quarta-feira, maio 20, 2026

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Guerra entre Irã e Israel: é hora de comprar fertilizantes?



A recente tensão no Golfo Pérsico traz incertezas para o mercado da soja, principalmente por seu impacto na oferta e no custo dos fertilizantes essenciais para a produção. O confronto entre Israel e Irã elevou o risco de um conflito direto na região, com possível envolvimento de aliados como Hezbollah, milícias no Iraque e até a participação indireta dos Estados Unidos e de países ocidentais.

Segundo o consultor em agronegócio Carlos Cogo, o Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% das exportações globais de petróleo e volumes expressivos de gás natural e fertilizantes nitrogenados, torna-se um ponto estratégico e gargalo logístico global para a commodity. Com sanções econômicas vigentes, o Irã pode reagir bloqueando rotas marítimas ou interrompendo o envio de insumos estratégicos, pressionando ainda mais os custos de produção.

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Impacto nos fertilizantes para a soja

“O ataque pode ter impacto direto na oferta de fertilizantes. O Irã é o terceiro maior exportador de ureia do mundo, responsável por 10% da oferta global, com 4,8 milhões de toneladas por ano, e o sétimo maior exportador de amônia anidra”, comenta Cogo.

Segundo o consultor, outros grandes produtores de nitrogênio também estão na região e alguns transportam seus fertilizantes pelo Estreito de Ormuz. A guerra deverá elevar os preços da ureia nos mercados internacionais e acende o sinal de alerta para quem ainda não garantiu os insumos.

“O Brasil importa 80% dos fertilizantes utilizados nas produções agropecuárias e boa parte desse volume vem de países direta ou indiretamente afetados pela tensão no Golfo Pérsico. O país importa principalmente da Rússia, China, Canadá, Marrocos e países do Oriente Médio”, completa. Os nitrogenados representam 48% da demanda total brasileira, com alta dependência de insumos baseados em gás natural, cujo preço está altamente correlacionado ao petróleo.

Além disso, o Irã desponta como importante fornecedor de ureia e de derivados petroquímicos fundamentais para a indústria. Se houver uma retaliação iraniana, como o bloqueio do Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, ou novas sanções internacionais, o fornecimento desses insumos pode ser comprometido. Com a redução da oferta e o encarecimento do frete, o preço tende a subir, pressionando os custos de produção no Brasil.

No Egito, a interrupção do fornecimento de gás por Israel já paralisou a fabricação de ureia. Como reflexo imediato, diversas ofertas foram retiradas do mercado e os preços subiram nos Estados Unidos, no Oriente Médio e também no Brasil.

Além dos fertilizantes: os fretes

A alta do petróleo, intensificada pelas tensões no Oriente Médio, deverá elevar os custos de frete marítimo e seguros internacionais, fatores que pesam diretamente sobre o custo de importação para o Brasil, país fortemente dependente de insumos externos. O risco de ataques a petroleiros e navios comerciais no Golfo eleva os prêmios de seguros marítimos e o custo do frete internacional, especialmente em áreas consideradas zonas de guerra.

O Baltic Dry Index e o Freightos Baltic Index tendem a subir em cenários de conflito, impactando os custos de importação de insumos. O aumento do preço do petróleo afeta diretamente o custo do diesel no Brasil, encarecendo o transporte interno de grãos e alimentos.

A dependência do modal rodoviário agrava o problema. Em cenários de escalada do conflito, o barril de Brent pode superar os 90 ou 100 dólares, impulsionando o preço do diesel no mercado interno. No Brasil, o transporte rodoviário responde por mais de 60% da logística agrícola, e o aumento do diesel impacta diretamente no custo da produção e da distribuição.

Commodities

O petróleo mais caro também pressiona a valorização de outras commodities agrícolas, como óleo de soja, algodão e açúcar. O encarecimento do petróleo amplia o espaço para valorização do óleo de soja, que hoje é uma das principais matérias-primas para biodiesel globalmente. Isso também influencia os óleos vegetais concorrentes, como o de palma, e se estende a outras cadeias, como a do algodão, que compete com fibras sintéticas derivadas do petróleo.

No caso da soja, o óleo é insumo fundamental na produção de biodiesel. Se o petróleo sobe, o biodiesel torna-se mais competitivo. O Brasil é o segundo maior produtor de biodiesel do mundo, com o óleo de soja como principal matéria-prima, responsável por cerca de 70% da produção. A demanda por óleo vegetal cresce globalmente, puxando os preços também da soja in natura.

O açúcar compete com o etanol. Com o petróleo mais caro, o etanol se valoriza, o que pode levar as usinas a direcionarem mais cana para a produção de etanol, reduzindo a oferta global de açúcar e elevando os preços. O Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo e essa decisão impacta diretamente o equilíbrio do mercado internacional.

O algodão compete com fibras sintéticas como o poliéster, derivadas do petróleo. A alta do petróleo eleva o custo do poliéster, com possível valorização do algodão natural no mercado têxtil.

Exportações agrícolas brasileiras

No outro extremo da cadeia, o escoamento de produtos brasileiros para países islâmicos também está em xeque. O Oriente Médio é um mercado importante para grãos e proteínas animais do Brasil. O Irã é o maior importador de milho brasileiro e o quinto maior importador de soja. Cerca de 30% da carne de frango exportada pelo Brasil tem como destino países do Oriente Médio.

”Vale destacar que será necessário acompanhar os desdobramentos do conflito para se ter conhecimento mais concreto dos efeitos nos mercados de insumos e de commodities agrícolas. Recomenda-se antecipar compras de insumos e reavaliar cenários logísticos e comerciais”, finaliza.



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Com o inverno à vista, soja pode ser impactada pela La Niña?



O inverno brasileiro começa nesta semana, com expectativa de um clima marcado pela neutralidade no Pacífico, segundo o mais recente boletim da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA). A previsão é de afastamento do retorno imediato do El Niño e da La Niña, fenômenos que moldam os padrões de temperatura e chuva no país. No entanto, isso não implica ausência de eventos extremos; pelo contrário, pode favorecer variações climáticas mais localizadas e imprevisíveis.

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A probabilidade de retorno da La Niña é estimada em 41%, segundo dados do NOAA. Embora considerada relativamente baixa, essa possibilidade ainda preocupa o setor agrícola, pois pode provocar atraso nas chuvas no Centro-Oeste e geadas tardias no Sul, especialmente no fim do inverno. Os fatores têm potencial para desorganizar o calendário agrícola, dificultando o início da semeadura da soja e afetando a colheita de culturas de inverno.

Para os produtores que já se planejam para o plantio da nova safra, o alerta maior está na instabilidade climática que a La Niña pode provocar, mesmo com sua chance de retorno sendo limitada. No Sul, a combinação entre frio tardio e tempo seco no Centro-Oeste impõe um cenário que exige atenção constante aos mapas meteorológicos.

Já a probabilidade de retorno do El Niño no período do inverno é ainda menor, ficando em torno de 12%. Mesmo assim, os especialistas alertam que o cenário atual de neutralidade não representa estabilidade total. Os oceanos continuam muito aquecidos, condição que aumenta a presença de vapor de água na atmosfera e, consequentemente, eleva o risco de eventos extremos, como temporais isolados, rajadas de vento e variações bruscas de temperatura.

Previsão para antes do inverno

Segundo apurado pela meteorologia do Canal Rural, a combinação de tempo seco e temperaturas em elevação deve favorecer o avanço das atividades no campo, especialmente no Centro-Oeste, Sudeste e interior do Matopiba.

Já nas regiões produtoras de soja desses estados, o tempo firme predomina, sem expectativa de chuvas que possam atrapalhar o manejo das lavouras. Além disso, as temperaturas começam a subir, afastando o risco de geadas e permitindo bom andamento na colheita da soja e na condução do milho segunda safra.

Mesmo na próxima semana, o cenário permanece estável nessas áreas. Pode chover pontualmente no Maranhão e norte do Piauí, mas os volumes não preocupam os produtores. No geral, o padrão climático atual é visto como positivo para o desenvolvimento das culturas e o avanço dos trabalhos no campo.

Enquanto isso, o Rio Grande do Sul vive uma realidade oposta. O estado deve enfrentar acumulados de chuva entre 150 mm e 200 mm entre terça (17) e quarta-feira (18), especialmente na faixa centro-sul. A previsão inclui risco de queda de granizo e rajadas intensas de vento, deixando o estado em alerta para eventos severos e possíveis transtornos no campo.

Na próxima semana, a chuva ainda persiste na região Sul, mas com menor intensidade. Os volumes previstos ficam entre 20 mm e 30 mm, suficientes para manter o solo úmido, mas sem grande impacto nas atividades agrícolas, segundo os meteorologistas.

Por fim, com o avanço do mês de junho, muitos produtores começam a se preocupar com possíveis geadas, especialmente nas regiões mais frias do Sul e Sudeste. No entanto, a previsão aponta um cenário tranquilo: apesar das madrugadas frias, com mínimas entre 12 °C e 15 °C, não há indicativo de geada no horizonte.

Esse panorama se repete na próxima semana. As manhãs seguem geladas, mas as temperaturas sobem ao longo do dia, favorecendo o desenvolvimento das lavouras de milho segunda safra, que deve seguir avançando sem maiores riscos climáticos nas regiões centrais do país.



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Gilmar propõe que indenizações do marco temporal fiquem fora do teto fiscal


Em audiência crucial promovida nesta segunda-feira (16) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes apresentou uma proposta que pode mudar os rumos da discussão sobre demarcações de terras indígenas: permitir que a União pague indenização aos proprietários de boa-fé fora do arcabouço fiscal. A medida busca garantir segurança jurídica sem comprometer o teto de gastos públicos.

A discussão gira em torno da tese do marco temporal, considerada inconstitucional pelo STF em 2023. Na ocasião, a Corte determinou que a União indenize os proprietários impactados por novas demarcações, incluindo benfeitorias e a própria terra.

Com a reação do Congresso, que aprovou uma nova lei restabelecendo o marco temporal, abriu-se um impasse. Para solucioná-lo, o STF montou uma comissão com representantes de diversos setores, buscando um anteprojeto que equilibre direitos indígenas, segurança jurídica e responsabilidade fiscal.

A proposta central apresentada por Gilmar Mendes — por meio de seu assessor Diego Veras — é retirar essas indenizações do teto fiscal “de forma que não vulnere o arcabouço fiscal, nem as regras que estão postas.”

Com isso, o Estado poderia honrar os pagamentos aos proprietários afetados sem comprometer o orçamento de áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.

É importante inserir nesse debate uma reflexão que costuma ser evitada por conveniência política: os cerca de 1 milhão de indígenas no Brasil já ocupam aproximadamente 14% do território nacional. Ou seja, não lhes faltam terras, mas sim cidadania, dignidade e respeito.

O que se espera de um Estado democrático é que garanta políticas públicas eficazes para os povos indígenas — educação de qualidade, assistência médica, saneamento básico e oportunidades econômicas sustentáveis — e, sobretudo, que os proteja contra os verdadeiros invasores de seus territórios: o garimpo ilegal, o desmatamento criminoso e o narcotráfico.

A defesa da cidadania indígena passa pela presença efetiva do Estado — não por mais terra, mas por mais justiça. E nesse ponto, a proposta de Gilmar Mendes é justa: ela preserva o direito dos produtores de boa-fé, sem negar os direitos dos povos originários.

Impacto para o agronegócio

  • Segurança jurídica: produtores que adquiriram terras de boa-fé precisam de garantias legais para manter investimentos e operar com estabilidade.
  • Proteção fiscal: excluir as indenizações do teto evita impactos negativos no orçamento federal.
  • Estabilidade institucional: a conciliação entre direitos indígenas e propriedade privada reduz tensões e conflitos no campo.

A solução está em tratar com respeito quem já vive na terra — seja o produtor, que investe e produz, seja o indígena, que quer viver com dignidade. O Estado não pode falhar com nenhum dos dois.

A proposta de Gilmar Mendes é um passo nessa direção: justa, equilibrada e corajosa. Que o debate avance, não com ideologia, mas com compromisso com o Brasil real.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Gilmar propõe que indenizações do marco temporal fiquem fora do teto fiscal



Em audiência crucial promovida nesta segunda-feira (16) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes apresentou uma proposta que pode mudar os rumos da discussão sobre demarcações de terras indígenas: permitir que a União pague indenização aos proprietários de boa-fé fora do arcabouço fiscal. A medida busca garantir segurança jurídica sem comprometer o teto de gastos públicos.

A discussão gira em torno da tese do marco temporal, considerada inconstitucional pelo STF em 2023. Na ocasião, a Corte determinou que a União indenize os proprietários impactados por novas demarcações, incluindo benfeitorias e a própria terra.

Com a reação do Congresso, que aprovou uma nova lei restabelecendo o marco temporal, abriu-se um impasse. Para solucioná-lo, o STF montou uma comissão com representantes de diversos setores, buscando um anteprojeto que equilibre direitos indígenas, segurança jurídica e responsabilidade fiscal.

A proposta central apresentada por Gilmar Mendes — por meio de seu assessor Diego Veras — é retirar essas indenizações do teto fiscal “de forma que não vulnere o arcabouço fiscal, nem as regras que estão postas.”

Com isso, o Estado poderia honrar os pagamentos aos proprietários afetados sem comprometer o orçamento de áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.

É importante inserir nesse debate uma reflexão que costuma ser evitada por conveniência política: os cerca de 1 milhão de indígenas no Brasil já ocupam aproximadamente 14% do território nacional. Ou seja, não lhes faltam terras, mas sim cidadania, dignidade e respeito.

O que se espera de um Estado democrático é que garanta políticas públicas eficazes para os povos indígenas — educação de qualidade, assistência médica, saneamento básico e oportunidades econômicas sustentáveis — e, sobretudo, que os proteja contra os verdadeiros invasores de seus territórios: o garimpo ilegal, o desmatamento criminoso e o narcotráfico.

A defesa da cidadania indígena passa pela presença efetiva do Estado — não por mais terra, mas por mais justiça. E nesse ponto, a proposta de Gilmar Mendes é justa: ela preserva o direito dos produtores de boa-fé, sem negar os direitos dos povos originários.

Impacto para o agronegócio

  • Segurança jurídica: produtores que adquiriram terras de boa-fé precisam de garantias legais para manter investimentos e operar com estabilidade.
  • Proteção fiscal: excluir as indenizações do teto evita impactos negativos no orçamento federal.
  • Estabilidade institucional: a conciliação entre direitos indígenas e propriedade privada reduz tensões e conflitos no campo.

A solução está em tratar com respeito quem já vive na terra — seja o produtor, que investe e produz, seja o indígena, que quer viver com dignidade. O Estado não pode falhar com nenhum dos dois.

A proposta de Gilmar Mendes é um passo nessa direção: justa, equilibrada e corajosa. Que o debate avance, não com ideologia, mas com compromisso com o Brasil real.



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a palavra que pode reconciliar o campo com a cidade


Nos últimos anos, o Brasil viu crescer uma divisão silenciosa — mas cada vez mais evidente — entre o campo e a cidade.

A palavra agronegócio, que por muito tempo remeteu a progresso, desenvolvimento e orgulho nacional, passou a carregar um peso negativo para muitos brasileiros. Tornou-se símbolo de algo distante, frio, ganancioso. Em muitos casos, associada à exclusão, à desigualdade ou até à destruição ambiental.

Mas como chegamos a esse ponto?

O problema não está na essência do setor. O agro brasileiro é competente, eficiente e inovador. Produz com qualidade, supera desafios climáticos e logísticos e garante comida no prato de mais de 200 milhões de brasileiros todos os dias.

O problema está na comunicação.

Durante muito tempo, o agro falou para dentro. Os conteúdos, os influenciadores, os eventos e os discursos se voltaram para quem já vive e trabalha no campo. Quem está nas cidades ficou de fora da conversa — ou pior: passou a enxergar o setor com desconfiança.

Isso se agravou com o comportamento de muitos dos chamados “influenciadores do agro”, que passaram a se comunicar com agressividade, ironia e desprezo ao público urbano. Em vez de abrir diálogo, fecham. Em vez de incluir, afastam. Em vez de convidar o brasileiro comum a conhecer e apoiar o agro, acabam rotulando esse mesmo brasileiro como “ignorante”, “manipulado” ou “inimigo do progresso”.

Isso é um erro estratégico.
Um tiro no pé de um setor que depende do apoio da sociedade para continuar avançando.

Chegou a hora de mudar o tom

Se queremos reconectar o agro com o Brasil urbano, precisamos mudar a forma de falar. Precisamos de uma comunicação mais clara, empática e respeitosa. E talvez isso comece com uma simples, mas poderosa, mudança de palavra.
Por isso, proponho o uso do termo “agroalimento”.
Simples. Direto. Esclarecedor.

Porque é isso que o agro realmente produz: alimento.

Alimento que nutre, que sustenta, que educa, que forma.
Está na merenda escolar, no restaurante da esquina, na geladeira de cada casa.
Está na cesta básica, na feira, no armazém, no carrinho do supermercado.

Usar “agroalimento” é trazer o agro de volta para perto do consumidor.
É mostrar que o que fazemos tem nome, cheiro, rosto e sabor.
É lembrar que o campo e a cidade estão conectados — sempre estiveram.

Comunicação: ponte ou muro

Chegou a hora de parar de falar só entre nós.
Chega de brigar nas redes sociais com quem deveria ser nosso aliado.
Chega de influenciadores que batem boca com o consumidor.

O consumidor é nosso cliente. Nosso público. Nosso parceiro.

Precisamos de vozes que esclareçam, que convidem, que toquem.
Vozes que falem do agro com verdade, mas também com coração.

O que está em jogo

Estamos vivendo um momento de redefinição. Ou reconstruímos essa ponte entre o campo e a cidade, ou veremos crescer ainda mais o abismo de desinformação, preconceito e rejeição.

“Agroalimento” é mais do que uma palavra.
É um convite.
É uma chance de mostrar que o agro não é um monstro corporativo.
É um sistema vivo, humano, essencial.

Proponho que iniciemos uma Frente Brasil pelo Agroalimento.
Um movimento nacional baseado em empatia, verdade e comunicação inteligente.
Vamos orientar nossos influenciadores.
Vamos convidar cada entidade do agro a participar imediatamente, identificando vozes
preparadas para se comunicar com o Brasil real — e investindo nisso.

Quanto mais a cidade entender o agro como alimento, mais apoio conquistaremos.
Sem o olhar crítico, raso e desinformado.
Talvez com cumplicidade.
Quem sabe, com orgulho.

Nesta coluna semanal de estreia no Canal Rural, a proposta é acompanhar de perto os caminhos do agro brasileiro: suas vitórias, seus desafios e os debates que vão definir os rumos do setor. E se há algo que essa conquista nos mostra, é que o Brasil tem força, inteligência e propósito para ir ainda mais longe.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


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Colheita de soja nos EUA ultrapassa 90%



O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou nesta segunda-feira (16) que o plantio de soja está em 93%, comparado a 92% um ano antes e 94% na média de cinco anos. O USDA informou que 84% da safra havia emergido, comparado a 80% no mesmo período do ano passado e 83% na média histórica. Segundo a agência, 66% da safra estava em condição boa ou excelente, uma queda de 2 pontos percentuais em relação à semana anterior. No mesmo período do ano passado, esse índice era de 70%.

Já para o milho, o plantio foi concluído na semana passada, conforme aponta o relatório semanal do USDA. Até domingo (15), 94% das lavouras haviam emergido, em linha com a média histórica e acima dos 92% registrados no ano passado. A qualidade da safra também melhorou: 72% das plantações estavam em condição boa ou excelente.

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Além disso, 52% da safra de trigo de inverno nos Estados Unidos apresentava condição boa ou excelente até o último domingo (15), o que representa uma piora de dois pontos percentuais em relação à semana anterior. Apesar da queda, o índice está acima dos 49% registrados no mesmo período do ano passado.

O USDA informou também que 93% das lavouras já haviam perfilhado, mantendo o mesmo nível do ano passado e ligeiramente acima da média de cinco anos, de 92%. Já a colheita do trigo de inverno avançou para 10% da área total, bem abaixo dos 25% registrados em 2024 e dos 16% observados na média histórica para o período.



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AgroNewsPolítica & Agro

Alta de 55% no clethodim acende alerta



Problemas na China afetam oferta global e disparam preço de herbicida




Foto: Canva

A expressiva valorização de ingredientes ativos usados no campo tem causado apreensão entre agricultores e consultores agronômicos. O clethodim, um dos principais herbicidas utilizados no controle de gramíneas em culturas como soja, milho e algodão, registrou aumento de 55% apenas nos primeiros meses de 2025. A alta repentina no valor do insumo, essencial no combate a plantas daninhas, já compromete o planejamento técnico e econômico de muitos produtores.

Segundo especialistas, esse encarecimento tem origem em uma conjunção de fatores logísticos e industriais. A China, maior fornecedora global da substância, enfrenta paralisações produtivas e dificuldades de exportação, o que reduziu drasticamente a oferta internacional. Ao mesmo tempo, a demanda sazonal por defensivos agrícolas aumentou, agravando ainda mais o desequilíbrio entre oferta e procura e, consequentemente, os preços.

Com os custos operacionais em alta, produtores se veem obrigados a renegociar contratos e, em alguns casos, até a reavaliar o cronograma de aplicações. A situação é ainda mais crítica em áreas que enfrentam resistência de espécies como o capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), para as quais o clethodim já vinha mostrando eficácia limitada em algumas regiões.

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Para Roberto Rodrigues, engenheiro agrônomo e especialista em manejo da Ourofino Agrociência, a disparada no preço e a escassez de produtos como o clethodim evidenciam a necessidade de transição para práticas mais sustentáveis, como o Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD). “Não é mais viável depender de uma única molécula. A diversificação dos mecanismos de ação é fundamental para preservar a produtividade e a rentabilidade das lavouras”, destaca o agrônomo.

A expectativa do setor agora é por estabilidade na cadeia internacional de suprimentos e maior adesão dos produtores a práticas mais integradas e sustentáveis de manejo.





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queda na produção capixaba aumenta as cotações



As cotações do Mamão Havaí avançaram significativamente nas principais regiões produtoras ao longo da semana passada. É isso que apontam os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com pesquisadores do instituto, os mamocultores relataram que chuvas acima do esperado prejudicam a qualidade dos mamões. Isso tendo em vista que o clima desfavorável também aumenta a incidência de doenças fúngicas. 

Dessa forma, a oferta de frutas de boa qualidade está reduzida. As chuvas e as temperaturas mais baixas também limitaram o desenvolvimento dos frutos, resultando em menor oferta nas lavouras. 

Na semana passada, os preços de comercialização foram de R$ 3,17/kg para o havaí 12-18 do norte do Espírito Santo, sendo 258% superiores aos do período anterior. No atacado paulista, o mamão do tipo 15-18 foi negociado à média de R$ 62,00 a caixa de 8 kg, avanço de 35%. 

Assim, para as próximas semanas, a tendência é de menor demanda pela fruta, em decorrência do feriado de Corpus Christi, na quinta-feira (16), o que pode voltar a pressionar as cotações na roça, apesar das perspectivas de menor oferta.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Organização da Bahia Farm Show decide não divulgar volume de negócios


A organização da 19ª edição da Bahia Farm Show decidiu não divulgar os números consolidados de comercializações realizadas durante a feira, na última semana, em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia.

De acordo com nota enviada pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a decisão segue a tendência adotada por outras grandes feiras do agronegócio. A nota cita, como exemplo, a Expodireto Cotrijal, evento que também optou por não divulgar os números consolidados de comercialização, ao contrário de outras feiras realizadas no país.

Segundo a organização da Agrishow 2025, realizada entre os dias 28 de abril e 2 de maio, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o evento movimentou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios e recebeu um público de mais de 197 mil pessoas.

Outro importante evento do setor, a Tecnoshow COMIGO — realizada em Rio Verde (GO), entre os dias 7 e 11 de abril — movimentou mais de R$ 10 bilhões.

Já a Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins 2025), realizada entre os dias 13 e 17 de maio, em Palmas, capital do Tocantins, movimentou R$ 5,07 bilhões em negócios.

A Bahia Farm Show recebeu 434 expositores e 162.370 visitantes, ultrapassando a marca registrada na edição anterior. Além disso, mais de 100 caravanas foram mobilizadas para o evento, com a participação de pequenos produtores, estudantes, idosos e pessoas com deficiência.

No balanço qualitativo da feira, houve destaque positivo para os segmentos de plantadeiras, pulverizadores, colheitadeiras, pivôs de irrigação, além de veículos, drones e aviões voltados para pulverização e monitoramento de lavouras. Instituições financeiras também relataram bom volume de contratações e prospecções de crédito para investimentos no campo, informou a organização.

Bahia Farm Show 2025, imagem aérea do segundo dia em Luís Eduardo MagalhãesBahia Farm Show 2025, imagem aérea do segundo dia em Luís Eduardo Magalhães
Fim de tarde na Bahia Farm Show nesta terça-feira (10) | Imagem: Guilherme Soares/Canal Rural Bahia

Justificativa

Como justificativa, a Aiba reforçou que a decisão de não divulgar os valores consolidados de negócios acompanha um movimento percebido em outras grandes feiras do agro nacional.

“Embora as cifras cheguem à casa dos bilhões, elas não traduzem, de forma fiel, o real impacto e a missão de um evento como a Bahia Farm Show. A prioridade, segundo a organização, é seguir fortalecendo a conexão entre produtores, empresas de tecnologia agrícola, instituições financeiras, universidades, consultorias de pesquisa e os diversos níveis do poder público”, diz a nota divulgada à imprensa.

“Quem esteve na Bahia Farm Show viveu um clima de alegria, entusiasmo e otimismo, comemorando o resultado da safra e percorrendo as ruas da feira com olhar atento às novas tecnologias, já pensando nas próximas safras. Também tivemos, neste ano, um diferencial com o incentivo à vinda de caravanas de toda a Bahia e do Matopiba. Queremos agradecer a todos — patrocinadores, expositores e produtores — que continuam acreditando na Bahia Farm Show e proporcionaram mais uma edição de sucesso”, reforça Moisés Schmidt.

A edição comemorativa de 20 anos da Bahia Farm Show já tem data marcada: de 8 a 13 de junho de 2026.


Você também pode participar deixando uma sugestão de pauta. Siga o Canal Rural Bahia no Instagram e nos envie uma mensagem.





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avanço na colheita aumenta estoque e enfraquece a demanda



Os preços do trigo seguem enfraquecidos no mercado doméstico. É isso que mostram os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Pesquisadores do instituto indicam que a pressão vem das desvalorizações externa e cambial, do avanço da semeadura no Brasil e da fraca demanda doméstica. Muitos agentes de moageiras demonstram estar abastecidos, enquanto outros trabalham com o trigo importado. 

Por sua vez, os triticultores estão focados nas atividades de campo. Diante disso, pesquisadores do Cepea relatam que a liquidez é baixa no mercado interno. No campo, a Conab aponta que, até dia 7 de junho, 42% da área destinada ao trigo semeada no Brasil. 

Em relatório divulgado neste mês, a Conab estima a área de trigo em 2,67 milhões de hectares, 1% abaixo do indicado em maio e 12,6% inferior à da safra de 2024. A produção está prevista em 8,192 milhões de toneladas, queda de 0,8% frente ao relatório anterior, mas alta de 3,8% sobre o volume da safra passada. 

Assim, a produtividade está estimada em 3,06 toneladas por hectare, aumento de 0,3% frente ao relatório anterior e 18,9% acima da temporada anterior.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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