sexta-feira, maio 15, 2026

News

News

Casa Branca responde declaração de Lula sobre Trump



A Casa Branca disse na quinta-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não está tentando ser o imperador do mundo”. A declaração foi feita pela porta-voz do governo, Karoline Leavitt, em resposta às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em entrevista à CNN Internacional, Lula disse que Trump foi eleito para governar os Estados Unidos, e não para governar o mundo, ser o “imperador do mundo”. Na mesma entrevista, Lula afirmou que o Brasil está disposto a negociar com os norte-americanos, mas que o país “não aceitará nada que lhe seja imposto”.

Na Casa Branca, a porta-voz afirmou que Trump é um “presidente forte” e “líder do mundo livre”.

Sobre as taxas de 50% impostas aos produtos brasileiros, ela respondeu que as regulações digitais, a ausência de proteção da propriedade intelectual e as regras ambientais brasileiras têm prejudicado empresas e o agronegócio dos Estados Unidos.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Na última terça-feira (15), os Estados Unidos iniciaram uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil, que alegam ser “injustas”, como o serviço de pagamento eletrônico (Pix). A medida foi anunciada depois de o presidente Donald Trump ameaçar impor uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras a partir de 1º de agosto.

O Pix virou alvo de investigação comercial pelo governo de Donald Trump, sob o pretexto de que criaria desvantagem competitiva para empresas do setor financeiro, como bandeiras internacionais de cartão de crédito. Além do Pix, os Estados Unidos questionam o desmatamento, a corrupção e o tratamento dado a algumas big techs (grandes empresas de tecnologia).

O governo brasileiro montou um comitê, com representantes da indústria e demais setores econômicos, para buscar soluções e reverter a taxação. O presidente Lula já afirmou que, se necessário, poderá recorrer à Lei de Reciprocidade, que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países que imponham barreiras unilaterais aos produtos do Brasil, ou seja, permitindo o Brasil a taxar de volta os produtos norte-americanos.



Source link

News

Em pronunciamento, Lula diz que tarifaço de Trump é ‘chantagem inaceitável’



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a separação dos poderes e disse que ninguém está acima da lei, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão. Em discurso de cinco minutos, o presidente afirmou que responderá com diplomacia e multilateralismo às ameaças do governo de Donald Trump de impor uma tarifa de 50% a produtos brasileiros nos Estados Unidos, que classificou de “chantagem inaceitável”.

Sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo julgamento foi citado nas cartas recentes de Trump para justificar o tarifaço, Lula disse que as instituições agem para proteger a sociedade da ameaça de discursos de ódio e anticiência difundidos pelas redes digitais.

“No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes, em alguns casos levando à morte, e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas”, declarou o presidente.

Destacando a independência do Judiciário, o presidente disse que não pode interferir em decisões de outros Poderes.

“Contamos com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal, os princípios da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa. Tentar interferir na justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional”, acrescentou.

“Chantagem inaceitável”

Lula ressaltou que o Brasil sempre esteve aberto ao diálogo e tenta negociar com os Estados Unidos desde maio, quando o governo Donald Trump impôs uma tarifa de 10% aos produtos brasileiros. O presidente classificou de “chantagem” o uso de informações econômicas falsas para justificar as ameaças do governo estadunidense.

“Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”, declarou.

Afirmou que o governo está se reunindo com representantes dos setores produtivos, da sociedade civil e dos sindicatos para tentar negociar com os Estados Unidos. Segundo Lula, essa é uma grande ação que diversos segmentos da economia, como a indústria, o comércio, o setor de serviços, o setor agrícola e os trabalhadores.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

Lula destacou que o Brasil responderá aos ataques do governo Trump por meio da diplomacia, do comércio e do multilateralismo. “Estamos juntos na defesa do Brasil. E faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo, e vai à luta para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer. Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo”, acrescentou.

Lula lembrou que, em dois anos e meio de governo, o Brasil abriu 379 novos mercados para os produtos brasileiros no exterior. Reafirmou que o governo pode usar todos os instrumentos legais para defender a economia, como recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.

“Traidores da pátria”

O presidente manifestou indignação pelo apoio de alguns grupos políticos ao ataque tarifário do governo Trump.

“Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo”, declarou.

Big techs

O presidente acrescentou que a fiscalização das plataformas digitais estrangeiras, um dos itens citados por Trump para justificar a imposição da tarifa, tem como objetivo defender a soberania nacional. Ele ressaltou que todas as empresas que operam no Brasil são obrigadas a cumprir a legislação brasileira.

“A defesa da nossa soberania também se aplica à atuação das plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Para operar no nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras”, destacou.

Pix

Sobre as reclamações do governo de Trump ao Pix, Lula disse que o governo não aceitará ataques ao sistema de transferências instantâneas, que classificou como um patrimônio do país.

“O Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e vamos protegê-lo”, comentou.

Números

O presidente apresentou números para desmentir as alegações do governo norte-americano sobre supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

“A primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam, há mais de 15 anos, robusto superávit comercial de US$ 410 bilhões [com o Brasil]”, declarou.

Em relação ao desmatamento, usado nas alegações de Trump para ameaçar o país, Lula lembrou que o Brasil atualmente é referência mundial na defesa do meio ambiente. “Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia. E estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030”, afirmou.

“Não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações. Mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”, concluiu Lula, ao terminar o pronunciamento.



Source link

News

Líder do PT diz que governo deve vetar uso do Fundo Social para dar R$ 30 bi ao agro



O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmou ao Estadão/Broadcast Político na quinta-feira (17) que o governo deve vetar o projeto que prevê uso do Fundo Social para financiar pagamento de dívidas rurais, criando uma linha de R$ 30 bilhões para produtores atingidos por eventos climáticos, caso seja aprovado no Senado da forma como está. Se os senadores fizerem mudanças, o texto deve retornar para a Câmara.

Conforme mostrou o Estadão/Broadcast Político, a Câmara aprovou na noite da quarta-feira, 16, um projeto que permite o uso do Fundo Social para uma linha de financiamento com teto global de R$ 30 bilhões para o agronegócio, com limites individuais de R$ 10 milhões por produtor e R$ 50 milhões por cooperativa ou condomínio.

O texto era uma reivindicação dos produtores gaúchos, mas abrange todo o país e, de última hora, o relator incorporou uma ampliação para beneficiários do Nordeste.

“Aquilo é veto na certa”, afirmou o Lindbergh à reportagem. O deputado também afirmou que viu a aprovação do projeto como uma reação do Congresso ao veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o aumento do número de deputados, de 513 para 531.

O líder do PT na Câmara também afirmou que não houve negociação para o projeto ter sido aprovado e ressaltou que o agronegócio já recebe altos subsídios. “Foi golpe aquilo que fizeram. Querem tirar R$ 30 bi do Fundo Social, rapaz. Está maluco? É um negócio absurdo.”

O projeto já estava na pauta, mas entre diversos outros, e 15 outras matérias ficaram sem análise. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), escolheu pautar a matéria em meio a repercussões dos parlamentares contra a decisão de Lula de vetar o aumento do número de deputados e à vitória do governo no Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Durante a apreciação do projeto sobre crédito rural, na tribuna da Câmara, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), criticou a bancada do agro e disse que houve quebra de acordo. Segundo o deputado, o relator Afonso Hamm (PP-RS) havia dito que não avançaria com o projeto sem entendimento com o governo.

“Se estivéssemos só tratando do Rio Grande do Sul, podemos sentar e conversar. Mas estendeu para todo o País”, afirmou Guimarães. “É um liberou geral para uma renegociação, não tem inadimplente, qualquer um pode se dirigir a uma entidade bancária para fazer a renegociação. Isso não é correto, sobretudo para quem fala tanto em responsabilidade fiscal”, criticou.

Ao Estadão/Broadcast Político, o relator do projeto disse que discutiu o texto com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com os ministérios da Agricultura e da Fazenda, mas faltava um acordo com a Casa Civil.

Hamm disse ter pedido uma reunião com o ministro Rui Costa na semana passada, mas que a pasta teria dito que não havia agenda. “O governo fugiu da discussão”, disse o deputado. “Como é que nós vamos esperar uma semana para ter uma audiência com o governo? No plenário, eu tive todo o tempo, ele não me procurou”, questionou Hamm.

O relator afirma que o projeto não gera impacto fiscal no exercício de 2025, porque não cria despesas primárias. Além disso, o parlamentar diz que o uso do Fundo Social deve chegar a um valor entre R$ 15 a R$ 20 bi neste ano para financiar a quitação das dívidas.

Segundo ele, a celeridade com a pauta se deu pela pressão do calendário agrícola. A votação aconteceu no fim dos trabalhos legislativos deste semestre. O Congresso entra em recesso a partir desta sexta-feira (18), e fica parado até o dia 31.



Source link

News

Para produtores rurais, a comercialização ainda é o maior obstáculo no campo



Em Arapongas, Paraná (PR), o produtor João Machado cultiva tomates cereja orgânicos em cinco estufas. A rotina no campo é intensa, sem pausas ou feriados, mas ele destaca que o grande desafio não está na produção, e sim na venda.

“O mais difícil não é produzir, o mais difícil é comercializar. Se Deus quiser, cada vez mais portas vão se abrir”, diz Machado, que também reconhece que é gratificante produzir tomates, sobretudo quando os frutos ganham valor de mercado e chegam à mesa do consumidor.

Atualmente, ele tem cinco estufas, que somam aproximadamente 4.500 metros de área plantada. Só em uma delas, com 1.000 metros, há 1.500 mudas de tomate cereja da variedade ‘sweet heaven’. 

Do Bicho-da-seda ao tomate

Machado está na área rural há quase três décadas. No início, trabalhava com mudas de café e criação de Bicho-da-seda. Com as mudanças no mercado, decidiu migrar para a produção de tomates e ampliar a atuação da propriedade. Segundo ele, o que ajudou muito foi o selo de orgânico que trouxe ainda mais reconhecimento e credibilidade ao trabalho realizado.

“O orgânico é uma bênção. Além de agregar valor ao meu produto, passa a ser  um produto mais confiável. Quando você tem o selo, a aceitação é 100%”, diz com orgulho.

O apoio técnico do Sebrae/PR, também foi fundamental para que a produção orgânica ganhasse força e mercado. “O Sebrae tem uma importância fundamental na ajuda pelo selo, pela certificação e também com os cursos que nos oferecem”, destaca.

  • Participe do Porteira Aberta Empreender: envie perguntas, sugestões e conte sua história de empreendedorismo pelo WhatsApp

Visão de futuro e mercado direto

O conhecimento adquirido com os cursos ampliou a visão de João Machado sobre gestão, comercialização e posicionamento de mercado.

Com isso, o agricultor começou a projetar novos caminhos para resolver o problema da comercialização. Entre as propostas, está a criação de uma estrutura que facilite o escoamento da produção da associação da qual faz parte. “Logo, logo queremos fazer um tipo de ‘miniceasa’, para vender nosso produto e escoar também por lá”, adianta o produtor.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Conab vai adquirir mandioca da safra 2025 em três estados


Produtores e produtoras de farinha e fécula de mandioca já podem  vender seus produtos para o governo federal. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está autorizada a comprar até 3 mil toneladas de fécula e 3,8 mil toneladas de farinha da raiz da safra de 2025. A compra foi autorizada pelos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Fazenda (MF), e conta com recursos de R$ 20 milhões. 

A medida atende aos produtores do Paraná, Mato Grosso do Sul e de São Paulo.  A aquisição será realizada por meio do mecanismo de Aquisição do Governo Federal (AGF), previsto na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) e tem por objetivo garantir aos produtores rurais o nível de rentabilidade dado pelo preço mínimo, evitando que tenham que comercializar sua produção a preços que inviabilizem a atividade econômica.

De acordo com o Manual de Operação da Companhia, o limite de venda por produtor é de 105 toneladas de farinha, ou seja 2.100 sacas de 50 quilos. Já para a fécula, o limite é de 90 toneladas, o que representa 3.600 sacas de 25 quilos. A compra só será finalizada pela Conab se o produto atender aos padrões exigidos. O cereal adquirido deverá ser estocado em unidades armazenadoras próprias ou credenciadas pela estatal.

Os interessados em vender a farinha ou a fécula de mandioca para a Companhia devem estar cadastrados no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican) e procurar a regional da Conab nos estados atendidos para orientação sobre o preenchimento dos formulários exigidos para a operação, bem como a apresentação de documentos adicionais que se fizerem necessários.

A operação dá prosseguimento às ações de retomada dos estoques públicos no país, além de garantir o apoio aos produtores rurais, uma vez que os preços da raiz e da fécula de mandioca estão abaixo do mínimo estabelecido pelo governo federal na região Centro-Sul do país. Esse cenário é explicado pelo aumento da oferta da raiz, uma vez que os agricultores intensificaram a colheita para liberar áreas para arrendamento, aliado aos elevados estoques industriais. Vale destacar que os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo concentram, aproximadamente, 1/3 da produção nacional de raiz de mandioca e respondem por 95,3% da capacidade instalada de produção de fécula de mandioca no país.

Aquisição do Governo Federal – Instrumento da PGPM, a AGF tem o objetivo de apoiar produtores rurais, agricultores familiares e suas cooperativas por meio da aquisição de produtos quando o preço de mercado se apresenta inferior ao preço mínimo estabelecido para a safra vigente. A aquisição depende do repasse, pelo Tesouro Nacional, dos recursos necessários à operacionalização das aquisições.





Source link

News

Poderes em atrito no Brasil e risco geopolítico com os EUA são destaques do mercado


No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca os novos recordes das bolsas americanas após dados fortes de varejo e emprego.

No Brasil, o Ibovespa subiu 0,04%, enquanto o dólar caiu para R$ 5,54. A decisão do STF sobre o IOF ajudou a aliviar a curva de juros, mesmo com baixa demanda nos leilões do Tesouro.

A tensão entre os Poderes e o risco geopolítico com os EUA seguem no radar.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Embrapa irá desenvolver inventários regionais de ciclo de vida para pecuária de Leite


A Embrapa Gado de Leite e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) assinaram um acordo de cooperação técnica para a construção de 11 inventários de Análise de Ciclo de Vida (ACV) de leite bovino in natura nas bacias leiteiras mais representativas do país. O documento foi assinado este mês durante o III Workshop Pecuária de leite regenerativa: Integrando a ciência ao campo, um dos eventos da Jornada pelo Clima da Embrapa (leia mais sobre a Jornada pelo Clima no final desta reportagem).

Segundo o pesquisador Tomich, da Embrapa Thierry, a construção desses inventários irá dar maior assertividade à estimativa de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) pela produção de leite no Brasil. Atualmente, os inventários disponíveis para o setor, lançados em 2023 (parceria da Embrapa Gado de Leite com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná) aborda dois sistemas semi confinados e um sistema confinado de produção em apenas duas regiões produtoras. “Isso dificulta o direcionamento das ações de mitigação, além de divulgar informações que, em alguns casos, podem penalizar o produtor de leite que se preocupa com a sustentabilidade do seu negócio”, diz Tomich.

A analista Vanessa Romário de Paula, da Embrapa Gado de Leite, que participou da equipe de construção dos primeiros Inventário do Ciclo de Vida (ICV) da pecuária de leite brasileira, diz que atualmente as emissões da atividade nos estados são baseadas em estudos que quantificam as emissões associadas ao rebanho total do país. “São dados médios que não consideram as especificidades dos sistemas de produção, a estrutura dos rebanhos, as raças dos bovinos, a genética e a composição da dieta nas diferentes regiões”, explica a analista.

A parceria com o IBICT irá considerar informações específicas em 11 estados (MG, PR, RS, GO, SC, SP, PE, AL, RO, RJ, MS) como primeira etapa, com perspectiva de avançar para dados de todos os estados brasileiros. Segundo explicou a analista, a coleta dos dados será feita in loco com apoio dos laticínios que atuam nos estados. A modelagem dos dados e a construção dos inventários será realizada pela Embrapa Gado de Leite. O checklist de qualidade e a validação dos inventários será realizada pelo IBICT.

“A disponibilização dos ICVs do leite brasileiro atende a uma demanda importante da pesquisa científica brasileira e irá nortear estratégias de políticas públicas para o setor”, conclui Tomich. Os primeiros inventários já estão sendo construídos e, quando concluídos, servirão de referência quanto às intensidades e emissões de gases de efeito estufa em relação à unidade de leite produzido em cada local e tipo de sistema de produção. Além disso, possibilitarão a identificação da contribuição relativa dos itens que compõem as pegadas de carbono do leite que vão embasar e priorizar as estratégias mais assertivas para redução da intensidade dessas emissões.

A pecuária de leite no Brasil é uma atividade econômica de grande relevância; mas, assim como as demais atividades produtivas, também gera impactos ambientais. Para quantificar e compreender esses impactos, são realizados inventários que buscam analisar o ciclo de vida completo da produção leiteira, desde a fazenda até o produto final.

Para a ACV do produto, metodologia aplicada para cálculo de pegada de carbono, por exemplo é necessário a construção do ICV, técnica abrangente e padronizada internacionalmente pelas normas ISO 14040 e ISO 14044. O ICV identifica e quantifica todas as entradas (recursos naturais, energia, água, matérias-primas, etc.) e saídas (emissões para o ar, água e solo, resíduos sólidos, coprodutos etc.) de cada etapa do ciclo de vida do produto. A ACV é a metodologia de referência para avaliação de impacto ambiental no setor de laticínios no mundo todo e deve ser usada prioritariamente nos projetos que têm esse escopo. A ferramenta também é importante para verificar a acurácia das inúmeras ferramentas que têm sido empregadas no setor para avaliações das emissões de gases de efeito estufa.

A metodologia identifica e quantifica os impactos ambientais dos produtos e processos; compara o desempenho ambiental de diferentes produtos ou alternativas; podendo ser empregada para desenvolver e melhorar produtos e serviços, tornando-os mais sustentáveis; subsidia decisões estratégicas em empresas e políticas públicas; comunica a sustentabilidade de forma transparente e identifica oportunidades de otimização e redução de resíduos. No caso da pecuária de leite, a ACV permite entender de onde vêm as maiores emissões de GEE, onde há maior consumo de água e quais etapas da cadeia produtiva podem ser aprimoradas para uma produção mais sustentável.

O III Workshop Pecuária de leite regenerativa: Integrando a ciência ao campo, realizado nos dias primeiro e dois de julho, reuniu pesquisadores e demais agentes privados e públicos da cadeia de laticínios que abordaram temas como redução da pegada de carbono na pecuária, eficiência alimentar, melhoramento genético, bem-estar animal, cria e recria de bezerros, compostagem e manejo de dejetos. O evento também tratou de ACV, mercado e carbono e políticas governamentais para o agro. O workshop fez parte da Jornada pelo Clima, iniciativa da Embrapa para discutir desafios e soluções para uma agropecuária de baixo carbono.

Também no workshop foi apresentado o documento de “Orientações para coleta de dados para cálculo de pegada de carbono” que é uma demanda do setor e apoiará o trabalho no campo. Essa etapa é um dos gargalos para obtenção de dados de qualidade, pela falta de conhecimento por parte dos técnicos e organização das informações na propriedade leiteira. Para ter acesso a esse documento, clique aqui.

Ação da Embrapa para posicionar a ciência e a inovação agrícola brasileira como pilares fundamentais na resposta global às mudanças climáticas, a Jornada pelo Clima mostra que é possível produzir alimentos de forma sustentável e com baixo impacto ambiental. O objetivo principal de ampliar o conhecimento e o debate sobre o papel da agricultura no enfrentamento das mudanças climáticas, tanto na mitigação (redução de GEE) quanto na adaptação (aumento da resiliência dos sistemas produtivos).

Essa jornada foi lançada neste ano e está relacionada aos preparativos da COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que será realizada em Belém/PA em novembro de 2025. A ideia é mostrar que a agricultura brasileira, impulsionada pela ciência, não é apenas parte do problema, mas também uma parte crucial da solução.





Source link

News

confira a previsão de hoje



Geada em parte do Sul, tempo seco, mas frio no Sudeste e Centro-Oeste. Temporais podem cair em grandes áreas do Nordeste. Confira também a previsão para o Norte do país:

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Sul

Amanhecer gelado no Sul e possibilidade para geada mais pontual sobre a Serra do Rio Grande do Sul. Possibilidade ainda de garoa de manhã no extremo sul gaúcho. Tempo firme em Santa Catarina e no Paraná, com destaque para as temperaturas mais baixas no sul e leste paranaense.

Sudeste

O tempo continua firme no Sudeste com manhãs e madrugadas com temperaturas mais baixas e tardes ensolaradas e mais quentes, mas com umidade muito baixa no noroeste, Triângulo, norte de Minas e interior e leste de São Paulo. Nesse aspecto, as capitais paulista e mineira devem ter valores abaixo de 30%.

Centro-Oeste

Amanhecer um pouco mais frio no sudoeste e sul de Mato Grosso do Sul. Toda a Região continua com o padrão de tempo firme e seco. Calorão em Mato Grosso e no interior de Goiás. A umidade continua abaixo de 30% no norte e noroeste de Mato Grosso do Sul e em todo o território goiano, incluindo o Distrito Federal, ficando abaixo de 20% em cidades do interior mato-grossense.

Nordeste

A chuva continua forte no litoral da Bahia, de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Paraíba, com risco para temporais inclusive nas capitais. Sexta com muita nebulosidade e pancadas a qualquer hora. O ar continua seco no agreste, sertão e interior nordestino. Atenção para o sul do Maranhão, Piauí, Ceará e oeste da Bahia, com valores abaixo de 30%.

Norte

O tempo continua firme na faixa sul da Região com umidade abaixo dos 30% no sul de Rondônia, Pará e no Tocantins. Pancadas fortes no norte e interior do Amazonas, com risco para alguns temporais isolados em Roraima e pancadas moderadas a forte no Amapá. Manaus termina a semana com pouca chuva.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Embrapa destaca papel do controle biológico no Brasil AgroChemShow


Controle biológico de pragas ganha espaço no agro brasileiro, mas ainda enfrenta entraves técnicos e regulatórios

Compatibilidade entre bioinsumos e agroquímicos é vista como essencial para adoção em larga escala

Evento internacional reunirá mais de 1.200 profissionais e 70 expositores nos dias 12 e 13 de agosto, em São Paulo

Palestra do pesquisador Marcos Faria reforça a presença da Embrapa no debate sobre inovação e sustentabilidade no campo

O avanço do controle biológico como estratégia sustentável no agronegócio brasileiro tem gerado expectativas e exigido articulações inéditas entre segmentos do setor. A necessidade de compatibilizar o uso de bioinsumos com defensivos químicos será tema da palestra do entomologista Marcos Faria, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, lotado na Embrapa Meio Ambiente, durante o 16º Brasil AgroChemShow, marcado para os dias 12 e 13 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, e um dos objetivos é a discussão de tendências na área de bioinsumos.

 

Reconhecido por sua atuação em pesquisa aplicada ao manejo de pragas, Faria vai destacar os principais gargalos e as oportunidades no uso de agentes biológicos no campo. Ele alerta que, apesar do crescimento expressivo, o setor ainda enfrenta obstáculos técnicos, regulatórios e de mercado. “O controle biológico vem experimentando um crescimento vertiginoso nos últimos anos, mas há grandes desafios para que o ritmo atual seja mantido”, afirma.

 

Entre os pontos críticos apontados pelo pesquisador está a qualidade de parte dos produtos comerciais atualmente disponíveis. “Muitos deles ainda apresentam desempenho inferior ao esperado em campo”, afirma. Outro desafio diz respeito à compatibilidade entre bioinsumos e agroquímicos, sobretudo quando usados em misturas de tanque — prática comum no manejo integrado. Para superar esse entrave, Faria defende a ampliação do diálogo com a indústria de defensivos químicos: “Sem essa integração, o controle biológico não alcançará todo o seu potencial”.

 

A participação da Embrapa no evento reforça o protagonismo da instituição nas discussões sobre inovação tecnológica e sustentabilidade no agronegócio. A palestra de Faria está inserida em uma programação voltada ao debate técnico sobre soluções integradas para o campo, promovendo a troca de experiências entre pesquisadores, empresas e tomadores de decisão.

 

O 16º Brasil AgroChemShow é organizado pela AllierBrasil em parceria com a CCPIT Chem-China e é considerado uma das principais vitrines de tecnologias e tendências do setor de agroquímicos, fertilizantes e bioinsumos da América Latina. A edição deste ano contará com mais de 70 expositores e a participação de cerca de 1.200 profissionais de toda a cadeia agrícola — incluindo representantes da China, Índia, Japão, Estados Unidos, Europa e América Latina.

 

Além das exposições, a programação inclui palestras técnicas com tradução simultânea em português, inglês e mandarim. O objetivo é promover o intercâmbio internacional de informações sobre tecnologias agrícolas, regulamentação, mercado e sustentabilidade, aproximando o Brasil de centros globais de inovação.

 

O crescimento da adoção do controle biológico no país reflete um movimento global em busca de práticas agrícolas mais sustentáveis, capazes de reduzir os impactos ambientais dos defensivos químicos convencionais. No Brasil, iniciativas públicas e privadas vêm impulsionando o uso de bioinsumos, mas a consolidação do setor depende de avanços coordenados entre ciência, indústria e regulação.

 

Para a Embrapa, o caminho está na construção de soluções integradas que dialoguem com a realidade do agricultor. “Não se trata de substituir totalmente os agroquímicos, mas de combiná-los com tecnologias biológicas de forma estratégica, segura e eficiente”, resume Marcos Faria. Segundo ele, isso exige não apenas produtos de alta qualidade, mas também informação, capacitação e mudanças na mentalidade de produtores e técnicos.

 

As inscrições para o Brasil AgroChemShow já estão abertas e podem ser feitas no site do evento. O evento representa uma oportunidade para atualizar conhecimentos, ampliar redes de contato e acompanhar as transformações do mercado agroquímico nacional e internacional.

 

SERVIÇO

16º Brasil AgroChemShow

Data: 12 e 13 de agosto de 2025

Local: Expo Center Norte, São Paulo (SP)

 





Source link

AgroNewsPolítica & AgroSafra

Mercado do açúcar mantém viés de baixa neste primeiro dia de julho


Logotipo Notícias Agrícolas

Nesta terça-feira (1), o mercado do açúcar segue pressionado, refletindo as incertezas sobre a demanda global e a expectativa de excedente na oferta. Os contratos com vencimento em outubro/25 são negociados a 15,80 cents de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova Iorque, com queda de 2,47%, enquanto o março/26 recua 2,13%, cotado a 16,58 cents.

A forte retração começou ainda na segunda-feira, quando o açúcar em NY atingiu a mínima dos últimos 4 anos e meio, com destaque para a liquidação do contrato de julho diante da perspectiva de grandes entregas antes do vencimento. A consultoria Czarnikow agravou o cenário ao projetar um superávit global de 7,5 milhões de toneladas para 2025/26 — o maior em oito anos.

No Brasil, os números da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) apontam retração nas atividades. Na primeira quinzena de junho, a moagem no Centro-Sul somou 38,78 milhões de toneladas, queda de 21,49% ante as 49,40 milhões do mesmo período da safra passada. No acumulado até 16 de junho, o total processado é de 163,58 milhões de toneladas, recuo de 14,33% na comparação anual.

Atualmente, 255 unidades estão em operação na região, número próximo ao registrado em 2024, embora as condições climáticas estejam dificultando a colheita. “Já operamos com 95% da capacidade ativa, mas o volume colhido está abaixo da média devido ao excesso de umidade”, explica Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA.

O indicador de qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) atingiu 128,66 kg por tonelada de cana na primeira quinzena de junho, contra 134,55 kg/t no mesmo período de 2024, queda de 4,37%. No acumulado da safra, a retração é de 4,54%.

A produção de açúcar na quinzena somou 2,45 milhões de toneladas, 22,12% inferior aos 3,15 milhões de toneladas do ano anterior. No acumulado, a produção totaliza 9,40 milhões de toneladas, ante 11,02 milhões no ciclo anterior (-14,63%).

Já a produção de etanol caiu 17,97% para o hidratado e 26,97% para o anidro na primeira quinzena de junho. No acumulado da safra, os números mostram recuo de 14,21%, com produção total de 7,50 bilhões de litros, 4,94 bilhões de hidratado e 2,56 bilhões de anidro.

No mercado spot paulista, o açúcar cristal branco registrou seu menor preço nominal desde julho de 2021. Na sexta-feira (27), o Indicador CEPEA/ESALQ (Icumsa 130-180) fechou em R$ 117,00/saca de 50 kg, acumulando queda de 4,4% na semana. Mesmo com o cenário de baixa, o produto ainda é mais rentável no mercado interno que nas exportações.

Por outro lado, o etanol encerrou o mês em alta. Entre 23 e 27 de junho, o etanol hidratado subiu 1,57%, com o Indicador CEPEA/ESALQ em R$ 2,6099/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins). O etanol anidro teve alta de 2,84%, cotado a R$ 2,9962/litro. Segundo o CEPEA, fatores como chuvas, geadas, aumento da mistura obrigatória do anidro para 30% e maior volume de vendas nas usinas sustentaram os preços.

 





Source link