
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, nesta terça-feira (24), o bloqueio de R$ 445 milhões previstos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). A medida faz parte do esforço do governo federal para o cumprimento das metas fiscais. Embora o Mapa tenha classificado o corte como temporário, a decisão já provoca reações negativas no setor de soja.
Segundo o consultor Vlamir Brandalizze, essas medidas são, em parte, necessárias para manter o orçamento sob controle e evitar desequilíbrios financeiros, como os registrados no passado. “No entanto, para o setor do agronegócio, o impacto é preocupante, especialmente diante dos desafios climáticos que já dificultam a produção”, acrescenta.
Brandalizze destaca que a redução dos recursos destinados ao seguro rural tende a tornar essa proteção mais escassa e mais cara para os produtores de soja. “Além disso, a diminuição dos recursos para a subvenção de juros pode comprometer a efetividade dos pacotes agrícolas anunciados que, sem apoio financeiro oficial, acabam se tornando, na prática, meras promessas”.
O consultor ressalta que essas medidas prejudicam principalmente os pequenos e médios produtores, já que os grandes contam com alternativas como o sistema barter (troca de produtos por insumos).
Por fim, ele alerta que, ao dificultar o crescimento do agronegócio, o governo impacta negativamente a economia nacional como um todo, uma vez que um setor produtivo fortalecido gera mais exportações, consumo, circulação de recursos e arrecadação tributária. Assim, o efeito dessas restrições pode ser contrário ao esperado nas políticas oficiais.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou balanço com a previsão de chuva e temperaturas para esta semana e o início da próxima, abrangendo entre 23 e 30 de junho em todo o Brasil. Confira:

A semana começa com a passagem de uma frente fria, que deve provocar chuvas no norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, com volumes que podem ultrapassar os 150 mm em alguns pontos (tons em rosa no mapa acima). Também há previsão de acumulados inferiores a 40 mm no oeste gaúcho e norte paranaense (verde e azul).
A semana começa com previsão de chuvas inferiores a 30 mm em áreas do sul de Minas Gerais e de São Paulo. A previsão é de tempo aberto no centro-norte de Minas Gerais e em parte do Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Assim como no Sudeste, os primeiros dias da semana serão de chuvas inferiores a 30 mm em áreas do sul dos estados de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. Contudo, o tempo será aberto, com poucas nuvens, no nordeste matp-grossense e norte goiano, assim como no Distrito Federal.
No interior do Nordeste não há previsão de chuva, com redução da umidade relativa do ar, principalmente no oeste da Bahia, além do sul do Piauí e do Maranhão. Em áreas do litoral nordestino, podem ocorrer chuvas acima de 20 mm (tons em verde), principalmente em Pernambuco e Alagoas.
Os maiores acumulados de chuva se concentrarão no centro-norte do Amazonas, de Roraima e do Amapá, com volumes que podem superar os 50 mm (tons em amarelo, laranja e vermelho). Em áreas pontuais do nordeste e oeste do Pará, são previstos volumes inferiores a 40 mm. No Acre, em Rondônia e no sul do Amazonas, as precipitações são inferiores a 20 mm. Em Tocantins e no sul do Pará, não há previsão de chuvas ao longo da semana.
Ao longo da semana, a previsão indica que as maiores temperaturas máximas do país acontecerão nas seguintes áreas:
Mais especificamente, no próximo domingo (29), os maiores valores devem ocorrer no sudeste do Amazonas, em Rondônia, no sul do Pará, norte de Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Piauí.
De acordo com o Inmet, no leste do Nordeste, assim como em parte da Região Sudeste e Paraná, as máximas devem ser inferiores a 28°C. Já no centro-sul do Rio Grande do Sul, são previstas temperaturas máximas inferiores a 18°C.
As temperaturas mínimas devem se manter acima dos 24 °C na Região Norte e no norte da Região Nordeste. No centro-sul do País, predominam mínimas inferiores a 18°C.
A queda de temperatura deverá ser sentida nesta quarta (25) na faixa sul de Goiás; no Triângulo Mineiro, Zona da Mata e sul de Minas Gerais; e em todo o estado do Rio de Janeiro, além do sul do Espírito Santo. Apesar do frio e da previsão de geada fraca a moderada no Sul nesse mesmo dia, a massa de ar frio começa a perder intensidade gradualmente.
A produção frustrada de soja do Rio Grande do Sul acabou pressionando o mercado e reforçando o apelo por uma armazenagem descentralizada, segundo informações da TF Agroeconômica. “Não temos mais mercado indicando preços no JUNHO. A precificação mudou para o julho, e os preços foram R$ 134,50 para 15/07 (entregas 20/06 a 10/07) e R$ 138,30 para 30/07 (entregas de 15/07 a 30/07). Melhores preços estão para o agosto, que marcou R$ 143,50 entrega agosto cheio e pagamento em 29/08. No interior os preços de fábricas seguiram o balizamento de cada praça”, comenta.
Mercado travado e logística em alerta com fim da colheita em Santa Catarina. “O crescimento esperado para a safra de inverno, com destaque para a cevada, reforça a urgência de investimentos logísticos. Caso a estrutura não acompanhe esse avanço, gargalos poderão comprometer a fluidez do escoamento e os ganhos dos produtores. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 134,98 (+0,69%)”, completa.
Enquanto isso, a armazenagem ganha destaque com a colheita encerrada no Paraná. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 133,34 (-0,43%). Em Cascavel, o preço foi 118,14 (-0,96%). Em Maringá, o preço foi de R$ 121,66 (-1,45%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 121,13 (-0,93%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$134,70 (+0,33%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 130,00”, indica.
Frete recua após colheita, mas armazenagem segue ponto de atenção em Mato Grosso do Sul. “Apesar da ausência de dados recentes sobre armazenagem, o tema permanece estratégico, especialmente diante da necessidade de escoamento eficiente e proteção dos estoques em um cenário de margens apertadas. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 118,23 (+1,03%), Campo Grande em R$ 118,23 (+1,03%), Maracaju em R$ 118,23 (+0,44%), Chapadão do Sul a R$ 111,34 (-2,08%), Sidrolândia a em R$ 118,23 (+0,44%)”, informa.
Para finalizar, o déficit de armazenagem em Mato Grosso contrasta com a safra recorde e fretes estáveis. “Preços praticados: Campo Verde: R$ 106,77 (-0,14%). Lucas do Rio Verde: R$ 107,87 (-1,08%), Nova Mutum: R$ 107,87 (-0,57%). Primavera do Leste: R$ 106,77 (-0,37%). Rondonópolis: R$ 106,77 (-0,14%). Sorriso: R$ 107,87 (-0,57%)

A onda de frio que atinge o Brasil desde a segunda-feira (23) vai continuar afetando muitos estados nesta quarta-feira (25), de acordo com a análise da Climatempo. Veja como ficam as condições em cada uma das regiões do país, segundo o boletim meteorológico da empresa.
O tempo segue firme na maior parte do dia nos três estados da região Sul, com céu claro e temperaturas reduzidas, devido à presença da massa de ar polar. Há previsão de geada ao longo do dia em toda a região.
À noite, pancadas de chuva retornam à faixa noroeste do Rio Grande do Sul, ao oeste de Santa Catarina e ao sudoeste do Paraná.
Atenção: com mínima prevista de 1 °C em Curitiba e 4 °C em Porto Alegre, pode haver novos recordes de menor mínima do ano. Em Curitiba, a manhã desta terça-feira (24) foi gelada com recorde de 1,2 °C. Na capital gaúcha, até o momento, a menor temperatura é de 5,7 °C no dia 2 de junho.
Na região Sudeste, apenas o litoral norte do Rio de Janeiro e do Espírito Santo terão pancadas isoladas, estimuladas pela circulação mar–continente. Nas demais áreas — especialmente em São Paulo e no sul de Minas —, o céu permanece claro, mas as temperaturas continuam baixas. Há previsão de geada na região central de São Paulo e no sul de Minas Gerais.
Com previsão de 5 °C para a manhã desta quarta-feira (25) a capital paulista pode estabelecer um novo recorde de frio para o ano de 2025: a menor temperatura mínima até o momento, foi de 8,8 °C em Interlagos, no dia 30 de maio.
Na região Centro-Oeste, o tempo permanece firme em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. A manhã será bem fria no sul dos três estados, enquanto o restante da região terá predomínio de ar seco.
Há risco de geada no sul de Mato Grosso do Sul. Já no nordeste de Mato Grosso e norte de Goiás, a umidade relativa pode cair abaixo de 30% nas horas mais quentes.
As pancadas prosseguem entre o litoral da Bahia e o litoral do Rio Grande do Norte, novamente estimuladas pela brisa mar–continente. Destaque para o litoral central da Bahia — incluindo Salvador —, onde há alerta de temporais.
No interior da Bahia, sul do Piauí e sul do Maranhão, o céu fica firme e seco, e a umidade relativa pode cair abaixo de 30% nos horários mais quentes.
Na Região Norte, espera-se chuva moderada a forte no oeste do Acre, centro-norte do Amazonas, norte do Pará, em Roraima e no Amapá, devido ao calor e à umidade característicos da região. Destaque para o oeste do Amazonas e o norte do Amapá, com risco de temporais.
Nas demais áreas, o tempo segue estável, com céu aberto e sem chuva. O dia pode começar um pouco mais frio e com mínima de 16 °C em Rio Branco (AC). O ar polar diminui as temperaturas, causando friagem, também no sul de Rondônia.
Celebrado em meio às festas juninas, o dia de São João, é comemorado nesta terça-feira (24), em que marca o nascimento de São João Batista. De acordo com a igreja católica, o Santo era primo e precursor do caminho de Jesus Cristo. O profeta é lembrado pela sua fé e humildade.
E é também no mês de São João que as festas juninas tomam conta do país. Há música animada, bandeirolas, balões coloridos e, claro, muita comida típica — sendo o milho verde um dos principais protagonistas nos arraiás. Em Capela do Alto, no interior de São Paulo, quem dá o tom dessa temporada é o casal Sandriele e Endrio Simões, produtores e empreendedores rurais.
Juntos comandam ‘Delícias da San’, que tem como carro-chefe a transformação do milho verde em sabor e renda. Entre os produtos estão as pamonhas — com ou sem recheio —, além de bolo, suco, espiga e curau. Mesmo com apenas um alqueire de terra, o casal já colheu 25 toneladas do grão, mas hoje, eles preferem comprar o milho de produtores locais.
“Compensa mais do que plantar: a gente economiza com mão de obra e insumos”, conta Sandrieli, que só neste mês de junho, vendeu mais de 5 mil produtos à base de milho verde. “A expectativa para julho, é vender 7 mil.”


O negócio começou com a mãe de Endrio, que passou os ensinamentos da produção rural para o casal. Mas foi após o falecimento da sogra, que Sandriele entrou de vez no negócio com o marido.
“Com o apoio do Sebrae, a gente conseguiu a formalização e já participamos de três feiras.” Além isso, as vendas seguem firmes com a força das redes sociais, WhatsApp e do tradicional boca a boca.
Enquanto isso, os planos continuam: recentemente, o casal comprou um carrinho de milho. “O projeto agora é adquirir outro, para que eu fique em um e Endrio no outro.”
E para fechar esta conversa, a empreendedora rural resumiu bem o que o milho significa pra ela: “Milho é amor. O que me move é o amor pelo que faço” finaliza Sandriele. Para quem ficou com vontade de experimentar as ‘Delícias da San’, o casal estará na Festa do Balão, em Araçoiaba da Serra, nos dias 4, 5 e 6 de julho.
Já para quem quer aproveitar a celebração de São João e saborear produtos à base milho, há quermesses e festas juninas acontecendo em várias cidades do país — muitas com barracas repletas de comidas típicas desta época do ano, e o milho verde é uma das estrelas.

Após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o encerramento do caso de gripe aviária de alta patogenicidade (H5N1) registrado em uma granja comercial no Brasil, países importadores retomam a compra do frango brasileiro. Entre os mercados, Coreia do Sul, Iraque, Marrocos e Bolívia comunicaram ao governo brasileiro o fim das restrições, segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.
“Aos poucos os mercados estão se reabrindo e o fluxo comercial, sendo retomado. Esse movimento ocorre desde a autodeclaração do Brasil de que novamente está livre da gripe aviária em plantel comercial, na última quarta-feira”, afirmou Rua.
Até então, Iraque, Coreia do Sul e Marrocos mantinham embargo sobre todo o produto brasileiro, enquanto a Bolívia restringia a importação de frango proveniente do Rio Grande do Sul.
“A Coreia do Sul, além de retirar o embargo, concordou com a regionalização do protocolo limitando embargos, em eventuais novos casos, apenas ao Estado onde eventualmente for notificada a doença”, observou Rua.
A lista de mercados para os quais ainda estão suspensas as exportações de carne de frango de todo o território brasileiro caiu de 20 destinos para 17, segundo o levantamento mais recente do Ministério da Agricultura.
Estão pausados temporariamente os embarques de produtos avícolas brasileiros para China, União Europeia, Chile, Filipinas, Peru, Albânia, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Mauritânia, Argentina, Timor Leste, Índia, Sri Lanka, Macedônia do Norte e Paquistão.
A lista inclui as nações que suspenderam as importações de produtos avícolas do Brasil e para os quais o Brasil interrompeu a certificação das exportações conforme prevê o acordo sanitário estabelecido com cada país.
As suspensões temporárias e cautelares de compras de frango brasileiro de todo o território brasileiro, do estado do Rio Grande do Sul, do município de Montenegro ou do raio de 10 km de onde o foco foi detectado estão previstas no protocolo sanitário acordado com o Brasil e os países importadores.
Há, ainda, 17 mercados para os quais estão impedidas as exportações de frango proveniente do Rio Grande do Sul. É o caso da Arábia Saudita, México, Kuwait, Reino Unido, Omã, África do Sul, União EuroAsiática (Rússia, Belarus, Armênia, Quirguistão), Angola, Turquia, Bahrein, Cuba, Montenegro, Namíbia, Casaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão e Ucrânia.
Japão, Emirados Árabes Unidos, Catar e Jordânia suspenderam as compras de carne de frango e derivados do município de Montenegro (RS), onde o foco da doença foi detectado, conforme prevê o protocolo acordado pelos países com o Brasil.
Outros 18 mercados limitaram a suspensão dos embarques para um raio de 10 quilômetros do foco de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP). A expectativa do governo é de que após o encerramento do foco da doença em plantel comercial, mais países importadores flexibilizem as restrições sobre o frango nacional.
O Ministério da Agricultura comunicou cada país importador sobre a retomada do status de livre de gripe aviária em plantel comercial, mas o reconhecimento e autorização da retomada dos embarques depende da autoridade sanitária de cada país.
O governo brasileiro já está negociando com países importadores de produtos avícolas a flexibilização das suspensões das compras de carne de frango e derivados do Brasil. As conversas já estão em andamento a fim de minimizar os impactos do primeiro foco de gripe aviária em plantel comercial no país sobre a balança comercial do agronegócio brasileiro.
Milho
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Apesar da sinalização de cessar-fogo entre Israel e Irã, a entrada dos Estados Unidos no conflito eleva a tensão no Oriente Médio e reacende o alerta global. O envolvimento direto da maior potência militar do mundo transforma um confronto regional em uma crise com potencial de desdobramentos internacionais. A soja brasileira está entre os setores mais expostos, com possíveis reflexos nos preços das commodities e no abastecimento de fertilizantes.
Embora o Oriente Médio não seja um grande produtor agrícola, é altamente dependente da importação de alimentos. Países como Irã, Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes Unidos estão entre os principais destinos das exportações brasileiras de grãos, carnes e farelo de soja.
De acordo com João Alfredo Nyegray, professor de Negócios Internacionais e Geopolítica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), o cenário atual aumenta a aversão ao risco nos mercados, afetando contratos, preços e operações logísticas. “Há um impacto direto na previsibilidade dos embarques e na segurança das rotas comerciais. Com a guerra se internacionalizando, o mercado reage de forma defensiva, e isso respinga nas exportações brasileiras”, afirma.
A pressão logística também se intensifica diante do risco de bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde 20% do petróleo é transportado por via marítima no mundo. Com a presença militar norte-americana na região, o estreito se torna um possível alvo de retaliações. O aumento no preço do petróleo eleva os custos do frete marítimo e afeta o valor dos insumos agrícolas derivados de petróleo, como fertilizantes nitrogenados, defensivos e combustíveis utilizados nas lavouras.
“O Brasil é altamente dependente de fertilizantes importados, e muitos deles vêm do Golfo Pérsico. Se essa logística for interrompida, o impacto será direto no custo de produção da próxima safra”, explica Nyegray.
Além disso, o Irã é um ator relevante tanto como comprador quanto como fornecedor no setor agrícola. O país importa milho, soja e carnes do Brasil, mas também participa da cadeia global de insumos por meio da exportação de ureia e outros fertilizantes. Parte desses produtos chega ao Brasil por meio de reexportações feitas pelos Emirados Árabes Unidos. “Uma guerra prolongada, com bloqueios marítimos ou ataques a navios, compromete a estabilidade das rotas e encarece o transporte. Isso pode atrasar ou até inviabilizar entregas de insumos essenciais à agricultura brasileira”, aponta o professor.
O canal de Suez e o Mar Vermelho também entram na zona de risco, sobretudo se houver intensificação dos ataques dos Houthis, grupo iemenita aliado ao Irã. Uma eventual escalada nessa região pode desorganizar os fluxos logísticos entre o Brasil, Europa e Ásia, afetando não apenas o escoamento da produção, mas também a importação de fertilizantes.
Na frente diplomática, o envolvimento dos Estados Unidos amplia a possibilidade de pressões políticas sobre o Brasil. Como potência agrícola emergente e membro ativo dos BRICS, o país pode ser cobrado a adotar um posicionamento mais claro em fóruns internacionais como ONU e G20. Uma aproximação com os Estados Unidos ou com Israel pode gerar reações negativas entre os países árabes e muçulmanos, que estão entre os principais compradores da carne de frango, soja e derivados produzidos no Brasil.
“O Brasil precisa manter sua tradição de neutralidade ativa. Qualquer gesto mal interpretado pode comprometer contratos bilaterais importantes, principalmente com o mundo islâmico”, alerta Nyegray.
A guerra também lança incertezas sobre a safra 2025/26. A alta nos preços do petróleo e dos fertilizantes, somada à volatilidade cambial, tende a elevar significativamente os custos de produção. Embora os preços da soja possam subir no curto prazo em função da instabilidade global, o aumento nos gastos com insumos pode anular os ganhos. “A insegurança afeta não só a rentabilidade, mas também o planejamento dos produtores. Se houver atraso na chegada de fertilizantes ou encarecimento dos fretes, isso compromete o ciclo produtivo inteiro”, afirma o especialista.
Para Nyegray, o momento exige atenção redobrada por parte dos produtores, cooperativas e empresas do setor. “É preciso reforçar estratégias de hedge, buscar diversificação de mercados e manter interlocução constante com o governo. A diplomacia e a gestão de risco serão decisivas para evitar que o conflito se transforme em uma crise para o agronegócio brasileiro.”