segunda-feira, maio 18, 2026

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Argentina anuncia volta das retenciones



A medida tem forte impacto regional



A medida tem forte impacto regional
A medida tem forte impacto regional – Foto: Pixabay

O governo da Argentina anunciou o fim do alívio temporário nas alíquotas de exportação para produtos-chave do agronegócio, retomando o aumento das chamadas “retenciones” para soja e milho a partir de 1º de julho. A decisão, publicada no Boletín Oficial por meio do decreto 439/2025, foi mal recebida pelas entidades do setor, que alertam para o impacto negativo sobre a competitividade e o planejamento das próximas safras.

De acordo com o novo decreto, a alíquota sobre a exportação da soja voltará a 33% (antes estava em 26%), enquanto milho e sorgo passarão de 9,5% para 12%. O girassol, por sua vez, voltará a tributar 7% após cinco meses com tarifa reduzida de 5,5%. Por outro lado, o governo de Javier Milei decidiu manter a redução para o trigo e a cevada, que seguirão com alíquota de 9,5% até março de 2026, desde que os exportadores ingressem 90% das divisas ao país em até 30 dias úteis após a venda externa.

A medida tem forte impacto regional e ocorre às vésperas da tradicional feira agropecuária de Palermo, em Buenos Aires, onde há expectativa de participação do presidente Milei. Ela também é acompanhada de críticas do setor rural, que vinha se beneficiando da redução temporária para acelerar embarques. Desde janeiro, foram registradas exportações de quase 44 milhões de toneladas de milho e derivados da soja, movimentando cerca de US$ 5 bilhões, o que representa um fôlego importante para a economia argentina.

Para o Brasil, maior concorrente da Argentina na exportação de milho e derivados de soja, o restabelecimento das alíquotas pode representar ganho de competitividade no mercado internacional, especialmente na disputa por mercados como China, União Europeia e norte da África. No entanto, o trigo argentino ainda deve manter presença significativa na Região Sul do Brasil, já que as alíquotas reduzidas e o avanço do plantio, com mais de 70% da área estimada já semeada, favorecem a continuidade das exportações ao mercado brasileiro.

 





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EUA ficam fora das vendas de soja para a China


Segundo análise divulgada na quinta-feira (26) pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), os preços da soja no Brasil seguem pressionados para baixo. O cenário é influenciado pela combinação de câmbio elevado — que se mantém entre R$ 5,50 e R$ 5,55 por dólar —, estabilidade nos prêmios e queda nas cotações da Bolsa de Chicago.

No Rio Grande do Sul, a média estadual indica R$ 122,18 por saca. No entanto, as principais praças locais já voltaram a operar com valores próximos de R$ 119,00. Em outras regiões do país, as cotações oscilaram entre R$ 107,00 e R$ 121,00 por saca. Um ano antes, os preços variavam entre R$ 117,00 e R$ 129,00. A Ceema destaca que, desconsiderando a inflação acumulada de 5,3% nos últimos 12 meses, a perda real é ainda mais significativa.

Em relação às exportações, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estima que o Brasil deve embarcar 15 milhões de toneladas de soja em junho, o que representa um crescimento de 1,2 milhão de toneladas em comparação com o mesmo mês de 2024. Por outro lado, as exportações de farelo de soja devem somar 1,92 milhão de toneladas, abaixo das 2,05 milhões registradas no mesmo período do ano anterior.

A expressiva oferta brasileira impacta diretamente a competitividade dos Estados Unidos no mercado internacional. “Na semana passada, dos 26 navios de soja negociados com destino à China, todos foram carregados com produto do Brasil e da Argentina”, informou a Ceema. A consultoria acrescenta: “No ano passado, 14 navios dos EUA seguiram para a China no mês de junho. Neste ano, nenhum”.

De acordo com a Agrinvest Commodities, a Argentina já exportou 4,8 milhões de toneladas de soja no atual ano comercial, mantendo uma postura agressiva de mercado, com descontos de 40 a 45 centavos de dólar por bushel. “O Brasil também segue muito competitivo, pois enquanto as tarifas de 10% sobre a soja americana continuarem, a China não teria outra opção a não ser continuar comprando do Brasil e Argentina”, conclui a consultoria.





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Governo assina acordo para acelerar regularização fundiária de 1,9 milhão de hectares


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, assinaram nesta última sexta-feira (27) um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que vai permitir atuação conjunta para acelerar a regularização fundiária de 1,9 milhão de hectares – o equivalente a cerca de 7% do território do estado que atualmente pertence à União.

“A iniciativa integrará sistemas de gestão e agilizará a titulação de terras públicas rurais e urbanas, envolvendo os Ministérios da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto de Terras do Tocantins (Itertins)”, informou o Palácio do Planalto.

A cerimônia, no município de Araguatins (TO), incluiu ainda a entrega de sete novos assentamentos com capacidade para beneficiar 896 famílias; de 169 títulos de regularização fundiária em terras públicas federais para agricultores familiares; e de 17 títulos de propriedade para assentados da reforma agrária.

Projetos de assentamento

presidente Lula regularização fundiária Tocantinspresidente Lula regularização fundiária Tocantins
Foto: Cláudio Kbene/PR

Os sete Projetos de Assentamento (PAs) abrangem as seguintes áreas:

  • PA Taboca II (930 hectares, 39 unidades familiares);
  • PA Recanto da Esperança (781 hectares, 57 unidades familiares);
  • PA Recanto do Bebedouro (800 hectares, 50 unidades familiares);
  • PA Águas Claras (1.162 hectares, 84 unidades familiares);
  • PA Vitória IV (382 hectares, 20 unidades familiares);
  • PA Santa Maria (4.943 hectares, 292 unidades familiares);
  • PA Esmeralda (6.557 hectares, 354 unidades familiares).

Títulos de regularização

Também foram entregues 350 títulos de regularização fundiária para moradores do município de São Bento (TO).

A ação permite que a prefeitura passe a emitir títulos individuais, consolidando a posse dos terrenos onde as famílias construíram casas. Esta é a segunda entrega na localidade, de um total que deve beneficiar 1.028 famílias.



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Tudo começou com uma galinha! Filme brasileiro é eleito o 15º melhor do século



O jornal The New York Times divulgou nesta última sexta-feira (27) uma lista dos 100 melhores filmes do século 21. Para compor o levantamento, o veículo norte-americano consultou mais de 500 diretores, atores e personalidades da indústria cinematográfica ao redor do mundo.

Entre todos eles, apenas um longa-metragem brasileiro está inserido. Lançado em 2002 e dirigido por Fernando Meirelles em parceria com Kátia Lund, Cidade de Deus acompanha os diferentes caminhos tomados por Dadinho (Douglas Silva/Leandro Firmino) e Buscapé (Alexandre Rodrigues) em uma dura realidade permeada pela violência.

O curioso é que a primeira cena do filme, que concorreu a quatro Óscares em 2004, mostra uma galinha fugindo da degola. Assim, o longa se distancia dos usuais planos abertos de abertura (quando a câmera está distante do objeto, geralmente uma grande paisagem) e se aproxima do cotidiano das pessoas na periferia carioca, mostrando como a avicultura pode alimentar as mais diversas camadas da sociedade.

Esse primeiro frame foi, inclusive, elogiado por um dos maiores diretores de cinema de todos os tempos. Em conversa com o Meirelles, Steven Spielberg perguntou como ele havia feito para filmar a cena.

“Eu expliquei para ele: o fotógrafo pegou uma câmera pequenininha e amarrou com uma fita crepe na vassoura e correu enquanto gritava ‘xô galinha, xô galinha’!”, contou Meirelles em 2019, em entrevista ao programa Provocações, da TV Cultura.

A resposta pegou o diretor de Jurassic Park e ET de surpresa, que respondeu dizendo que em Hollywood, resultado similar teria sido alcançado com uma fortuna. “Aquela cena, para mim, custaria um milhão e meio de dólares, e você fez com um cabo de vassoura?”, indagou.

Veja a icônica cena do filme no vídeo acima e não se esqueça de prestigiar o cinema nacional!



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Com soluções da Sumitomo Chemical, agricultor alcança maior produtividade de soja no Pará


Na última safra, o agricultor Rodolfo Schlatter alcançou uma produtividade de 108,8 sacas por hectare na cultura de soja, integrando estratégias de manejo avançadas e colaborando com tecnologias modernas do portfólio da Sumitomo Chemical – Soluções para o Agro. Esse desempenho o consagrou campeão paraense no Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, organizado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), do qual a Sumitomo Chemical é patrocinadora. Os resultados foram divulgados na última quinta-feira (26/6) durante o 17º Fórum Nacional de Máxima Produtividade de Soja. A conquista reforça a importância da adoção de boas práticas agrícolas, do apoio técnico e da parceria entre pesquisa e indústria para promover ganhos de produtividade.

Engenheiro agrônomo e produtor rural, Rodolfo Schlatter é natural de Itambé (PR) e conquistou o resultado na fazenda Santana Rios, no município de Santana do Araguaia (PA), em uma área de sequeiro. Além do primeiro lugar no estado, alcançou ainda o sexto lugar na região.

“Parabenizamos com entusiasmo o nosso campeão no Pará Rodolfo Schlatter, produtor parceiro, por essa conquista que é fruto de trabalho sério, visão de futuro e paixão pela agricultura. A Sumitomo Chemical agradece a confiança e reforça seu compromisso com os produtores rurais, protagonistas do agronegócio brasileiro”, afirma Marcelo Figueira, gerente de Fungicidas e Líder para a Cultura da Soja da Sumitomo Chemical. “Rodolfo utilizou nossos BioRacionais em 100% da área inscrita no desafio. A companhia tem um portfólio que está presente em lavouras com as maiores produtividades da cultura da soja no Brasil e se orgulha de apoiar iniciativas como o Prêmio de Máxima Produtividade de Soja do Cesb, que reconhecem e impulsionam a alta performance no campo”, destaca.

Soluções para o Agro

Cliente da Sumitomo Chemical, Schlatter usou BioRacionais – produtos biológicos ou de origem natural que atuam na proteção, produtividade ou melhor qualidade da produção das plantas – em 100% da área inscrita no desafio.

A começar pela solução de tratamento de sementes Aveo® EZ, que cria uma simbiose com as raízes, formando um biofilme que protege do ataque de nematoides (vermes que ficam no solo). Também utilizou o inseticida Inside® FS, que elimina os alvos rapidamente, no manejo de sugadores.

Para impulsionar o desenvolvimento da planta, aplicou os reguladores de crescimento MaxCel® e ProGibb®, que fazem parte do programa SOJA+. MaxCel induz a formação de mais hastes laterais para uma melhor arquitetura produtiva da planta e ProGibb diminui significativamente o abortamento de flores e vagens, resultando em mais grãos e maior produtividade.

Somadas a essas eficientes soluções, o produtor utilizou também os fungicidas Pladius® e Excalia Max® e o MycoApply EndoFuse®, esta voltada para melhorar a qualidade biológica, promovendo maior longevidade, saúde e qualidade à planta.

 





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Conflitos pressionam economia, mas inflação global deve ser limitada



O confronto entre Irã e Israel, iniciado em 13 de junho e que foi finalizado esta semana com um acordo de cessar-fogo, trouxe reflexos imediatos para o mercado internacional de petróleo. A tensão geopolítica também trouxe a preocupação para um novo ciclo de inflação mundial. 

Para o economista Caio Augusto Rodrigues, do Terraço Econômico, a chance desse conflito provocar um novo ciclo inflacionário no mundo é considerada baixa.

“Ainda vivemos em um mundo movido a petróleo, e 40% da produção global passa ou é originada no Oriente Médio. Por isso, qualquer tensão na região afeta o mercado de forma global”, afirma.

Petróleo no centro

O conflito durou 12 dias e envolveu ataques aéreos de Israel a instalações nucleares e militares iranianas, além de retaliações com mísseis disparados pelo Irã contra cidades israelenses e bases americanas, com centenas de mortes. Os Estados Unidos chegaram a bombardear alvos estratégicos iranianos antes de um cessar-fogo mediado por Washington encerrar temporariamente o conflito.

Durante o confronto, o preço do barril de petróleo Brent, referência global, subiu cerca de 19% e chegou a ser negociado a US$ 77. O temor era de um bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. Após o cessar-fogo, os preços recuaram rapidamente, com o Brent cotado em torno de US$ 68.

Efeitos na economia mundial

Na avaliação do economista, o risco de inflação global só aumenta se o conflito ganhar proporções maiores — o que, pelo menos por enquanto, não é o cenário mais provável. “Israel dificilmente manteria uma ofensiva sem apoio militar dos Estados Unidos. E não há interesse de grandes players, como China, Arábia Saudita e Emirados Árabes, em escalar as tensões neste momento”, diz.

Para o Brasil, os efeitos econômicos diretos são mais limitados, já que o país é menos integrado às grandes cadeias produtivas internacionais. Ainda assim, o especialista afirma que pode haver impactos indiretos. 

“Somos uma economia periférica e, em cenários como esse, surgem pressões sobre nossa política externa e relações comerciais. O Irã, por exemplo, integra os Brics. Como o Brasil deve se posicionar em um conflito como esse?”, questiona Rodrigues.

Ainda que os preços tenham reagido com força ao conflito, o economista acredita que o episódio teve um efeito mais pontual do que prolongado. “A inflação global permanece resiliente por outros motivos, como o excesso de liquidez pós-pandemia e disputas comerciais em andamento. Este choque foi forte, mas passageiro.”



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Contrato de quase R$ 300 milhões deve beneficiar agricultura familiar na Bahia



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o governo do estado da Bahia assinaram um contrato de R$ 299 milhões que serão destinados à agricultura familiar.

A iniciativa faz parte do programa Sertão Vivo, e os recursos deverão beneficiar 75 mil famílias, o que corresponde a cerca de 300 mil pessoas, em 49 municípios.

De acordo com o BNDES, o objetivo é apoiar a adoção de práticas agrícolas resilientes às mudanças climáticas por agricultores familiares do semiárido baiano.

Do total de recursos contratados, R$ 252 milhões serão disponibilizados em forma de empréstimo ao governo estadual, e os R$ 47 milhões restantes serão repassados pelo BNDES, de forma não reembolsável. Para o agricultor familiar, o apoio será 100% não reembolsável.

A assinatura do contrato ocorreu neste sábado (28), em cerimônia em Itiúba (BA), que contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT), da diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, e da representante do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), Alessandra di Giacomo.

Jovens na agricultura

O monitor da Escola Família Agrícola (EFA) de Monte Santo, Lucas da Silva Santos, foi um dos que discursou na cerimônia. Ele disse que graças aos projetos que chegam na região, ele conseguiu realizar o sonho de estudar e de ter a própria terra.

“É, sim, possível viver no semiárido. Na verdade, viver, não, conviver com ele. A gente tem a ideia que o semiárido é um lugar seco, com solo rachado e com carcaça de animais. Mas eu mostro para vocês que o semiárido é vivo, verde e cheio de abundância”, disse.

A estudante do curso técnico de agropecuária da EFA de Itiúba Anita Andrade da Silva acredita que os recursos poderão ser também uma oportunidade para os jovens. “Ouvimos muito dizer que jovens não querem nada, mas nós queremos. Nós queremos o futuro, queremos transformar, queremos sonhar”, discursou.

Sertão Vivo

A iniciativa Sertão Vivo é uma parceria do BNDES com o Fida, da Organização das Nações Unidas (ONU), que conta também com recursos do Green Climate Fund.

A previsão é que sejam destinados mais de R$ 1,3 bilhão a projetos no semiárido de seis estados do Nordeste: Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Piauí e Sergipe. Parte dos recursos são empréstimos e deverão ser reembolsados, e parte é doação.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o programa vai contribuir para transformar a realidade do semiárido da Bahia.

“É uma das prioridades do governo Lula, dar condições para que as famílias que vivem no sertão possam melhorar de vida de forma sustentável e, ao mesmo tempo, estejam preparadas para as mudanças climáticas. O programa atua de forma integrada: combate a pobreza, aumenta a produção de alimentos com tecnologias que se adaptam ao semiárido, recupera sistemas degradados da caatinga e gera resiliência climática. O resultado é mais renda, qualidade de vida e comida na mesa”.

A estimativa, de acordo com o BNDES é beneficiar, no total, cerca de 326 mil famílias (aproximadamente 1,3 milhão de pessoas) em situação de vulnerabilidade.



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Produtores precisam assumir o protagonismo no Pacto do Pantanal, defende ABPO


Participar ativamente da consolidação do Pacto do Pantanal e de políticas públicas como o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Esse foi o apelo do empresário rural e diretor da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), Leonardo Leite de Barros, aos produtores durante o terceiro dia do Pantanal Tech 2025, em Aquidauana, Mato Grosso do Sul.

Ele participou do painel “Valorização da Pecuária Pantaneira”, que reuniu especialistas em rastreabilidade, sustentabilidade e desenvolvimento territorial. Na ocasião, destacou que iniciativas como o PSA podem ser um diferencial de mercado para os produtos do Pantanal, mas que, para isso, é necessário engajamento local e agilidade nas soluções técnicas.

“Nós pantaneiros temos de abraçar os programas, como o Pacto do Pantanal, porque se não fizermos isso, vamos estar jogando fora a oportunidade da nossa vida”, afirmou Barros, que também pontuou o potencial do PSA como ferramenta de marketing. “O PSA vai ser instrumento de valorização do nosso produto. Mas, se não colocarmos isso no rótulo, se não comunicarmos, ninguém vai saber.”

Sustentabilidade adequada à realidade tropical

Leonardo Barros ABPO - produtor PantanalLeonardo Barros ABPO - produtor Pantanal
Foto: Divulgação

Na avaliação do produtor, o avanço do desenvolvimento sustentável no bioma exige medidas práticas e adequadas à realidade tropical. Entre elas, o desenvolvimento de sementes para pastagens nativas, o que permitiria a restauração e o manejo eficiente das áreas produtivas do Pantanal, com menor impacto ambiental.

“No Pampa gaúcho, eles já avançaram nisso. Precisamos fazer o mesmo aqui. Mas a semente tem que estar disponível, e isso ainda não está escalado. Eu sei que está em andamento, mas tem que correr.”

Outro ponto levantado pelo diretor da ABPO foi a ausência de uma metodologia brasileira adaptada ao clima tropical para medir emissões de gases de efeito estufa na pecuária. Ele mencionou iniciativas do pesquisador Urbano Macedo, da Embrapa, como exemplo de estudos aplicados à realidade pantaneira, mas reforçou a urgência de transformar ciência em instrumento de mercado.

“A gente precisa colocar no nosso produto que ele é carbono neutro ou de emissão reduzida. Mas se não existe metodologia tropical reconhecida, vamos continuar ouvindo e sendo medidos por padrões de clima temperado. Cadê a academia?”, questionou.

Barros finalizou sua participação reforçando que, embora elogie os avanços do governo estadual com o lançamento do Pacto do Pantanal e do PSA, a efetividade dessas políticas depende da atuação direta dos produtores rurais e da colaboração com universidades, institutos de pesquisa e entidades do setor.

“Política pública, eu tenho que elogiar. Mas nós precisamos participar ativamente para colocar de pé essa questão do PSA. Se não for com o produtor junto, não vai funcionar.”



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Qualidade do algodão dos EUA recua levemente



EUA semeiam 92% da safra de algodão até 22 de junho




Foto: Divulgação

Segundo o Weekly Weather and Crop Bulletin, divulgado nesta terça-feira (24) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até 22 de junho os produtores norte-americanos haviam semeado 92% da safra de algodão para 2025. O índice representa queda de um ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado e de três pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos.

O relatório aponta ainda que 26% da safra atingiu o estágio de quadratura, fase anterior à formação das maçãs, o que representa redução de três pontos percentuais em relação a 2024, embora esteja em linha com a média histórica.

No mesmo período, 5% do algodão do país estava em formação de maçãs — um recuo de três pontos percentuais em comparação ao ano anterior e de um ponto abaixo da média dos últimos cinco anos.

A qualidade das lavouras também apresentou leve deterioração. Em 22 de junho, 47% da área plantada foi classificada entre boa e excelente, um ponto percentual abaixo da semana anterior.





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Aves são reintroduzidos à natureza em áreas de usinas de açúcar e álcool



Em janeiro deste ano, 20 papagaios-chauá (Amazona rhodocorytha), aves extintas em Alagoas, começaram a ser reintroduzidos em uma reserva florestal de mil hectares situada em Coruripe, a 86,5 quilômetros de Maceió (AL).

Nos próximos meses, as aves devem ganhar a companhia de outros bichos, como o mutum-de-alagoas, além de jabutis e macucos.

O objetivo da reintrodução dessas espécies é recompor a fauna que existia originalmente na área de Mata Atlântica, pertencente a uma usina de açúcar e álcool, a fim de restaurar a funcionalidade do ecossistema.

“Essa área onde estamos reintroduzindo esses animais possui a maior quantidade de pau-brasil nativo e apresenta dois grandes problemas. O primeiro é o da reconexão florestal, cuja solução leva mais tempo, porque depende de plantar florestas. E o segundo, é manter a floresta de pé e viva, porque ela está colapsando, pois não tem animais dispersores de sementes”, disse Luís Fábio Silveira, vice-diretor do Museu de Zoologia da USP e coordenador do projeto.

Segundo ele, por esses motivos os pesquisadores estão soltando naquela área aves e jabutis criados em cativeiro e que fazem a dispersão das sementes para que a floresta se mantenha em pé, ao mesmo tempo em que iniciam os programas de reconexão dos fragmentos florestais.

Processo de conversão das áreas para as aves

O processo de reivindicação envolveu o Ministério Público, organizações não governamentais (ONGs) e lideranças locais, e demandou uma longa negociação com os proprietários das terras, contou o pesquisador.

A maioria dos fragmentos florestais de Alagoas é propriedade privada, principalmente de usinas de açúcar e álcool, e não são grandes o suficiente para que o poder público os reivindique para transformá-los em reserva pública, como um parque nacional ou reserva biológica.

Diante dessa realidade, a estratégia adotada pelos pesquisadores foi conversar com o Ministério Público (MP) e as ONGs locais para convencer os proprietários das usinas a transformar as áreas indicadas como prioritárias para conservação como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

“Esse tipo de unidade de conservação não é tão restritivo como as federais porque garante a perpetuidade da titularidade da área e, ao mesmo tempo, mantém a floresta de pé, sem desmatamento”, disse Silveira.

Segundo Silveira, muitos proprietários de usinas gostaram da ideia porque permite melhorar seus índices de ESG (Ambiental, Social e Governança). Um obstáculo, contudo, foi a necessidade de os proprietários das usinas pagarem os custos para o registro em cartório dessas áreas como RPPN.

Por meio de conversas com o Ministério Público os pesquisadores conseguiram que os cartórios de Alagoas isentassem as taxas. Por meio do projeto, foi possível criar mais de 5 mil hectares de área de Mata Atlântica protegida.

Envolvimento da comunidade

Uma das espécies protegidas por meio do programa, iniciado em 2018, foi o mutum-de-alagoas. Semelhante a uma galinha, o mutum-de-alagoas é a maior ave terrestre do Nordeste brasileiro, com tamanho similar ao de um peru e peso em torno de 4 a 4,5 quilos. Em razão dessas características, a ave, que se alimenta de frutas e só vive em áreas de floresta, foi muito caçada e, dessa forma, extinta da natureza há 40 anos.

“Não restava nenhuma espécie desse animal na natureza no começo da década de 1990. Só três representantes foram resgatados por um criador particular e decidimos então usá-los para iniciar o projeto”, contou Silveira.

De acordo com Silveira, a ave foi uma das únicas espécies de animal extintas na natureza que retornaram ao seu hábitat no continente americano nas últimas décadas. “Essa foi uma das primeiras iniciativas nas Américas. Outra na região foi a de uma espécie de corvo que ocorre só no Havaí e também havia sido extinto”, comparou.

A reintrodução da espécie causou uma onda de comoção pública, que resultou na criação de blocos carnavalescos e de corridas de rua em homenagem à ave, além de murais espalhados pela cidade e a decretação pelo governo de Alagoas do mutum como a ave símbolo do estado. A mesma comoção tem sido observada em relação à reintrodução do papagaio-chauá.

As aves foram reintroduzidas após serem mantidas por dois anos em um viveiro com 8 metros de altura, no meio da mata, para aclimatação, onde foram submetidas a testes físicos e comportamentais.



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