sábado, maio 23, 2026

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Seis startups vencedoras do edital de inovação são apresentadas na AgroBrasília 2025


Tecnologia, sustentabilidade e soluções para o campo foram os destaques da apresentação dos seis projetos selecionados no edital de inovação promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com a Coopa-DF. O evento ocorreu nesta quinta-feira (22), no AiTec, espaço de tecnologia e inovação da AgroBrasília 2025.

As startups vencedoras receberão, cada uma, um aporte de R$ 150 mil para desenvolver soluções aplicadas diretamente no campo, com prazo de 12 meses para implementação. A expectativa é que os resultados sejam apresentados na próxima edição da feira, em 2026.

Durante a apresentação, Isabela Mendes Gaia, gerente de Difusão de Tecnologias da ABDI, destacou a importância da iniciativa para fortalecer o ecossistema de inovação regional. “É uma alegria muito grande estar aqui. A gente vê o quanto a inovação tem crescido na AgroBrasília, muito pelo esforço da cooperativa, da feira. Isso mostra como a coordenação de ações no ecossistema tem ajudado a impulsionar esse crescimento”, afirmou.

Ela também ressaltou que o momento é de colocar as ideias em prática. “Agora entramos na fase de implementação. As startups estão bastante animadas, e vimos a qualidade das soluções que vêm por aí. São tecnologias que já estão sendo aplicadas em outros lugares e, agora, vão gerar impacto aqui também. É trazer a tecnologia cada vez mais próxima do produtor rural, gerando eficiência, produtividade e competitividade”, completou Isabela.

Franceska Censi, integrante do Conselho de Administração da Coopa-DF, afirmou que a cooperativa se sente honrada em participar do processo. “Estamos muito lisonjeados. É uma grande satisfação poder apoiar essas startups, acreditar nos projetos e ajudá-los a acontecer”, destacou. Para Franceska, o sucesso da iniciativa é fruto de uma construção coletiva. “É um projeto que começou no início do ano, com a assinatura dos contratos, e que só é possível graças à parceria com a ABDI e ao empenho de todos os envolvidos.”

As seis startups vencedoras desenvolverão soluções nas seguintes categorias: controle de máquinas agrícolas; gestão na pecuária; controle de pragas e doenças; armazenamento e pós-colheita; irrigação e gestão hídrica; e prevenção às mudanças climáticas. A expectativa, agora, é acompanhar de perto a implementação das tecnologias no campo e, no próximo ano, conferir os resultados que prometem transformar ainda mais a realidade do agronegócio no Planalto Central.





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Governo lança Programa Solo Vivo para restaurar solos e apoiar agricultura familiar



O governo federal lançou neste sábado (24), em Campo Verde (MT), o Programa Solo Vivo. A iniciativa busca recuperar áreas de solo degradado, aumentar a produtividade e reduzir desigualdades na produção rural, com foco na agricultura familiar.

A cerimônia aconteceu no assentamento Santo Antônio da Fartura, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso, ele destacou a importância de garantir acesso igualitário a insumos e tecnologia para pequenos produtores. O presidente também defendeu a valorização da produção voltada para o consumo familiar como forma de garantir segurança alimentar e justiça social no campo.

Na primeira etapa, o Solo Vivo contará com um investimento de R\$ 42,8 milhões, beneficiando entre 800 e 1.000 famílias de dez assentamentos em diferentes regiões do estado. Os agricultores receberão suporte técnico para restaurar a fertilidade do solo, aumentar a produção, gerar renda e manter-se de forma sustentável no campo.

O evento também marcou a entrega de máquinas agrícolas pelo Programa Estratégico de Fortalecimento Estrutural de Assentamentos Rurais, uma parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A ação contempla 38 municípios mato-grossenses.

Além disso, 78 títulos de domínio foram entregues a famílias dos assentamentos Santo Antônio da Fartura, em Campo Verde, e Salete Strozac, em Guiratinga. As propriedades tituladas totalizam 1.764,86 hectares, com investimento superior a R\$ 397 mil. A titulação garante segurança jurídica e representa um passo importante para o desenvolvimento rural no estado.

Durante o evento, o ministro Carlos Fávaro destacou o avanço na abertura de mercados internacionais para produtos do agronegócio brasileiro. Segundo ele, o Brasil já alcança mais de 1,1 bilhão de toneladas produzidas nesta safra, com 374 novos mercados abertos para exportação.

As ações do Programa Solo Vivo são realizadas em parceria com a Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Mato Grosso (Fetagri-MT) e o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).



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tecnologia gaúcha para irrigação sustentável chega ao DF com prêmio no Agro 4.0


Uma solução desenvolvida no Rio Grande do Sul promete revolucionar o manejo da irrigação no Distrito Federal. A startup Raks Tecnologia Agrícola, sediada em São Leopoldo (RS), foi uma das premiadas no edital Agro 4.0, promovido pela ABDI em parceria com a AgroBrasília. A empresa se destaca pelo desenvolvimento de sensores inteligentes de umidade do solo, capazes de orientar o produtor sobre quando e quanto irrigar, otimizando o uso de água e energia elétrica.

“Nosso equipamento é totalmente desenvolvido pela Raks, com tecnologia própria e patenteada. Ele funciona em qualquer tipo de solo, inclusive naqueles com salinidade ou em sistemas de fertirrigação”, explica a fundadora Fabiane Kuhn. O sistema opera com sensores fixos no campo, alimentados por energia solar, que realizam leituras da umidade do solo a cada hora. As informações são enviadas automaticamente para uma plataforma acessível por celular ou computador.

Além de facilitar a vida do produtor, que não precisa mais ir até o campo verificar manualmente as condições do solo, a tecnologia contribui para aumentar a produtividade, economizar recursos e promover práticas agrícolas mais sustentáveis.

Apesar de já atuar em dez estados brasileiros, a Raks chega agora ao Distrito Federal graças ao Agro 4.0. O projeto local, realizado em parceria com a Emater-DF, atenderá sete produtores em sete cadeias produtivas distintas, com foco principalmente na agricultura familiar.

“Cinco dos sete produtores são pequenos, um é médio e um é grande. Vamos trabalhar com culturas bem diversificadas: uva, banana, pastagem, flores, olericultura, grãos e café”, detalha Fabiane. A proposta é testar o sistema em diferentes realidades e regiões do DF, avaliando a aceitação da tecnologia e os resultados no campo.

O cronograma prevê o acompanhamento dos produtores ao longo do ciclo agrícola e, no próximo ano, a apresentação dos resultados na AgroBrasília 2026. A expectativa é comprovar os benefícios em termos de economia de água, redução no custo de energia e ganho de produtividade, além de demonstrar como a inovação pode ser acessível também aos pequenos produtores.

“Para nós, esse prêmio foi não só um reconhecimento do trabalho que desenvolvemos até aqui, mas também uma porta de entrada para um mercado no qual sempre tivemos interesse, mas no qual ainda não atuávamos. E, o mais importante, levando uma tecnologia de ponta para quem, muitas vezes, fica fora desse tipo de solução”, conclui a empreendedora.





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Acordo entre Brasil e Angola prevê 500 mil ha para produção agrícola



Durante reunião no Palácio Itamaraty nesta sexta-feira (23), em Brasília, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço, de Angola, discutiram os próximos passos do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola. O encontro contou com a presença dos ministros da Agricultura dos dois países, Carlos Fávaro e Isaac dos Anjos, além de representantes do setor produtivo.

A iniciativa prevê a cooperação entre produtores rurais brasileiros e angolanos para estimular a produção de alimentos, criar empregos e promover o desenvolvimento social no território angolano. Segundo Fávaro, o programa resulta de articulações iniciadas desde o início do atual mandato de Lula, com foco no combate à fome no continente africano.

Missões técnicas realizadas em Angola ao longo dos últimos meses permitiram que empresários brasileiros conhecessem de perto as condições para produção no país. A partir das visitas, foi elaborado um documento com propostas e condições para viabilizar os investimentos brasileiros.

“Percorremos várias regiões, fizemos reuniões com autoridades e, ao final, construímos um documento simples, direto e objetivo. Nele constam sugestões e condições para que esses produtores brasileiros possam, de fato, começar a produzir em Angola”, disse Fávaro.

O plano inclui proposta de concessão de até 500 mil hectares de terras agricultáveis, com cessões de até 60 anos, renováveis, e definição de áreas contínuas para facilitar a instalação de infraestrutura. “Isso é fundamental. Assim como fizemos no Brasil, quando desbravamos o Cerrado, é preciso ter escala, ter continuidade de áreas para viabilizar os investimentos”, afirmou o ministro brasileiro.

Também estão previstos ajustes na legislação angolana sobre proteção de cultivares, sementes transgênicas e propriedade intelectual.

Outro ponto central da proposta é a criação de um fundo de aval com recursos do fundo soberano de Angola. A medida pode garantir até 75% dos investimentos feitos por produtores brasileiros no país africano.

O programa contempla ainda ações sociais, como a construção de agrovilas com moradias, escolas, postos de saúde e centros técnicos. Também haverá intercâmbio de profissionais para capacitação técnica em ambos os países. Comunidades vizinhas às áreas de produção receberão maquinário, insumos e assistência técnica.

Lula e Lourenço orientaram suas equipes a avançar na redação de um memorando de entendimento para formalizar a parceria. De acordo com Fávaro, o acordo representa um passo estratégico para consolidar o Brasil como referência global em agricultura tropical sustentável, com potencial para fortalecer a segurança alimentar e a inclusão social no continente africano.



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safra de arroz avança com ritmo dentro da média



Arroz tem 79% das lavouras em bom estado




Foto: Pixabay

O plantio da safra de arroz nos Estados Unidos alcançou 87% da área prevista até 18 de maio, segundo boletim divulgado nesta terça-feira (20) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O percentual representa um atraso de quatro pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, mas está em linha com a média dos últimos cinco anos.

De acordo com o USDA, “o progresso do plantio estava acima da média em quatro dos seis estados que realizaram a estimativa”. A emergência das lavouras também evoluiu: 73% da área plantada já emergiu, índice dois pontos abaixo de 2023, mas sete pontos acima da média histórica.

As condições das lavouras foram avaliadas como boas a excelentes em 79% da área plantada. O dado representa uma melhora de dois pontos percentuais em comparação com a semana anterior, embora ainda esteja três pontos abaixo do registrado na mesma semana do ano passado.





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Fávaro: Proposta de licenciamento ambiental avança sem precarização



O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse nesta sexta-feira (23) que o projeto da Lei Geral do Licenciamento Ambiental “avança sem precarização”. O chefe da Agricultura disse ainda respeitar o posicionamento contrário da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmando que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é plural.

“Eu respeito o posicionamento dela, talvez ela fazendo uma análise mais profunda do texto pode haver divergências. O governo é plural. As áreas podem ter, em algum momento, conflito de ideias e de pensamentos. Mas eu, particularmente, acho que é um projeto que avança muito sem precarização”, afirmou Fávaro.

Segundo Fávaro, o projeto de licenciamento ambiental pode dar uma grande capacidade para o governo licenciar obras de infraestrutura e garantir “crescimento sustentável”.

“É impossível a gente crescer de forma sustentável sem que a infraestrutura acompanhe e puxe na frente. A gente precisa de mais portos, mais aeroportos, mais ferrovias e mais energia elétrica”, afirmou Fávaro.

Contra a vontade de ambientalistas, o projeto de lei foi aprovado no Senado nesta quarta-feira (21) por 54 votos favoráveis a 13 contrários. A proposta estabelece regras nacionais para os processos de licenciamento, com definição de prazos, procedimentos simplificados para atividades de menor impacto e a consolidação de normas atualmente dispersas.

O texto vai voltar para a Câmara dos Deputados, precisando ser chancelado para então ir à sanção presidencial.



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Temos fortes indícios de que foco de gripe aviária está contido, diz ministro



O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, voltou a afirmar que há “fortes indícios” de que o foco de gripe aviária em uma granja comercial em Montenegro (RS), confirmado há uma semana, está contido.

“Este vírus (H5N1) é bastante voraz e letal às aves. Apesar de estarmos em um sistema muito ativo de busca de casos, nenhuma outra ave morreu”, disse Fávaro a jornalistas após participar de encontro do presidente Lula e do presidente da Angola, João Lourenço, com representantes de produtores rurais. “Portanto, isso é um forte indício de que o caso está contido”, afirmou o ministro.

Fávaro lembrou que o país entrou na quinta-feira (22) no vazio sanitário, período de 28 dias necessário para o caso ser considerado concluído e o Brasil retomar o status de livre de gripe aviária, caso novos focos não sejam confirmados. O prazo é contabilizado após a desinfecção total da área afetada.

“Estamos no segundo dia dos 28 para podermos confirmar que não há mais focos. Se em nenhum lugar estão aparecendo animais vivos e mortos, em virtude de gripe aviária, é a certeza de que o foco está contido”, afirmou o ministro. “Mas seguiremos com muita prudência e transparência”, apontou.

Ao todo, há 17 investigações de suspeita de gripe aviária em andamento no país, conforme atualização mais recente da plataforma de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves, do Ministério da Agricultura. As investigações estão em andamento com coleta de amostra e sem resultado laboratorial conclusivo. De acordo com os dados da plataforma, duas investigações são em plantas comerciais: em uma granja de pintinhos de cinco dias em Ipumirim (SC) e em um abatedouro de aves em Aguiarnópolis (TO).

Em relação à suspeita investigada em aviário comercial em Santa Catarina, o ministro disse que há indício forte de que a suspeita é negativa para a doença. “Posso quase afirmar que é negativo. A contraprova de que é negativo é que os animais que conviveram com os animais supostamente contaminados não adoeceram. Essa é a maior comprovação que será negativo”, disse Fávaro, em referência ao potencial altamente contagioso da gripe aviária.

Segundo o ministério, as análises das amostras da suspeita seguem em andamento. Ontem, a Secretaria de Agricultura e Pecuária de Santa Catarina informou que a suspeita de gripe aviária em plantel comercial no estado foi descartada, o que foi negado pelo ministério.

Até o momento, há um caso confirmado de gripe aviária em granja comercial no país, em Montenegro, em um matrizeiro de aves na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. No total, o Brasil já registrou 164 casos da doença em animais silvestres (sendo 160 em aves silvestres e 4 em leões-marinhos), 3 focos em produção de subsistência, de criação doméstica, e 1 em produção comercial, somando 168 no país.



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Coreia do Sul vai regionalizar restrição a frango brasileiro



O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, informou que a Coreia do Sul flexibilizou as suspensões sobre a importação de frango brasileiro, proibindo, a partir de agora, apenas a importação de carne de aves e derivados provenientes do Rio Grande do Sul. “Alguns países já estão revendo o seu protocolo. Por exemplo, a Rússia regionalizou (ao Rio Grande do Sul) e, agora, a Coreia do Sul acabou de nos avisar que também está regionalizando”, disse Fávaro a jornalistas após participar de encontro do presidente Lula e do presidente da Angola, João Lourenço, com representantes de produtores rurais.

O embargo ocorre em virtude da confirmação de um caso de gripe aviária em plantel comercial em Montenegro (RS), há uma semana. O protocolo acordado entre Brasil e Coreia do Sul no certificado sanitário internacional previa a suspensão das compras de frango brasileiro de todo o território nacional em caso de gripe aviária, mas as autoridades sul-coreanas optaram pela redução das restrições após as medidas de contenção da doença adotadas pelo Brasil.

O ministro afirmou que o Brasil vai “gradativamente” reconquistar o espaço no mercado. “Respeitando o tempo de cada país e observando todas as informações que eles buscarem. Estamos avançando rapidamente em relação à segurança necessária para que essa regionalização aconteça, mas não queremos forçá-la, pois temos compromissos técnicos”, acrescentou o ministro sobre as negociações em andamento com os países importadores do frango brasileiro.

O governo sul-coreano informou ao governo brasileiro que na próxima segunda-feira (26) enviará documentos para prosseguir com a regionalização, permitindo a entrada no país de frango brasileiro de áreas livres de gripe aviária.

Com a flexibilização da Coreia do Sul, as exportações de carne de frango de todo o território brasileiro estão suspensas para 22 destinos. Estão pausados temporariamente os embarques de produtos avícolas brasileiros para China, União Europeia, México, Iraque, Chile, Filipinas, África do Sul, Jordânia, Peru, Albânia, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Namíbia, Índia, Sri Lanka e Paquistão, conforme o levantamento da pasta.

A lista inclui as nações que suspenderam as importações de produtos avícolas do Brasil e para os quais o Brasil interrompeu a certificação das exportações conforme prevê o acordo sanitário estabelecido com cada país.

Há ainda mercados para os quais estão impedidas as exportações de frango proveniente do Rio Grande do Sul. É o caso da Arábia Saudita, Reino Unido, União Euroasiática (Rússia, Belarus, Armênia e Quirguistão), Angola, Turquia, Bahrein, Cuba, Macedônia, Montenegro, Casaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão, Ucrânia, e agora a Coreia do Sul.

O Japão e os Emirados Árabes Unidos suspenderam as compras de carne de frango e derivados do município de Montenegro (RS), onde o foco da doença foi detectado, conforme prevê o protocolo acordado pelos países com o Brasil.



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Estudo resgata lembranças do sertão por quem viveu seca e fartura



Uma pesquisa realizada pelo antropólogo Renan Martins Pereira revela uma perspectiva pouco explorada sobre o sertão de Pernambuco.

Com base em entrevistas com antigos vaqueiros e ex-moradores da zona rural de Floresta, o estudo resgata memórias de um passado de fartura, um tempo em que, segundo os relatos, “havia mais peixes nos rios, mais árvores na caatinga e mais alimento na mesa”.

A pesquisa busca ressignificar as secas e a abundância não como opostos, mas como categorias que coexistiam no passado. Segundo o pesquisador, a fartura evocada pelos mais velhos não é uma romantização do passado, mas uma crítica ecológica ao presente.

“Quando eles dizem que antes havia mais fartura, estão, na verdade, apontando para o que se perdeu”, afirma o pesquisador.

Vegetação nativa preservada

O artigo mostra como esses moradores mais velhos articulam recordações de escassez e fartura. Nessa memória multifacetada, houve secas, sim; mas também houve abundância – basicamente relacionada à biodiversidade, no caso tratado no artigo.

“Os sertanejos falam de uma vegetação nativa mais preservada, de rebanhos numerosos e de maior oferta de alimentos. Essa memória da fartura não exclui a lembrança das grandes secas, mas sugere que houve uma transformação profunda na relação dos habitantes com o meio ambiente”, afirma o pesquisador.

Os relatos de antigos vaqueiros e ex-moradores do campo, como Zé Ferraz, Cirilo Diniz e Antônio José do Nascimento, retratam um sertão em que o gado era robusto, a pesca era abundante e o solo produzia com maior regularidade.

“Essa memória não tem um caráter apenas nostálgico, mas serve como um alerta sobre a mudança no uso da terra, a degradação ambiental e o impacto das mudanças climáticas. Os mais velhos não falam apenas de saudade, falam de perda real”, argumenta Pereira.

Tradições desaparecendo

As mudanças no uso da terra, a expansão da fronteira agrícola e a urbanização alteraram radicalmente o modo de vida no sertão.

“O êxodo rural reduziu a interação humana com a Caatinga e as práticas tradicionais de manejo estão desaparecendo. Muitos dizem que antes havia mais organização na vida do campo, que as festas comunitárias eram frequentes, que existia um sentimento de coletividade que hoje se perdeu”, conta o pesquisador.

Ao mesmo tempo, as secas atuais são percebidas como mais severas e prolongadas. Ele acrescenta que o conceito de “memória ecológica”, fundamental para o argumento do seu artigo, ajuda a compreender como os sertanejos interpretam essas transformações, não só com base em dados objetivos, mas também por meio de experiências vividas e narradas.

Memória viva do sertão

Em sua análise, o pesquisador recorre ao conceito de “duração” do filósofo francês Henri Bergson (1859-1941). “A memória não é um arquivo estático do passado, mas algo vivo, que transforma a percepção do presente e projeta futuros possíveis”, diz.

Essa abordagem permite enxergar as recordações das secas e da abundância como formas de resistência cultural e ecológica.

“A fartura, tal como é recordada, configura um conceito amplo. Ela diz respeito não apenas à quantidade de comida na mesa, mas também à relação das pessoas com a terra, ao respeito pelos ciclos da natureza, à segurança que vinha de um ambiente previsível. Hoje, muitos dos meus interlocutores dizem que essa fartura acabou.”, afirma.

A pesquisa de Renan Martins Pereira reconfigura o entendimento do sertão. “Mais do que um espaço de sofrimento, o semiárido é também um lugar de vida, de saberes ancestrais e de histórias que desafiam a noção de um passado perdido”, conclui o pesquisador.

Em um mundo em crise ambiental, as memórias do sertão podem oferecer lições valiosas sobre a relação entre a humanidade e a natureza.



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miniusina de biodiesel promete autonomia energética para produtores rurais


Uma solução sustentável com potencial para revolucionar a autonomia energética no campo foi apresentada na AgroBrasília 2025 pela startup Mondi Energy, sediada em Ribeirão Preto (SP). A empresa desenvolveu uma miniusina de biodiesel que permite ao produtor fabricar seu próprio combustível diretamente na propriedade rural.

O diretor executivo da Mondi Energy, Guilherme Scagnolatto, destaca que a proposta alia inovação e sustentabilidade. “Nossa tecnologia permite que o produtor produza biodiesel para consumo próprio, utilizando insumos como óleo vegetal, gordura animal, álcool e catalisador. O diferencial está no uso de concentradores solares, desenvolvidos por nós, que fornecem o calor necessário para a reação química, substituindo fornalhas movidas a combustíveis fósseis”, explica.

Além de reduzir os custos operacionais, o sistema gera glicerina como subproduto — uma matéria-prima com valor comercial para as indústrias de cosméticos, farmacêutica e de produtos de limpeza. A startup também vislumbra, no futuro, a possibilidade de converter essa glicerina em combustível para aviação.

Fundada em 2020, a Mondi Energy passou a focar, desde o final de 2024, no desenvolvimento da miniusina de biodiesel. A planta-piloto está em construção em São Carlos (SP) e deve ser concluída ainda este ano. O projeto conta com parceria da Universidade de São Paulo (USP), campus São Carlos, e é viabilizado por meio de fomento à inovação da Embrapa, o qual exige vínculo com um instituto de pesquisa.

Além da solução voltada à produção de biodiesel, a empresa já comercializa seus concentradores solares, que também podem ser aplicados em outras demandas do setor.

Segundo Scagnolatto, a expectativa é que os produtores consigam reduzir os custos com combustível em até 50% em relação ao diesel comercial, além de contar com uma fonte de energia limpa e renovável. “É uma tecnologia que proporciona autonomia, sustentabilidade e economia para quem está no campo”, reforça.

Participando pela primeira vez da AgroBrasília, a startup avalia positivamente o evento. “A estrutura é excelente. Já realizamos ótimos contatos e esperamos que isso se mantenha até o fim da feira”, afirma o diretor.

A Mondi Energy tem marcado presença em diversos eventos do setor, como a Agrishow, e segue em busca de parcerias, investidores e produtores interessados em soluções sustentáveis para o agronegócio.

Serviço

Feira AgroBrasília 2025

Data: terça-feira a sábado – 20 a 24 de maio

Horário: 8h30 às 18h

Local: Parque Tecnológico Ivaldo Cenci – AgroBrasília, BR 251 km 5 – PAD-DF 





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