A dinâmica das exportações agrícolas dos Estados Unidos em 2025 evidencia mudanças relevantes na distribuição dos mercados compradores, especialmente no complexo da soja. Dados analisados pelo Purdue Center for Commercial Agriculture mostram que, embora a China siga como um destino importante, a composição das vendas externas tornou-se mais diversificada, reduzindo a dependência de um único comprador.
Em 2025, a China respondeu por 18,7% das exportações norte-americanas de soja, participação inferior à fatia combinada de outros mercados. A União Europeia, considerada em bloco, absorveu 12,9% do volume, enquanto o México representou 12,6% e o Egito ficou com 10,2%. Países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Japão, também tiveram peso relevante, com 5,0% e 5,4%, respectivamente. Espanha, Alemanha, Países Baixos e Taiwan aparecem com parcelas menores, mas consistentes, reforçando a pulverização dos destinos. O grupo classificado como resto do mundo concentrou 21,6% das vendas, o maior percentual individual da distribuição.
Esse cenário ocorre em um contexto de retração do volume total exportado de soja, associada à redução da demanda chinesa. Ainda assim, a presença mais ampla de compradores na Europa, no Sudeste Asiático e no Norte da África contribuiu para amortecer uma queda mais acentuada nas exportações. A leitura dos dados sugere que a diversificação geográfica funcionou como um fator de estabilidade para o setor.
No caso do milho, o movimento foi distinto ao longo de 2025. As exportações avançaram impulsionadas pela entrada e consolidação de novos mercados, mesmo com a redução das compras por parte de clientes tradicionais. O contraste entre as duas culturas reforça a importância estratégica de ampliar e consolidar destinos, não apenas como mecanismo de proteção, mas também como vetor de crescimento no comércio agrícola internacional.
O mercado de café deverá enfrentar mais um ano de alta volatilidade em 2026, impulsionado por estoques globais reduzidos e incertezas climáticas, segundo dados divulgados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
Com a safra do Vietnã em andamento, mas ainda sem aliviar o cenário de oferta restrita, os preços tendem a permanecer em patamares elevados, conforme verificado no segundo semestre de 2025. De acordo com o Cepea, mesmo diante de sinais de desaceleração no consumo interno e externo, a escassez de produto continuará exercendo forte influência sobre as cotações.
A sustentação nos preços deve se prolongar até que haja maior clareza sobre dois fatores-chave: o enchimento dos grãos e o desempenho do último terço da colheita brasileira. A definição desses pontos será essencial para avaliações mais precisas sobre oferta e demanda, e para orientar a formação de preços no segundo semestre de 2026.
No Brasil, as expectativas estão mais positivas em relação à safra 2026/27, cuja colheita se inicia majoritariamente após maio. Conforme informações do Cepea, o ciclo atual ocorre sob condições climáticas mais favoráveis do que em anos anteriores, o que pode representar um ponto de virada após cerca de cinco safras marcadas por adversidades climáticas severas.
Além disso, o ciclo 2026/27 será marcado pela bienalidade positiva, fenômeno típico da cultura do café que alterna anos de alta e baixa produtividade. Essa condição, somada ao clima mais estável, fortalece o otimismo entre os produtores e abre espaço para uma recuperação mais significativa do parque cafeeiro nacional.
As primeiras projeções de consultorias privadas indicam uma produção superior a 70 milhões de sacas, considerando o bom desempenho tanto do arábica quanto do robusta. Esse volume, se confirmado, poderá representar uma das maiores safras brasileiras da história.
No entanto, os efeitos dessa possível recuperação ainda não se refletem nas exportações da temporada 2025/26, que devem encerrar com volume abaixo das médias anteriores. A menor oferta e a baixa disponibilidade de café para comercialização limitam os embarques e reforçam a pressão de preços no mercado internacional.
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A China anunciou, nesta quarta-feira (31), a implementação de cotas anuais para a importação de carne bovina de países estrangeiros, como forma de proteger sua cadeia produtiva interna. A nova regra passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2026 e terá duração inicial de três anos, até dezembro de 2028.
Segundo o Ministério do Comércio chinês, a cota total de importações em 2026 será de 2,7 milhões de toneladas — volume inferior ao registrado nos primeiros 11 meses de 2025 e abaixo do recorde histórico de 2,87 milhões de toneladas compradas em 2024. A expectativa é de que esse teto aumente gradualmente nos anos seguintes.
O Brasil terá a maior fatia da cota em 2026, com 1,1 milhão de toneladas autorizadas. No entanto, o número representa uma queda de 27% em relação ao volume exportado ao país asiático até novembro de 2025, que somou 1,52 milhão de toneladas, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Além das cotas, o governo chinês introduziu uma tarifa adicional de 55% sobre qualquer volume que ultrapasse os limites estabelecidos. A sobretaxa afetará especialmente países da América Latina — incluindo Brasil, Argentina e Uruguai — e também outros grandes exportadores como Austrália e Estados Unidos.
Outros países latino-americanos sofrerão restrições importantes: a Argentina deverá ter uma cota equivalente à metade da brasileira, enquanto o Uruguai poderá exportar até 324 mil toneladas. A divisão por país ainda pode ser ajustada nos anos seguintes, conforme a demanda e acordos bilaterais.
A medida chinesa também coloca em debate a dependência do Brasil em relação ao mercado chinês.
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A pecuária brasileira encerra 2025 com um feito histórico: ultrapassou os Estados Unidos e se tornou a maior produtora de carne bovina do mundo, conforme relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Esse marco reforça o protagonismo do país no setor e alimenta expectativas de expansão, ainda que com ritmo mais lento, no próximo ano.
Segundo dados divulgados pelo Cepea, tanto o mercado interno quanto o externo indicam sinais de crescimento contínuo da demanda. Em ano de Copa do Mundo e eleições gerais no Brasil, o aumento da circulação de dinheiro pode favorecer o consumo de carne, mesmo diante do endividamento das famílias.
No mercado externo, a competitividade do produto brasileiro permanece forte. A cotação do dólar acima de R$ 5 mantém os embarques atrativos, e a dificuldade de outros grandes produtores em recuperar suas ofertas a curto prazo pode beneficiar ainda mais as exportações nacionais.
Ainda de acordo com o Cepea, a expectativa é de que os preços da arroba do boi gordo e da carne bovina sigam sustentados em 2026. A possível escassez de carne no mercado global também tende a valorizar os produtos brasileiros, o que pode ampliar a rentabilidade do setor.
Por outro lado, o aumento da produção enfrentará entraves importantes. O principal desafio está na oferta de bois magros para reposição. Além da quantidade reduzida, preocupa a qualidade genética dos animais disponíveis, o que pode comprometer o desempenho nos confinamentos.
Mesmo com a taxa de lotação elevada nas unidades de engorda, a eficiência produtiva pode ser prejudicada se os animais não apresentarem peso ideal ou potencial de ganho satisfatório. Isso deve apertar as margens dos confinadores, exigindo maior gestão técnica e controle de custos.
A perspectiva para 2026, portanto, é de uma cadeia pecuária que seguirá aquecida, mas com restrições do lado da oferta. A valorização do produto final poderá compensar os custos mais altos e os desafios logísticos e genéticos enfrentados pelos produtores.
A pecuária de corte brasileira deve atravessar 2026 com um cenário de demanda firme, tanto no mercado interno quanto no externo, enquanto a oferta tende a enfrentar limites. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que apontam um ano desafiador para a produção e favorável para os preços.
Segundo o Cepea, o consumo de carne bovina segue sustentado por fatores domésticos e internacionais. Ao mesmo tempo, a expansão da produção nacional não está descartada, mas deve ocorrer de forma mais moderada, diante de entraves na reposição animal e na eficiência produtiva.
No mercado doméstico, os pesquisadores destacam que o ambiente econômico pode favorecer o consumo ao longo de 2026. A expectativa é de maior circulação de renda em um ano marcado por eleições gerais e pela realização da Copa do Mundo. Esses eventos tendem a estimular gastos, inclusive com alimentos.
Apesar disso, o Cepea pondera que o consumo interno ainda pode ser parcialmente limitado por compromissos financeiros das famílias. Mesmo assim, outros fundamentos macroeconômicos atuam como suporte para as vendas de carne bovina no país.
No comércio exterior, a avaliação é de continuidade do crescimento da demanda pela carne brasileira. De acordo com os pesquisadores, grandes produtores globais enfrentam dificuldades para recompor seus rebanhos no curto prazo, o que mantém a oferta internacional restrita.
Com o dólar acima de R$ 5, a carne bovina do Brasil segue competitiva no mercado global. Esse fator cambial contribui para a manutenção do ritmo das exportações e reforça a atratividade do produto brasileiro no exterior.
Oferta limitada impõe desafios à produção
Pelo lado da produção, o principal desafio para 2026 está na disponibilidade de bois magros para reposição. O Cepea alerta que, além da quantidade reduzida, a qualidade dos animais também preocupa o setor.
Mesmo com taxas elevadas de ocupação nos confinamentos, a eficiência produtiva pode ser comprometida se os animais de entrada forem leves ou não apresentarem genética adequada para ganho de peso. Esse cenário tende a pressionar os custos e reduzir as margens dos confinadores.
No contexto global, as projeções indicam redução da oferta de carne bovina, o que sustenta os preços internacionais. Segundo o Cepea, esse movimento reforça o estímulo à produção, ainda que o crescimento da oferta brasileira dependa de ajustes na base produtiva.
Os pesquisadores lembram que o Brasil alcançou, em 2025, a posição de maior produtor mundial de carne bovina, superando os Estados Unidos, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Esse patamar amplia as oportunidades, mas também exige atenção redobrada à eficiência e à gestão dos sistemas de produção em 2026.
A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil deve cair cerca de 5% na safra 2026/27, mesmo com expectativa de aumento da colheita de cana-de-açúcar. A redução está ligada ao maior direcionamento da matéria-prima para o etanol, diante de preços internacionais mais baixos do açúcar e da demanda aquecida por biocombustíveis no mercado interno.
A avaliação é do analista da Safras & Mercado, Maurício Muruci, durante entrevista ao telejornal Mercado & Cia, do Canal Rural, desta quinta-feira (1º). Segundo ele, o cenário combina dois movimentos distintos. “O açúcar continua com preços pouco atrativos na Bolsa de Nova York, o que se reflete também no mercado interno brasileiro”, afirmou.
Ao mesmo tempo, o etanol apresenta fundamentos mais favoráveis. “O etanol hidratado e o anidro têm perspectivas maiores de demanda entre os consumidores finais”, disse.
Etanol ganha espaço no mix das usinas
Muruci explicou que o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 30% é um dos principais vetores desse movimento. “Esse é o ponto de virada, porque eleva a demanda e os preços do anidro e, ao mesmo tempo, reduz a oferta do hidratado, sustentando preços mais altos para os dois”, afirmou.
De acordo com a Safras, o mix projetado para a safra 2026/27 indica 47% da cana destinada à produção de açúcar e 53% ao etanol. Para o analista, a decisão das usinas reflete uma combinação clara de preços e demanda. “As duas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo: o açúcar em queda no mercado internacional e o etanol em alta no mercado interno”, disse.
Ele destacou que, no fim de 2025, o etanol hidratado chegou a apresentar vantagem de 20% a 25% em relação ao açúcar em Nova York. “No ano passado, muitas usinas não conseguiram aproveitar essa vantagem porque estavam muito travadas em fixações de preço do açúcar”, explicou. Para 2026, o cenário é diferente. “Com uma safra nova, elas podem se posicionar melhor no etanol e deixar um pouco o açúcar de lado”, afirmou.
Excesso de oferta pressiona mercado internacional de açúcar
No mercado externo, Muruci apontou excesso de oferta como fator central para a queda dos preços do açúcar. “Há aumento de produção na Índia, Tailândia e China, o que faz esses países comprarem menos açúcar do Brasil”, disse. Segundo ele, os dados indicam superávit internacional elevado de forma persistente.
Esse contexto limita as exportações brasileiras de açúcar e reforça a estratégia das usinas de priorizar o combustível. “O etanol está mais atrativo que o açúcar, e as usinas vão aproveitar isso”, afirmou.
Biocombustíveis ganham caráter estrutural
Para o analista, o movimento de maior produção de etanol não é apenas conjuntural. “O Brasil está na vanguarda dos biocombustíveis. Sempre esteve, ao longo das últimas décadas”, disse. Ele avalia que a transição energética fortalece essa tendência e cria um ambiente mais favorável ao etanol no médio e longo prazo.
Muruci destacou ainda que o aumento da oferta de cana dá segurança ao setor. “Temos conforto na oferta, o que permite ampliar a produção de etanol sem risco de desabastecimento”, afirmou. Segundo a Safras, o aumento da mistura de E27 para E30 gera acréscimo de 1,65 bilhão de litros na demanda anual por etanol anidro.
Impacto para o consumidor só após o 1º trimestre
No curto prazo, o analista avalia que o consumidor ainda não deve perceber vantagem clara do etanol nas bombas. “No primeiro trimestre, estamos na entressafra, e as usinas precisam administrar os estoques”, explicou.
A expectativa é de mudança ao longo do ano. “Passado o primeiro trimestre e com o início da nova safra, a oferta aumenta, os preços caem e a vantagem do etanol hidratado frente à gasolina tende a voltar”, afirmou. Segundo ele, esse movimento deve ocorrer com mais clareza em estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.
A entressafra 2025/26, que começa em janeiro/26 e se estende até março/26
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A entressafra 2025/26, que começa em janeiro/26 e se estende até março/26, ainda pode ser marcada por preços firmes para o vendedor. Além da demanda, que deve seguir aquecida, pesquisadores do Cepea indicam que o suporte também deve vir dos estoques menores de etanol na região Centro-Sul do País.
Por outro lado, a temporada 2026/27, que se inicia oficialmente em abril/26, deve ser marcada por atenção redobrada às cotações do açúcar no mercado internacional e à expansão da produção de etanol, especialmente diante do risco de a oferta avançar em ritmo superior ao da demanda. Agentes de mercado consultados pelo Cepea indicam um ambiente de maior cautela para o ciclo.
Nesse contexto, a temporada 2026/27 tende a apresentar poucos vetores de sustentação aos preços do etanol. Segundo pesquisadores do Cepea, o cenário desenhado é desafiador, com possibilidade de pressão baixista sobre as cotações do biocombustível. As projeções preliminares de moagem de cana-de-açúcar para a safra 2026/27 na região Centro-Sul estão estimadas em torno de 625 milhões de toneladas.
No mercado de açúcar, a perspectiva é de superávit global, com maior disponibilidade do produto e a sinalização de aumento da participação vendedora no próximo ano. Diante da possibilidade de preços externos do adoçante mais enfraquecidos, as usinas brasileiras poderão ajustar o mix de produção, direcionando maior parcela da cana para a fabricação de etanol, o que, por sua vez, pode intensificar a pressão sobre as cotações do biocombustível. Outro fator relevante apontado pelos agentes do setor é o comportamento do preço do petróleo.
No caso específico do etanol de milho, pesquisadores do Cepea indicam que a trajetória de crescimento da produção é evidente. A safra 2025/26 já apresentou expansão em relação ao ciclo anterior, e a participação do etanol de milho no total produzido deve seguir em trajetória ascendente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, que orienta a elaboração e a execução do Orçamento da União neste ano. As novas regras foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União de 31 de dezembro de 2025.
O texto fixa uma meta de superávit primário de R$ 34,2 bilhões para as contas públicas federais. A LDO estabelece ainda uma faixa de tolerância para o resultado fiscal. O limite superior é de R$ 68,5 bilhões, enquanto o piso permite resultado neutro, sem déficit primário. A regra define o parâmetro central da política fiscal em 2026.
Por definição legal, a LDO fixa metas e prioridades da administração pública federal. O texto orienta a organização dos orçamentos e estabelece regras para a gestão das despesas e receitas.
A lei também traz parâmetros para a dívida pública federal, gastos com pessoal e encargos sociais. Além disso, define diretrizes para a aplicação de recursos por agências financeiras oficiais de fomento.
Com a sanção, o governo formaliza o compromisso de alinhar metas fiscais às necessidades do orçamento anual. A LDO funciona como instrumento de planejamento intermediário, conectando diretrizes estratégicas e a execução prática dos gastos públicos.
Estatais e Orçamento de Investimento
A LDO de 2026 também trata do Orçamento de Investimento das estatais federais não dependentes. Nesse ponto, a execução deverá ser compatível com uma meta de déficit primário de R$ 6,7 bilhões no Programa de Dispêndios Globais. Esse programa reúne informações sobre fontes de recursos e investimentos dessas empresas.
O texto exclui dessa apuração as empresas do Grupo Petrobras e a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional. Também ficam fora do cálculo determinadas despesas do Novo PAC, limitadas a R$ 5 bilhões, conforme previsto na lei.
Como funciona o ciclo orçamentário
O sistema orçamentário brasileiro é estruturado em três leis principais. A primeira é o Plano Plurianual, que estabelece objetivos e programas para um período de quatro anos. O PPA é enviado ao Congresso até 31 de agosto do primeiro ano de cada governo e passa a valer no exercício seguinte.
A LDO ocupa a etapa intermediária desse processo. Ela define metas e prioridades, além de orientar o equilíbrio entre receitas e despesas. Serve como base para controle de custos e avaliação dos resultados fiscais.
A terceira peça é a Lei Orçamentária Anual, que detalha as despesas e receitas previstas para o ano. Em termos práticos, a LDO estabelece as regras do jogo, enquanto a LOA executa o orçamento aprovado.
O governo brasileiro vai negociar com a China para reduzir os impactos da aplicação de uma salvaguarda sobre as importações de carne bovina. A medida começou a valer nesta quinta-feira (1º) e tem duração prevista de três anos.
A decisão foi anunciada pelo governo chinês no último dia útil do ano passado e afeta todos os países exportadores. Para o Brasil, principal fornecedor do produto ao mercado chinês, a preocupação é com a perda de competitividade e de receita nas exportações.
Segundo nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o governo atua de forma coordenada com o setor privado. O diálogo com a China ocorre tanto no âmbito bilateral quanto no contexto da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A medida estabelece uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira. Os volumes exportados acima desse limite serão sobretaxados em 55%.
As salvaguardas estão previstas nas regras da OMC e podem ser adotadas quando há aumento relevante das importações. Elas não estão relacionadas a práticas desleais de comércio e atingem todos os países exportadores, sem distinção.
Impactos para o setor de carne bovina
De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o Brasil pode perder até US$ 3 bilhões em 2026 com a aplicação da medida chinesa. A entidade avalia que a salvaguarda compromete o desempenho das exportações do setor.
Em 2025, as vendas externas de carne bovina devem superar US$ 18 bilhões. Diante do novo cenário, a Abrafrigo defende uma atuação diplomática mais intensa e estratégias para ampliar o acesso a novos mercados, como forma de reduzir os impactos da restrição chinesa.
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Após o bom desempenho registrado em 2025, a suinocultura brasileira mantém projeções otimistas para 2026. A ampliação da demanda externa somada ao crescimento moderado da produção e à manutenção de preços firmes devem assegurar margens atrativas ao longo do ciclo. Cálculos do Cepea indicam cerca de 1,44 milhão de toneladas de carne suína embarcadas no próximo ano, o que representaria um crescimento de 6,3% sobre 2025.
Esses números podem, inclusive, melhorar a posição do Brasil no ranking dos maiores exportadores mundiais da proteína – desde 2023, o País ocupa o 3º lugar, conforme dados do USDA. Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa é de abertura e consolidação de novos mercados, além da expansão do valor total exportado. Entre os parceiros comerciais do Brasil, as Filipinas devem continuar sendo o principal, adquirindo 7% a mais da carne suína nacional em 2026. Já para a China, o 2º maior destino, o total embarcado deve seguir em queda, dada a demanda decrescente do país nos últimos anos – entre 2021 e a parcial de 2025, o total enviado ao país caiu mais de 70%. Nas Américas, o México deve continuar ampliando a demanda por carne brasileira.
No mercado doméstico, os preços podem seguir em patamares elevados no próximo ano. Ao mesmo tempo, estimativas do Cepea apontam que a dinâmica de menor volatilidade deve ser mantida – em 2025, as cotações permaneceram praticamente estáveis em algumas praças por quatro ou até seis semanas ininterruptas. A expectativa de preços firmes se sustenta na continuidade da demanda aquecida.
Segundo a ABPA, o consumo per capita da proteína suinícola é projetada em 19,5 quilos em 2026, incremento de 2,5% frente ao ano anterior. Do lado da produção de carne suína, o Cepea estima aumento de 4%, chegando a 5,88 milhões de toneladas. Assim como em 2025, o Cepea projeta um bom ano ao produtor, favorecido pelos preços firmes do animal.