segunda-feira, maio 18, 2026

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MPF faz acordo com Starlink para combater uso de internet por garimpo ilegal na Amazônia



O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas fechou um termo de compromisso com a Starlink, empresa de internet via satélite do bilionário Elon Musk, para prevenir e coibir o uso indevido de terminais de usuários da companhia para atividades ilícitas, em especial em áreas de garimpo ilegal na Amazônia.

A Procuradoria classificou o acordo como “pioneiro”, destacando que trata-se do primeiro acordo formal da empresa com autoridades brasileiras.

De acordo com o órgão, o documento estabelece “medidas concretas de rastreabilidade, controle e bloqueio de usuários que utilizam o serviço da empresa para viabilizar atividades criminosas em áreas sensíveis da floresta, especialmente em terras indígenas e unidades de conservação”.

A partir de janeiro de 2026, a empresa terá que exigir uma série de informações e documentos de usuários registrados nos estados da Amazônia Legal – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão. A apresentação dos dados de identificação é uma “condição inarredável para a aquisição e reativação de terminais”.

A empresa também se comprometeu a transferir a titularidade dos terminais apreendidos em operações de combate ao garimpo ilegal para os órgãos públicos, de forma desburocratizada.

O termo também prevê que, após requisição da Procuradoria ou da Polícia Federal, a Starlink forneça dados cadastrais e de geolocalização de terminais detectados em áreas de interesse investigativo.

A companhia também se comprometeu, após ser instada pelas autoridades, a bloquear imediatamente ou encerrar o “contrato do usuário identificado por CPF, que tenha sido investigado e apurado estar utilizando os serviços da Starlink para prática de garimpo ilegal”.

O acordo tem validade inicial de dois anos e pode ser prorrogado. Quem assina o documento é a advogada da Starlink Patricia Helena Marta Martins e o procurador André Porreca, titular do 2º Ofício da Amazônia Ocidental do MPF – especializado no enfrentamento à mineração e ao garimpo ilegal nos estados do Amazonas, do Acre, de Rondônia e de Roraima.

No termo de compromisso, a Procuradoria destaca que a “Amazônia tem sido devastada por garimpo ilegal cada vez mais sofisticado, cuja logística se tornou exponencialmente mais eficiente com a popularização de várias tecnologias, incluindo as que permitem conexão à internet em localidades remotas”. Segundo Porreca, a partir do acordo fechado com a Starlink, “a conectividade em áreas remotas passa a ser também instrumento de responsabilidade ambiental e respeito à soberania”.

O termo é derivado de um inquérito civil que será arquivado a partir do cumprimento dos compromissos estabelecidos pelo Ministério Público Federal.



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Safra global de grãos terá alta em 2025/26 puxada pelo milho



O Conselho Internacional de Grãos (IGC) elevou sua projeção para a produção mundial de grãos em 2025/26 para 2,377 bilhões de toneladas, crescimento de 3% sobre o ciclo 2024/25 e alta de 2 milhões de toneladas ante o relatório divulgado no mês passado.

O volume marca uma recuperação significativa após o período de contração em 2024/25, com impulso principalmente do milho.

O consumo global foi ajustado para 2,373 bilhões de toneladas, alta mensal de 1 milhão de toneladas, devido ao crescimento nas demandas para alimentação, ração e uso industrial. Os estoques finais foram projetados em 586 milhões de toneladas, acréscimo de 1 milhão de toneladas sobre a previsão passada.

As reservas mundiais devem crescer pelo segundo ano consecutivo, apesar da nova queda nos estoques de trigo, refletindo o aumento da produção e o leve crescimento dos estoques de milho nos Estados Unidos.

O comércio internacional de grãos em 2025/26 deve alcançar 430 milhões de toneladas, alta de 2% ante 2024/25, impulsionado principalmente por maiores embarques de trigo.

A projeção para a produção global de soja em 2025/26 foi mantida em 428 milhões de toneladas, com aumento anual de 1% e novo recorde, impulsionado por maiores colheitas na América do Sul. O consumo foi mantido em 427 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais subiram 1 milhão de toneladas no comparativo mensal, para 83 milhões de toneladas.

Apesar da leve queda prevista nas reservas totais, os principais exportadores podem acumular volumes próximos ao maior nível em sete anos. O comércio global deve crescer ligeiramente, para o recorde de 183 milhões de toneladas.

A estimativa para a produção mundial de arroz em 2025/26 foi elevada em 3 milhões de toneladas ante o mês anterior, para 544 milhões de toneladas, impulsionada por ganhos na Índia e nos cinco maiores produtores. O consumo deve subir 1%, e os estoques globais cresceram 5 milhões de toneladas na comparação mensal, com destaque para o avanço das reservas indianas, que se aproximam de 50 milhões de toneladas. As exportações seguem projetadas no pico de 60 milhões de toneladas.

A produção de lentilhas deve avançar 2% em 2025/26, após forte crescimento no ano anterior. A ampliação da oferta pode sustentar aumentos no consumo e nos estoques. O comércio global em 2025 foi reduzido em 4%, para 4,7 milhões de toneladas, refletindo a menor demanda da Índia. A previsão para 2026 é de estabilidade nesse patamar.

Safra 2024/25

Para a temporada 2024/25, o IGC elevou em 3 milhões de toneladas a estimativa de produção global de grãos, para 2,313 bilhões de toneladas, devido exclusivamente à revisão para cima do milho. Apesar da alta, o volume permanece inferior ao de 2023/24, de 2,319 bilhões de toneladas.

O consumo foi ajustado para 2,328 bilhões de toneladas e os estoques subiram para 582 milhões de toneladas, o que ainda representa queda de 24 milhões de toneladas no comparativo anual.

A projeção de comércio foi elevada em 5 milhões de toneladas, para 423 milhões de toneladas, com foco no trigo. Segundo o conselho, a oferta total de grãos continua apertada, com estoques globais estimados no menor patamar em dez anos.

O milho deve encerrar 2024/25 com 276 milhões de toneladas estocadas, 19 milhões de toneladas abaixo do registrado no ciclo anterior. Para o trigo, os estoques foram ajustados para 268 milhões de toneladas, com produção estimada em 798 milhões de toneladas e consumo em 802 milhões de toneladas.

O IGC também atualizou seu índice global de preços de grãos e oleaginosas (GOI), que caiu 2% em junho. O recuo foi puxado pelas cotações de milho, com queda de 7%; arroz, com baixa de 3%; e cevada, diante de oferta robusta e fraca demanda global.

O subíndice do trigo também caiu 2% com a pressão da colheita no Hemisfério Norte. Já o índice da soja ficou estável, com variações mistas entre as principais origens.



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Governador do RS pede que população deixe áreas de risco 



A previsão de meteorologistas de que pode chover, em partes do Rio Grande do Sul, nas próximas 12 horas, o equivalente ao volume esperado para todo um mês, levou o governador Eduardo Leite a fazer novo alerta para que as pessoas deixem as áreas de risco e procurem abrigo em locais seguros.

“Estamos pedindo: saiam das áreas de risco. É por apenas uma noite. Amanhã [29] à tarde, esperamos ter uma volta à normalidade”, declarou Leite, assegurando que, com o apoio do governo estadual, as prefeituras montaram e adequaram abrigos para receber as pessoas que não tiverem para onde ir.

Segundo o governador, em algumas regiões, como as da Serra e dos Vales, são esperados entre 100 milímetros e 130 milímetros de chuva em apenas 12 horas, a partir do fim da tarde de hoje (28).

“É muita chuva. É a chuva de um mês inteiro em apenas 12 horas, o que gera muitos riscos”, comentou Leite, destacando que, em virtude das chuvas das últimas semanas, o solo já se encontra encharcado, o que aumenta o risco de deslizamentos. Além disso, com a volta de precipitações intensas, rios como o Jacuí tendem a transbordar, provocando alagamentos.

“Cento e trinta milímetros em 12 horas pode parecer menos do que já enfrentamos, mas sobre um solo já encharcado, é um fator crítico. Isso gera saturação e pode provocar a movimentação de massa [solo], o que é nossa maior preocupação, mais do que com as inundações”, continuou Leite, que na manhã de hoje visitou as cidades de Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul e Lajeado, na região da Serra, onde coordenou reunião com representantes municipais e de órgãos de defesa estaduais.

A jornalistas, Leite garantiu que, no momento, o trabalho das equipes estaduais e municipais está focado em ações preventivas. O governador também assegurou que, após a tragédia das chuvas de maio de 2024, o poder público está mais bem equipado e preparado para lidar com as consequências de situações climáticas extremas.

“O foco da nossa atuação, agora, é remover as famílias de situações de risco, das beiras de rios, de encostas, evitar a circulação em rodovias que poderão ser atingidas, mas precisamos muito da colaboração das pessoas”, finalizou Leite, pedindo que as pessoas procurem se manter informadas da situação em suas cidades por meio das redes sociais oficiais dos órgãos estaduais e municipais.

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festival vai até amanhã com bois Caprichoso e Garantido


Continua até este domingo (29) o 58º Festival Folclórico de Parintins, no Bumbódromo do município do interior do Amazonas, a 370 quilômetros de Manaus. O evento começou na sexta-feira (27) e é considerado um dos maiores do Brasil.

A festa se baseia na tradição dos dois bois-bumbás Caprichoso e Garantido, que são as atrações principais do festival, apresentando elementos como música, ritual e o emblemático auto do boi. O festival é marcado por intensa rivalidade, mobilizando as torcidas.

Na arena do Bumbódromo, com capacidade para 35 mil espectadores, os bois apresentarão seus espetáculos. O Boi Garantido (vermelho e branco) defenderá o tema “Boi do Povo, Boi do Povão”, que pretende levar à arena, dividido em subtemas, uma celebração da resistência, ancestralidade e da força de seus povos. O Caprichoso (azul e branco) virá com o tema “É Tempo de Retomada”, celebrando a ancestralidade e a força do povo da Amazônia. A identidade visual traz a imagem de uma mulher indígena grávida segurando uma criança, símbolo de renovação e esperança.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Considerado Patrimônio Cultural do Brasil, o evento conta com o apoio do Ministério do Turismo, que anunciou investimento de R$ 10 milhões para a realização do festival, sendo R$ 5 milhões destinados a cada boi. A expectativa para 2025 é de que o festival atraia cerca de 130 mil pessoas para a ilha. O número supera o do ano anterior, quando o evento atraiu aproximadamente 120 mil turistas e injetou mais de R$ 180 milhões na economia local, representando crescimento de 23% em relação a 2023.

“O festival é um patrimônio cultural do nosso país e tem um potencial imenso de gerar emprego e renda por meio da economia criativa. Estamos investindo para que seja uma das maiores edições da história, fortalecendo não só a cultura, mas toda a cadeia produtiva que o evento movimenta”, destacou o ministro do Turismo, Celso Sabino.

Para receber o grande volume de visitantes, a cidade se preparou com uma série de melhorias e novas estruturas, como o Turistódromo, um centro de atendimento ao turista inaugurado na Praça da Catedral, que oferece informações, experiências interativas e uma feira de economia criativa. A conectividade aérea também foi reforçada, com a companhia Azul programando 196 voos extras para Parintins durante o período do festival, para atender à alta demanda.

Palcos

Parintins está ornamentada de azul e vermelho e oito palcos alternativos foram montados para dar espaço a diversas atrações a fim de animar a festividade.

“Serão diversas atrações, incluindo DJs e bandas locais, com a expectativa de oferecer muita diversão tanto para moradores quanto para turistas. A população é convidada a participar das festividades de forma responsável, e a administração do prefeito está empenhada em garantir uma boa experiência durante os três dias de festa”, destacou o assistente técnico de cultura e um dos organizadores dos palcos alternativos, Mário Pinheiro.

Programação

O primeiro palco está localizado no “Chapão”, na orla da cidade, que ao comando de Robson e Abdias prometem embalar as multidões. O segundo é no Mercado Municipal, na Rua Leopoldo Neves, que tem como apresentador Ricardo Marinho, com diversas atrações e nos intervalos o DJ Marcinho Lira.

O terceiro palco, no coreto da Praça Eduardo Ribeiro, é comandando por José Augusto, que inicia as apresentações a partir das 17h. O quarto palco é no famoso “Comunas”, na orla da cidade, e tem como apresentador Neto Santana, anunciando diversas bandas, como Canto da Mata e Balanço da Toada.

O “Canoeiros”, na orla da cidade, é o quinto palco alternativo. Fica de frente para o Rio Amazonas e o locutor Correia Neto Pimentel é quem guia as atrações. O sexto palco é no Mercado da Baixa, na orla da cidade, sob o comando de Raimundo Azevedo, que promete animar a Baixa da Xanda.

O sétimo palco é o Mercado Luiz Gonzaga, reinaugurado recentemente que traz a história, cultura e tradição, tornando-se um dos pontos turísticos mais visitados no mês de junho. Quem comanda a festa é apresentador Walter Lobato. Por fim, o oitavo e palco alternativo é no balneário Cantagalo, na comunidade do Aninga.



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Defesa Civil pede a desalojados que não voltem às suas casas


previsão de que chuvas fortes voltem a atingir parte do Rio Grande do Sul neste fim de semana motivou a Defesa Civil de Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, a pedir às pessoas desalojadas pelas chuvas das últimas semanas que não retornem a suas casas nos próximos dias.

“Por segurança, achamos prudente pedir para as pessoas permanecerem onde estão”, disse o secretário municipal da Reconstrução, Resiliência Climática e Defesa Civil, Mário Rocha, explicando que o nível dos rios que banham a cidade vinha baixando pouco a pouco nos últimos dias, mas como a chuva voltou a atingir regiões mais altas do estado, o volume de água que chega a Eldorado do Sul e ao Lago Guaíba começará a aumentar já a partir da tarde deste sábado (28).

“Desde ontem, voltou a chover em algumas regiões, como na Serra Gaúcha, a cerca de 100 quilômetros daqui. E a chuva sobre as áreas onde estão as cabeceiras de rios como o Taquari e o Jacuí [principal afluente do Lago Guaíba] acaba por nos afetar em Eldorado do Sul”, acrescentou o secretário, estimando que, na cidade, o “pico” da cheia dos cursos d´água deve ocorrer entre segunda (30) e terça-feira (1º).

“Os meteorologistas projetam um pouco mais de chuva do que as dos últimos dias. Com isso, o nível do Guaíba deve atingir uma cota maior. Se as pessoas retornarem às áreas de risco sabendo que o rio vai transbordar e causar uma situação igual ou pior à anterior, estarão não só se colocando em risco, como ameaçando atrapalhar toda a operação que montamos para garantir a integridade da população”, comentou Rocha, garantindo que toda a equipe municipal está de prontidão.

O novo alerta da Defesa Civil se aplica principalmente aos moradores de 11 bairros: Assentamento Irga; Chácara; Vila da Paz; Cidade Verde; Itaí; Sol Nascente; San Souci; Centro; Medianeira; Loteamento Popular e Picada. “Quem está fora, fique fora. Aguardem o resultado das próximas chuvas para avaliarmos a situação”, reforçou o secretário.

Até esta manhã, as chuvas que começaram no último dia 17 e só pararam no meio desta semana deixaram 5.361 pessoas desalojadas (ou seja, que tiveram que deixar suas residências e se alojar na casa de parentes, amigos, hotéis ou pensões) e 345 desabrigadas (quem teve que ir para o abrigo municipal).

“Desde o último dia 17, nos preparamos para um longo período de chuvas, o que acabou se confirmando. Todos os cenários apontam para [a hipótese de] um grande volume de chuvas [concentrado] em um pequeno espaço de tempo, mas nada comparável ao cenário de maio de 2024”, concluiu Rocha.



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AgroNewsPolítica & Agro

Soja recua em Chicago com clima favorável nos EUA



A pressão baixista decorre de um cenário climático positivo no Meio-Oeste dos EUA



A pressão baixista decorre de um cenário climático positivo no Meio-Oeste dos EUA
A pressão baixista decorre de um cenário climático positivo no Meio-Oeste dos EUA – Foto: Bing

Os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago encerraram o pregão desta quinta-feira (26) em baixa, pressionados por boas condições climáticas nas lavouras norte-americanas e pela ausência de grandes compradores no mercado internacional, segundo a TF Agroeconômica. O contrato de julho, referência para a safra brasileira, caiu 0,24%, fechando a US\$ 1.022,75/bushel. Já o contrato de agosto recuou 0,17%, a US\$ 1.027,75/bushel. O farelo de soja para julho caiu 1,85%, a US\$ 270,9/ton curta, enquanto o óleo de soja subiu 1,35%, cotado a US\$ 52,52/libra-peso.

A pressão baixista decorre de um cenário climático positivo no Meio-Oeste dos EUA, com previsões de chuvas acima da média para os próximos 6 a 14 dias, favorecendo o desenvolvimento da safra 2024/2025. Ao mesmo tempo, a demanda global continua enfraquecida. A China (principal compradora mundial) ainda não realizou compras significativas da nova safra americana. Em um movimento pontual, o país asiático fez uma compra-teste de 30 mil toneladas de farelo de soja da Argentina, o primeiro negócio do tipo desde 2019.

O relatório semanal do USDA reforçou o tom neutro do mercado, com vendas de soja 2024/2025 totalizando 402,9 mil toneladas — abaixo das 539,5 mil da semana anterior, mas dentro do intervalo esperado pelos analistas (200 mil a 600 mil toneladas). Para a safra 2025/2026, foram registradas 156,2 mil toneladas, acima da semana anterior e da expectativa de 0 a 150 mil toneladas. A ausência da China, o ritmo moderado das exportações brasileiras e a continuidade de boas condições climáticas nos EUA mantêm a pressão sobre os preços, que já acumulam cinco sessões consecutivas de queda.

 





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Demanda da China por gelatina coloca jumentos em risco de extinção


Animais associados ao sertão brasileiro, os jumentos (Equus asinus) têm uma longa história de relação com os seres humanos. Sua domesticação ocorreu há cerca de 7 mil anos e, desde então, eles têm sido usados para auxiliar o trabalho humano. A tradição cristã, inclusive, atribui ao jumento o papel de carregar Jesus Cristo, em sua entrada triunfal em Jerusalém, uma semana antes de sua crucificação.

A relação entre homens e essa espécie de equino, congênere dos cavalos, fez sua população chegar a milhões, distribuída por vários países, inclusive o Brasil.

costume chinês de consumir uma gelatina medicinal chamada eijao – remédio preparado com a pele dos jumentos – representa ameaça à existência desses animais, uma vez que a demanda pelo produto tem crescido ano após ano.

Especialistas estão reunidos em Maceió para debater formas de preservar os animais. Um dos alertas do 3º Workshop Jumentos do Brasil, que termina neste sábado (28), é o grande risco de extinção da espécie no país nos próximos anos.

Segundo a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, de 1996 a 2025, o Brasil perdeu 94% de seu rebanho de asininos, que são os burros, bestas e jumentos.

A preocupação não é nova. Em 2021, um estudo publicado na Revista Brasileira de Pesquisa Veterinária e Ciência Animal, da Universidade de São Paulo (USP), alertou que o Brasil não tem fazendas de reprodução de jumentos e que, no atual ritmo de abate, a população local entraria em extinção.

Em 2024, um relatório da The Donkey Sanctuary, organização internacional voltada à proteção desses animais, mostrou que a demanda por pele de jumentos cresceu 160% de 2016 a 2021. Em 2021, para atender à demanda pelo ejiao, o remédio, foi necessário o abate de 5,6 milhões de indivíduos

estimativa é que a demanda continue crescendo e que, em 2027, serão abatidos 6,8 milhões de jumentos. O comércio, segundo a Donkey Sanctuary, ameaça não apenas o rebanho no Brasil, mas em todo o mundo.

“A situação do Brasil e do mundo em relação ao jumento é assustadora”, resumiu o professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da USP Adroaldo Zanella, durante o evento de Maceió. “É uma questão que provoca preocupações no mundo inteiro.”

Danos à saúde do animal

Estudo publicado em março deste ano por pesquisadores brasileiros, no periódico Animals, constatou que o abate para atender à demanda chinesa não só coloca em risco a existência dos jumentos no Brasil como também apresenta situação de prejuízo ao bem-estar destes animais.

O estudo concluiu que não existe uma cadeia de produção de jumentos no Brasil e que a atividade de criação e abate é dominada pelo abuso dos animais. Estudo feito com mais de 100 asininos constatou que eles apresentam sinais de abandono, má-nutrição e maus tratos.

A organização The Donkey Sanctuary alerta que o manejo e abate geralmente são feitos sem regulamentação ou com pouca preocupação sanitária.

“Todas as vezes que animais são transportados dentro e através de fronteiras nacionais, existe um risco de que esses animais levarão, e consequentemente, espalharão, doenças que são danosas aos humanos (zoonoses) e aos animais”, informa o relatório da Donkey Sanctuary.

Impacto social

Especialistas apontam que o fim da espécie trará impactos sociais, principalmente para famílias de agricultores familiares que dependem do animal nas plantações. 

“[Os jumentos] Atuam em locais de difícil acesso, como lavouras de cacau em pequenas propriedades, mas além de sua função econômica, têm ainda outros potenciais. São, ainda, excelentes animais de criação para companhia, pois, embora sejam grandes, são muito dóceis e inteligentes”, destaca a médica-veterinária Patrícia Tatemoto, que coordena a campanha da The Donkey Sanctuary no Brasil.

Ela acrescenta que a gestação dos jumentos dura 12 meses e o tempo de maturação para o abate em torno de 3 anos, o que eleva os custos para criação em fazendas.

Uma das alternativas para substituir o colágeno medicinal originário da pele do jumento é fabricá-lo em laboratório, a partir de culturas celulares. No entanto, o desenvolvimento ainda está restrito a grandes companhias. 

“Estudos já apontam alternativas tecnológicas promissoras, como a fermentação de precisão, capaz de produzir colágeno em laboratório sem a necessidade de exploração animal. Investir nessas inovações é essencial para proteger a espécie e promover práticas mais sustentáveis, inclusive sob a perspectiva socioeconômica”, relata o engenheiro agrônomo e doutor em Economia Aplicada da USP, Roberto Arruda, em nota.

Países como Quênia, Nigéria e Tanzânia adotaram medidas restritivas ao abate dos jumentos. No Brasil, dois projetos de lei tramitam para proibir a matança da espécie para comércio de carne: um na Câmara dos Deputados e outro na Assembleia Legislativa da Bahia.

Uma campanha na internet pede o fim do abate do animal. 



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como a pecuária de cria no Acre pode evoluir?



Diagnóstico realizado pela Embrapa em fazendas de cria do Acre revelou que 82% dos produtores são de base familiar e 71% praticam a criação de bezerros com baixa adoção de tecnologias. A ausência de infraestrutura adequada nessas propriedades está entre os principais fatores que dificultam a modernização dos sistemas de produção.

Entre as potencialidades da atividade, o estudo revelou que 75,4% das propriedades apresentam pastagem com boa qualidade, resultado do investimento em reforma de pastagens com adoção de gramíneas adaptadas à região. O uso dessas tecnologias contribui para garantir pastagens produtivas e duradouras, reduzem custos com novas reformas e evitam a abertura de novas áreas.

A pecuária de corte responde por 60% do valor bruto da produção agropecuária do Acre e a criação de bezerros é a base para obtenção de animais com características desejáveis para a produção de carne de qualidade.

A atividade gera trabalho e renda para mais de 10 mil produtores rurais do estado, que fornecem bezerros desmamados para propriedades de recria e engorda do Acre e outras regiões do país.

Para conhecer as potencialidades e fragilidades dessa atividade, pesquisadores da Embrapa percorreram 246 fazendas de cria, em 12 municípios. Os resultados confirmam o potencial da criação de bezerros e revelam carências típicas da pequena produção.

Faltam informações sobre tecnologias disponíveis

O diagnóstico confirmou que a pecuária de cria é menos desenvolvida que os outros elos da cadeia pecuária. A carência tecnológica está relacionada principalmente ao tamanho da fazenda, que define o perfil econômico da propriedade, grau de escolaridade dos produtores e falta de informações para os criadores sobre as tecnologias já disponibilizadas.

Entre as tecnologias pouco difundidas está o consórcio de gramíneas com leguminosas. O amendoim forrageiro, principal leguminosa recomendada, lançado pela pesquisa há mais de duas décadas, está presente em apenas 6% das fazendas de cria.

O estudo também mostrou que os protocolos de controle das principais plantas daninhas das pastagens, recomendados pela pesquisa, não estão bem difundidos entre os produtores.

Outra tecnologia ainda pouco conhecida é o plantio direto de forrageiras a lanço, pensado principalmente para pequenos produtores, por possibilitar a reforma de pastagens sem uso de tratores e com menor impacto ambiental. A técnica já é utilizada por grandes e médios pecuaristas, mas é pouco adotada por pequenos produtores.

Internet está presente em 71% das fazendas

O estudo revelou que 71% dos produtores têm acesso à internet por meio de smartfones e resolvem boa parte de suas demandas sem precisar se deslocar até a cidade. Esse canal de comunicação pode dar suporte às ações para disseminação de informações sobre as tecnologias disponíveis para modernizar a atividade.

Para o professor da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA), Vitor Macedo, como a internet é uma realidade inclusive entre pequenos produtores é importante estimular a criação de redes locais de troca de conhecimento. Segundo ele, isso facilitaria a interação entre produtores mais tecnificados, iniciantes e técnicos da extensão rural.

“Outro ponto crucial é focar no compartilhamento de “tecnologias de entrada”, que exigem baixo investimento e têm efeito direto na produtividade, como a organização de calendário reprodutivo para a estação de monta, técnicas de identificação e separação das categorias de rebanho, vermifugação estratégica e práticas de manejo de pastagem”, destaca.

Pastagens com baixa degradação

O Acre possui, atualmente, o menor índice de degradação de pastagens entre os estados da região Norte, além de contar com pastos bem diversificados.

De acordo com o estudo, apenas 24,6% das pastagens das fazendas de cria investigadas necessitam de renovação e em 73% dessas propriedades os produtores investem na diversificação de pastagens com plantio de pelo menos três tipos de gramíneas.

A pesquisa também revelou que a taxa de lotação média utilizada pelas fazendas de cria, de 2,49 cabeças por hectare, é 27,7% maior do que a média do estado. Isso indica que pelo menos um terço das fazendas apresentam excesso de gado, prática que ocasiona superpastejo e compromete o desempenho dos animais.

Andrade explica que o superpastejo é um dos principais fatores de degradação de pastagem no Brasil. O problema, recorrente em muitas fazendas de cria no Acre, em especial naquelas de pequeno porte.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Monitoramento da cerca elétrica evita prejuízos e protege o rebanho


Na pecuária moderna, falhas na cerca elétrica não podem mais comprometer o manejo e a segurança dos animais. O 11º episódio da série Mitos & Verdades: Cerca Elétrica, exibido no programa Giro do Boi, mostrou como o monitoramento constante da voltagem evita prejuízos silenciosos e melhora a eficiência na gestão do rebanho. Assista ao vídeo abaixo e confira.

Apresentado pelo médico-veterinário Ernesto Coser, o episódio destacou soluções acessíveis que permitem ao produtor antecipar falhas, corrigir problemas rapidamente e manter o choque funcionando o tempo todo — sem depender de deslocamentos longos até os piquetes.

Prevenir é economizar: monitoramento reduz perdas no pasto

Monitor digital de cerca elétrica. Foto: Divulgação/Tru-Test Datamars
Monitor digital de cerca elétrica. Foto: Divulgação/Tru-Test Datamars

Segundo Coser, quando a voltagem da cerca cai sem aviso, o risco é alto: o gado pode quebrar a cerca, invadir lavouras ou comprometer todo o planejamento reprodutivo, inclusive o cronograma da IATF.

Soluções simples já fazem diferença: instalar o eletrificador próximo à sede e fazer o perímetro da cerca voltar ao ponto de origem facilita o controle.

“Assim, o produtor não precisa ir até o fim da fazenda pra medir o choque”, explica Coser.

Tecnologia na palma da mão: controle por visor, controle remoto e app

O uso de visores digitais permite checar a voltagem todos os dias. Em caso de falhas, controles remotos inteligentes apontam o local exato da perda e o sentido da fuga de energia, permitindo correções rápidas.

Mais que isso, já existem eletrificadores com Wi-Fi, conectados a aplicativos de celular. Com eles, o pecuarista pode:

  • Monitorar a voltagem em tempo real
  • Ajustar a potência remotamente
  • Programar alarmes de baixa voltagem
  • Distribuir tarefas entre os funcionários da fazenda

Essas ferramentas tornam a gestão mais eficiente, evitam retrabalho e impedem prejuízos muitas vezes imperceptíveis.

Monitoramento por setor e histórico de falhas: mais controle, mais segurança

Esquema de leitura do monitoramento digital de cercas elétricas. Medidor de voltagem de cercas elétricas. Foto: Reprodução/Tru-Test Datamars
Esquema de leitura do monitoramento digital de cercas elétricas. Medidor de voltagem de cercas elétricas. Foto: Reprodução/Tru-Test Datamars

Soluções como o Fency Monitoring permitem leitura setorizada da voltagem, com sensores instalados em diferentes pontos da propriedade conectados a uma central inteligente. O sistema fornece:

  • Voltagem exata por piquete
  • Histórico de oscilações elétricas
  • Tempo de resposta da equipe de manutenção

Esses dados permitem ajustes precisos, reforço em áreas críticas e maior segurança no manejo rotacionado.

Dominar a cerca elétrica é dominar o pasto

Medidor de voltagem de cercas elétricas. Monitor digital de cerca elétrica. Foto: Divulgação/Tru-Test Datamars
Medidor de voltagem de cercas elétricas. Monitor digital de cerca elétrica. Foto: Divulgação/Tru-Test Datamars

Com o monitoramento eficiente, o produtor ganha confiança no sistema, o que permite usar cercas mais leves, com menos fios e postes, economizando na instalação e piqueteando mais áreas.

Como resume Ernesto Coser:
“Quem domina a cerca elétrica tá proibido de perder pasto.”



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AgroNewsPolítica & Agro

Soja ainda impactada pela logística


No mercado da soja do estado do Rio Grande do Sul, a precificação mudou para o julho, e os preços foram de R$ 137,00 para 30/07 (entregas de 15/07 a 30/07), segundo informações da TF Agroeconômica. “Melhores preços estão para o agosto, que marcou R$ 140,00 entrega agosto cheio e pagamento em 29/08. No interior os preços de fábricas seguiram o balizamento de cada praça. R$ 132,00 Cruz Alta – Pgto. 15/08 – para fábrica R$ 132,00 Passo Fundo – Pgto. agosto R$ 132,00 Ijuí – Pgto. 15/08 – para fábrica R$ 132,00 Santa Rosa / São Luiz – Pgto. 15/08 Preços de pedra em Panambi caíram para R$ 119,00 a saca ao produtor”, comenta.

A safra de soja está finalizada em Santa Catarina, mas a comercialização segue lenta, pressionada por prêmios e cotações em queda. Com a cevada ganhando destaque na safra de inverno, cresce a preocupação com a logística e a armazenagem. No porto de São Francisco, a soja foi cotada a R$ 134,71 (-0,57%).

Paraná fecha safra de soja com foco no planejamento da próxima temporada. “Em Paranaguá, o preço chegou a R$ 133,35 (+0,28%). Em Cascavel, o preço foi 117,95 (-0,99%). Em Maringá, o preço foi de R$ 120,92 (+0,24%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 122,04 (+1,11%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$134,71 (+0,21%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 130,00”, completa.

Logística instável desafia comercialização no Mato Grosso do Sul. “O bom desempenho da safra no campo traz, portanto, desafios logísticos relevantes. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 118,24 (-0,05%), Campo Grande em R$ 118,24 (-0,05%), Maracaju em R$ 118,24 (-0,05%), Chapadão do Sul a R$ 109,77 (-0,16%), Sidrolândia a em R$ 118,24 (-0,05%)”, indica.

Superprodução pressiona armazenagem e logística em Mato Grosso. “Campo Verde: R$ 113,09 (+0,34%). Lucas do Rio Verde: R$ 108,82 (+1,54%), Nova Mutum: R$ 108,82 (+1,54%). Primavera do Leste: R$ 113,09 (+0,34%). Rondonópolis: R$ 113,09 (+0,34%). Sorriso: R$ 108,82 (+1,54%)”, conclui.

 





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