domingo, junho 14, 2026

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Colheita de citros avança, mas vendas seguem lentas


A colheita das variedades precoces de citros avança no Rio Grande do Sul, mas a comercialização segue abaixo do esperado e preocupa os produtores. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado nesta quarta-feira (3) pela Emater/RS-Ascar, que aponta um cenário de mercado com preços pressionados em diversas regiões produtoras do Estado.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar em Caxias do Sul, os pomares de Veranópolis e Cotiporã apresentam bom estado geral. Os produtores realizaram tratamentos fitossanitários para controle de pragas, como cochonilhas, além de adubações em cobertura. As plantas utilizadas para cobertura do solo, especialmente aveia e azevém, seguem em desenvolvimento. Apesar do avanço da colheita das variedades precoces, a comercialização é considerada baixa, fator que pode ampliar a pressão sobre os preços pagos aos citricultores. As bergamotas Caí e Ponkan estão sendo comercializadas a R$ 40,00 por caixa de 25 quilos. Entre as laranjas, as variedades precoces avançam para a fase de maturação. A laranja Bahia, a laranja do Céu e a variedade Rubi, destinada à produção de suco, já estão em colheita, mas enfrentam ritmo reduzido de vendas. Os preços pagos aos produtores são de R$ 1,25 por quilo para a laranja Bahia e a destinada ao suco, enquanto a laranja do Céu é comercializada a R$ 2,00 por quilo. Na Ceasa Serra, a laranja Bahia é vendida a R$ 3,39 por quilo, com tendência de queda nas últimas semanas. A bergamota Caí também registrou recuo, passando de R$ 2,55 para R$ 2,22 por quilo.

Na região de Erechim, a Emater/RS-Ascar informa que os preços seguem baixos para os produtores, girando em torno de R$ 0,60 por quilo.

Na região de Lajeado, o município de Arvorezinha, um dos principais polos produtores de laranja, registra valores diferenciados para a variedade Valência conforme o destino da produção. A laranja Bahia também está sendo comercializada no município. Em Montenegro, a colheita das bergamotas Caí e Ponkan está em andamento. Segundo a Emater/RS-Ascar, no início da safra parte dos frutos ainda apresentava coloração esverdeada, o que reduziu o volume comercializado e os preços pagos pelas caixas. As primeiras cargas foram negociadas por valores superiores aos atuais. A expectativa é de que a produtividade fique dentro da média considerada normal para a safra deste ano.

Em São José do Sul, a colheita da bergamota Caí atingiu 50% da área, mesmo percentual registrado para a Ponkan. Os produtores que dispõem de câmaras frias optam por armazenar parte da produção à espera de melhores preços. A colheita da laranja do Céu Gaúcha foi concluída. Em Maratá, a comercialização da bergamota Caí apresenta diferenças de preço de acordo com o destino da fruta, com valores menores para a indústria de suco e maiores para o mercado de consumo in natura. A laranja do Céu Gaúcha segue sendo destinada ao processamento industrial.

Em Tupandi, a suspensão temporária do recebimento de cargas pelas indústrias de suco preocupa os produtores locais. Conforme a Emater/RS-Ascar, quando as unidades retomarem as compras, a expectativa é de que o valor fique próximo de R$ 10,00 por caixa de 25 quilos, considerado baixo pelos agricultores. As variedades Seleta e Bahia são comercializadas a R$ 35,00 por caixa de 25 quilos, mas o fluxo de vendas permanece reduzido. Já a produção de limão está sendo direcionada para a indústria de suco.





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RS investe R$ 44 milhões na cadeia do vinho


Celebrado neste sábado (7), o Dia Estadual do Vinho reforça a relevância da cadeia vitivinícola para a economia do Rio Grande do Sul. Líder nacional na produção de uvas, vinhos e espumantes, o Estado concentra milhares de famílias envolvidas na atividade e segue ampliando investimentos voltados ao fortalecimento e à qualificação do setor.

Entre as iniciativas de incentivo à vitivinicultura está a aplicação de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado (Fundovitis). A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação destinou R$ 44,3 milhões para ações de fortalecimento da cadeia produtiva desde 2023. Desse total, R$ 34,9 milhões já foram pagos.

Os recursos são administrados pelo Conselho de Desenvolvimento da Vitivinicultura, responsável pela execução de um plano de trabalho voltado à ampliação da competitividade, à modernização dos processos produtivos e à promoção dos vinhos gaúchos nos mercados nacional e internacional.

O Fundovitis financia projetos relacionados à capacitação técnica, pesquisa, inovação tecnológica, assistência técnica, extensão rural e promoção comercial. Entre as ações contempladas estão a participação em feiras e eventos nacionais e internacionais, a criação do Espaço da Uva e do Vinho na Expointer, o desenvolvimento de aplicativos para divulgação dos produtos vitivinícolas brasileiros, plataformas de seguros para a atividade e investimentos no Laboratório de Referência Enológica (Laren), em Caxias do Sul, vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação.

As perspectivas para a próxima safra são consideradas favoráveis. O inverno de 2025 registrou acúmulo de horas de frio acima da média em importantes regiões produtoras, condição que beneficiou o desenvolvimento das videiras. Além disso, a ausência de geadas tardias contribuiu para uma brotação vigorosa e para a formação de um número elevado de gemas frutíferas, criando expectativa positiva para a produção de 2026.

Além de seu papel cultural e gastronômico, o vinho mantém importância estratégica para a economia gaúcha. No Dia Estadual do Vinho, os indicadores do setor demonstram a continuidade dos investimentos e do crescimento da cadeia produtiva, que busca consolidar ainda mais a posição do Rio Grande do Sul como principal referência brasileira na produção de vinhos e espumantes.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a safra gaúcha de uvas alcançou 957 mil toneladas em 2025, crescimento de 36% em relação às 703 mil toneladas registradas em 2024. O Valor Bruto da Produção atingiu R$ 2,29 bilhões, configurando um dos melhores resultados da última década na Região Sul. Para 2026, a expectativa é de manutenção dos elevados volumes produtivos, com estimativa próxima de 905 mil toneladas da fruta.

A maior parte da produção gaúcha é destinada ao processamento industrial. Cerca de 92% das uvas colhidas são utilizadas na fabricação de vinhos, espumantes, sucos e outros derivados, enquanto o restante é direcionado ao consumo in natura. Municípios como Flores da Cunha e Bento Gonçalves seguem entre os principais polos produtores voltados à industrialização da fruta.





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Produção de amendoim deve bater recorde no Brasil


A chegada de junho marca o início das tradicionais festas juninas em todo o país e reforça a presença de um dos ingredientes mais associados a esse período: o amendoim. O destaque para a cultura foi apresentado no Boletim Conjuntural divulgado na quarta-feira (3) pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.

Além da importância gastronômica, o amendoim chama a atenção por uma característica incomum entre as principais culturas agrícolas. Embora as flores se desenvolvam acima do solo, os frutos são formados abaixo da superfície. Após a fecundação, uma estrutura da planta cresce em direção ao solo, onde ocorre o desenvolvimento das vagens.

O boletim destaca que, até a década de 1970, grande parte da produção brasileira era destinada à fabricação de óleo vegetal para consumo doméstico. Com o avanço da cultura da soja e sua maior competitividade econômica, o amendoim perdeu espaço nesse segmento industrial, enquanto o óleo de soja passou a predominar no mercado nacional.

A partir dessa transformação, a cultura encontrou novos mercados. Atualmente, a maior parte da produção é direcionada à indústria de doces e confeitos, além do consumo direto. Durante as festas juninas, o produto ganha ainda mais relevância por estar presente em alimentos tradicionais como paçoca, pé-de-moleque, amendoim caramelizado e diversas sobremesas típicas, além de ser consumido torrado ou in natura.

Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento, a produção brasileira de amendoim na safra 2025/26 deverá alcançar 1,20 milhão de toneladas. Caso a projeção se confirme, o volume representará um novo recorde nacional, superando a marca registrada na safra anterior. O estado de São Paulo permanece como principal produtor do país, concentrando cerca de 80% da produção nacional. Na sequência aparece o Mato Grosso do Sul, com estimativa de 184,1 mil toneladas, o equivalente a aproximadamente 15% do total brasileiro.

No Paraná, a expectativa é de uma produção de 5,6 mil toneladas na safra atual, volume que representa cerca de 0,5% da produção nacional. Conforme o levantamento do Departamento de Economia Rural, a colheita já foi concluída na região de Paranavaí, principal polo produtor do estado, restando apenas áreas na região de Umuarama. Paranavaí responde por pouco mais de 50% da produção paranaense de amendoim, enquanto Umuarama participa com quase 23% do volume estadual.





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geadas afetam parte das lavouras de milho silagem



Colheita de milho para silagem supera 98% no RS



Foto: Pexels – Pixabay

A colheita de milho destinado à produção de silagem está praticamente concluída no Rio Grande do Sul, alcançando mais de 98% da área cultivada. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado nesta quarta-feira (3) pela Emater/RS-Ascar. Segundo o levantamento, as condições meteorológicas favoreceram o avanço das operações, embora precipitações ocasionais tenham interrompido temporariamente os trabalhos em algumas regiões e retardado a conclusão da atividade.

O boletim também aponta que as geadas registradas em maio provocaram danos localizados em parte das lavouras ainda não colhidas. Os efeitos foram observados principalmente por meio da queima das folhas e da redução pontual da qualidade da forragem destinada à ensilagem.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar, as áreas semeadas em fevereiro seguem sendo colhidas para a produção de silagem utilizada na alimentação de rebanhos de corte e de leite. Parte dos produtores também tem direcionado a produção para comercialização, impulsionada pela demanda por volumoso durante os períodos de vazio forrageiro do outono e da primavera. Dos 6.935 hectares cultivados na região, cerca de 2% ainda aguardam colheita.

Na região de Ijuí, os trabalhos de corte e ensilagem chegaram a ser interrompidos temporariamente devido às condições climáticas. Conforme o levantamento da Emater/RS-Ascar, parte das lavouras remanescentes registrou danos provocados pelas geadas observadas na semana anterior. Apesar disso, os impactos não comprometeram de forma significativa a qualidade bromatológica da forragem produzida.





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Preço do leite sobe 11% ao produtor no Paraná



Clima impulsiona valorização do leite no Paraná



Foto: Divulgação

O preço do leite pago ao produtor paranaense registrou alta em maio, segundo o Boletim Conjuntural divulgado na quarta-feira (3) pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Na média do mês, os produtores receberam R$ 2,64 por litro entregue à indústria, valor 11,4% superior aos R$ 2,37 registrados em abril.

De acordo com o levantamento do Departamento de Economia Rural, a valorização também reduziu a diferença em relação ao mesmo período de 2025, quando o litro foi comercializado, em média, por R$ 2,86. O movimento representa um alívio para os pecuaristas, que enfrentaram um ano de margens reduzidas. Apesar da recuperação, o boletim alerta que a alta pode estar relacionada a fatores climáticos e não necessariamente indicar uma manutenção dos preços em níveis mais favoráveis no longo prazo.

O avanço das cotações no campo também começou a ser refletido no varejo. Segundo o levantamento da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, o leite longa vida é comercializado no Paraná por um preço médio de R$ 5,35 por litro, repassando parte do aumento registrado na remuneração dos produtores.

A análise do Departamento de Economia Rural aponta ainda que o mercado pode continuar registrando reajustes nos próximos meses. A expectativa é de que os preços permaneçam em trajetória de alta até que a captação de leite volte a apresentar maior estabilidade.





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Estudo analisa seguro rural em 7 países e traz dicas de modelos ao Brasil


Lavoura de soja seca em Mato Grosso do Sul quebra, la niña, estiagem
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

Um novo estudo do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), do FGV Agro, analisa os sistemas de seguro rurais em sete países: Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, Índia, México e Peru.

Os resultados mostram que embora todos reconheçam a importância da ferramenta para mitigar as perdas climáticas e estabilizar as rendas agrícolas, existem diferenças substanciais nos modelos operacionais de cada nação analisada.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o programa federal combina operação privada, forte subsídio ao prêmio, custeio administrativo e suporte público ao resseguro. O resultado é uma cobertura próxima de 90% da área das principais culturas.

Já na Espanha, o sistema se apoia em parceria público-privada. Para o OCSR, essa governança compartilhada demonstra que a previsibilidade institucional e a coordenação entre Estado, seguradoras e produtores são tão importantes quanto o volume do subsídio financeiro.

A Índia, por sua vez, foca na inclusão com intensa intervenção estatal, assumindo a maior parte do prêmio. O programa atinge fortemente pequenos agricultores, embora enfrente alta complexidade operacional. Em contrapartida, o Observatório aponta que modelos com menor apoio mostram fortes fragilidades sistêmicas.

No México, a retirada dos subsídios reduziu a área segurada de mais de 50% para cerca de 16%, colapsando o sistema.

A Argentina conta com um mercado privado focado em granizo, o que resulta em baixa penetração de seguros multirrisco e severa dependência de ações emergenciais pelo governo pós-desastre.

Veja o resumo de todos os países analisados na tabela abaixo:

seguro rural nos países

De acordo com os autores do estudo e pesquisadores do OCSR do FGV Agro, Renato Buranello e Anna Cortelin, o seguro rural tende a se fortalecer quando integrado como política pública estruturada.

“O seguro rural é um instrumento estratégico viável e valioso, desde que apoiado e bem desenhado. Os países que hoje colhem os benefícios da ampla cobertura securitária no campo, investiram nisso ao longo de décadas, aprendendo com os seus erros e aprimorando seus modelos”, declaram.

Segundo eles, para o Brasil fica a recomendação de que é preciso desenvolver um marco institucional claro; garantir apoio orçamentário compatível, envolver seguradoras privadas e agricultores na solução; começar cobrindo os riscos catastróficos-chave e públicos prioritários (pequenos agricultores) e expandir gradualmente.

“O seguro rural não evita desastres, mas mitiga seus impactos, permitindo que a agricultura seja mais resiliente e sustentável diante dos atuais desafios climáticos e do mercado”, concluem.

Lição ao Brasil

O estudo considera que a principal lição global é que o Brasil não deve opor Estado e mercado, mas coordenar suas funções.

“O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é o instrumento adequado para induzir a transferência de risco às seguradoras e resseguradoras, enquanto o Proagro cumpre uma função pública vital vinculada ao crédito, especialmente para pequenos produtores. O desafio é alinhar esses instrumentos para evitar sobreposições e alta pressão fiscal”, dizem os autores.

O estudo considera que, para funcionar, o PSR precisa urgentemente de previsibilidade orçamentária, já que sem um calendário financeiro estável de liberação de recursos, a instabilidade encarece a operação e impede a consolidação do mercado.

“O Proagro, por sua vez, deve ser uma camada pública bem focalizada, sustentada por bases técnicas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).”

Além disso, o estudo considera ser indispensável a estruturação de uma camada catastrófica, a exemplo do uso do Fundo de Estabilidade do Seguro Rural. “Sem isso, o sistema continuará oscilando entre falta de subvenção em anos normais e um forte impacto aos cofres públicos durante grandes desastres climáticos.”

O estudo completo pode ser acessado aqui.

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Faesp critica barreiras da União Europeia a carnes e cobra reação do Mercosul


União Europeia confirma veto a carnes e produtos animais do Brasil a partir de setembro

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) divulgou nota neste sábado (6) em que repudia a decisão da União Europeia (UE) de criar barreiras à importação de carnes, mel e subprodutos de origem animal vindos do Brasil. A entidade também defendeu uma resposta diplomática mais firme do Mercado Comum do Sul (Mercosul). O conteúdo disponível, no entanto, não detalha quais produtos foram atingidos, nem os critérios técnicos e os prazos de eventual aplicação das restrições.

Na manifestação, a Faesp afirma que a medida europeia foi adotada após 25 anos de negociações entre UE e Mercosul e sustenta que as novas exigências representariam mudança nas condições previamente discutidas entre os blocos. A nota também contesta o fundamento sanitário atribuído às restrições, com foco no uso de antibióticos, e alega tratamento desigual em relação a concorrentes como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

Segundo a entidade, a decisão atinge diretamente produtos de origem animal com peso relevante na pauta exportadora brasileira e pode ampliar a incerteza para frigoríficos, pecuaristas, processadores e exportadores que operam com o mercado europeu. Como o texto divulgado não apresenta volume potencialmente afetado, valor de exportações, norma oficial da UE ou cronograma de vigência, ainda não é possível dimensionar com precisão o alcance econômico da medida.

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A Faesp também cobrou posição coordenada do Mercosul. Na avaliação da federação, Brasil, Argentina e Uruguai deveriam adotar um posicionamento regional conjunto diante do bloco europeu. A entidade ainda defendeu atuação mais firme da diplomacia comercial brasileira.

Em temas de comércio exterior, a definição de barreiras sanitárias ou regulatórias costuma ter efeito direto sobre habilitações de plantas, custos de conformidade, fluxo de embarques e competitividade entre fornecedores. Por isso, a avaliação técnica do setor dependerá da publicação formal das regras, dos produtos abrangidos e do eventual período de adaptação exigido pelos importadores.

Até o momento, a reação divulgada é da Faesp, e o conteúdo disponível não informa manifestação oficial conjunta do Mercosul nem detalhamento regulatório da União Europeia. Sem esses elementos, o impacto prático sobre as exportações brasileiras de proteína animal e mel ainda depende de confirmação técnica e documental.

Fonte: Estadão Conteúdo

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‘Discriminação e profundo desrespeito’: Faesp repudia veto da UE a produtos brasileiros


união europeia, UE, bandeira
Foto: Pixabay

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) divulgou nota pública de repúdio neste sábado (6) sobre a decisão da União Europeia (UE) de impedir, a partir de 3 de setembro, a importação de carnes, mel e suprodutos de origem animal do Brasil.

Para a entidade, os europeus agem com “profundo desrespeito”, tendo em vista os 25 anos de negociações entre o bloco e o Mercosul após todos os tramites terem sido alinhados entre as partes.

O texto, assinado pelo presidente da Faesp, Tirso Meirelles, afirma que a UE decidiu mudar as regras do jogo de forma casuística. “Começam agora a surgir salvaguardas descabidas e arbitrárias, que não possuem qualquer lastro ou respaldo técnico e científico. Trata-se de uma manobra burocrática para criar travas artificiais ao comércio internacional”, acusa.

Segundo ele, a Federação computa a medida como absolutamente desnecessária, desleal e flagrantemente discriminatória.

Além disso, Meirelles considera que o pretexto europeu, focado no uso de antibióticos, cai por terra diante dos fatos: os rebanhos de concorrentes diretos como os Estados Unidos, a Austrália e da Nova Zelândia utilizam rigorosamente os mesmos produtos fitossanitários que o Brasil.

“Convenientemente, [eles] não sofreram qualquer tipo de restrição, bloqueio ou veto por parte da UE. Essa disparidade de tratamento escancara um protecionismo comercial unilateral direcionado especificamente para tentar frear a nossa competitividade”, destaca a nota assinada.

Sanidade brasileira incontestável

O presidente da Faesp ressalta que quando o assunto é sanidade, o cenário é incontestável: “a sanidade animal do rebanho brasileiro é totalmente sem mácula, sendo referência global e nunca tendo registrado um único caso de ‘vaca louca’”.

Meirelles enfatiza que a excelência, o status sanitário e o rigor científico da produção agropecuária brasileira são indiscutíveis e reconhecidos mundialmente.

“Diante desta grave agressão comercial e reputacional, cobramos do governo federal brasileiro pulso mais firme em sua diplomacia comercial. O Brasil, consolidado historicamente como um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, não pode aceitar passivamente ser alvo de retaliações geopolíticas infundadas. O setor produtivo precisa urgentemente de segurança jurídica e respeito às regras e políticas claras de defesa comercial”, destaca Meirelles.

“Vizinhos devem se unir ao Brasil”

A nota da Faesp ainda ressalta que as grandes negociações globais hoje ocorrem estritamente entre blocos econômicos e, sendo assim, torna-se vital e urgente que a Argentina e o Uruguai se juntem ao Brasil para construir um posicionamento regional unificado e robusto que demonstre a verdadeira força e o peso político-econômico do Mercosul.

“Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta”, diz.

Por fim, a Faesp argumenta que o produtor rural brasileiro faz a sua parte com excelência e responsabilidade de dentro da porteira. “Cabe agora à nossa diplomacia e aos nossos aliados regionais impor o respeito e a soberania que a nossa agropecuária conquistou no cenário internacional, consolidando-se como um dos principais protagonistas da segurança alimentar mundial”, finaliza.

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Iata estima que SAF responderá por 0,8% do combustível da aviação em 2026


Iata estima que SAF responderá por 0,8% do combustível da aviação em 2026

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) estimou, neste sábado (6), que a produção global de combustível sustentável de aviação (SAF) deve alcançar 2,4 milhões de toneladas em 2026. Segundo a entidade, o volume representará 0,8% do consumo total de combustível da aviação comercial. A previsão também indica custo de US$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas, em um cenário de oferta ainda limitada e preços acima do querosene de aviação (QAV).

Na avaliação da Iata, o SAF segue como a principal rota tecnológica para a descarbonização do transporte aéreo, mas a expansão da oferta continua abaixo do necessário. O diretor-geral da entidade, Willie Walsh, afirmou que 2026 tende a ser “mais um ano decepcionante para a produção de SAF” e associou o quadro a políticas públicas mal sequenciadas e à baixa participação das empresas petrolíferas.

A entidade também relacionou o cenário energético internacional, em meio à guerra no Oriente Médio, à necessidade de acelerar fontes renováveis. Segundo Walsh, ainda não houve a criação de incentivos suficientes para formar um mercado viável de SAF em escala global.

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Para o Brasil, a leitura da associação é de potencial estrutural de crescimento. A Iata estima que o país possa produzir cerca de 60 milhões de toneladas de SAF até 2050. A avaliação considera instrumentos já existentes ou em desenvolvimento, como a Política Nacional de Transição Energética, o Programa de Aceleração da Transição Energética, o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.

Do ponto de vista do agro e da bioenergia, a expansão desse mercado pode abrir espaço para maior demanda por matérias-primas renováveis e para novos investimentos industriais ligados à cadeia de biocombustíveis. Esse avanço, porém, depende de escala produtiva, previsibilidade regulatória e competitividade de custos. A Iata não detalhou, no material divulgado, quais rotas tecnológicas ou insumos responderiam pela maior parte desse potencial brasileiro.

A projeção da Iata indica que o SAF seguirá com participação limitada na matriz da aviação em 2026, apesar do avanço esperado na produção. Para o Brasil, o potencial apontado pela entidade depende da consolidação do marco regulatório, da ampliação da oferta e da definição de condições econômicas que sustentem produção e exportação em escala.

Fonte: Estadão Conteúdo

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MST diz ter plantado 5 mil mudas em ações da Semana do Meio Ambiente


Projeto em Agudo testa recuperação de solo e mata ciliar após enchentes

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informou que mobilizou cerca de 10 mil pessoas em 15 estados durante a Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos, realizada entre a última segunda-feira (1º) e este domingo (7). Segundo a organização, foram plantadas mais de 5 mil mudas e semeadas cerca de 30 toneladas de sementes. A iniciativa integrou a programação da Semana Mundial do Meio Ambiente.

De acordo com o MST, as ações ocorreram em Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Sergipe. O movimento apresentou a mobilização como parte de uma campanha em defesa da biodiversidade e da reforma agrária.

Neste ano, a jornada adotou o lema “combater o agronegócio é cuidar da natureza”. No material divulgado, o MST também criticou o que classificou como “crimes ambientais do agro-hidro-minero-negócio” e associou o debate a propostas legislativas e ao uso de recursos naturais em larga escala. O conteúdo consultado não traz posicionamento de entidades do agronegócio sobre essas declarações.

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Neste sábado (6), uma das ações ocorreu no bairro de Perus, na zona noroeste de São Paulo, com manifestação contra a instalação de um incinerador previsto no projeto EcoParque Bandeirantes. Segundo a prefeitura, o empreendimento no antigo Aterro Sanitário Bandeirantes prevê ainda biodigestor, unidade de compostagem, biossecagem e central mecanizada de triagem de resíduos, com foco em reciclagem, aproveitamento de subprodutos e geração de energia com baixa emissão.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mantém o local na lista de Áreas Contaminadas em Processo de Remediação. O MST afirma que o projeto contraria interesses de moradores da região, ambientalistas e indígenas do Pico do Jaraguá.

Os números de mudas, sementes e participantes foram informados pelo próprio movimento. O material disponível não detalha espécies plantadas, área recuperada nem metodologia de acompanhamento, o que limita uma avaliação técnica mais ampla sobre os resultados ambientais da mobilização.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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