Os preços dos feijões carioca e preto seguem em alta nas principais regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Segundo o centro de pesquisas, a valorização é sustentada pela oferta restrita de grãos e pelo ritmo lento da colheita no Paraná, principal produtor da segunda safra nacional.
De acordo com pesquisadores do Cepea, o desenvolvimento mais tardio das lavouras paranaenses, aliado às chuvas irregulares registradas nas últimas semanas, atrasou a colheita e reduziu a disponibilidade do produto no mercado.
Além disso, novas revisões para baixo nas projeções da safra 2025/26 no estado reforçaram a preocupação dos agentes e contribuíram para manter os preços firmes neste início de maio.
Frente fria e atraso da colheita seguem no radar
O mercado também acompanha com atenção a aproximação de uma nova frente fria na Região Sul, fator que pode provocar novos atrasos nas atividades de campo e impactar o potencial produtivo das lavouras.
Mesmo com a sustentação das cotações, os agentes seguem cautelosos quanto ao volume de negócios, diante dos preços mais elevados praticados no mercado.
No caso do feijão preto, o produto ganhou destaque entre os compradores, principalmente pela busca por novos lotes da segunda safra.
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O ponto central da avaliação está na diferença entre exportação e extração total – Foto: Canva
O custo da adubação de base para a próxima safra de soja volta a ganhar peso nas decisões de manejo, especialmente em áreas de alta produtividade e em um cenário de margens mais ajustadas. A avaliação é de Daniel Dias Rosa, consultor sênior em agronegócios, que estima que esse custo pode variar de 12 a 19 sacas por hectare, conforme o cenário agronômico de cada área.
Segundo a análise, uma lavoura de soja com produtividade próxima de 90 sacas por hectare, equivalente a cerca de 5,4 toneladas, exige uma demanda nutricional elevada e não pode ser avaliada apenas pela fórmula NPK utilizada na adubação. Para esse nível produtivo, a cultura pode demandar aproximadamente 448 quilos por hectare de nitrogênio, 84 quilos por hectare de P₂O₅ e 204 quilos por hectare de K₂O, além de volumes relevantes de cálcio, magnésio e enxofre.
O ponto central da avaliação está na diferença entre exportação e extração total. A exportação corresponde aos nutrientes que saem da lavoura nos grãos. Já a extração total considera tudo o que a planta precisou absorver para formar raízes, hastes, folhas, vagens e grãos. Por isso, em lavouras de alto desempenho, apenas repor o que foi exportado pode não ser suficiente para sustentar a produtividade ao longo do tempo.
Com base nos preços informados de R$ 5.540 por tonelada para o MAP 11-42-00 e R$ 4.970 por tonelada para o cloreto de potássio 00-00-60, a adubação de base voltada apenas à reposição da exportação pode ultrapassar R$ 1.600 por hectare. Já uma estratégia voltada a atender a extração total pode se aproximar de R$ 2.800 por hectare.
Nesse contexto, a fertilidade do solo passa a ser tratada como ativo estratégico. A eficiência nutricional, o balanço de nutrientes, a construção do perfil de solo, o manejo biológico e a aplicação correta dos fertilizantes tendem a influenciar diretamente a margem do produtor. Em lavouras de alta performance, o investimento não se limita ao fertilizante, mas envolve estabilidade produtiva e sustentabilidade da produtividade.
De janeiro a agosto, a China importou 930 mil toneladas de milho, recuo de 92,7% na comparação anual, segundo o Gacc. Foto: Pixabay.
Os preços do milho seguem em queda na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), pressionados pelo avanço da colheita da safra de verão e pelo elevado volume de estoques remanescentes da temporada 2024/25.
Segundo o Cepea, a maior disponibilidade do cereal no mercado tem ampliado a oferta e favorecido os compradores, que relatam facilidade para fechar negócios e aguardam novas desvalorizações nas próximas semanas.
No mercado spot, parte dos vendedores também tem demonstrado maior flexibilidade nas negociações. O movimento ocorre em meio à necessidade de liberar espaço nos armazéns, atualmente ocupados pela chegada de novos lotes de soja e milho da safra de verão, além dos estoques ainda remanescentes da temporada anterior.
Além da pressão logística, produtores buscam reforçar o caixa, o que contribui para aumentar o volume disponível para comercialização.
Clima limita quedas mais intensas
Apesar do cenário de ampla oferta, o Cepea destaca que as quedas nos preços não foram ainda mais acentuadas devido às preocupações climáticas envolvendo a segunda safra de milho.
Algumas regiões produtoras enfrentam falta de chuva e temperaturas elevadas, condição que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras. Além disso, previsões de avanço de frentes frias voltaram ao radar do mercado e aumentam a atenção dos agentes sobre possíveis impactos no potencial produtivo.
Caso o cenário climático adverso se confirme, a produtividade da segunda safra poderá ser reduzida.
Atualmente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 109,11 milhões de toneladas de milho na segunda safra brasileira.
O Brasil segue na liderança global das exportações de soja, impulsionado pela forte demanda internacional, especialmente da China. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o ritmo acelerado dos embarques tem sustentado a receita do setor, mesmo diante da pressão causada pela ampla oferta interna, pela desvalorização cambial e pela queda das cotações domésticas.
Em abril, o país exportou 16,75 milhões de toneladas de soja, o maior volume já registrado para o mês na série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O resultado representa alta de 15,35% em relação a março e avanço de 9,6% na comparação com abril de 2025.
As vendas para a China continuam sendo o principal motor das exportações brasileiras. Apenas entre março e abril, os embarques destinados ao mercado chinês cresceram 17,6%, reforçando a dependência da demanda asiática pela oleaginosa brasileira.
No acumulado de janeiro a abril, as exportações somaram 40,24 milhões de toneladas, também um recorde para o período, de acordo com o Cepea.
O centro de pesquisas destaca que, apesar da pressão sobre os preços internos, o forte desempenho das exportações tem ajudado a manter o fluxo de receita da cadeia produtiva da soja em meio ao cenário de elevada disponibilidade do grão no mercado nacional.
Enquanto famílias e empresas cortam custos para sobreviver à inflação, Brasília opera sob uma lógica de imunidade fiscal absoluta. Gasta-se mais, a máquina pública cresce e a conta explode sobre quem não decidiu: o contribuinte brasileiro.
Buffett sugeriu que, nos Estados Unidos, o déficit seria resolvido em “cinco minutos” se os parlamentares americanos perdessem o direito de reeleição sempre que o rombo ultrapassasse um determinado limite.
Déficits persistentes decorrem da ausência de punição para quem produz desequilíbrios. Sem consequência, não existe responsabilidade.
O fim da criatividade política
No Brasil, a lógica é invertida. Quanto maior o desequilíbrio, maior a criatividade política para empurrar o problema adiante.
É hora de discutir mecanismos institucionais de responsabilização direta, adaptando essa lógica americana à nossa realidade.
Punição imediata para os culpados
A regra poderia ser objetiva: se o déficit ultrapassa um limite razoável, a ser fixado, do PIB (salvo calamidades), haveria consequências automáticas.
O Congresso ficaria impedido de disputar a eleição subsequente e o Executivo sofreria limitações severas de despesas.
Parece radical? Radical é o modelo atual, que naturaliza a dívida crescente enquanto vende a fantasia de benefícios sem custo.
A política brasileira trata o orçamento como peça de ficção: projeta-se arrecadação otimista e, quando a matemática impõe sua dureza, recorre-se ao aumento de impostos ou juros.
O cálculo político hoje é perverso: o benefício de gastar é imediato; o custo aparece anos depois, atribuído a abstrações convenientes.
Governos e parlamentos só mudarão quando houver risco político concreto associado ao desequilíbrio das contas públicas.
A hora do povo decidir
É uma distorção republicana que o cidadão responde por seus erros financeiros enquanto gestores de déficits bilionários seguem blindados.
Se a proposta parece dura, que o tema seja submetido a plebiscito.
Se o cidadão comum paga por seus erros, por que a classe política brasileira segue impune diante dos seus?
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A segunda-feira (11) será marcada por frio intenso no Sul do Brasil, avanço de áreas de instabilidade no Sudeste e chuva forte em partes do Nordeste e da região Norte. De acordo com a Climatempo, a atuação de uma massa de ar polar mantém as temperaturas baixas em grande parte do Centro-Sul do país, enquanto a circulação de umidade favorece temporais isolados no Norte e na faixa litorânea nordestina.
Sul
O tempo firme predomina nos três estados da região Sul devido à atuação de uma massa de ar polar associada a um sistema de alta pressão atmosférica. O cenário favorece céu com poucas nuvens e estabilidade ao longo do dia.
O amanhecer será bastante frio, com mínimas próximas ou abaixo de 0°C em áreas da serra gaúcha e catarinense, interior de Santa Catarina, sul e interior do Paraná, além do sul do Rio Grande do Sul. Há condição para formação de geada ampla em diversas áreas produtoras.
Durante a tarde, as temperaturas sobem um pouco, mas o frio continua predominando na região. O ciclone extratropical permanece afastado no oceano, porém ainda mantém o mar agitado e favorece rajadas moderadas a fortes no litoral gaúcho.
Sudeste
No Sudeste, a frente fria segue avançando pelo oceano e mantém o tempo instável em parte da região.
Desde as primeiras horas do dia, há previsão de pancadas moderadas a fortes entre o litoral norte paulista, Vale do Paraíba, Rio de Janeiro, centro-sul do Espírito Santo e áreas do sul, leste e Zona da Mata de Minas Gerais.
Ao longo do dia, o fluxo de umidade intensifica as instabilidades e espalha a chuva também pelo centro, leste e parte do interior mineiro, além do sul capixaba.
Nas demais áreas da região, o tempo segue firme. A massa de ar polar mantém o amanhecer frio em grande parte de São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais, com possibilidade de geada fraca e isolada no oeste e sul paulista.
O mar continua agitado entre os litorais de São Paulo, Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, as instabilidades perdem força e o predomínio será de tempo firme na maior parte da região.
Ainda pode ocorrer chuva fraca e isolada no extremo norte e noroeste de Mato Grosso, devido à umidade disponível na atmosfera.
A massa de ar frio mantém o amanhecer gelado em Mato Grosso do Sul e no sudoeste mato-grossense, enquanto as temperaturas seguem mais amenas também durante a tarde.
Já no norte de Mato Grosso e em Goiás, o calor volta a ganhar força ao longo do dia.
Nordeste
No Nordeste, a circulação marítima e o transporte de umidade continuam favorecendo chuva entre o litoral do Rio Grande do Norte e Sergipe, além do litoral norte da Bahia.
Em alguns momentos, a chuva pode ocorrer com forte intensidade, principalmente entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba.
A atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) reforça as instabilidades na metade norte do Maranhão, norte do Piauí e Ceará, com risco de temporais isolados.
Entre o litoral de Alagoas e Salvador, a chuva tende a ocorrer de forma mais fraca. No interior nordestino, o tempo permanece firme e com temperaturas elevadas durante a tarde.
Norte
Na Região Norte, a combinação entre elevada umidade e atuação da ZCIT mantém o tempo instável em áreas do Amazonas, Roraima, Amapá e grande parte do Pará.
As pancadas de chuva ocorrem desde cedo e ganham força ao longo do dia, com possibilidade de chuva moderada a forte e temporais isolados.
No Tocantins, a chuva se concentra apenas no norte do estado e ocorre de forma mais irregular.
Já no Acre, Rondônia e no sul do Amazonas e do Pará, o tempo permanece firme. Nessas áreas, a influência da massa de ar frio mantém temperaturas mais amenas e sensação de conforto térmico ao longo do dia.
No morning call desta segunda-feira (11), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que a semana será decisiva para medir o contágio da guerra no Oriente Médio sobre a inflação global. O petróleo segue acima de US$ 100 e o CPI dos EUA e o IPCA de abril no Brasil são os destaques da agenda.
O dólar fechou abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024, favorecido pelo diferencial de juros e superávit comercial recorde. A Brazil Week em Nova York ocorre em meio às negociações comerciais entre Lula e Trump.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
O mercado brasileiro de soja encerrou o período com movimentos distintos entre os principais estados produtores, em meio à pressão de custos, limitações logísticas e avanço da colheita em diferentes ritmos. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, o cenário combina preços portuários firmes em algumas praças, retração no interior e preocupação crescente com diesel, frete, armazenagem e insumos.
No Rio Grande do Sul, a colheita chegou a 85% da área, favorecida pelo tempo seco, enquanto o porto de Rio Grande subiu 0,78%, para R$ 129,00 por saca. No interior, Ijuí, Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Rosa permaneceram em R$ 122,00. Apesar do avanço dos trabalhos, a produtividade média estimada em 2.871 kg por hectare esconde perdas severas em regiões atingidas por estiagem e compactação do solo, especialmente na Fronteira Noroeste e nas Missões.
Em Santa Catarina, o comportamento foi divergente. Palma Sola avançou 0,89%, para R$ 113,00, enquanto Campos Novos recuou 0,40%, a R$ 123,00 no FOB. A demanda das cadeias de suinocultura e avicultura segue dando sustentação ao mercado, ao mesmo tempo em que o vazio sanitário, definido para começar em 13 de junho na maior parte do estado, aumenta a urgência no manejo pós-colheita.
No Paraná, as cotações de balcão ficaram estáveis após quedas anteriores, com a colheita praticamente finalizada e 90% das lavouras em boas condições. O frete segue como fator de pressão, com a rota Cascavel-Paranaguá consumindo R$ 11,40 por saca. A retenção de grãos por produtores ocorre em um ambiente de déficit de armazenagem, o que torna a espera mais cara e arriscada.
Em Mato Grosso do Sul, a colheita atingiu 98,1% da área, com produção estimada em 15 milhões de toneladas. A disputa por espaço nos silos com o milho safrinha pressiona a comercialização. Já em Mato Grosso, a colheita foi concluída, mas os preços recuaram de forma generalizada. Sorriso ficou em R$ 102,60, enquanto Rondonópolis marcou R$ 110,40. A projeção de alta de até 15% no custo da próxima safra reforça a preocupação com margens apertadas.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) participará da Agrotins entre terça-feira (12) e sexta-feira (16), no Centro Agrotecnológico de Palmas, no Tocantins, com uma agenda voltada à transferência de tecnologia.
A programação inclui debates técnicos, exposição de cultivares, demonstração de soluções para a aquicultura e lançamento de duas publicações no estande institucional da empresa.
Na programação técnica, a Embrapa informou que estará em quatro discussões. Na quarta-feira (13), o foco será a piscicultura familiar na região de Porto Nacional, com temas como caracterização da atividade, preparo de viveiros, fases de criação, comercialização e boas práticas no processamento do pescado.
O debate será realizado das 13h45 às 17h15, no auditório do Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o próprio Ruraltins.
Na quinta-feira (14), a empresa participará da sétima reunião técnica sobre produção de peixes em tanques-rede nos reservatórios tocantinenses e do segundo encontro dos aquicultores do Tocantins, no Pavilhão da Pesca e da Aquicultura.
Pela manhã, os pesquisadores Flávia Tavares e Giovanni Moro apresentarão tecnologias para produção em tanques-rede. Na ocasião, será lançada uma tabela de alimentação para engorda de tilápia-do-Nilo nas condições do estado.
Na sexta-feira (15), a pecuária será tema de dois eventos. O zootecnista Cláudio Barbosa tratará do programa Balde Cheio, voltado à pecuária de leite. No mesmo dia, Pedro Alcântara apresentará, em simpósio sobre eficiência pecuária, o uso de pastagem em propriedades atendidas pelo programa ABC Corte.
Na vitrine tecnológica, a Embrapa exibirá cultivares de amendoim, gergelim, mandioca e forrageiras, além de plantas alimentícias não convencionais. No estande, também serão apresentados conteúdos sobre nutrição, sanidade, melhoramento genético, processamento de peixes e edição genômica de tambaqui.
Segundo a Embrapa, os lançamentos previstos para sexta-feira (15), às 8h30, incluem o livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar e a tabela de alimentação para tilápia-do-Nilo em tanques-rede.
De acordo com Pedro Alcântara, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura, a diversidade de atividades busca atender diferentes perfis de produtores e ampliar a difusão de soluções técnicas no Tocantins.
O avanço acelerado do mercado de bioinsumos no Brasil elevou a pressão sobre o governo federal para concluir a regulamentação do Novo Marco Regulatório do setor. A avaliação predominou entre lideranças da indústria e pesquisadores reunidos no BioSummit 2026, realizado em 6 e 7 de maio, em Campinas, São Paulo.
O consenso foi da necessidade de regulamentação célere da nova legislação como condição estratégica para garantir segurança jurídica, continuidade operacional e expansão dos investimentos em bioinsumos no país.
O debate ocorre em meio a um cenário de forte crescimento do segmento. Segundo levantamento da CropLife Brasil, o mercado brasileiro de bioinsumos atingiu R$ 6,2 bilhões em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior e o maior avanço desde o início da série histórica, em 2022.
No plano internacional, a consultoria DunhamTrimmer projeta crescimento global de 10% entre 2025 e 2030, levando o setor a US$ 25 bilhões até o fim da década. A América Latina deverá superar essa média, com expansão estimada em 14%, puxada principalmente pelo Brasil, hoje considerado líder mundial em adoção de insumos biológicos.
Foi nesse contexto que o assessor jurídico da Associação Brasileira de Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), Rodrigo Souza, defendeu rapidez na consolidação das normas infralegais da nova Lei dos Bioinsumos, uma vez que o tempo de entusiasmo com a aprovação da matéria já passou.
Segundo ele, o próprio processo legislativo demonstrou maturidade institucional e alinhamento entre os diferentes elos da cadeia produtiva.
“É importante destacar que durante o processo legislativo existiu bastante consenso, mesmo com a participação dos diferentes setores envolvidos, o que demonstra o amadurecimento do debate e o entendimento de que neste momento a finalização do processo é a prioridade para todos, produtor rural, governo, pesquisa, investimento e indústria”, destacou.
Segurança jurídica
Souza ressalta que, entretanto, o cenário atual vai além de mera expectativa regulatória. “Mais do que ansiedade com a finalização da regulamentação, existe urgência real, especialmente por parte da indústria, que aguarda a finalização da regulamentação para ter segurança jurídica sobre uma área extremamente regulada”, declarou.
De acordo com ele, a ausência das regulamentações complementares já provoca impactos concretos sobre a operação das empresas. “Em muitos casos a falta de regulamentação impacta diretamente em processos de registro de produtos, fiscalizações e demais rotinas da cadeia de produção”, afirmou.
O assessor jurídico da Abinbio ressaltou ainda que diversos pontos previstos no novo marco continuam exigindo aprofundamento técnico e alinhamento institucional. Entre eles, citou a necessidade de definição sobre a atuação prévia do Ibama e da Anvisa nos processos de registro, além de temas considerados estratégicos para a competitividade do setor.
“Nesse contexto de urgência, é necessário destacar pontos importantes para a rotina da indústria, trazidos pela Lei dos Bioinsumos, que ainda necessitam de debate, especialmente atinentes à necessidade de atuação prévia do Ibama e Anvisa em processos de registro de produtos, proteção de dados regulatórios, proteção contra biopirataria, possibilidade de acreditação de laboratórios privados e ampliação do escopo da titularidade de registro de bioinsumos”, pontuou.
Outro aspecto levantado por Souza foi a coexistência temporária entre dispositivos antigos e as novas diretrizes legais, situação que, segundo ele, amplia a insegurança jurídica no setor. “Existem pontos de sombra entre a nova lei e o regramento anterior, que continuam impactando o dia a dia e inclusive gerando insegurança nas rotinas produtivas, em processos administrativos e fiscalizações”, explicou.
Ao encerrar sua participação, o representante da Abinbio reforçou que a consolidação do ambiente regulatório será determinante para o futuro da indústria brasileira de bioinsumos.
“A expectativa do setor é enorme, todavia a atividade da indústria não pode parar, pois existe toda a cadeia produtiva, de suprimentos e empregos envolvidos, pelo que a consolidação e aumento de investimentos e crescimento dependem de clareza e segurança jurídica no ambiente regulatório, o que somente ocorrerá com a finalização da regulamentação”, concluiu.