Enfrentando uma das piores secas dos últimos anos, agricultores chilenos estão apostando em uma solução inusitada e sustentável: tapetes biodegradáveis feitos com cabelo humano. A ideia surgiu da Fundação Matter of Trust Chile, que coleta fios descartados em mais de 350 salões de beleza do país. Esses resíduos, que antes iriam para o lixo, agora são transformados em uma cobertura natural para o solo, reduzindo significativamente a evaporação da água.
De acordo com os idealizadores, a técnica permite economizar até 48% na irrigação. Além disso, o cabelo é rico em nutrientes como nitrogênio e pode contribuir para a fertilidade do solo. Os tapetes funcionam como uma espécie de “manta orgânica”, protegendo a terra do calor excessivo e favorecendo o crescimento saudável das plantas.
Simples, barata e ecologicamente correta, a solução tem potencial para ser aplicada em outras partes do mundo com escassez hídrica — inclusive no Brasil. Em tempos de mudanças climáticas e busca por práticas agrícolas mais sustentáveis, ideias criativas como essa ganham destaque por conciliar inovação com reaproveitamento de resíduos.
A Terminação Intensiva a Pasto (TIP) tem ganhado cada vez mais espaço nas fazendas brasileiras. Mas uma dúvida ainda ronda os pecuaristas: será que vale a pena apostar no pastejo contínuo em vez do sistema rotacionado? A resposta é direta e vem de um especialista no assunto. Assista ao vídeo abaixo e confira qual dos dois pode ser mais vantajoso.
Durante o quadro Giro do Boi Responde, do programa Giro do Boi, o engenheiro agrônomo Wagner Pires, especialista em pastagens pela Esalq/USP, explicou por que o TIP rotacionado continua sendo a escolha mais segura e lucrativa para quem busca desempenho e sustentabilidade no campo.
A pergunta veio do pecuarista Ailton Silva, de Toledo (PR), que já utiliza o sistema rotacionado, mas queria saber se valeria migrar para o contínuo.
Entenda a base do TIP e os riscos do manejo fixo
Suplementação de bovinos a pasto. Foto: Divulgação
Antes de entrar na comparação, Pires reforçou o conceito do TIP: trata-se do uso de alta lotação animal, acima da capacidade da pastagem, compensada com suplementação no cocho. O segredo do sucesso está no manejo inteligente da forragem.
No sistema rotacionado, a pastagem é dividida em piquetes e o gado é conduzido estrategicamente, respeitando o tempo de descanso do capim.
Já o pastejo contínuo, ou fixo, mantém os animais em uma única área sem pausa para a recuperação da planta — e isso compromete sua estrutura e produtividade.
“Fazer manejo em pasto fixo é assinar o atestado de degradação do seu pasto”, afirmou Wagner Pires.
Pasto é patrimônio, não pode ser desgastado
Foto: Reprodução
O agrônomo foi enfático: o pasto é o maior patrimônio da fazenda, até mais valioso que o próprio rebanho.
Degradar esse recurso por não permitir a regeneração das plantas é um caminho certo para o prejuízo. E mesmo quem tenta aliviar a situação reduzindo a lotação no contínuo, segundo ele, também perde:
“Se você respeitar o pasto e trabalhar com uma baixa lotação e não estragar o seu pasto, você judia do seu bolso.”
Manejo e suplementação são a chave da rentabilidade
Foto: Reprodução
No TIP rotacionado, o produtor tem controle total da altura do capim, da taxa de lotação, do tempo de descanso e do consumo de suplemento. Esse controle se traduz em mais arrobas por hectare, menor custo de produção e longevidade da pastagem.
Para Wagner, muitos projetos que utilizam o sistema fixo podem até parecer atrativos num primeiro momento, mas escondem armadilhas:
“Às vezes, quem está mostrando alguns trabalhos em pastejo fixo quer iludir a pessoa, mas não é o melhor”, alerta.
O recado final: não mexa no que está funcionando
Foto: Reprodução
Para produtores como Ailton e tantos outros que já utilizam o sistema rotacionado com bons resultados, a recomendação do especialista é clara: continue com o que dá certo. A ilusão da simplicidade no contínuo pode custar caro.
O TIP, quando bem manejado, é uma das formas mais eficientes de intensificar a pecuária com ganho econômico e respeito ao solo. Mas isso só é possível com um sistema de pastejo que preserve o principal ativo da fazenda: o pasto.
O saldo da balança comercial do agronegócio paulista registrou superávit de US$ 10,45 bilhões nos seis primeiros meses de 2025, valor 13,1% inferior ao verificado no primeiro semestre de 2024, conforme relatório da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) em parceria com o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA).
As exportações do setor no estado totalizaram US$ 13,36 bilhões de janeiro a junho, queda de 9,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As importações somaram US$ 2,91 bilhões, aumento de 4,7%.
O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Guilherme Piai, ressalta que apesar do superávit, a queda em comparação a 2024 se dá pela maior produção de açúcar na Ásia, que afetou o principal item de exportação do agro paulista.
“Contamos, porém, com uma matriz diversificada de produtos, o que possibilitou a ampliação das vendas externas de café, carnes e sucos. Estamos atentos ao mercado e seguiremos trabalhando para ampliar a competitividade, a diversificação de mercados e a agregação de valor aos nossos produtos, garantindo o crescimento do agronegócio de São Paulo”, comenta.
A participação das exportações do agronegócio no total das exportações do estado de São Paulo foi de 40,5%, enquanto a participação das importações setoriais no total importado pelo estado foi de 6,9%. Em relação ao primeiro semestre de 2024, as participações apresentaram redução de 3 pontos percentuais nas vendas a outros países de 0,8 ponto percentual nas compras.
Exportações por grupos de produtos
Os cinco principais grupos de produtos exportados por São Paulo foram:
Complexo sucroalcooleiro: responsável por 26% do total — US$ 3,47 bilhões, sendo que o açúcar representou 91,4% e o etanol, 8,6%;
Setor de carnes: equivalente a 14,2% das vendas externas do setor, totalizando US$ 1,90 bilhão, com a carne bovina respondendo por 83,9%;
Complexo da soja: participa com 11,4% do total exportado, registrando US$ 1,52 bilhão, sendo 83,5% soja em grãos;
Produtos florestais: 11,2% do volume exportado, com US$ 1,50 bilhão, com celulose representando 54,1% e papel 36,5%;
Grupo de sucos: 10,8% de participação, somando US$ 1,45 bilhão, dos quais 97,7% correspondem ao suco de laranja.
Esses cinco grupos representaram, em conjunto, 73,6% dos embarques do agronegócio paulista. O café aparece na sexta posição, com 7,3% de participação na pauta de exportações, com US$ 971,15 milhões, sendo 74,7% café verde e 21,1% de café solúvel.
Segundo os elaboradores do estudo, vale destacar que no período observado as variações de valores apontaram aumentos das vendas para os grupos de café (+52,9%), carnes (+25,9%) e sucos (+19,3%), e queda acentuada nos grupos de complexo sucroalcooleiro (-41,2%), produtos florestais (-3,0%) e complexo soja (-2,9%).
Principais destinos do agro paulista
Os principais destinos do agronegócio paulista são os seguintes:
China: 23,8% de participação, adquirindo principalmente produtos do complexo soja (34%), carnes (24%), florestais (17%) e açúcar (13%); no período as exportações cresceram 6,1% em relação ao primeiro semestre de 2024;
União Europeia: tem 14,9% de participação, sendo os principais itens sucos (33%), café (20%) e demais produtos de origem vegetal e florestais (10%); no período as exportações cresceram 11,8% em relação ao primeiro semestre de 2024;
Estados Unidos: somam 14,3% de participação, comprando sucos (33%), carnes (16%), demais produtos de origem animal (11%) e café (9%); no período as exportações cresceram 27,3% em relação ao primeiro semestre de 2024;
Participação de SP no contexto nacional
As exportações do agronegócio paulista corresponderam a 16,3% do total exportado pelo agronegócio brasileiro no primeiro semestre, posicionando o estado na segunda colocação, atrás apenas de Mato Grosso, que registrou 17,6%.
Em seguida, destacam-se os estados de Minas Gerais (12,0%), Paraná (10,2%), Rio Grande do Sul (7,7%) e Goiás (7,0%). Juntos, esses seis estados foram responsáveis por 71% das exportações do agronegócio brasileiro.
O agronegócio brasileiro registrou exportações no valor de US$ 82,03 bilhões, o que representa uma variação negativa de 0,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As importações totalizaram US$ 10,09 bilhões, apresentando um aumento de 6,1%. Com esses resultados, o saldo da balança comercial do agronegócio alcançou um superávit de US$ 71,94 bilhões, valor 1,1% inferior ao registrado anteriormente.
O Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste continuam com o tempo seco entre esta segunda (21) e a próxima (28), conforme o informativo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
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O destaque da semana vai para uma massa de ar frio no Sul do país que sobe o mapa e impacta, também, São Paulo e Minas Gerais, além da chuva de 70 mm no extremo-sul gaúcho e de 80 mm em partes do Norte. Confira:
Sul
São previstos acumulados de 20 a 50 mm em grande parte do Paraná e Santa Catarina ao longo da semana, principalmente nos setores centrais de ambos os estados (tons em verde no mapa abaixo). No Rio Grande do Sul, a previsão indica acumulados abaixo de 20 mm nos setores norte e noroeste do estado (manchas em azul e cinza). Por outro lado, o Inmet indica volumes de até 40 mm nas porções nordeste e centro-sul (verde). Destacam-se, ainda, os volumes de até 70 mm previstos para o extremo-sul gaúcho (amarelo e laranja). Entre os dias 25 e 27, está prevista a atuação de uma massa de ar frio que deve provocar temperaturas abaixo de 10°C no sul paranese, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Sudeste
A previsão indica tempo estável e ausência de chuva para a maior parte de Minas Gerais e São Paulo (áreas em branco), exceto nas porções leste de ambos os estados, onde são previstos acumulados de até 3 mm (azul escuro). Para o Rio de Janeiro e Espírito Santo, a previsão indica volumes de até 30 mm, principalmente nas regiões costeiras de ambos os estados (verde). Para os próximos dias, a previsão também indica umidade relativa abaixo de 40%, principalmente no estado de São Paulo e no sul de Minas Gerais. A massa de ar frio que chega ao Sul também afeta o Sudeste: temperaturas abaixo de 16°C devem ocorrer no centro-sul de Minas Gerais e de São Paulo, com as maiores quedas previstas para os dias 25 e 27.
Centro-Oeste
Foto: Reprodução Inmet
A previsão indica predominância de tempo estável, sem ocorrência de chuva (áreas em branco), exceto no sul de Mato Grosso do Sul, para onde são previstos volumes de até 3 mm (azul escuro). Ressalta-se, também, a previsão de umidade relativa abaixo de 40% em toda a região para os próximos dias.
Nordeste
Não há previsão de chuva no interior da Região, com redução da umidade relativa do ar, principalmente no sudoeste do Piauí, sul do Maranhão, bem como no oeste da Bahia e Rio Grande do Norte. Em áreas do litoral nordestino, podem ocorrer chuvas acima de 20 mm (verde), principalmente no litoral de Alagoas, bem como no litoral norte do Maranhão.
Norte
Áreas de instabilidade se concentrarão no extremo norte de Roraima e extremo noroeste do Amazonas e Pará, com volumes que podem superar 60 mm (laranja e vermelho), com destaque para os maiores acumulados de chuva da ordem de 80 mm, no norte do Amazonas e no litoral norte de Roraima. Em contraste, nas regiões do Acre, Rondônia, sul do Amazonas e do Pará, e sul do Tocantins, não há previsão de chuvas ao longo da semana. Nestas localidades, a previsão indica uma redução da umidade relativa do ar abaixo de 30%.
Temperaturas máximas e mínimas
Ao longo da semana, a previsão indica temperaturas máximas elevadas em grande parte das regiões Norte e Centro-Oeste, e no oeste da Região Nordeste. Os maiores valores devem ocorrer no sudeste do Amazonas, região central do Pará (próxima à divisa com o Amazonas), centro-norte de Mato Grosso e do Piauí, principalmente no dia 27 de julho.
Em partes do leste do Nordeste e Região Sudeste, as temperaturas máximas devem ficar abaixo de 32°C. Já para o sul do Rio Grande do Sul, os termômetros não devem passar dos 22°C. Segundo o Inmet, no sudoeste do país, predominam mínimas inferiores a 20°C.
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 958,179 milhões em julho (14 dias úteis), com média diária de US$ 68,441 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 172,709 mil toneladas, com média diária de 12,336 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.547,90.
Em relação a julho de 2024, houve alta de 50,5% no valor médio diário da exportação, ganho de 19,5% na quantidade média diária exportada e avanço de 25,8% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Impacto do tarifaço
Os EUA são o segundo maior comprador da carne bovina brasileira, respondendo por 12% das exportações, atrás apenas da China, que concentra 49% do total embarcado pelo Brasil.
Dados da Secex mostram que, em junho, o volume adquirido pelos norte-americanos já foi o menor desde dezembro do ano passado, mas as exportações totais de carne bovina brasileira tiveram o segundo melhor resultado do ano, beirando as 270 mil toneladas.
Em março e abril, empresas dos EUA adquiriram volumes recordes, acima de 40 mil toneladas em cada mês, num possível movimento de formação de estoque diante do receio de que o presidente Donald Trump viesse a aumentar as tarifas para o comércio internacional.
São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul são os estados, nesta ordem, que mais têm escoado carne aos EUA. A redução de Goiás foi a maior de abril para junho, cerca de 9.283 toneladas a menos de carne. O volume do último mês representou apenas 37% do que foi enviado em abril. Em Mato Grosso do Sul, junho equivaleu a apenas 44%, com diminuição de 3.962 toneladas. Reduções significativas ocorreram também nos demais estados relevantes da pecuária. São Paulo é o que teve a menor diminuição de volume, de 1.802 toneladas, com junho ainda representando 73% dos embarques de abril.
A sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos agropecuários brasileiros, incluindo a carne bovina, é um golpe direto na rentabilidade do pecuarista exportador e um fator de distorção no mercado interno. Ao reduzir a competitividade do Brasil lá fora, a medida força o escoamento da produção internamente, o que pressiona os preços e impõe uma urgência: como manter a atividade com margem diante da retração das exportações?
A resposta está na técnica. Mais precisamente, em adaptar o ciclo produtivo da pecuária de corte com inteligência econômica, reduzindo custos e otimizando o tempo. É hora de trabalhar menos com produtividade máxima e mais com rentabilidade defensiva.
Cria: foco em qualidade e economia
O primeiro passo está na cria. Neste momento, não se trata de expandir o número de bezerros a qualquer custo, mas de selecionar melhor as matrizes e focar nos lotes mais produtivos, reduzindo gastos com suplementações desnecessárias.
Reprovar áreas menos produtivas para reprodução também ajuda a aliviar a pressão sobre os custos.
Recria: tempo é aliado, não inimigo
Na recria, o ideal é esticar o ciclo a pasto, priorizando o ganho de peso compensatório e reduzindo a dependência de ração. Em vez de pressa, o manejo deve ser guiado por eficiência de conversão e escore corporal, com suplementação mineral apenas quando necessária.
Essa estratégia permite diluir o custo fixo por animal ao longo do tempo, sem comprometer a qualidade do ganho de peso.
Engorda: adiar o confinamento e preservar capital
Na etapa de engorda, o confinamento, que normalmente é uma ferramenta de aceleração, deve ser adiado. O custo por arroba no cocho ultrapassa R$ 300 em muitos casos. Já a engorda prolongada a pasto pode reduzir esse valor em mais de 30%.
Essa tática transforma o boi em uma espécie de estoque vivo, capaz de ser valorizado no futuro, à medida que o mercado volte ao equilíbrio. Guardar arrobas agora pode ser mais lucrativo do que entregá-las a preço de liquidação.
Clima, pasto e caixa: o tripé da cautela
Se o pecuarista optar por segurar os animais por mais tempo, precisa garantir a capacidade de suporte das pastagens, especialmente na seca. A decisão também imobiliza capital, exigindo planejamento de caixa e resiliência financeira.
Essa é uma estratégia que exige paciência, manejo e coragem para desacelerar na hora certa.
Quem segurar o boi agora pode salvar a margem mais à frente
O momento exige pragmatismo. Não é hora de produtividade a qualquer preço. É hora de gestão racional, baseada em biologia animal, inteligência de custo e uso estratégico do tempo. Se o mercado externo está hostil, o pecuarista deve fazer do pasto seu escudo.
Segurar o boi hoje pode garantir o lucro de amanhã.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O governo de Goiás anunciou a criação de uma linha de crédito emergencial para proteger empresas do estado dos efeitos do tarifaço imposto ao Brasil por Donald Trump. A medida visa proteger empregos e mitigar os impactos da sobretaxa de 50% que passará a incidir sobre commodities como soja, carne e derivados de aço a partir de 1º de agosto.
A taxa anual de financiamento será inferior a 10%. Os recursos virão de um fundo de fomento baseado no crédito de ICMS sobre exportações, sem necessidade de aporte direto do Tesouro estadual, diz o governo de Goiás.
Como contrapartida, as empresas contempladas deverão manter seus quadros de funcionários durante o período de vigência do contrato. O pacote inclui ainda a criação de um fundo de garantia voltado a pequenos e médios empresários, com o objetivo de estimular a oferta de crédito pela iniciativa privada.
Também será instituído um grupo de trabalho com representantes do governo estadual e do setor produtivo para acompanhar os desdobramentos da crise e elaborar novas propostas de enfrentamento.
Em 2024, os EUA foram o segundo principal destino de exportações do estado, representando US$ 408 milhões. De acordo com o governo estadual, entre os segmentos que seriam mais atingidos pelas tarifas estão as commodities, como soja, carne e derivados do aço.
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Foto: Pixabay
O governo brasileiro e o governo da África do Sul concluíram negociação fitossanitária para que o Brasil exporte sementes de canola para aquele país.
Com mais de 63 milhões de habitantes, a África do Sul importou cerca de USD 635 milhões em produtos agropecuários do Brasil em 2024, com destaque para carnes, açúcar, cereais e café.
Além de promover a diversificação dos parceiros comerciais do Brasil, esta abertura de mercado representa uma nova oportunidade de negócios para o setor privado brasileiro, uma vez que a África do Sul é um produtor relevante de oleaginosas no contexto regional.
Com o anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 394 aberturas de mercado desde o início de 2023.
Tais resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
A busca incessante por uma fazenda top de cria no agronegócio vai muito além da simples escolha de raças bovinas de ponta. Em um cenário onde a produtividade e a rentabilidade são imperativos, a combinação estratégica de genética e nutrição, alinhadas a um manejo preciso e ao planejamento, emerge como o verdadeiro pilar para o sucesso. Assista ao vídeo abaixo e confira.
Pecuaristas, a atividade de cria no Brasil, embora impulsionada pela evolução genética que confere maior precocidade aos animais, ainda se depara com desafios significativos.
No entanto, as fazendas mais lucrativas do país consistentemente demonstram que a chave para a prosperidade reside em uma gestão eficiente, pautada por indicadores de desempenho sólidos e uma sinergia de fatores.
Em uma entrevista exclusiva ao programa Giro do Boi, o Canal Rural teve a oportunidade de conversar com dois expoentes da pecuária brasileira: o engenheiro agrônomo Antônio Carlos Silveira, amplamente conhecido como Nenê Silveira, pioneiro na criação do conceito de novilho superprecoce, e seu filho, o também agrônomo Guilherme Silveira.
Guilherme, mestre em Nutrição e Produção Animal, lidera a renomada Silveira Consultoria. Juntos, eles compartilharam os segredos para alcançar alta performance na pecuária de cria, desmistificando a ideia de que há uma dicotomia entre genética e nutrição, e revelando que ambas são interdependentes.
Cria na pecuária moderna: desafios, oportunidades e pilares da rentabilidade
Vacas e novilhas com bezerro ao pé em fazenda de cria. Foto: Reprodução
O cenário atual da pecuária, marcado por margens de lucro mais apertadas, exige que o produtor rural tenha um controle rigoroso dos números para embasar suas decisões. A cria, em particular, apresenta um vasto campo para aprimoramento e evolução.
Nenê Silveira ressalta que o objetivo não é apenas “ter um bezerro”, mas sim produzir mais quilos de bezerro por vaca exposta ou por hectare, maximizando a eficiência da propriedade.
As análises e benchmarks conduzidos pela Silveira Consultoria em parceria com o Instituto Inttegra, ao longo de mais de uma década, comprovam que a produtividade e a rentabilidade na cria estão intrinsecamente ligadas a três pilares fundamentais:
Genética apurada: Essencial para a plena expressão de genes de qualidade, como a desejada precocidade no desenvolvimento dos animais.
Nutrição estratégica: Atua como o “combustível” vital, permitindo que o potencial genético dos animais seja expresso em sua totalidade.
Estação de monta eficiente: Crucial para assegurar o nascimento do “bezerro do cedo”, um animal que, por nascer em período mais favorável, tende a ser mais pesado e, consequentemente, mais valorizado no mercado.
Apesar dos avanços notáveis na evolução genética do nelore e o crescente uso do cruzamento industrial, o desafio persistente na cria ainda reside na disponibilidade e adequação da “comida” no momento certo.
Nutrição e desenvolvimento fetal: a base da qualidade do rebanho
Vacas sendo suplementadas em área de pasto. Foto: Divulgação
A influência da nutrição no desenvolvimento fetal é um fator crítico, muitas vezes subestimado pelos pecuaristas. Nenê Silveira revela dados impactantes: enquanto a genética contribui com aproximadamente 38% para o desenvolvimento geral do bezerro, a alimentação desempenha um papel predominante de 62% no crescimento intrauterino.
Uma vaca que enfrenta qualquer período de restrição alimentar, especialmente durante a gestação, inevitavelmente transfere essa deficiência ao feto.
O primeiro trimestre de gestação é particularmente crucial, pois é nesse período que a placenta e os órgãos vitais do feto estão em fase de desenvolvimento.
A ausência de nutrientes adequados nesse estágio pode comprometer a estrutura e o funcionamento dos órgãos, impactando diretamente a qualidade da carcaça futura do animal.
No terceiro e início do quarto trimestre de gestação, ocorre a hiperplasia (formação) das fibras musculares, processo que determina a quantidade de carne que o animal terá. Se não houver nutrientes suficientes para essa formação, a quantidade de carne será inadequada.
Portanto, garantir o peso adequado ao nascimento é um pré-requisito fundamental para o desempenho zootécnico do animal ao longo de sua vida.
Estratégias essenciais para otimizar a cria no período da seca
Bezerro amamentando. Foto: Divulgação
O período de seca e inverno impõe grandes desafios às pastagens e, por conseguinte, à nutrição das vacas.
Guilherme Silveira enfatiza que a vaca não pode passar fome em momento algum. Para evitar o “ciclo vicioso” de vacas perdendo escore corporal, bezerros subnutridos e problemas na estação de monta subsequente, ele sugere a implementação de ferramentas e estratégias eficazes:
Ajuste da estação de monta: Idealmente, a vaca deve passar o maior tempo possível no período das águas, quando há abundância de pasto de qualidade e o bezerro está ao pé, para evitar a perda de escore corporal. A estação de monta deve ser flexível e ajustada à disponibilidade de alimento, e não a um calendário fixo.
Forragem conservada: É fundamental ter reservas de alimento, como feno, silagem ou outras forragens conservadas, para suprir as necessidades nutricionais do rebanho durante o período seco de inverno.
Sequestro/recria confinada: Para os bezerros, a recria em sistema de confinamento pode ser uma ferramenta de grande valia, garantindo ganho de peso constante.
Desmama precoce: Uma estratégia poderosa, especialmente para bezerros nascidos mais tardiamente (entre 3 e 6 meses de idade), quando a qualidade do pasto começa a declinar. Ao realizar a desmama precoce, o consumo de matéria seca pela vaca é reduzido em cerca de 30%, o que preserva a matriz e seu escore corporal para a próxima estação de monta. A desmama precoce beneficia a vaca, e o bezerro, que demanda menor custo de manejo nessa fase, apresenta melhor conversão alimentar.
O futuro da cria: tecnologia, dados e planejamento essencial
Foto: Reprodução
A pecuária moderna dispõe de um volume sem precedentes de tecnologia e informação. Contudo, possuir dados brutos não é suficiente; é crucial transformá-los em informações úteis para uma tomada de decisão assertiva.
A Silveira Consultoria, com uma equipe de 22 técnicos atuando em diversas regiões do país, leva ferramentas personalizadas aos produtores. Guilherme Silveira enfatiza que fazendas de cria, assim como as de recria e engorda, necessitam de um planejamento claro, com início, meio e fim.
Nas regiões tropicais, onde não existe a “reserva” natural que a neve oferece em outras latitudes, quem não planejar o fornecimento de alimento para o período seco inevitavelmente enfrentará quedas na produtividade.
É imperativo romper com a mentalidade de que “o bezerro sempre nasce”, pois a ausência de uma nutrição estratégica compromete severamente a formação do feto e, consequentemente, o desempenho futuro do animal.
A gestão eficiente e a nutrição estratégica na pecuária de cria são, inegavelmente, os segredos para alcançar a tão almejada rentabilidade.