quarta-feira, março 11, 2026

Política & Agro

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Uso de sementes não certificadas pode reduzir safra de soja



O mercado de soja no Brasil enfrenta um cenário de alerta



Foto: Pixabay

O mercado de soja no Brasil enfrenta um cenário de alerta com a disseminação do uso de sementes não certificadas, o que pode afetar diretamente a produtividade da safra 2025/26 e impactar as exportações.

Segundo dados divulgados pela CEEMA, o uso de sementes de soja não certificadas — incluindo sementes piratas e salvas comercializadas irregularmente — já atinge 27% da área cultivada no Brasil, equivalente a 13 milhões de hectares.

O impacto dessa prática é severo: estima-se uma perda de quatro sacas por hectare na produtividade média, o que resultaria em um recuo de 2,8 milhões de toneladas na colheita. Destas, 1,9 milhão deixariam de ser exportadas e outras 900 mil toneladas afetariam o consumo interno.

Além disso, o mercado de sementes perde cerca de R$ 8 bilhões com a redução de vendas, e o prejuízo em royalties de genética chega a R$ 590 milhões. A prática compromete investimentos em pesquisa e pode gerar a perda de até 4.500 empregos diretos.

No mercado físico, os preços se mantiveram entre R$ 124,00 e R$ 125,00/saca no Rio Grande do Sul, sustentados por câmbio elevado e prêmios mais firmes. A colheita da nova safra deve iniciar no final de janeiro no Norte do país.





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Brasil espera 2ª maior safra de milho da história, mesmo com queda na produtividade



A Conab projeta uma produção de 138,9 milhões de toneladas



Foto: Nadia Borges

A comercialização de milho desacelerou no Brasil, enquanto preocupações com a produtividade da safrinha e estimativas da Conab marcam o cenário para a temporada 2025/26.

De acordo com a CEEMA, os preços do milho seguem firmes no Brasil, refletindo a cautela dos produtores e o atraso no plantio da safrinha 2026. Nas principais praças do país, as cotações variam entre R$ 52,00 e R$ 65,00/saca, enquanto no Rio Grande do Sul permanecem estáveis em R$ 61,00/saca.

A Conab projeta uma produção de 138,9 milhões de toneladas, que poderá se tornar a segunda maior da história nacional. Apesar disso, a produtividade no Mato Grosso pode cair 6,7%, resultando em uma redução de 8,4% na produção estadual.

Em dezembro, o Brasil exportou 2,9 milhões de toneladas de milho nos primeiros 10 dias úteis, um salto de 43,2% na média diária em relação ao mesmo período de 2024. O retorno das chuvas trouxe alívio, especialmente no Rio Grande do Sul, mas o clima continuará como fator decisivo para o desempenho da safra.





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Mercados agrícolas iniciam o dia com oscilações moderadas



No trigo, os contratos em Chicago operaram com leves quedas


No trigo, os contratos em Chicago operaram com leves quedas
No trigo, os contratos em Chicago operaram com leves quedas – Foto: Seane Lennon

Os mercados agrícolas iniciaram o dia com oscilações moderadas, refletindo um cenário internacional marcado por ampla oferta, ajustes técnicos e ritmo seletivo da demanda. As negociações em Chicago mostraram variações contidas para trigo, soja e milho, enquanto no mercado doméstico brasileiro os preços físicos reagiram de forma distinta, influenciados pelo câmbio e pelo período de encerramento das atividades do ano.

No trigo, os contratos em Chicago operaram com leves quedas, mesmo com o bom desempenho das exportações dos Estados Unidos oferecendo algum suporte. A pressão principal segue vindo da oferta global elevada e da colheita no Hemisfério Sul, especialmente na Argentina, que caminha para volumes recordes de produção e exportação. Fundos mantiveram interesse comprador, mas sem força suficiente para reverter o viés. No Brasil, a demanda por trigo e farinhas praticamente desapareceu com o fim do ano comercial, resultando em ajustes pontuais nos preços do Paraná e do Rio Grande do Sul.

A soja permanece sob pressão em Chicago, acumulando novas mínimas técnicas, com indicadores negativos de momentum. Consultas internacionais não se converteram em compras efetivas capazes de alterar a tendência. Mesmo aquisições recentes da China nos Estados Unidos não geraram impacto imediato, já que parte relevante do volume esperado se concentra em embarques mais à frente. Fundos seguem ampliando posições vendidas diante da fraqueza do complexo de oleaginosas, enquanto os preços internos americanos refletem oferta abundante e vendas aceleradas dos produtores.

No milho, o mercado segue lateralizado, com leves recuos após sessões de alta. A realização de lucros e o bom desenvolvimento das lavouras argentinas pesaram sobre as cotações, embora o ritmo forte das exportações americanas continue limitando quedas mais intensas. No Brasil, o físico apresentou leve valorização, enquanto os contratos futuros na B3 registraram ajustes negativos.

Entre os indicadores externos, o dólar apresentou leve recuo frente ao real, o petróleo operou em alta moderada, favorecendo soja e milho, e o índice do dólar mostrou fortalecimento, fator negativo para o trigo. As informações são da TF Agroeconômica.

 





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Trigo se estabiliza no Brasil com cotações abaixo do ano passado



O mercado brasileiro de trigo fechou a semana com preços estáveis



Foto: Divulgação

O mercado brasileiro de trigo fechou a semana com preços estáveis, mas inferiores aos registrados no mesmo período de 2024, sinalizando menor atratividade ao produtor.

Segundo a Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), as principais praças gaúchas mantiveram os preços entre R$ 54,00 e R$ 55,00/saca, enquanto no Paraná os valores variaram entre R$ 64,00 e R$ 66,00.

Há um ano, os preços no Rio Grande do Sul estavam entre R$ 65,00 e R$ 66,00/saca, enquanto no Paraná o trigo valia R$ 72,00, confirmando uma desvalorização nas principais regiões produtoras.

A tendência de ampla oferta nacional e importações baratas pressiona o mercado, mantendo a margem do produtor sob pressão. A estabilidade internacional também colabora com o cenário doméstico sem grandes movimentações, dificultando novas valorizações até o fechamento do ciclo.





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Recorde no esmagamento nos EUA pressiona mercado da soja global



A tendência é de manutenção da volatilidade



Foto: Leonardo Gottems

Mesmo com queda nas cotações em Chicago, a soja ainda apresenta valorização frente ao mesmo período de 2024, sustentada pelo elevado esmagamento nos Estados Unidos.

A Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA) informa que a cotação da soja em Chicago fechou a semana em US$ 10,52/bushel, acumulando queda nas últimas duas semanas, mas permanecendo acima dos US$ 9,51 registrados um ano antes.

O destaque é o esmagamento recorde nos EUA, que atingiu 5,88 milhões de toneladas em novembro — aumento de 11,8% em relação a 2024. Os estoques de óleo de soja subiram 40%, alcançando o maior volume em sete meses.

Apesar da pressão nas cotações, o mercado spot se aqueceu com aumento na demanda nos portos brasileiros, o que ajudou a segurar os preços locais. A tendência é de manutenção da volatilidade, especialmente com a entrada da nova safra sul-americana a partir de janeiro.





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O mercado de milho mudou, diz analista



Esse cenário ganha relevância prática


Esse cenário ganha relevância prática
Esse cenário ganha relevância prática – Foto: USDA

O mercado de milho em Mato Grosso atravessa um momento de expectativa, influenciado por movimentos recentes de preços e por decisões estratégicas que começam a ser tomadas para o próximo ciclo. Segundo análise de Marcos Rubin, CEO e fundador da Veeries, a comparação com o comportamento observado no fim do ano passado ainda pesa na percepção do produtor, mas ignora mudanças relevantes no cenário atual.

Em dezembro do ano passado, o milho no estado era negociado cerca de R$ 9 por saca acima dos níveis atuais, período que marcou o início de uma trajetória de valorização que levou as cotações a quase R$ 75 por saca, considerado o teto de 2025. Essa memória recente sustenta a expectativa de uma nova reação dos preços, especialmente diante da visão de que a demanda da indústria de etanol de milho segue estruturalmente firme.

No entanto, a avaliação aponta que o contexto mudou de forma significativa. A safra de 2025 foi recorde tanto em Mato Grosso quanto no Brasil, enquanto as exportações ficaram abaixo do potencial esperado. Além disso, houve uma recomposição relevante dos estoques, alterando o equilíbrio entre oferta e demanda observado anteriormente.

Na análise apresentada, os estoques de passagem no estado devem se mostrar significativamente mais confortáveis em 2026 do que no primeiro semestre deste ano. Esse fator tende a modificar de maneira importante a dinâmica de formação de preços ao longo do ciclo, reduzindo a probabilidade de movimentos semelhantes aos registrados no período anterior.

Esse cenário ganha relevância prática porque dezembro e janeiro concentram decisões críticas relacionadas ao plantio da safrinha. É nesse momento que são definidas áreas adicionais e feitos ajustes no nível de tecnologia empregado, variáveis diretamente influenciadas pelos sinais de preço emitidos pelo mercado agora. A leitura desses sinais, portanto, pode ser determinante para o planejamento do produtor e para o comportamento da oferta no próximo ciclo.

 





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Ovos têm menor preço real para dezembro desde 2022



Queda histórica nos preços dos ovos em dezembro devido ao excesso de oferta


Foto: Pixabay

Os preços dos ovos atravessam dezembro com quedas em torno de 5% em relação ao mês anterior e de expressivos 20% no comparativo anual, apontam levantamentos do Cepea. Segundo o Centro de Pesquisas, em algumas regiões, a média atual está no menor patamar real (deflacionamento pelo IGP-DI de nov/25) para um mês de dezembro desde 2022. Pesquisadores explicam que a pressão vem sobretudo da oferta acima da demanda.

Além disso, o ritmo de vendas, que já é menor neste período de fim de ano, está ainda mais lento. Na tentativa de limitar os recuos nos preços, agentes do setor consultados pelo Cepea relatam a intensificação do descarte de poedeiras mais velhas, como estratégia para reduzir a oferta interna de ovos. Ainda assim, segundo colaboradores, não há espaço no curto prazo para reações positivas nos valores, diante do mercado enfraquecido. 





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Exportações caem para UE, mas crescem aos EUA



Exportações crescem para os EUA e caem para a UE, pressionando preços da laranja


Foto: Agrolink

Dados do Comex Stat/Mdic analisados pelo Cepea mostram que, no balanço dos cinco primeiros meses da safra 2025/26 (de julho/25 a novembro/25), as exportações brasileiras de suco de laranja avançaram para os Estados Unidos, mas caíram à União Europeia, tradicionalmente o maior destino da commodity nacional. 

Os EUA receberam 162,8 mil toneladas de suco equivalente concentrado (66° Brix) entre julho e novembro, volume 25,9% superior ao registrado nos mesmos meses da temporada anterior. Já a União Europeia foi destino de 160,6 mil toneladas no período, recuo de 25,5%. Segundo pesquisadores do Cepea, a boa qualidade do suco da safra 2025/26 e a demanda da União Europeia enfraquecida têm resultado em recomposição dos estoques da commodity na indústria brasileira – e isso vem gerando pressão sobre os valores da laranja pagos ao produtor. 

De 15 a 18 de dezembro, a pera de mesa na árvore foi comercializada à média de R$ 46,58/cx de 40,8 kg, queda de 11,45% em relação à da semana anterior. 





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Plano Recupera Rural RS encerra ações de 2025


A comunidade de Arroio do Ouro, em Estrela/RS, recebeu no dia 2 de dezembro o evento que marcou o encerramento das ações do Plano Recupera Rural RS em 2025 na região e definiu, de forma coletiva, os rumos para o próximo ano. A “Oficina de Planejamento Participativo 2026” reuniu 81 participantes, entre agricultores, lideranças locais e representantes de instituições públicas, entre elas: Emater, Prefeitura Municipal de Estrela, Secretaria de Qualidade Ambiental de Estrela, Instituto Retomada RS, Univates, Associação de Moradores de Arroio do Ouro, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Estrela, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Sicredi, Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA-RS) e Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). O encontro foi motivado pelo cenário ainda sensível na região, fortemente impactada pelas enchentes de novembro de 2023 e maio de 2024 e pelas ações implementadas pelo Recupera RS ao longo do ano. 

Abertura e balanço das ações de 2025

A programação teve início às 8h, com a formação da mesa de autoridades, que contou com a presença da prefeita de Estrela, Carine Schwingel; do chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Dutra; do representante da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado, Valmir Zanatta; o chefe do escritório da Emater/RS-Ascar de Estrela, Álvaro Trierweiler; da representante do Instituto Retomada, Virgínia Pies; do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Rogério Heemann; da representante do Sicredi, Neiva Huwe; e do produtor rural Fernando Mallmann. Todas as lideranças presentes ressaltaram a relevância da iniciativa e reforçaram o compromisso coletivo em apoiar a reconstrução das famílias, especialmente aquelas que tiveram suas propriedades e rotinas profundamente afetadas pelos desastres climáticos. O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Dutra, reforçou a importância da escuta das famílias e do fortalecimento da resiliência produtiva: 

“Estamos em uma comunidade que sofreu muito. Hoje, depois de um ano de trabalho dentro do Plano Recupera Rural RS, estamos apresentando para as famílias as ações executadas até aqui. Nosso objetivo é não apenas apoiar a recuperação imediata, mas fortalecer a resiliência dos sistemas produtivos diante das mudanças climáticas que já estão em curso, de forma participativa, ouvindo a comunidade para poder avançar.”

Após os pronunciamentos, equipes da Embrapa, que integram a Plataforma Colaborativa Sul, responsável pela execução do Plano Recupera Rural RS, e Emater, apresentaram as ações desenvolvidas em 2025 na localidade, envolvendo manejo do solo, restauração ambiental, qualidade da água e adaptações produtivas realizadas em parceria com agricultores atingidos.

O coordenador do Plano Recupera Rural RS, Ernestino Guarino, destacou que o evento foi um espaço essencial de devolutivas e escuta: “Estamos trazendo para a comunidade resultados concretos de 2025, como práticas de manejo conservacionista do solo, orientações que ajudam o agricultor a garantir maior infiltração da água da chuva, ações de restauração das margens do rio com sistemas agroflorestais e estudos sobre a qualidade da água dos poços profundos. São iniciativas construídas com parceiros como a Emater, Fiocruz e secretarias de Meio Ambiente.” Sobre os desafios ainda presentes, Guarino reforçou:

“Os resultados são positivos, mas ainda há muitos desafios, especialmente nas áreas onde houve deposição de areia e na recuperação produtiva das margens do rio. Esses desafios exigem continuidade da pesquisa e, principalmente, o protagonismo dos agricultores para que possamos avançar na adaptação às mudanças climáticas”.

Comunidade participa do planejamento para 2026

Os participantes foram divididos entre grupos de agricultores e grupos institucionais para dar início a dinâmica participativa. Cada grupo trabalhou com base em perguntas norteadoras que orientaram a construção dos resultados: no grupo das instituições, a reflexão partiu da questão “Quais capacidades, recursos e competências cada instituição pode mobilizar para fortalecer a comunidade e ampliar sua resiliência diante de eventos climáticos extremos?” Já os agricultores foram convidados a responder “Quais os desafios e prioridades a comunidade identifica para fortalecer sua recuperação e resiliência, e que tipos de apoio seriam mais úteis das instituições presentes?”

A partir dessas discussões, foram formadas “nuvens de palavras” que sintetizaram as percepções coletivas e serviram como base para organizar demandas em eixos temáticos. Eloi Wermann, produtor rural de Arroio do Ouro, que perdeu toda a sua produção leiteira na catástrofe e participou do evento, fez um relato sobre a sua situação atual: “Os animais foram todos embora. De 140 animais, sobraram só 11 vivos. Destruiu a ordenhadeira, não teve nada inteiro. Foram 40 anos investindo na propriedade, na área do leite. Em questão de 10 horas, não tinha mais nada.” Ao refletir sobre os caminhos para reconstrução, Eloi destacou aquilo que considera essencial: “Acho que a partir de agora o principal para a gente poder se reerguer é que as nossas dívidas sejam cobradas de forma mais acessível. Que a gente consiga empréstimos com juros baixos ou que tenha programas do governo que façam com que a gente consiga retomar a atividade de forma fácil e integrada. Outra coisa primordial é que as estradas de terra continuem sendo bem mantidas.”  Para Pedro Coletti, também agricultor da localidade, é fundamental que a presença dos órgãos públicos permaneça na comunidade. “Para nós, aqui da comunidade, é muito importante que os órgãos públicos continuem presentes. Esse tipo de ação que estamos vivendo hoje — as visitas técnicas nas propriedades, as pesquisas para melhorar a infiltração da água no solo — precisa seguir por mais tempo. Mesmo quando a catástrofe do ano passado deixar de ser assunto recente, a gente ainda vai precisar desse acompanhamento de perto por muito tempo”.

Escuta ativa fortalece vínculo entre comunidade e poder público

O vice-prefeito de Estrela, Márcio Mallmann, destacou a importância da dinâmica participativa e da aproximação entre instituições e agricultores. Para ele, a iniciativa representa um marco para o município: “Nós ficamos muito felizes e nos sentimos acolhidos pela Embrapa e pelas instituições quando vêm até aqui e prestam esse auxílio, não apenas técnico, mas de escuta. Isso faz diferença para pensarmos o futuro de forma assertiva. Quando as demandas partem da comunidade, elas tendem a dar certo.” Mallmann recordou ações anteriores de apoio emocional e organizativo após a enchente, reforçando o papel da escuta comunitária. Ele também refletiu sobre a importância de manter a conexão entre agricultores e poder público: “Muitas vezes as pessoas, aqui, têm dificuldade de pedir ajuda, porque sempre foram aquelas que ajudavam a construir a igreja, a escola, a comunidade. Agora precisam ser ajudadas, e isso é um exercício. Quando a gente escuta, esse processo fica mais fácil. No que o município puder ser parceiro, estaremos juntos com a Embrapa e demais órgãos.” O biólogo Rafael Meneghini, servidor da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Estrela, reforçou a importância da atuação conjunta das instituições: “Sou funcionário público municipal há mais de 16 anos e nunca tivemos a presença tão forte de instituições importantes como a Embrapa a Fiocruz. Consideramos de altíssima relevância este evento para a comunidade e para a nossa cidade. Ter acesso à tecnologia e ao corpo técnico especializado da Embrapa para restabelecer a atividade rural, aliado à recuperação ambiental e ao entendimento das pessoas, é tudo o que o município necessita neste momento. Esperamos, em breve, colher frutos para podermos replicar essas ideias em toda a bacia do rio Taquari.”

Dinâmica define ações e responsabilidades

A segunda parte das atividades começaram após o almoço, a dinâmica “Rio do Tempo” transformou as demandas levantadas em um cronograma coletivo de ações para 2026. Cada iniciativa foi representada por barcos de papel conduzidos por instituições “capitãs”, com participação de demais entidades e moradores como “tripulantes”. O processo colaborativo permitiu visualizar o fluxo das ações ao longo do ano, fortalecendo o compromisso conjunto entre comunidade e instituições parceiras.

O encontro resultou na proposição de seis ações principais para o próximo ano, elaboradas com base nas demandas levantadas pelos sete grupos de agricultores e pelas instituições parceiras. Entre os encaminhamentos, destacaram-se:

• Crédito rural e flexibilização das dívidas adquiridas pelos produtores, após a enchente;

• Manutenção constante das estradas rurais do município e recolhimento dos entulhos acumulados em algumas vias, após a catástrofe na região;

• Fortalecimento da Unidade de Aprendizagem Coletiva (UAC) Arroio do Ouro;

• Implantação e ampliação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs);

• Continuidade das ações de restauração produtiva e ambiental;

• Apoio articulado entre instituições para fortalecimento da resiliência local.

Encerrada às 17h, a oficina reafirmou o compromisso conjunto de reconstrução sustentável no Vale do Taquari. Com o planejamento construído de forma participativa, 2026 inicia com agenda integrada entre a comunidade e instituições, fortalecendo capacidades locais e ampliando a preparação para futuros eventos climáticos extremos. O Plano Recupera Rural RS integra a Plataforma Colaborativa Sul para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos na Agropecuária, uma iniciativa da do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com a Embrapa. Todas as ações aqui apresentadas visam construir resiliência e adaptação às mudanças climáticas para um futuro mais seguro e sustentável.





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MP libera R$ 59 mi para socorro a famílias atingidas por tornado e chuvas no Paraná



Paraná recebe R$ 59,3 mi para famílias afetadas por clima extremo


Foto: Canva

A Presidência da República liberou R$ 59,3 milhões extras para o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome enfrentar danos causados por desastres climáticos no Paraná. Para isso, publicou nesta sexta-feira (19) a Medida Provisória (MP) 1.329/2025, que disponibiliza o crédito extraordinário.

O estado registrou na primavera deste ano 224 ocorrências climáticas, mais que o dobro em relação ao ano passado. A conta inclui o tornado que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu em novembro, além de vendavais, granizo e chuvas intensas.

A maior parte dos recursos é destinada para segurança alimentar, com R$ 23 milhões para apoiar a produção rural de povos indígenas e agricultores familiares, por exemplo. Cerca de 5 mil famílias poderão ser atendidas. Outros R$ 22,5 milhões serão destinados à compra e distribuição de alimentos para 1,5 mil famílias.

O restante do valor poderá ser transferido aos fundos de assistência social dos municípios paranaenses. A medida provisória autoriza a transferência de R$ 8 milhões para os municípios realizarem ações de proteção social. Além disso, R$ 5,7 milhões estarão disponíveis para fortalecer o Sistema Único de Assistência Social no estado.

Os créditos extraordinários são liberados em situações de urgência e permitem o uso dos recursos de imediato. Ainda assim, o Congresso Nacional deve analisar a MP no máximo em 120 dias. Se aprovada, a medida se converte em lei, o que mantém o valor disponível ao Poder Executivo durante o ano. Caso contrário, o governo federal dispõe do valor apenas durante o tempo de vigência da medida provisória.

 





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