A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciou nesta terça-feira (16) um pacote de investimentos de R$ 74,9 milhões para fortalecer a agricultura familiar no Brasil.
As medidas incluem um edital para o desenvolvimento de máquinas agrícolas de baixo custo e duas parcerias institucionais voltadas à pesquisa aplicada e ao acesso ao crédito por cooperativas.
Os recursos são não reembolsáveis e vêm do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
O principal eixo do pacote é um edital de R$ 60 milhões para a formação de um consórcio de empresas que irá desenvolver um trator de pequeno porte, entre 15 e 18 cavalos de potência, além de pelo menos seis implementos agrícolas compatíveis. A proposta é criar uma solução tecnologicamente avançada, com baixo custo final e produção nacional.
O edital prevê pontuação adicional para projetos que envolvam cooperativas, Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) e investimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Os anúncios foram feitos durante a primeira reunião do Conselho Consultivo do Programa Mais Alimentos. Segundo o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, a iniciativa reforça o papel da inovação no aumento da produtividade e no fortalecimento do pequeno agricultor. “É uma demonstração da capacidade de induzir a inovação para chegar à ponta e melhorar a produtividade”, afirmou.
Pesquisa e crédito
Outro anúncio foi a parceria de R$ 14,9 milhões com o Instituto de Pesquisa e Educação do Campo (Ipê-Campo), que vai estruturar uma rede nacional de pesquisa focada no desenvolvimento de máquinas agrícolas e bioinsumos adaptados às realidades regionais.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a iniciativa atende a uma demanda histórica dos movimentos sociais e busca ampliar a base científica nacional no setor.
A terceira frente é um Acordo de Cooperação Técnica com a União Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias (Unicopas), que representa cerca de 800 mil famílias.
O objetivo é facilitar o acesso das cooperativas às linhas de financiamento da Finep, possibilidade aberta após a modernização da Lei do FNDCT, que passou a permitir que cooperativas se beneficiem diretamente dos recursos do fundo.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, os anúncios mostram como a política de ciência e tecnologia pode dialogar com políticas sociais e produtivas. Já o ministro Paulo Teixeira destacou que o pacote representa uma “mudança de paradigma” na agricultura familiar, ao promover mecanização, reduzir a penosidade do trabalho no campo e tornar a atividade mais atrativa para jovens e famílias rurais.
A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) realizou, nesta terça-feira (11), uma coletiva de imprensa para avaliar o desempenho do setor agropecuário em 2025 e apresentar perspectivas para 2026. O encontro contou com a presença do presidente da entidade, Gedeão Pereira, que também assumirá como primeiro vice-presidente gaúcho da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do presidente eleito para o próximo mandato, Domingos Velho Lopes, e do economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz.
O encontro foi conduzido por Gedeão Pereira, que encerra seu mandato em 31 de dezembro. Ao abrir a coletiva, ele relembrou sua trajetória à frente da entidade e destacou o momento de transição institucional. “É a primeira vez em 29 anos que fazemos uma transmissão do cargo da Presidência na Federação da Agricultura”, afirmou. Gedeão assumiu a presidência após o falecimento de Carlos Rivaci Sperotto e, no último dia 9 de dezembro, tomou posse como 1º vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cargo inédito para um representante gaúcho.
Ao avaliar o contexto político e econômico, o presidente da Farsul ressaltou a importância de 2026 para o futuro do agronegócio. Segundo ele, o próximo ciclo eleitoral terá impacto direto sobre o setor no Rio Grande do Sul e no país. “Hoje nós vivemos em um Brasil absolutamente indefinido quanto ao seu futuro. Os bons economistas do Brasil estão apontando para uma crise em que nosso País está se afundando”, declarou.
Gedeão Pereira também chamou atenção para os efeitos da crise climática sobre a economia estadual. Conforme destacou, a recorrência de eventos extremos comprometeu a renda e o consumo no Rio Grande do Sul. “Nos últimos cinco anos, bilhões de reais deixaram de circular no bolso dos gaúchos. Nosso Estado é majoritariamente agrícola. Quando a agricultura falha, a riqueza deixa de circular entre todo nosso povo”, afirmou.
O presidente eleito da Farsul, Domingos Velho Lopes, que assume o comando da entidade no início de 2026, afirmou que dará continuidade ao trabalho técnico desenvolvido pelo Sistema Farsul e buscará ampliar o diálogo com a sociedade, especialmente nos centros urbanos. “Nossa meta é defender o produtor rural, ratificar o que fazemos tecnicamente, e valorizar essa aproximação com a população urbana. Nós precisamos mostrar que somos o maior exportador líquido de alimentos do mundo”, disse.
Durante a coletiva, o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, apresentou o balanço econômico do setor agropecuário em 2025 e detalhou a situação da agricultura gaúcha. Segundo ele, o estado enfrenta a quinta safra consecutiva com perdas. “Estamos na quinta safra consecutiva com perdas. Nós vamos ter uma perda de 6% na produção de grãos em comparação com a safra de 2024, que foi um ano muito ruim. O setor está em uma situação em que não conseguimos sair do fundo do poço”, declarou.
Ao analisar o desempenho econômico nacional, Antônio da Luz afirmou que o Brasil perdeu competitividade nas últimas duas décadas. De acordo com ele, o país deixou de acompanhar o crescimento de outras economias. “Aqui falamos de crescimento, de desenvolvimento econômico, de bem-estar social, de segurança, de saúde”, pontuou. O economista alertou para uma desaceleração mais intensa da economia em 2026 e defendeu mudanças no modelo de investimento. “Nós não vamos atingir estabilidade econômica com um fiscal desequilibrado e sem segurança jurídica”, afirmou.
Em relação ao Rio Grande do Sul, Da Luz destacou que o desempenho estadual é ainda mais desfavorável quando comparado ao restante do país. “O ranking da taxa de crescimento estadual coloca o RS na 26ª posição. De 2019 para cá, perdemos 11 pontos percentuais em relação ao País”, disse.
Segundo o economista-chefe da Farsul, os efeitos da estiagem vão além da atividade agropecuária e impactam toda a sociedade gaúcha. Ele apresentou dados que relacionam períodos de seca à redução do crescimento populacional. “O RS cresceu 1,8% entre 2010 e 2022. Santa Catarina cresceu 22%, Paraná cresceu 9,6%. Nós estamos perdendo jovens”, afirmou.
Ao tratar da situação financeira dos produtores, Antônio da Luz ressaltou que o endividamento tende a se manter mesmo diante de uma eventual recuperação da produção. “O endividamento vai continuar. Mesmo que a gente colha uma boa safra, esse problema vai permanecer”, declarou. Ele relacionou esse cenário ao desequilíbrio fiscal, à inflação e aos juros elevados. “Nosso Estado está ficando para trás. E isso traz consequências para toda a população, não só para o produtor”, concluiu.
O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com manutenção do padrão das negociações em grande parte do país.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o ritmo é lento e tende a ficar ainda mais moroso na próxima semana, algo compreensível durante o período de festas de final de ano.
“A indústria frigorífica opera com menor capacidade de abate neste momento, com algumas plantas em férias coletivas para a tradicional realização de manutenção do parque fabril. Essas indústrias já iniciam a compra de animais para atender as escalas de janeiro”, destaca.
De acordo com ele, sob o prisma da demanda, ainda é evidenciado forte ritmo de embarques, sendo este o grande elemento de destaque de 2025.
Preços médios do boi gordo
São Paulo: R$ 322,10 — ontem: R$ 321,53
Goiás: R$ 314,64 — R$ 313,75
Minas Gerais: R$ 308,53 — R$ 309,41
Mato Grosso do Sul: R$ 311,23 — R$ 311,36
Mato Grosso: R$ 298,49 — R$ 298,82
Mercado atacadista
O mercado atacadista se depara com preços firmes, ainda em viés de alta no curto prazo, considerando o bom momento de consumo no mercado interno com os efeitos da entrada do 13º salário na economia, a criação dos postos temporários de emprego, além das confraternizações tradicionais nessa época do ano.
Quarto traseiro: R$ 26,25 por quilo;
Quarto dianteiro: R$ 18,50 por quilo;
Ponta de agulha: R$ 18,50 por quilo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,82%, sendo negociado a R$ 5,4638 para venda e a R$ 5,4618 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4148 e a máxima de R$ 5,4738.
O mercado brasileiro de soja voltou a registrar baixa movimentação nesta terça-feira (16). Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, a sessão foi marcada por poucas ofertas e cotações majoritariamente nominais. O produtor segue retraído, com pouco interesse em vendas, diante de um cenário de demanda limitada tanto no mercado interno quanto na exportação.
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De acordo com Silveira, os prêmios permaneceram estáveis, a bolsa recuou e o dólar apresentou alta, combinação que resultou em um dia sem grandes oscilações efetivas. As cotações, segundo ele, acabaram funcionando mais como referência do que como estímulo a novos negócios.
Preços de soja no Brasil
Passo Fundo (RS): manteve em R$ 135,50
Santa Rosa (RS): manteve em R$ 136,50
Cascavel (PR): manteve em R$ 135,00
Rondonópolis (MT): caiu de R$ 124,00 para R$ 123,00
Dourados (MS): caiu de R$ 125,50 para R$ 125,00
Rio Verde (GO): caiu de R$ 129,00 para R$ 127,00
Paranaguá (PR): manteve em R$ 141,00
Rio Grande (RS): manteve em R$ 141,50
Chicago amplia perdas com pressão do petróleo
Os contratos futuros da soja fecharam em baixa nesta terça-feira (16) na Bolsa de Mercadorias de Chicago, atingindo novamente os menores níveis em sete semanas. O mercado segue pressionado pelo ritmo moderado das compras chinesas e pela expectativa de uma ampla safra brasileira.
A essas variáveis se somou o fraco desempenho do petróleo, que reforçou o viés baixista. Os contratos da commodity energética caminham para o pior desempenho desde fevereiro de 2021, influenciados pelo andamento das negociações para encerrar a guerra entre Ucrânia e Rússia, fator que pesa sobre o sentimento dos investidores.
Analistas destacam que a perspectiva de excesso de oferta ao longo de 2026 mantém o mercado sob pressão. O Brent deve encerrar o ano em nova mínima acumulada, sem expectativa de queda abaixo de US$ 55 por barril antes do fim do período.
Perto do fechamento, o petróleo WTI para janeiro recuava 2,51%, cotado a US$ 55,39 o barril, enquanto o Brent para fevereiro caía 2,52%, a US$ 59,03 o barril.
Outros fatores no radar do mercado
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos informou que deve concluir os mandatos de mistura de biocombustíveis para 2026 e 2027 apenas no primeiro trimestre do próximo ano. O atraso aumenta a incerteza regulatória e leva empresas do setor a adiarem decisões de investimento.
Na Argentina, a Federação dos Trabalhadores do Complexo Oleaginoso anunciou adesão à mobilização nacional contra a reforma trabalhista do governo. Já a Câmara da Indústria destacou que há acordo trabalhista vigente até meados de 2026.
Na China, a estatal Sinograin vendeu cerca de 323 mil toneladas de soja importada em leilão realizado nesta terça-feira, o equivalente a 62,9% do volume ofertado. Uma nova operação, envolvendo 550 mil toneladas, está prevista para o dia 19 de dezembro.
Câmbio
O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,82%, cotado a R$ 5,4638 para venda e R$ 5,4618 para compra. Ao longo da sessão, a moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,4148 e R$ 5,4738, movimento que também influenciou a formação de preços no mercado doméstico de soja.
A ação que levou à suspensão da tecnologia se arrastava há cinco anos na justiça e foi movida por um grupo de produtores de frutas que alega prejuízos com o impacto do defensivo que, conforme estudos, se dispersa em um raio de até 30 km do local onde foi aplicado.
Os maiores impactos relatados pelos agricultores são sentidos em vinhedos, com danos na brotação e abortamento de flores que, consequentemente, geram cachos ralos e colheitas menores.
A presidente da Associação Vinhos Finos da Campanha, Rosa Wagner, ressalta que, nos últimos anos, os produtores de uva têm sentido um declínio constante na produção. “Ninguém mais está investindo porque não sabe se vai ter produção. […] há morte dos parreirais porque há um acúmulo de herbicida na planta. […] o direito de produzir livremente é difuso, então temos o direito de produzir sem sermos atingidos por outras culturas”, diz. O 2,4-D é utilizado para o controle de plantas daninhas de folhas largas na soja, milho e arroz, principalmente.
Agora, Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), em conjunto com a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), a Croplife Brasil, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) lança o comunicado de prevenção de uso diante do aumento de relatos de danos em culturas sensíveis associados ao uso inadequado de herbicidas hormonais.
Segundo as entidades, a intensificação das ocorrências acende um sinal de alerta para o setor. Caso o problema se mantenha, há risco de restrições mais severas ao uso desses produtos, comprometendo as estratégias disponíveis para o manejo de plantas daninhas de folhas largas.
“O uso responsável de herbicidas hormonais depende do cumprimento rigoroso de orientações técnicas. A prevenção da deriva é um compromisso coletivo e essencial para proteger culturas sensíveis e garantir a continuidade das ferramentas de manejo disponíveis aos agricultores”, destaca o gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato, Fábio Kagi.
Como aplicar herbicidas hormonais
O Sindiveg reforça que a aplicação de herbicidas hormonais deve ocorrer exclusivamente com pontas de indução de ar capazes de gerar gotas grossas ou extremamente grossas, conforme previsto em rótulos, bulas e receituário agronômico.
“A seleção correta do modelo de ponta e da pressão de trabalho é determinante para alcançar o espectro de gotas recomendado, sendo que qualquer alteração nesses parâmetros, incluindo velocidade de deslocamento ou altura da barra, pode modificar o padrão gerado e aumentar o risco de deriva, exigindo nova conferência e calibração do sistema”, diz o Sindicato, em nota.
De acordo com ofício das entidades, também devem ser reforçadas orientações sobre o volume de calda, privilegiando valores próximos ao limite máximo indicado em bula, de forma a favorecer a formação de gotas maiores e assegurar cobertura adequada, além de confirmar se o agricultor recebeu as instruções necessárias, dispõe de equipamentos adequados e encontra-se apto a conduzir a aplicação conforme bula e receita agronômica.
Instrução ao usuário
O ofício ainda esclarece que, no ato da venda, distribuidores e cooperativas devem orientar o produtor sobre a necessidade de utilizar pontas compatíveis com a tecnologia exigida para herbicidas hormonais.
“Caso o equipamento não possua as pontas adequadas, a substituição deve ser feita antes da aplicação. Para reforçar a materialidade da orientação, recomenda-se registrar que o usuário foi instruído sobre o modelo de ponta, a faixa de pressão, as condições climáticas apropriadas e as culturas sensíveis no entorno da área”, diz trecho do documento.
De acordo com as entidades que assinam o ofício, as condições meteorológicas também são determinantes para a aplicação segura. A recomendação geral é que a umidade relativa esteja acima de 55%, a temperatura abaixo de 30°C e a velocidade do vento entre 3 e 10 km/h, salvo especificações diferentes previstas em cada bula.
O documento alerta para dois cenários meteorológicos que aumentam de forma significativa o risco de deriva:
Presença de inversão térmica, muito comum no início da manhã, quando o ar frio permanece próximo ao solo e impede a dispersão das gotas;
Correntes convectivas em dias extremamente quentes e secos, quando o solo aquecido faz o ar subir rapidamente e pode arrastar gotas para áreas indesejadas.
“Em ambas as situações, a aplicação não deve ser realizada, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo do clima”, destaca.
Culturas sensíveis
As entidades também chamam atenção para a sensibilidade de algumas culturas, como uva, maçã, tomate e algodão, que exigem atenção redobrada à direção do vento, sendo obrigatória a interrupção da aplicação quando houver risco de deslocamento do produto para áreas sensíveis.
O documento ainda reforça a importância do uso exclusivo de produtos devidamente registrados, autorizados para a cultura e adquiridos apenas em distribuidores, cooperativas agrícolas ou diretamente dos fabricantes.
“Antes da compra, devem ser verificadas a integridade da embalagem, a identificação do fabricante, o número de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a conformidade das informações. Formulações ilegais, incluindo antigas versões de 2,4-D éster butílico, apresentam elevado risco de volatilidade e deriva e que não estão devidamente registradas no Brasil, com potencial de causar danos severos e comprometer a segurança e a rastreabilidade de toda a cadeia”, destaca o ofício.
“O emprego de produtos clandestinos coloca em risco a agricultura e toda a cadeia produtiva. A orientação é clara: identificar, recusar e denunciar qualquer suspeita”, reforça Kagi.
O plantio da soja no Brasil avança para a reta final, ainda com atraso em relação ao mesmo período da safra passada. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 94,1% da área prevista já foi semeada, percentual inferior aos 96,8% registrados no mesmo período do ano anterior. Apesar disso, na comparação com a média dos últimos cinco anos, o ritmo do plantio segue adiantado em 3,5%, indicando um cenário ainda confortável do ponto de vista histórico.
O cenário climático recente foi positivo para o campo. As chuvas registradas na semana passada ajudaram a espalhar umidade por grande parte das áreas produtoras do país, favorecendo o avanço das operações agrícolas. Com isso, os estados que ainda precisam concluir os trabalhos de semeadura devem conseguir finalizar o plantio nos próximos dias.
De acordo com o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, muitas regiões produtoras já encerraram completamente a semeadura da soja. As áreas que ainda concentram atraso estão principalmente no Matopiba, em Goiás, no Rio Grande do Sul e também em Santa Catarina. A expectativa é de que, com a manutenção das condições favoráveis de umidade, o plantio seja concluído sem maiores dificuldades nessas localidades.
Atenção, sojicultor
No entanto, o produtor precisa ficar atento às mudanças no tempo. Uma frente fria avança pelo país e traz risco de temporais nas próximas 24 horas. Segundo o meteorologista, imagens de satélite indicam instabilidade sobre Mato Grosso do Sul, interior de São Paulo e Triângulo Mineiro, com possibilidade de chuvas intensas acompanhadas por rajadas de vento mais fortes. Não se descarta, inclusive, a ocorrência de transtornos na capital paulista e em áreas do Rio de Janeiro, devido à chuva volumosa concentrada em curto período.
No Sul do país, os efeitos do sistema já foram sentidos. Em Porto Alegre, rajadas de vento chegaram a 90 km/h, deixando cerca de 250 mil imóveis sem energia elétrica, conforme informações da Defesa Civil. Também há risco de ventos acima de 70 km/h no noroeste de Mato Grosso do Sul e no sul de Mato Grosso.
Temperaturas elevadas
Enquanto isso, o sol aparece em parte do Rio Grande do Sul e também no interior da Bahia e no agreste nordestino, onde as temperaturas seguem elevadas, com máximas próximas de 35 °C. Em Vitória da Conquista, a semana será de tempo firme, com máximas em torno de 30 °C, mas a frente fria deve levar chuva ao estado a partir do fim de semana.
Próximos cinco dias
Nos próximos cinco dias, o destaque passa a ser a entrada de ar frio no Sul do Brasil. As temperaturas caem de forma já a partir de amanhã (16), com mínimas próximas de 10 °C em áreas de baixada, sem risco de geada ampla. O frio também avança sobre São Paulo e Mato Grosso do Sul, onde as mínimas podem ficar abaixo de 15 °C. Há previsão de geada na Serra Gaúcha e na Serra Catarinense, com temperaturas que podem ficar abaixo dos 5 °C.
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O Circuito Nelore de Qualidade 2025 registrou o maior volume de animais avaliados desde a criação do programa. Ao todo, 49.700 bovinos passaram pela análise de carcaças. A edição reuniu etapas em 12 estados brasileiros, além de provas realizadas na Bolívia e no Paraguai. O resultado reforça a abrangência do campeonato e o engajamento dos criadores.
Organizado pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), o Circuito funciona como um campeonato técnico. A proposta é comparar carcaças e gerar parâmetros objetivos de qualidade.
Duas etapas concentraram os maiores números já registrados. Em Diamantino, no Mato Grosso, foram avaliados 5.908 animais. Em Mozarlândia, em Goiás, o total chegou a 6.650 bovinos.
Segundo a ACNB, 388 pecuaristas participaram da edição de 2025. Os dados refletem a adoção de práticas de manejo, genética e terminação voltadas à padronização do produto final.
Criado em 1999, o Circuito Nelore de Qualidade se consolidou como o maior programa de avaliação de carcaças bovinas do mundo. Ao longo dos anos, tornou-se uma ferramenta de referência para o aprimoramento da raça Nelore.
O presidente da ACNB, Victor Paulo Silva Miranda, avalia que o crescimento do Circuito está diretamente ligado ao comprometimento dos produtores. Para ele, os resultados indicam evolução técnica e atenção às exigências do mercado.
A edição de 2025 manteve o foco na análise objetiva de rendimento, acabamento e conformação. Esses indicadores são usados para orientar decisões dentro da porteira e alinhar produção e indústria.
Destaques da raça nelore na América do Sul
Na disputa continental, a Agropecuária Maragogipe, do Brasil, venceu na categoria Melhor Lote de Carcaças de Machos. O pódio também teve produtores brasileiros e paraguaios.
Entre as fêmeas, a Ganadera La Celestina, do Paraguai, ficou com o primeiro lugar. Produtores do Brasil, Paraguai e Bolívia completaram as posições seguintes.
Resultados nacionais e etapas internacionais
No Brasil, a premiação contemplou categorias como machos e fêmeas terminados a pasto, machos castrados e lotes de carcaças. Agropecuária Maragogipe, Dalton Dias Heringer e CFSO Agropecuária estiveram entre os destaques.
Na Bolívia, houve premiação para sistemas de confinamento e pasto, com reconhecimento a ganaderías e lotes de machos e fêmeas. A Fridosa Alimentos foi apontada como frigorífico parceiro.
No Paraguai, os melhores resultados ficaram com a Agrícola Ganadera San Marcos e a Ganadera La Celestina. A Minerva Foods atuou como frigorífico parceiro na edição local.
Além dos produtores, o Circuito reconheceu a participação de frigoríficos parceiros no Brasil, reforçando a integração entre produção, indústria e avaliação técnica.
O agro brasileiro é frequentemente apontado como um setor mal compreendido pela sociedade, mas o desafio pode estar menos nas práticas do campo e mais na forma como elas são comunicadas.
No quadro “Palavra de Especialista”, o head of agrobusiness da Terradot, Renato Rodrigues, destaca que comunicar melhor o agro é essencial para aproximar o setor da sociedade e fortalecer o diálogo entre campo e cidade.
Segundo ele, é comum ouvir que o agro é mal compreendido, e embora isso seja parcialmente verdade, o problema passa, muitas vezes, pela forma de comunicação adotada pelo próprio setor. “Os valores já existem e quem vive no campo sabe. O agro é feito de trabalho, responsabilidade, família e visão de longo prazo”, afirma.
De acordo com Rodrigues, os valores do agro brasileiro sempre estiveram presentes, mas, muitas vezes, faltou uma comunicação mais assertiva para torná-los visíveis à sociedade. Ao adotar uma linguagem excessivamente técnica ou falar apenas para dentro do próprio setor, o agro acabou se distanciando do público em geral.
Comunicar melhor não é simplesmente fazer propaganda, não é fazer maquiagem, não é criar slogan bonito. É traduzir valores reais em uma linguagem que a sociedade compreenda”, afirma Rodrigues.
Conexão entre campo e cidade
Rodrigues também destaca a importância dos veículos de comunicação especializados, que não atuam para atacar ou defender o agro, mas para conectar.
A proposta é aproximar campo e cidade, produção e sociedade, reduzindo ruídos e ampliando o diálogo. “Menos discurso e mais realidade. Menos ruído e mais diálogo”, aponta Rodrigues.
Preparação para o futuro
No fim do ano, o especialista convida à reflexão sobre o que foi construído ao longo do tempo, valorizando a família, o alimento que chega à mesa e o trabalho do campo. Ele também chama atenção para os desafios futuros e para a importância de uma comunicação mais assertiva, tanto dentro do Brasil quanto no exterior.
“Comunicar bem o agro é comunicar melhor o país como um todo. E é assim que seguimos falando de futuro, caminhos possíveis e da construção de pontes dentro e fora do campo”, conclui.
O presidente da Argentina, Javier Milei, repostou na segunda-feira (15) uma imagem gerada por inteligência artificial em que retrata Brasil, Uruguai, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Colômbia — países governados por presidentes alinhados ao campo da esquerda — como locais pobres, repletos unicamente de construções semelhantes às encontradas em comunidades periféricas.
Foto: Reprodução
Por outro lado, a ilustração traz Argentina, Chile, Paraguai, Equador, Bolívia e Peru, liderados por mandatários de direita, como nações desenvolvidas, com ar futurista, com iconografia tipicamente encontrada em filmes de ficção científica.
A publicação de Milei vem na esteira das eleições presidenciais do Chile no último domingo (14). O pleito foi vencido pelo direitista José Antonio Kast, que apoiou publicamente o regime ditatorial de Augusto Pinochet (1973-1990).
Agora, com a eleição de Kast, os 12 países da América do Sul aparecem igualmente divididos no campo político: seis governos para cada uma das vertentes ideológicas.
O presidente argentino é famoso por manifestações em que critica o socialismo e defende políticas econômicas ultraliberais.
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As estimativas mais recentes indicam crescimento de 2,5% na área – Foto: Canva
O algodão brasileiro segue ampliando sua importância no cenário global e reforçando a competitividade do país no mercado internacional de fibras, segundo a Rizobacter do Brasil. O atual ciclo combina expansão da área cultivada, liderança nas exportações e concentração da produção em regiões altamente tecnificadas, fatores que sustentam as perspectivas positivas para o setor, mesmo diante das incertezas do ambiente econômico externo.
As estimativas mais recentes indicam crescimento de 2,5% na área destinada ao algodão, sinalizando maior confiança dos produtores. Embora o Mato Grosso, principal estado produtor, esteja em período de entressafra, outras regiões já avançam com o calendário agrícola. Em São Paulo, por exemplo, a safra teve início em outubro, contribuindo para a regularidade da oferta nacional.
No comércio internacional, o Brasil mantém a posição de maior exportador mundial de algodão em pluma. Esse desempenho está associado ao uso intensivo de tecnologia no campo, à adoção de práticas sustentáveis e à rastreabilidade do produto, características cada vez mais exigidas pelos mercados compradores. Mato Grosso e Bahia continuam liderando a produção, respondendo por grande parte do volume nacional e pela qualidade da fibra brasileira.
Mesmo em um cenário global marcado por volatilidade, a expectativa é de continuidade no crescimento das exportações, com volumes que podem superar 3 milhões de toneladas de pluma. Nesse contexto, a Rizobacter do Brasil destaca seu posicionamento ao lado do cotonicultor, oferecendo soluções voltadas à maximização do potencial produtivo das lavouras, desde o tratamento de sementes até a colheita, contribuindo para ganhos de eficiência e desempenho no campo.