O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou na quinta-feira (16) a Lei 15.236, de 2025, que facilita o acesso de agricultores familiares ao Garantia-Safra e torna mais ágil o pagamento do benefício. Publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (17), a nova norma reduz exigências, amplia a cobertura do programa e permite novas formas de uso dos recursos para fortalecer a produção no campo.
O texto altera a Lei 10.420, de 2002, e reduz de 50% para 40% o percentual mínimo de perda de safra exigido para o agricultor receber o benefício. A mudança contempla produtores que sofrem com estiagens e enchentes, mas que até agora ficavam de fora por não alcançarem o limite anterior. A medida também tem como objetivo garantir que o auxílio chegue com mais rapidez a famílias afetadas por eventos climáticos extremos.
A nova lei flexibiliza o pagamento pelo governo, que poderá ser feito em até três parcelas mensais ou em parcela única, quando houver situação de emergência nacional, estado de calamidade pública, pandemia ou epidemia.
A sanção de Lula encerra a tramitação do PL 1.282/2024, do deputado Carlos Veras (PT-PE), que teve como relatora a senadora Augusta Brito (PT-CE). O texto foi aprovado pelo Plenário do Senado em setembro, com o objetivo de tornar o Garantia-Safra mais acessível e eficaz no atendimento a famílias de baixa renda afetadas por perdas de safra.
Outro avanço é a ampliação da área de cobertura do Garantia-Safra. Agricultores familiares de municípios fora da região tradicional da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) poderão aderir ao programa, desde que atendam aos critérios estabelecidos pelo órgão gestor.
A gestão do fundo e das normas operacionais passa a ser de responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
Além de assegurar renda emergencial a quem perde a produção, a lei permite que parte dos recursos do fundo seja usada em ações voltadas à convivência com o semiárido, ao aumento da capacidade produtiva e à adaptação às mudanças climáticas.
A expectativa é que as novas regras reforcem o apoio à agricultura familiar e contribuam para a sustentabilidade econômica e ambiental das pequenas propriedades rurais.
A sanção encerra a tramitação do PL 1.282/2024, do deputado Carlos Veras (PT-PE), que teve como relatora a senadora Augusta Brito (PT-CE). O texto foi aprovado pelo Plenário em 23 de setembro, com o objetivo de tornar o programa mais acessível e eficaz no atendimento a famílias de baixa renda afetadas por perdas de safra.
Os ventos intensos que atingiram o estado de São Paulo neste fim de semana provocaram estragos em diferentes cidades. Em Ribeirão Preto, a cobertura de uma arena de beach tennis desabou durante um evento esportivo, deixando oito pessoas feridas. Em Santos, parte de uma avenida cedeu após o desabamento de uma viga de concreto.
Desabamento durante torneio esportivo
O acidente em Ribeirão Preto ocorreu neste sábado (18), durante o torneio Sand Series Beach Tennis, realizado na Arena Beach Ribeirão. Segundo a Defesa Civil, a estrutura metálica da arquibancada central foi derrubada por um vendaval.
Oito pessoas ficaram feridas, sendo uma em estado grave com traumatismo craniano. De acordo com a organização do evento, as vítimas foram levadas para o Hospital Unimed. Sete receberam alta ainda no sábado, e uma permanecia em observação.
Em nota, a organização informou que a evacuação do público foi coordenada pelo Corpo de Bombeiros e ocorreu sem tumulto.
Acidente em Santos
No litoral paulista, um desabamento atingiu a avenida Vereador Alfredo das Neves, em Santos. De acordo com a Defesa Civil, uma viga de concreto de um galpão se desprendeu, atingindo um muro de arrimo e um trailer de lanches.
Três pessoas tiveram ferimentos leves e foram socorridas. A área foi isolada para perícia e avaliação estrutural.
Atenção aos ventos fortes
Diante das ocorrências, a Defesa Civil mantém alerta para ventos intensos em diversas regiões do estado. O órgão recomenda que a população evite áreas abertas, retire objetos soltos de varandas e mantenha distância de árvores e fiações elétricas durante tempestades.
O governo do Rio Grande do Sul realiza, entre os dias 20 e 24 de outubro, uma missão técnica oficial ao Nebraska, nos Estados Unidos. O estado norte-americano é referência mundial em sistemas irrigados e gestão de recursos hídricos.
A comitiva é liderada pelo vice-governador Gabriel Souza e inclui representantes de secretarias estratégicas, entidades, parlamentares e imprensa. O objetivo é conhecer experiências bem-sucedidas, identificar tecnologias e modelos que possam ser adaptados ao estado e ampliar a cooperação institucional.
Busca por irrigação sustentável
O vice-governador Gabriel Souza explica que a ampliação da irrigação é prioridade para enfrentar os episódios de estiagem recorrentes no Rio Grande do Sul. “Programas como o Irriga+RS oferecem subsídios para projetos de irrigação e colocam o produtor como protagonista no enfrentamento da seca. A missão ao Nebraska tem o objetivo de trazer soluções de ponta e fortalecer a agricultura sustentável”, afirma.
O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, reforça que a irrigação é estratégica para garantir segurança hídrica, estabilidade produtiva e resiliência diante das mudanças climáticas. Segundo ele, a missão permitirá ampliar o conhecimento sobre sistemas de irrigação e identificar tecnologias e práticas de gestão que possam ser implementadas no estado.
Agenda técnica e institucional
Durante a visita, a comitiva participará de reuniões técnicas e institucionais com o Water for Food Global Institute, a Universidade do Nebraska e órgãos estaduais de agricultura e recursos hídricos. Estão previstas ainda visitas a propriedades rurais e projetos de irrigação de referência, que servirão como modelo para iniciativas no Rio Grande do Sul.
Além do vice-governador, participam representantes da Seapi, Secretaria de Desenvolvimento Rural, Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Assembleia Legislativa, Emater/RS-Ascar, Invest RS, Fepam, Irga, Famurs e Aprosoja. O grupo busca integrar diferentes setores do governo e do agro para fortalecer políticas públicas de irrigação e sustentabilidade.
A Bolívia realiza, neste domingo (19), o segundo turno das eleições presidenciais, após nenhum candidato garantir vitória direta no primeiro turno, em 17 de agosto. O novo presidente assume o cargo em 8 de novembro e deve herdar um cenário em que a inflação está no nível mais alto em décadas.
As eleições presidenciais na Bolívia marcam uma possível mudança histórica, com a provável vitória de candidatos de direita após duas décadas de governos de esquerda. Neste sentido, essa transição política pode afetar diretamente as relações comerciais com o Brasil.
De um lado está Quiroga, conservador de 65 anos, que foi presidente por um breve período de 2001 a 2002. De outro, o político de centro Paz, de 58 anos, filho de um ex-presidente boliviano. A maior parte dos resultados preliminares, de 80%, deve ser publicada na noite da eleição. Porém, os resultados oficiais serão divulgados em sete dias.
Relações comerciais entre Brasil e Bolívia
Conforme dados oficiais do governo do Brasil, o país é o principal parceiro comercial da Bolívia. Em 2024, as exportações brasileiras para o país somaram US$ 1,3 bilhão, concentradas na indústria de transformação (97%), com destaque para produtos comestíveis e preparações (7,5%), barras de ferro e aço (4,2%), papel e cartão (4,2%), bebidas alcoólicas (3,2%), óleos combustíveis (3,1%) e equipamentos para distribuição de energia elétrica (3%).
Por outro lado, as importações brasileiras da Bolívia em 2024 foram de US$ 1,45 bilhão. O gás natural responde por 84% do total, seguido de adubos e fertilizantes (5,9%). Com o resultado, o saldo comercial foi negativo para o Brasil em pouco mais de US$ 120 milhões.
Estudo coordenado pela Embrapa Meio Ambiente (SP) em parceria com a Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR), demonstrou que o sistema de bioflocos (BFT) permite uma produção intensiva de tilápias com mínimo uso de água, alto aproveitamento de nutrientes e menor potencial de contaminação ambiental.
A pesquisa se consolida como uma tecnologia estratégica frente aos desafios da produção de proteína animal, a fim de dar continuidade a trabalhos iniciados há três anos que já haviam comprovado vantagens dessa tecnologia.
Tainara Blatt, técnica agrícola da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Agricultura de Foz do Iguaçu, explica que, durante 70 dias de cultivo experimental em tanques circulares de 4,2 m³ cada, produziram quase 5 mil alevinos de tilápia em cada tanque.
A produção foi mantida em alta densidade: cerca de 395 peixes por m³. Ao fim do período de cultivo, foram observados taxa de sobrevivência de 98%, com um peso médio final de 20,4 gramas, o animal tem alta eficiência: precisa consumir apenas 1,05 kg de ração para ganhar 1 kg de peso.
Os dados apresentam não só o bom desempenho zootécnico, como também a eficiência alimentar das tilápias no sistema BFT.
“As quais estão relacionadas com o consumo do floco microbiano com alimento complementar, que além de apresentar alto teor de proteína, possui também bactérias probióticas”, relata Blatt.
Resultados positivos do BFT
Os pesquisadores utilizaram a análise do balanço de massa — baseada na lei da conservação de massa — para estimar as entradas (ração, água e biomassa de peixes inicial) e saídas de nutrientes (biomassa de peixes final, efluentes líquidos e sólidos), além de perdas ao longo do processo.
“Esse tipo de abordagem permite avaliar com precisão a retenção de carbono, nitrogênio e fósforo e estimar o potencial de poluição”, destaca Alex Cardoso, pesquisador colaborador do projeto.
De acordo com a pesquisa, o sistema de bioflocos reteve 45,4% do nitrogênio, 46,3% do fósforo e 29,7% do carbono fornecidos principalmente pela ração. Ao fim do ciclo, a carga residual de nutrientes por tonelada de peixe, foram de 10,24 kg de fósforo, 46,63 kg de nitrogênio e 442,47 kg de carbono.
“Esses valores são muito inferiores aos observados em sistemas tradicionais, como tanques-rede, que podem liberar até 18,25 kg de fósforo, 77.50 kg de nitrogênio e 700 kg de carbono por tonelada de tilápia produzida”, compara o pesquisador da Embrapa Hamilton Hisano.
Essa eficiência se deve à principal característica do BFT: a reciclagem de nutrientes pela ação de microrganismos que formam os bioflocos. O BFT utiliza apenas 135 litros de água por quilo de tilápia.
Biometria de alevinos de tilápia – Foto: Tainara Blatt
Alternativa estratégica para o futuro da aquicultura
A baixa necessidade de renovação hídrica e o reaproveitamento da água de cultivo reduz o risco de contaminação de corpos d’água e amplia a biossegurança, do mesmo modo que potencializa a utilização do BFT em regiões de escassez hídricas e também em regiões urbanas e periurbanas.
O monitoramento da água dos tanques foi contínuo, com controle rigoroso de temperatura, oxigênio dissolvido, sólidos suspensos e nutrientes. A adição de açúcar, como fonte de carbono, manteve o equilíbrio do sistema, estabelecendo a proporção de carbono para nitrogênio no nível ideal de 12 para 1.
Dessa forma, a estratégia favorece o crescimento bacteriano em detrimento de algas, como demonstrado pela queda progressiva nos níveis de clorofila-a ao longo do cultivo.
O estudo também aplicou indicadores de sustentabilidade divididos em categorias como uso e eficiência de recursos, liberação de poluentes e conservação da biodiversidade.
O BFT obteve classificação de impacto moderado (nível 4) quanto ao risco à biodiversidade, inferior à dos sistemas abertos, que oferecem maior risco de escape de espécies e contaminação ambiental.
“Como sistema fechado, o BFT proporciona maior controle sobre a produção e os resíduos gerados”, destaca Tainara Blatt.
Tecnologia apresenta elevado consumo de energia
Segundo André Watanabe e Celso Buglione da Itaipu Binacional, o principal desafio identificado foi o elevado consumo energético, estimado em 114,6 megajoules por quilo de peixe produzido, valor associado à necessidade de aeração contínua e manutenção das condições do sistema.
Sendo assim, para ampliar a adoção do BFT, os pesquisadores apontam a urgência de investir em fontes de energia renováveis e no aprimoramento da eficiência dos equipamentos utilizados.
Reaproveitamento dos resíduos sólidos removidos do sistema – Foto: Tainara Blatt
Resíduos podem se tornar fertilizantes ou ração
Além disso, outro destaque do trabalho foi a possibilidade de reaproveitamento dos resíduos sólidos removidos do sistema.
Com potencial para se transformarem em fertilizantes ou ingredientes para ração, esses subprodutos podem agregar valor e contribuem para a circularidade da produção, reforçando o caráter sustentável do BFT.
Apesar da escassez de estudos que avaliem o sistema de forma integrada, os pesquisadores ressaltam que ferramentas como a análise do ciclo de vida e o cálculo da pegada de carbono podem ser incorporadas futuramente para mensurar com mais precisão os impactos ambientais dapiscicultura em bioflocos.
Com base nos dados obtidos, os pesquisadores concluem que o sistema BFT oferece uma solução tecnicamente viável e ambientalmente mais segura para a intensificação da aquicultura.
Seu uso racional de recursos naturais, a capacidade de reter nutrientes e o controle sobre os impactos ambientais o posicionam como alternativa estratégica para a produção de proteína aquática frente às pressões crescentes por segurança alimentar e preservação dos ecossistemas.
O estudo reforça a importância de investimentos em pesquisa, monitoramento e inovação para aprimorar ainda mais a sustentabilidade dos sistemas aquícolas.
Em regiões como o semiárido ou áreas periurbanas com uso restrito da água, o BFT pode representar a chave para uma aquicultura eficiente, ambientalmente responsável e alinhada às demandas do futuro.
A semeadura do arroz avançou de forma gradual no estado, acompanhando as variações climáticas regionais, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (16) pela Emater/RS-Ascar. O período seco das últimas semanas favoreceu a preparação do solo e o plantio nas principais regiões produtoras, especialmente nas áreas previamente niveladas.
Em alguns locais próximos a cursos d’água, o excesso de umidade ainda limita o acesso do maquinário e provoca atrasos no início da semeadura. A implantação das lavouras está entre o início e o meio do período recomendado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). A área semeada varia entre 15% e 60%, conforme a região. “A maioria dos cultivos apresenta emergência uniforme, bom vigor inicial e desenvolvimento vegetativo dentro da normalidade”, destaca o informativo.
A expectativa é de redução da área cultivada devido a fatores econômicos e logísticos, principalmente em regiões com concorrência da soja. A estimativa de área é de 920.081 hectares, com produtividade projetada em 8.752 kg/ha.
Na Fronteira Oeste, produtores com maior capacidade operacional intensificaram o plantio. Em Uruguaiana, projeta-se uma redução expressiva da área cultivada, estimada em 71 mil hectares. Em São Borja, o avanço do plantio está limitado a menos de mil hectares devido à umidade do solo. Já em Dom Pedrito, a semeadura está mais adiantada e deve alcançar 36 mil hectares.
Na região de Pelotas, 61% da área estimada já foi semeada, impulsionada pelo clima seco e ensolarado. Em Santa Maria, a semeadura atinge 7% da área prevista e deve avançar com a redução das chuvas. Em Santa Rosa, as dificuldades no preparo do solo provocam atrasos e tendência de redução da área plantada para evitar concorrência com a colheita da soja. Na região de Soledade, 15% da área foi semeada, com parte em sistema pré-germinado e parte em solo seco.
Na comercialização, o preço médio da saca de 60 quilos apresentou recuo de 0,59%, passando de R$ 59,07 para R$ 58,72 na semana, conforme levantamento da Emater/RS-Ascar.
Segundo o relatório Panorama da Indústria Florestal Paulista, o estado tem 1,29 milhão de hectares com um Valor Bruto da Produção de R$ 4,45 bilhões
A silvicultura, impulsionada principalmente pelas culturas de eucalipto e pinus, se firmou como uma das grandes forças do agronegócio paulista e brasileiro. A produção desses gêneros registrou um crescimento de 31,7% entre 2022 e 2023, evidenciando a relevância do segmento para a economia. Os dados fazem parte do relatório produzido pela Indústria Florestal Paulista (Florestar), e divulgado em setembro de 2025, que traz uma análise completa dos valores econômicos, sociais e ambientais do setor. “Esses resultados reforçam a vocação da área no fornecimento de matéria-prima para a indústria de alta escala. Um exemplo é a produção de resina de pinus. São Paulo é hoje o maior produtor de resina do Brasil, respondendo por 59% do Valor Bruto da Produção (VBP) e da quantidade nacional”, destaca Fernanda Abilio, diretora da Florestar.
A pesquisa mostra que a cadeia produtiva baseada em eucalipto e pinus alia crescimento econômico, conservação ambiental e qualidade de vida. Atualmente, mais de cinco mil bioprodutos são gerados a partir das florestas plantadas. A celulose, por exemplo, tem aplicações diversas, começando pela fabricação de papel e embalagens; passando pela indústria alimentícia, como estabilizante e substituto de gordura, produção de tripas artificiais para embutidos; e na chamada celulose fluff, base de absorventes femininos e fraldas descartáveis. O pinus, por sua vez, é fonte de madeira para produtos serrados, móveis, construção civil, resinas aplicadas em vernizes, tintas, adesivos, colas e vedantes, entre outros.
Mais de 12% da área nacional
O levantamento da Indústria Florestal Paulista (Florestar) aponta que São Paulo é um dos principais estados brasileiros com florestas plantadas, somando 1,29 milhão de hectares, o equivalente a 12,6% da área nacional. O eucalipto predomina com 1 milhão de hectares, seguido por 154 mil hectares de pinus, 124 mil hectares de seringueira e sete mil de outros gêneros. Nos últimos quatro anos, a área cultivada cresceu mais de 68 mil hectares (6%), principalmente em áreas com algum grau de degradação reestabelecendo a produtividade ao solo, sendo 85% em novos plantios de eucalipto. “Essa base industrial é sustentada por uma extensa rede de serviços especializados, como empresas de silvicultura, colheita, transporte de madeira, fornecimento de insumos e suporte técnico”, explica Fernanda.
As florestas plantadas estão presentes em 76% dos municípios paulistas, com grande concentração em regiões como Avaré, Bauru, Botucatu, Capão Bonito, Itapetininga e Itapeva, que respondem por 46% do total plantado no estado. Além das condições naturais favoráveis, São Paulo se destaca por sua infraestrutura logística, com malhas rodoviária, ferroviária, hidroviária e acesso ao Porto de Santos. “Esse conjunto facilita o escoamento da produção e amplia a competitividade do setor no mercado nacional e internacional”, acrescenta a diretora da Florestar.
Com movimentação de R$ 4,45 bilhões em Valor Bruto da Produção (14,1% do total brasileiro), o setor florestal paulista é o que mais emprega no país, com mais de 877 mil vagas diretas e indiretas. No comércio exterior, São Paulo também mantém protagonismo: em 2024, foram US$ 3,29 bilhões em exportações. 19,5% do total nacional do setor florestal, um crescimento de 15,9% em relação ao ano anterior. Ao todo, 5,62 milhões de toneladas de produtos florestais foram exportados, com destaque para celulose (52,4%), papel (35,8%) e resina (5,1%). Os principais destinos foram China (33,7%), Estados Unidos (9,8%), Países Baixos (5,3%), Itália (4,7%) e Peru (4,6%).
A vaca Fernanda Forbes Olhos D’Água, da raça Girolando CCG 3/4, conquistou o título de Vaca Suprema da 3ª ExpoLeite, realizada em Uberaba (MG). O julgamento ocorreu na tarde deste sábado (18) e teve como jurada Tatiane Drummond Tetzner, da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGil). O animal é de propriedade do criador Rodrigo Nogueira Ferreira, da Estância Nogueira, no município de Inhaúma, também em Minas.
Fernanda superou as Grandes Campeãs das demais categorias — Girolando CCG 1/4, 1/2 sangue, 5/8, Gir Leiteiro, Guzerá Leiteiro e Sinjer (Sindi x Jersey) — e levou o principal título da feira, organizada pela ABCZ com patrocínio de CNA/Faemg/Senar.
Recorde mundial de produção leiteira
A conquista coroa uma semana histórica para o criatório. Durante o torneio leiteiro oficial da ExpoLeite, Fernanda Forbes também se tornou a nova recordista mundial da raça Girolando, ao atingir 335,840 quilos de leite em dez ordenhas — uma média de 111,947 quilos por ordenha. O recorde anterior, que durava desde 2017, era de 111,863 quilos.
Fernanda, que tem composição genética 3/4 Holandês e 1/4 Gir, já era conhecida por seu desempenho em pista. “É um animal que sempre se despontou. Já ganhou várias premiações em julgamento e, pela primeira vez, conquistou o Grande Campeonato em torneio leiteiro”, afirmou o criador Rodrigo Nogueira.
Além do título principal, a Estância Nogueira também venceu com a vaca Curral Queimado Duquesa, campeã da categoria 1/4 Holandês + 3/4 Gir, com média de 64,477 quilos de leite. A Reservada Grande Campeã foi Doce FIV Resolve da JT Minas Gerais, da composição 1/2 sangue, com média de 104,310 quilos, pertencente ao expositor Eduardo Domingues de Castro.
O torneio leiteiro de Girolando começou no último domingo (12) e contou com dez ordenhas oficiais, consolidando a ExpoLeite como uma das principais vitrines da pecuária leiteira nacional.
A semana de 20 a 24 de outubro terá predomínio de tempo firme em várias regiões do Brasil, mas algumas áreas vão registrar pancadas de chuva, segundo a previsão do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller. Neste sentido, as condições influenciam desde a colheita de cultivos de inverno até a semeadura da safra 2025/26.
Confira a previsão por região:
Sul
O tempo fica mais firme na maior parte da região, com chance de pancadas isoladas de chuva no litoral do Paraná e Santa Catarina. As temperaturas seguem mais baixas, principalmente no centro-leste catarinense, Paraná e Serra Gaúcha. A segunda-feira terá frio intenso, com risco de geada apenas nas serras; nas baixadas, mínimas abaixo de 10°C, sem perigo de formação de geada.
Além disso, a temperatura sobe a partir de quarta-feira, ficando entre 25ºC e 28°C. A chuva retorna na sexta-feira com o avanço de uma nova frente fria, trazendo frio e temporais, especialmente no extremo sul do Rio Grande do Sul, com acumulados de até 30 mm, o que pode atrapalhar trabalhos em campo.
Sudeste
As chuvas se concentram ao longo do litoral e em áreas do centro-norte e leste de Minas Gerais, com possibilidade de precipitação no Espírito Santo. As temperaturas permanecem amenas em SP, centro-sul de MG, RJ e ES, com mínimas entre 10°C e 12°C até quarta ou quinta-feira.
Os acumulados de chuva de 15/20 mm nesta segunda ajudam a repor a umidade do solo. O tempo volta a firmar entre terça e quinta-feira, favorecendo o avanço da semeadura da safra 2025/26, enquanto a temperatura máxima no interior paulista pode chegar a 38°C a partir de sexta-feira.
Centro-Oeste
Instabilidades seguem sobre Mato Grosso e centro-norte de Goiás, com chuvas localmente fortes. Até quarta-feira, os acumulados chegam a 30/40 mm, garantindo boa umidade do solo. Já o sul de MT enfrenta cenário mais crítico, com chuvas irregulares e temperaturas elevadas, exigindo cautela nos trabalhos.
Entre sexta e sábado, o calor retorna, com máximas próximas de 40°C, aumentando o risco de estresse térmico para o gado em confinamento e para lavouras recém-semeadas. A expectativa é que, na próxima semana, uma frente fria traga 40/50 mm de chuva para os três estados.
Nordeste
Áreas de instabilidade permanecem ativas no sul e oeste da Bahia, avançando para o sul e interior do Piauí e Maranhão. Até quarta-feira, os acumulados devem atingir 30/40 mm, favorecendo a reposição de umidade.
No litoral da Bahia, entretanto, o volume pode ultrapassar 100 mm, com risco de alagamentos. Em Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Alagoas, a chuva é fraca, de 5/10 mm, apenas aumentando a umidade relativa do ar. No Rio Grande do Norte, o tempo segue quente e seco.
Norte
As instabilidades seguem no Amazonas, centro-sul do Pará, Roraima, Rondônia e pontos isolados do Acre e Amapá. A semana terá bom volume de chuvas, entre 30 e 40 mm, especialmente no Tocantins, Rondônia e centro-sul do Pará, beneficiando pastagens e trabalhos agrícolas da safra 25/26.
Por outro lado, o Amapá e o noroeste do Pará ficam com tempo quente e seco, com máximas próximas de 3°C, aumentando o risco de focos de incêndio.
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
Os concursos de qualidade dos cafés de Minas Gerais, promovidos pela Emater-MG, têm mudado a realidade de produtores no estado. A valorização dos lotes vencedores gera novas oportunidades de renda e consolida os campeonatos como uma vitrine importante para o mercado de cafés especiais.
Willem de Araújo, coordenador técnico da entidade, explica que o produtor mineiro entendeu a importância da qualidade. “Durante muito tempo o foco foi aumentar a produtividade, mas o produtor percebeu que investir em qualidade é o caminho para valorizar o produto”, afirma.
Segundo ele, os cafés premiados chegam a valer até três vezes mais que os lotes comuns. “Há casos de sacas que alcançam R$ 10 mil, graças à diferenciação e ao cuidado que o produtor dedica ao grão”, completa.
Plataformas digitais ampliam vendas
A comercialização online também tem impulsionado os resultados. Durante a pandemia, a Emater lançou a plataforma É do Campo, que conecta cafeicultores a consumidores em todo o país. “Nos surpreendeu a quantidade de cafés ofertados. É um canal ideal para quem produz pouco, mas investe em qualidade”, diz Araújo.
O coordenador destaca que as vendas virtuais abriram espaço para pequenos produtores oferecerem seus cafés diretamente a cafeterias e compradores internacionais. “Na internet, o café disputa espaço com produtos gourmet, como queijos e chocolates, mas continua sendo o carro-chefe das vendas”, ressalta.
Concursos abrem portas para novos produtores
Para o coordenador, os concursos são essenciais para dar visibilidade aos cafés de qualidade produzidos em pequenas propriedades. “Não adianta ter o melhor café do mundo se ninguém conhece. Os concursos municipais, regionais e estaduais ajudam a revelar esses tesouros e conectar produtores a novos mercados”, afirma.
Ele lembra que, em muitos casos, a participação nesses eventos é o primeiro passo para que pequenos cafeicultores estampem seu nome e sua história nas embalagens. “É motivo de orgulho. Esses concursos transformam a energia do campo em oportunidades reais de crescimento”, completa.
Neste ano, o 22º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais recebeu mais de 1.840 amostras, das quais 270 avançaram para a segunda etapa. Nesse sentido, segundo Araújo, o número reflete o engajamento crescente dos cafeicultores na busca por reconhecimento e valorização.