quarta-feira, março 11, 2026

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Fungo silencioso pode destruir a produção de alface



Algumas práticas de manejo são consideradas fundamentais


Algumas práticas de manejo são consideradas fundamentais
Algumas práticas de manejo são consideradas fundamentais – Foto: Divulgação

O Fusarium é uma das doenças de solo que mais preocupam produtores de alface. O fungo pode comprometer o desenvolvimento das plantas ao afetar diretamente o sistema de transporte interno de água e nutrientes, provocando sintomas que reduzem o vigor da lavoura e, em situações mais severos, levam à perda total da produção.

O agente causador é o Fusarium oxysporum f. sp. lactucae. Ele atua obstruindo o xilema da planta, estrutura responsável por conduzir água e sais minerais das raízes para as demais partes. Com essa obstrução, o fluxo de nutrientes é prejudicado e a planta passa a apresentar sintomas como murcha, amarelecimento das folhas e redução do crescimento, o que afeta diretamente a produtividade das lavouras.

Para reduzir os prejuízos causados pela doença, algumas práticas de manejo são consideradas fundamentais no sistema de produção. Entre elas estão o manejo adequado do solo, a utilização de mudas certificadas e a escolha de variedades com alta tolerância ao patógeno.

Segundo Luciano Faria, gerente de desenvolvimento de produtos da East-West Seed, o uso de materiais genéticos tolerantes é uma das estratégias mais eficazes para mitigar o problema no campo. Ele destaca a variedade Renata, que recebeu por meio do melhoramento genético um gene associado à alta tolerância ao Fusarium.

Testes realizados em regiões com elevada incidência do fungo, como a região serrana do Rio de Janeiro, confirmaram o desempenho da cultivar diante da doença. Além da tolerância, a variedade apresenta uniformidade, plantas grandes e folhas firmes, características importantes para o segmento de alface crespa e para o desempenho no pós-colheita.

De acordo com a empresa, o material também apresenta tolerância ao pendoamento precoce e à queima de bordas. A cultivar mantém bom desempenho em condições típicas do verão, com altas temperaturas e elevada umidade, período considerado mais crítico para a produção. O cultivo pode ser realizado durante todo o ano tanto em solo quanto em sistemas hidropônicos.

 





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Conflito no Oriente Médio leva governo a reforçar vigilância sobre mercado de combustíveis


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

O Ministério de Minas e Energia (MME) criou uma Sala de Monitoramento do Abastecimento, que vai acompanhar, diariamente, as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis em articulação com órgãos reguladores e com os principais agentes do setor nos elos de fornecimento primário e distribuição.

Segundo o governo, a iniciativa intensifica o monitoramento das cadeias de suprimento globais de derivados de petróleo, da logística nacional do abastecimento de combustíveis e dos preços dos principais produtos, em razão do Conflito no Oriente Médio, maior região exportadora de petróleo do mundo, com cerca de 60% das reservas globais.

“A pasta também ampliou, nos últimos dias, as interlocuções junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a agentes de preços e de mercado que atuam na produção, na importação e na distribuição de combustíveis no país”, diz nota do ministério.

O objetivo é identificar rapidamente eventuais riscos ao abastecimento e coordenar as medidas necessárias para preservar a segurança energética e a normalidade do fornecimento de combustíveis no país, em linha com medidas já adotadas pelo MME em situações geopolíticas semelhantes.

Até o momento, apesar do cenário de instabilidade, a exposição direta do Brasil ao conflito é considerada limitada. O país é exportador de petróleo bruto e importa parte dos derivados consumidos internamente, sobretudo diesel, mas a participação de países do Golfo Pérsico como fornecedores de derivados de petróleo é relativamente pequena.

Aumento nas distribuidoras

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), enviou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando a análise de recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em quatro estados e no Distrito Federal.

O pedido foi encaminhado após declarações públicas de representantes de sindicatos (Sindicombustíveis-DF, Sindicombustíveis Bahia, Sindipostos-RN, Minaspetro-MG e Sulpetro-RS) informarem que distribuidoras elevaram os preços de venda para os postos sob a justificativa de alta no preço internacional do petróleo, associada ao conflito no Oriente Médio.

Até o momento, porém, a Petrobras não anunciou aumento nos preços praticados em suas refinarias.

“Diante desse cenário, a Senacon solicitou que o Cade avalie a existência de possíveis indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado, e que podem indicar tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes”, completa o MME.

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Quarta-feira com chuva forte e risco de temporais em boa parte do país; veja a previsão do tempo


Foto: Governo de São Paulo

A atuação de sistemas atmosféricos mantém o tempo instável em várias regiões do Brasil nesta quarta-feira. A combinação de cavados em médios níveis da atmosfera, áreas de baixa pressão, circulação marítima e grande disponibilidade de umidade favorece a formação de nuvens carregadas e pancadas de chuva em diferentes estados.

Sul

Na região Sul, a instabilidade é provocada principalmente por um cavado em médios níveis da atmosfera associado a uma área de baixa pressão sobre o Paraguai.

Desde o início do dia, áreas de instabilidade provocam chuva moderada a forte no norte e nordeste do Paraná. Ao mesmo tempo, a circulação marítima mantém precipitação mais fraca ao longo do litoral da região.

Durante a manhã, há possibilidade de chuva também no sudeste do Rio Grande do Sul e na Região Metropolitana de Porto Alegre, com momentos de intensidade moderada a forte.

Ao longo do dia, as instabilidades ganham força no norte e centro-leste do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além da metade norte gaúcha.

Há risco de temporais isolados, principalmente em:

  • litoral e leste do Paraná
  • litoral norte de Santa Catarina
  • litoral médio e sul do Rio Grande do Sul

Em áreas da Campanha Gaúcha, oeste catarinense e regiões centrais do Paraná, a chuva ocorre de forma mais fraca e irregular.

As temperaturas sobem mais durante a tarde em grande parte do Rio Grande do Sul e no oeste de Santa Catarina e do Paraná. Já nas áreas litorâneas e de serra, o tempo permanece mais ameno.

Rajadas de vento entre 40 e 50 km/h podem ocorrer no sul e na serra gaúcha, além do litoral e interior de Santa Catarina e do sul do Paraná. O mar permanece agitado ao longo da costa.

Sudeste

No Sudeste, a circulação marítima influencia as condições de tempo desde o começo do dia, principalmente no litoral de São Paulo.

Durante a manhã, há previsão de chuva em grande parte do estado paulista, com destaque para:

  • norte e noroeste de São Paulo
  • sul e interior paulista
  • Triângulo Mineiro
  • áreas do Rio de Janeiro e do litoral do Espírito Santo

A atuação de cavados de onda curta, combinada com a confluência de ventos e elevada umidade, intensifica as instabilidades ao longo do dia.

As pancadas se tornam moderadas a fortes em São Paulo e em grande parte de Minas Gerais, com risco de temporais na metade leste e no centro-norte paulista.

Também há previsão de chuva forte no sul e litoral de São Paulo e no centro-sul de Minas Gerais, incluindo o Triângulo Mineiro.

No litoral norte de São Paulo, próximo à divisa com o Rio de Janeiro, há alerta para acumulados elevados de chuva, o que aumenta o risco de transtornos.

No Rio de Janeiro e no Espírito Santo, as pancadas também podem ocorrer com intensidade moderada a forte, especialmente na metade sul e no noroeste fluminense.

Devido à influência de uma massa de ar frio, as temperaturas permanecem mais amenas em São Paulo, centro-sul do Rio de Janeiro e parte de Minas Gerais.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, o tempo segue instável devido à combinação de calor, umidade e à área de baixa pressão posicionada sobre o Paraguai.

As instabilidades atuam principalmente em:

  • norte e interior de Mato Grosso
  • leste e interior de Mato Grosso do Sul
  • leste e interior de Goiás

Ao longo do dia, o calor favorece a formação de pancadas moderadas a fortes, com risco de temporais no extremo norte de Mato Grosso e no sul de Goiás.

Em Mato Grosso do Sul, as instabilidades permanecem mais organizadas, especialmente no leste do estado, onde podem ocorrer temporais isolados.

Nordeste

No Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantém o tempo instável principalmente no litoral norte da região.

Desde cedo, há chuva moderada a forte no litoral do Maranhão, Piauí e Ceará.

Entre o fim da manhã e o início da tarde, as instabilidades se intensificam e podem provocar temporais em:

metade norte do Maranhão

norte do Piauí

norte do Ceará

A aproximação de uma frente fria pelo sul da Bahia também contribui para o aumento das instabilidades no estado, onde há previsão de pancadas moderadas a fortes no oeste, sul e litoral baiano, além da faixa litorânea de Sergipe.

Norte segue com pancadas fortes e sensação de abafamento

Na Região Norte, a Zona de Convergência Intertropical influencia o tempo no litoral do Pará e no Amapá. Além disso, a atuação de um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN) reforça as instabilidades.

A elevada umidade favorece pancadas de chuva no:

sul e oeste do Pará

Amazonas

Roraima

Acre

Rondônia

Ao longo do dia, as instabilidades ganham força e podem provocar temporais no Acre, oeste de Rondônia, grande parte do Amazonas e Roraima, além do leste e sudoeste do Pará e do norte do Tocantins.

Apesar da chuva, a sensação de calor e abafamento predomina em grande parte da região.

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Após disparada no preço, petróleo recua e bolsas se recuperam


PODCAST Diário Econômico

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que a leitura mais construtiva sobre o conflito no Oriente Médio derrubou o petróleo, com o Brent caindo 11,2% a US$ 87,80 e o WTI recuando 11,9% a US$ 83,45. Em NY, bolsas fecharam mistas, com Nasdaq estável, Dow Jones em queda de 0,07% e S&P 500 recuando 0,21%.

No Brasil, o Ibovespa subiu 1,40% a 183 mil pontos, juros fecharam e o dólar caiu 0,13% a R$ 5,15. Hoje, atenção às vendas no varejo no Brasil e ao CPI dos EUA.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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AgroNewsPolítica & Agro

Embrapa amplia portfólio de baixo carbono e lança programas para milho e sorgo


O lançamento dos programas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC) pela Embrapa representa um marco para o fortalecimento da produção agropecuária sustentável no Brasil. As iniciativas oferecem alternativas concretas frente aos impactos das mudanças climáticas e ampliam as oportunidades de inserção competitiva do milho e do sorgo brasileiros em mercados cada vez mais exigentes em termos de sustentabilidade.

O propósito é desenvolver e validar protocolos de certificação para as marcas-conceito Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono, com base científica e alinhamento a padrões internacionais. Esses projetos são compostos por parâmetros que diferenciam e podem agregar valor ao milho e ao sorgo produzidos com uso de práticas e tecnologias sustentáveis.

O lançamento dos programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono acontecerá no dia 11 de março, data de comemoração do aniversário de 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo (MG).

A abertura do edital público para seleção das instituições apoiadoras ocorrerá em agosto de 2026. Nesse intervalo, os pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo estarão à disposição para conversar e esclarecer pontos específicos das atividades.

Os trabalhos serão, essencialmente, construídos com base em critérios técnico-científicos para mensurar a intensidade das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) por tonelada de grão produzida. “O cálculo será possível por meio da validação de diretrizes técnicas para o protocolo de certificação. Após a validação do protocolo, feita pela Embrapa com parcerias, poderá ocorrer a certificação, que será voluntária, privada e por terceiros, seguindo o sistema MRV (Medição, Relato e Verificação)” diz o pesquisador Arystides Resende Silva, da Embrapa Milho e Sorgo.

“Os editais dos programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono estimulam a adoção de sistemas produtivos mais resilientes e incentivam a transição para uma economia sustentável”, acrescenta o pesquisador Alexandre Ferreira da Silva.

“Nós sabemos que temos um grande desafio global pela frente, que são as mudanças climáticas. Nesse cenário, a Embrapa compreende que a descarbonização da produção agropecuária é um dos maiores desafios da agricultura brasileira”, diz Ferreira.

Atenta a essa necessidade, a Embrapa vem liderando o desenvolvimento de soluções  como a criação das marcas-conceitos Carne Baixo Carbono (CBC), Soja Baixo Carbono (SBC) e Trigo Baixo Carbono (TBC). Outros avanços compreendem a criação de ferramentas, calculadoras, para estimar a pegada de carbono por avaliação de ciclo de vida (ACV) de produtos agrícolas em sistemas de produção. As equipes responsáveis por essas iniciativas integram o desenvolvimento das marcas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC), garantindo celeridade, padronização e assertividade às ações. Junto com a Embrapa Milho e Sorgo estão pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP) e da Embrapa Soja (PR).

As ações abrangerão duas fases. Na fase 1, que é a de desenvolvimento e inovação, o objetivo é desenvolver os protocolos Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono, e registrá-los no órgão competente, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Para esse fim, serão elaboradas diretrizes. “O objetivo é distinguir o milho e o sorgo que apresentam a maior eficiência produtiva por unidade de carbono emitida. Esse fator serve como incentivo à redução das emissões de gases de efeito estufa e não implica em prejuízo à produtividade da lavoura”, conta Resende.

A validação dessas diretrizes ocorrerá durante o ciclo produtivo de três anos em  unidades de observação, localidades a serem indicadas pelas instituições apoiadoras. “Cada área gerará as informações referentes a aporte de insumos e operações mecanizadas, além do balanço de carbono no solo, de forma a permitir o cálculo das emissões de gases de efeito estufa de todo o processo produtivo”, relata o pesquisador Ciro Augusto de Souza Magalhães.

Na segunda fase ocorrerá a implementação do selo de certificação no mercado por meio de certificadoras habilitadas, conforme modelo de exploração comercial a ser definido pela Embrapa.

Os programas Milho Baixo Carbono e Sorgo Baixo Carbono posicionam-se como marcas-conceito inovadoras por terem foco no produto e não na propriedade. Eles enfatizam o balanço das emissões e remoções de GEEs e a garantiar da redução das emissões, quantificada à luz do conhecimento científico.

Magalhães explica que os selos MBC e SgBC trarão um diferencial competitivo para os produtores e para os produtos derivados, atraindo consumidores cada vez mais exigentes em relação à origem e à sustentabilidade dos alimentos.

“A implementação bem-sucedida dessas iniciativas dependerá da definição de critérios claros e objetivos. Portanto, é imprescindível trabalhar com um sistema de certificação eficiente e acessível, viabilizar o engajamento de todos os atores da cadeia produtiva e fomentar o investimento em pesquisa e desenvolvimento e em comunicação”, acrescenta o pesquisador.

A chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Milho e Sorgo, Cynthia Damasceno, observa que a adesão de instituições apoiadoras aos programas MBC e SgBC, por meio de parcerias público-privadas, é fundamental, pois permite a construção coletiva das diretrizes técnicas, garantindo que os protocolos sejam robustos e, ao mesmo tempo, aplicáveis à realidade do mercado.

“Essas parcerias são essenciais para a validação dos indicadores de sustentabilidade em condições reais de campo, seguindo o rigoroso sistema MRV. O engajamento do setor privado, por meio do edital de chamamento, viabilizará a execução das atividades e a entrega do protocolo validado. Juntos, ciência e mercado constroem um futuro mais sustentável e resiliente para a agricultura brasileira”, conclui Damasceno.





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Pesquisa avalia algas brasileiras como bioestimulante em grãos sob estresse hídrico


Pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF) estudam o uso de algas marinhas da costa brasileira para desenvolver um bioestimulante capaz de aumentar a tolerância de culturas agrícolas ao déficit hídrico. Testes conduzidos em casa de vegetação com canola e trigo cultivados no Cerrado registraram incrementos de até 160% na formação de síliquas (vagens que abrigam as sementes da canola) e de até 12% no crescimento das raízes do trigo, características associadas à proteção da produtividade em condições de seca.

O projeto, batizado de Algoj (termo inspirado na palavra “alga” em esperanto), conta com a parceria da empresa CBKK e recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Enquanto na canola o impacto aparece na formação das síliquas, estruturas que definem o potencial produtivo, no trigo o efeito está associado ao crescimento radicular, estratégia que pode proteger o desempenho da cultura sob estresse hídrico.

Esses experimentos ainda precisam ser realizados em condições de campo, uma vez que em casa de vegetação, a temperatura e a umidade relativa do ar são controladas. Mas os resultados já são promissores, na opinião das pesquisadoras Simone Mendonça e Patrícia Abrão, que lideram o projeto desde 2023.

O objetivo é desenvolver uma solução tecnológica eficiente e de qualidade com base em matéria-prima renovável, no caso as algas marinhas do Brasil. Além de poderem ser cultivadas em abundância em toda a costa do País, elas geram emprego e renda para pescadores brasileiros, configurando-se como alternativa de trabalho e renda financeira a partir de produtos da biodiversidade nacional. “É uma oportunidade para o produtor trabalhar com materiais da nossa biodiversidade e investir em ações que também contribuam para a adaptação às mudanças climáticas”, ressalta Mendonça.

Ao longo de dois anos de pesquisa, foram estudados quatro tipos de algas marinhas, das quais três foram selecionadas para a continuidade da pesquisa. O foco inicial foi na extração de metabólitos secundários, substâncias que potencializam comportamentos importantes no desenvolvimento e crescimento das culturas. “Os metabólitos secundários não são os componentes principais da planta, como os relacionados com proteína, lipídio e carboidrato. Eles existem em pequeníssimas quantidades, mas têm ação de sinalizadores químicos em outros organismos (plantas)”, explica a pesquisadora.

Chegar a esses metabólitos, chamados de fitormônios, não foi fácil. O primeiro desafio da pesquisa foi identificar métodos de extração que conseguissem retirar o máximo possível desses compostos das algas. De acordo com Mendonça, os primeiros estudos avaliaram o modo de secagem, pois, como as algas secam ao sol, era importante verificar se esse método destruía ou não os componentes. “Estudamos o perfil metabólico dessas algas e testamos de quatro a cinco formas diferentes de extração para cada alga. Fizemos várias tentativas para ver qual método melhor extrairia os metabólitos”, complementa.

“Foram selecionados quatro extratos a partir de testes com mudas de tomate”, conta a pesquisadora. Os primeiros experimentos aconteceram em casa de vegetação com a variedade de tomate grape (uva) BRS Zamir, uma cultivar da Embrapa, com todas as condições de nutrição e de água que a cultura exige. 

A pesquisa partiu então para experimentos com grãos de trigo e de canola, que são culturas em expansão no Cerrado para cultivo de inverno. O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, cujo período de estiagem, de maio a setembro, tem se tornado cada vez mais seco nos últimos 30 anos. O trigo e a canola foram selecionados porque passam por grande período de estresse hídrico durante a longa estiagem típica do inverno. Esses ensaios identificaram dois extratos de algas com potencial para aplicação nessas culturas.

Na canola, o uso de uma das formulações desenvolvidas não apenas antecipou o florescimento, como garantiu bom desempenho sob restrição de água, enquanto plantas tratadas com um produto comercial de referência não mostraram ganhos significativos.

O pesquisador Agnaldo Chaves alerta que, apesar da alta porcentagem de incremento na produção de síliquas por planta no cultivo da canola, é preciso discernir que esse número foi atingido em condições controladas de temperatura e umidade relativa do ar em casa de vegetação.

Segundo ele, não haverá a mesma proporção em testes de campo com 400 mil plantas por hectare, mas sinaliza que existe grande potencial de replicar uma boa produtividade nas lavouras. “Se conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, já seria um ótimo incremento”, destaca.

O pesquisador conta que, entre as formulações testadas, duas tiveram bom desempenho com a canola e uma com o trigo de sequeiro (sem irrigação). No caso do cereal, foram registrados crescimento de volume e comprimento da raiz entre 10 e 12%. “Nos dois casos, são efeitos benéficos que acreditamos serem replicáveis em condições de campo, fazendo com que as plantas suportem maiores períodos sem precipitação”, diz.

Com a canola, os testes foram de aproximadamente 100 dias, e a planta chegou até a fase reprodutiva. Já o ensaio do trigo alcançou a fase vegetativa.

Chaves enfatiza que os resultados obtidos em casa de vegetação estimularam a continuidade do projeto, seguindo para validação em condições experimentais no campo e, posteriormente, em áreas de produtores de diferentes regiões.

Além da eficácia biológica, a pesquisa superou outros gargalos, como o transporte e a conservação do bioinsumo. Como o transporte de extratos líquidos é caro e pode propiciar a degradação, os cientistas investiram no desenvolvimento de um extrato seco (pó molhável) através do processo de spray dryer.

“O desafio era evitar que o calor destruísse os fitormônios sensíveis das algas. Com o uso de adjuvantes específicos, conseguimos proteger os componentes de interesse durante a secagem do extrato e aumentar o rendimento do processo para até 80%, resultando em um produto final com apenas 1,5% de umidade, o que garante maior estabilidade e facilidade de transporte”, observa Mendonça.

Com o ciclo de laboratório e de casa de vegetação concluído em janeiro de 2026, o projeto busca agora a renovação da parceria para a realização de experimentos no campo, com o objetivo de estabelecer recomendações de dosagem e períodos de aplicação.

A pesquisadora explica que ainda há muitas questões a serem respondidas pela pesquisa. Ainda não há definição, por exemplo, se o melhor método é fazer a mistura de algas ou recomendar usos diferentes para cada uma delas. Outra questão é avaliar o comportamento do extrato em regiões que apresentam boa distribuição de chuvas e em locais onde a chuva é irregular ao longo do ciclo de produção. “Somente os testes em campo é que nos possibilitarão ter essas respostas”, explica.

Ela acredita no potencial das algas para oferecer uma recomendação pronta para o mercado, seja para regiões com pouca chuva ou como uma alternativa em caso de veranicos.





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Zoneamento orienta crédito rural e políticas públicas


Do vinho gaúcho ao café amazônico e ao zoneamento do dendê, mapeamentos da Embrapa mostram como a ciência aplicada orienta decisões no campo e fundamenta políticas públicas. Em diferentes regiões do Brasil, dados sobre clima, solo e uso da terra antecipam riscos, fortalecem a produção e balizam crédito, seguro e investimentos, com impacto direto na expansão sustentável da agricultura.

A base técnica construída a partir desses levantamentos alimenta bancos de dados públicos, fundamenta zoneamentos e programas de regularização ambiental e orienta decisões que vão do crédito rural ao manejo de cultivos. Para além da geração de mapas, consolida-se como ferramenta de gestão territorial que ajuda o País a prever riscos climáticos, a definir o uso do solo e a conciliar produção e conservação.

Para a chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial (SP), Lucíola Magalhães, os mapeamentos e os zoneamentos são ferramentas cruciais para o desenvolvimento agropecuário. “Eles expressam, de forma mais simples e direta, a complexidade de diferentes fenômenos que ocorrem em um território, onde as políticas e ações acontecem. A capacidade de retratar um fenômeno ou de sintetizar dados de múltiplas dimensões (ambientais, sociais, agrícolas, econômicas, fundiárias e de infraestrutura) é vital para apoiar o desenvolvimento sustentável da agropecuária nacional. Traduz-se em melhor governança e em aprimoramento do planejamento e gestão do uso das terras, e fornece a base essencial para a formulação, execução e monitoramento de políticas públicas”, afirma.

À medida que essas informações se consolidam como instrumentos estratégicos de planejamento, cresce a demanda por dados territoriais. Governos, bancos, cooperativas e empresas têm recorrido a esse conhecimento para planejar políticas públicas, avaliar riscos e orientar investimentos. Nesse cenário, os mapeamentos da Embrapa ganham cada vez mais importância como referências técnicas para influenciar decisões econômicas e de gestão.

Esse movimento aparece com clareza no crédito e no seguro rural. Boa parte dos financiamentos do campo só é aprovada quando o plantio segue as indicações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta desenvolvida pela Embrapa. Em 2023, o custeio agrícola movimentou cerca de R$ 143,9 bilhões, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e grande parte desse valor depende, direta ou indiretamente, do zoneamento.

Nesse contexto, o Zarc se tornou um elo entre produção, crédito e política agrícola. Lançada em 1996, inicialmente para o trigo, a ferramenta abrange atualmente mais de 40 culturas e orienta políticas de crédito e de seguro rural, influenciando milhares de produtores e dando suporte às principais decisões financeiras no campo.

Além disso, o Zarc tem impacto direto na pesquisa e na inovação. Ao identificar regiões sujeitas a excesso ou déficit hídrico, geadas ou temperaturas elevadas, direciona estudos para desenvolver cultivares adaptadas e práticas de manejo específicas. A ferramenta também subsidia modelos de simulação de culturas, indica janelas de semeadura e colheita de menor risco e valida novas tecnologias – de cultivares a insumos – em diferentes cenários agroclimáticos.

O funcionamento do Zarc depende de uma engenharia científica robusta, que combina dados de clima, solo e fenologia das plantas, séries históricas, capacidade de armazenamento de água no solo e exigências hídricas das culturas. A análise é probabilística e apoiada em décadas de registros, integrando dados meteorológicos e de solos harmonizados, além da calibração de milhares de cultivares.

Todo o processo envolve uma rede nacional de pesquisadores da Embrapa, instituições estaduais e universidades, com infraestrutura computacional sediada na Embrapa Agricultura Digital (SP) capaz de rodar milhões de simulações para culturas, tipos de solo e períodos de semeadura em mais de 5.500 municípios.

Nos próximos anos, a ferramenta deve passar por aprimoramentos significativos, segundo o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Eduardo Monteiro, coordenador da Rede Zarc Embrapa. Ele acredita que o avanço da modelagem dinâmica – integrando cenários climáticos, modelos de crescimento de culturas e inteligência artificial – permitirá análises mais detalhadas. Além disso, a expansão de sensores de campo, imagens de satélite de alta resolução e drones ampliará o volume de informações disponíveis e permitirá uma diferenciação das recomendações para microrregiões e até talhões específicos, além do monitoramento quase em tempo real do estresse hídrico e do desenvolvimento das culturas.

Essas melhorias mostram como o Zarc pode transformar decisões no campo, oferecendo dados precisos que orientam produtores e políticas agrícolas.

No Vale dos Vinhedos (RS), os mapeamentos também exercem papel decisivo. Informações que antes eram apenas percepções — como declividade, altitude e exposição solar — ganharam precisão com as geotecnologias. “Do contrário, seriam apenas suposições”, afirma a pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho (RS) Rosemary Hoff.

A região ocupa cerca de 81 km² e concentra aproximadamente 1.760 hectares de vinhedos georreferenciados — 26% do território. Com variação de altitude entre 450 e 700 metros e encostas íngremes que influenciam drenagem e insolação, o relevo contribui para diferenciações de terroir — combinação de solo, clima e paisagem que confere identidade aos vinhos. Segundo Hoff, essas características só puderam ser reconhecidas e comparadas com o apoio dos levantamentos espaciais.

Esses levantamentos permitem comparar relevo, uso da terra e geodiversidade entre diferentes Indicações Geográficas (IGs) da Serra Gaúcha, revelando a diversidade real dos territórios. Mapas de relevo e uso da terra, por exemplo, foram fundamentais para definir limites tanto de Indicações Geográficas quanto de Denominações de Origem (DOs). “Altitude, declividade e Áreas de Preservação Permanente (APPs) contribuem muito para delimitar uma IG”, explica a pesquisadora, que participou dos processos.

Os efeitos aparecem também no cotidiano dos produtores. Com a conquista dos selos de Indicação de Procedência (IP), em 2022, e de DO, em 2012, eles passaram a seguir normas mais rígidas de manejo, controle de doenças e identificação de cultivares. Também surgiram outros impactos menos visíveis, como maior fixação de pessoas no território, busca por qualificação e interesse crescente em pesquisa. O avanço do enoturismo, que hoje movimenta milhares de visitantes por ano no Vale, contribui para impulsionar a criação de novas escolas técnicas e superiores nas regiões de IG.

Essa transformação se distribui por todo o conjunto das cerca de 30 vinícolas registradas na DO e pelos diversos viticultores da região.

Para Hoff, o Vale dos Vinhedos é um exemplo de como ciência, tradição e gestão territorial podem caminhar juntas. “Os mapas nos permitiram entender melhor o que sempre esteve ali”, diz. Ela acredita que, à medida que novas tecnologias surgem, o território tende a se aperfeiçoar, não por mudar seus limites, mas por aprofundar o conhecimento sobre eles e fortalecer a identidade que sustenta a região.

O Zoneamento Agroecológico do Dendê (ZAE Dendê) é outro exemplo de mapeamento que originou uma política pública. Desenvolvido pela Embrapa Solos (RJ), Embrapa Amazônia Oriental (PA) e Embrapa Amazônia Ocidental (AM), o estudo identificou regiões aptas ao cultivo do dendê (palma-de-óleo) sem avançar sobre a vegetação nativa.

O zoneamento foi elaborado no contexto de expansão do biodiesel e da busca por alternativas energéticas sustentáveis.  De alta produtividade e adaptado ao clima equatorial, o dendezeiro foi escolhido por unir rendimento, aptidão climática e geração de empregos.

Publicado em 2010, o estudo apontou cerca de 32 milhões de hectares aptos ao cultivo, sendo 29 milhões na Amazônia Legal. As áreas indicadas para expansão estavam restritas a regiões desmatadas até 2007, conforme o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A partir desse diagnóstico, o Governo Federal estruturou o Programa de Produção Sustentável de Palma-de-Óleo.

O ZAE Dendê também orientou crédito agrícola e planejamento fundiário no Pará, principal estado produtor, e guiou a criação de protocolos socioambientais para empresas. Essas regras reduziram impactos sobre povos tradicionais, evitaram blocos contínuos de monocultura e consideraram infraestrutura e proximidade de usinas.

Para o pesquisador Wenceslau Teixeira, da Embrapa Solos, o zoneamento deixou um legado duradouro. “O estudo ajudou não somente a consolidar os plantios em monocultivos, mas também a abrir caminhos para sistemas agroflorestais com pequenos produtores. Isso fomentou a cadeia produtiva no nordeste do Pará, direcionando investimentos e políticas de incentivo sem estimular o desmatamento”, afirma.

Exemplo mais recente vem das Matas de Rondônia, região formada por 15 municípios e berço do Robusta Amazônico, uma variedade de café canéfora que vem ganhando espaço no mercado nacional e internacional ano a ano. O mapeamento de uso e cobertura da terra, elaborado a partir de imagens de satélite e análises comparativas entre os anos de 2020 e 2023, demonstrou que a produção de café não avançou sobre as áreas de florestas e que ainda pode se expandir para regiões de pastagem.

A comprovação de que a produção não está associada ao desmatamento tornou-se uma exigência de mercados internacionais, como o da União Europeia, que restringiu a compra de produtos associados à derrubada de florestas desde 2020. Nesse contexto, o estudo da Embrapa indicou que as áreas florestais convertidas para o cultivo de café nas Matas de Rondônia não ultrapassou 1%, o que reforça a imagem de uma produção alinhada à conservação ambiental.

O trabalho também revelou que as reservas indígenas contribuem para a preservação e conservação ambiental de grandes “blocos” de florestas nativas primárias, alcançando uma área de 1,2 milhão de hectares.

Para os produtores, o impacto vai além da imagem. As informações fortalecem a segurança comercial, facilitam o acesso a mercados mais exigentes e ajudam a rebater narrativas que associam a produção amazônica ao desmatamento.

O pesquisador da Embrapa Rondônia (RO) Enrique Alves acredita que, além de se beneficiarem das vantagens de manter a floresta, os produtores também usam esse resultado como valor adicional à marca Robustas Amazônicos. Para governos e compradores, por sua vez, os mapas oferecem uma referência confiável em decisões de compra, investimentos e políticas públicas.

O trabalho ganhou ainda mais relevância porque a região abriga a primeira Denominação de Origem do mundo para cafés canéforas sustentáveis, um selo que agrega valor ao produto e que depende de informações confiáveis sobre a origem da produção.

O estudo, fruto de parceria entre a Embrapa Territorial, Embrapa Rondônia e Cafeicultores Associados da Região das Matas de Rondônia (Caferon), demonstra ainda balanço positivo da produção de café da região.





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Reforma tributária pode ameaçar cooperativas?



Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário para cooperativas


Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário específico para cooperativas
Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário específico para cooperativas – Foto: Canva

As mudanças trazidas pela reforma tributária começam a redesenhar a organização financeira e operacional das cooperativas agrícolas no país. As novas regras exigem atenção à gestão tributária, ao fluxo de caixa e também à adaptação tecnológica dos produtores vinculados às cooperativas. Segundo análise da advogada e especialista em agronegócio Patrícia Arantes de Paiva Medeiros, as alterações criam um ambiente que demanda planejamento e avaliação constante das operações.

Um dos pontos centrais é a criação de um regime tributário específico para cooperativas, que passa a existir de forma opcional. A escolha entre permanecer no regime geral ou aderir ao modelo específico pode impactar diretamente o fluxo de caixa e a competitividade das operações. No regime geral, a base de cálculo considera a receita bruta da cooperativa. Já no regime específico, a tributação incide apenas sobre o valor agregado pela cooperativa, com previsão de crédito presumido e estrutura mais simplificada. Ainda assim, a adesão exige análise anual, já que os resultados podem variar conforme o perfil dos cooperados. Cooperativas com grande número de produtores com faturamento inferior a R$ 3,6 milhões tendem a se beneficiar mais desse modelo.

Outra mudança relevante envolve o sistema de split payment. Atualmente, a cooperativa recebe do comprador e recolhe o imposto apenas no mês seguinte, utilizando esse intervalo como capital de giro fiscal. Com o novo mecanismo, o imposto será descontado automaticamente no momento do pagamento, antes mesmo de o valor entrar na conta da cooperativa. A alteração elimina esse espaço de capital de giro e exige maior reserva de liquidez, além de possíveis revisões em contratos e prazos com cooperados, especialmente em operações com commodities de alta rotatividade.

A digitalização das operações também avança. A partir de 2026, produtores que ainda utilizam nota fiscal em papel deverão migrar para a Nota Fiscal de Produtor Eletrônica. Nesse processo, as cooperativas passam a ter papel importante no apoio aos associados, principalmente pequenos produtores, para garantir regularidade fiscal e evitar riscos nas operações.

 





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Um detalhe no cadastro pode travar seu crédito rural



O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais


O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais
O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais – Foto: Canva

A regularidade ambiental passou a ocupar papel central no acesso ao crédito rural no país. Segundo Rafael Guazelli, sócio-fundador da Guazelli Advocacia, a análise do Cadastro Ambiental Rural ganhou peso decisivo nas avaliações feitas por instituições financeiras.

O cenário mudou com o endurecimento das normas ligadas a critérios ambientais, sociais e de governança e também com novas diretrizes do Banco Central. Nesse contexto, o CAR passou a ser analisado de forma mais rigorosa e automatizada. Situações como sobreposição de áreas ou déficit de reserva legal sem compensação podem bloquear imediatamente a liberação de financiamento.

Além disso, instituições financeiras passaram a utilizar sistemas de inteligência artificial capazes de cruzar informações declaradas no cadastro com imagens de satélite atualizadas. Quando há divergência entre os dados registrados e o que é identificado nas imagens, como indícios de desmatamento recente ou uso irregular da área, o impacto pode ser direto na classificação de risco do produtor, reduzindo a possibilidade de obtenção de crédito.

Outro ponto que tem preocupado produtores é a situação de cadastros que estão ativos, mas ainda não homologados pelos órgãos responsáveis. Com o aumento da demanda por custeio para a próxima safra em 2026, essa pendência administrativa pode se transformar em um obstáculo relevante no relacionamento com bancos.

Nesse ambiente mais rigoroso, a regularização ambiental deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a integrar a estratégia financeira das propriedades. A avaliação jurídica do CAR antes da busca por financiamento, a defesa administrativa em autos de infração que possam bloquear operações e o ajuste de termos de compromisso para evitar restrições são medidas que ajudam a preservar o fluxo de crédito. A orientação é não deixar a regularização para o momento em que o recurso já é necessário, já que o planejamento jurídico agrário pode ser determinante para garantir a continuidade da produção.

 





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Falta de chuva reduz potencial da cana-de-açúcar



Falta de chuva reduz potencial da cana-de-açúcar



Foto: Canva

O desenvolvimento da cana-de-açúcar na região administrativa de Emater/RS-Ascar em Santa Rosa apresenta resultados distintos conforme as condições climáticas registradas nas últimas semanas. As informações constam no Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar divulgado na quinta-feira (5).

De acordo com o relatório da Emater/RS-Ascar, nas áreas onde houve maior estabilidade climática o desenvolvimento vegetativo da cultura é considerado satisfatório. Já nas localidades com registro de chuvas insuficientes e temperaturas elevadas, o crescimento dos colmos e a absorção de nutrientes foram prejudicados, o que compromete o potencial produtivo das lavouras.

O documento também aponta atraso no desenvolvimento das áreas que passaram por corte e dos plantios mais recentes. Em função do menor porte das plantas, produtores já estimam uma leve redução na produção da cultura na região.

Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, a cana-de-açúcar possui participação econômica limitada nos municípios atendidos pela regional de Santa Rosa. A produção ocorre, em sua maioria, em pequenas áreas destinadas à alimentação animal e ao processamento artesanal, principalmente para a fabricação de melado, rapadura e cachaça.

O levantamento indica ainda que o preço da cana-de-açúcar permanece em torno de R$ 136,60 por tonelada.





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