O segredo para o sucesso no confinamento está nos detalhes. O zootecnista Maurício Scoton, professor da Uniube, apresentou no quadro “Dicas do Scoton”, do Giro do Boi, os principais pontos de um checklist para uma ronda eficiente. Ele afirma que a observação apurada é crucial para o pecuarista que busca alta performance.
A ronda no confinamento deve ser feita com atenção aos mínimos detalhes. É um trabalho que exige um olho treinado para detectar sinais de saciedade, saúde e bem-estar do gado. “A ronda é o elo que conecta a dieta, o manejo e a saúde do gado”, diz Scoton.
O confinamento não é uma corrida de 100 metros, mas uma maratona de 100 dias de cocho. Se o pecuarista quer apurar o lucro que desenhou na sua planilha, ele precisa checar o seu operacional. A observação diária é a chave para a excelência e para garantir que o trabalho do confinamento, da fabricação à entrega, seja constante, preciso e eficiente.
O mercado da soja do Rio Grande do Sul é pautado pela recuperação produtiva de 57% e foco em manejo fitossanitário intensivo, segundo informações da TF Agroeconômica. “Para pagamento em dezembro, com entrega em dezembro, os preços no porto foram reportados a R$ 144,00/sc semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 133,64/sc semanal em Cruz Alta, salvo por Santa Rosa a R$ 140,00 e Passo Fundo a R$ 139,00. Já em Panambi, o mercado físico apresentou manutenção, com o preço de pedra recuando para R$ 122,00/sc, sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador”, comenta.
O cenário agrícola de Santa Catarina é definido por postura de ajuste estratégico. “O mercado catarinense também é impactado pela crise em outras commodities como arroz, cujos preços ao produtor estão 52% abaixo dos níveis do ano anterior, limitando fôlego financeiro dos agricultores para manejo da soja. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 142,94 (+0,79%)”, completa.
O Paraná apresenta cenário de estabilidade técnica nos indicadores oficiais. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 142,86. Em Cascavel, o preço foi R$ 130,41. Em Maringá, o preço foi de R$ 130,09. Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 133,19 por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 142,94. No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 122,00”, indica.
O Mato Grosso do Sul vive cenário de queda de braço entre produtores e tradings. “O armazenamento é gargalo mais crítico do estado, com estudo técnico revelando que 73 dos 78 municípios analisados possuem déficit de silos, totalizando defasagem de 11,1 milhões de toneladas. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 126,00, Campo Grande em R$ 124,86, Maracaju em R$ 124,86, Chapadão do Sul a R$ 122,91, Sidrolândia a em R$ 124,86”, informa.
O Mato Grosso inicia efetivamente a retirada dos primeiros talhões de soja das áreas de pivô central. “Campo Verde: R$ 122,26 (+0,02%). Lucas do Rio Verde: R$ 117,23 (-0,07%), Nova Mutum: R$ 117,23 (-0,07%). Primavera do Leste R$ 122,26 (+0,02%). Rondonópolis: R$ 122,23 (+0,00%). Sorriso: R$ 117,31 (+0,00%)”, conclui.
A Expedição Soja Brasil chegou ao Sul do país e encontrou um cenário que vem se repetindo nas últimas safras, com o clima como principal fator de risco para a produção de soja. Entre estiagens prolongadas e episódios de excesso de chuva, produtores da região têm precisado adaptar o manejo para manter a produtividade.
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Na região de Maringá, no norte do Paraná, a equipe esteve na propriedade do produtor Gustavo Corazza, que nesta safra cultivou 670 hectares de soja. Apesar do período de tempo seco no início do ciclo, não houve necessidade de replantio. Ainda assim, as perdas provocadas por adversidades climáticas nos últimos anos seguem como um ponto de atenção.
“O principal gargalo da produção está concentrado no final do ciclo da soja. Foi nesse período que ocorreram as maiores perdas nas últimas safras. Embora, até o momento, o desenvolvimento esteja dentro do esperado, o resultado final ainda depende das condições climáticas até o encerramento do ciclo”, afirma o produtor.
No Sul do país, as últimas cinco safras foram impactadas por problemas climáticos, seja por estiagens prolongadas, seja por excesso de chuvas. Diante desse cenário, a adaptação do manejo passou a ser uma estratégia essencial para a sustentabilidade da produção.
“Buscamos escalonar o plantio e selecionar variedades com ciclos mais estáveis, especialmente em relação à tolerância à falta de chuva”, explica Corazza.
Além da escolha genética, práticas agrícolas voltadas à conservação do solo vêm sendo intensificadas nas propriedades. “Também adotamos manejos que contribuem para a mitigação do estresse hídrico, como a manutenção de palhada proveniente do consórcio com o milho, o que proporciona maior conforto térmico às plantas de soja”, acrescenta.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), o Paraná enfrentou uma das maiores quebras na produção de soja na safra 2022. A expectativa inicial era de uma colheita em torno de 20 milhões de toneladas, mas as condições climáticas adversas reduziram a produção para aproximadamente 12 milhões de toneladas. Para a safra atual, o cenário é mais equilibrado, embora ainda demande cautela.
“Safras mais favoráveis acabaram compensando parcialmente os resultados frustrados desse período. Atualmente, o custo de produção por hectare gira entre 26 e 27 sacas. Considerando uma produtividade média histórica de 57 sacas nos últimos dez anos, a atividade ainda apresenta viabilidade econômica”, avalia Edemar Gervásio, analista do departamento.
Com a previsão de ocorrência de La Niña em intensidade moderada, a atenção às condições meteorológicas deve permanecer elevada. O Paraná está localizado em uma zona de transição climática entre as regiões Sul e Centro-Oeste e também sofre influência de sistemas atmosféricos provenientes de países vizinhos, como o Paraguai, o que pode favorecer a ocorrência de eventos mais extremos.
“O produtor, ao longo de dez safras, tende a perder uma ou duas por fatores climáticos. No entanto, sem investimentos em tecnologia e em métodos de mitigação desses riscos, esse número pode aumentar significativamente, comprometendo a sustentabilidade da atividade no médio e longo prazo”, conclui.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) confirmou, nesta quarta-feira (31), que sete moradores de Ribeira do Pombal foram intoxicados por metanol após o consumo de bebidas destiladas. A confirmação veio após perícia técnica realizada pelo Departamento de Polícia Técnica da Bahia (DPT-BA), que identificou a presença da substância tanto nas bebidas ingeridas quanto nas análises laboratoriais do sangue das vítimas.
Segundo a Sesab, assim que houve a confirmação, foi adotado o protocolo previsto pelo Ministério da Saúde para casos de intoxicação por metanol, em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde. As sete pessoas receberam atendimento no Hospital Geral Santa Tereza, em Ribeira do Pombal, incluindo a administração de antídoto nos casos em que houve indicação clínica.
De forma simultânea, a Vigilância Sanitária Municipal, com apoio da Polícia Civil, localizou e interditou o estabelecimento responsável pela comercialização da bebida suspeita. As autoridades seguem investigando a origem do produto para apurar responsabilidades.
Orientação à população
Diante do ocorrido, a Sesab reforçou o alerta à população baiana, especialmente neste período de festas, para que redobre os cuidados na compra e no consumo de bebidas destiladas. A orientação é verificar a procedência dos produtos, observar se as embalagens e selos de segurança estão intactos e priorizar estabelecimentos devidamente regularizados.
Casos pelo Brasil
Em âmbito nacional, entre 26 de setembro e 5 de dezembro de 2025, foram registradas 890 notificações relacionadas à intoxicação por metanol no Brasil, com pelo menos 73 casos confirmados. Os estados mais afetados foram São Paulo, Pernambuco, Paraná, Mato Grosso, Bahia e Rio Grande do Sul.
Ao todo, 22 óbitos foram confirmados, enquanto outros nove seguiam em investigação até o início de dezembro. No último dia 8, o Ministério da Saúde anunciou o encerramento da sala de situação criada para monitorar os casos, citando estabilidade epidemiológica e manutenção dos estoques de antídotos em todos os estados.
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Na B3, os principais vencimentos encerraram com resultados variados – Foto: Divulgação
O mercado de milho apresentou comportamento misto nas bolsas nesta segunda-feira, refletindo movimentos distintos entre o cenário doméstico e o internacional. Segundo análise da TF Agroeconômica, os contratos negociados no Brasil oscilaram ao longo do dia, influenciados pela valorização do dólar frente ao real e pela queda das cotações em Chicago.
Na B3, os principais vencimentos encerraram com resultados variados, em um ambiente de negócios marcado por cautela. O mercado físico segue lento ou até paralisado em algumas regiões, o que limita o volume de negociações e reduz a disposição dos agentes em assumir posições mais agressivas. Esse cenário acaba se refletindo diretamente na formação de preços futuros, que alternaram leves altas e baixas ao longo da sessão.
O contrato com vencimento em janeiro de 2026 fechou a R$ 70,24, registrando valorização diária, apesar de acumular perda no comparativo semanal. Já o vencimento de março de 2026 encerrou o dia a R$ 74,42, com recuo tanto no fechamento diário quanto no desempenho da semana. O contrato de maio de 2026 terminou cotado a R$ 73,85, praticamente estável no dia, mas também com baixa acumulada na semana. O comportamento misto reflete a falta de direcionamento claro no curto prazo, em meio à baixa liquidez no mercado interno.
No mercado internacional, os contratos de milho negociados na Bolsa de Chicago fecharam em queda, acompanhando o movimento de realização de lucros observado em todo o complexo de grãos. As cotações recuaram após os ganhos da semana anterior, em um ajuste técnico dos preços. Apesar da baixa, a demanda pelo cereal segue consistente, com volumes de embarques acima do esperado pelo mercado, mesmo em uma semana encurtada pelo feriado de Natal.
O Centro Tecnológico (CTECNO) Parecis, localizado em Campo Novo do Parecis, atua como um polo de geração de conhecimento técnico voltado à realidade das lavouras de soja de Mato Grosso. Por meio de pesquisas de campo, o centro oferece suporte a produtores dos quatro cantos do estado, com foco na melhoria do manejo agrícola, aumento da eficiência produtiva e redução de riscos associados às condições de solo e clima.
As pesquisas são conduzidas em solos de textura média e arenosa, com teores de argila que variam aproximadamente de 9% a 35%, características comuns em diversas regiões produtoras. Nos experimentos, são avaliadas práticas de correção do solo, adubação, uso de condicionadores, insumos biológicos e estratégias de manejo dos sistemas de produção de soja e milho, sempre a partir de demandas apresentadas pelos próprios agricultores.
Um dos eixos centrais dos estudos é o manejo da palhada e das plantas de cobertura, consideradas fundamentais para a conservação da umidade, proteção do solo e maior estabilidade produtiva. A manutenção de uma boa cobertura vegetal tem mostrado resultados positivos, especialmente em áreas mais arenosas, contribuindo para a mitigação dos efeitos das adversidades climáticas sobre o desenvolvimento das culturas.
Produtores e delegados de núcleos da Aprosoja MT que visitam o CTECNO Parecis relatam a aplicação direta das orientações técnicas nas propriedades, com ajustes no manejo de fertilizantes, na escolha de culturas de cobertura e na adoção de práticas mais adequadas às características locais do solo. As visitas técnicas funcionam como um elo entre a pesquisa e o campo, facilitando a transferência de tecnologia.
As atividades do CTECNO Parecis são desenvolvidas pelo Instituto Mato-grossense de Agronegócio (Iagro MT), em parceria com a Aprosoja MT, que apoia a difusão do conhecimento técnico gerado no centro e incentiva os produtores a utilizarem a pesquisa aplicada como base para decisões mais eficientes e sustentáveis no sistema produtivo.
Com o retorno das chuvas, principalmente após o atraso delas registrado nos estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso, o envio de bovinos mais pesados para o confinamento mostra-se uma estratégia decisiva para maximizar ganhos e mitigar riscos no ciclo de engorda. A estratégia permite diminuir a pressão de pastejo, ao substituir animais mais pesados por outros mais leves, assegurando a rebrota correta do capim. É importante lembrar que as pastagens levam, em média, de 25 a 40 dias para atingir o ponto ideal de consumo, a depender da espécie, do tipo de solo e da distribuição das precipitações.
Em casos de superpastejo, que leva ao consumo de capim imaturo, a produção de forragem é comprometida e problemas sanitários podem surgir. No estágio de broto, a planta possui maior quantidade de água, favorecendo o aparecimento de distúrbios digestivos como a chamada ‘diarreia da rebrota’. “O confinamento ajuda o pecuarista a aumentar o estoque de arrobas sem sobrecarregar o pasto, ajudando a enfrentar a seca e garantir o bom desempenho, a sanidade e o acabamento de carcaça dos animais durante a terminação”, destaca Vagner Lopes, gerente corporativo de Confinamento da MFG Agropecuária.
Enquanto os animais prontos para engorda são direcionados ao cocho, as pastagens recém-brotadas têm tempo hábil para se desenvolver plenamente. Segundo Lopes, esta janela pode ser utilizada para antecipar a compra de bezerros de maneira sustentável. “O momento atual deve ser o mais favorável à reposição, pois a virada do ciclo pecuário já indica uma crescente valorização das categorias mais jovens”, avalia o gerente corporativo de Confinamento da MFG Agropecuária.
Projeções para o mercado do boi gordo
Na B3, os contratos futuros do boi gordo para o primeiro quadrimestre de 2026 sinalizam estabilidade. A tendência reflete o bom ritmo das exportações de carne bovina, a recuperação gradual do consumo interno e a expectativa de oferta mais ajustada. O cenário é oportuno ao pecuarista que planeja ter maior previsibilidade e segurança nas negociações.
Segundo o gerente corporativo de Originação da MFG Agropecuária, Vanderlei Finger, ao utilizar a trava neste momento, o produtor não estará apenas terminando o gado como também destravará todo o ciclo produtivo da fazenda. “Abre-se espaço imediato para os animais mais jovens, que poderão aproveitar o início das águas e as melhores forrageiras”, analisa Finger.
Trava antecipada é novidade
Hoje, a MFG Agropecuária opera nos estados da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo, e lançou a “trava antecipada”, uma novidade na pecuária brasileira. Antes mesmo do embarque para o confinamento, a equipe de originação projeta a engorda e calcula o tempo necessário para atingir o ponto de abate dos bovinos.
“Se o produtor precisa travar preço, ele pode fazer isso antecipadamente com ajuda da MFG. É uma solução interessante para garantir fluxo de caixa, proteger a rentabilidade e melhorar as tomadas de decisão no manejo, na reposição e na comercialização do rebanho”, conclui Vanderlei Finger.
O preço médio da gasolina e do etanol registrou alta em dezembro nos postos brasileiros, segundo dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). A gasolina teve aumento de 0,16% em relação a novembro e passou a ser vendida, em média, a R$ 6,34. O etanol apresentou variação de 2,25%, com preço médio de R$ 4,54.
De acordo com a Edenred Ticket Log, o levantamento considera transações realizadas em postos de combustível de todo o país, o que permite o cálculo de médias nacionais e regionais.
Segundo Renato Mascarenhas, diretor de Rede Abastecimento da Edenred Mobilidade, os movimentos observados em dezembro refletem fatores de mercado e diferenças regionais.
“O aumento observado nos preços da gasolina e do etanol em dezembro reflete uma combinação de fatores regionais e de mercado. No caso da gasolina, a alta foi pontual e moderada, enquanto o etanol sofreu maior pressão, influenciado por questões de oferta e demanda e pela competitividade do biocombustível em algumas regiões, especialmente no fim do ano, período de maior consumo”, afirmou.
Gasolina: variações regionais
Na análise por regiões, o Sudeste apresentou a maior alta da gasolina em dezembro, com variação de 0,65% e preço médio de R$ 6,23, mantendo-se como a região com o valor mais baixo do país.
O Norte seguiu com a gasolina mais cara, com média de R$ 6,79, mesmo após queda de 0,29%. No Nordeste, o preço recuou 0,31%, para R$ 6,38.
Entre os estados, Minas Gerais registrou a maior alta mensal da gasolina, de 0,80%, com preço médio de R$ 6,28. A maior queda ocorreu no Rio Grande do Norte, onde o combustível passou a custar R$ 6,09, após recuo de 2,25%. A Paraíba teve o menor preço médio, também de R$ 6,09, enquanto Roraima permaneceu com o valor mais elevado, de R$ 7,41.
O etanol apresentou aumento na maioria das regiões. O Sudeste registrou a maior variação positiva, de 2,53%, com preço médio de R$ 4,45, o menor do país. No Sul, o biocombustível subiu 1,75%, alcançando R$ 4,66.
No Nordeste, houve queda de 0,21%, com o etanol cotado a R$ 4,78. O Norte manteve o maior preço médio regional, de R$ 5,21, após alta de 0,19%.
No recorte estadual, o Distrito Federal teve a maior alta do etanol, de 3,77%, com preço médio de R$ 4,95. O Amazonas registrou o valor mais alto do país, de R$ 5,47, sem variação no mês. Já o Rio Grande do Norte apresentou a maior queda, de 3,35%, com o litro vendido a R$ 4,61.
Escolha do combustível
Mascarenhas destacou que a decisão entre gasolina e etanol depende de fatores como tipo de veículo e preços regionais.
“Mesmo com as oscilações mensais, a escolha do combustível mais vantajoso depende do perfil do veículo e dos preços praticados em cada região. Porém, o etanol continua sendo uma alternativa mais sustentável, por emitir menos poluentes e contribuir para uma mobilidade de baixo carbono”, disse.
O IPTL é calculado a partir de abastecimentos realizados em cerca de 21 mil postos credenciados da Edenred Ticket Log em todo o Brasil, com base em dados consolidados por sistemas de análise de transações.
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos, entraves logísticos e problemas climáticos foram alguns dos desafios enfrentados pelo setor cafeeiro brasileiro em 2025. Apesar disso, o saldo do ano é positivo. O principal destaque foi a receita das exportações, que atingiu nível recorde, apesar da redução no volume embarcado.
Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o país exportou 36,8 milhões de sacas, volume 20% menor na comparação anual. Ainda assim, a forte valorização dos preços sustentou o resultado financeiro.
O preço médio da saca foi de US$ 387, alta de 60% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, a receita cambial atingiu US$ 14,3 bilhões, crescimento de 25% e recorde histórico para o setor.
Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, esse valor representa cerca de R$ 80 bilhões em receita cambial. Ele destaca que o Brasil é o país que mais repassa o preço de exportação ao produtor. “Quanto maiores os volumes e maior a agregação de valor, maior é a renda no campo e a prosperidade”, afirma.
Café mantém peso econômico e social
No ranking do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária em 2025, o café ocupou a quinta posição, com quase R$ 115 bilhões, atrás da cana-de-açúcar, milho, carne bovina e soja.
De acordo com Matos, esse desempenho reforça a importância econômica, social e ambiental da cafeicultura, atividade majoritariamente desenvolvida por agricultores familiares.
Segundo o diretor-geral do Cecafé, entre agosto e novembro, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos provocou queda de 55% nas vendas ao principal mercado consumidor de café do mundo.
As exportações foram retomadas em volumes significativos, reduzindo parte das perdas. No entanto, o impacto persiste no segmento de café solúvel, que continua sujeito à tarifa de 50%.
Expectativa para 2026
Para 2026, a expectativa do setor é de melhora na safra, condicionada ao clima nos próximos meses. “O enchimento de grãos, em janeiro e fevereiro, é decisivo. Se as chuvas forem regulares, o Brasil pode ter maiores volumes, com preços ainda remuneradores”, avalia Matos.
Segundo ele, o setor encerra o ano com desafios superados e entra em 2026 preparado para um novo ciclo. Conforme a quarta estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional de café em 2025 deve atingir 56,5 milhões de sacas beneficiadas, crescimento de 4,3% em relação a 2024.