive com estoques elevados ao longo da cadeia de distribuição. Esse movimento contribuiu para conter parte das despesas no campo, mas não alterou de forma significativa o cenário de pressão sobre as margens.

Do lado dos custos operacionais, o produtor enfrenta um ambiente mais adverso. As despesas logísticas acompanharam a alta dos combustíveis, enquanto o cenário de pleno emprego pressionou a oferta de mão de obra, resultando em aceleração da inflação dos serviços. Soma-se a isso o impacto das taxas de juros elevadas, que têm afetado negativamente os produtores com algum grau de alavancagem financeira, reduzindo a rentabilidade das operações.

Esses fatores resultaram em margens mais estreitas na safra 2024/25, ainda que superiores às observadas na temporada anterior. Nas condições analisadas, um produtor em terra própria, com cultivo de soja na primeira safra e milho na segunda, alcançou margem EBITDA de 16,6 sacas de soja por hectare. Para a safra 2025/26, no entanto, a perspectiva é de intensificação da pressão sobre os custos de produção. 

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Relatório aponta crescimento das agtechs no país



O relatório também evidencia o fortalecimento de negócios voltados ao meio ambiente


O relatório também evidencia o fortalecimento de negócios voltados aos impactos ambientais
O relatório também evidencia o fortalecimento de negócios voltados aos impactos ambientais – Foto: Canva

A agricultura brasileira passa por um processo contínuo de modernização, impulsionado pela adoção de novas tecnologias, pelo avanço da inteligência artificial e pela automação das atividades no campo. Segundo o relatório Radar Agtech Brasil 2025, da Celeres, esse movimento tem se refletido na expansão do ecossistema de startups e no aumento do volume de investimentos direcionados ao setor.

O levantamento aponta um crescimento de 75% no número total de agtechs mapeadas entre 2019 e 2024, acompanhado por uma maior descentralização geográfica dessas empresas pelo país. Em 2025, os aportes em startups e fundos ligados ao agronegócio somaram mais de R$ 520,6 milhões, evidenciando o interesse de investidores por soluções tecnológicas aplicadas à produção, à gestão e à sustentabilidade do campo.

Entre os destaques estão empresas que atuam com automação agrícola e uso de IA, como no desenvolvimento de robôs para operações no campo, plataformas digitais para negociação de grãos e sistemas inteligentes voltados à otimização de compras e integração de cadeias produtivas. Também ganham espaço iniciativas focadas em monitoramento da qualidade de sementes, análise e previsão climática e soluções para antecipação de recebíveis, ampliando o acesso a serviços financeiros no agro.

O relatório também evidencia o fortalecimento de negócios voltados aos impactos ambientais e climáticos, incluindo projetos de restauração de áreas degradadas e geração de créditos de carbono. O segmento de bioinsumos aparece como outra frente relevante, com investimentos destinados à recuperação e melhoria da saúde do solo e à ampliação da capacidade produtiva.

Além das startups, fundos de venture capital especializados em agronegócio têm direcionado recursos para empresas em estágios iniciais, com foco em inovação, redução de impactos climáticos e segurança alimentar. O conjunto de dados reforça a consolidação de um ambiente cada vez mais tecnológico e diversificado, no qual a inovação se torna um dos principais vetores de competitividade da agricultura brasileira.

 





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Mercado de terras mantém ritmo lento em 2025


O mercado institucional de terras manteve baixo dinamismo ao longo de 2025, com volume limitado de negócios e concentração das operações em poucos grupos estratégicos. Dados da Céleres mostram que as aquisições estiveram focadas principalmente na ampliação de escala e na consolidação de áreas já exploradas pelos compradores, enquanto os agentes financeiros atuaram majoritariamente na ponta vendedora.

Entre as principais transações do ano, destaque para os movimentos da SLC, que anunciou em março a compra da Fazenda Paladino, em São Desidério, na Bahia, com quase 40 mil hectares, e da Fazenda Pamplona, em Unaí, Minas Gerais, com pouco mais de 7,8 mil hectares. Ambas as propriedades já eram arrendadas pela companhia desde 2021 e passaram a integrar definitivamente seu portfólio. Ainda no recorte de grandes áreas, a Amaggi adquiriu duas propriedades localizadas em Mato Grosso pertencentes à Proterra, que somam 43 mil hectares, sendo 28,5 mil hectares agrícolas, em uma transação estimada em R$ 1,8 bilhão, com pagamento à vista. 

O levantamento também aponta operações relevantes envolvendo fundos ligados ao agronegócio. O FIAGRO RZEO11 anunciou a venda de um bloco de 20 fazendas no Tocantins, totalizando 39,2 mil hectares, enquanto o FIAGRO RZTR11 realizou a venda de diferentes grupos da Fazenda Clarão da Lua, também no Tocantins, além de uma operação de sale & leaseback no Maranhão. Já a Brasil Agro vendeu a Fazenda Preferência, em Baianópolis, na Bahia, com 17,8 mil hectares, evidenciando ganhos expressivos de valorização ao longo do período de detenção do ativo. 

No mercado de capitais voltado ao agro, o ano foi marcado por baixo nível de atividade, sem lançamentos relevantes de novos fundos FIAGRO. O cenário refletiu o redirecionamento de capital para investimentos em renda fixa e o aumento da percepção de risco associada ao setor, limitando a liquidez e a intensidade das negociações de terras ao longo de 2025.

  





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Cenário desafiador redefine estratégias no agronegócio



Na distribuição de insumos agrícolas, o setor vive uma das fases mais desafiadoras


Na distribuição de insumos agrícolas, o setor vive uma das fases mais desafiadoras
Na distribuição de insumos agrícolas, o setor vive uma das fases mais desafiadoras – Foto: Divulgação

O ambiente de negócios em diferentes elos do agronegócio brasileiro atravessa um período de ajustes, marcado por revisão de estratégias, margens pressionadas e expectativas cautelosas para a retomada de investimentos. Levantamento da Celeres aponta que os setores de distribuição de insumos agrícolas, distribuição agropecuária e nutrição animal enfrentam dinâmicas distintas, mas conectadas por um cenário de crédito mais restritivo, inadimplência elevada e movimentos de consolidação ainda limitados.

Na distribuição de insumos agrícolas, o setor vive uma das fases mais desafiadoras de sua história recente, após anos de expansão acelerada. Estoques obsoletos e caros, combinados com aumento da inadimplência, levaram empresas relevantes a processos de recuperação judicial ou extrajudicial. Mesmo com a área plantada mantendo crescimento inercial, as últimas safras evidenciaram uma desconcentração do mercado, favorecendo distribuidores regionais mais seletivos na concessão de crédito. O processo de consolidação foi interrompido em 2025, com foco das companhias na reorganização das operações, fechamento de lojas e venda de ativos, o que deve manter a retomada lenta ao longo de 2026, embora oportunidades estratégicas ainda existam no médio prazo.

Na distribuição agropecuária, a expectativa para 2026 é de redução no abate de fêmeas e leve queda no abate total de bovinos, reflexo do esgotamento do estoque de matrizes. Esse movimento tende a sustentar a recuperação dos preços do boi, em um contexto internacional favorável, com restrições de oferta em países concorrentes. Apesar disso, 2025 foi marcado por poucas operações de consolidação, impactadas por margens apertadas, inadimplência elevada e juros altos, fatores que limitaram o apetite por aquisições.

Já o segmento de nutrição animal deve se beneficiar da melhora na relação de troca entre ração e boi gordo, estimulando a intensificação da produção pecuária. A demanda tende a se manter aquecida até o fim de 2026. Embora a cadeia já tenha passado por consolidações relevantes, especialmente em aditivos e ração, o baixo volume de transações na distribuição ainda reflete um mercado cauteloso. Com a expectativa de melhora do cenário econômico e redução dos juros, a tendência é de aumento gradual das transações, acompanhando a reorganização dos demais elos da cadeia.

 





Source link